CRÔNICAS

Por que Rondônia censurou Machado de Assis?

Em: 09 de Fevereiro de 2020 Visualizações: 4276
Por que Rondônia censurou Machado de Assis?

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes de meu cadáver”

(Machado de Assis. 1880. Memórias Póstumas de Brás Cubas)

A experiência como estudante, em Manaus, em 1964, me permitiu compreender porque Rondônia, sob o governo do coronel Marcos Rocha (PSL vixe vixe) mandou recolher das escolas obras de escritores consagrados. O memorando, alegando o “conteúdo inadequado” dos livros, vazou nas redes sociais nesta quinta (6) e causou o maior rebucetê. Por se tratar de literatura cobrada no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ninguém entendeu. No entanto, a explicação pode ser encontrada no bairro de Aparecida, porque tudo o que acontece ou ainda vai acontecer em qualquer parte do mundo, modéstia às favas, já ocorreu lá no meu bairro.

Quando cursava o Pedagógico no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), por exigência do professor de português, eu devia ler Memórias Póstumas de Brás Cubas. Busquei, então, a diretora do Colégio de Aparecida, irmã Consolata, minha ex-professora de latim, para que autorizasse o empréstimo do livro citado. Não era possível porque os 31 volumes das Obras Completas de Machado de Assis não faziam mais parte do acervo da biblioteca.

Com furor cívico, irmã Consolata, apelidada de Roxinha, se antecipara ao ministro da Educação da ditadura, coronel Jarbas Passarinho, que em 1970 mandaria remover das bibliotecas universitárias do Brasil mais de 200 títulos de livros. A freira, mais papista do que o papa, criara sua própria lista, inspirada no Index Librorum Prohibitorum que continha o catálogo de livros proibidos no séc. XVI pelo papa Paulo IV, atualizado ao longo dos séculos e só revogado em 1966 por Paulo VI. Ela me advertiu que Brás Cubas continha obscenidades, aventuras com prostituta de luxo e adultério, enfim, me deu roteiro minucioso daquilo que a ministra Damares não quer que hoje seja lido e muito menos vivido..

Graça dançarina

A proibição e as dicas da freira, que parecia conhecer as intimidades de Brás Cubas, atiçaram ainda mais minha vontade de lê-lo. Numa cidade ainda sem televisão, a leitura propiciava a um adolescente viagens por mares nunca dantes navegados. Encontrei na biblioteca particular do tio Dantas, que era professor, todo Machado de Assis. Ele me autorizou a retirar um volume de cada vez. Em dois anos, devorei tudo. Bendito tio Dantas, que me permitiu descobrir aquilo que o católico ultra conservador Gustavo Corção já havia percebido:  

- “Ninguém mais, neste século, e principalmente neste país, é capaz de escrever com aquela graça dançarina”. É verdade. A fina ironia, o gênio e o humor machadiano deslumbram sempre, ele é eterno com sua “maneira leve de tratar as coisas graves e a maneira grave de tratar as coisas leves”, como sinalizou Tristão de Ataíde, outro intelectual católico.

Lembro da comoção indignada ao ler para o meu pai trecho em que Brás Cubas, de família rica, conta que aos seis anos de idade, quebrou “a cabeça de uma escrava”, porque ela lhe negara “uma colher do doce de coco que estava fazendo” e ainda jogou cinza no tacho, dizendo à sua mãe que “a escrava é que estragara o doce por pirraça”. O defunto autor-narrador relata que “seu cavalo de todos os dias” era o moleque Prudêncio, filho da escrava da casa, em quem montava para cavalgar:

- Prudêncio “punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado e ele obedecia, algumas vezes gemendo, mas obedecia sem dizer palavra, ou quando muito um -  ai, nhonhô! - ao que eu retorquia: - Cala a boca, besta!”.

Muitos anos depois, Brás Cubas, já adulto, encontra na rua um negro chicoteando outro negro, que gemia. O que açoitava, gritava - “Cala a boca, besta! Parei, olhei.... Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio – o que meu pai libertara alguns anos antes. Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas – transmitindo-as ao outro. Eu, em criança, montava-o e desancava-o sem compaixão; agora, porém, que era livre [...] comprou um escravo e ia lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera”.

Esse é um dos livros que Rondônia não quer que os alunos leiam, talvez por conter a memória literária de como se construiu esse Brasil e não por causa da prostituta Marcela e da adúltera Vigília que, no frigir dos ovos, parecem até singelas em relação à maioria dos filmes e telenovelas exibidos hoje pela TV. O romance publicado em capítulos no folhetim da conservadora Revista Brasileira, em 1880, não escandalizou ninguém do séc. XIX. Mas em pleno séc. XXI, melindra as almas pudibundas dos terraplanistas. Por que proibi-lo? Eis cinco possíveis explicações.

  1. Se colar, colou - A primeira suspeita é que se trata de um dos tantos balões de ensaio soprados com o ar dos pulmões do capitão Jair Bolsonaro para sondar as reações dos eleitores. Foi assim quando Flávio Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes defenderam um novo AI-5, responsável por amordaçar a mídia, a música, o teatro, o cinema, a escola. Outro balão foi a performance do Roberto Alvim, Secretário de Cultura, que defendeu o nazismo com palavras de Goebbels, na base do “se colar, colou”. Não colou. A reação vigorosa de setores esclarecidos da sociedade e de suas instituições fez com que ambos os balões murchassem e foi melhor já ir saindo de fininho.
  2. Mãos ao alto. A segunda explicação se relaciona à suposta denúncia de um pai de família. O secretário de educação, Suamy Vivecananda, assumiu a denúncia de que “os livros continham palavrões”. Apontou, então, as armas para Machado, Euclides da Cunha, Mário de Andrade, Nelson Rodrigues et alii e gritou: “Mãos ao alto”. Criminalizou o melhor da literatura, uma das áreas mais importantes de nossa identidade cultural, para puxar o saco do coronel Rocha, que serviu na Academia Militar das Agulhas Negras e é filiado ao PSL. Essa teria sido a forma de Rondônia se weintraubizar, alinhando-se à política educacional do governo.
  3. Fobia às letras - A terceira hipótese está relacionada às diretrizes do Planalto. O capitão já havia criticado os livros didáticos dizendo que são um “amontoado de muita coisa escrita” e prometeu “suavizar o conteúdo”. O ministro Weintraub declarou depois que “muita porcaria” foi excluída com “limpeza boa” feita no material didático. O secretário checou o número de páginas: havia mesmo “muita coisa escrita”. Proibiu seu uso nas escolas. O Sindicato dos Trabalhadores na Educação (Sintero), porém, botou a boca no trombone: “a leitura dessas publicações deve ser incentivada e não censurada”. Diante da repercussão nacional, o governo de Rondônia recuou.
  4. Sabotagem do PT - Pode ter sido “çabotagem”, seguindo o modelo Weintraub no caso do ENEM. O secretário de Rondônia jurou inicialmente que era tudo “fake”, depois diante das evidências admitiu que eram apenas “rascunhos”. No entanto, o jornal Rondônia Dinâmica registra que “ele mentiu”. Em dois áudios, a gerente de Educação Básica de Rondônia, Rosane Magalhães, afirma que o secretário deu ordem para censurar as 43 obras, além de todos os livros de Rubem Alves. Vai ver que ela é uma petista infiltrada, embora tenha sido nomeada por ele. De qualquer forma, para evitar bisbilhoteiros, o memorando passou a ser qualificado como “sigiloso”.
  5. Efeito Consolata - A Academia Brasileira de Letras considerou “ato deplorável” a censura a seu fundador e aos demais escritores. Mas as investigações do MPF podem confirmar a quinta hipótese: o aceno ao fruto proibido foi estratégia inteligente para incentivar a leitura dos clássicos da nossa literatura. Tal hipótese é menos absurda do que aceitar que o Brasil tenha caído num nível de barbárie tão degradante, com um secretário de educação tentando impedir o acesso ao maior escritor brasileiro de todos os tempos. Ou será que o Index Librorum Prohibitorum Bolsonorum comprova que os vermes continuam a roer cadáveres? Nem os mortos estão salvos.

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34 Comentário(s)

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João Cavalcante Filho comentou:
16/02/2020
Caro Prof. Bessa... Após ler sua crônica, fico pensando sobre a juventude pobre e esquecida nas políticas governamentais, especialmente aquelas que tornariam a educação um caminho de sabedoria, e não de tirania. Quando jovem, minha colega de um curso da igreja que frequentávamos, falava a todo momento de livro "Dom Casmurro", já que sua professora repassou a leitura obrigatória da obra como avaliação em algum colégio católico (privado) da cidade de Manaus-AM. Ela a todo instante, comentava sobre as ações dos personagens do livro, fato que me deixou intrigado com seu comportamento diante de um simples livro, pois eu, aluno de escola pública, não havia tido o contato com algum livro de literatura brasileira. A biblioteca de nossa escola pública estava recheada de revistas velhas entre outras quinquilharias (questão: porque as bibliotecas escolares públicas são tão desprezadas neste país?). As divagações de minha colegas me atiçaram a curiosidade para que eu emprestasse o livro para ler. E para minha surpresa, fiz a leitura de todo "Dom Casmurro", gostando muitíssimo do olhar literário do senhor Machado de Assis. Enfim, foi meu primeiro livro literário - aos 17 anos - que me fez perceber a importância de ler na escola e na vida. Precisamos todos, independente da posição social, construir um país mais justo para que tantos jovens pobres, não sejam também ignorantes de cultura, de saberes. Que aprendamos a respeitar a leitura alheira, mesmo que eu não goste. Não à intransigência de governos torpes que tentam alienar quem discorda de seus projetos incultos e boçais. Viva Machado de Assis... Viva à literatura brasileira.
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Anne Oliveira comentou:
13/02/2020
(Me esforssei enm escrever com a novortografia weintraubiana) Vossê matou a xarada, amigo Beça, a razão é akela emitida pelo ex-capitão ke nos governa: eçes livrus didáticus das crianssas contêm um “amontoado de muita coisa escrita”. Pra que tanta leitura? pra votr, basta o polegar.
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Claudete Duarte comentou:
12/02/2020
Para sua informação, o Bruno Boghossian publicou artigo que começa assim: "Os dados do último Censo Escolar apontaram que só 8% das unidades estaduais de ensino de Rondônia estavam ligadas à rede pública de esgoto. Quatro em cada dez não tinham nem biblioteca, mas o governo local decidiu gastar seu tempo com uma batida para confiscar livros de autores consagrados. A lista sugere que os tiranos que comandam a burocracia do estado não estão nem ai para a educação dos jovens. A tentativa de censura é produto de uma visão obtusa das políticas públicas de ensino, que estabelece fantasmas comunistas e a depreciação dos bons costumes como um dos principais problemas da educação. Essa, aliás, é uma das linhas mestras do bolsonarismo. Na campanha e no governo, o presidente estimulou a falsa ideia de que o mau desempenho dos estudantes é fruto de depravações e de uma contaminação esquerdista nas escolas. Seus discípulos estão escutando".
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Socorro andrade comentou:
11/02/2020
Eu amo o Bruxo do Cosme Velho
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gerusa pontes de moura comentou:
10/02/2020
Olha, é inacreditável a retirada de livros. Ainda bem que deu tempo de ter oferecido para o meu filho, uma coleção linda do Machado de Assis, que ele adorou!!!
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Vera Lu Cruz comentou:
10/02/2020
Lá tem 1 biblioteca no estado, e ocupa 1 sala. Mas em todas as cidades tem 2 neo pentecostais em cada rua.
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Liza Ingwersen comentou:
10/02/2020
Aberração total ... gente ruim da cabeça ... gente tão ignorante assim chega a ser perigoso
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Wanderley Ruas (via FB) comentou:
10/02/2020
Já mencionei esse pensamento de Nelson Rodrigues, que hoje parece uma profecia. "Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos"
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Francisco Carlos Ramos de Souza comentou:
10/02/2020
Parabéns. Li ontem sua cronica no site e hoje a vejo na Tribuna da Imprensa.
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COMBATE RACISMO AMBIENTAL comentou:
09/02/2020
Publicado também no blog Combate - Racismo ambiental. https://racismoambiental.net.br/2020/02/09/por-que-rondonia-censurou-machado-de-assis-por-jose-ribamar-bessa-freire/
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Grassinete Oliveira (via FB) comentou:
09/02/2020
Machado de Assis e outros... lê-los provoca perigo, pois nos ensina a pensar
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Cesar Ciacco (via FB) comentou:
09/02/2020
Será que não foi pelo título? Afinal já não basta uma Cuba , imagine Cubas
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Lisbela Cohen (via FB) comentou:
09/02/2020
Mestre, como sempre o senhor nos dá uma aula com seus artigo
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William Wollinger Brenuvida comentou:
09/02/2020
Caro José Ribamar Bessa Freira, boa tarde. 1. Parabéns pela crônica! 2. Ela reforça o que estamos a dizer, alguns estão a dizer, que a cada balão de ensaio dado, movimento pensado, o governo dá sequência, na sombra e na surdina, ao seu projeto de desmantelamento do Estado. O neoliberalismo segue seu curso com um aprendizado que sobreviveu Auschwitz: o micro fascismo; 3. Outro aspecto importante de tua crônica é restabelecer um debate a respeito da formação do povo brasileiro em face da violência da escravidão. Machado, suave como um raio antes da tempestade, lança um desafio aos atuais pedagogos, e naquela época coloca o exemplo da chibata do patrão no dia a dia de nossas violências intra lares e instituicionais; 4. Mais uma vez, meus cumprimentos. Compartilhei nas redes sociais... Abraço, William Wollinger Brenuvida
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Ana Silva comentou:
09/02/2020
Bessa, do caralhoooooo! Adorei!
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Mara Narciso (via FB) comentou:
09/02/2020
Caso a imbecilidade fosse inóqua, tudo bem, mas quando ela prejudica os estudantes e aponta para ameaças ainda mais assustadoras, agride todo mundo.
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Bruno comentou:
09/02/2020
E x c e l e n t e. Encaminhei para todos os amigos em WhatsApp...
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Cristiane Mendes (via FB) comentou:
09/02/2020
Grande retrocesso à nossa educação!! Nosso país!!!!
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Edmilson Ferreira Da Cruz Filho (via FB) comentou:
09/02/2020
Uma vergonha nossa a que ponto o Brásil chegou
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Elizabeth Bezerra de Oliveira (via FB) comentou:
09/02/2020
O Brasil nao conhece o Brasil. O Norte/ Amazônia é desconhecido pelos brasileiros. Sou do Estado do Pará mas moro no Rio de Janeiro, nao conheço Rondonia mas estudei geografia e vejo no mapa. Conheço os problemas que essa região vive. Para completar temos a invasão do tal PSL e dos neo pentencostais.
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Olga Moraes (via FB) comentou:
09/02/2020
Refletindo. Estamos caminhando com que destino final?????? Destruição total de tudo???? REAÇÃO quando????
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Maria Rosa Rodrigues (via FB) comentou:
09/02/2020
Estamos em retrocesso, quanta imbecilidade.
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Rondinelli Ronnie (via FB) comentou:
09/02/2020
Por isso que o Norte tem o maior número de analfabetos do país.
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Ritinha Silvestre (via FB) comentou:
09/02/2020
Não foram os "analfabetos"(talvez os funcionais) que votaram neste embuste.
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Valter Xeu comentou:
09/02/2020
Publicado no blog Patria Latina. http://www.patrialatina.com.br/por-que-rondonia-censurou-machado-de-assis/
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Marcia Freitas comentou:
09/02/2020
Obrigada, querido professor, por estar sempre disposto a desenvolver textos magníficos e com alto teor de reflexão. Espero em breve ver seu nome nessas listas de autores proibidos. Você pensa demais. (Temos que rir de algo, juntos... rsrsrs) Saudades. Abraço com afeto.
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Vera Nilce Cordeiro Correa comentou:
09/02/2020
E a rainha da suástica, hj na cultura, se pronunciou sobre o assunto? Proibir autores brasileiros, principalmente Machado o primeiro da ABL, tem a ver com Cultura, não?
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Celeste Corrëa comentou:
09/02/2020
Mano, o grande educador Rubem Alves, um dos censurados pelo Coronel de Rondônia, ao escrever sobre a educação disse:' Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo.Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser..." Essas cinco explicações que destes para a atitude do governador de Rondônia, nos dão clareza do imenso desejo dele de "engaiolar os pássaros" para que estes desaprendam a voar e sejam presas fáceis. Mas sempre tem os que resistem ao aprisionamento, seja através das instituições que pensam numa educação libertadora, ou de crônicas como essa que nos leva à reflexão.. É muito importante que haja resistência! Em 64, o Tio Dantas, ao abrir as portas da sua biblioteca pra ti, não te deixou ser uma presa fácil que se permite engaiolar. Ele, um grande educador, te encorajou a voar e a lutar contra a truculência e o obscurantismo. E se lesse a tua crônica certamente se orgulharia por ter naquele momento aberto a gaiola te encorajando a voar. Esse é o papel do educador e de todos que prezam a liberdade, né! PS: para esses "educadores" que tiveram as suas gaiolas abertas e não tiveram a coragem de voar. Que eles repensem a sua prática e não aprisionem , mas estimulem o vôo dos seus alunos.
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Benjamin Baniwa comentou:
08/02/2020
Bolsonaro suassú puxi, yepé ara urubu ussu um baú aé
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Francisco Foot Hardman comentou:
08/02/2020
Meu Caríssimo Bessa: Daqui da distante China, minha gratidão emocionada a esta tua maravilhosa e incisiva crônica, como os tempos sinistros brasileiros exigem. Grande abraço, Francisco Foot
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Felipe José Lindoso comentou:
08/02/2020
Babá, acho que é quase tudo junto e misturado. Não acredito que haja capacidade da suposta petista para imaginar a "çabotagem" nem que o Swami Vivecananda (o original é o vovô dos yogis que picaretam mundo afora) tenha a capacidade da Irmã Anunciata. Pero...
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Bira Lourenço (via FB) comentou:
08/02/2020
ÉGUA, do meu amigo e parceiro de navegação pelas palavras!!!
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Marly Cuesta comentou:
08/02/2020
Nossa, adoro suas riquezas escritas meu nobre Professor José Bessa! Gratudão e luz,
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Altino Machado (via FB) comentou:
08/02/2020
E sua crônica, como sempre, uma aula pública e gratuita. Alguém disse que o livro teria sido proibido por causa da palavra Cubas, que remete àquele paraíso caribenho
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