CRÔNICAS

NA FRANÇA TEM ÍNDIOS? OS OCCITANOS

Em: 07 de Junho de 2015 Visualizações: 7076
 
SEGUIDO DE VERSÃO EM FRANCÊS E EM OCCITANO
 
"Preservar a tradição não é conservar as cinzas, mas soprar
a brasa para garantir que o fogo continue iluminando  (Jean Jaurés).
 
A primeira vez que ouvi falar na língua occitana foi em 1972 quando estava exilado em Paris. Uma amiga francesa, Paulette Delpont, me contou que era nessa língua que seu avô ensinava os mais jovens a fabricar aqueles foles antigos que servem para reavivar o fogo na lareira. O vovô morreu no Roussillon, sul da França, onde exercia seu oficio de artesão. Mas a língua d´oc resiste e ainda hoje há quem arrisque a vida por ela. Para defendê-la, o fundador do jornal occitano La Setmana, David Grosclaude, iniciou no final de maio greve de fome contra a política do estado francês que discrimina uma língua tão próxima ao português.
 
Reside justamente na afinidade das duas línguas, que são as "últimas flores do Lácio", o motivo do encanto que o occitano desperta em nós, falantes de português. Se o vovô do Roussillon me perguntasse: 
 
- Que fas dins la vida? - Eu responderia: - Soi estudiant.
 
É que para falar occitano - eu brincava - basta suprimir a vogal final das palavras em português: degra(u), plan(o),catolic(o) sac(o), vent(o), pont(e) e por aí vai. Qualquer criança brasileira entende o chamado de mãe occitana: - mon filh - mesmo que não seja a "voz materna" no "rude e doloroso idioma" cantado por Camões.
 
Língua d´Oc
 
Afinal, que língua é essa, cujo falante tem de fechar a boca para reivindicar o direito de usá-la? O occitano, conhecido como provençal ou língua d´oc é uma língua neolatina falada na Occitânia, uma nação sem estado, no sul da França, que inclui territórios do Languedoc-Roussillon, Provença, Gasconha, Auvérnia, Limusine e Definado, além de alguns vales alpinos da Itália e o Vale do Aran, na Catalunha. Lá se encontram sítios arqueológicos e históricos, ruínas romanas, coliseus, aquedutos, anfiteatros, mosteiros, igrejas, abadias, além do patrimônio mais importante que documentou tudo a seu redor: a língua d´oc.
 
No século IX - garantem os estudiosos - surgem os primeiros documentos escritos em occitano com o objetivo de converter seus falantes ao catolicismo, qualquer semelhança com o que fizeram os missionários na América com os índios não é mera coincidência. Eram traduções do latim de hinos, poesias, contos religiosos, biografias de santos. Conserva-se ainda hoje o manuscrito com a versão feita no séc. XI do Evangelho de São João, além de peças de teatro e da poesia dos trovadores do sec. XII e da literatura jurídica, filológica e científica a partir dos séculos XIV e XV.
 
Mas o uso oficial do occitano parecia ter seus dias contados. Com a Revolução Francesa, o Abbé Grégoire, padre e político, traçou um mapa dos costumes e das línguas faladas na França, a partir de questionários aplicados em 1790, que confirmaram o que já constava na Enciclopédiapublicada alguns anos antes: o francês falado sobretudo em Paris era considerado língua estrangeira no interior, onde predominavam línguas vernaculares denominadas depreciativamente de patuá.
 
Definido pela Enciclopédia como "linguagem corrompida falada em quase todas as províncias", o patuá, na realidade, era "o nome dado às línguas dos povos vencidos" como mais tarde advertiria Jean Jaurés. Foi com esse discurso de intolerância em relação a essas línguas que o abade Grégoire fundamentou a elaboração do "Relatório sobre a necessidade e os meios de erradicar o patuá e universalizar o uso da língua francesa".
 
A compreensão de que as línguas constituem um dos alicerces de ordenamento social nas práticas administrativas do Estado justificou a imposição do idioma francês como um dos fundamentos ideológicos da unidade nacional com a consequente intransigência na repressão às demais línguas. 
 
O selvagem da França
 
O projeto político defendido pelo abade Grégoire queria extinguir as línguas usadas no meio rural, incluindo aquelas faladas pelos escravos por cuja liberdade - é verdade - ele lutou, desde que os libertos falassem francês, que para ele era "a língua da liberdade". Como deputado na Constituinte, declarou que essa era a melhor forma de eliminar as superstições - assim ele chamava os conhecimentos tradicionais que circulavam oralmente em línguas vernáculas. Sua proposta de "criar um povo" e de "dissolver todos os cidadãos na massa nacional" passava pela universalização da língua francesa, estabelecendo a relação entre cidadania e a língua oficial. Essa foi a política de línguas do Estado francês.
 
Uma estátua do Abbé Grégoire foi inaugurada recentemente no coração de Montpellier em comemoração à libertação dos escravos durante a Revolução Francesa, o que é uma afronta equivalente a erguer um monumento aos bandeirantes ou uma estátua de Cabral dentro de uma aldeia indígena, conforme observação de Mathias Gibert, que discute o papel intolerante do abade no artigo Uma França Selvagem: sobre a 'colonização interna'.
 
O modelo político que interferiu no destino das línguas regionais é abordado pelo bispo de Burgos, Pedro Luis Blanco, na sua "Respuesta Pacífica de un Español a la carta sediciosa del francés Grégoire...", de 1798, numa polêmica na qual defende a monarquia e a Inquisição criticadas pelo abade, que considera supersticiosas certas práticas políticas e religiosas da Península Ibérica. - "Nos tratan como índios" - reclama o bispo, cujo protesto não é em defesa das línguas indígenas, mas contra o fato de ver atribuído aos espanhóis os mesmos juízos de valor que a Europa imputava aos índios. Desta forma, o bispo reconhece que as políticas coloniais da Espanha, por considerarem as línguas indígenas portadoras de heresias, buscaram extirpar junto com as idolatrias as línguas onde elas se abrigavam.
 
Antes de impor a língua espanhola, a administração colonial usou num primeiro momento as línguas gerais indígenas na catequese, o que significou a extinção de muitas outras línguas minoritárias. Depois, as constituintes das repúblicas latinoamericanas retomaram o modelo francês, associando a cidadania ao domínio da língua de Estado.
Efetivamente, na França, os povos de línguas minorizadas foram submetidos a um processo de "colonização interna", estudado pelo linguista e historiador Robert Lafont, professor da Universidade de Montpellier, especialista em literatura occitana. Para ele, as minorias que vivem em território controlado pelo estado francês foram colonizadas, seguindo o modelo do colonialismo externo. "O camponês francês é o selvagem do interior", para usar expressão de Michel de Certeau citada por Mathias Gibert.
 
Lenga d´amor
 
Apesar disso, a língua e a cultura da Occitânia conquistaram um lugar na literatura e no cinema.História de Adrien de Jean-Pierre Denis, que tive a sorte de ver em 1981, é todo falado na língua d´Oc e legendado em francês. Conta a história de um camponês no início do séc. XX, as migrações, o êxodo rural, a cidade, a greve dos ferroviários. A escolha da língua foi determinada - segundo o diretor - como forma de registrar que em 1905 ela era falada pelos camponeses no cotidiano do campo e dos povoados.
 
A trajetória da língua e da cultura occitana pode ser vista também no documentário Lenga d´amor (2013), todo ele falado em língua d´Oc, escrito e dirigido por Patrick Lavaud. Ele registra as narrativas orais, o conto, a criação literária, a toponímia, o bilinguismo e discute o papel do ensino da língua e de seu futuro, a partir de suas lembranças da infância na fazenda da família, na região do Périgord.  
 
A Occitania, assim como o mundo indígena, resistiu ao colonialismo interno, que proibiu a escolarização das crianças na língua d´Oc. A língua foi enterrada, mas como uma semente renasceu. Hoje, as estimativas indicam a existência de 4 milhões de falantes, cujas conquistas de escola bilingue se encontram ameaçadas. Por isso, o conselheiro regional da Aquitânia, David Grosclaude, iniciou no dia 27 de maio uma greve de fome. Os jornais franceses de circulação nacional nada noticiaram, mas nas redes sociais milhares de pessoas manifestaram imediatamente seu apoio.
 
No dia 3 de junho a greve vitoriosa foi interrompida, com a assinatura de um documento pelos ministros da Educação e da Cultura, que garantiram a criação de uma Secretaria Pública da Língua Occitana e os recursos para seu funcionamento. Daqui, do Diário do Amazonas, saudamos o fole do vovô do Roussillon que continua assoprando as brasas da tradição, iluminando o falar occitano. A simpatia não é só dos falantes de português, mas também dos índios no Brasil. Línguas indígenas e língua d´Oc: le même combat!
 
P.S. Agradeço as valiosas indicações de Mathias Gibert no seu artigo "Une France sauvage: autour de la 'colonisation intérieure" e outras sugeridas em troca de e-mails. 
 
 
Y A DES INDIENS EN FRANCE? LES OCCITANS
 
07/06/2015 - Diário do Amazonas - Manaus
José Ribamar Bessa Freire - Traduccion: Matiàs Gibert
 
"Entretenir la tradition, ce n´est pas conserver les cendres, mais souffler
 sur les braises pour  veiller à ce que le feu reste allumé" (Jean Jaurés).
 
La première fois que j'ai entendu parler de la langue occitane c'était à Paris en 1972, j'étais alors exilé. Une amie française, Paulette Delpont, me raconta que c'était dans cette langue que son grand-père enseignait aux plus jeunes comment fabriquer ces vieux soufflets de jadis qui servaient à raviver le feu dans l'âtre de la cheminée. Le grand-père mourut dans le Roussillon, au sud de la France, où il exerçait son métier d'artisan. Mais la langue d'oc résiste et aujourd'hui encore il y a des gens qui risquent leur vie pour elle. Pour la défendre, le fondateur du journal occitan  La Setmana, David Grosclaude, a entamé fin mai une grève de la faim contre la politique de l'Etat français qui discrimine une langue pourtant si proche du portugais.
 
L'enchantement que cette langue fait naître en nous, nous qui parlons portugais, provient justement de l'affinité qui existe entre ces deux langues, qui sont « as últimas flores do Lácio » (« les dernières fleurs du Latium. ») Si le grand-père du Roussillon me demandait:
 
- Que fas dins la vida? - je répondais: - Soi estudiant.
 
C'est que pour parler occitan – plaisantais-je – il suffit de supprimer la voyelle finale des mots portugais : degra(u), plan(o),catolic(o) sac(o), vent(o), pont(e) et ainsi de suite. N'importe quel enfant brésilien comprend l'appel de la mère occitane: - mon filh - même s'il n'est pas l'expression de la "voz materna" (« voix maternelle ») et du "rude e doloroso idioma" (« rude et douloureux langage ») chanté par Camões.
 
Langue d´Oc
 
Finalement, qu'est-ce que cette langue, dont les locuteurs sont priés de se taire pour en revendiquer l'usage ? L'occitan, connu comme provençal ou langue d´oc est une langue neolatine parlée en Occitanie, une nation sans Etat, au sud de la France, incluant les territoires du Languedoc-Roussillon, de la Provence, de la Gascogne, de l' Auvergne, du Limousin et du Dauphiné, en plus de quelques vallées alpines de l'Italie et du Val d'Aran, en Catalogne. On y trouve des sites archéologiques et historiques, des ruines romaines, colisées, aqueducs, amphithéâtres, monastères, églises, abbayes, ainsi que le patrimoine le plus important qui documenta tout le reste autour de lui: la langue d'oc.
 
Au IXe s. – d'après les spécialistes  - apparaissent les premiers documents écrits en occitan avec l'objectif de convertir ses locuteurs au catholicisme, toute ressemblance avec ce que firent les missionaires en Amérique en contact avec les indiens, n'est pas une simple coïncidence. Il s'agissaient de traductions, depuis le latin, d'hymnes, de poésies, de contes religieux, d'hagiographies. On conserve encore le manuscrit contenant la version faite au XIe s.  de l'Evangile selon Saint Jean, sans compter les pièces de théâtre et la poésie des troubadours du XIIe s. ainsi que la littérature juridique, philologique et scientifique à partir des XIVe et XVe s.
 
Mais l'usage officiel de l'occitan semblait connaître des jours comptés. Avec la Revolution Française, l'Abbé Grégoire, prêtre et homme politique, a établi la carte des coutumes et des langues parlées en France, à partir de questionnaires envoyés en 1790, que confirmèrent ce que constatait déjà l'Encyclopédie, publiée quelques années auparavant: le français était surtout parlé à Paris et était considéré comme une langue étrangère dans le reste du pays, où régnaient les langues vernaculaires nommées péjorativement patois.
 
Défini par l'Encyclopédie comme un "langage corrompu parlé dans quasiment toutes les provinces", le patois, en réalité, n'est rien d'autre que « le nom donné aux langues des peuples vaincus » comme l'affirmera plus tard Jean Jaurès. Ce fut alors avec un discours d'intolérance au sujet de ces langues que l'abbé Grégoire élabora son « Rapport sur la nécessité et les moyens d'éradiquer les patois et d'universaliser l'usage de la langue française. »
 
La compréhension selon laquelle les langues constituent un des piliers de l'ordonnancement social des pratiques administratives de l'Etat justifia l'imposition de la langue française comme un des fondements idéologiques de l'unité nationale, avec l'intransigeance conséquente et la répression des langues restantes.
 
Le Sauvage de France
 
Le projet politique défendu par l'abbé Grégoire désirait mettre un terme à l'usage des langues parlées en milieu rural,  y compris celles parlées par les esclaves, pour la liberté desquels – il est vrai – il s'est battu, du moment que ces hommes libres parlaient le français, langue qui à ses yeux représentait « la langue de la liberté. » Comme député de la Constituante, il déclara que cette dernière était la meilleure façon d'éliminer les superstitions – C'est ainsi qu'il appelait les savoirs traditionnels qui circulaient de manière orale avec ces langues vernaculaires. Sa proposition de « créer un peuple » et de « dissoudre tous les citoyens dans la masse nationale » devait passer par l'universalisation de la langue française, établissant une relation entre citoyenneté et langue officielle. Telle fut la politique de la langue de l’État Français.
 
Une statue de l'abbé Grégoire fut inaugurée récemment au coeur de Montpellier en commémoration de la libération des esclaves durant la Révolution Française, événement qui représente un affront équivalent à ériger un monument à la gloire des bandeirantes ou une statue de Cabral au centre d'un village indigène, selon la remarque que Mathias Gibert a faite, et qui discute cette intolérance de l'abbé,  dans son article  « Une France Sauvage: sur la Colonisation intérieure. »
 
Le modèle politique qui interféra dans le destin des langues régionales est abordé par l'évêque de Burgos, Pedro Luis Blanco, dans sa "Respuesta Pacífica de un Español a la carta sediciosa del francés Grégoire...", de 1798, au cours d'une polémique, où il défend la monarchie et l'Inquisition critiquées par l'abbé, qui considérait comme superstitieuses certaines pratiques politiques et religieuses de la Péninsule Ibérique. - "Nos tratan como índios" - se plaint l'évêque, dont la protestation ne vise pas la défense des langues indigènes, mais bien plutôt le fait de voir attribuer aux espagnols les mêmes jugements de valeur que ceux que l'Europe appliquait aux indiens. De cette manière, l'évêque reconnaît que les politiques coloniales de l'Espagne, pour considérer les langues indigènes comme porteuses d'hérésies, ont cherché à extirper d'un seul mouvement avec les idolâtries, les langues où celles-ci s'abritaient.
 
Avant d'imposer la langue espagnole, l'administration coloniale usa, dans un premier temps, des langues générales indigènes, pour la catéchèse, ce qui signa l'extinction de bien d'autres langues  minoritaires. Depuis, les Constituantes des républiques latino-américaines reprirent le modèle français, associant la citoyenneté à la maîtrise de la langue de l'Etat.
 
Effectivement, en France, les peuples de langues minorisées furent soumis à un processus de "colonisation intérieure", étudié par le linguiste et historien Robert Lafont, professeur, en son temps, à l'Université de Montpellier et spécialiste de la littérature occitane. Selon lui, les minorités qui vivent sur le territoire contrôlé par l'Etat français connurent une colonisation, suivant le modèle du colonialisme externe. "Le paysan français est le sauvage de l'intérieur", pour user d'une expression de Michel de Certeau citée par Mathias Gibert.
 
Lenga d´amor
 
Malgré cela, la langue et la culture de l'Occitanie conquirent une place dans la littérature et le cinéma. Histoire d'Adrien de Jean-Pierre Denis, que j'ai eu la chance de voir en 1981, est tout entier parlé en langue d´oc et sous-titré en français. Il raconte l'histoire d'un paysan du début du XXe siècle, les migrations, l'exode rural, la ville, la grève des cheminots. Le choix de la langue fut - selon les mots du directeur – comme une façon d'insiter sur le fait qu'en 1905 cette langue était parlée par les paysans, au quotidien, dans les terroirs et les villages.
 
La trajectoire de la langue et de la culture occitane peut être vue également dans le documentaire lenga d´amor (2013),tout entier en langue d'oc, écrit et dirigé par Patrick Lavaud. Il recueille les récits oraux, le conte, la création littéraire, la toponymie, le bilinguisme, et discute du rôle de l'enseignement de la langue et de son avenir, à partir de ses souvenis d'enfance, qu'il passa dans sa ferme familiale, en Périgord.
 
L'Occitanie, ainsi que le monde indigène, résista au colonialisme intérieur, qui interdit la  scolarisation des enfants en langue d´oc La langue fut enterrée, mais renaquit, comme une semence. Aujourd'hui, on estime qu'il y a 4 millions de locuteurs, et les conquêtes des écoles bilingues se trouvent menacées. C'est pour cela que le conseiller régional d'Aquitaine, David Grosclaude, commença le  27 mai une grève de la faim. Les journaux français à tirage national – n'en firent aucune mention, mais sur les réseaux sociaux, des milliers de personnes ont manifesté immédiatement leur soutien.
 
Le 3 juin la grève victorieuse fut interrompue, avec la signature d'un document par les ministres de l'Education et de la Culture, que assurèrent de la création d'un Office Public de la Langue Occitane ainsi que les moyens pour son fonctionnement. D'ici, depuis le Diário do Amazonas, nous saluons  le soufflet du grand-père du Roussillon qui continue de souffler sur les braises de la tradition, ravivant le parler occitan. Notre sympathie n'est pas seulement celles de ceux qui parlent portugais, mais aussi celle des  indiens du Brésil. Langues indigènes et langue d'oc: même combat*
 
P.S. Je remercie Mathias Gibert pour les indications qui se trouvent dans son article "Une France sauvage: autour de la 'colonisation intérieure" et d'autres suggestions faites par e-mèl.
 
*en français dans le texte
 
 
I A D'INDIANS EN FRANÇA? LOS OCCITANS
 
publicat lo 07/06/2015 - Diário do Amazonas, Manaus
José Ribamar Bessa Freire - Traduccion: Matiàs Gibert
 
"Preservar la tradicion es pas conservar las cendres, mas bufar sus
la brasa per garantir que lo fuòc contunhe de s'iluminar.  (Joan Jaurés)
 
Lo primièr còp qu'ausiguèri parlar de la lenga occitana, èra en 1972 quand èri exilat a París. Una amiga francesa, Pauleta Delpont, me contèt qu'èra dins aquela lenga que lo sieu papet ensenhava als mai jovens cossí fabricar aqueles bufets ancians que servísson a reviudar lo fuòc dins la cheminièra. Lo papet moriguèt en Rossilhon, al sud de França, ont fasiá lo sieu ofíci d'artesan. Mas la lenga d'òc resistís e encara uèi n'i a qu'arriscan lor vida per ela. Per la defendre, lo fondator del jornal occitan La Setmana, Dàvid Grosclaude, inicièt a la fin del més de mai una cauma de la fam contra la politica de l'estat francés que discrimina aquela lenga tant vesina del portugués.
 
L'origina de l'encatament que l'occitan fa nàisser en nosautres, locutors de portugués, residís justament dins l'afinitat entre las doas lengas, que son las "últimas flores do Lácio" (« las darrièras flors del Latium »).
Se lo papet del Rossilhon me demandèsse:
 
- Que fas dins la vida?* - respondriái: - Soi estudiant*.
 
Es que per parlar occitan - disiái ieu per galejar - baste de suprimir la vocala finala de las paraulas portuguesas: degra(u), plan(o),catolic(o) sac(o), vent(o), pont(e) e mai la rèsta. Qualsevòl mainatge brasilièr compren la crida de la maire occitana: - mon filh* - e mai que siá pas la de la "voz materna" al "rude e doloroso idioma" cantat per Camões (1).
 
Lenga d´Òc
 
Finalament, qu'es aquela lenga, dont los locutors an de se calhar per revendicar lo drech de l'utilizar? L'occitan, conegut coma provençal o lenga d´òc es una lenga neolatina parlada en Occitània, una nacion sens estat, al sud de França, qu'incluís los territòris del Lengadòc-Rossilhon, Provença, Gasconha, Auvernha, Lemosin e Delfinat, en mai de qualquas valadas alpinas d'Itàlia e de la Val d'Aran, en Catalonha. Alai se trapa de sites arqueologics e istorics, ruínas romanas, coliseus, aquaductes, anfiteatres, monastèris, glèisas, abadiá, en mai del patrimòni lo mai important que documentèt tot al sieu entorn:  la lenga d´òc.
 
Al sègle IX - asseguran los especialistas - apareisson los primièrs documents escrits en occitan amb la mira de convertir los locutors al catolicisme, tota semblança amb çò que faguèron los missionaris en America amb los indians es pas una simpla coincidéncia. Eran traduccions eissudas del latin, himnes, poesias, racontes religioses, biografias de sants. Se conserva encara uèi lo manuscrit amb la version facha al s. XI de l'Evangèli de San Joan, en mai de pèças de teatre e de la poesia dels trobadors del s. XII e de la literatura juridica, filologica e scientifica a partir dels s. XIV e XV.
 
Mas l'usatge oficial de l'occitan semblava aver sos jorns comptats. Amb la Revolucion Francesa, l'abbat Grégoire, prèire e òme politic, traçèt una carta de las costumas e de las lengas parladas en França, a partir de questionaris mandats en 1790, que confirmèron çò que ja constatava l'Enciclopedia publicada qualques ans mai lèu: lo francés, parlat sustot a París, èra vist coma una lenga estrangièra a l'interior del país, ont predominavan las lengas vernacularas nomenadas depreciativament  patoès.
 
Definit per l'Enciclopedia coma « lengatge corromput parlat dins gaireben totas las províncias », lo patoès èra en realitat « lo nom donat a las lengas dels pòbles vençuts », coma mai tard assabentava Joan Jaurés. Foguèt amb aqueste discors d'intolerància en relacion a aquelas lengas que l'abbat Grégoire elaborèt son « Rappòrt sus la necessitat e los mejans d'eradicar lo patoès e d'universalizar l'usatge de la lenga francesa ».
 
La compreneson de que las lengas constiuisson un dels supòrts de l'ordonançament social de las praticas administrativas de l'estat justifiquèt l'imposicion de la lenga francesa coma un dels fondaments ideologics de l'unitat nacionala, amb l'intransigéncia consequenta, dins la repression de las lengas restantas.
 
Lo Selvatge de França
 
Lo projècte politic defendut per l'abbat Grégoire voliá atudar las lengas utilizadas en lo mond rural, e tanben las parladas pels esclaus - per la libertat dels quals, es verai , lutèt, del moment que los òmes libres parlèsson lo francés, lenga qu'èra segon el "la lenga de la libertat". Coma deputat en la Constituanta, declarèt qu'aquesta lenga èra la melhora forma d'eliminar las supersticions – es ental qu'apelava el las conèissenças tradicionalas que passavan oralament per las lengas vernacularas. La sieuna proposicion de "crear un pòble" e de "dissòlver totes los ciutadans dins la massa nacionala" passava per l'universalizacion de la lenga francesa, establissent una relacion entre ciutadania e lenga oficiala. Aquela foguèt la politica de las lengas de l'estat francés.
 
Una estatua de l'abbat Grégoire foguèt inaugurada, i a gaire, dins lo còr de Montpelhièr en comemoracion de la liberacion dels esclaus durant la Revolucion Francesa, çò qu'es pas qu'una escòrna equivalenta a erigir un monument als bandeirantes o una estatua de Cabral (2) al dintre d'un vilatge indigèna en Brasil, conformament çò qu'observa Matiàs Gibert, que discutís lo ròtle intolerant de l'abbat dins un article : « Una França Selvatge: subre la 'colonizacion intèrna' ».
 
Lo modèl politic qu'interferís dins lo destin de las lengas regionalas es mencionat per l'evesque de Burgos, Pedro Luis Blanco, dins sa "Respuesta Pacífica de un Español a la carta sediciosa del francés Grégoire...", datada de 1798, en una polemica ont defendís la monarquia e l'Inquisicion criticadas per l'abbat, que considera cèrtas praticas politicas e religiosas de la Peninsula Iberica coma supersticiosas  - "Nos tratan como índios" - se planh l'evesque, dont la protestacion èra non pas en defensa de las lengas indigènas, mas ben puslèu contra lo fach d'aplicar als espanhols los mateisses judicis de valor que los que l'Europa formava suls indians. D'aquela forma, l'evesque reconeis que las politicas colonialas de l'Espanha, ja que consideran las lengas indigènas coma portairas d'eretgias, cercavan a extirpar amassa amb las idolatrias, las lengas ont s'abrigavan.
 
Abans d'impausar la lenga espanhola, l'administracion coloniala usèt las lengas generalas (3) indigènas pel catechisme, çò que signifiquèt l'extinccion de plan d'autras lengas minoritarias. Mai tard, las constituantas de las republicas latinoamericanas tornaran prene lo modèle francés, associant la ciutadania a la mestresa de la lenga de l'estat.
 
Efectivament, en França, los pòbles de lengas minorizadas foguèron somés a un procés de « colonizacion intèrna », estudiat pel lingüista e istorian Robèrt Lafont, que foguèt professor de l'Universitat de Montpelhièr, especialista de literatura occitana. Segon el, las minoritats que vivon sul territòri controlat per l'estat francés foguèron colonizadas, d'après lo modèl del colonialisme extèrn. "Lo paísan francés es lo selvatge de l'interior" per utilizar una expression de Michel de Certeau, citat per Matiàs Gibert dins l'article ja mencionat.
 
Lenga d´amor
 
Malgrat tot aquò, la lenga e la cultura d'Occitània conquistèron un luòc dins la literatura e lo cinema. Istòria d'Adrien de Joan-Pèir Denís, qu'aguèri l'astre de  veire en 1981, es tot en lenga d´Òc e sostitolat en francés. Lo filme raconta l'istòria d'un paísan, a l'iníci del s. XX, las migracions, l'exòde rural, la ciutat, la cauma dels agents ferroviaris. La causida de la lenga foguèt determinada - segon lo director - coma un mejan de sinhalar qu'en 1905 èra parlada pels paísans dins la vida quotidiana de la campanha e dels vilatges.
 
La trajectòria de la lenga e de la cultura occitana pòt èsser vista tanben dins lo documentàri Lenga d'amor (2013), estant tot parlat en lenga d'òc, escrit e dirigit per Patric Lavaud, qu'enregistra la narracions oralas, los racontes, la creacion literaria, la toponimia, lo bilingüisme e discutís lo ròtle de l'ensenhament de la lenga e del sieu futur, a partir dels sovenirs de son infància en sa bòria de familha, dins la region de Peirigòrd.
 
Occitània, tot coma lo mond indigèna, resistiguèt al colonialisme intèrn, qu'enebiguèt l'escolarizacion dels mainatges en lenga d´òc. La lenga foguèt enterrada, mas renasquèt, coma una semen. Uèi, las estimacions indican l'existéncia de 4 milions de locutors, e las conquistas de l'escòla bilingüe se trapan amenaçadas. Es per aquò que lo conselhièr regional d'Aquitània, Dàvid Grosclaude, inicièt lo 27 de mai una cauma de la fam. Los jornals francés de divulgacion nacionala nada noticièron, mas dins las rets socialas, de milhièrs de personas manifestèron imediatament lor sosten.
 
Lo 3 junh la cauma victoriosa foguèt interrompuda, amb la signatura pels ministres de l'Educacion e de la Cultura, d'un document que garantís la creacion d'un Ofici Public de la Lenga Occitana e las ressorças per son fonccionament. D'aqui en Brasil, despuèi lo Diário do Amazonas, saludam lo bufet del papet de Rossilhon que contunha de bufar sus las brasas de las tradicion, iluminant lo parlar occitan. La nòstra simpatia non es pas sonque la dels locutors de portugués, mas tanben la dels indians de Brasil. Lengas indigènas e lenga d´Òc: même combat!**
 
P.S. Mercetgi Matiàs Gibert per sas preciosas indicacions dins son article "Une France sauvage: autour de la 'colonisation intérieure' » e d'autras sugestions, eissudas d'escambis per e-mèls.
 
(1) S'agis de referéncia a un poèma del brasilièr Olavo Bilac (1865-1918) (http://www.horizonte.unam.mx/brasil/bilac1.html) fasent el-mateis referéncia a Luiz Vaz de Camões (1524-1580) considerat coma lo mai grand poèta de lenga portuguesa.
 
(2) Los bandeirantes (o « abanderats ») fa referéncia als colons portugués que durant lo sègle XVI decidiguèron de penetrar dins los territoris interiors del Brasil a la recerca d'or e d'autres materials precioses. Son considerats coma responsables de la mòrts de fòrça natius indigènas. Pedro Álvares Cabral (1467 o 1468 – 1520) es considerat coma lo « descobridor del Brasil ». Lo 22 abrial de l'an 1500, lo batèus portugueses menats per el son arribats sus la còsta nord-est del Brasil.
 
(3) Una recension del trabalh del professor Bessa, foguèt facha sus Jornalet qualques ans fa: http://www.jornalet.com/nova/849/cronica-duna-mort-pas-encara-anoncada
 
* en oc. dins lo tèxt
** en francés dins lo tèxt

 

 

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36 Comentário(s)

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pieter comentou:
23/06/2015
Legal, esse artigo, Bessa. Em Brasil pouco gente sabe, mas em Europa existem além das línguas nacionais como Francês e Alemão muitas outras línguas, no maior parte línguas minoritárias ameaçadas. Em meu pais de origem existe além de Neerlandês (aqui erroneamente conhecido como Holandês) o Frysk e o Nedersaksies. A ultima ainda luta para ser reconhecida. Tem "índios" em tudo canto do mundo.
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Arlete Schubert comentou:
22/06/2015
Coisas que dão à pensar ...Especialmente às vésperas das Conferencia indígenas locais: "Línguas indígenas e língua d´Oc: le même combat!"... Gracias pela provocação professor José Bessa!
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Ana Paula da Silva comentou:
12/06/2015
brilhante texto! Ele me fez lembrar a aula do Matiàs Gibert sobre a lengua d'òc (até aquele momento por mim desconhecida), na UNIRIO, durante uma das aulas do Bessa. Muitas coisas me impressionaram na fala de Matiàs, uma delas, o modo como a Revolução Francesa oprimiu, tentou silenciar e impôs o francês como língua oficial por toda a França. A revolução francesa tão celebrada no Brasil, quem imaginaria?? Também o português, na historia de colonização brasileira, silenciou diversas línguas indígenas e segue hoje em dia sufocando tantas outras, apesar dos diversos projetos existentes de registro e valorização das línguas . Lembro que o Matiàs começou, em sua exposição, discursando sobre o conceito de VERGONHA. Era esse sentimento, fruto do preconceito, discriminação e humilhação, que os falantes da langue d'òc sentiam. Guardo, em meus alfarrábios, a cuidadosa "Bibliografia não exaustiva e comentada : sobre a occitânia e mais além..." enviada por Matiàs Gibert aos alunos dos prof. Bessa. Pude ouvir um pouco dessa"misteriosa língua" (conforme escreveu Matiàs) no link http://www.silveriopessoa.com.br/collectiu/ O projeto “trópico-occitanista” é do músico brasileiro de Pernambuco, Silvério Pessoa. Vale a pena conferir. Eu adorei!!! Parabéns, Bessa e Gibert por suas resistências e lutas. Obrigada Matiàs pela bibliografia, pela aula. Merci, 'avete'!!
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Patricia Paula comentou:
11/06/2015
EXCELENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!! amei! Emoticon heart Emoticon heart Emoticon heart mas a França tem departamentos espalhados pelo mundo, inclusive na amazonia. e por la ainda tem indios que falam sua lingua materna e comem peixes cheios de mercurio despejados nos rios pelos garimpeiros brasileiros que exploram ouro ilegalmente em terras francesas..
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Camilla Oliveira comentou:
11/06/2015
Parabéns pela maravilhosa crônica! E, com relação ao assunto, é realmente cruel o movimento de desnaturalização que sofreram estes povos. MInhas sincera condolescências e, que agora, após o renascimento da língua, esta seja preservada e principalmente, respeitada. E digo mais, não apenas na França, mas em todo o território mundial. As diferenças merecem ser respeitadas.
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Lilian Nabuco comentou:
11/06/2015
Bessa, o fole é a sua metáfora... aquele que sopra permanentemente para garantir que o fogo da tradição continue iluminando! Genial esta pesquisa que você agora divulga sobre a língua Occitana e a cultura que ela representa, que traz a estimulante notícia da luta vitoriosa sobre séculos de colonização interna (acachapante como a externa), com o reconhecimento da língua d'oc pelo Estado por meio da criação de uma Secretaria voltada para seu estudo e preservação. Parabéns e continue lutando com a chama sempre tão viva de sua paixão! Contato de Lilian Nabuco
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Renata comentou:
10/06/2015
Bessa! Que alegria ler o seu artigo! Você sabe que aqui em Avignon quase todas as placas de rua são escritas primeiro em francês e logo abaixo em occitano, por exemplo, rue du Vieux-Sextier em cima e carriero dòu Vièi-Sestié logo em baixo, acho que é assim, rue des Fourbisseurs e abaixo carriero di Fourbissèire e assim vai, chama atenção a acentuação em occitano! Acento aigu no o? Como assim? Isso é vestígio de quê? Amanhã vou olhar a placa da rua pra ver se é aigu mesmo, mas pelo visto é, pq na tradução do Matias Gilbert do seu texto ele está lá acentuando as letras o. Que honra ler seu texto em trilíngue!Bem, talvez a língua francesa já tenha sido mais aberta e mais próxima do italiano, do espanhol e do português. será que o processo de colonização tb não foi um processo de um certo "anasalamento" e da criação ou pelo menos do enobrecimento desse som que fica na região antes do gutural, antes e descer pra garganta o francês preserva o famoso /e/ e a gente sabe que só fala bem francês quem consegue pronunciá-lo bem, "enobreceram" o occitano então, talvez, mudando as regiões da fala na língua. Por aqui, apesar das placas só se chega perto da língua d'Oc qd os franceses molham a língua com os vinhos do Languedoc do vovõ Roussillon...Bem que qd vi essas placas algo me pareceu familiar... Ah, mas placas estão aqui, viu? Bilíngues! Em Nîmes e em Sète eu já não lembro de ter visto biblíngue, mas minha visita a essas cidades foi tão rápida e tumultuada que posso ter me trompado, rsrs. Ih, perto do Palais des Papes tem bem um vestígio romano cercadinho e ninguém avança nele não acho até que os cachorros qd veem desviam da cerca e fazem xixi em outro lugar, tal é o respeito pelos vestígios aqui. Bem na arena de Nîmes o professor de francês que era o orador da reconstrução histórica das lutas e um pouco, alegórica, diga-se de passagem... nos motivou a rezar para o deus Janus na língua dos gauleses e em que língua rezamos todos na arena: ah, o francês, né? PARABÉNS MAIS UMA VEZ POR MAIS ESSE LINDO ARTIGO! Beijos e saudades
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matiàs gibert comentou:
11/06/2015
Cara Renata, pelo que vi, a respeito dos accentos, os nomes das ruas nas placas em Avinhon estão escritos segundo a norma ortografica chamada "mistraliana" o "mistralense" ("mistralenca" en oc.), inventada pelo poeta Frederic Mistral (segundo prêmio nobel da história aliás) no século XIX: essa norma é meio-fonetica, quer dizer que foi inventada para os occitanos desalfabetizados na língua deles mas alfabetizados em francês, poderem lê-la com mais facilidade. Hoje em dia, devido à fama do poeta, há em Provença uma tendência a identificar o dialeto provençal com a norma mistralense, embora esse ortografia tenha sido usada em todos os (6) dialetos occitanos existentes. Escrevi a tradução daquele texto em dialeto lengadociano estandardizado (no máximo que puder) seguindo a norma classica, que é uma modernização da norma antiga dos trovadores do século XII, mas que precisa um pouco de estudo para entendê-la, notadamente a respeito dos accentos! Meu avô, por exemplo, alfabetizado somente em francês, teria difficuldade em ler esse texto nessa ortografia, enquanto em mistraliano, todo parecia mais clar. Hoje em dia, a maioria dos autores occitanos escrevem com a norma clássica, que tem suas regras (como todas as línguas) mas não é tão difícil assim. Obrigado pelo interesse mg Contato de matiàs gibert
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lo Pèir (Jornalets) comentou:
10/06/2015
Mercé al Matiàs per la revirada d'aquel article pron interessant que me fa sentir un pauc mens sol. http://opinion.jornalet.com/jose-ribamar-bessa-freire/blog/i-a-dindians-en-franca-los-occitans
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10/06/2015
Excelente recuento de la historia del provenzal. Gracias a José Ribamar puedo, al fin, leer un texto en la vieja lengua occitana. Y me emociona saber de la lucha por revitalizar la lengua de Mistral. Contato de Rodolfo Cerrón-Palomino
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Anne-Marie comentou:
09/06/2015
Epa! Esqueci o segundo link. Perdão: https://www.youtube.com/watch?v=XRNK6MzhxBs
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Anne-Marie comentou:
09/06/2015
Epa! Esqueci o segundo link. Perdão: https://www.youtube.com/watch?v=XRNK6MzhxBs
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Anne-Marie comentou:
09/06/2015
No início dos anos 2000, a compositora Renata Rosa e seu grupo musical pernambucano conheceram o grupo francês "Lo Còr de la Plana" que defende a música tradicional da Occitania e desse encontro surgiu um belo espetáculo intitulado “Lo cor de la Rosa”, expressão de uma rica mestiçagem onde os ritmos, a linha melódica nordestina se casam lindamente com a polifonia occitana sem nunca se perderem. Mestiçagem é isso: poder viver duas realidades, duas linguagens, sem nunca perder sua identidade. Surge um diálogo emocionante em duas línguas. É pena não haver legendas para o francês, mas as falas em português suprem em boa parte. Vejam só: https://www.youtube.com/watch?v=xRgFXHeFidM
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Renato Athias comentou:
09/06/2015
Babá... excelente artigo, aliás como sempre. Gostaria de relatar que eu estive em Toulouse mês passado, uma das capitais da Occitanie, e tive a oportunidade de participar do "Forom dês Langues du Monde" veja o link: (http://www.arnaudbernard.net/index.php/forom_des_langues.html ), evidentemente o "brésilen" estava presente na praça do Capitólio. No debate foi muito bom, coordenado por Claude Sicre, um dos fundadores desse fórum, juntamente com outros palestrantes como Abraham Bengio, colocaram em evidência alguns dos sentidos da língua "d'oc" e a atual política linguistica do Estado Francês. Claude Sicre reforçou o documento "Déclaration sur les Devoirs envers les Langues et le Langage" criado e incentivado pelo grande linguista Henri Meschonnic, lançado no Forom de 2006, mostrando a sua atualidade, e que vai em contra a atual Declaração de Barcelona de 1996. As políticas linguisticas dos Estados Nacionais" precisam serem revistas e o documento de Henri Meschonnic possibilita esse debate. Valeu Bessa por dar a oportunidade explicitar essas questões.
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Alai Garcia Diniz comentou:
08/06/2015
Sem dúvida, o tema retratado na crônica demonstra como o que nos separa do mundo europeu pode também ter conexões à distância. O problema parece ser o tempo. Com muita pertinência leio o texto e percebo que o monoculturalismo foi e ainda é um mecanismo homogeneizador que inibe aquil. o que se preservado só enriqueceria a humanidade, justamente por sua diferença. Trabalho com os Ava Guarani que vivem próximos à fronteira trinacional e entendo quando eles se recusam a usar outra língua que não o guarani. Resistem. A questão da língua d´Oc sempre me chamou a atenção e a pesquisa feita sobre o tema causa impacto. Parabéns pelo modo como informou sobre o tema. Obrigada, Alai Diniz
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Hans Alfred Trein comentou:
08/06/2015
Excelente, caro Bessa. A colonização linguística parece ser em todos os lugares um expressão da colonização cultural, já que a língua é um dos códigos mais importantes de uma cultura. De mãos dadas com essa colonização sempre veio também a colonização religiosa. Oxalá, estejamos no limiar de um novo tempo, ainda em condições de salvar um pouco da riqueza linguística e religiosa da diversidade cultural em nosso planeta. Abraços, Hans
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Arilza Almeida comentou:
08/06/2015
Prezado Prof Bessa. Otimo artigo, para muitos l´occitane é uma marca de produtos provençais para por no lavabo em dias de visitas :) Com relação à questão da importancia da língua para um povo etc não sei se sabe da luta dos Kabille, da Argelia. Um povo berbere que nao reivindica independencia territorial mas linguistica. E nessa luta, recentemente apenas o tamazigh foi permitido nas escolas da Kabilia, mas queria dizer que os kabille têm no canto sua expressão maxima de identidade e que os lideres politicos sao sobretudo cantores, como Lounes Mahtoub e outros. Fiquei fascinada com essa história de defesa e resistencia de uma lingua, que se traduz num povo. Aznavour, Zidane, Idir são Kabille mas à exceção deste ultimo , que é cantor, e que busca dialogar atraves da musica em tamazigh, com outros generos de musica "ocidental", trava uma luta pela identidade Kabille. Muito interessante. Azul felaween ( a proposito azul é uma expressao kabille que significa "tudo bem " e em portugues, azul - a cor- vem de outra raiz diferente do bleu, eu viajo que era por conta das roupas azuis dos kabille nos anos de ocupação "moura", também, entre nos, azul as vezes quer dizer tudo bem ). Abraços Arilza.
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Marcos José Pinheiro comentou:
08/06/2015
Sempre aguardo com alguma ansiedade as crônicas semanais de Bessa. São como ventos que mexem nossos cabelos e nossas ideias, e nos afirmam que nunca somos os mesmos após boas provocações. A questão da língua e da identidade, tão caros a Bessa, mostram-se sempre atuais e surpreendentes como esse caso em pleno território francês, expandido para além de suas fronteiras.
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Nadir comentou:
08/06/2015
Através de um compartilhamento de Tonico Benites Ava Guarani Kaiowá no Facebook pude ler sobre esse assunto. Gostei e agradeço.
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Elias Salgado comentou:
07/06/2015
Caramba, nosso mundinho e muito mais indio do que eu supunha ser... Vamos precisar de muito fole para manter acesas as brasas de nossa civilizacao
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Felipe Lindoso comentou:
07/06/2015
Meu amigo e ex-professor Rodrigo Montoya trabalha em novo livro, no qual retoma temas que lhe são caros, como a questão étnica no Perú, a questão dos estados plurinacionais, que a Bolívia recentemente consagrou em sua nova constituição. Conversamos bastante a respeito inclusive sobre as peculiaridades brasileiras e a intersecção das questões raça e classe nessas sociedades. Agora, no Taquiprati, meu amigo Bessa retoma, como sempre de modo alegre (que recobre de humor questões seríssimas), esse problema. Mencionado a questão occitana, não deixa de lembrar o estatus de dominadas que sofrem nossas populações indígenas. Ver http://www.zagaia.blog.br/?p=403
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Flora Cabalzar comentou:
07/06/2015
https://iilp.wordpress.com/2015/05/13/falta-de-recursos-financeiros-impede-a-expansao-do-portugues/ Compartilhando um link. Te seguindo com saudades, Bessa!
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Anne-Marie comentou:
07/06/2015
Creio que estamos numa encruzilhada. Estive recentemente na França, inclusive no sul, nos Pirineus Atlânticos (Pau), onde se falam variantes da Langue d´Oc (como as variantes nordestinas do português, ela não é monolítica). No século XVI se fez a distinção entre as formas com que os povos do sul e do norte verbalizavam o “sim”: “oil” no norte, que deu o “oui” da língua francesa oficial, e “oc” no sul. Os dois provêm do latim “hoc ille dixi” (É isso que eu disse”). É motivo de alegria este renascer, a vitalidade reconquistada pelas línguas regionais oprimidas em nome da unidade nacional e republicana, numa época em que ela não estava firmada, em que a República francesa era contestada não somente pela maioria das nações europeias, como também pela igreja dominante, a católica. Na implantação da Escola Universal (fim do século XIX), em todos os rincões do país, as crianças eram proibidas de falar sua língua materna e obrigadas a usar o francês, única língua nacional. Foi um bem? Foi um mal? Hoje, felizmente, a volta às línguas regionais se tornou possível e cada vez mais aceita. Como é, inclusive, em alguns casos, a introdução, na escola, paralelamente ao francês padrão, das línguas do povos migrantes, principalmente o árabe. Um progresso incontestável, que é, como no Brasil nas nossas comunidades indígenas, o progresso tranquilo do bilinguismo. Sem perder sua identidade nativa, as crianças podem ter acesso a uma identidade comum, nacional. Podem pertencer aos dois mundos. A pedagogia Freinet descobriu isso há muito tempo e publica contos bilíngues, notadamente em occitano, obras escritas pelas turmas. Porque falar várias línguas é ter acesso, para si, pessoalmente, e para se relacionar com os outros, a várias identidades que não se anulam, que se enriquecem e potencializam mutuamente enquanto não há dominação. Mas a língua, infelizmente, continua instrumento de dominação como Bessa expressou magnificamente no Taquiprati do dia 22.05.2011 (“Os Xerifes da Língua”). E talvez sem perceber, estamos numa nova encruzilhada. Na minha recente viagem à França fiquei impressionada por outra dominação: a do inglês, cada vez mais onipresente nas ruas e na mídia (língua, música, cinema). Viajei numa companhia francesa (Air France) e constatei muito triste que a imensa maioria dos muitos filmes propostos eram anglo-saxônicos, principalmente americanos. Não há mais produção cinematográfica francesa? Ou ela não responde mais aos critérios do mercado? Conservar e enriquecer nossas línguas, mais do que nunca, é uma batalha vital.
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Hans Alfred Trein comentou:
08/06/2015
Cara Anne Marie, constatei a mesma invasão linguística dos anglicismos na Alemanha na linguagem do cotidiano. Fico pensando, onde vai parar reputada língua alemã dos poetas e pensadores... Abraço, Hans
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Marília Facó Soares comentou:
07/06/2015
Bessa, parabéns pelo texto. Ao lê-lo, lembrei-me muito de Alphonse Daudet e Frédéric Mistral, pelas composições poéticas e pela exposição da alma (em) provençal no século XIX. Sim, trata-se de um mesmo e longo combate.
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07/06/2015
O Professor Bessa é mesmo uma cultura viva, caminhante e partilhante. Um abração da colega da EDU UERJ! Contato de Eneida Simões da Fonseca
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Renata comentou:
07/06/2015
Muito interessante prof. Ás vezes nos esquecemos que a opressão se manifesta e se manifestou de diversas formas, inclusive nos países mais ricos. Avante na luta! :0)
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Bené Carvalho comentou:
07/06/2015
Bessa, QUE LEGAL ESSA MATÉRIA. fico IMAGINANDO QUE A DENOMINAÇÃO "ÍNDIO" É UMA CRIAÇÃO CULTURAL. Os ditos civilizados criaram os "índios". Quando chegaram por aqui pensaram que estavam na Índia, que, para eles, significava um povo bárbaro. Nesse artigo percebe-se claramente que a criação do índio parte do Estado, desejosos de criar um "povo", entendido como povo aqueles submetidos ao poder deles. "Fale a mesma língua para que entendamos o que vocês estão dizendo". "Precisamos dominar, ter poder, criar um mercado, pois vamos falar a mesma língua." A língua é um fato cultural e quem tem mais poder, impõe a sua língua ao outro. Não sei se Lacan, tão preocupado com a línguagem falou nisso. Talvez, pela sua formação religiosa, comungava o mesmo pensamento. O desejo dos colonizadores era matar a língua do outro, Um desejo tanático, aliás. E vive la France. Um abraço, Bene
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Evelyn Orrico comentou:
07/06/2015
Bessa, você é demais! Parabéns! Contato de Evelyn Orrico
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andre comentou:
07/06/2015
Cuales sao as condiciones que podrian garantir el uso de las lenguas, de todas las lenguas y en todo el espacio socio-economico, en nosso mundo globalisado que sempre ha producido guerras de lenguas ? Pelo melhor o pelo pior, todo imperio impone sua lingua (y sua moeda, su direito, crenças, etc.. ); en la mesoamerica de la triple alianza azteca todos os pueblos colonisados tinham que falar nahuatl, pagar tributos, fornecer victimas para os deuses.... y en toda america colonisada a partir da "descoberta" de Colomb os pueblos colonisados tienen que falar ingles, espanhol, portugues, frances, etc. e los estados (agora independientes, e con constituciones que reconhecen el direito de los pueblos indigenas) continuan a negar las lenguas dos indios en este sentido que um brasileiro lambda no pode nem imaginar estudiar uma tal lengua para descobrir os tesoros culturais que estos pueblos producen desde sempre. Gostaria presentar duas ideais simples. Na UE los parlementarios siguen usando sua lengua maternal y esto es posible porque as instituciones europeas disponen de miles de interpretes e traductores, y tem uma politica de ajudar los jovenes a viajar de un pais al otro para estudiar en otra lengua; esa politica permite a los europeos de seguir falando suas lenguas nacionais y acabar con las guerras de las lenguas. Porque no abrir abrir las universidades al tema de la traducion de textos en las lenguas indigena (no se trata de traducir la biblia para evangelisar, se trata de permitir a los indios de aceder a los tesoros universais sem estar obrigados de abandonar sua lengua materna). Otra ideia me parece meditar sobre el caso de la china. Es um imperio que reune gente que fala centenas de lenguas distintas, mas que tem uma so escritura, asi que todos pueden ler o mesmo jornal sem falar a lengua de los otros. Porque no simplificar e divulgar a escritura glifica (logo-sylabografica) de los antiguos mayas para fornecer uma unica escritura a las decenas de lenguas mayas atualmente faladas en mesoamerica (mexico, belize, guatemala...). Sao soluciones que funcionan.
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Savia Ravyane Cantanhede (via FB) comentou:
07/06/2015
Interessantíssimo, e não deixa de levar à pensar que também o nosso Estado reprime as línguas nativas faladas nas aldeias indígenas daqui, não existe nenhum incentivo à sua preservação. Ora, mas no atual cenário que nos povos enfrentam, mal tem direito de permanecer na sua terra, ter uma política toda voltada para incentivar à preservação de sua língua é um sonho.
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Vera Dodebei comentou:
06/06/2015
Caro Bessa, quando fui a um congresso em Toulouse, passando por um sebo, vi na vitrine um livro com contos do Jorge Amado em langue d'Oc. Nada sabia sobre a língua mas fiquei curiosa com a relação à cultura brasileira. Motivada por esta experiência, comprei o livro, e passei a perceber que as placas de ruas da cidade eram escritas em francês e em langue d'Oc. Embora um misto de português, espanhol e francês, já temos uma "Roseta" para entende-la.
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Ana Stanislaw comentou:
06/06/2015
Muito boa!!! Adorei, realmente tem "índios na França".Excelente crônica, você sempre, sempre, bom "aBessa"!
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Simara Ferreira (via FB) comentou:
06/06/2015
Fiquei tão absorvida pela leitura que queimei toda a pipoca da noite. Sempre aprendo muito lendo teus textos, Bessa. Muito obrigada
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Geraldo Sá Peixoto Pinheiro (via FB) comentou:
06/06/2015
. O texto é erudito e saboroso, coisa bem difícil de acontecer em situação semelhante. Mais uma dessas aulas magistrais sobre Língua, História e Cultura. Parabéns José Bessa!
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Rosilvaldo Terena (via FB) comentou:
06/06/2015
Nunca podia imaginar que a França foi tão cruel com as outras línguas. É igualzinho mesmo aos índios. Igualzinho.
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