CRÔNICAS

Paris é uma festa: o Hemingway de igarapé

Em: 26 de Janeiro de 2020 Visualizações: 5672
Paris é uma festa: o Hemingway de igarapé

“Só existem dois lugares no mundo onde podemos ser felizes: em casa e em Paris”. 

Ernest Hemingway. Paris é uma festa. 1964

Desde o período áureo da borracha, Manaus é chamada de Paris de Igarapé. Por extensão, a Universidade Federal do Amazonas é a Sorbonne de Igarapé e este nosso combativo Diário o Le Monde de Igarapé. É assim que no Amazonas identificamos certas instituições, pessoas, fatos. O interlocutor pode considerar isso um deboche ofensivo, se sua referência for um igarapé moribundo de Manaus, como o Mindu, contaminado por lixo e esgoto. Mas será um elogio se pensar no Cunuri, que reflete em suas águas cristalinas as copas das árvores, fornece água potável e dá vida aos peixes e às plantas na região do alto Tiquié, porque os Tuyuka, que cuidam bem dele, são seres humanos, mas felizmente não “são iguais a nós”.

Nos dois casos, porém, independentemente do juízo de valor, a expressão que associa o igarapé a uma instituição europeia, serve para demarcar na periferia o reduzido raio de ação da entidade local. O igarapé – caminho de canoa em Nheengatu – é um canal estreito, um pequeno braço de rio. Mas ele é nanico apenas no cenário dominado pelo caudaloso rio Amazonas. Já no contexto da Europa, assume outra dimensão, como mostrou dona Elisa que me visitou quando eu lá morava e diante da Catedral de Notre-Dame perguntou:  

– Meu filho, esse igarapé aí é que é o famoso Sena? Sou mais o Tarumã.

Era o mesmo rio que Ernest Hemingway contemplara pela primeira vez em 1921. Ele morou com a esposa, o filho e o gato, num conjugado sem água quente nem privada na rua Cardinal Lemoine e depois em outro de dois quartos na rua Descartes. Conviveu com escritores, pintores, jornalistas, cantores, boêmios. Flanou pelos bulevares. Frequentou cafés, bistrôs, bares. Costumava levar caderno, lápis e apontador ao Café Closerie des Lilas, em Montparnasse, onde escrevia durante horas em mesa com tampo de mármore. “Eu era pobre e feliz” anotou em “Paris é uma festa”, editado após seu suicídio nos Estados Unidos em 1961.

Um dia, um gato

O livro registra que quando chegou na França, tinha 22 anos e lá viveu seis anos com idas e vindas, na década de 1920, nos chamados “anos loucos”, período entre as duas guerras. Passou fome algumas vezes. “Nesse tempo era possível viver muito bem em Paris com pouquíssimo dinheiro desde que, de quando em quando, se suprimisse uma refeição e não se renovasse o guarda roupa”.

Hemingway relata que nem sempre podia pagar os livros alugados numa biblioteca particular na rua de L’Odéon, lidos por ele com voracidade. Comenta criticamente suas leituras. Descreve a convivência regular com grandes nomes da literatura e da arte: James Joyce, Ezra Pound, Picasso. Frequentou a casa de Gertrude Stein e Scott Fitzgerald. No seu livro rola muita fofoca, e das boas, sobre tais personalidades, com confidências ainda sobre sua primeira mulher Hadley, o filho Bumby ainda bebé e o gato. 

- Nesse tempo, não havia babás e Bumby mantinha-se feliz na sua caminha de grades altas, acompanhado do nosso gato, que era grande, meigo e se chamava F. Puss. Certas pessoas achavam que era perigoso deixar uma criança com um gato. [...] Diziam que os gatos se deitavam em cima dos bebés e que o peso deles os sufocava.  F. Puss deitava-se ao lado de Bumby, na cama de grades, espiando a porta com seus grandes olhos amarelos e vigilantes e, quando nós saíamos [...] o gato não deixava que ninguém se aproximasse dele. Não precisávamos de nenhuma babá. F. Puss era a babá.

O livro inicia com carta de Papá – esse era seu apelido -  a um amigo:

- “Se você teve a sorte de viver em Paris na sua juventude, então onde quer que vá, a lembrança permanecerá em você pelo resto da vida, porque Paris é uma festa móvel”.

Nos “anos rebeldes”, este locutor que vos fala teve a sorte de viver, também seis anos, numa cidade que é um eterno feriado. Primeiro na qualidade de exilado, trabalhando em hotel, restaurante, limpando privada de madame, depois, em melhores condições, como bolsista e correspondente do semanário Opinião. Se efetivamente “a fome é uma boa disciplina e ensina-nos muita coisa”, como escreveu Hemingway, neste caso foi grandiosa a aprendizagem deste vosso Hemingway de Igarapé, que não é filho de Paris, mas do rio Solimões, sobre cujas águas leu, aos 16 anos, “O Velho e o Mar”.      

O jovem e o rio

Uma experiência de leitura como essa a gente não esquece. Foi no barco-recreio Lord Kelvin, que transportou cerca de 50 paroquianos do bairro de Aparecida, em Manaus, para a sagração do bispo de Coari, Dom Mário Anglim. Eu estava a bordo. A viagem durou três dias. Meu quase-cunhado, Newton Bocão, me emprestou “O Velho e o Mar”. Bebi de uma só talagada a história do cubano Santiago, pescador panema, que depois de quase três meses de jejum, finalmente pescou um peixe maior que seu barco. Na cena final, ele dorme de bruços. A última frase ficou gravada na memória:

- “O velho sonhava com leões”.

E eu fiquei sonhando em ser um escritor como o autor que acabara de ler, que em 1954 ganhara o Prêmio Nobel de Literatura. Só depois surgiriam as críticas aos seus preconceitos e às suas caçadas que hoje o tornam "fora de moda" e até ao seu estilo, com ausência de orações subordinadas. Mas de forma mais modesta, me contentava em ser um Hemingway de Igarapé. Ficaria feliz se tivesse leitores espalhados nos arredores do igarapé Bananal, em Coari.  Já era suficiente. Ignorava, então, a advertência de Gabriel García Márquez de que “é mais fácil capturar um coelho que um leitor”.

Deslumbrado com Hemingway, tentei visitar sua casa na periferia de Havana, quando estive em Cuba, em 1972, bancado pela instituição francesa onde estudava. Não foi possível porque, se bem me lembro, ela estava sendo restaurada para virar museu. Só consegui mesmo beber uns daiquiris em La Bodeguita del Medio e no Bar Floridita, que conserva um busto de bronze do escritor. Nesta época li “Por quem os sinos dobram” e Adeus às armas” e só anos depois “Paris é uma festa”, que relata os encontros de Papá com James Joyce já quase cego, as visitas à casa de Gertrude Stein que lá vivia casada com sua companheira Alice, e os papos com Scott Fitzgerald, sempre de porre, e com uma esposa extremamente ciumenta.

Esponjas de amor

Por que ocupar esse espaço com Hemingway? É que ele adorava gatos e evocava a fofura deles ao tato para defini-los como “esponjas de amor”, sempre capazes de se encharcar de afeto, carícias e muito chamego. Lembrei-me porque tenho um gato encontrado há 20 anos numa lata de lixo. Agora, com idade provecta, está se despedindo da vida. O motorzinho da garganta, fábrica de ronronar felicidade, já parou de funcionar. Trata-se de um gato de igarapé, que nunca foi babá como F. Puss, mas tem o carinho do Babá.  Eu queria muito ser o Hemingway de igarapé para homenagear aquele que me acompanhou todos esses anos com olhar amoroso e altivo, cujo nome é uma homenagem a um histórico personagem libertário. Valente e doce León. Faz jus ao nome. Ele parece com o cão do Antônio Magri, o folclórico ministro do Trabalho de Collor de Melo,  para quem "o cachorro é um ser humano". Felizmente León não é "um ser humano" igual ao autor da frase recente sobre índios.

P.S. – Ia comentar aqui mais uma pérola de Bolsonaro nesta quinta (23): “Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós”. A preocupação com León me livrou de mergulhar nas águas fétidas desse Mindu do séc. XXI.

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27 Comentário(s)

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Loretta Emiri (via FB) comentou:
28/01/2020
A sorte de visitar a casa do Ernest Hemingway em Cuba eu tive. Porém não tenho o dom da ironia, que permeia e torna belíssimos, originais e agradáveis seus textos, querido Bessa.
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Sergio Caldieri comentou:
27/01/2020
Que maravilha mestre José Bessa! Estive no hotel que Hemingwey morou em Cuba, Pertinho do La Bodeguita. Emocionante o seu artigo!!!
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José Roberto Torero comentou:
27/01/2020
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Luiza Helena comentou:
26/01/2020
É sempre uma surpresa boa ler seus artigos, mestre José Bessa, mesmo que a matéria prima para eles beire o inacreditável nos dias de hoje! Grande abraço!!!
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Ivone Andrade (via FB) comentou:
26/01/2020
Babá você é o nosso eterno Hemingway de Igarapé! . Lembrou-me a homenagem que Jorge Luis Borges fez para o gato dele. A UM GATO / Não são mais silenciosos os espelhos / Nem mais furtiva a aurora aventureira; / Tu és, sob a lua, essa pantera / que divisam ao longe nossos olhos. / Por obra indecifrável de um decreto / Divino, buscamos-te inutilmente; / Mais remoto que o Ganges e o poente, / É tua a solidão, teu o segredo./ O teu dorso condescende à morosa / Carícia da minha mão. Sem um ruído / Da eternidade que ora é olvido. / Aceitaste o amor desta mão receosa. / Em outro tempo estás. Tu és o dono / de um espaço cerrado como um sonho. Jorge Luis Borges
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Valter Xeu comentou:
26/01/2020
Publicado em Patria Latina - uma voz a serviço da integração dos povos http://www.patrialatina.com.br/paris-e-uma-festa-o-hemingway-de-igarape/
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Eloína Prati dos Santos comentou:
26/01/2020
Bom domingo, Bessa. Pra mim começou muito bem, lendo tua preciosa coluna. Entendi bem teres de afastado das quase insuportáveis águas fétidas, jogadas sobre nós todos os dias, para falar de Hemingway e de gatos. Como professora de literaturas de língua inglesa, sempre indiquei altas doses de Hemingway pra quem pretendia escrever. Contos como Old Man at the Bridge são a escritura perfeita, tudo em 2 páginas, a guerra, o despatriamento, os afetos deixados para trás, a viagem sem volta trocada pela morte. E também amo e admiro gatos. Muitos escritores além de ti e de Hemingway descobriram a presença relaxante de um gato a seu lado, Gullar e seu Gatinho, Antônio Torres e Minu, que até ganhou um livro seu...só como breves exemplos. Que teu velho companheiro vá em paz quando for sua hora e as muitas lembranças te consolem, assim como outro gatinho achado abandonado na rua venha te acompanhar, não substituir. Cada vez mais abandonamos animais domésticos nas ruas, me corta o coração. Adoro tuas colunas! Abração da distante Porto Alegre, Eloína
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Alcindo Tenorio Pereira (via FB) comentou:
26/01/2020
Parabéns pelo belíssimo texto, a demonstrar o qualificado escritor que é: Claro, preciso, de uma criatividade relevante. Também leitor e admirador de Heminguay, e crítico desse governo, só tenho palavras de agradecimento por nos ter brindado com o texto.
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Gerardo Leite Santiago (via FB) comentou:
26/01/2020
Os Tuyuka são humanos felizmente não iguais a nós que moramos em cáceres privados, despejamos merda nas águas e a bebemos depois, e, entre tantos outorgamos nosso arbítrio à humanoides
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Sonia Conceição (via FB) comentou:
26/01/2020
Sempre agradecida por você me deliciar com estas histórias!
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Neuza Roque (via FB) comentou:
26/01/2020
E eu prefiro Manaus à Paris ..
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Serafim Correa comentou:
26/01/2020
Publicado no Blog do Sarafa. https://www.blogdosarafa.com.br/paris-e-uma-festa-o-hemingway-de-igarape/
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Combate - Racismo Ambiental comentou:
26/01/2020
Publicado no blog Combate - Racismo Ambiental. https://racismoambiental.net.br/2020/01/26/paris-e-uma-festa-o-hemingway-de-igarape-por-jose-ribamar-bessa-freire/
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Fátima Morado (via FB) comentou:
26/01/2020
Que privilégio poder ler uma crônica tão bonita, professor. Obrigada
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Maria Claudia Badan Ribeiro (via FB) comentou:
26/01/2020
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Inez Mattos (via FB) comentou:
26/01/2020
Bela resenha,emocionante. Um abraço, humano daí!
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Maria Regina Arruda (via FB) comentou:
26/01/2020
Exatamente....passei 5 dias em Paris...sem grana para restaurantes mas vagabundiei bastante !
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Haroldo Araújo da Silva comentou:
26/01/2020
Bom dia. (É mais fácil capturar um coelho do que um leitor.) A fome é uma boa disciplina e ensina-nos muita coisa. Muito do que sou hoje e do valor que dou as pessoas, foi por essa disciplina que aprendi.
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Eurilinda Figueiredo comentou:
26/01/2020
Gratidão, José Nessa, por mais esse momento de deliciosa leitura, tão necessário nesses tempos espinhosos e fétidos. Teu companheiro gato certamente rumou para outras vidas, mais forte, pelos teus cuidados e carinho. Sigo, leitora capturada, à espera de outros textos, nos arredores dos igarapés (que restam) do Acre. Haux! Haux! Haux!
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Edna miudin guerreiro comentou:
26/01/2020
Pois estou aqui, sua leitora e admiradora incondicional, a saber de igarapés, de índios , de Paris , de Hemingway e de gatos. Nem o toque ao Jair( como esquecer essa figura trágica?) retira a delícia do texto. ?
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Antony Devalle comentou:
25/01/2020
O Ferreira Gullar, que também era José Ribamar e, maranhense, também amazônico, acariciaria o seu texto como um gato, ele que tanto amava os gatos.
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Ligia Maria Motta Lima Leão de Aquino comentou:
25/01/2020
Grata pela amorosa crônica e por ficar longe das águas fétidas.
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Celia Musilli (via FB) comentou:
25/01/2020
Parabéns, José Bessa. Crônica maravilhosa.
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Lucimar Jacinto (via FB) comentou:
25/01/2020
Ah como foi bom ler esse texto: alimento para a alma em meio ao cáos da política brasileira! Mas vou esperar suas considerações sobre o vômito do bozo sobre os nossos irmãos indígenas.
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Vilacy Galucio comentou:
25/01/2020
Bessa, fi e refiz várias viagens conduzida pelo teu texto. Uma delas foi com minha gata Flora, que em junho passado me deixou depois de 17 anos de intenso companheirismo. Obrigada
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Celeste Correa comentou:
25/01/2020
Essa exilada de igarapé que vos fala  não conheceu Paris, mas conheci  um pouco sobre as belezas da região amazônica, principalmente pelas inúmeras vezes em que desci o R. Amazonas rumo à Cidade de Tefé, num tempo em que eu fui muito feliz por estar em casa, "um dos lugares do mundo onde podia ser feliz", num tempo em que os igarapés ainda não estavam tão poluídos e a floresta tão devastada.  Nos três dias de barco eu tbm aproveitava para ler. Não tive a oportunidade de ler Hemingway, mas hoje eu tenho o privilégio de ler o "Hemingway do Igarapé" que semanalmente me dá uma aula de brasilidade, me apresenta escritores brasileiros e estrangeiros e contribue  muito para a minha reflexão crítica  e para ampliar a minha visão mundo. Mano, é grandiosa a minha aprendizagem com o  Hemingway de Igarapé, que hoje me dá uma lição de sensibilidade ao dedicar parte da sua crônica para se despedir do seu gato,companheiro de vinte anos, que,diga-se de passagem, parece mais "ser humano" do que  certos humanos. Que o Leon descanse em paz!
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Leonardo Neves (via FB) comentou:
25/01/2020
Sr. Hemingway de Igarapé, o seu texto está mais para Cunuri do que para Mindu. Parabéns.
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