CRÔNICAS

Um retrato do Brasil: os índios no Censo 2020

Em: 08 de Dezembro de 2019 Visualizações: 2905
Um retrato do Brasil: os índios no Censo 2020

Seria tão bom se o Censo 2020 do IBGE pudesse apurar quantos brasileiros estão tristes, deprimidos ou raivosos. Ou alegres e esperançosos. Tive vontade de falar isso – mas me contive - no X Seminário de Demografia dos Povos Indígenas no Brasil: na iminência do Censo Demográfico 2020, realizado em 4-5 de dezembro no Rio, organizado pelo IBGE, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP). Estou consciente de que recenseadores são sérios, não bisbilhotam emoções, só xeretam estado civil, idade, sexo, religião, grau de instrução, renda, emprego e babados similares sobre a dinâmica populacional.

Convidado para proferir a conferência de abertura, minhas perguntas foram outras, focadas sobre os povos indígenas: será que o censo de 2020 trará dados sobre suas aldeias, línguas e culturas, tão necessários para elaborar políticas públicas e demarcar territórios?  O que o IBGE entende por “aldeia indígena”? Como serão contados os índios que vivem em área urbana?  Como é que entraram nas estatísticas do período colonial e da nação brasileira já independente? Como eram feitos no passado os levantamentos censitários?

Não foi o primeiro encontro da Universidade com os técnicos do censo. Em abril de 2008, reunimos com eles no Centro de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE para discutir os critérios do conteúdo do Censo Demográfico de 2010.  Embora a demografia histórica não seja a minha praia - aliás nem sei se tenho uma – fui convidado naquela ocasião pelo fato de haver pisado nessa areia movediça para elaborar minha tese de doutorado sobre a história das línguas indígenas na Amazônia. Eu estava querendo saber quantos eram os falantes de Nheengatu e de Português no séc. XIX e quais as outras línguas faladas no Grão-Pará..

As línguas “estrangeiras”

Até então, o Brasil desconhecia uma questão de interesse para o patrimônio da humanidade: quantas línguas eram faladas em nosso território. Um único censo - o de 1940 - havia se ocupado com a diversidade linguística porque, no contexto da 2ª guerra mundial, o governo Vargas queria controlar estrangeiros que viviam no Brasil, especialmente alemães, italianos e japoneses. Duas perguntas constaram no questionário: “O recenseado fala o português? Que língua usa habitualmente no lar?”. Descobriu-se, sem querer, que 3.6% dos “estrangeiros” eram falantes de “guarani ou outra língua aborígene”.

A glotodiversidade ficou diluída na categoria “outra”, porque depois de 1940, os censos oficiais continuaram silenciando sobre as línguas indígenas, como se o Brasil fosse um país monolingue: uma só língua, uma bandeira. Em 1979, com a assessoria de Bartomeu Meliá e Egydio Schwade, o jornal Porantim aproveitou a III Assembleia Nacional do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) para fazer um levantamento demográfico que registrou a existência de 155 línguas e 210.360 índios distribuídos por oito regiões do país. A boa notícia foi que, ao contrário do que então se pensava, a população indígena estava crescendo.

O fato foi confirmado por diversos levantamentos, um deles feito pelo CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação, coordenado pelo antropólogo Carlos Alberto Ricardo, o outro pelo Censo Indígena Autônomo do Rio Negro com orientação de Marta Azevedo, antropóloga e doutora em demografia.

O censo do IBGE de 1991 havia introduzido, no questionário de amostra, a categoria “indígena” na pergunta sobre “cor ou raça”, que passou a fazer parte, no de 2000, do questionário básico aplicado pelos recenseadores. Mas foi preciso esperar o Censo de 2010 para saber da existência no Brasil de 274 línguas indígenas autodeclaradas, de 896.917 índios e de 305 etnias. Esse descuido em colocar os índios no mapa do Brasil vêm desde o período colonial.

As ideologias

As crônicas de viajantes e missionários que passaram pela Amazônia apresentam cifras elevadas. O cronista de Orellana, frei Gaspar de Carvajal, diz ter encontrado em 1541, numa só aldeia Omagua, comida suficiente para alimentar um exército de 1.000 homens durante um ano. Mais abaixo, entre os rios Tefé e Coari, registrou “grandíssimas povoações que reúnem 50 mil homens”. No século seguinte, em 1639, o padre Acuña que desceu o rio Amazonas de Quito até sua foz, escreveu que “são tão seguidas estas Nações, que dos últimos povoados de umas, em muitas delas se ouvem lavrar os paus nas outras”. Seu colega Alonso de Rojas registra que “são tantos os índios que se agulhas caírem do céu, não haverão de dar no chão, mas nas cabeças dos índios”.

No entanto, o mais conhecido historiador da Amazônia, Arthur Cezar Ferreira Reis, em seu livro “A Amazônia que os portugueses revelaram” (1956) escreveu que se tratava de fantasia e que os índios não ultrapassaram os 200.000 em toda a Pan-amazônia. Ele não diz em que se baseou para fazer tal estimativa. Não exibe qualquer prova documental, nem fontes históricas confiáveis. Usa o argumento da autoridade e o pressuposto preconceituoso de que as sociedades indígenas eram tão inferiores e atrasadas, que não poderiam ter mantido grandes populações. Tratava-se de um ato de fé.

Os que inflacionaram também tomaram ao pé da letra as cifras apresentadas nos documentos da época. O arquivo de Évora, em Portugal, conserva uma declaração juramentada de janeiro de 1654 escrita pelo cônego Manoel Teixeira, vigário de Belém, no leito de morte – a hora da verdade. Ele jura que só no Maranhão e Grão Pará, em 32 anos, foram exterminados “a trabalho e ferro mais de 2.000.000 de índios de mais de 400 aldeas”.

Já no séc. XX muitas estimativas foram feitas sobre a quantidade de índios que viviam no continente americano no momento da chegada do europeu. As cifras variam de 10 milhões a 120 milhões de indivíduos Os demógrafos da Escola de Berkeley criticaram a diferença brutal entre as somas apresentadas também como atos de fé, sem qualquer rigor. Propuseram, então, métodos refinados, com cálculos da densidade demográfica de cada bioma, a partir do uso crítico de dados de documentos históricos cruzados com estudos de arqueologia e antropologia e cálculos da taxa de depopulação originada por guerras, escravidão e epidemias de doenças infecciosas. Com tal metodologia, um deles, William Denevan, calculou para a Pan-amazônia a população original de 6.700.000 índios.

Caso de polícia

No séc. XIX, no Brasil independente, a imprecisão e a ideologia continuaram presentes num período denominado de proto-estatístico, no qual a demografia era uma questão religiosa ou um caso de polícia. Num esforço para identificar os falantes de Português e da Língua Geral Amazônica – o Nheengatu - no séc. XIX, procurei as fontes existentes.

Os dados demográficos não existem para certas áreas e certos períodos. Quando existem, são incompletos, insuficientes, dispersos e descontínuos. E hoje, já não é mais possível realizar um levantamento, para preencher as lacunas deixadas no século XIX. Essas limitações, porém, devem servir, não como um impedimento para tratar o problema, mas como um indicativo para elaborar estratégias de abordagem.

Na ausência de recenseamentos oficiais, é possível encontrar dados numéricos sobre a população em documentos produzidos pela Igreja – os censos eclesiásticos; pela Polícia – as listas nominais dos distritos; pela Coletoria de Rendas – as relações feitas pelos coletores da décima urbana e das rendas provinciais; pela Diretoria de Índios – os mapas de índios aldeados; e pela administração provincial – os arrolamentos populacionais publicados nos relatórios e mensagens dos presidentes de província.

Os censos eclesiásticos elaborados pelos vigários, com base nas listas nominais de habitantes das paróquias, funcionavam como uma espécie de registro civil. No entanto, o seu resultado era apenas a soma da população religiosamente ativa de um determinado universo e não a soma de toda a população deste mesmo universo.

Já as listas nominais dos distritos eram elaboradas por agentes policiais que visitavam casa por casa e lançavam os nomes de seus moradores no caderno de censo. Limitavam-se, no entanto, às cidades, vilas e algumas povoações, deixando de fora centenas de vilarejos, freguesias, lugares, sítios, fazendas, seringais, barracões, castanhas, balatais e outros agrupamentos extrativistas.

Até mesmo os dois censos nacionais (1872 e 1890) realizados por um órgão especializado, criado em 1870 - a Diretoria Geral de Estatística - estão repletos de imprecisões. Organizados com critérios mais rigorosos do que os levantamentos locais e regionais, esses censos nacionais, no entanto, foram efetuados, na Amazônia, em plena “época das vazantes dos rios, quando se tornam difíceis as comunicações para o interior”, e grande parte da população, localizada em lagos e em seringais, fica privada do único meio de transporte – o fluvial – “impossibilitando, dessa forma, que os recenseadores fizessem um serviço completo. Houve, necessariamente, vultosas omissões”, como assinala Agnelo Bittencourt.

Na Amazônia, todos esses levantamentos, devem ser usados com precaução, já que os seus resultados podem ter sido alterados pelos procedimentos de confecção das listas, que desconsideraram as formas de vida da população e as especificidades da economia regional. É que os moradores tinham, de fato, dois domicílios. Na maior parte do ano, permaneciam ocupados com a extração de produtos naturais da floresta, residindo em sítios ou fazendas, às margens de inúmeros rios, lagos e igarapés, longe das povoações, às quais retornavam somente por ocasião das festas religiosas. Ficavam, portanto, de fora do censo.

Com todas as deficiências e incompletudes, os levantamentos do séc. XIX e os censos nacionais posteriores constituem a fonte mais útil e confiável de dados demográficos. Eles funcionam para o pesquisador como o jogo do Lego, que permite realizar múltiplas combinações e, a partir de dados fragmentados, atribuir a eles sentidos.

Que venha o Censo de 2020 e que nos traga um retrato mais completo do Brasil, documentando a diversidade aqui existente. Rezamos para que a barbárie dominante não produza um censo fake. O capital e o mercado precisam de informações fidedignas para se reproduzir.

P.S. – Esta crônica já havia sido enviado ao Diário do Amazonas, quando soubemos do falecimento do linguista Bartomeu Meliá, um jesuíta catalão que se guaranizou. Ele ocupará o espaço da próxima coluna.  

EM NOVO ATAQUE A TIROS, DOIS CACIQUES GUAJAJARA SÃO MORTOS NO MARANHÃO

Elaíze Farias - 07/12/2019 

Um grupo de indígenas do povo Guajajara foi atacado a tiros de revólver, por volta das 12h40 (horário de Brasília) deste sábado (07), enquanto percorria em motocicletas um trecho da rodovia BR-266 próximo à aldeia El Betel, na Terra Indígena Cana Brava, no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão. No ataque morreram dois caciques: FIRMINO PRAXETE GUAJAJARA, de 43 anos, da aldeia Silvino (TI Cana Brava), atingido por quatro disparos, e RAIMUNDO BELNÍCIO GUAJAJARA, da Terra Indígena Lagoa Comprida, segundo informou a liderança MAGNO GUAJAJARA à agência Amazônia Real. Dois indígenas ficaram feridos.

Conforme informações do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) no município de Barra do Corda, os feridos são NEUCY CABRAL VIEIRA, da aldeia Nova Vitoriano, e NICO ALFREDO, da aldeia Mussun, da TI Cana Brava. Eles estão sendo atendidos na Unidade de Pronto Atendimento de Barra do Corda.

Neucy Vieira tem perfuração na perna e foi submetido à sutura e deve ter alta neste domingo. Nico Alfredo tem perfuração na região do glúteo, com suspeita de hemorragia interna, e deve ser transferido para o Hospital Socorrão, no município de Presidente Dutra. Não há informações sobre quem são os criminosos. Segundo as testemunhas, os atiradores estavam dentro de um veículo Gol branco quando começaram a disparar contra os indígenas.

Após o ataque, os indígenas Guajajara iniciaram um protesto na rodovia BR-266 no início da tarde deste sábado, impedindo o acesso ​de veículos na rodovia. “O clima está tenso aqui”, revelou Magno Guajajara.

Este é o segundo ataque a tiros contra indígenas Guajajara em menos de dois meses. No dia 1º de novembro, o guardião da floresta Paulo Paulino Guajajara, 26 anos, foi assassinado em um ataque de madeireiros na Terra Indígena Arariboia. O indígena Laércio Guajajara ficou ferido. Ele e mais dois guardiões da floresta ingressaram no Programa de Proteção à Testemunha devido às ameaças que sofrem no território. Os Guardiões da Floresta são defensores e atuam motirando e combatendo a exploração ilegal de madeira nas terras indígenas do Maranhão.

No ataque de novembro também morreu, segundo a Polícia Federal, durante um confronto com os indígenas, o madeireiro Márcio Greyck Pereira. As circunstâncias dos crimes estão sendo investigadas pela polícia.

Os assassinatos de indígenas Guajajara acontecem no momento que a coordenadora coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sonia Guajajara, está participando de protestos internacionais denunciando a situação de ausência de poder público e invasão para exploração de madeira nos territórios indígenas brasileiros.

“Mais dois parentes Guajajaras foram assassinados hoje no Maranhão. Basta de vítimas, não queremos mártires, queremos vozes vivas! Toda solidariedade aos parentes da terra indígena Cana Brava”, declarou Sonia Guajajara, em sua conta no Twitter nesta tarde.

Caciques estavam em reunião

O indígena Nelsi Olímpio Guajajara levou um tiro na perna e escapou com vida (Foto: Mídia Índia)
Segundo Magno Guajajara, os indígenas foram atacados quando voltavam de uma reunião na aldeia Coquinho​, onde se encontraram com diretores da Eletronorte Energia.

Na reunião, da qual participaram 60 caciques e lideranças Guajajara, os indígenas discutiram temas sobre as compensações de obras de linhas de transmissão que existe dentro território, segundo o coordenador da Funai (Fundação Nacional do Índio) no Maranhão, Guaraci Mendes.

“Estávamos tratando do assunto da Eletronorte. Ao finalizar a reunião​, os indígenas voltaram para casa de moto. Numa descida ​na ladeira, os parentes foram abordados e alvejados. Simplesmente atiraram nos parentes. No trajeto, baixaram o vidro e olharam​ para identificar se​eram indígenas. Aceleraram e atiraram. Foi um tiro fatal. Ninguém sabe por que ocorreram esses disparos, essa violência, essa manifestação de ódio”, afirmou Magno Guajajara à Amazônia Real.

O servidor da Funai, Guaraci Mendes, contou à reportagem que já enviou equipes para o local e comunicou o caso à Polícia Militar do Maranhão e​que aguardava mais informações. Ele também relatou como soube do atentado.

“Meu colega (da Funai) foi participar da reunião, mas depois vi que havia esquecido um documento. Pedi para o Magno entregar. Em dez minutos que ele sai, o Magno me liga: ‘Guaraci, acabaram de matar dois parentes. Tem dois baleados. A gente viu​ carro, ele abriu fogo e fugiu’. Já mandamos as equipes e procuramos a polícia e agora estamos aguardando mais informações”, disse Mendes.

O coordenador da Funai destacou que “apenas lideranças que estavam reunidas para tratar dos recursos da compensação com a Eletronorte”.

“Era toda a cúpula, caciques e lideranças, da Terra Indígena Cana Brava. Parece que foi ação planejada”, afirmou Mendes. (Colaboraram Izabel Santos, Kátia Brasil, Alberto César Araújo e Elvira Eliza França)

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16 Comentário(s)

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Rui Martins comentou:
16/12/2019
Publicado no Direto da Redação do Correio do Brasil. http://www.correiodobrasil.com.br/os-indios-no-censo-de-2020/
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Eunice Dias de Paula (via FB) comentou:
13/12/2019
Seria muito bom mesmo ter um Censo com dados fidedignos sobre os povos indígenas!
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Alessandra comentou:
12/12/2019
Ai vai a matéria publicada pelo IBGE Seminário mostra como superar desafios de retratar povos indígenas no Censo Editoria: IBGE | Caio Belandi Obter um retrato fiel da situação dos povos indígenas em um país de dimensões continentais como o Brasil não é das tarefas mais fáceis. Afinal, são centenas de etnias espalhadas por todo o território nacional. Esse é um dos desafios do Censo 2020, que visitará 618 terras indígenas a partir de 1º de agosto, um aumento de mais de 20% na comparação com 2010. Para alinhar a metodologia e divulgar as mudanças planejadas na coleta, o IBGE sediou na semana passada (4 e 5), no Rio de Janeiro, o “X Seminário de Demografia dos Povos Indígenas no Brasil”, com participação de representantes de organizações governamentais, lideranças indígenas e estudiosos do tema. Uma nova metodologia de recolhimento de informações será posta em prática. Para isso, foi criada uma série de adaptações e inovações para melhorar a contagem, reduzir problemas de cobertura, lidar com a recusa das respostas e diminuir o tempo de coleta. Todo processo de desenvolvimento começou em 2018, envolvendo o Comitê Técnico do Censo, além das comissões de Planejamento e Orçamento e Consultiva. Depois, essas mudanças foram aprovadas por órgãos e associações interessados no tema, como a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e diversas organizações de movimentos indígenas. Tendo como base as provas pilotos, o Censo Experimental e o Censo Agro 2017, a equipe à frente do Censo 2020 conseguiu traçar uma linha de atuação que permitirá uma abordagem diferenciada em territórios indígenas, melhorando os resultados da próxima operação censitária. Um dos principais obstáculos a ser superado é o percentual não informado de indígenas em áreas urbanas. Para isso, foram criadas as Áreas de Interesse Estatístico-Operacional, locais onde há registro de população indígena junto com não indígenas. Nessas áreas, assim como nas terras indígenas, os Dispositivos Móveis de Coleta (DMC), que contarão com geolocalização, abrirão perguntas diferentes quando verificar que está em áreas indígenas. Redação diferente, perguntas extras, subtexto explicativo, tudo adaptado para os povos originários. Já a abordagem inicial é tratada com extrema relevância pela organização. Recenseadores, supervisores e coordenadores que atuarão em territórios indígenas terão um dia extra de treinamento. “Ninguém vai chegar sem ter passado por um treinamento diferenciado. A ideia é que os profissionais aprendam a respeitar os tempos, os espaços, os costumes, as normas e os procedimentos diferenciados de chegada, de negociação e de encerramento do trabalho, além das normas de condutas das áreas e adaptações nas perguntas”, justifica a coordenadora do Projeto de Povos e Comunidades Tradicionais no Censo 2020, Marta Antunes. A operação do Censo também contará com pontos focais do grupo de trabalho dos povos e comunidades tradicionais, treinados para garantir que as áreas indígenas não sejam tratadas sem a devida importância. Outra novidade para 2020 será uma sala específica para monitorar a situação da colheita de informações dos povos indígenas, em diálogo aberto com os movimentos e órgãos interessados. Lideranças indígenas terão papel fundamental A organização do Censo 2020 também aposta no papel das lideranças indígenas para melhorar a coleta das informações. Além do recenseador, trabalharão em conjunto guias-tradutores e uma liderança indígena destacada, que será responsável por explicar o que é o Censo e a importância de responder os questionários aos demais. “Precisamos sensibilizar os indígenas para responder ao Censo. Ninguém sabe o que é o IBGE na maioria das terras. Em algumas áreas, nossas perguntas não têm sequer tradução para as línguas locais”, explicou Marta. Nesse processo inicial de abordagem à liderança, o Censo aplicará um questionário para o agrupamento, coletando informação sobre as aldeias e se aproximando do líder local. “Não basta contar somente quantos índios há no Brasil. Nós queremos que o país se enxergue como multiétnico na sua essência”, afirma Ricardo Weibe Tapeba, representante da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo (APOINME), que participou do seminário. Para Weibe Tapeba, a expectativa é que o Censo 2020 traga informações mais precisas com relação ao perfil da população indígena. “Estamos trabalhando para que a estratégia de coleta seja mais aproximada da nossa realidade”, disse. Representante da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) presente no evento, Adão Francisco Henrique vê no próximo Censo a oportunidade dos povos indígenas justificarem suas demandas ao poder público. “Os nossos principais desafios são o acesso à Educação e Saúde. É importante a gente acompanhar o Censo para que ele nos informe a situação nas aldeias”, defendeu.
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Ana Silva comentou:
11/12/2019
Maravilha, que evento necessário. Essa palestra deve ter sido um sucesso. O Estado necessita aperfeiçoar as ferramentas para mapear melhor a população Indígena no país, incluir a diversidade, respeitar e entender que diferença é riqueza. Parabéns, Bessa, lindo e informativo texto
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Sassá Tupinambá (via FB) comentou:
11/12/2019
SASSÁ TUPINAMBÁ PUBLICOU: Parentes, já faz tempo que nós do GT Indígena do Tribunal Popular questionamos os dados censitários da população indígena brasileira, principalmente a população indígena em contexto urbano. Sabemos que nosso número é muito mais. Algumas dezenas da casa dos milhões. Já cogitamos diversas formas de fazermos um censo próprio, mas ainda não conseguimos. Junto com a Campanha pela Retomada da Identidade étnica "Sou indígena, não sou pard@", precisamos fazer uma campanha para que esses parentes recém autodeclarados e seus familiares respondam o próximo censo do IBGE, que tem que ser realizado entre 2020 e 2022. E paralelamente, precisamos fazer uma campanha para que toda a população indígena em contexto urbano responda esse censo e caso o agente do IBGE não passe na residência, deve ser nos avisado, ou cobrar diretamente o IBGE. No próximo censo, nenhum indígena pode ficar de fora. Durante mais de 300 anos, o Estado brasileiro atuou contra a população indígena. Suas políticas de integrar a população indígena na sociedade brasileira, foi e é um desastre, só contribuiu para que uma grande parcela da população não sabe à qual povo indígena pertence e outra que nem mesmo se reconhece indígena ou tem receio e vergonha de assumir a identidade indígena, como seus ascendentes, pai, mãe, avô e avó. Os governos brasileiros nunca se interessaram por este resgate da indentidade indígena, por diversas razões, tanto de cunho político e econômico, como racista. Mas podemos reverter isso, incentivando nossa família e amigos indígenas a assumirem publicamente sua etnia e assim exercer o direito pela autodeclaração. Nesse sentido, nós estamos apoiando a iniciativa do Programa Índios na Cidade, da ONG Opção Brasil, que está fazendo esse levantamento. Pedimos que preencha o formulário e envie e ou ajude crianças e familiares preencher. *Segue a Campanha da Opção Brasil* Saudações indígenas! Para nos atualizarmos sobre a presença indígena nas cidades brasileiras (pequenas, médias e grandes, capitais ou interior) você que é indígena responda à essa pesquisa simples. E ajude divulgando e até ajudando outros a preencher ela! Qual resultado sairá... https://docs.google.com/…/1FAIpQLScQi7pqUKe-Zaod9B…/viewform
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Araci Labiak comentou:
09/12/2019
O Brasil seria tão outro se fosse inclusivo. E reconhecesse sua origem verdadeira. E sua história e realidade atual verdadeira Dos que aqui já estavam!
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Celeste Correa comentou:
08/12/2019
para se pensar em inclusão, cidadania,em desenvolver o sentimento de pertença dos povos indígenas é importantíssimo esse diálogo entre o IBGE e os estudiosos e pesquisadores. O Censo Demográfico tem por objetivo contar os habitantes do território nacional, identificar suas características e revelar como vivem os brasileiros,produzindo informações imprescindíveis para a definição de políticas públicas que contemplem as demandas da sociedade. E nesses tempos de tanto desmonte de direitos, eu creio que esses tipos de eventos sinalizam um pouco de alento e de esperança, né!
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Serafim Correa comentou:
08/12/2019
Publicado no Blog do Sarafa https://www.blogdosarafa.com.br/um-retrato-do-brasil-os-indios-no-censo-2020/
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Racismo Ambiental comentou:
08/12/2019
Publicado no blog COMBATE - RACISMO AMBIENTAL. https://racismoambiental.net.br/2019/12/08/um-retrato-do-brasil-os-indios-no-censo-2020-por-jose-ribamar-bessa-freire/
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Valter Xeu comentou:
08/12/2019
Publicado no Patria Latina http://www.patrialatina.com.br/um-retrato-do-brasil-os-indios-no-censo-2020/
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Giane comentou:
08/12/2019
"Y se acaban los indios. Y no hay remedio." Guaman Poma
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Marcelo Sant'ana Lemos comentou:
07/12/2019
Precisamos de dados que incluam os indigenas invisibilizados do campo e da cidade. Aposto que o número de Puris autodeclarados vai aumentar dos 659 para no minimo uns 800!!!
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Rita Olivieri-Godet (via FB) comentou:
07/12/2019
“Esse descuido em colocar os índios no mapa do Brasil vêm desde o período colonial.” Importante reflexão de José Bessa sobre os povos indígenas e o próximo censo que ele espera ( e nós também) que não seja fake!
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Juliana Licio *via FB) comentou:
07/12/2019
Fui orientanda do Ricardo Ventura. Fui orientanda da Marta.Azevedo Duas grandes inspirações, resistindo. Imenso respeito.
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Marivelton Baré comentou:
07/12/2019
Muito bem. Meu amigo Bessa, saudações indígenas
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Carmelita Namá Puri comentou:
07/12/2019
Muito bom. Senti na pele essa invisibilidade qdo comecei a fazer meu caminho de volta e registrei num ensaio: o laço que virou nó.
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