CRÔNICAS

Eugênio Sales, um cardeal sem passado

Em: 15 de Julho de 2012 Visualizações: 385655
Eugênio Sales, um cardeal sem passado

O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão "Uma cidade sem passado", de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.

O filme

Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é "Minha cidade natal na época do III Reich". Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing - como é denominada no filme - considerada até então baluarte da resistência antinazista.

Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória - o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen - fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma "judia e comunista" futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.

A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço - perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha - resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.

Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.

Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.

Deus tá vendo

E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.

Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação "Deus tá vendo", organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?

Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio - O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.

Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário, ao lado de Dom Geraldo Sigaud, arcebispo de Diamantina, membro da TFP, fascista e dedo-duro assumido. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. 

Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.

O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das "candocas" - como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As "candocas" desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as "candocas", que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada "Marcha da família com Deus pela liberdade", que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro "1964: A Conquista do Estado" (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.

Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia - e por enquanto não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa - posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.

- "Quem tem dúvidas...basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n'O Globo" - escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:

- A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%...

Portões do Sumaré

Por isso, a jornalista estranhou - e nós também - a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal "defendeu a liberdade e os direitos individuais". O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão "do respeito às pessoas e aos direitos humanos".

Não foram só os políticos sem credibilidade e serviçais, eles também, da ditadura. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio "uma quantidade enorme de asilados políticos", calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em "mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul". Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal seria, então, um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como "o intrépido pastor". 

Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só - umazinha - dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.

Segundo Hilde, dom Eugênio "fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos "subversivos" que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)". Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar "que ocorreu justo o contrário!", como no filme "Uma cidade sem passado".

Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em "manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos". As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.

Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.

- Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a "verdade", as memórias têm valor social de "verdade" e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem "a verdade" - escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.

A "verdade" construída pela mídia foi capaz de fotografar até "a presença do Espírito Santo" no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: "Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo" - berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.

- "A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória" nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.

Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que descanse em paz! Em vida, ele se esforçou tanto para ser leal à ditadura que agora, morto, não é justo desconhecer esse esforço. Que os jornais respeitem sua memória.

P.S. - O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme "Uma cidade sem passado". Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro "O que é Memória Social" (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos.
P.S. - A ilustração que foi acrescentada é do meu querido parceirinho Fernando Assaz Atroz
http://assazatroz.blogspot.com.br/

 

 

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255 Comentário(s)

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Renato Dias comentou:
21/10/2014
Muito bom professor, Se não tentarmos desconstruir essas representações mentirosas dos protegidos da mídia, quem o fará? Excelente crônica, parabéns e obrigado pela oportunidade de conhecer uma outra perspectiva sobre o assunto.
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Benedito Gois comentou:
19/06/2014
MILITARES DIZEM NÀO TER ENCONTRADO PROVAS DE TORTURAS EM QUARTÉIS (O Globo 19/06/2014, pg. 6). Os militares enviaram à Comissão da Verdade o resultado de uma sindicância feita pelo Exército, Marinha e Aeronáutica. Eles tiveram a cara de pau de concluir que não houve nem tortura nem qualquer tipo de violência em sete instituições onde ocorreram torturas e mortes. A prova: "Para reforçar que o lugar era adequado para os presos, o documento cita a visita feita em 1972 pelo então cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Salles. De acordo com a Marinha, Dom Eugenio teria mantido contatos em particular com os detentos, atestando a normalidade no uso daquelas instalações prisionais". Stuart Angel está vivo, segundo Dom Eugenio, que está morto, citado pelos generais, que são vivissimos.
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Roseli Henriques (I) comentou:
23/10/2013
Professor, não sei se o senhor viu a matéria da Carta Capital sobre Dom Eugênio Salles. No entanto, até a Carta Capital põe no título a palavra agente duplo. Como se ele tivesse algum papel na ajuda aos militantes de esquerda do período. http://www.cartacapital.com.br/revista/770/dom-eugenio-agente-duplo-6767.html/view Dom Eugênio, agente duplo Documentos inéditos provam a colaboração do primaz com a ditadura. Por Marsílea Gombata por Marsílea Gombata — publicado 18/10/2013 Acuados, os generais buscavam minar o ímpeto das lideranças católicas dentro da própria CNBB. Contaram, para isso, com uma das figuras mais influentes do clero: o cardeal e então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles. É o que revelam documentos oficiais obtidos por CartaCapital junto ao Arquivo Nacional em Brasília. Em relatório de 14 de março de 1976, o I Exército do Rio de Janeiro relata ao Serviço Nacional de Informações (SNI) como o cardeal conseguiu conter os esforços da própria CNBB de lançar uma campanha contra a repressão. Ao se referir ao “clero católico”, o documento dizia: “A CNBB pretendia fazer declarações sobre as atuais prisões, envolvendo elementos do PCB, no RJ/RJ. Dom Eugênio Salles conseguiu esvaziar o movimento da CNBB. Irah a Roma ET, no seu retorno ao país, farah declarações favoráveis”. A evidência fica clara em outro documento do SNI, também parte do acervo do Arquivo Nacional. A carta da CNBB, endereçada ao general Ernesto Geisel em 24 de setembro de 1975, pedia esclarecimentos sobre o paradeiro de presos políticos. (...) Diante da pressão, os militares usavam dom Eugênio – arcebispo primaz do Brasil desde 1968 – como uma espécie de garoto de recados, de acordo com o documento do I Exército do Rio de Janeiro ao SNI, de 1976. À época da prisão de jornalistas ligados ao PCB, como Oscar Maurício de Lima Azêdo e Luiz Paulo Machado, foram coletados depoimentos de outros profissionais de imprensa, como Fichel Davit Chargel e Ancelmo Gois, por meio dos quais seriam reveladas operações do PCB no Rio. Com tais informações nas mãos, os militares pressionaram o fotógrafo Luiz Paulo Os militares queriam, como relata o documento da Operação Grande-Rio, que dom Eugênio conversasse com a mulher do fotógrafo, Elaine Cintra Machado, para sugerir procurar o comandante do I Exército e obter informações sobre o detido. Era de extrema importância, no entanto, que o arcebispo deixasse transparecer o mínimo sobre a relação próxima que tinha com os militares. “Dom Eugênio Salles, por solicitação do CMT do I EX, fazendo transparecer ser iniciativa sua, aconselhou a Elaine que procurasse o CMT do I EX, dando a crer, também que soh o Exército poderia cooperar com ela.”
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Roseli Henriques comentou:
23/10/2013
Professor, não sei se o senhor viu a matéria da Carta Capital sobre Dom Eugênio Salles. No entanto, até a Carta Capital põe no título a palavra agente duplo. Como se ele tivesse algum papel na ajuda aos militantes de esquerda do período. http://www.cartacapital.com.br/revista/770/dom-eugenio-agente-duplo-6767.html/view Dom Eugênio, agente duplo Documentos inéditos provam a colaboração do primaz com a ditadura. Por Marsílea Gombata por Marsílea Gombata — publicado 18/10/2013 Acuados, os generais buscavam minar o ímpeto das lideranças católicas dentro da própria CNBB. Contaram, para isso, com uma das figuras mais influentes do clero: o cardeal e então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles. É o que revelam documentos oficiais obtidos por CartaCapital junto ao Arquivo Nacional em Brasília. Em relatório de 14 de março de 1976, o I Exército do Rio de Janeiro relata ao Serviço Nacional de Informações (SNI) como o cardeal conseguiu conter os esforços da própria CNBB de lançar uma campanha contra a repressão. Ao se referir ao “clero católico”, o documento dizia: “A CNBB pretendia fazer declarações sobre as atuais prisões, envolvendo elementos do PCB, no RJ/RJ. Dom Eugênio Salles conseguiu esvaziar o movimento da CNBB. Irah a Roma ET, no seu retorno ao país, farah declarações favoráveis”. A evidência fica clara em outro documento do SNI, também parte do acervo do Arquivo Nacional. A carta da CNBB, endereçada ao general Ernesto Geisel em 24 de setembro de 1975, pedia esclarecimentos sobre o paradeiro de presos políticos. (...) Diante da pressão, os militares usavam dom Eugênio – arcebispo primaz do Brasil desde 1968 – como uma espécie de garoto de recados, de acordo com o documento do I Exército do Rio de Janeiro ao SNI, de 1976. À época da prisão de jornalistas ligados ao PCB, como Oscar Maurício de Lima Azêdo e Luiz Paulo Machado, foram coletados depoimentos de outros profissionais de imprensa, como Fichel Davit Chargel e Ancelmo Gois, por meio dos quais seriam reveladas operações do PCB no Rio. Com tais informações nas mãos, os militares pressionaram o fotógrafo Luiz Paulo Os militares queriam, como relata o documento da Operação Grande-Rio, que dom Eugênio conversasse com a mulher do fotógrafo, Elaine Cintra Machado, para sugerir procurar o comandante do I Exército e obter informações sobre o detido. Era de extrema importância, no entanto, que o arcebispo deixasse transparecer o mínimo sobre a relação próxima que tinha com os militares. “Dom Eugênio Salles, por solicitação do CMT do I EX, fazendo transparecer ser iniciativa sua, aconselhou a Elaine que procurasse o CMT do I EX, dando a crer, também que soh o Exército poderia cooperar com ela.” Discurso. Líder ecumênico metodista e coordenador do Grupo de Trabalho da Comissão Nacional da Verdade que investiga o papel das igrejas durante a ditadura, Anivaldo Padilha reconhece que a figura de dom Eugênio é controversa: além de ter atuado a mando dos militares, chegou a negar ajuda a militantes, inclusive os católicos. Da mesma visão compartilha dom Angélico, bispo auxiliar do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo cuja trajetória foi marcada pela proteção aos militantes e que, inclusive, mais de uma vez esteve com o então ministro-chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva, para lhe entregar listas com nomes de desaparecidos. “Do que conheço a respeito da atuação do cardeal dom Eugênio, a não ser em casos isolados, ele realmente não se confrontou com a ditadura”, avalia. A omissão, o silêncio e a compra das versões dadas pelos militares para acobertar torturas e mortes nas prisões por dom Eugênio acabavam sendo respaldados pela mídia, com quem o cardeal mantinha ótimas relações – vale lembrar que ele escrevia artigos para O Globo e Jornal do Brasil com certa regularidade. Em audiência da CNV no Rio, ex-presos políticos destacaram a postura ambígua de certos setores da Igreja durante o regime militar. Atuante no movimento social da Igreja Católica, a pernambucana Maria Aída Bezerra procurou o então arcebispo do Rio para ajudar a amiga Letícia Cotrim, que estava detida. “A conversa não foi boa. Não deu certo. Ele não acreditava que a comunidade cristã dele estava sendo perseguida e não quis intervir. Ele nos considerava subversivos e era contra cristãos de esquerda”, declarou em seu depoimento na sessão do dia 17 de setembro. A proximidade com a ditadura passava também por uma forte amizade com Antonio Carlos Magalhães, governador da Bahia e pessoa de muita influência durante o regime. Uma amizade que chegava ao ponto de os dois serem vistos, mais de uma vez, tomando banho de mar juntos. Para dom Angélico, a posição de dom Eugênio era clara: “Não era uma postura dúbia. Basta analisar historicamente”, disse, ao lembrar que a ditadura foi construída pelas “classes conservadoras, os grandes interesses econômicos e o apoio da CIA”. “Vivíamos em meio à polarização indevida entre o mundo livre e o mundo comunista. E muitos na Igreja temiam essa onda comunista.”
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izilzeew comentou:
29/09/2013
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zvdodawr comentou:
29/09/2013
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Hildegard Angel comentou:
08/08/2012
Parabéns, José Bessa, seu artigo teve uma grande repercussão. Foi muito importante para recolocar a verdade em seu devido lugar. E obrigada por me mencionar. Abraços
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Plíno Quintão Fróes comentou:
08/08/2012
Prezado José Bessa, o posicionamento corajoso da Hilde e o seu texto, mostram que ainda há lucidez e que nem todos somos bois de presépio. Aproveitando o frescor do tema, envio-lhe o link do documentário EM NOME DO POVO, que apresenta um m omento importante da Igreja Progressista Brasileira e relata a vida de DOM MARCOS A.NORONHA, 1º Bispo de Itabira, que assim como D. Evaristo Arns, Leonardo Boff, Frei Beto e tantos outros, dedicaram suas vidas não à Igreja de Roma, mas sim à Igreja dos Homens, preocupando-se mais em oferecer o pão do que a hóstia. Não deixe de assistí-lo: http://www.youtube.com/results?search_query=em+nome+do+povo+marcos+noronha&oq=em+nome+do+povo+marcos+noronha&gs_l=youtube.12...58672.61688.0.65813.30.2.0.0.0.0.1015.1765.6-1j1.2.0...0.0...1ac.aXVceifNUD8
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Edson Moreira Leal comentou:
05/08/2012
Liberdade de expressão: sobre esse ponto de vista as pessoas podem e devem expressar suas opniões. Mas cabe comentar que provar é uma outra coisa. As pessoas se arvoram em defender suas teses e ideologias até com alguma violência verbal. Eu sou católico apostólico romano e professo minha fé sem extremismos. E por isso não me posiciono contra ou a favor dessa ou daquela personagem pública. Principalmente naqueles tempos de chumbo. Eu comecei a observar ,naquela época, as atuações de Dom Eugênio Salles.Eu era adolescente mas procurava me familiarizar com a figura do bispo após ouvir conversas de pessoas próximas a ele na paróquia que eu frequentava. Eu entreouvira relatos de que ele hospedara no Sumaré algumas personalidades políticas asiladas de governos vizinhos como Chile e Argentina e também de perseguidos políticos brasileiros:ajudando-os a sair da América Latina. Mas,por outro lado,eu seguia sua carreira pública em jornais e reportagens e era claro o apoio dele aos golpistas militares,ou seja ,ao status quo vigente na época. Será que nós tinhamos um agente duplo na Igreja? Talvez sim ,talvez não.Só quem deve saber são pessoas muito ligadas a ele na época. Esta certeza que muitos querem com nomes e datas, talvez nunca venham a ser confirmadas.
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Dulcineia Marcondes comentou:
30/07/2012
Como pessoas como que critica a igreja catolica e sem noçao dos fatos, voce precisa ser mais atualizado e estudar mais sobre os dogmas da religiao catolica antes de criticar, a igreja catolica na qual voce critica e faz de tudo para difamar.. e a unica de fato que realiza trabalhos sociais em prol dos irmaos, excluidos, é a minha igreja catolica que lutou e continua lutando por direitos humanos e qualidade de vida, e que muitos irmao deram a vida para hoje se vemos um pais que algumas conquista e direitos respeitados, a luta do negro, dos indigenas, pobres estarem hoje em melhores condiçoes é porque a igreja esta sempre junto lutando. Dom Eugenio Sales foi um dos que sempre lutou pelo o mais pobre marginalizado, excluido. Mas voce Jose Bessa nunca passou fome e nem morou na rua, nem e negro ou indigena, nunca teve que pedir esmolas, nem foi marginalizado, vitima de preconceitos so porque e pobre, ninguem feriu a sua dignidade voce nao passaou na pele nada disso entao e facil criticar e nem muito menos e cristao.
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MARCIA TOSCANO comentou:
28/07/2012
Simplesmente, me sinti menos louca. Eu fiquei achando que a idade e a dist\ãncia dos fatos tinham me confundido sobre o comportamento do cardeal. UFA! Que bom, este texto me recuperau a saude. MARCIA TOSCANO Socióloga Organizacional Coach e Palestrante
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João Alfredo Byrne Grassi comentou:
24/07/2012
Dom Eugênio Sales e seu apoio à Ditadura??????? Será mesmo? Então vamos ver quem conviveu com ele. Carlos Heitor Cony Dom Eugenio RIO DE JANEIRO - Se fosse muçulmano, umbandista, técnico de futebol, comunista ou lixeiro, dom Eugenio Sales seria o que sempre foi: um homem reto, sincero, fiel a seus princípios e, sobretudo, humano. Acontece que foi sacerdote, bispo e cardeal. Sua trajetória tinha um ponto de referência lá em cima -no caso dele, o Deus no qual acreditava e a igreja à qual servia em tempo integral e em modo total. Conservador, sim, e mais do que isso: coerente e sincero com sua forma de pensar e agir no mundo. O pessoal de certa esquerda o criticava porque não bajulava causas e doutrinas que entravam em moda. Ele fizera sua opção básica por uma religião estruturada, multissecular, que passara por um "aggiornamento" no Concílio Vaticano 2º. Não trocaria esse corpo de pensamento social e ação por um marxismo superado, um socialismo terceiro-mundista e badalativo. Além da doutrina tradicional da igreja à qual serviu, atualizou-se com as encíclicas que foram até citadas por João Goulart no famoso comício de 13 de março de 1964: a "Mater et Magistra", a "Populorum Progressio" e a "Pacem in Terris". Pessoalmente, creio que nem Jango nem a turma que o cercava tivessem lido (ou entendido) os documentos que gostavam de brandir para amenizar resistências numa sociedade que, afinal, se rotula de cristã ocidental. Protegeu perseguidos políticos daqui e de fora, com uma firmeza que desarmava os militares. Eu próprio, em certa época, fui rastreado por ele e por dois de seus auxiliares, dom Eduardo e dom Rafael. Em alguns momentos de perigo que atravessei, ia dormir na casa de dom Eugenio, no Sumaré, quando fumávamos nossos charutos. Detalhe importante: ele nunca me chamou pelo meu nome usual, mas de Heitor. Como meu pai e minha mãe.
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Percival Freitas comentou:
28/07/2012
Deixa de ser mané, Joáo. Tu num tá vendo que o Cony faz parte da tchurma do Charuto,usufruia o vinho e o tabaco do cardeal. O discurso do cony vente não tem qualquer legitimidade, ele nao foi torturado, embora tenha pegado uma bolada de indenização. Por que não aparece - como diz o Bessa - PELO MENOS UMA PESSOA, que dê um depoimento sobre a ajuda que recebeu do cardeal. NAO APARECEU NINGUEM. Não dá para desconfiar?
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Wilson comentou:
23/07/2012
No Brasil, também tivemos D. Jaime de Barros Câmara e Eugênio Salles. O primeiro, quando já estavam matando seres humanos contrários à ditadura militar que se iniciava ele, solenemente, disse no Globo no Ar: “Punir é Obra de Misericórdia.” E o segundo, jamais protegeu qualquer perseguido pela ditadura genocida, como mentirosamente foi afirmado pela cúria que, na farsa engendrada por ocasião de sua morte, arranjou uma pomba bêbada que pousou no caixão do dito cujo sendo logo reconhecida, pelos TFPs da vida como a encarnação do Espírito Santo. Pode? Não vai demorar muito vai surgir um milagre e o Ratzinger, ex-Santo Ofício e hojr papa nazista, mandará abrir processo para a beatificação da figura.
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alex professor comentou:
23/07/2012
Fico pensando o que a mídia amazonense vai noticiar quando morrerem os pastores SILAS E JONATAS CAMARA!!!! afffff
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Anne-Marie Milon comentou:
22/07/2012
Amigo Bessa Li sua última crônica, sobre a morte de um "príncipe da igreja". Logo depois escrevi um pequeno texto evocando, mais uma vez, um episódio de vida. Mas, tomada pelo turbilhão do cotidiano, esqueci de mandar. Aqui está: Uma vez, você me pediu para falar de maio de 68, dos meus tempos de estudante em Paris. Como lhe disse então, estava também muito engajada nessa época na juventude católica, na paróquia estudantil. Coordenava um círculo de discussões (modestamente!) denominado “países do terceiro-mundo”. Éramos fascinados pela igreja brasileira, pelo que soube depois se chamar “Teologia da Libertação”. Sabíamos de cor os nomes de vários daqueles bispos lendários: Dom Hélder, é claro, mas também dom Waldir Calheiros, Dom Adriano Hipólito, Dom José Maria Pires (Dom Pelé), Dom Cândido Padim e outros ... Para nós, havia uma coerência evidente e tranquila entre fé e política (vida da pólis). Em 1968 (se lembro bem), dom Helder foi à França, deu uma conferência no “Palais de la Mutualité” em Paris, uma sala imensa onde costumavam ocorrer as assembleias das centrais sindicais. A sala encheu a tal ponto que não sobrava um espaçozinho. Fiquei sentada, embevecida, aos pés do bispo de Olinda. Foi no turbilhão de maio de 68 que conheci aquele que iria se tornar meu companheiro. Um sergipano franzino e decidido como todos os severinos de quem nos fala João Cabral. Foi o casamento do amor e do fascínio por este país longínquo, que ainda não conhecia, mas que imaginava como a terra de todas as possibilidades. Sabia que lá tinha uma ditadura feroz. Todos os dias, os jornais franceses falavam das torturas, dos desparecimentos. Tinha vários amigos exilados. Uma amiga minha, a Dorinha Oliveira, tinha sido coordenadora do CEPLAR da Paraíba. Presa e torturada, conseguiu fugir com um passaporte falso. Tinha medo. Como eu tinha medo! Mas no meu imaginário, frente aos torturadores, havia uma igreja forte, nossa igreja, santuário da coragem e da resistência. 12 dias de navio... Acostamos no Rio. Mais 35 horas de ônibus “comercial” e chegamos a Sergipe. Conheci outro bispo: Dom José Vicente Távora, outro resistente, um homem simples, do povo, amoroso e de uma bravura tranquila. Mas ele morreu três meses depois da nossa chegada. Foi quando conheci a outra igreja brasileira, aquela que você descreve, aquela que se acomodava perfeitamente com a “ordem das coisas” e a apoiava. Depois de 5 anos, nos mudamos para o Rio e o quadro era o mesmo. Com o advento de Karol Woytila, sob a orientação, desde o início, de Joseph Ratzinger, iniciou-se a destruição sistemática e metódica da “Igreja da Libertação”, em consonância com um novo tipo de ditadura: a do mercado todo-poderoso. Creio que você conheceu de bem mais perto que eu a Igreja da Libertação. Vi uma vez na TV SESC um belíssimo documentário intitulado "Ato de Fé" sobre a resistência na igreja. Foi um desses momentos fecundos em que a resistência assume uma dimensão mística (Canudos, Contestado...), com todos seus equívocos, mas com a dimensão da utopia que nos faz tanta falta hoje. . Talvez por isso, vejo também nas minhas aulas que as jovens gerações e até as menos jovens não sabem nada dela e não têm mais as categorias de pensamento que permitem sua compreensão. Como é difícil falar desta resistência sem parecer fazer proselitismo! Anne-Marie
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neusa oliveira comentou:
22/07/2012
Verdades devem e tem que ser cristalinas para que possamos ter história real do mundo que vivemos ,concordo totalmente mas a minha idade diz que; se passarmos a revolver o passado e o fazendo mais importante como alicerce para o futuro cometemos um êrro enorme pois a fumaça do passado pode apagar o presente que vivemos e onde criaremos o alicerce para os que viverão. Sei que a lama atual exposta em todos os meios de comunicação nos ofende nos agride e o pior de todos os recursos nos anestesia por não podermos nada fazer. Mas é hoje que vivemos é hoje que temos que fazer valer direitos mesmo com toda hipocrisia que a democracia produz, falcatruando informações e leis , códigos e uma constituição que apesar de tão jóvem se tornou tão velha. Quando um judiciário se recusa a expor as mazelas que ocorrem em seu meio delapidando recursos que recebem as custas de verdadeiros assassinatos dentro da lei o que nos podemos esperar hoje. O ontem nos informa o hoje nos faz sobreviver . Pé no chão HOJE, pincelando o passado tirando a sombra que anuvia a verdade, porém que seja a base para uma geração menos medrosa,e mais corajosa.
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mario angelo comentou:
21/07/2012
fico contente em saber e ler matérias deste valor, vou repassar e por favor; continue ... a ditadura foi mas ficou outra, a mídia corrupta. Contato de mario angelo
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Paulo Bezerra comentou:
21/07/2012
Texto bom para um tema ruim. Porém oportuno diante da versão uníssona e mentirosa da mídia golpista. Dizer que “a manipulação da História serve como instrumento de controle e coerção” não chega a ser uma grande descoberta. Querer saber “o que deus viu ou o que não viu” deve ser brincadeira ou apenas força de expressão. Salve a conclusão do texto quando afirma que “A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder”. A mesma mídia que defende a liberdade de mentir, de caluniar, de condenar as pessoas sob o manto da “liberdade de expressão” que só pode ser utilizada por eles, as 05 famílias donas dos principais meios de comunicação do país. E o resultado não poderia ser diferente. Comentários, com raras exceções, descambando para o fundamentalismo religioso barato, ambíguo e dualista, tipo: “Se o cardeal vai p’ro céu ou p’ro inferno”. “Se ele agradou mais a deus ou ao demônio”. “Se ele apoiava a ditadura ou se abrigava comunistas fugidos de outros países”. O que é certo é que essa tragicomédia daria um grande tema hollywoodiano cujo título proponho “O SILÊNCIO DOS CULPADOS” tendo como protagonistas O cardeal e o seu passado obscuro e os membros da gangue do Cachoeira e seus depoimentos na CPMI do Congresso Nacional.
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Eder Franco comentou:
21/07/2012
Excelente texto, tio Babá. A discussão proporcionada aqui nos mostra a importância do seu trabalho. Com todos os meios de acesso à informação hoje que temos hoje, os grandes veículos não têm mais o direito de tentar maquiar a história.
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Jorge Dimitrov comentou:
21/07/2012
Professor José Ribamar Bessa Freire, caboclo nascido em Manuas, no Bairro de Aparecida, tu é bom mesmo! Falou e mostrou provas. Uma pena que pessoas como D Maribel Dias Kroth ainda acredite que a Igreja Católica só tenha Santo. Sugerimos que ela leia um pouco mais a história daquela poder parelo, em todas a história da humanidade.
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Gaspar Varela (portalrogerioferreira.ning.com)