CRÔNICAS

Constantino, museólogo Tikuna na canoa das almas

Em: 18 de Novembro de 2012 Visualizações: 31297
Constantino, museólogo Tikuna na canoa das almas
Contra o esquecimento global, proponho um recurso local: a criação de um livro no qual nós, que aqui ficamos, iremos anotando o nome de cada amigo que embarque na canoa das almas, na viagem sem volta para o mundo do invisível, até chegar a nossa vez de partir. Dessa forma, eles não serão esquecidos.
Pelo menos, era assim que funcionava com gente viva, de carne e osso, que era despachada em canoas de Belém do Pará para os sertões da Amazônia, nos séculos XVII e XVIII, em busca de escravos indígenas e de cacau. Havia o Livro de Registro das Canoas que documentava tudo. Cada canoa que saía ou entrava em Belém era inscrita num caderno grosso, com uma relação daquilo que transportava.
Sabemos disso porque um desses manuscritos, um "tijolo" com duzentas folhas rubricadas, foi encontrado no Arquivo Público do Pará pelo antropólogo Márcio Meira, que organizou, em 1993, sua transcrição, digitação e publicação. Esse livro contém "termos", ou seja, declarações que tinham valor legal, feitas por alguém, trazendo informações valiosas sobre a história do comércio de escravos indígenas, com a descrição física dos índios capturados e as nações às quais pertenciam.
Entre os diversos tipos de "termos", um deles chama a atenção:  o "Termo de Lembrança", um documento que registrava, por escrito, tudo aquilo que não se queria esquecer. Um deles, de 1741, lembra a existência de três escravos "que vieram do sertão sem se saber quem fosse seu dono ao certo", entre eles uma índia de 15 anos, cheia de cicatrizes por todo o corpo, até na raiz do cabelo, aprisionada no Rio Negro e arrastada para Belém. Os três foram encaminhados para a Aldeia Mortiguara, administrada pelos jesuítas, onde "ficarão em depósito até aparecer o dono" (Documento 48, folha 34).
Termo de Lembrança

Ora, se o Livro das Canoas deu certo para lembrar os índios que tiveram seus corpos escravizados, por que não funcionaria com índios cujos espíritos se libertaram? No Livro que acabo de criar, registro, então, o "Termo de Lembrança da última viagem do tikuna Constantino Füpeatücü" que embarcou há um mês, para que a gente dele não esqueça. Aqui vai a transcrição seguindo o modelo do século XVII.
Aos 19 dias do mês de outubro do ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2012, lanço eu, neste Livro de Registro, o Termo de Lembrança do embarque na Canoa das Almas de Constantino Ramos Lopes, 46 anos, filho de Francisco Fernandes Lopes e Alice Ramos, nascido no dia 21 de janeiro de 1966, na Ilha de São Jorge, município de Benjamin Constant (AM). Ele foi batizado com esse nome de imperador romano, mas seu nome mesmo, de verdade, era Füpeatücü, que em tikuna significa "asa erguida".  
Membro do clã Mutum, Constantino Füpeatücü, nesse dia, trouxe para a Canoa das Almas, a sua história de vida na Aldeia de São Leopoldo, onde morou muito tempo e de cuja escola foi professor. Seu espírito carregava uma bagagem valiosa: cursos, oficinas, palestras e conferências que ministrou em várias cidades do Brasil e no exterior, livros que produziu, exposições que organizou no Peru, na Colômbia e em vários países da Europa e, sobretudo, as coleções etnográficas e o museu que ajudou a criar, bem como as lutas que travou em defesa da cultura ticuna.
Este Termo de Lembrança registra a primeira mala que entrou na Canoa das Almas trazendo os conhecimentos interculturais adquiridos por Constantino, tanto os tradicionais que lhe foram transmitidos oralmente pelos velhos e sábios ticuna, entre eles Pedro Inácio, como os novos conhecimentos aprendidos no Curso de Licenciatura para Professores Indígenas do Alto Solimões, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), concluído em dezembro de 2011. Esses conhecimentos lhe permitiram atuar como membro do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena e como coordenador deste setor na Secretaria Municipal de Educação de Benjamin Constant.
O Livro anota um paneiro cheio de fichas de avaliação feitas pelos que foram professores de Constantino ao longo de sua formação (*), entre eles Jussara Gomes Gruber, coordenadora do Curso de Formação de Professores Indígenas e responsável pela disciplina de Arte-Educação. Lá está transcrito o que escreveu a doutora Marília Facó, linguista do Museu Nacional, recordando as aulas na aldeia Kanimaru, quando Constantino, que concluiu o Curso de 1º grau em 1987, começava seus estudos.
- "Constantino era" - escreveu Marília - "um jovem talentoso, olhos brilhantes e curiosos, características às quais viriam se juntar demonstrações de coragem e dinamismo, além de uma enorme capacidade de construção".
A Canoa das Almas começou a ficar cheia, quando recebeu os  livros que Constantino construiu, coletivamente, desde 1987, como produto dos diversos cursos e oficinas que fez no Centro de Formação de Professores Ticuna-Torü Nguepataü, na Aldeia de Filadélfia, entre outros o Livro de Leitura e Caderno de Exercícios na Língua Ticuna, o Livro das Árvores e três volumes dos Mitos Ticuna da Coleção Eware.
Sobrava pouco espaço na Canoa das Almas, quando foi feita a inscrição dos projetos de arte e educação desenvolvidos pela Organização Geral dos Professores Ticuna Bilingues (OGPTB), da qual Constantino foi um dos fundadores e presidente entre 2006 e 2010. Mas a canoa ficou lotada mesmo com as coleções etnográficas do Museu Maguta - o primeiro museu indígena do Brasil, do qual ele foi curador e diretor.
Etnomuseologia

O Termo de Lembranças incorpora foto do Museu Maguta, instalado em Benjamin Constant (AM), em uma casa de arquitetura simples, com varandas ao redor, cinco salas de exposição, uma pequena biblioteca, cercada por um jardim. Lá dentro, as coleções formadas, em grande parte, com os trabalhos de artistas ticuna: máscaras rituais, pintura em painéis decorativos de entrecasca, esculturas de madeira e de coco de palmeira, colares, cestos, redes e bolsas, além de artefatos, hoje já em desuso, que foram reconstituídos a partir de fotografias antigas pertencentes a museus etnográficos.
São quase 500 peças, todas registradas, organizadas, documentadas e devidamente fichadas por Constantino, que foi capacitado para exercer a  guarda do acervo e por sua dinamização. Ele participou da equipe que preparou e montou a primeira exposição do Museu, aberta ao público em 1991. Tornou-se, na prática, o primeiro índio museólogo, completando sua formação em visitas a museus etnográficos em todo o Brasil e em diversos países da Europa: Holanda, França, Noruega, Itália, Áustria.
Este Termo de Lembranças anota diversas palestras de Constantino realizadas em eventos em diferentes cidades brasileiras: em 1995, no I Encontro Nacional do Conselho Internacional de Museus (ICOM-Brasil), em Petrópolis (RJ), quando o Maguta recebeu o prêmio de Museu Símbolo do ano e no II Encontro Internacional de Ecomuseus (Rio-2000), assim como sua participação na organização e montagem da exposição Arte Ticuna, no Museu de Folclore Edison Carneiro (Rio-1996).
Entraram na Canoa das almas também os registros das palestras proferidas no exterior: em Stavanger-Noruega, na Conferencia Mundial de Museus (1995); no Seminário "La Scuola della Foresta", organizado pelo Ministério da Educação da Itália, em Roma (1999); na Exposição "Amazônia" realizada no Tropenmuseum, em Amsterdam, Holanda (1996); no Seminário organizado pela Rainforest-Austria, em Viena (2000) e na Universidade de Nápoles, Itália (1999), onde atuou ao lado das professoras ticunas Hilda do Carmo e Adélia Bittencourt.
Tchauenee, cunama!
Finalmente, o Termo de Lembrança consigna que as atividades de organização do Museu Maguta iniciaram em 1988, num momento crítico em que os Ticuna estavam mobilizados na luta pela defesa de seu território, enfrentando-se até mesmo com grupos armados. Dessa luta, Constantino deu conta, em 1995, quando por mim convidado, ele deu uma aula de Etnohistória, na UERJ, no turno da noite.
No meio da aula, um apagão deixou a universidade nas trevas. As salas se esvaziaram, exceto uma. Lá, os estudantes pediram que ele continuasse. Na escuridão, era apenas uma sombra relatando, com voz anasalada, o episódio ocorrido em 28 de março de 1988: o massacre do igarapé do Capacete.
Ele contou como os índios, desarmados, reunidos na aldeia, foram cercados e surpreendidos por pistoleiros que começaram a atirar. As crianças lançavam gritos de desespero, protegidas pelos adultos que, com seus corpos, faziam um escudo humano em volta delas. No meio do tiroteio, corpos começaram a cair. No final, havia 14 mortos, 23 feridos, 10 desaparecidos, todos eles ticuna, o que repercutiu internacionalmente.
Constantino lembrou, com respiração ofegante, como foi ferido por quatro balas que ficaram permanentemente alojadas em seu corpo e seriam depois levadas com ele na sua última viagem. Sua voz cortava a escuridão, intercalada por pausas dolorosamente prolongadas, que criavam um silêncio eloquente. Os estudantes de História escutavam estarrecidos aquele documento vivo, em cujo corpo a história havia deixado o seu registro, com sangrenta caligrafia.
Essa mesma história ele narrou para sua amiga Jussara Gruber, numa noite de chuvinha fina e interminável. "A história ia se desenrolando como um filme tal a riqueza de detalhes. Foi quando ele me disse: eu não tenho medo de morrer" - conta Jussara.
Este Termo de Lembrança teria ainda muitos registros a fazer, mas a Canoa ameaça transbordar. Vamos deixar assim para que ela não alague e possa chegar ao seu destino final: as águas vermelhas do igarapé Eware. Chamamos o piloto do barco, o comandante Tinga, para dar a partida, e Nelcy, a vizinha de Constantino no Beco Castelo Branco para dar seu último adeus. Resta apenas dizer: "Tchauenee, cunama! Meu irmão, até logo!".
 
(*) P.S. Foram professores de Constantino em vários cursos, entre outros: Jussara Gomes Gruber (OGPTB), Marília Facó (PPGAS - Museu Nacional), Márcia Spyer (UFMG), Luis Roberto de Paula (UFMG), Lúcia Lopes (PUC/RS); Marineusa Gazzetta (UNESP), José R. Bessa (UNIRIO/UERJ), Geraldo Sá Peixoto Pinheiro (UFAM), Dorinethe Bentes, Davi Leal, Luciano Cardenes e Sebastião Rocha de Sousa (UEA), Marly Barbosa, Sirlene Bendazzoli (OGPTB/UEA);  João Pacheco (PPGAS - Museu Nacional), Ana Suely Cabral (UnB),  Cloude de Souza Correia (IIEB). Conviveram com ele em eventos e trabalhos de pesquisa: Odalice Miranda Priosti, Alessandra Marques, Helena Cardozo de Oliveira, Valéria Luz da Silva, André Andion Angulo, Christiane M. Lyra e Sérgio Santos, todos do Curso de Museologia da UNIRIO.
 
(**) Fotos de Constantino de  Jussara Gruber, Desenho do Eware dos ticunas Sixto Sampaio e Tarcilio Batalha.

 

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61 Comentário(s)

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ciro braga dantas comentou:
04/04/2014
Sempre me encanto com a sensibilidade que seus textos demonstram sobre a vida e as pessoas; pra mim é sempre um exercício de retorno a esse estado de aguçada sensibilidade ler estes seus textos, principalmente os que tratam sobre o índio e suas lendas, História, sabedoria e sensibilidade; só mesmo índios, pessoas com uma ligação tão forte e íntima com a terra poderiam nos comover tanto com suas Histórias!
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28/11/2012
Há em mim, dezenas de balas covardes alojadas na minha alma. Sou paraense guerreira como todas as nossas tribos da amazônia, tenho orgulho de não ser nem negra nem branca, sou parda como os indios e indías de todas as tribos, cada relato, cada história acrescenta a minha história e hoje quando olho para minha filha Maíra quase uma doutora lutando como eu pelas desigualdades tenho orgulho de pertencer a essa tribos todas. Vivi ouvindo e brincando histórias de índios, tinha meda da mãe d!água mas ficava de "bubuia" esperando peixe passar para pegar com a mãos. Dentro de mim mora um anjo que tem a pele quase alaranjada, a cara pintada e não incomoda ninguem. Deixem o meu povo em paz! Tchaunee, cunama! Contato de Maria das Graças Moraes Cardoso Pereira Leal
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Conceição Campos comentou:
28/11/2012
Querido amigo e sempre professor, obrigada por mais essa crônica, precisa, informativa e tocante.
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gerusa pontes de moura comentou:
27/11/2012
Mais que uma crônica, uma lição de vida, obrigada PROFESSOR BESSA pela oportunidade de uma linda leitura.
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Valdez comentou:
27/11/2012
Projeto interessante. O barqueiro não nos é estranho. Tá logo ali nos portões do Inferno de Dante. Era ainda um garoto e ele levou Massa, um mendigo de poucos coturnos, beberrão de fala mansa, que o povo de Guarabira, por um desses acasos inexplicáveis, elevou a alto grau de consideração. O seu túmulo tem luzes feéricas e a visita de multidões. Hoje quase santo, a maioria dos que o veneram sentiria repugnância da sua medianidade, o côco careca, os olhos empapuçados de cachaça. Dormia num depósito de tralhas, quase lixo, onde os ratos o absolviam do esquecimento. Tudo enriquece este mundo de Deus!
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katrine comentou:
26/11/2012
Muito bom.....parabens......
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Lori comentou:
25/11/2012
Bessa querido! Gostei demais de seu texto! Li logo depois de postado e depois com os comentários. Foi um prazer ler a ambos! Essa repercussão e esses retornos de seus textos devem ser inestimável para você! Ótimos comentários.
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Vera Dodebei comentou:
23/11/2012
Bessa, a crônica é belíssima e merece todos os elogios! Já que vamos publicar um segundo livro sobre Memória Social, sugiro que vc participe dele com esta e mais duas ou três de sua escolha para formar um capítulo de cerca de 12 páginas.
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Alexandre Gomes comentou:
23/11/2012
MOÇÃO DE HOMENAGEM À CONSTANTINO FUPEATUCU Nós, representantes dos Pontos de Memória e demais iniciativas de memória e museologia social reunidos no V Fórum Nacional de Museus, realizado na cidade de Petrópolis (RJ) entre 19 e 23 de novembro de 2012, reconhecemos e homenageamos o indígena Constantino Ramos Lopes, o Constatino Fupeatucu, pelos seus esforços empreendidos para a organização e manutenção do Museu Maguta, do povo indígena Tikuna, no município de Benjamim Constant, que podemos considerar o primeiro museu indígena no Brasil. Petrópolis, Rio de Janeiro 21 de novembro de 2012 Assinam todos os Pontos de Memória e demais iniciativas de memória e museologia social presentes no V Fórum Nacional de Museus
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Mario Chagas comentou:
22/11/2012
Bessa, sua crônica é elegia e ode (ao mesmo tempo) e é maravilhosa. No mundo dos museus - e não só - o Constantino fez a diferença.
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Jackselene Olimpio de Souza comentou:
22/11/2012
Belíssima e merecida homenagem ao meu querido conterrâneo Constantino, guerreiro, vencedor, que tanto fez pelo seu povo e tenho certeza que para sempre estará presente nas lembranças dos que o conheceram. Só posso dizer obrigada pela comovente e perfeita crônica.
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Anne-Marie comentou:
22/11/2012
Linda iniciativa, Bessa, cada um de nós deveria fazer o termo de lembrança dos seres amados. Achei interessante revisitarmos a imagem da morte vista como uma travessia, a travessia de um rio. Digo "revisitarmos" porque ela está também presente na mitologia grega. Mas a vida é também uma travessia E é a vida que vai, aos poucos, enchendo a barca de Constantino, a nossa barca a todos, a barca dos nossos alunos. Como navegar esquecendo-se desta carga? E lembrei uma bela analogia feita por Marisa del Cioppo Elias, educadora Freinetiana, ao falar dessa travessia e do nosso papel de "barqueiros", remando, com nossos alunos, para margens que só a eles pertencem, mas que eles ainda desconhecem: "(...) depois de perambular, a alma chega às margens de um rio. Ali encontra um barqueiro, psicólogo e condutor de almas. Este a transporta remando até um ponto do rio onde lhe entrega os remos para que, com sua própria maneira de remar, alcance a outra margem, a margem onde se acha o equilíbrio, a união dos opostos." (Pedagogia Freinet - Teoria e prática, SP, Papirus, 1996, p.21)
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Cris Amaral comentou:
21/11/2012
Por tão doces palavras em tom romanceados és capaz querido Prof. Bessa de nos trazer histórias tão reais e comoventes. Diante disso sinto-me sem palavras... Parabéns pela bela crônica e o meu sinto muito pela partida do amigo. Carinhos
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Eurilinda Figueiredo comentou:
21/11/2012
...essa tocou minha alma e me quedou em profundo, orgulhoso e triste silêncio...
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Daniele Lopes comentou:
20/11/2012
Amei Bessa,temos que valorizar as nossas raízes!!!!!!!!!!!!!
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Marly Cuesta comentou:
20/11/2012
Nossa, Prof. José Bessa, fiquei agora muuuito emocionada, de verdade!Que bela história do parente Constantino, narrada com tanta emoção.Que missão linda de Constantino que tão prematuramente embarcou na Canoa das Almas,encerrando sua bela missão terrena!Passou um filme agora na minha mente,lembrando daquele infâme massacre,também conhecido como "Massacre dos ticunas",em 1988.Nessa época eu já morava no Rio Branco,Acrre!Com certeza minha irmã amada irmã Profª. Marlene Cuesta, do Umariaçú I e II MarlindaCuesta Telles, João Reátegue Telles,Graça Telles conheceram o Constantino.Lá na eternidade,ele está agora na luz e contando as históris de nosso povo!Gratidão caro Prof.Bessa!Tenha sempre muita luz na missão,
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John Monteiro (GT Índios na Historia)) comentou:
20/11/2012
Colegas, não deixem de ler esta crônica, que é simplesmente magistral. Depois de me irritar e me desolar com a coluna insultuosa da senadora Kátia Abreu (enviado ontem também), tive a minha esperança restituída ao conhecer a trajetória de Constantino Füpeatücü, museólogo tikuna recém falecido. A inteligência e criatividade da crônica capta com perfeição a trajetória singular e emocionante de uma pessoa que, à sua maneira, contribuiu muito para o conhecimento da história e cultura dos índios. Mostra um caminho importante a ser estimulado nas nossas universidades e museus etnográficos. Obrigado Bessa, por dignificar essa memória. Abraços, John M.
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Marta comentou:
20/11/2012
linda história de Constantino, viajo nos seus artigos, sou sua fã!! mas poderia adicionar ao título: "um índio museólogo (e bibliotecário) na Canoa das Almas" rsrsrsrsrrs, puxando sardinha pra minha profissão!! ótimo final de feriado!.
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Dirce Mello comentou:
20/11/2012
Se não fosse pessoas como você, grande professor Bessa, seríamos um povo com história de fantasia e não uma realidade retratada com tanto amor e conhecimento de causa. Parabéns.
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Marilia Xavier Cury comentou:
20/11/2012
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Karina Melo comentou:
20/11/2012
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Carol Sena comentou:
19/11/2012
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michèle sato comentou:
19/11/2012
parabéns bessa!!! eita crônica bonita a bessa!!! etnomuseulogia é uma cois deliciosa e pelas suas palavras, tornou-se melhor ainda. adorei!
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Marcela de Vasques comentou:
19/11/2012
Que linda homenagem!!! Hoje embarcamos uma grande amiga na "canoa das almas", gostaria de ter lido isso em homenagem a ela!!
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Vânia Tadros comentou:
19/11/2012
Muito significativo lavrar este Termo de Lembrança que deve dar origem a muitos outros cujos citados embarquem na Canoa das Almas. Que todos levem tão importantes bagagens quanto levou Constantino. Este artigo entra para o rol dos melhores escritos por ti, Bessa.
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Benedito Prezia comentou:
19/11/2012
Parabéns, Bessa, pela belíssima crônica! Pena que Constantino nos deixou tão cedo. Vou passar para o pessoal do Porantim para ver a possibilidade de reproduzi-la, pelo menos em parte.
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Tarcísio Motta de Carvalho comentou:
19/11/2012
Bela crônica, bessa. Eu adoro o livro das árvores. Já trabalhei com ele com turmas de sexto ano em Duque de Caxias (tinha um exemplar na biblioteca da escola) e foi muito bom.
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J. R. López comentou:
19/11/2012
É fundamental a disseminação da informação, especialmente, sobre as violações que desde sempre ocorreram na Amazônia. Mas, agora, existe a Comissão Nacional da Verdade para investigar os fatos.
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Marcelo Abreu comentou:
19/11/2012
Das mais belas crônicas que Bessa já escreveu!
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Susana Grillo comentou:
19/11/2012
Bessa, fiquei muito emocionada com sua crônica-registro das lembrancas do educador-museólogo Constantino Ticuna. Ficamos todos muito abalados com sua partida e você não deixou que essa perda passasse desapercebida com todo esse inventário que quase transborda a canoa que levou nosso amigo. Convivi algumas vezes com Constantino nas reuniões da CNEEI e em alguns eventos para se avaliar programas que estavam em curso nas escolas ticunas. Sempre muito sereno, firme em suas reflexões. Seu trabalho no Museu Maguta cataliza todas as suas acões nesse contexto intercultural com intensa producão/divulgacão de conhecimentos. Merecida e bela homenagem a Constantino.
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19/11/2012
Comovente história, vou repassar para minha amiga Anita. Contato de Marcos Henrique de Oliveira Tavares
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Alexandre Gomes comentou:
19/11/2012
Bessa, valeu! Vamos trabalhar na articulação de uma moção em homenagem e reconehcimento ao Constantino, no Fórum nacional de Museus. Grande abs. Contato de Alexandre Gomes
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Lilian comentou:
19/11/2012
Obrigada professor, pelo texto e por esse modo de comunicar! Fabuloso!
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Lilian Nabuco comentou:
19/11/2012
Oi Bessa - A distância de certa forma é prazerosamente compensada pelo Taquiprati. Vibrei com sua última crônica sobre Constantino. Comecei imediatamente a escrever um comentário. Estava tão inspirada que consegui até terminar a mensagem com uma imagem poética... Reproduzi com cuidado o código de segurança e aí dei o clic mortal: o SISTEMA, sempre ele, tenebroso, burro, irracional e inatingível, deu um bote fulminante e engoliu de uma só vez o meu texto, tal qual uma sucuri faminta e diabólica, me deixando frustrada e perplexa, até agora. O único retorno para tamanha violência foi uma mensagem fria e burocrática dizendo: "O código está errado"!!! Agora, falando sério, posso realmente ter errado no espacejamento entre os caracteres, ou seja não deixei espaço entre eles. Ainda inconformada pensei na possibilidade remota de você ter recebido este texto, e se recebeu sei que vai publicar. Assim que der vou registrar novamente nos comentários minha homenagem merecida pela sua brilhante ideia de recriar o Termo de Lembrança (do Bem), começando com Constantino. Que belo e providencial exemplo ele dá com sua vida!
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Teresinha Marcis comentou:
19/11/2012
Obrigado. Fiquei emocionada.
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Ângela comentou:
19/11/2012
Professor Bessa, foi muito bom ler este texto e conhecer a vida de Constantino.Pude refletir também, que tem tantas pessoas lutando pelo que acreditam e que apesar de todos os tipos de dificultades, não desistem e prosseguem até o fim.
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Jusssara Gruber comentou:
18/11/2012
Já fazia quase dois meses que Constantino estava na aldeia se tratando com um pajé. Pelo que soube, quem o acompanhou nos últimos tempos foi sua mãe, Alice, pois ele estava na aldeia. O pai já tinha falecido.Seu corpo foi levado para Benjamin Constant para velar e depois retornou à aldeia para o enterro.
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Ana Claudia Lima e Alves comentou:
18/11/2012
Bessa, querido, Seu Termo de Lembrança da última viagem do tikuna Constantino Füpeatücü me levou às lagrimas. Que bom você estar aí pra escreve-lo... Posso saber do que ele morreu, assim tão jovem?!
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Maria Sá Xavier comentou:
18/11/2012
Bessa, obrigada pela crônica! Uma beleza de texto! Gostaria de ter conhecido Constantino e seus olhos brilhantes. Vou postar na minha página do FB. Um abração daqui de Santa Rosa, Airam. Contato de Maria Sá Xavier
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Rogério Ferreira comentou:
18/11/2012
BESSA FREIRE faz uma belíssima homenagem à Constantino Tikuna. Veja no Portal Rogério Ferreira - cultura em movimento em: http://portalrogerioferreira.ning.com/?xg_source=msg_mes_network
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Marcus Alberto Barretto Fava (Blog Amazonia) comentou:
18/11/2012
Isso não é ápenas um relato histórico. É um poema muito lindo.
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Joca Oeiras comentou:
18/11/2012
Querido Bessa: Postei sua crônica no Portal do Sertão http://www.fnt.org.br/artigos.php?id=1085
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Marly Barbosa comentou:
18/11/2012
Bessa, que bela homenagem ao nosso companheiro de tantas lutas, nosso comandante, Constantino. Fiquei muito emocionada ao ler seu texto e o pouco que conheci do Constantino poderá, com este texto, ser compartilhado a todas as pessoas que como ele sempre lutam, Parabéns por compor esta canoa!!! Um abraço, Marly PS: professora do Curso Superior Ticuna numa fase em que você também participou.
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Guilherme comentou:
18/11/2012
Ataque no Igarapé do Capacete. No mesmo ano da Constituição de 1988, na qual alguns poucos retumbam e festejam como defensora dos direitos indígenas, os quais eu mesmo vejo desde essa data cada dia mais vilipendiados...é somente olhar a realidade atual.
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Claudia - UERJ comentou:
18/11/2012
Uma preciosidade textual sobre legado, memória, patrimônio - vale também como profunda reflexão a respeito do que deve ser a própria existência, nosso próprio legado para o entorno. Obrigada por partilhar mais esta história, Professor Bessa. Suas contribuições à preservação da momória da cultura indígena são inestimáveis. Em seu Termo de Lembrança serão necessárias ao menos 02 canoas. ;))
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Alessandra Marques comentou:
18/11/2012
Bessa, Homenagem bela e emocionante. Fiquei comovida por lembrar de todos que, de alguma forma, tiveram o privilégio de conhecer o Constantino. Bem que a Canoa das Almas poderia aguardar mais, porém isso a gente não escolhe. Fica a lembrança de uma pessoa suave e disposta a lutar pelo seu povo.
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Valdivino (Blog da Amazonia) comentou:
18/11/2012
Bela matéria. Parabéns! qual o nome do livro?...è prazeroso ler 'Bessa Freire'.
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Ana Lúcia Vulfe Nötzold comentou:
18/11/2012
Prezado Bessa. Tive o privilégio de conhecer Constantino. Pessoa boa que parte, pega a canoa das almas! Nos deixa um belo legado de vida, de persistência, de bondade, de luta, de sabedoria. Obrigada pelas palavras.
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Ana Silva comentou:
18/11/2012
Linda e emocionante essa crônica!! Canoa das almas, canoas do tempo... é, só você mesmo para nos encantar com tuas belas palavras!
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Ailton Krenak comentou:
18/11/2012
Bessa,obrigado por comunicar o embarque de nosso querido Constantino,que tive a felicidade de conhecer e cultivar por alguns anos entre fins de 80´ e início dos anos de 1990 uma regular colaboração na coleta e gravação de matérias para um programa de rádio que fazia a época.Lançamos juntos o livro ´Toru Dungu´ em Brasília e São Paulo.Constantino foi grande comunicador de sua cultura para o mundo,sempre gentil e suave como um pássaro de asas erguidas,seu nome verdadeiro... Contato de Ailton Krenak
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Leda Beck comentou:
18/11/2012
"Não conheci Constantino, mas, pelo jeito, ele é um de muitos que estão por aí, por esse Brasilzão, fazendo coisas boas, dignas, íntegras. Ou era. Embarcou na "canoa das almas", como diz o Bessa, ao resgatar um pedaço de nossa História (que eu não conhecia e é uma delícia!)."
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Patricia Sampaio comentou:
18/11/2012
Texto emocionante e impecável em honra à memória de um sujeito excepcional!
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Manuela Carneiro da Cunha comentou:
18/11/2012
É isso mesmo, Bessa. As vidas de cada um importam, e muito.
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Dorinethe Bentes comentou:
18/11/2012
Ribamar só você seria capaz de produzir algo tão signficativo e tão simbolico em homenagem ao Constantino, não simplesmente ao Constitino mais a sua luta pelo povo ticuna, não podemos esquecer que a história de vida do Constantino é a história de luta do seu povo. obrigada Contato de Dorinethe Bentes
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Dorinethe Bentes comentou:
18/11/2012
Ribamar só você seria capaz de produzir algo tão signficativo e tão simbolico em homenagem ao Constantino, não simplesmente ao Constitino mais a sua luta pelo povo ticuna, não podemos esquecer que a história de vida do Constantino é a história de luta do seu povo. obrigada Contato de Dorinethe Bentes
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Dorinethe Bentes comentou:
18/11/2012
Só você Ribamar seria capaz de produzir algo tão significativo e tão simbolico para homenagiar alguem tão importante para história e para históriografica do povo Tikuna. O Termos das Lembraças no mundo dos esquecimentos é fundamental para garantirmos a que pessoas como Constantino continui vivo entre nos.
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Giane comentou:
18/11/2012
Memória, poesia e comoção - não sei se nesta mesma ordem..
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Jaime Diakara comentou:
17/11/2012
Esse é um grande professor que admiro tanto, que tem um pensar diferente...Valeu professor adorei o texto... Contato de Jaime Diakara
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Soraia Magalhães comentou:
17/11/2012
Estive em Benjamin Constant e visitei o Museu Maguta, mas não sabia nada dessa história. Obrigada Professor Bessa por estar sempre ensinando e disseminando histórias guardadas.
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Olga Paiva comentou:
17/11/2012
Um dos mais belos texto que tive oportunidade de ler sobre nossos irmãos.
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Ad Vale comentou:
17/11/2012
Amo as crônicas do Professor José Bessa..
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