CRÔNICAS

DEU BIG BLACK NA CABEÇA!

Em: 01 de Outubro de 2006
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O troféu ´Bodó na lama - 2006´ já tem dono. É do Negão e ninguém tasca! Deu Big Black na cabeça! De virada! É big, é big, é big-big-big! É black, é black, é black-black-black! Ra-ti-bum! Bi-gui-Ble-qui! Com quem será? Com quem será? Com quem será, que o Big Black vai se ferrar? Vai depender, vai depender, vai depender se o Sabino se fumar.
Aos que estão chegando agora, lembramos que o ‘Bodó na lama’, troféu criado por essa coluna, com ajuda dos leitores, é cópia do ‘Baiacu de Ouro’, inventado por um colunista social amazonense. Cada ano, o ‘Bodó na lama’ será outorgado ao político que mais se destacou no uso de recursos públicos em benefício pessoal e conseguiu escapar das malhas da Justiça. Trata-se, digamos assim, do ‘Oscar’ dos acusados de corrupção.
Quem escolhe são os (e) leitores, mas o voto não é obrigatório. A eleição de 2006 foi feita em quatro turnos, com apurações parciais aos domingos. As urnas permaneceram abertas durante um mês no site www.taquiprati.com.br. Nas últimas quatro semanas, os (e) leitores apontaram trinta e um candidatos ao troféu, numa corrida eletrizante, na qual vários candidatos se revezaram na pole-position.
Depois de grande abstenção no terceiro turno, os (e) leitores, felizmente, atenderam ao apelo da coluna. Foi uma enxurrada de votos, pipocando de todos os lugares e instituições. Choveu votos das universidades, do INPA, do Tribunal de Justiça, das secretarias estaduais, da Suframa, da Fucapi, da Codeama, da Prefeitura, do Sistemas Net/eManaus, da Caixa Econômica, da Unimed e – pasmem – até da CBN-Manaus e do Correio Amazonense.
No total foram 614 (e) leitores, mas o número de votos foi muito maior, porque cada eleitor, como regra geral, votou em vários candidatos. Trata-se, sem dúvida, de uma amostra representativa da cidadania dos amazonenses, inclusive daqueles radicados em outros estados e no exterior. Pingaram três votinhos da França, dois da Itália, dois dos Estados Unidos, quatro de Portugal, diversos de São Paulo, Rio de Janeiro e Belém.
The bodó in the mud
Depois de apurado o último voto, foi anunciado, como nas cerimônias de entrega do Oscar em Holywood: “The Bodó in the mud goes to...Amazonino Armando Mendes”. O ex-governador do Amazonas e ex-prefeito de Manaus, conhecido também como Negão ou Big Black, fez por merecer. Começou em modesto terceiro lugar, pulou para o segundo e, agora, de virada, ganhou com diferença brutal em relação aos demais.
Vamos aos resultados com os cinco primeiros colocados: Big Black – 442; Belão – 363; Juiz vendedor de sentenças – 308; Cordeirinho – 295; Di Carlito – 283.  Um dos eleitores, Rodrigo Alves, que votou no presidente da Assembléia Legislativa, o Belão, comentou: “O que eu mais gosto nessa eleição é que, além de votar, a gente pode justificar o voto. Isso sim é democracia!”. Pensando bem, ele tem razão. Pra presidente e governador, a gente devia colocar um recado na urna, dizendo por que vota em um e por que descarta os outros.  
A surpreendente votação no Di Carlito, candidato a governador pelo PDT, pode ser atribuída em grande parte aos méritos do papai Di Carlão, ex-senador, envolvido em muita maracutaia, como assinalou um dos seus (e) eleitores, Paulinho Asoin: “Meu votio vai para o candidation Di Carlitio. Fiquei indignaldio sabendio que ele teve tudio de bom e de melhor, vivendio nos Estádios Unidios uma vidia de gran-finio às custias do povio. Ass: Seu Creison-son-son-son...agora com é-quiooo!”.
Às vezes, mãe e filho ou marido e mulher votaram através do mesmo e-mail. Foi o caso de Pepeu Gomes e família. Também de Aline Aguiar, que estava em um Congresso de Educação Médica, no Rio Grande do Sul, e fez questão de declarar o voto dela e do esposo no Big Black. As razões foram similares a de Washington Rio:
- “O cara era pobre. Entrou na política e ficou rico. E agora, na maior cara de pau, me acorda pelo telefone, dizendo que meu bairro – Cidade Nova – não têm água por irresponsabilidade da Lamas do Amazonas. Se pudesse, votava também no Sabino, que é um galeroso de terno e gravata”. 
Alguns confundiram as regras do jogo. Não era permitido um eleitor colocar mais de um voto no mesmo candidato, mas esse mesmo eleitor podia votar em quantos candidatos quisesse. Janjão e Nena, da Caixa Econômica, queriam votar em 16 candidatos, inclusive aqueles “com validade vencida” como Ronaldo Tiradentes e Manuel Pracinha Ribeiro. O TSE entendeu que seus votos deviam ser computados. Janjão sugeriu ainda que “a subida e descida de alguns candidatos permitisse o acesso e o descenso, tal qual os campeonatos das séries A e B do futebol brasileiro”.
Resultados finais
Dois nomes de candidatos merecem destaque: o deputado Balieiro e o Ari Prodent Moutinho, que receberam também estrondosa votação. Balieiro encaçapou três patinhos na lagoa – 222 votos. Seu principal cabo eleitoral, Arnaldo Gugu, justificou:
Cinco anos como juiz, uma gorda aposentadoria sem trabalhar e o Tribunal de Contas para não fazer nada, fora o lance da facada na bunda e coisa e tal”. 
Novos nomes que não constavam nos turnos anteriores apareceram, alguns com votação surpreendente. Entre eles estão Adail Pinheiro e Rodrigo Costa, prefeito e vice-prefeito de Coari, Nelson Azedo, Isper Abrahim e Carijó. Rodrigo Costa foi beneficiado pela notícia de que ele e Ari Moutinho estavam com dólares dentro da cueca em um avião no rumo de Tefé.  Isper pela Operação Albatroz e o Adail, bem gente, o Adail, né, é o Adail. E daí?   
Quem caiu do primeiro lugar para o 13º foi o vice-governador Omar Aziz. Um de seus eleitores, Jurandir Sete-de-setembro, escreveu: “Meu voto é para a ousadia ... para o delito inovador e quase legal ... para a atualidade ... Se o ex-vice emplaca a Lei da Aposentadoria do Vice-Governador seria, sem dúvida alguma, um primor de ousadia e articulação para o desfrute nas tetas do erário. Meu Voto vai para o Omar”.  
A professora de História, Gleice, declarou: “O Bodó na lama deve ir pro Boto, já que ele foi e ainda é o ´professor´de politicagem de aplicados alunos como o Big Black e o Belão, que por sua vez ensinaram o que aprenderam para o Sabino, o Balieiro, o Silas, dando seguimento à linhagem”.
Claudinha Bastos fez uma longa carta, explicando porque acha que a escolha é difícil: “Todos os candidatos são hors concours: do primeiro ao último da lista, todos se equivalem moral e financeiramente ou será que o preço de cada um deles varia? Como se calcula: em arroba, em dólar, por alvará vendido, por espancamento de cônjuge, licitação maquiada, corrupção de menores, emprego de parentes, aposentadoria fraudulenta, compra de votos, troca por serviços odontológicos?”
De qualquer forma, declaramos oficialmente que o ‘Bodó na lama 2006’ fica com Amazonino Mendes, o menino pobre do interior, ex-comunista que traiu sua causa e construiu uma fortuna fabulosa às nossas custas. O troféu será entregue em cerimônia a ser realizada num balatal de Eirunepé, para onde hoje está partindo o Big Black. Desejamos, sinceramente, a ele e sua família, que sejam felizes, mas longe dos cofres públicos. De quebra, lhe damos este conselho: “Arrepende-te de teus pecados, Big Black, distribui tuas riquezas aos pobres e alcançarás a vida eterna”.  
Resultado final: Big Black – 442; Belão – 363; Juiz vende-sentenças – 308; Cordeirinho – 295; Di Carlito – 283; Balieiro – 222; Ari Prodent – 213; Sabino – 209; Pauderney –  204; Chiquinho Loteria Garcia – 201; Adail Pinheiro – 192; Gilberto Boto – 185; Omar Aziz – 180; Robério – 167; Chico Ataíde – 166; Bosco Saraiva -150; Lupércio – 149 ; Rodrigo Costa – 146; Atila Lins – 122; Ronaldo Tiradentes – 101; Isper Abrahim – 68; Wanderley Dallas – 64; Dudu Braga – 52; Wallace – 50; Silas Câmara – 43; Alfredo – 33;  Carijó – 30; Nelson A. Prodent – 25; Marcos Rota – 22; Manuel Pracinha – 11; Di Carlão - 10

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