CRÔNICAS

Eugênio Sales, um cardeal sem passado

Em: 15 de Julho de 2012 Visualizações: 385015
Eugênio Sales, um cardeal sem passado

O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão "Uma cidade sem passado", de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.

O filme

Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é "Minha cidade natal na época do III Reich". Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing - como é denominada no filme - considerada até então baluarte da resistência antinazista.

Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória - o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen - fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma "judia e comunista" futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.

A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço - perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha - resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.

Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.

Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.

Deus tá vendo

E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.

Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação "Deus tá vendo", organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?

Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio - O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.

Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário, ao lado de Dom Geraldo Sigaud, arcebispo de Diamantina, membro da TFP, fascista e dedo-duro assumido. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. 

Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.

O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das "candocas" - como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As "candocas" desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as "candocas", que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada "Marcha da família com Deus pela liberdade", que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro "1964: A Conquista do Estado" (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.

Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia - e por enquanto não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa - posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.

- "Quem tem dúvidas...basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n'O Globo" - escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:

- A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%...

Portões do Sumaré

Por isso, a jornalista estranhou - e nós também - a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal "defendeu a liberdade e os direitos individuais". O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão "do respeito às pessoas e aos direitos humanos".

Não foram só os políticos sem credibilidade e serviçais, eles também, da ditadura. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio "uma quantidade enorme de asilados políticos", calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em "mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul". Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal seria, então, um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como "o intrépido pastor". 

Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só - umazinha - dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.

Segundo Hilde, dom Eugênio "fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos "subversivos" que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)". Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar "que ocorreu justo o contrário!", como no filme "Uma cidade sem passado".

Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em "manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos". As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.

Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.

- Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a "verdade", as memórias têm valor social de "verdade" e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem "a verdade" - escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.

A "verdade" construída pela mídia foi capaz de fotografar até "a presença do Espírito Santo" no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: "Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo" - berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.

- "A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória" nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.

Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que descanse em paz! Em vida, ele se esforçou tanto para ser leal à ditadura que agora, morto, não é justo desconhecer esse esforço. Que os jornais respeitem sua memória.

P.S. - O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme "Uma cidade sem passado". Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro "O que é Memória Social" (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos.
P.S. - A ilustração que foi acrescentada é do meu querido parceirinho Fernando Assaz Atroz
http://assazatroz.blogspot.com.br/

 

 

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255 Comentário(s)

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Renato Dias comentou:
21/10/2014
Muito bom professor, Se não tentarmos desconstruir essas representações mentirosas dos protegidos da mídia, quem o fará? Excelente crônica, parabéns e obrigado pela oportunidade de conhecer uma outra perspectiva sobre o assunto.
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Benedito Gois comentou:
19/06/2014
MILITARES DIZEM NÀO TER ENCONTRADO PROVAS DE TORTURAS EM QUARTÉIS (O Globo 19/06/2014, pg. 6). Os militares enviaram à Comissão da Verdade o resultado de uma sindicância feita pelo Exército, Marinha e Aeronáutica. Eles tiveram a cara de pau de concluir que não houve nem tortura nem qualquer tipo de violência em sete instituições onde ocorreram torturas e mortes. A prova: "Para reforçar que o lugar era adequado para os presos, o documento cita a visita feita em 1972 pelo então cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Salles. De acordo com a Marinha, Dom Eugenio teria mantido contatos em particular com os detentos, atestando a normalidade no uso daquelas instalações prisionais". Stuart Angel está vivo, segundo Dom Eugenio, que está morto, citado pelos generais, que são vivissimos.
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Roseli Henriques (I) comentou:
23/10/2013
Professor, não sei se o senhor viu a matéria da Carta Capital sobre Dom Eugênio Salles. No entanto, até a Carta Capital põe no título a palavra agente duplo. Como se ele tivesse algum papel na ajuda aos militantes de esquerda do período. http://www.cartacapital.com.br/revista/770/dom-eugenio-agente-duplo-6767.html/view Dom Eugênio, agente duplo Documentos inéditos provam a colaboração do primaz com a ditadura. Por Marsílea Gombata por Marsílea Gombata — publicado 18/10/2013 Acuados, os generais buscavam minar o ímpeto das lideranças católicas dentro da própria CNBB. Contaram, para isso, com uma das figuras mais influentes do clero: o cardeal e então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles. É o que revelam documentos oficiais obtidos por CartaCapital junto ao Arquivo Nacional em Brasília. Em relatório de 14 de março de 1976, o I Exército do Rio de Janeiro relata ao Serviço Nacional de Informações (SNI) como o cardeal conseguiu conter os esforços da própria CNBB de lançar uma campanha contra a repressão. Ao se referir ao “clero católico”, o documento dizia: “A CNBB pretendia fazer declarações sobre as atuais prisões, envolvendo elementos do PCB, no RJ/RJ. Dom Eugênio Salles conseguiu esvaziar o movimento da CNBB. Irah a Roma ET, no seu retorno ao país, farah declarações favoráveis”. A evidência fica clara em outro documento do SNI, também parte do acervo do Arquivo Nacional. A carta da CNBB, endereçada ao general Ernesto Geisel em 24 de setembro de 1975, pedia esclarecimentos sobre o paradeiro de presos políticos. (...) Diante da pressão, os militares usavam dom Eugênio – arcebispo primaz do Brasil desde 1968 – como uma espécie de garoto de recados, de acordo com o documento do I Exército do Rio de Janeiro ao SNI, de 1976. À época da prisão de jornalistas ligados ao PCB, como Oscar Maurício de Lima Azêdo e Luiz Paulo Machado, foram coletados depoimentos de outros profissionais de imprensa, como Fichel Davit Chargel e Ancelmo Gois, por meio dos quais seriam reveladas operações do PCB no Rio. Com tais informações nas mãos, os militares pressionaram o fotógrafo Luiz Paulo Os militares queriam, como relata o documento da Operação Grande-Rio, que dom Eugênio conversasse com a mulher do fotógrafo, Elaine Cintra Machado, para sugerir procurar o comandante do I Exército e obter informações sobre o detido. Era de extrema importância, no entanto, que o arcebispo deixasse transparecer o mínimo sobre a relação próxima que tinha com os militares. “Dom Eugênio Salles, por solicitação do CMT do I EX, fazendo transparecer ser iniciativa sua, aconselhou a Elaine que procurasse o CMT do I EX, dando a crer, também que soh o Exército poderia cooperar com ela.”
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Roseli Henriques comentou:
23/10/2013
Professor, não sei se o senhor viu a matéria da Carta Capital sobre Dom Eugênio Salles. No entanto, até a Carta Capital põe no título a palavra agente duplo. Como se ele tivesse algum papel na ajuda aos militantes de esquerda do período. http://www.cartacapital.com.br/revista/770/dom-eugenio-agente-duplo-6767.html/view Dom Eugênio, agente duplo Documentos inéditos provam a colaboração do primaz com a ditadura. Por Marsílea Gombata por Marsílea Gombata — publicado 18/10/2013 Acuados, os generais buscavam minar o ímpeto das lideranças católicas dentro da própria CNBB. Contaram, para isso, com uma das figuras mais influentes do clero: o cardeal e então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles. É o que revelam documentos oficiais obtidos por CartaCapital junto ao Arquivo Nacional em Brasília. Em relatório de 14 de março de 1976, o I Exército do Rio de Janeiro relata ao Serviço Nacional de Informações (SNI) como o cardeal conseguiu conter os esforços da própria CNBB de lançar uma campanha contra a repressão. Ao se referir ao “clero católico”, o documento dizia: “A CNBB pretendia fazer declarações sobre as atuais prisões, envolvendo elementos do PCB, no RJ/RJ. Dom Eugênio Salles conseguiu esvaziar o movimento da CNBB. Irah a Roma ET, no seu retorno ao país, farah declarações favoráveis”. A evidência fica clara em outro documento do SNI, também parte do acervo do Arquivo Nacional. A carta da CNBB, endereçada ao general Ernesto Geisel em 24 de setembro de 1975, pedia esclarecimentos sobre o paradeiro de presos políticos. (...) Diante da pressão, os militares usavam dom Eugênio – arcebispo primaz do Brasil desde 1968 – como uma espécie de garoto de recados, de acordo com o documento do I Exército do Rio de Janeiro ao SNI, de 1976. À época da prisão de jornalistas ligados ao PCB, como Oscar Maurício de Lima Azêdo e Luiz Paulo Machado, foram coletados depoimentos de outros profissionais de imprensa, como Fichel Davit Chargel e Ancelmo Gois, por meio dos quais seriam reveladas operações do PCB no Rio. Com tais informações nas mãos, os militares pressionaram o fotógrafo Luiz Paulo Os militares queriam, como relata o documento da Operação Grande-Rio, que dom Eugênio conversasse com a mulher do fotógrafo, Elaine Cintra Machado, para sugerir procurar o comandante do I Exército e obter informações sobre o detido. Era de extrema importância, no entanto, que o arcebispo deixasse transparecer o mínimo sobre a relação próxima que tinha com os militares. “Dom Eugênio Salles, por solicitação do CMT do I EX, fazendo transparecer ser iniciativa sua, aconselhou a Elaine que procurasse o CMT do I EX, dando a crer, também que soh o Exército poderia cooperar com ela.” Discurso. Líder ecumênico metodista e coordenador do Grupo de Trabalho da Comissão Nacional da Verdade que investiga o papel das igrejas durante a ditadura, Anivaldo Padilha reconhece que a figura de dom Eugênio é controversa: além de ter atuado a mando dos militares, chegou a negar ajuda a militantes, inclusive os católicos. Da mesma visão compartilha dom Angélico, bispo auxiliar do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo cuja trajetória foi marcada pela proteção aos militantes e que, inclusive, mais de uma vez esteve com o então ministro-chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva, para lhe entregar listas com nomes de desaparecidos. “Do que conheço a respeito da atuação do cardeal dom Eugênio, a não ser em casos isolados, ele realmente não se confrontou com a ditadura”, avalia. A omissão, o silêncio e a compra das versões dadas pelos militares para acobertar torturas e mortes nas prisões por dom Eugênio acabavam sendo respaldados pela mídia, com quem o cardeal mantinha ótimas relações – vale lembrar que ele escrevia artigos para O Globo e Jornal do Brasil com certa regularidade. Em audiência da CNV no Rio, ex-presos políticos destacaram a postura ambígua de certos setores da Igreja durante o regime militar. Atuante no movimento social da Igreja Católica, a pernambucana Maria Aída Bezerra procurou o então arcebispo do Rio para ajudar a amiga Letícia Cotrim, que estava detida. “A conversa não foi boa. Não deu certo. Ele não acreditava que a comunidade cristã dele estava sendo perseguida e não quis intervir. Ele nos considerava subversivos e era contra cristãos de esquerda”, declarou em seu depoimento na sessão do dia 17 de setembro. A proximidade com a ditadura passava também por uma forte amizade com Antonio Carlos Magalhães, governador da Bahia e pessoa de muita influência durante o regime. Uma amizade que chegava ao ponto de os dois serem vistos, mais de uma vez, tomando banho de mar juntos. Para dom Angélico, a posição de dom Eugênio era clara: “Não era uma postura dúbia. Basta analisar historicamente”, disse, ao lembrar que a ditadura foi construída pelas “classes conservadoras, os grandes interesses econômicos e o apoio da CIA”. “Vivíamos em meio à polarização indevida entre o mundo livre e o mundo comunista. E muitos na Igreja temiam essa onda comunista.”
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izilzeew comentou:
29/09/2013
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zvdodawr comentou:
29/09/2013
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Hildegard Angel comentou:
08/08/2012
Parabéns, José Bessa, seu artigo teve uma grande repercussão. Foi muito importante para recolocar a verdade em seu devido lugar. E obrigada por me mencionar. Abraços
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Plíno Quintão Fróes comentou:
08/08/2012
Prezado José Bessa, o posicionamento corajoso da Hilde e o seu texto, mostram que ainda há lucidez e que nem todos somos bois de presépio. Aproveitando o frescor do tema, envio-lhe o link do documentário EM NOME DO POVO, que apresenta um m omento importante da Igreja Progressista Brasileira e relata a vida de DOM MARCOS A.NORONHA, 1º Bispo de Itabira, que assim como D. Evaristo Arns, Leonardo Boff, Frei Beto e tantos outros, dedicaram suas vidas não à Igreja de Roma, mas sim à Igreja dos Homens, preocupando-se mais em oferecer o pão do que a hóstia. Não deixe de assistí-lo: http://www.youtube.com/results?search_query=em+nome+do+povo+marcos+noronha&oq=em+nome+do+povo+marcos+noronha&gs_l=youtube.12...58672.61688.0.65813.30.2.0.0.0.0.1015.1765.6-1j1.2.0...0.0...1ac.aXVceifNUD8
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Edson Moreira Leal comentou:
05/08/2012
Liberdade de expressão: sobre esse ponto de vista as pessoas podem e devem expressar suas opniões. Mas cabe comentar que provar é uma outra coisa. As pessoas se arvoram em defender suas teses e ideologias até com alguma violência verbal. Eu sou católico apostólico romano e professo minha fé sem extremismos. E por isso não me posiciono contra ou a favor dessa ou daquela personagem pública. Principalmente naqueles tempos de chumbo. Eu comecei a observar ,naquela época, as atuações de Dom Eugênio Salles.Eu era adolescente mas procurava me familiarizar com a figura do bispo após ouvir conversas de pessoas próximas a ele na paróquia que eu frequentava. Eu entreouvira relatos de que ele hospedara no Sumaré algumas personalidades políticas asiladas de governos vizinhos como Chile e Argentina e também de perseguidos políticos brasileiros:ajudando-os a sair da América Latina. Mas,por outro lado,eu seguia sua carreira pública em jornais e reportagens e era claro o apoio dele aos golpistas militares,ou seja ,ao status quo vigente na época. Será que nós tinhamos um agente duplo na Igreja? Talvez sim ,talvez não.Só quem deve saber são pessoas muito ligadas a ele na época. Esta certeza que muitos querem com nomes e datas, talvez nunca venham a ser confirmadas.
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Dulcineia Marcondes comentou:
30/07/2012
Como pessoas como que critica a igreja catolica e sem noçao dos fatos, voce precisa ser mais atualizado e estudar mais sobre os dogmas da religiao catolica antes de criticar, a igreja catolica na qual voce critica e faz de tudo para difamar.. e a unica de fato que realiza trabalhos sociais em prol dos irmaos, excluidos, é a minha igreja catolica que lutou e continua lutando por direitos humanos e qualidade de vida, e que muitos irmao deram a vida para hoje se vemos um pais que algumas conquista e direitos respeitados, a luta do negro, dos indigenas, pobres estarem hoje em melhores condiçoes é porque a igreja esta sempre junto lutando. Dom Eugenio Sales foi um dos que sempre lutou pelo o mais pobre marginalizado, excluido. Mas voce Jose Bessa nunca passou fome e nem morou na rua, nem e negro ou indigena, nunca teve que pedir esmolas, nem foi marginalizado, vitima de preconceitos so porque e pobre, ninguem feriu a sua dignidade voce nao passaou na pele nada disso entao e facil criticar e nem muito menos e cristao.
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MARCIA TOSCANO comentou:
28/07/2012
Simplesmente, me sinti menos louca. Eu fiquei achando que a idade e a dist\ãncia dos fatos tinham me confundido sobre o comportamento do cardeal. UFA! Que bom, este texto me recuperau a saude. MARCIA TOSCANO Socióloga Organizacional Coach e Palestrante
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João Alfredo Byrne Grassi comentou:
24/07/2012
Dom Eugênio Sales e seu apoio à Ditadura??????? Será mesmo? Então vamos ver quem conviveu com ele. Carlos Heitor Cony Dom Eugenio RIO DE JANEIRO - Se fosse muçulmano, umbandista, técnico de futebol, comunista ou lixeiro, dom Eugenio Sales seria o que sempre foi: um homem reto, sincero, fiel a seus princípios e, sobretudo, humano. Acontece que foi sacerdote, bispo e cardeal. Sua trajetória tinha um ponto de referência lá em cima -no caso dele, o Deus no qual acreditava e a igreja à qual servia em tempo integral e em modo total. Conservador, sim, e mais do que isso: coerente e sincero com sua forma de pensar e agir no mundo. O pessoal de certa esquerda o criticava porque não bajulava causas e doutrinas que entravam em moda. Ele fizera sua opção básica por uma religião estruturada, multissecular, que passara por um "aggiornamento" no Concílio Vaticano 2º. Não trocaria esse corpo de pensamento social e ação por um marxismo superado, um socialismo terceiro-mundista e badalativo. Além da doutrina tradicional da igreja à qual serviu, atualizou-se com as encíclicas que foram até citadas por João Goulart no famoso comício de 13 de março de 1964: a "Mater et Magistra", a "Populorum Progressio" e a "Pacem in Terris". Pessoalmente, creio que nem Jango nem a turma que o cercava tivessem lido (ou entendido) os documentos que gostavam de brandir para amenizar resistências numa sociedade que, afinal, se rotula de cristã ocidental. Protegeu perseguidos políticos daqui e de fora, com uma firmeza que desarmava os militares. Eu próprio, em certa época, fui rastreado por ele e por dois de seus auxiliares, dom Eduardo e dom Rafael. Em alguns momentos de perigo que atravessei, ia dormir na casa de dom Eugenio, no Sumaré, quando fumávamos nossos charutos. Detalhe importante: ele nunca me chamou pelo meu nome usual, mas de Heitor. Como meu pai e minha mãe.
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Percival Freitas comentou:
28/07/2012
Deixa de ser mané, Joáo. Tu num tá vendo que o Cony faz parte da tchurma do Charuto,usufruia o vinho e o tabaco do cardeal. O discurso do cony vente não tem qualquer legitimidade, ele nao foi torturado, embora tenha pegado uma bolada de indenização. Por que não aparece - como diz o Bessa - PELO MENOS UMA PESSOA, que dê um depoimento sobre a ajuda que recebeu do cardeal. NAO APARECEU NINGUEM. Não dá para desconfiar?
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Wilson comentou:
23/07/2012
No Brasil, também tivemos D. Jaime de Barros Câmara e Eugênio Salles. O primeiro, quando já estavam matando seres humanos contrários à ditadura militar que se iniciava ele, solenemente, disse no Globo no Ar: “Punir é Obra de Misericórdia.” E o segundo, jamais protegeu qualquer perseguido pela ditadura genocida, como mentirosamente foi afirmado pela cúria que, na farsa engendrada por ocasião de sua morte, arranjou uma pomba bêbada que pousou no caixão do dito cujo sendo logo reconhecida, pelos TFPs da vida como a encarnação do Espírito Santo. Pode? Não vai demorar muito vai surgir um milagre e o Ratzinger, ex-Santo Ofício e hojr papa nazista, mandará abrir processo para a beatificação da figura.
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alex professor comentou:
23/07/2012
Fico pensando o que a mídia amazonense vai noticiar quando morrerem os pastores SILAS E JONATAS CAMARA!!!! afffff
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Anne-Marie Milon comentou:
22/07/2012
Amigo Bessa Li sua última crônica, sobre a morte de um "príncipe da igreja". Logo depois escrevi um pequeno texto evocando, mais uma vez, um episódio de vida. Mas, tomada pelo turbilhão do cotidiano, esqueci de mandar. Aqui está: Uma vez, você me pediu para falar de maio de 68, dos meus tempos de estudante em Paris. Como lhe disse então, estava também muito engajada nessa época na juventude católica, na paróquia estudantil. Coordenava um círculo de discussões (modestamente!) denominado “países do terceiro-mundo”. Éramos fascinados pela igreja brasileira, pelo que soube depois se chamar “Teologia da Libertação”. Sabíamos de cor os nomes de vários daqueles bispos lendários: Dom Hélder, é claro, mas também dom Waldir Calheiros, Dom Adriano Hipólito, Dom José Maria Pires (Dom Pelé), Dom Cândido Padim e outros ... Para nós, havia uma coerência evidente e tranquila entre fé e política (vida da pólis). Em 1968 (se lembro bem), dom Helder foi à França, deu uma conferência no “Palais de la Mutualité” em Paris, uma sala imensa onde costumavam ocorrer as assembleias das centrais sindicais. A sala encheu a tal ponto que não sobrava um espaçozinho. Fiquei sentada, embevecida, aos pés do bispo de Olinda. Foi no turbilhão de maio de 68 que conheci aquele que iria se tornar meu companheiro. Um sergipano franzino e decidido como todos os severinos de quem nos fala João Cabral. Foi o casamento do amor e do fascínio por este país longínquo, que ainda não conhecia, mas que imaginava como a terra de todas as possibilidades. Sabia que lá tinha uma ditadura feroz. Todos os dias, os jornais franceses falavam das torturas, dos desparecimentos. Tinha vários amigos exilados. Uma amiga minha, a Dorinha Oliveira, tinha sido coordenadora do CEPLAR da Paraíba. Presa e torturada, conseguiu fugir com um passaporte falso. Tinha medo. Como eu tinha medo! Mas no meu imaginário, frente aos torturadores, havia uma igreja forte, nossa igreja, santuário da coragem e da resistência. 12 dias de navio... Acostamos no Rio. Mais 35 horas de ônibus “comercial” e chegamos a Sergipe. Conheci outro bispo: Dom José Vicente Távora, outro resistente, um homem simples, do povo, amoroso e de uma bravura tranquila. Mas ele morreu três meses depois da nossa chegada. Foi quando conheci a outra igreja brasileira, aquela que você descreve, aquela que se acomodava perfeitamente com a “ordem das coisas” e a apoiava. Depois de 5 anos, nos mudamos para o Rio e o quadro era o mesmo. Com o advento de Karol Woytila, sob a orientação, desde o início, de Joseph Ratzinger, iniciou-se a destruição sistemática e metódica da “Igreja da Libertação”, em consonância com um novo tipo de ditadura: a do mercado todo-poderoso. Creio que você conheceu de bem mais perto que eu a Igreja da Libertação. Vi uma vez na TV SESC um belíssimo documentário intitulado "Ato de Fé" sobre a resistência na igreja. Foi um desses momentos fecundos em que a resistência assume uma dimensão mística (Canudos, Contestado...), com todos seus equívocos, mas com a dimensão da utopia que nos faz tanta falta hoje. . Talvez por isso, vejo também nas minhas aulas que as jovens gerações e até as menos jovens não sabem nada dela e não têm mais as categorias de pensamento que permitem sua compreensão. Como é difícil falar desta resistência sem parecer fazer proselitismo! Anne-Marie
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neusa oliveira comentou:
22/07/2012
Verdades devem e tem que ser cristalinas para que possamos ter história real do mundo que vivemos ,concordo totalmente mas a minha idade diz que; se passarmos a revolver o passado e o fazendo mais importante como alicerce para o futuro cometemos um êrro enorme pois a fumaça do passado pode apagar o presente que vivemos e onde criaremos o alicerce para os que viverão. Sei que a lama atual exposta em todos os meios de comunicação nos ofende nos agride e o pior de todos os recursos nos anestesia por não podermos nada fazer. Mas é hoje que vivemos é hoje que temos que fazer valer direitos mesmo com toda hipocrisia que a democracia produz, falcatruando informações e leis , códigos e uma constituição que apesar de tão jóvem se tornou tão velha. Quando um judiciário se recusa a expor as mazelas que ocorrem em seu meio delapidando recursos que recebem as custas de verdadeiros assassinatos dentro da lei o que nos podemos esperar hoje. O ontem nos informa o hoje nos faz sobreviver . Pé no chão HOJE, pincelando o passado tirando a sombra que anuvia a verdade, porém que seja a base para uma geração menos medrosa,e mais corajosa.
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mario angelo comentou:
21/07/2012
fico contente em saber e ler matérias deste valor, vou repassar e por favor; continue ... a ditadura foi mas ficou outra, a mídia corrupta. Contato de mario angelo
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Paulo Bezerra comentou:
21/07/2012
Texto bom para um tema ruim. Porém oportuno diante da versão uníssona e mentirosa da mídia golpista. Dizer que “a manipulação da História serve como instrumento de controle e coerção” não chega a ser uma grande descoberta. Querer saber “o que deus viu ou o que não viu” deve ser brincadeira ou apenas força de expressão. Salve a conclusão do texto quando afirma que “A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder”. A mesma mídia que defende a liberdade de mentir, de caluniar, de condenar as pessoas sob o manto da “liberdade de expressão” que só pode ser utilizada por eles, as 05 famílias donas dos principais meios de comunicação do país. E o resultado não poderia ser diferente. Comentários, com raras exceções, descambando para o fundamentalismo religioso barato, ambíguo e dualista, tipo: “Se o cardeal vai p’ro céu ou p’ro inferno”. “Se ele agradou mais a deus ou ao demônio”. “Se ele apoiava a ditadura ou se abrigava comunistas fugidos de outros países”. O que é certo é que essa tragicomédia daria um grande tema hollywoodiano cujo título proponho “O SILÊNCIO DOS CULPADOS” tendo como protagonistas O cardeal e o seu passado obscuro e os membros da gangue do Cachoeira e seus depoimentos na CPMI do Congresso Nacional.
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Eder Franco comentou:
21/07/2012
Excelente texto, tio Babá. A discussão proporcionada aqui nos mostra a importância do seu trabalho. Com todos os meios de acesso à informação hoje que temos hoje, os grandes veículos não têm mais o direito de tentar maquiar a história.
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Jorge Dimitrov comentou:
21/07/2012
Professor José Ribamar Bessa Freire, caboclo nascido em Manuas, no Bairro de Aparecida, tu é bom mesmo! Falou e mostrou provas. Uma pena que pessoas como D Maribel Dias Kroth ainda acredite que a Igreja Católica só tenha Santo. Sugerimos que ela leia um pouco mais a história daquela poder parelo, em todas a história da humanidade.
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Gaspar Varela (portalrogerioferreira.ning.com) comentou:
21/07/2012
Gaspar Varela (Timor Leste) - Após ler esta crónica, sinto que de igual modo aconteceu e ainda acontece no Timor Leste. Posso frisar, que no meado de década de 70, quando Fretilin compareceu como uma força política com princípio democrático, libertador e criativo para educar e conscientizar o povo, a igreja católica do Timor juntava-se da UDT entre outros partidos para acusar que a Fretilin começava assimilando e tentando implementar os ideais do comunista para influenciar o povo no Timor Leste. Enquanto, os indonésios quando começavam a socializar a religião muçulmana ao povo com poder militar e económico é que a igreja católica volta a ter consciência crítica que afinal de contas estava desconfiando um número das figuras da Fretilin como comunista, por um lado, pois, os líderes de outros partidos por outro lado, trouxeram um grande número de comunista na Indonésia para invadir Timor Leste. Essa consciência motivava os referidos líderes para criar condições à catequização e o baptismo de massa. Na verdade essas coisas apareciam e aparecem devidos do medo da liberdade e da consciência crítica. E esse medo, provocou uma inconsciência dos líderes políticos e religiosos que traziam consigo concepção ideológica e filosófica a pequena burguesia. Apesar de tomar algumas considerações em relação às circunstâncias ocorridas para obter consciência e transformações de concepções, os líderes da igreja católica entre outros manter consciência mágica de negar realidade devido às ambições e ganâncias do poder. As figuras históricas da Fretilin que lutavam pela liberdade e democracia também voltando alinhar essa concepção por ambições e ganâncias do poder actualmente. Tentando definir ideologia de os outros partidos, sem saber definir a ideologia do seu partido. Esta atitude tem apresentado por razão de que eles tinham formado numa visão pequena burguesia, misturando com a visão tecnocrática actual gera consequentemente a dificuldade de transformar em uma concepção autenticamente libertadora e democrática, isto é, a falta de suicídio ideológico. Portanto, esses actos não acontecem apenas no Brasil, mas, no meu país com fragilidade concepção pela democracia, apresenta pior coisa.
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Margarete Almeida (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
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Silvana Santos (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Faço minhas as palavras do William. A pomba não foi ironia, foi um otário que comprou a caminho do velório e soltou ali na hora, eheheheh
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Marilda Fernandes (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Dom Eugênio Sales era um reacionário de carteirinha, que o diga Zuzu Angel, que quase foi enxotada do palácio episcopal
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Eider Cardoso (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Não gostei do título, pois Dom Eugênio tem um passado condenável. A crônica é nota mil
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Roberto Assis (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Dom Eugênio não moveu uma palha por nenhuma pessoa torturada, assassinada. Como iria pro céu? Jamais
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Janduir Feitosa (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
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Gigi (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
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Zeca ((Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Parabéns Bessa. Muito corajosa a tua crônica, além de verdadeira.
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Wilson (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Foi mesmo ridículo o circo que fizeram na morte do cardeal dos mais reacionários que já tivemos no Brasil ________________________________________
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Zilá (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Não há lugar no céu para uma pessoa que apoiou a criminosa Ditadura de 1964. A pomba no velório deu o recado
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Margarete Almeida (blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
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Evilasio (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
Será que só José Ribamar Bessa Freire e (Hildegard Angel) falam a verdade?
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Michel Alecrim (Blog Lima Coelho) comentou:
21/07/2012
A voz de Roma contra a ditadura. Morre o cardeal alinhado ao Vaticano que defendeu as tradições da Igreja e não afrontou os militares enquanto, secretamente, protegeu presos políticos
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laercio duarte comentou:
21/07/2012
Para alguma coisa Carlos Heitor Cony deve servir, senão o governo Lulla não lhe teria pago 1 milhão de reais como "bolsa ditadura". Razão do agrado: ele foi demitido da Última Hora, por criticar o regime militar e ficou um tempo sem emprego. Passeando por Paris. Tome temência e deixe de ser preconceituoso, homem. Eu também nunca gostei de Don Eugênio, mas ele era lider inconsteste da igreja católica.
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Rossi comentou:
21/07/2012
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Edivaldo Dias Oliveira comentou:
21/07/2012
A nota curta e laconica da Presidencia da República sobre a passagem desse senhor, que foi arcebispo de uma cidade da importancia do Rio, dá bem a dimensão da importancia que a atual governante, que esteve do outro lado do front deu a tal acontecimento. Que a terra lhe seja...justa.
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Osnaldo comentou:
21/07/2012
Não é bem assim! Na realidade, infelizmente, ocupantes de cargos públicos se prestam à ridícula e irresponsável situação de fazerem comentários que parecem criados apenas para não se dizer que deixaram de falar de alguém que morreu! No Brasil há um certo costume de se "anistiar" pessoas que morrem de quaisquer atrocidades que tenham cometido! E o pior é que muitos se calam e não se cobra que a mídia, as empresas de comunicação façam Jornalismo e não política/publicidade ou mesmo relações públicas travestido de jornalismo! Claro que ninguém é perfeito e o recomendável é que se mostre isso mesmo, sem medo de que o resgate histórico venha a "incomodar" familiares que ficaram!
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Altemar (Blog do Altino) comentou:
21/07/2012
Imbecilização Coletiva Induzida leva a essa anestesia mental que é retratada sobre os fãs de D Eugênio. Aliás, que nome! Me aguardem.
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SIMEI (Blog do Altino comentou:
21/07/2012
Eita que este artigo é porreta! Magnífico.
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Guedes (Blog do Altino) comentou:
21/07/2012
Se é a verdade, deve ser escrita e divulgada, mesmo se referindo a um Cardeal já falecido.
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Regina Cavalcanti (Blog do Altino) comentou:
21/07/2012
Parabéns pelo artigo! Destoa das inverdades ditas nos últimos dias por vários órgãos da imprensa.
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Francisco Dias (Blog do Altino) comentou:
21/07/2012
Cuidado com o Ronaldo Tiradentes, Bessa.Lol.
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Emilio Moraes (Blog da Amazonia) comentou:
21/07/2012
Desde sempre a igreja católica agiu assim. Basta pesquisar a quantidade de nazistas que fugiram da europa apoiados pelo vaticano.
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Leandro Carvalho (Blog da Amazonia) comentou:
21/07/2012
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Link Stream (Blog da Amazonia) comentou:
21/07/2012
Quanta bobagem escrita por quem se acha dono da verdade! Talvez esse jornalista imagine que foi ele mesmo quem criou o céu e a terra.. menos, bem menos Mr. 'sabe-tudo'
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Lema Gonzalo (Diario do Amazonas) comentou:
20/07/2012
É só um caso a mais da dupla moral dos jerarcas da igreja católica, que sempre aparecen, de um lado, como defensores do povo, somente para explorá-lo, mas pelo outro lado sempre tem sido aliados dos poderes que lhes garantem os seus privilegios e lhes permitem seus abusos de todo jeito. E isso tem ocorrido em todos os paises da América Latina, submetidos a ela por acordos que sao um vexame para os seus povos, como sucede na Colômbia com o chamado “Concordato”.
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Nazira comentou:
20/07/2012
Li há pouco o seu artigo sobre a morte do Cardeal. Além de ter dado boas risadas na primeira parte, acho que você toca em questões fundamentais para a democracia. Você viu a denúncia sobre o ataque ao GTNM? abracos
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JAIR KRISCHKE comentou:
20/07/2012
Por conhece-lo, certamente, teu argumentos sobre D. Eugênio Salles são corretos. Pessoalmente, o tenho como um reacionário mas, FOI NA ARQUIDIOCESE, SOB SUA CONDUÇÃO, QUE ARGENTINOS, CHILENOS, URUGUAIOS, PARAGUAIOS, PERUANOS E TANTOS OUTROS RECEBERAM O FRATERNO APOIO DE REFÚGIO E SEGURANÇA PARA SOBREVIVEREM ÀS PERSEGUIÇÕES DE QUE ERAM VÍTIMAS.LEMBRAMOS DE SUA MENSAGEM, DATADA DE FEVEREIRO DE 1979, À FLORINDA HABGGER, CUJO MARIDO, O JORNALISTA ARGENTINO NORBERTO HABGGER, DESAPARECERA NO RIO DE JANEIRO, NA QUAL RECOMENDAVA QUE TOMASSE CUIDADO SE VIAJASSE AO RIO DE JANEIRO PARA CONVERSAR COM ELE: " [...] Conforme prometi, mandarei um sacerdote ou uma religiosa esperá-la no aeroporto e conduzi-la a uma casa de freiras. Da parte do Brasil, não acredito que exista perigo. Suponho que tenha sua documentação em ordem. Entretanto, há elementos da polícia argentina aqui. Não se pode provar, mas constatou-se nos últimos meses, por três ou quatro vezes, essa presença. Pessoa da Arquidiocese a quem consultei julga haver perigo mesmo com a cooperação acima citada. Deixo a decisão a seu critério.” Um abraço
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Jandir Ipiranga Júnior comentou:
20/07/2012
Esse texto é um tapa na cara desse jornalismo inescrupuloso que assola o Brasil. Taqui Pra Ti !!! Resta-nos divulgá-lo o máximo que for possível, para que a "memória" dessa caterva não prevaleça sobre a verdade. Paidégua, Professor !
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20/07/2012
Professor, José Ribamar Bessa Freire, você não foi desrespeitoso ao tratar da morte de dom Eugênio Sales. A única coisa que você fez e com muita coragem, foi tratar da verdade histórica! Foi genial a lembrança do filme! Parabéns. ERIVONALDO NUNES DE OLIVEIRA Contato de Erivonaldo Nunes de Oliveira
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Rodrigo Octávio comentou:
19/07/2012
Prezado, encaminho depoimento de Antônio Canuto, da CPT EU ESTIVE COM DOM EUGENIO Nestes dias muito se tem escrito sobre Dom Eugênio de Araujo Salles; sobretudo, muito se tem falado sobre sua ação em defesa de perseguidos políticos. Na esteira deste debate eu também quero participar, pois estive com ele, em dezembro de 1975, enviado por Dom Pedro Casaldáliga e toda a equipe de pastoral da Prelazia de São Félix do Araguaia que estava reunida para tentar me avistar com o Pe. Francisco Jentel que estava preso, aguardando o decreto de sua expulsão do Brasil. Dom Eugênio era a única pessoa que tinha acesso a ele. Por Antônio Canuto Cheguei ao Rio de Janeiro no dia 15 de dezembro e no final da tarde, começo da noite, estive em sua residência. Apresentei-me como enviado pelo bispo de São Félix e a equipe de pastoral e lhe manifestei o desejo de encontrar-me com o Pe. Jentel para dizer-lhe que a Prelazia toda o estava acompanhando naquele momento. Sua resposta: - Vou telefonar para o ministro da Justiça dizendo-lhe que o senhor está me acompanhando. Como naquele tempo se caçavam até fantasmas, ponderei que talvez não fosse o melhor eu tentar ver Jentel pessoalmente. Então lhe disse: - Vou escrever uma carta a ele dizendo que estou aqui no Rio, em nome da Prelazia e que todos o acompanham com preocupação e orações. Ele disse: - Vou telefonar para o ministro da Justiça para dizer-lhe que estou levando esta carta. Então lhe perguntei se tinha que dar satisfação ao Ministro da Justiça do que conversava com o preso. Acenou que não. Então, pedi-lhe para que desse o recado de que a Prelazia havia me enviado para de certa forma acompanhá-lo naquela hora. Naquela mesma noite foi assinado o Decreto de Expulsão e Jentel foi embarcado de volta para a França, no dia seguinte, 16 de dezembro de 1975. Quem era o Pe. Francisco Jentel? Era um padre francês, que veio ao Brasil no final de 1954. Viveu 10 anos com os índios Tapirapé, em sua aldeia, e a partir de 1964, em Santa Terezinha, um pequeno povoado de sertanejos, no nordeste de Mato Grosso. Era o tempo em que se instalavam as grandes empresas agropecuárias, apoiadas pela Sudam e que dispunham dos recursos dos incentivos fiscais para seus "projetos de desenvolvimento”. Em Santa Terezinha estabelecia-se a Codeara, do Banco de Crédito Nacional, que tentou expulsar as famílias de posseiros de suas terras e impôs um plano de urbanização do povoado, desconhecendo o que existia. Estava armado o conflito. O Pe. Jentel posicionou-se ao lado das famílias sertanejas na defesa de seus direitos. Por isso foi muitas vezes denunciado como agitador e comunista. Em 1972, houve um enfrentamento da fazenda, apoiada pela Policia Militar do Mato Grosso com os posseiros. Alguns jagunços da empresa saíram feridos. A repressão foi grande e o Pe. Jentel foi denunciado por atentar contra a Segurança Nacional. Foi julgado pela Justiça Militar de Campo Grande, MS, e condenado a 10 anos de reclusão. Ficou preso um ano. No julgamento da apelação o Superior Tribunal Militar, STM, se declarou incompetente, por não se tratar de crime contra a Segurança Nacional. Mas foi feito um conchavo de tal forma que o STM absolveria o padre, mas este deveria espontaneamente deixar o país. Foi o que aconteceu. No final de 1975, Jentel regressou ao Brasil. Para demonstrar que não era nenhum clandestino, desembarcou em Brasília, e foi a Fortaleza para se avistar com o presidente da CNBB, Dom Aloísio Lorscheider. Na manhã do dia 12 de dezembro, ao sair da casa do arcebispo, foi sequestrado na rua e embarcado para o Rio de Janeiro, onde ficou aguardando o decreto de expulsão. Neste período em que esteve no Rio é que Dom Eugênio tinha contato com ele. É importante destacar neste caso, que o juiz civil da Justiça Militar, Plínio Barbosa Martins. em seu voto vencido disse textualmente: "Não me importam as pressões dos que ditam caminhos a ser seguidos... Na maneira de se conduzir do Pe. Jentel, entrevejo um exemplo cristão a ser seguido... Jentel merece um prêmio, não a prisão”. No contato com Dom Eugênio, não vi nenhum gesto, nenhum sinal, nenhuma palavra que demonstrasse contrariedade, muito menos inconformidade com a situação do padre que estava para ser expulso. Mais que isso. No rápido diálogo que tivemos demonstrou seu desagrado com os escritos de Pedro Casaldáliga. (Não fazia muito tempo, havia sido lançado um livro de poemas do Pedro, prefaciado por Ernesto Cardenal, que a certa altura dizia que o Brasil era "governado por decrépitos generais”). Dom Eugênio me disse: - Se fosse eu o presidente, o teria expulso. Antônio Canuto é Jornalista e Secretário da Coordenação Nacional da CPT - Comissão Pastoral da Terra (CPT)
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Joca Oeiras comentou:
19/07/2012
Dom Helder e Dom Eugenio: ou muito me engano ou santidade não se transfere por amizade! rsrs
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Franco Beal (Blog da Amazonia) comentou:
19/07/2012
Ditadura... quem viveu aquele período chamava era de 'ditamole', porque se fosse dura mesmo todos esses corruptos que estão aí no poder não estariam sequer vivos. Morreu gente? Muito mais gente morre hoje em dia no trânsito, por decorrência do tráfico de drogas, etc. e esse tipo de coisa não acontecia naquela época. Não que eu seja contra a democracia, mas foi o excesso de vontade de 'democratizar' o país que permitiu essa excrecência no congresso ( a tal da imunidade parlamentar é o maior absurdo; o segundo maior absurdo é a capacidade de os parlamentares aumentarem os próprios salários). Para acabar com isso, nenhum deputado vai se mobilizar (acabar com a farra pra quê, se sou eu quem aproveita mais??) Só mesmo um golpe de estado nesse momento para resolver esse problema.
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Antonio Lauri dos Santos (Blog da Amazonia) comentou:
19/07/2012
VOCE DEVERIA TER ESCRITO ISSO ENQUANTO O CARDEAL ERA VIVO , AGORA É COVARDIA .
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CARLOS PARANA (Blog da Amazonia) comentou:
19/07/2012
E acaso isso é demérito? Pelo menos na chamada 'ditadura', que de ditadura não tinha nada, não havia esta corja de ladrões do PT roubando até pirulito de criança...
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Nielsen Amaral (Blog da Amazonia) comentou:
19/07/2012
ridículo vc mas dom eugênio com certesa já te perdou por ser um imitador de cristo já vc anda imitando quem? pelo que e vejo deve ser o tinhoso, mas conhecido biblicamente como o pai da mentira.
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Rodrigo Jose Moreira comentou:
19/07/2012
Essas comissões da Verdade só serviriam para ajudar cumpanhêros a conseguirem pensões pornograficas usando a desculpa de serem perseguidos politicos durante a ditadura pq levaram uma multa por alta velocidade. Ficar de mimimi atacando a ditadura de direita é tipico de vermelhinho alienado, que não percebe que muitos, ou quase todos os grupinhos de lutadores da liberdade de esquerda queriam instalar no país uma 'ditadura do proletariado' com moldes na URSS..... Seria uma forma dos oprimidos passarem a opressores. Para finalizar, avaliem as ditaduras de esquerda que existiam no mesmo periodo da nossa ditadura. Vejam quem trucidou mais o povo...
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Herbet Da Silva (Blog da Amazonia) comentou:
19/07/2012
O BRASIL ESTÁ VIRANDO O PAIS DO MIMIMI, É CHORADEIRA DE TODOS OS LADOS. VÃO TRABALHAR, CARPIR UM TERRENO, BATER UMA LAJE, LAVAR ROUPA, LOUÇA E NÃO ENCHAM A PACIÊNCIA CAZZO!!!
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RICARDO BERNARDO PEREIRA (Blog Amazonia) comentou:
19/07/2012
RESPEITEM Dom Eugênio - até a pomba assim o respeitou ..... Existe o bem e o Mal --- se não fosse Dom Eugênio teríamos hoje como em Cuba não apenas diminuido o numero de católicos - mas sim zerado a mando da URSS - vejam o que jornalistas como esse e o próprio governo do Pt anda tentando fazer - com desculpas de estado laico acabar com a Fé do Povo ; não vamos dar ouvidos a que não acredita em Deus - outra porque jornalistas nem diploma não precisam ? porque não tem compromisso com a verdade e sim em vender, vendem até a mãe se precisar vender jornal qto mais um cardeal ; Eu certamente seria contra a Igreja ( em função da ciência ) na idade medieval, mas creio que se não tivesse havido os inquisitores- esse Mundo já teria terminado faz tempo- como se caminha hoje SEM FAMILIAS, SEM FÉ , MINORIAS QUEREM CRIMINALIZAR TUDO ; MENTIRAS E MAIS MENTRIAS DO JEITO QUE O DIABO GOSTA ;
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Fernando Augusto Pinto (Blog da Amazonia) comentou:
19/07/2012
RICARDO BERNARDO PEREIRA se você não sabe Cuba é um dos países com maior proporção de católicos no mundo.
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Maria Amélia Reis (Blog Amazonia) comentou:
19/07/2012
Maria Amelia Reis Parabéns Bessa você escreveu este texto efetivamente inspirado e, acredito, indignado. O mundo em que vivemos ainda é por demais desumano e as populações até por conta da educação antipopular que recebe por todos os lados é facilmente submetida e poucos conseguem ver criticamente a realidade. Vivi este tempo. PARABÉNS Professora Maria Amelia Reis
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Geraldo Nascimento (Blog Amazonia) comentou:
19/07/2012
Geraldo Nascimento Achei muito bem escrito e de elevado nível o artigo do José Ribamar, procurando ajudar-nos a descobrir a verdade por baixo das versões. Já alguns comentários, se desclassificam por si mesmos, pois não conseguem manter o nível da educação e tentam, inutilmente, denegrir o artigo e o articulista. Fora desse embate político trazido à tona por alguns, também tive o caminho entrecruzado com o de Dom Eugênio enquanto cardeal arcebispo do Rio de Janeiro. Vou tentar resumir. Morava eu em São Paulo e trabalhava com pessoas com deficiência. Como encarregados regionais, começamos, pelos anos de 1978, a ajudar o pessoal do Rio de Janeiro a organizar o movimento lá na cidade. Marcamos, então, por telefone, uma entrevista com o Cardeal, com o objetivo de solicitar a ele a aprovação e o apoio do clero do Rio ao movimento, já que eramos um grupo cristão católico internacional, que havia chegado ao Brasil em 1972. Saimos de São Paulo, duas pessoas com deficiência séria, numa kombi, e fomos para a cidade maravilhosa, com todas as dificuldades que se possa imaginar, naquela época, de acessibilidade para esse grupo de pessoas (escadas, portas estreitas, banheiros impossíveis de serem usados por um cadeirante e, muito menos, por alguém numa maca). No Rio nos esperava mais uma cadeirante e fomos para a entrevista. Chegando lá, recebemos a notícia de que o Arcebispo não poderia nos receber e que seríamos atendidos pelo Coordenador da Pastoral da Saúde. Muito amável e gentil conosco, o médico se encantou com nosso trabalho, em que as pessoas com deficiência é que eram as 'apóstolas' das outras pessoas com deficiência. O coordenador da pastoral da saúde, médico, dr. fulano (omito o nome por questões de ética) assegurou-nos que transmitiria tudo ao Cardeal e que certamente ele apoiaria nosso pleito e recomendaria que as paróquias também apoiassem o movimento das pessoas com deficiência. Voltamos a São Paulo e esperamos a carta de Dom Eugênio. Depois de um ano, sem resposta, com a insistência do pessoal do Rio, resolvemos marcar nova entrevista com o Arcebispo. Viajamos outra vez ao Rio, o mesmo grupinho, com as mesmas dificuldades que passava a pessoa com deficiência ao sair de sua casa, muito maiores que as de hoje. Novamente o Cardeal não pode nos receber. Falamos com um dos bispos auxiliares que, igual ao médico do ano anterior, encantou-se com os relatos e deu-nos as mesmas garantias: 'o Cardeal vai gostar muito e vai escrever a vocês'. Mais um ano, sem a resposta, as paróquias não dando o apoio necessário, não disponibilizando locais para as reuniões, por falta de uma manifestação afirmativa do Cardeal, marcamos outra entrevista. Tudo agendado, confirmado com a irmã secretária do Cardeal antes de sairmos de São Paulo para a longa viagem, partimos. Outro bispo-auxiliar, desculpando-se em nome de seu superior hierárquico, conversou conosco. Admirou-se ele das dificuldades incríveis daquelas pessoas com deficiência que ali estavam, de sua coragem e do sacrifício que era sair de São Paulo para ir até o Rio, mas que a gente não se incomodasse pois ele falaria com Dom Eugênio e ele iria apoiar, com certeza. O tempo foi passando e o apoio não veio. O pessoal do Rio, com muitas dificuldades, pois o movimento não ia para a frente e só poucas paróquias, sem o aval superior, liberavam espaços acessíveis para as pessoas com deficiência se reunirem. Era uma novidade as pessoas com deficiência quererem se reunir em locais das paróquias e alguns padres tinham medo. Sabendo que todos os bispos do país reuniam-se em Itaici, interior de São Paulo, próximo a Campinas, na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em sua Assembleia anual, resolvemos ir para lá. (Em São Paulo, além da capital com vários grupos, o movimento havia se espalhado para mais de 20 cidades e no Rio de Janeiro permanecia com dois grupinhos pequenos). Combinamos com a Secretaria Geral da Assembléi
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José Alvaro Vieira comentou:
19/07/2012
Acabo de receber de um amigo um texto com o título \"Um cardeal sem passado\". Diante de um texto tão contundente, rico e profético como esse, o que me resta? Primeiro, fluí-lo nos caminhos da Net. Segundo, parabenizar o autor. Parabéns, José Ribamar, pela arte da sua escrita e por esta contribuição tão sublime para a nossa memória histórica. Abraço, Álvaro
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Helio Gusmão Filho comentou:
19/07/2012
MESMO NA COMOÇÃO, CREIO QUE ESSE TEXTO TEM UM GRANDE FUNDO DE VERDADE E ASSIM SENDO, PELA SUA RELEVÂNCIA E ANÁLISE SINCERA, NA CONCRDÂNCIA,EU O REPASSO... Adital Noticias da America Latina e do Caribe http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=68808
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Alcimar Rocha comentou:
18/07/2012
é isso aí, antes ele do que eu. Contato de Alcimar Rocha
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Alcimar Rocha comentou:
18/07/2012
que haja a verdade, doa a quem doer, porque segundo o grande mestre Jesus Cristo; "buscai a verdade que ela vos libertará" Contato de Alcimar Rocha
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Ana comentou:
18/07/2012
Catolicismo e resistência no Brasil: impasses e controvérsias Escrito por Jessie Jane Vieira "Nesse trabalho busco apresentar, de forma resumida, a trajetória de um ícone do catolicismo conservador brasileiro e em torno do qual existem varias controvérsias. Trata-se do Cardeal do Rio de Janeiro que para muitos foi o responsável pela virada conservadora da Igreja Brasileira. Tento entender os motivos que na atualidade levam este Cardeal, extremamente cioso da sua autoridade e com grande prestigio social, a buscar construir uma outra narrativa sobre si mesmo e sobre sua atuação enquanto arcebispo e cardeal ao longo do período ditatorial". O artigo da historiadora que foi diretora do Arquivo Publico do Estado do Rio de Janeiro traz depoimentos sobre dom Eugenio de seus colegas:Valdir Calheiros, bispo de Volta Redonda, e Paulo Arns. Ela delimita também a íntima relação do cardeal Eugenio com os militares, com o Vaticano, e a forma como tratou os padres progressistas e os presos politicos. Ela conclui: Pergunta Diante destas evidencias me perguntei porque o cardeal havia iniciado essa operação memorialistica ... Minha hipótese é de que o discurso do cardeal foi dirigido para dentro da própria Igreja na busca de uma incorporação à uma memória institucional sobre o período e, para tanto, ele aciona seus operadores de memória, que foram os jornais O globo e o Estado de São Paulo, jornais de grande circulação nacional, para produzir uma nova narrativa que foi intitulada pelo jornalista de “justiça a um cardeal”. O interessante a ressaltar que esta iniciativa do Cardeal foi coroada de êxito até mesmo entre aqueles que conheciam os episódios narrados. Veja o artigo: http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=2324%3Acatolicismo-e-resist%C3%AAncia-no-brasil-impasses-e-controv%C3%A9rsias
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Janice M. da Cunha comentou:
18/07/2012
Professor Bessa, meus agradecimentos por estas corajosas palavras! Que sorte temos de lhe conhecer e de poder ler as suas crônicas!
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Paulo José Cunha comentou:
18/07/2012
Bessa, por que não oferece ao Observatório da Imprensa? Aposto que vão adorar. Abraço saudoso, compadre velho. PJ
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Fred Benevides comentou:
18/07/2012
"Busque a verdade e a verdade vos libertará." Essa maxima de Jesus vai em desencontro a quase todos os fatos catolicos. A doutrina catolica explora a ilusão dos seres humanos enfocando atraves dos dogmas a salvação e o respeito atraves do TEMOR. As autoridades embarcam nesta máscara. A noticia, aqui, mencionada é incontestavel, pois ´faz parte dos anais historicos. Oconceito que tive atraves dos tempos sobre este "missionario" de "Deus" é exatamente o expresso neste relato, ou seja de pusilamine, traidor dos ensinamentos cristãs, travestido de autoridade catolica. Agora é naufrago da verdade.
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José Pereira sobrinho comentou:
18/07/2012
Gostei das informações, e tenho certeza que se conseguirem expor tudo que ocorreu entre 1964 e 1979, muitos "heróis" sucumbirão, principalmente no campo político.
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Ana comentou:
18/07/2012
Dom Eugenio não se omitiu perante a ditadura, ele optou por não fazer um confronto direto com os militares justamente para abrigar militantes políticos.. e tudo bem era um conservador, mas mantinha diálogo com os progressistas da Igreja e tinha dom Helder inclusive por amigo... não entendo essa sua preocupação em macular a figura dele,... Dom Eugenio criou a Pastoral das Favelas, do Menor.. ajudar a criar junto de Dom Helder a Campanha da Fraternidade... não foi um bispo que negligenciou o social, ainda não fosse favorável a TL.
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Tatiana comentou:
18/07/2012
Gostaria de dizer que adorei o texto Um Cardeal Sem Passado. Além do texto excelente, muito importante para marcar o contraponto a essa cobertura, ainda amei as indicações de filme e de leitura. Sou da Paraíba e, recentemente, morreu o ex-governador Ronaldo Cunha Lima. A mídia local fez o mesmo, divulgou a morte de \"um mito\" e simplesmente varreu para debaixo do tapete o tiro que ele desferiu (quando era governador!) no ex-governador Tarcísio Burity. E tantos outros fatos questionáveis de sua carreira tão cheia de contradições. Precisamos todos estar atentos a esses crimes. Principalmente, nós, jornalistas, que ajudamos a construir as memórias oficiais. PARABÉNS E OBRIGADA PELO CONHECIMENTO! =============================================================
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LUCIO CELSO comentou:
17/07/2012
As revisões históricas hão de ser feitas, dentro mesmo do quadro de Poder de que fala. A base teórica de compreensão da formação da memória/verdade está bem definida. Só nos resta compartilhar.
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Artur Francisco Pedreira comentou:
17/07/2012
Olá Ribamar, só mesmo você para escrever um artigo como esse. Por favor, mande um e-mail para mim com seu e-mail pessoal.
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Regina Galvão comentou:
17/07/2012
Bravo! Bravíssimo! Por esta muito oportuna matéria em tempos da Comissão da Verdade. É hora do esclarecimento sobre o confronto entre a História "oficial" e a História Oral, que muito pode contribuir para a formação da memória coletiva, sem retoques. O Brasil precisa valorizar o cidadão que trabalha diariamente para mellhorar as condições sociais do país. Regina Galvão
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heliete comentou:
17/07/2012
Ribamar, eu já me sentia uma hfilme argentino A História Oficial, e da Fita Branca, em que o pastor é um sádico respeitado. Quosque tandem, etc???
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Ana Carolina comentou:
17/07/2012
O senhor jornalista deveria estudar melhor os arquivos que tanto menciona para falar mal de Dom Eugenio. Leia o artigo: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nao-era-bem-assim--,900503,0.htm No qual o autor afirma: "Então, em 1993, fiquei pasmo com uma revelação totalmente inesperada. Ao descobrir documentos do Exército relatando reuniões secretas entre o regime e os bispos nos anos de chumbo, li como d. Eugenio e outros "conservadores" batiam de frente com os militares ao lado de "progressistas" como d. Paulo Evaristo Arns, d. Ivo Lorscheiter e Candido Mendes. Também descobri que, nos bastidores, ele defendeu os direitos humanos, criticou o governo e atuou como um dos pioneiros da Igreja progressista nos anos 50." É uma pena que existam pessoas superficiais que como o senhor são incapazes de fazer uma análise mais profunda da história e pesquisas sérias antes de fazer acusações.
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dori carvalho comentou:
17/07/2012
caro ribamar, leio seu artigo, que chegou a mim por outros caminhos: foi até ribeirão preto, via wanderley caixe - preso na ditadura - e voltou pra manaus via email. é um artigo belo, porque é bela a busca pela verdade e pela justiça. obrigado
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Jorge Alvaro comentou:
17/07/2012
Caro Babá, Também fiquei surpreso com a versão atual noticiada sobre esse novo D. Eugênio pos mortem.
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aldo comentou:
17/07/2012
Um unico ser diante de tantos que defenderam o golpe. Não tenho duvidas do consentimento religioso, e principalmente da midia. escrita de forma vergonhosa a época. mas, eu acredito nos novos dias, essa memoria deve ser trabalhada pra ser bela no futuro. Deus abençoe a todos.
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André Ricardo Costa comentou:
17/07/2012
Duas coisas: Foi menos dura a crônica da morte do Gilberto Mestrinho. De onde veio esse percentual de católicos?
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17/07/2012
Excelente. Oportuna e corajosa. Meu pai costumava dizer, diante das lamúrias manifestadas por conta de um morto notório, que bastava morrer para se tornar santo e que “desconhecia o cemitério dos pecadores”. Receba minha manifestação de apoio e a observação que se segue: a diferença entre “indelicadeza” e “coragem” é meramente ideológica. Não pode haver indelicadeza quando se diz ou se divulga a verdade manifestada sem agravo. Só pode existir coragem. Lembro-me da época em que o Carlos Lacerda caluniava moralmente seus adversários e a “banda de música” da burguesia nacional atribuía-lhe coragem (aliás, coisa que na verdade ele não tinha. Aquele tiro no pé até hoje não se explica). Qualquer resposta àqueles insultos, quando a mídia se dignava a publicar, considerava-se, no mínimo, inconveniente ou indelicada. Meu caro professor José Ribamar Bessa Freire, você foi feliz e corajoso. Parabéns. Roberto Léllis Contato de Roberto de Bastos Léllis
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ArnaC (Blog Assaz Atroz) comentou:
17/07/2012
A biografia e a história eclesial de Eugênio Sales é um tantinho mais complexa, se partirmos dos anos-50, antes e durante sua ocupação da Sede Episcopal de Natal. Com Helder Câmara, liderou o grupo dos Bispos Nordestinos. Eram estes empenhados no combate à miséria, na reforma agrária e na educação popular, tendo criado o sistema de radiodifusão educativa SIRENA. Mas os anos passam e as coisas desandam. Nem o "padre" Hélder, como apreciava ser chamado, nem o Bispo potiguar reagiram contrariamente ao golpe burguês-militar de 1964, ao lado de um mínimo, mas ativíssimo, contingente de prelados que não aceitaram a barbaridade da deposição do regime. Só os anos futuros, a partir de 1966, redimirão o "padre", mas impulsionarão Eugênio a distanciar-se da Igreja Progressista, assim como um representante desta na origem, o dominicano Lucas Moreira Neves, que será também Cardeal-Primaz do Brasil (Sede soteropolitana), antes de ser reconvocado a Roma para controlar os bispos, tão ligado se fizera do Josef Ratzinger. Sob orientação deste, Sales e Lucas interromperam a publicação da obra coletiva Teologia da Libertação e puseram-se no lado oposto de Aloisio Lorscheider e Paulo Evaristo Arns. Foram estes relegados a segundo plano, embora Arns se destacasse como ativista pró-direitos humanos na enorme Arquidiocese de São Paulo. Nos idos de 1976-80, os diplomatas brasileiros que serviam na Embaixada junto à Santa Sé não estávamos autorizados a receber os dois prelados progressistas. Jamais acatei essas ordens, pelo absurdo fascista que encerravam. Só cabe recordar que os funerais de Lorscheider, em Porto Alegre, foram bem mais modestos que os dispensados a Eugênio Sales pela Rede Globo - ó céus! - embora os valores intelectuais, morais e humanos do gaúcho fossem bem mais elevados que os do potiguar farsante. Abraços do ArnaC
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Ana Inoue comentou:
16/07/2012
: Agradeço imensamente seu texto sobre o cardeal que me trouxe a confirmaçao de que eu nao estou com Alzheimer!
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Angelo Zani comentou:
16/07/2012
Artigo absolutamente inútil sob qualquer ponto de vista. O objetivo é denegrir a imagem de uma pessoa que em vida foi corajosa e firme em suas atividades, além de ter sido educada e culta. O Cardeal Dom Eugênio Salles brilhante em sua atividade pastoral e política.
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luiz antonio comentou:
17/07/2012
Atrás das baionetas todo mundo é firme e corajoso.Quanto a culto e educado o Golberi também era .Criticar um artigo sério como este sem argumentos, com evasivas como "firme, corajoso, culto e educado" é querer menosprezar o debate dos comentários.Faça como o articulista, escreva um comentário com fundamentos históricos(não vale pomba branca!) que provem o contrário.
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Otávio Erbereli Júnior (Blog Amazonia) comentou:
16/07/2012
Dom Candido Padin sim foi um bispo progressista e atuante, denunciando, por exemplo, a inconstitucionalidade da lei de segurança nacional. Tive o privilégio de conviver com ele no mosteiro de São Bento de SP.Saudades de Dom Candido!!
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ricardo mario goncalves (Blog Amazonia comentou:
16/07/2012
Quero, como historiador, cumprimentar o Autor por seu artigo ao mesmo tempo comedido e corajoso em prol da nobre causa do resgate da Verdade. Quero lembrar ainda que, em tempos recentes, Dom Eugenio cometeu um gesto bastante antipático contra a liberdade de expressão artística apelando (de forma bem sucedida) para as autoridades do Rio de Janeiro para proibirem o carro alegórico em que o saudoso carnavalesco Joãozinho Trinta exporia o seu 'Cristo esfarrapado dos pobres' , de desfilar no Sambódromo. Aliás, a Igreja representada por dom Eugenio é mestra em recorrer ao braço