CRÔNICAS

PJ: O aprendiz de puxa-saco

Em: 18 de Julho de 1995 Visualizações: 1928
PJ: O aprendiz de puxa-saco

. — Quando eu era menor, meu pai me dizia: “Meu filho, quem não puxa saco, acaba puxando carroça. Por isso, entre um e outro, não duvide. Escolha o saco”. Segui o conselho do velho e acabei me dando bem. Puxo o saco mermo”.

Esta “pérola” do deputado Ronaldo Tiradentes foi desovada há algumas semanas na coluna “Sim e Não” deste jornal e resume toda a filosofia do puxa-saquismo manauara que pretende negar o trabalho e o esforço, instituindo a bajulação como método de ascensão social. Ronald Toth Puller conseguiu pensar — viva! — sobre o que ele faz, isto é, teorizar sobre a sua própria prática e a de seus colegas.

É impressionante como, no Amazonas — canta comigo, leitor (a): - O cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais!

A bajulação passou a ser o caminho mais usado pelos que querem fazer carreira política e profissional. Para eles, a frase do Tiradentes, simboliza todo um programa de vida.

O puxa-saquismo manauara transformou-se numa religião com seu ritual, seus acólitos e seus oficiantes. Fez escola, com seus mestres e doutores, discípulos e aprendizes. Produziu novos métodos e técnicas de adulação. Desenvolveu-se tanto que as autoridades estão todas “herniadas”, sofrendo de hidrocele.

Égua! Por que é que estou escrevendo tudo isso? Ah, já sei. É porque na semana passada esta coluna explorou os efeitos cômicos do “erro” cometido pelo vice-governador Alfredo Jacamim Nascimento que, em discurso público na Escola Superior de Guerra (ESG), disse que era amigo do Pedro Teixeira, que nasceu em 1587, só faltou jurar ter feito a primeira comunhão com o frei Henrique de Coimbra.

Não conheço o Alfredo Nascimento para avaliar como ele encarou a gozação. O certo é que ele ficou quieto. O presidente JK também ficava quieto e morria de rir, entre amigos, com as brincadeiras que a imprensa fazia com ele.

Em compensação, quem tomou as dores do vice-governador, que na realidade nem foi ofendido? Quem? Quem? Adivinha, leitor (a): foi ele, o aprendiz de puxa-saco, louco para mostrar serviço, o suplente de vereador Paulinho Jacob, o PJ.

Em nota publicada na coluna “Bom-Dia”, de um jornal local, PJ — o aprendiz — me acusa de ser PHD em falsidade ideológica. Não consegue nem ser original. Vai ter que pagar direitos autorais ao Omar Abdel Aziz, que tem o mérito de ter descoberto isso muito antes.

Confesso que há algum tempo venho observando o comportamento público deste moço, que detesta puxar carroça e segue tintim por tintim a filosofia tiradentiana. Ele aparece nas colunas sociais, sempre escovando as botas de alguma autoridade, com avidez e sofreguidão.

O Leonel Feitosa, a gente ainda vê brigando contra o prefeito por causa do aumento da passagem de ônibus. Você já viu, leitor (a) o suplente de vereador P. Zinho J. defender os lascados, os humilhados e os fracos? Nunca! Nem o P. Zinho Jota e nem o P. Jotinha. Em compensação, é de uma coragem leonina quando se trata de bajular algum poderoso.

Quando Pézinho Jota era bem pézinho, andava ainda engatinhando, perguntaram dele: “O que você quer ser quando crescer?” Ele respondeu, sem pestanejar: “Eu telo té tio Lobélio”. E isso, gente! O Pézinho Jota é um projetinho de Robério Braga, realmente um modelo a ser seguido, devido ao seu currículo.

Robério Braga, com uma coragem desassombrada, apoiou todos os homens que governaram o Amazonas, não apenas os vivos, mas até mesmo aqueles que já morreram há muito tempo. Em sua atividade de “historiador”, conseguiu puxar saco até do governador Vítório e do Tenreiro Aranha, a quem ele classificou de “administradores geniais”.

Por isso, Pézinho Jota mooorrre de inveja do Robério, que é também o seu maior ídolo. “Eu sou você amanhã”. Como aprendiz de Robério, ele segue a trilha do seu mestre, que como ele foi suplente de vereador e começou puxando saco de vice-governador até chegar às botas do governador. Tudo indica que no ano 2.010, P. Jotinha, com renome municipal, poderá ser Secretário Estadual de Comunicação.

Você concorda, leitor (a), com o dilema de Tiradentes? Estamos mesmo todos entre a cruz e a espada, digo, entre o saco e a carroça?

Da minha parte, gostaria de dis­cordar, data venia, do nobre depu­tado e radialista e de seu genitor, contrapondo a ele o meu genitor. O finado João Barbosa, meu pai, que Deus o tenha em sua santa paz, cos­tumava filosofar dizendo:
— Quem muito se abaixa, o fun­do aparece. Meu filho, a gente só faz genuflexão e só se curva diante de Deus. Só ele merece ser incensa­do e turibulado.

Se ele tem razão, todo o Amazo­nas já viu os fundos do Tiradentes, do Robério e do P.J. Como naquela dança de can-can dos velhos filmes franceses, eles vivem mostrando a aná­gua. Talvez, por isso, acabei alimen­tando um profundo desprezo pelas atividades de lambe-botas. Confesso o meu nojo e asco pelos capachildos, porque eles são subservientes com o “chefinho” e com quem está por cima e — para compensar tanto servi­lismo — acabam humilhando quem está por baixo.

Em vez de defender os sem-ter­ra, por exemplo, P. Jotinha coloca­-se como advogado do vice-governa­dor, que não precisa de defesa. Po­de reparar, leitor (a), quanto mais puxa-saco dos poderosos, mais tira­no se é com os pequenos e humil­des.

O povão, para se vingar, nomeia o puxa-saco com palavras que de­monstram o seu asco, como baba­-ovo, chupa-caldo, corta-jaca, sabujo, xeleléu, lambe-botas e, às vezes, no lugar de botas, usa uma palavra de duas letras, que descreve uma parte da anatomia humana.

Por ser a própria negação da crítica, o puxa-saquismo não permi­te o avanço do conhecimento huma­no, a descoberta e a revelação do homem e da vida. Por ser contra o humor, por ter medo de brincar e de rir, por sufocar o princípio do prazer e a força subversiva da ima­ginação, a bajulação deve ser con­denada.

P.S. 1 — Vicente e Jussara, me perdoem, mas vosso cunhado e irmão atirou primeiro.
P.S. 2 — Faleceu na semana passada Júlio César, filho do Aza­mor, que fabrica móveis e neto do Seu’ Francisquinho e da dona Con­ceição, tradicional família da Ban­deira Branca, no bairro de Apareci­da. Faço o registro e me associo à dor da família.

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