CRÔNICAS

Geração 68: nós que amamos tanto a revolução

Em: 27 de Junho de 2021 Visualizações: 3369
Geração 68: nós que amamos tanto a revolução

“No tengo miedo al invierno con tu recuerdo lleno de sol”. 

 (Tonada del viejo amor, Eduardo Falú / Mercedes Sosa)

O livro Nous l'avons tant aimée, la révolution escrito pelo líder de Maio de 68 na França, Daniel Cohn-Bendit, usa o verbo no pretérito composto (o “passé composé” francês). Na tradução, a Editora Brasiliense optou pelo pretérito imperfeito: “Nós que amávamos tanto a revolução”. Se fosse o perfeito seria amamos, que em português, unicamente no caso de nós, guarda a mesma forma tanto no presente como no pretérito, o que cria a desejada ambiguidade na evocação de um passado que não se contrapõe ao presente.

Cohn-Bendit reúne entrevistas feitas por ele em diferentes países, cujas manifestações de rua fizeram tremer o planeta em 1968. Quase vinte anos depois, ele ouviu, entre outros, líderes dos Panteras Negras, Yuppies, Women´s Lib, Brigadas Vermelhas, Solidarność, guerrilheiros da América Latina e, no Brasil, Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis. Alguns dos entrevistados, desiludidos, desistiram da luta, mas muitos continuam na militância no campo democrático.

É o caso do grupo “Geração 68 Sempre na Luta” que convocou um ato público para comemorar os 53 anos da “passeata dos cem mil” neste 26 de junho, na Cinelândia, no Rio. Fui. Se fosse eu o único a comparecer, diria eu amava ou amei. Mas na companhia, ainda que discreta de outros companheiros, o passado é perfeito: nós amamos a revolução. Atravessa assim os tempos verbais e destaca o caráter coletivo e a relativa perenidade desse engajamento.

Passeata dos sem mil

O que ficou da passeata dos cem mil? Milhares já morreram “de susto, de bala ou vício”, não poucos de corona, os sobreviventes com dificuldades de locomoção ou temerosos de aglomeração. Diante disso, o cineasta Silvio Tendler, que apoiou o ato simbólico, brincou me dizendo que agora seria a “passeata dos sem mil”. Fui lá conferir. Vesti minha camisa amarela da Escola Tuyuka Utapinopona, preparei um cartaz e marchei para a Cinelândia na companhia dos irmãos Pucu – o poeta Luiz e o advogado Márcio com sua esposa Elizabeth. Essa comitiva amazonense, que viveu 68 no Rio, levava no coração Thomazinho Meirelles, assassinado pela ditadura.

Quantos “gatosos” pingados havia na Cinelândia? Quatrocentos, talvez quinhentos?  Mas se somássemos todas as histórias ali contadas, os cem mil estavam lá rezando em nossos ouvidos: “Fazei isso em memória de mim”.  Situação similar deve ter sido vivida pelas demais cidades que convocaram para o ato – Fortaleza, Goiânia, Brasília, Recife e Belo Horizonte. Em razão da chuva, Porto Alegre transferiu para o próximo sábado (3).

Agora, no Rio, ali estávamos, meio século depois, trocando olhares que se encontravam, tentando adivinhar o que havia por trás das máscaras e dos cabelos brancos. Montados no Rocinante do Quixote, nós, que tanto amamos a revolução, rememoramos dezenas de manifestações ocorridas naqueles tempos no combate contra a ditadura, a censura, a violência policial.

Nas escadarias da Câmara Municipal se fez presente João Batista Andrade, já falecido, representado por seu filho batizado como Davi Yanomami. Fizemos uma rodinha para ressuscitar o querido JB, meu colega de sala na Faculdade Nacional de Direito. Ambos fomos presos na passeata do dia 15 de setembro de 1966. Guardo a data porque obtive os dados da ABIN – Agência Brasileira de Inteligência. O comandante do Regimento Marechal Caetano de Farias, na Frei Caneca, exigiu para nos soltar a presença de algum familiar que, no meu caso, residiam em Manaus. O pai do JB, doutor Andrade, advogado, veio tirar o filho:

- Só saio daqui se o amazonense também sair.

O velho, puto da vida, resistiu, mas acabou assinando um termo de responsabilidade por alguém que ele não conhecia.

Cego em tiroteio

- Se eu ficar o tempo todo contando histórias, não vou desaparecer – escreveu Patrícia Portela. Histórias abundam.

Numa passeata contra os acordos MEC-USAID que pretendiam privatizar a escola pública e instituir o ensino pago, os policiais nos perseguiam e, no meio de uma desabalada carreira, meus óculos caíram na rua Santa Luzia. Continuei a fuga assim mesmo como cego em tiroteio. Foi aí que o líder do Grêmio do Colégio de Aplicação da UFRJ, Emilio Mira y Lopez, retornou para recuperá-los, enfrentando a repressão policial. Esse gesto corajoso e solidário, que me fez ver o mundo outra vez, ligou para sempre as nossas lembranças e selou uma amizade. Décadas depois encontrei Emilio, que hoje é médico, trata dos meus achaques e fez contato com o grupo Geração 68.

Naquele 1968, a TV Continental com Fernando Barbosa Lima convidou Ana Arruda Callado e Reynaldo Jardim para o Jornal de Vanguarda. Os dois levaram para lá a juventude e a inexperiência desse amazonense aqui contratado como repórter. Fui escalado para cobrir uma passeata estudantil no centro do Rio, transformado em praça de guerra. Offices boys se juntaram aos estudantes para jogar pedras na polícia. Do alto de um edifício na rua México, alguém atirou uma máquina de escrever que caiu sobre o ombro de um meganha, no momento em que levava preso um manifestante.  Podia ter acertado o jovem, que teve sorte e se escafedeu.

- Deus é estudante – eu disse ao relatar o fato ao Reynaldo, que diariamente, no Jornal de Vanguarda comentava em versos alguma notícia. Nessa noite, cada estrofe do poema terminava com o estribilho: “Como disse Riba, Deus é estudante”. 

Cinderela da Revolução

No exílio no Chile, muitas dessas histórias eram lembradas e relembradas como aquela da passeata na qual manifestantes perseguidos pela polícia invadiram uma loja na rua Uruguaiana e se misturaram aos clientes. O gerente, solidário, fechou a porta e pediu silêncio aos estudantes. Mas um sargento, que viu tudo, aos gritos, mandou abrir. O camburão já estava na porta para levar os presos. Como distinguir, porém, o manifestante do freguês? O sargento, tendo na mão um mocassim perdido na fuga, perguntou: De quem é esse sapato? Descalço de um pé, Teodoro Buarque de Hollanda, primo do Chico, foi o primeiro a ser preso. 

- Eis a Cinderela da Revolução - brincou o titiriteiro Euclides Coelho de Souza ao ouvir Teodoro contar o episódio na Pensão da Calle Grajales, onde viviam muitos brasileiros exilados. Euclides, com seu espanhol impecável ainda traduziu: Tu eres la Cenicienta de la Revolución.

Algumas histórias são engraçadas, outras ingênuas, muitas tristes com prisões, torturas e mortes. Na “passeata dos sem mil”, todos traziam na memória os cem mil, aquelas e aqueles que participaram das lutas contra a ditadura militar de 1964 a 1985 e que ajudaram a conquistar a democracia, as liberdades, a anistia, a Constituinte, as eleições diretas – como diz o manifesto da “Geração 68 sempre na luta”.

Embora não seja um bloco homogêneo e abrigue gente de diversos horizontes políticos, o que une a todos que amamos a revolução são os valores de humanidade e solidariedade negados hoje por um governo fascista e corrupto, que refuta a ciência, destrói o meio ambiente e tripudia sobre os direitos indígenas garantidos na Constituição. Daí o grito: Fora Bolsonaro, cujo crime maior não foi o de prevaricação, nem a assinatura mutretada do contrato de R$1,61 bilhão para a compra da Covaxin, nem muito menos as “rachadinhas” ou o gasto de dinheiro público para a propaganda política com as motociatas, enquanto o Brasil conta mais de meio milhão de mortos.

O crime maior de Bolsonaro, que devia ser impichado e preso por isso, foi retirar a máscara de proteção contra a Covid-19 de uma criança de colo no Rio Grande do Norte e de mandar uma menina de 10 anos, que recitava uma poesia, retirar sua máscara. Quanta estupidez neste ato criminoso, burro e cruel, que ao atropelar a proteção materna, coloca em risco a saúde das crianças.  

O Brasil vive um momento tenebroso de sua história. Contra o desânimo e o medo, a Geração 68 se identificou com faixas e cartazes nas manifestações do dia 19 e agora do dia 26. É como se estivesse entoando com Mercedes Sosa a canção de seu compatriota Eduardo Falú: “No tengo miedo al inverno, con tu recuerdo lleno de sol”. Que esse passeio pela lembrança sirva para manter viva a memória solar da luta, que nos enche de coragem.

Referências: Daniel Cohn-Bendit. Nous l´avons tant aimée, la révolution. Paris. Barrault 1986. Seuil 1988

Dany Cohn-Bendit. Nós que amávamos tanto a revolução. São Paulo. Editora brasiliense 1987

P.S. Fotos de Evandro Teixeira, Luiz Pucu e Ione Couto

 

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26 Comentário(s)

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Zola Xavier da Silveira comentou:
19/07/2021
Boa noite, sou um daqueles Offices Boys você se refere na sua crônica sobre a " passeata dos sem mil"., que tomei conhecimento através de meu conterrâneo Márcio Pucú. Office Boy da rede Ofertex de roupas femininas no centro do Rio de Janeiro, localizada na esquina das ruas Gonçalves Dias com Ouvidor. Hora do almoço perambulava ali por perto, vez por outra assistia algum Comício Relâmpago, uma sensação de medo e alegria que guardo dentro de mim. Rio - 68 Dias nublados Isolamento pandêmico Esperanças sob névoas Em pensamentos distantes No relance da utopia Vi labaredas altas Gás lacrimogêneo também Um misto de medo e euforia Invadiu-me o coração Um vento forte passou Por mim de raspão Era o ano de 1968. Maricá, junho de 2021
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João Monlevade comentou:
07/07/2021
Bela sacada a doce ambiguidade do "nós amamos". Se você não sabe, participei da Passeata dos Cem Mil em 1968, no Rio de Janeiro, contra a Ditadura e a favor da Liberdade, em sintonia com a as barricadas de Paris e outros movimentos. Guardo até hoje os ideais e as emoções daquele ano, que tentei traduzir e implantar na "aventura" da escola "socialista" de Arenápolis. Você já leu minha dissertação de mestrado? Abraços do João, quase "oitentão".
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Walburga Santos comentou:
07/07/2021
Meu companheiro é uma das pessoas que segura essa faixa da geração 68... estou acompanhando esse lindo e potente movimento! um abraço e bom dia por aí walburga
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Anne Oliveira comentou:
01/07/2021
Caro Bessa, quanta emoção! Também sou da geração 68, de maio de 68 mais precisamente. Estava em Paris, estudante da Sorbonne, mas o Brasil estava muito perto. Todo dia tínhamos noticias. Foi em maio de 68 que conheci um sergipano que me trouxe aqui 2 anos mais tarde. Mas antes disso, no dia 3 de maio, estava na biblioteca estudando quando o "appariteur" veio avisar que a policia estava do lado de fora, que tínhamos que sair. Saimos e vi pela primeira vez o "Dany le Rouge" que estava discursando para uma plateia de estudantes. Participei intensamente daquele mês, cheguei a escrever um diário que ainda tenho: muita ingenuidade, sim, mas muita emoção e um engajamento pra vida toda. Quando a Sorbonne reabriu participei da fabricação de máscaras anti-gaz lacrimogêneo e de sandwiches enormes para os combatentes das barricadas com "baguettes" doadas pelos padeiros. O "Le Monde" falava do que acontecia no Brasil, no México, nos muitos países onde 68 ocorreu. Minha paixão pela América Latina se tornou irremediável e fortaleceu meu amor por meu Sergipano. Casamos e em janeiro de 1970 embarcamos para o Brasil.
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Eli Eliete comentou:
30/06/2021
O belo texto do José Bessa …Lavou minha alma esse texto. Sinto a maior alegria em ter trabalhado pela realização do ato e por ter participado de um evento que despertou tais sentimentos mesmo que em UMA pessoa, José Bessa, o Ribamar Bessa! Lacrou.
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Davi Yanomami comentou:
29/06/2021
Muito importante o ato no sábado dia 26/06 que comemorou a “passeata dos cem mil”. A geração que queria mudar o mundo! Foi uma honra ter encontrado com alguns grandes amigos de meu pai.
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Rodrigo martins comentou:
29/06/2021
Que máximo professor! A geração 68 mais uma vez fazendo história! E o cartaz também ficou ótimo! Um abraço querido professor!
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Rita Olivieri-Godet (via FB) comentou:
29/06/2021
Mais uma crônica incrível do Bessa!
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Nilda Alves comentou:
29/06/2021
Querido Bessa, não fui a essa. Não deu. Mas em 68 eu estava lá. Tinha tido minha filha no 1o de abril (isso mesmo!) mas deixando-a, com menos de 3 meses, com minha mãe, fui à passeata. Fiquei longe do centro no fim da Cinelândia, naquela rua que margeava o Senado. Mas fui. Grande abraço Nilda
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Valter Xeu comentou:
29/06/2021
Publicado no Blog PATRIA LATINA - http://patrialatina.com.br/category/colunistas/
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Racismo Ambiental - Combate comentou:
29/06/2021
Publicado no blog Combate - Racismo Ambiental - https://racismoambiental.net.br/2021/06/27/geracao-68-nos-que-amamos-tanto-a-revolucao-por-jose-ribamar-bessa-freire/
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Pucú Estoriador comentou:
28/06/2021
Saravá Mestre Bessa, foi um sábado prazeroso. Texto porreta
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Iñaki Gómez Corte comentou:
28/06/2021
Valeu mestre por trazer um pouco de ânimo nesse contexto e viva a resistência! #ForaBolsonaro
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Antonio Sanches (via FB) comentou:
28/06/2021
Quem enfrentou a tirania dos desqualificados marginais e golpistas que não respeitaram a nossa Constituição e fizeram uma porcaria chamada de "revolução (não sabem nem o que é revolução)", temos muito orgulho de combater os marginais sem uma arma na mão. Quem se arma para matar o povo só pode ser covarde e nada mais.
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Marcelo chalreo comentou:
27/06/2021
Estagiei junto ao escritório do Coimbra de Melo ( Gutinho ) e Márcio Pucu lá pelo início dos anos 80. Um salve para vocês, presentes ontem e hoje na necessária resistência ao fascismo. Grande abraço.
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Leda Gitahy (via FB) comentou:
27/06/2021
José Bessa você esqueceu de Sampa e do pessoal que foi para a Maria Antônia ontem rsss. Não lembro de vc no Chile. Só adoro seus livros e crônicas. E temos um mundo de coisas e amigos em comum. O prefácio desse livro foi feito por minha querida Caterina Koltai, mas o livro sumiu daqui e suponho que tenha ido parar no Amazonas com meu filho Guilherme Figueiredo. Mas nunca se sabe, as coisas vivem sumindo e aparecendo por aí.
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Flavia Cavalcanti comentou:
27/06/2021
Adorei o texto,, bonito e bem escrito
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Da Márcia Fiani. comentou:
27/06/2021
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Maria Luiza de Carvalho comentou:
27/06/2021
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Celeste Correa comentou:
27/06/2021
Desde que eu soube da convocação do grupo “Geração 68 Sempre na Luta” para comemorar os 53 anos da “passeata dos cem mil”, neste 26 de junho, na Cinelândia, no Rio, eu fiquei muito mexida e emocionada. Imaginei o sentimento dessas pessoas que lutaram e sonharam com a democracia em 68, ontem, voltar à Cinelândia num momento em que o país é ameaçado por um governo fascista e corrupto. Deve ter sido uma grande emoção. Para esses, que têm o espírito revolucionário visceral, não importa ser a "Passeata dos cem mil", dos "sem mil", ou mesmo dos "sem quinhentos mil" tombados pela negligência e crueldade desse governo. Eles não se calam. Por trás daquelas máscaras e dos cabelos brancos há um enorme compromisso com a democracia, com a luta pela garantia de direitos e de liberdade. Parabéns para este cronista, um dos "gatosos" pingados presentes na Cinelândia, que, através da sua história e das suas contribuições, é o grande responsável pela minha capacidade de lutar, de me emocionar e de me indignar contra qualquer tipo de opressão.
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Isabella Thiago de Mello comentou:
27/06/2021
O que seria de nós sem os nossos antepassados, sem os nossos pais Heróis da Resistência? Bessa, ainda muito emocionada com a Geração de 68 nas ruas - e um pouco amedrontada, confesso. - Quando o Lula ganhou as eleições, lembro de minha avó Lourdes (que sofreu pra burro a ditadura militar, marido exilado, vovó era considerada viúva por estes filhos da puta) então, vovó nunca acreditou que "eles" fossem deixar o Lula tomar posse. Ela dizia: - "eles continuam no poder, servem ao capital estrangeiro". Minha avó também dizia - e nós precisamos reconhecer o nosso erro - de que diferente de diversos países da América Latina que igual a nós atravessaram o terror da ditadura, como o Chile e a Argentina, que já condenaram seus algozes, e aqui no Brasil não. Os assassinos ficaram impunes, nunca foram incomodados, seguiram com suas carreiras e seus ideais nazistas. É só ver a turma da bancada do chamado BBB (bíblia, boi e bala). Tem deputado fazendo filho deputado há mais de 4 mandatos com este discurso de ódio e preconceito. Eles não saíram do armário, eles nunca saíram do poder. Tem senador que é pastor evangélico (também com mais de 3 mandatos, da turma do capiroto) com o discurso criminoso - crime contra a humanidade - do final da Idade Média, quando a Igreja e o Estado Europeu precisaram organizar o mercado e o tráfico de escravos na África, e para justificar seus "métodos de produção e importação de mercadorias", inventaram a blasfêmia de que os povos africanos eram descendentes de Caim, e do pecado de Caim, e que por herdarem tal pecado, mereciam o castigo da tortura e escravidão, deveriam sofrer na terra para ter o perdão no Céu. Acredite se quiser: tá no Concílio Papal Cara de Pau do Século XV. Se já era um absurdo há quinhentos anos atrás, como pode um sujeito se eleger com este discurso escravocrata, defendendo a escravidão e o sofrimento dos descendentes?? O Boizebú não foi o único que se elegeu com este discurso. Toda a turma dele se elege a muito tempo com este tipo de pensamento. Nós erramos e feio em não ter julgado os assassinos filhotes da Ditadura. Há um monstro solto, Precisamos derrotá-lo nas urnas. Somos 70%. Somos a maioria.
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Ana Paula Morel comentou:
27/06/2021
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Sirlene Bendazzoli (via FB) comentou:
27/06/2021
Houve manifestação da turma de 68 também em São Paulo.
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Ricardo Pimenta comentou:
27/06/2021
Bessa, Um primor, lindo seu texto. Me confirme que eu vou compartilhar em todas as redes. Parabéns.
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Jean Marc von der Weid comentou:
27/06/2021
Maravilha de texto, no conteúdo e na forma de prosa límpida.
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Roberto Zwetsch comentou:
27/06/2021
Bessa, amiga, a geração de 68 que ainda AMA a revolução foi sucedida por outras gerações que seguem a mesma senha, o mesmo lema, a mesma coragem, embora às vezes parece sumida. Ela vai retomar as passeatas hoje de 200, 500 e até um milhão de vozes e cantos e corações enfezados como o do amazonense sem óculos, mas que viu LONGE. Grato. Roberto Z.
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