No carnaval, tem gente que samba, caindo na gandaia: são os ‘pecadores’. Mas tem gente que reza, fazendo retiro espiritual: são os ‘santos’. Não peco com a maioria, como bem gostaria, por pura incompetência: sou um anti-folião, desengonçado, que não sabe sacudir o esque...
.Passei o carnaval no Rio imobilizado por uma forte gripe. Aproveitei, então, para ler e curtir músicas, entre as quais o cd ‘Porto de Lenha’, do compositor amazonense Torrinho, gravado em 1991. São onze composições de rara beleza, feitas em parceria com dois dos nossos...
.- Alô mocidade dependente da Grande Família! Alô meu povão vermelho e branco do São José! Alô Zona Leste de Manaus! Olha o filho do Solimões aííííí, geeeente! O grito que abriu o desfile da escola campeã do carnaval de 2005, aqui em Manaus, foi tão vigoroso, que atrave...
. Era segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997. As imagens coloridas do carnaval ainda explodiam na televisão. Num quarto do hospital Sarah, em Brasília, o antropólogo Darcy Ribeiro, gravemente enfermo, se despedia de uma amiga, que o havia visitado, de manhã cedinho, aco...
.Ao meu querido amigo, Stéfano Genaro Novellino, que brincou com todas essas mulheres Todos os anos, durante a folia, reencontro mulheres com quem brinquei em outros carnavais. Sem querer me gabar, foram tantas, que até perdi a conta. Tem de tudo: honradas, santas, des...
.Neste carnaval, um carro alegórico abre o desfile com um rato gigante de colarinho e gravata para simbolizar a maracutaia. O Grêmio Recreativo Escola de Samba Vereadores Ressarcidos de Manaus, já tem o seu samba-enredo. Começa assim: "Foi na cidade de Manaus onde com m...
No momento em que escrevo... Perdão, no carnaval ninguém escreve chongas... No momento em que BATUCO essas mal traçadas linhas, até os postes e as estátuas do Rio de Janeiro estão remexendo o esqueleto. O Cristo Redentor levantou o dedinho, o Pão de Açúcar está rebola...
Carnaval! Essa foi a primeira imagem que me veio à cabeça, quando a tv começou a transmitir ao vivo a eleição para presidente do Senado. Pensei logo no bloco infantil - Que Caquinha É Essa? - que promove um baile na Zona Sul do Rio. Mas mudei quando ouvi Renan Calheiro...
No carnaval, quem é que lê jornal? Esta pergunta atormenta colunistas em busca de um tema que possa atrair o leitor, cuja cabeça está em outro lugar, já que o corpo desfila pelas ruas das principais cidades do Brasil ao som de cuícas, surdos, reco-recos, pandeiros, tamb...
"Sangra o coração do meu Brasil. O belo monstro rouba as terras dos seus filhos devora a mata e seca os rios". (Samba da Imperatriz Leopoldinense , 2017) Tem um Brasil que está morrendo e outro que está nascendo dentro de um país de cores e cantos tão diversos. Par...
- O pássaro do conhecimento só levanta voo se bater as duas asas de forma sincronizada: a da universidade e a do sambódromo. Com uma só, não decola. Quem defendeu esse diálogo do saber acadêmico com a sabedoria popular foi Darcy Ribeiro, construtor de universidades e id...
- Por que teu bloco tem o nome irreverente de Fiofó Em Chamas? – perguntei a um grande amigo. Ele disse que este nome competiu com “Tou com o cru pegando fogo”, mas justificou a escolha com a aula de história, que resumo a seguir. O sambódromo e as ruas constituem um l...
“Isso não é hora de pedir papa em bar”. (Messias Holanda. Papa de Maizena. 1979) São dois Messias, ambos lembrados neste carnaval nos desfiles das escolas de samba. Um dele é o Messias do Bem, já falecido, forrozeiro do sertão do Cariri, no Ceará. O outro é o Messias...
“Jesus Cristo umpuana Yurupari – Jesus expulsou os demônios”. (Pequeno Catecismo Português e Nheengatú. Manaus. 1944) Jurupari não é o diabo. Mas a Unidos da Tijuca espalhou que é. Com o enredo sobre o povo do guaraná, o carnavalesco Jack Vasconcelos, bem intencionado,...
Naquele domingo de carnaval, o bloco “Gargalhada”, criado em 2005, desfilava na Av. 28 de Setembro, Vila Isabel, zona norte do Rio. A bateria com oito ritmistas surdos animava foliões cadeirantes, anões, cegos,downs e surdos,que reivindicavam o direito à alegria coletiv...
“Warrãna-rarae, Warrãna-rarae, Mari-nawa-kenadêe. Ecoam tambores na floresta. [...]. Sou o remo da jangada, rumo à terra inexplorada”. (Arnaldo Bigode e outros. Samba enredo do Porto da Pedra. 2023). Mudou o carnaval ou mudei eu? Invejo damas e cavalheiros oitentões, q...
Na madrugada da segunda (12), a flecha disparada pelos Yanomami - povo da floresta – atravessa o sambódromo no ritmo da Acadêmicos do Salgueiro, em busca de um alvo: a construção de um “Brasil cocar”. A flechada será aqui discutida depois do desfile das campeãs no sábad...
Não queremos sua “ordem”, nem o seu “progresso” [...]. A chance que nos resta é um Brasil cocar. (Samba-enredo da Salgueiro. 2024) São cerca de 40.000 Yanomami, dos quais 31.007 vivem em 384 aldeias no Brasil, segundo o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). Os d...
O carnaval não foge da realidade; comenta em voz alta. A fantasia não nega a sociedade, amplia seus traços até que a gente perceba onde o discurso termina e começa o personagem. E espelho, caboco, não inventa rosto. Só reflete.
Se a bomba interrompe o tempo, o Carnaval o expande. Se isola, aproxima. Se impõe silêncio, responde em coro. Milhões ocupam a rua e a alegria vira prática social. Por alguns dias, um país fragmentado reaprende a existir junto.