CRÔNICAS

Cheiro de macaxeira: Bush esnobou Manaus?

Em: 11 de Março de 2007 Visualizações: 6513
Cheiro de macaxeira: Bush esnobou Manaus?
Não é segredo pra ninguém que o maior sonho de Laura Bush é conhecer a Amazônia. Seu marido George W. Bush prometeu-lhe que nessa viagem à América Latrina dariam uma esticadinha até Manaus. Estava tudo combinado. Na última hora, porém, o casal Bush pediu penico. Desistiu. Foi direto pro Uruguai. Vamos revelar aqui as verdadeiras razões da mudança de itinerário, em base ao que foi noticiado pelo repórter Joseph Oversea Toomuch, em sua coluna “Here for you”, no “Urucurituba News”.
 
Durante meses, as autoridades locais negociaram com a Embaixada Americana a agenda de Bush em Manaus. No entanto, bastou apenas um dia para que essa agenda fosse destroçada por três mulheres amazonenses a quem rendo homenagem no Dia Internacional da Mulher. Essas três cabocas corajosas – a Nêga, a Loura e a Libanesa – usando armas diferentes, deram um chega-pra-lá no casal de gringos, impedindo a visita. E agora, se você tiver paciência de ouvir, passo a contar o caso como o caso foi.
 
A visita do Bushinho a Manaus, além de motivações turísticas, tinha interesses comerciais. Bush quer transformar tucupi, aluá e gengibirra em gasolina. Ele pretende impor aos empresários e autoridades locais seu mega-projeto de criar no Amazonas 3.000 usinas de etanol fabricado a partir da macaxeira, da mangarataia e do abacaxi, abrindo, para isso, no meio da floresta, 10 milhões de roças para fornecer matéria prima, o que converteria a Amazônia num gigantesco mandiocal.
 
Os puxa-sacos
 
O Poder Legislativo vibrou com o projeto. O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Leonel Feitoza, marcou sessão especial para entregar o título de cidadão honorário a George Bush, com o pagamento de jetons em dólares. Ora, se o recente ‘pacote de bondades’ prevê que duas coçadas de saco, em simples reunião ordinária, rendem a cada vereador R$2.351,80 em jetons (ou seja, mais do que o salário mensal de um professor universitário em início de carreira), imaginem quanto dólares vale uma puxada de saco no presidente dos Estados Unidos!
 
O cordão de puxa-sacos aumentou quando o presidente da Assembleia Legislativa, Belarmino Lins, concedeu o título de cidadã amazonense à Laura Bush, contratando 23 tradutoras para a sessão especial – Ana Lins, Bianca Lins, Cecília Lins, Daiana Lins, Erika Lins, Francian Lins, Goreth Lins, o alfabeto todo até Zulmira Lins. Elas ganharam tubos, além de auxílio alimentação e combustível, só para traduzir a única frase do discurso do Belão:
 
- Mrs. Bush, my name is Big Beautiful. I am glad to meet you.
 
Por causa disso, Big Beautiful conseguiu empréstimo do Governo americano para contratar 123 estenógrafas, 48 operadores de QTU, 118 secretárias, 240 assessores e 386 seguranças, todos eles filhos, netos, tios, sobrinhos, sogros, cunhados e xerimbabos da família Lins.
 
- Enquanto houver possibilidades, estou dando oportunidades a eles. Depois que for proibido, tudo bem – declarou Belão, copiando a frase do maninho, o depufede Atila Lins.
 
A agenda de Bush recebeu também contribuição do sempiterno, perene e imortal secretário de Cultura, Roubério Braga, codinome Berinho. Ele programou um show de can-can no Teatro Amazonas, seguido de um passeio de charrete na Praça São Sebastião justificando, finalmente, o fato de a sinalização da área ser toda em inglês. Só assim Bush poderia conversar de igual para igual com o cavalo que é, como todos sabem, filho daquela égua que só falava inglês, da música do Chico Buarque. A escolta de Bush seria feita pelo Coronel Firmino, Delzuite e Lola.
 
Várias programações da agenda foram descartadas por dificuldades operacionais. A partida de dominó com Amazonino Mendes, por exemplo, que seria um duelo de titãs entre dois ‘passadores de gato’, foi cancelada, porque o ex-governador não consegue arranjar parceiro. O debate sobre ecologia com Gilberto Mestrinho foi suprimido, porque ambos acham que proteção do meio ambiente é viadagem. A aula magna de abertura do ano letivo 2007 na UFAM, proferida por Bush, ficou para o seu sucessor.
 
Outros programas de transferência de tecnologia foram vetados por questão de segurança. É o caso da visita de cortesia de Bush ao ex-procurador Geral de Justiça, Vicente Cruz-Credo, que pode ajudar no extermínio de opositores no Iraque. Ou da conversa com o depufede Sabino para saber como dar catiripapos na dona Laura, sem deixar marcas. Ou ainda da visita a Coari. Os gringos querem aprender com o prefeito Adail Pinheiro como produzir concreto-hbio, feito de trigo, técnica que ele desenvolveu em sua gestão, quando comprou cimento em padaria, como comprovam as notas fiscais.
 
A comitiva presidencial só desistiu de Coari porque os agentes da CIA obtiveram informação fidedigna, extorquida sob tortura, de um cidadão conhecido como Dimas Polegada. Ele viajou em 1985 num barco-recreio, debaixo da rede de Adail. Durante toda noite, Adail pipocou ventosidades tão fétidas, que ninguém hesitaria em classificá-las como armas químicas de destruição massiva, coisa que, como todos sabemos, Bush não admite no fiofó dos outros. Somente no dele.
 
O tacacá é nosso
 
O cancelamento da visita a Manaus, porém, nada teve a ver com Coari, mas com o medo que Bush sentiu de três mulheres que organizaram a resistência: a Loura no terreno político, a Nêga, no ideológico, e a Libanesa no culinário-esculhambativo. A palavra de ordem foi: “O tacacá é nosso”. The take kk is ours. 
 
Bush hesitou três vezes em visitar Manaus. A primeira foi quando viu a foto da deputada Vanessa Graziottin (PC do B) no plenário da Câmara de Deputados, em Brasília, segurando uma faixa “Fora Bush”, e lhe disseram que ela, embora nascida no Sul, era uma caboca amazonense. Naquele momento, Vanessa expressava o sentimento do lado bom do Brasil. Todos nós ficamos orgulhosos dela.
 
A segunda foi quando Bush manifestou desejo de incluir em sua agenda uma reunião com a Secretária de Ciência e Tecnologia, Marilene Corrêa, para discutir com ela acordos relacionados ao biocombustível. Já que Eduardo Braga havia liberado os secretários para agirem de acordo com suas consciências, Marilene respondeu:
 
- Conversar com esse carniceiro? Never. Nor dead, daughter”, o que equivale em Portugal a “nem falecida, cachoupa”, ou seja, ao nosso “nem morta, filha”.
 
Do ponto de vista psicológico, Bush já estava liquidado. Mas o tiro de misericórdia foi disparado pela empresária Charufe Nasser, dona do melhor restaurante de Manaus.
 
- Égua! Ninguém mais vai comer macaxeira, nem tomar tacacá! Tudo vai virar gasolina! reclamou Chachá. Desbocada, fez gesto obsceno e mandou recado pro Bush com um grito que veio das profundezas da nossa infância:
 
- Manioc? Hold your wood and smell, son of bitch.
 
O que, segundo as tradutoras Lins significa:
 
- Macaxeira? Pega no teu pau e cheira.
 
Bush desistiu de Manaus. Ele sabe que não poderia suportar o fedor de bilau podre.
 
P.S. 1 – Escrito com a colaboração de Heyrton e Dodora.
 
P.S.2 – O Conselho Nacional do Ministério Público mandou o promotor de Justiça David Carramanho devolver aos cofres públicos R$227,2 mi, que o dito cujo recebeu de gratificação e licença-prêmio não gozada, na época em que era capitão da PM e ajudante-de-ordens do governador Amazonino Mendes. Ele, que tem um salário mensal de R$20.000,00, recorreu alegando: “Na vida militar é assim. Tudo conta em dobro”. Menos vergonha-na-cara!

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