CRÔNICAS

O milagre da Pimenta Murupi

Em: 16 de Outubro de 2011 Visualizações: 57212
O milagre da Pimenta Murupi

"Aqui estão vossos devotos/ cheios de fé encendida".  

Tinha 82 anos, mas era hiperativa. Cuidava dos netos, da casa, da paróquia, ensinava catecismo, militava na pastoral da saúde e ainda encontrava tempo para dar sermões e esbregues na Pretinha, uma de suas filhas, que a visitava diariamente para filar o café da manhã. Até que sofreu um acidente vascular cerebral, um AVC dos brabos. O derrame – como ela dizia - deixou graves seqüelas. Com um lado do corpo paralisado, ficou prostrada no fundo de uma rede na casa de uma filha, no Conjunto Aquariquara, em Manaus.
Telefonei pra lá do aeroporto do Galeão, minutos antes de embarcar às pressas num vôo para Manaus. Meus ouvidos, leigos e ignorantes, escutaram, então, minha irmã anunciar tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, além de isquemia, parênquima encefálico e outros babados. Não entendi bulhufas daquele discurso, que me pareceu misterioso e esotérico. Mas o aviso final foi cristalino e perturbador:
“Te prepara, não vais reconhecê-la. A mamãe está muito deprimida”.
A depressão era a pior das seqüelas, eu pensava durante o vôo, que atrasou na escala em Brasília, deixando-me mais angustiado ainda. Confirmei tudo quando, finalmente, a reencontrei, imobilizada numa cadeira de rodas, não era a mesma pessoa cheia de graça e de vida de quem eu me despedira alguns meses antes. Parecia haver encolhido e diminuído de tamanho. Olhou-me, e era tão frágil o seu olhar! Com dificuldade na fala, e era tão débil sua voz, disse - seu dizer era quase inaudível
- “Meu filho, assim não vale a pena viver”. 
Nessas circunstâncias, o quê responder? Concordar com ela seria letal. Mas onde estavam os argumentos para discordar? Quem me salvou foi a lembrança de um jornal que encontrei em minhas pesquisas, editado em 1910, em Porto Velho e dirigido aos trabalhadores da ferrovia Madeira-Mamoré. Debaixo do título havia uma frase em espanhol: “La vida sin literatura y quinina es muerte”. Inspirado por tal frase, perguntei:
- O médico proibiu pimenta?
Quem respondeu, rapidinho, foi minha irmã:
- Não! Mandou evitar gordura, fritura, essas coisas. Mas pimenta pode com moderação na sopa, no purê, no caldo de peixe.
Dei, então, o xeque-mate, pensando na quinhapira com beiju feita pela sogra do Nazareno numa comunidade tukano do rio Tiqué, capaz de levantar defunto:
- "A vida vale a pena, mãe, enquanto a gente pode saborear uma pimentinha".
Deixei de lado a quinina e adaptei a frase do jornal, concluindo com entusiasmo:
- "La vida con literatura y pimienta murupi todavía es vida".
Eu sabia que daquela armadilha ela não escapava. Seus olhinhos azuis brilharam. Ela a-do-ra-va pimenta. Qualquer uma: malagueta, de cheiro, cumari, dedo-de-moça, olho-de-frade, chifre-de-veado. Mas sua preferência era pela murupi, que ela costumava comer assim: segurava na mão esquerda a pimenta, pelo talo, tirando pedaços dela com mordidas decididas, e aí, com um garfo na mão direita levava uma porção de comida à boca, em movimentos repetidos e alternados. Dizia que assim, misturando, mas sentindo primeiro o gosto da pimenta, realçava e enfatizava o sabor do peixe, do frango, da carne.  
Sempre tinha uns pés de pimenta murupi no quintal de casa, que ela mesma plantava. Eram colhidas de manhã, antes de esquentar o sol. Não recomendava colhê-las molhadas pela chuva ou pelo orvalho, porque podiam murchar e apodrecer. Cortada na cozinha, o aroma se espalhava até a sala e ganhava a rua, aguçando o apetite. Na impossibilidade de comê-la assim, fresca, servia em molho, em conserva ou desidratada.
Foi o que fez, aos 60 anos, levando a tiracolo um frasco de murupi no molho de tucupi, que carregava dentro da bolsa, quando viajou por cidades européias - Paris, Roma, Veneza, Milão, Varsóvia, Moscou, Leningrado, Kiev - e que era usado na hora de comer, em qualquer restaurante ou biboca. Na França, não hesitou em cometer uma heresia, salpicando o patê de foie gras e, dessa forma, inventou sem querer o apimentado “patê no tucupi”. Posso vos garantir que é delicioso.
- A murupi é a rainha das pimentas – ela sentenciava com a sabedoria acumulada, mesmo depois de provar o rocoto e o aji do Peru. 
Por isso, com esse currículo todo, ela acabou se animando com a possibilidade de curtir por mais algum tempo essa centelha de vida condensada na pimenta, que saboreou até aos 45 minutos do segundo tempo. Se a murupi não operou o milagre da ressurreição, lhe deu pelo menos uma sobrevida de 18 meses com um entusiasmo comedido, mas sincero. Despediu-se da vida levando o sabor e o aroma da murupi.
Por que consumo teu precioso tempo com essa história, desocupado (a) leitor (a)? É que uma irmã, que tem o mesmo nome da minha mãe, me trouxe de Manaus um molho de pimenta murupi, que é para degustar, rezando, de joelhos, ou miando como uma gata no cio em teto de zinco quente. A gente prova e tem vontade de cantar os três hinos da novena, começando com ...”Virgem Mãe, Apareci-iiida, estendei o vosso olhar”... e terminando com o “Viva a mãe de Deus e no-o-ssa”.  
O frasco tem um rótulo onde se lê o nome da empresa artesanal que fabricou o molho: Cozinha e Arte. Contaram-me que a responsável por essa obra de arte é alguém que terminou o curso de Farmácia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Faz sentido. Só mesmo um profissional sensível com experiência de laboratório, conhecendo a arte de fazer dosagens, pode aprisionar numa garrafa a essência do aroma e o sabor picante da murupi. A UFAM devia dar-lhe o título de doutor honoris causa e propor a candidatura da murupi como patrimônio da humanidade.
Foi o melhor molho de pimenta que provei em minha atribulada existência. Acreditem em mim, afinal por ser filho de quem sou provei a murupi ainda na primeira mamada, veio no leite materno. No período de aleitamento, ainda de resguardo, a canja de galinha que ela tomava vinha sempre com uma pimentinha.
A história da dona Elisa e o molho da Arte Caseira provam e comprovam que “la vida sin literatura y pimienta murupi no es vida, es muerte”.
P.S. – No rótulo do frasco aparecem dois números de telefone de Manaus (3237-6793 e 9136-1145), que não testei, mas me sinto na obrigação de reproduzir aqui para compartilhar esse prazer com quem é chegado numa pimentinha. Afinal, o leitor também tem mãe e pode um dia precisar. Não é merchandising não! Trata-se apenas de prestar serviço ao leitor e não ao fabricante a quem não conheço, mas a quem, de qualquer forma, agradeço por sua mão abençoada. Aqui estão vossos devotos, cheios de fé encendida.

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80 Comentário(s)

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Sebastião Souza comentou:
30/10/2014
Experimentei a pimenta murupi e, como um velho degustador e apaixonado por pimentas, não foi difícil me apaixonar por ela, tanto que estou planejando um site para comercialização da pimenta e de vários sub produtos.
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Douglas comentou:
25/10/2014
Comi esta p#rr@ por engano e vou dizer...nunca mais espero provar novamente.
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Antonio Calvi Zanol comentou:
30/07/2014
Caro Bessa, não o conheço nem conheço sua terra. Acabei de conhecer hoje, agora a pimenta muripi, trazida de Rondonia por um colega caminhoneiro (Amilton Cosmo) que já a tempo faz bons comentarios da mesma. Vou usar essa conserva que ganhei. Aprecio muito pimentas, mas uso com frequencia até hoje a malagueta. Quero saber mais sobre essa MURUPI. Obrigado!
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25/06/2014
História sensacional, muito bem escrita, parabéns. Eu também adoro esta pimenta e a conheci quando morei por uns anos em Porto Velho-RO. Contato de Jefferson William Mourão
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21/04/2014
gostei D+ deste assunto gosto muito de pimenta só nas refeições como de 10 ou mas pimentas malaguetas, gostaria muito de poder plantar destas, queria saber onde posso conseguir estas sementes? Contato de josimar de lima alves
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adalberto César comentou:
23/01/2014
Muito bom, compartilho contigo baba deveríamos fazer como o paraensse faz, deveríamos chamar de pimenta murupi do Amazonas. Contato de adalberto César
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Ciro Agnelli comentou:
08/01/2014
acesse o site www.fogomineiro.com.br e terás mais informações, abraços e parabens pelo texto. Contato de Ciro Agnelli
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odair a. braga comentou:
18/02/2013
Conhecí essa preciosa pimenta quando morava em vilhena-ro, agora morando em curitiba-pr., não consigo fazer com que esta mesma cresca aqui, já plantei mudas, cementes etc. mas não desistí de tentar produzí-la aqui.. Esta realmente tem um gosto e cheiro todo especial, quem não conhece, vale a pena experimentar.
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maracelo santos silva comentou:
26/12/2012
Como pimenta desde os meus sete para oito anos, nunca tive o prazer de provar uma muripi, porém, após o relato acima, é que que falo, pimenta é tudo. Um forte abraço e parabéns . Marcelo
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Claudia Nely de Souza Coutinho comentou:
25/11/2012
Realmente a comida temperada com murici tem outro sabor além de ser medicinal
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jacimara lemos comentou:
22/06/2012
sou apaixonada pela pimenta loirinha e de pele brilhante,pois é assim que denomino a pimenta murupi,gosto muito e em minha geladeira não falta,chego até a brigar com meu genro,quando ele acaba com as minhas,neste dado mome,mas o realce do sabor se encontra ainto acabei de fazer um sopinha leve e estou a saborear com a pimenta murupi,me desculpe os que não gostam de pimenta ,no sabor picante,Boa noite! Manaus,22 de junho de 2012
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Susana Grillo comentou:
23/10/2011
Bessa, só vocë pra mostrar que a vida pode se sustentar com outra vida... a pimenta é vida pura com seu ardor simbólico de entusiasmo e garra.. eu adoro pimenta... não conheço a murupi, mas vou procurar... pimenta junto com carinho por nossas pessoas queridas em momentos delicados tem tudo a ver... e você é um gênio a nos mostrar isso... um grande abraço, saudades Susana
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Graça Cavalcanti comentou:
23/10/2011
Minha mãe já me dizia que o uso da pimenta regularmente servia para estimular o apetite, aguçar o desejo pela alimentação e por proporcionar prazer, já que mexe com dois sentidos ao mesmo tempo: o olfato e o paladar. Agora com a leitura de seu texto sinto que deveria utilizá-la com mais frequencia. Foi provocador!
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Andrea ( no Diário do Amazonas) comentou:
23/10/2011
Adoro ler o que esse cara escreve, gosto mesmo quando ele esta especialmente irônico…mas hj ele está simplesmente poético…obrigada!!
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Angela comentou:
22/10/2011
O taquiprati eu gosto de ler me deliciando, e hoje senti uma saudade danada, tb da pimenta pois eu devido aos problemas que tive não posso comer e quando podia comia pão, cebola e molho de tucupi. Tu es batuta na escrita pois cheguei a sentir o gosto na minha boca como se eu estivesse comendo. Quando eu estiver para morrer, eu quero comer um vatapá e como já é para morrer mesmo, iria satisfeita, mas agora vou acrescentar a pimenta. mil beijos
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Paulo Bezerra (2) comentou:
20/10/2011
Recomendo para aqueles amantes da pimenta murupi que vierem a Manaus, que degustem em qualquer banca de tacacá o só-come-quem-pode, uma fritura á base da pimenta murupi. É de chorar, literalmente, de prazer.
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Marco Lazarin comentou:
20/10/2011
Maravilha, Bessa e Dona Elisa. E agora eu tenho que achar a murupi!
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Ricardo Cruz comentou:
20/10/2011
Muito boa a crônica, pelas associações lúdicas entre lembranças fraternas e sabor. Realmente, no Amazonas, temos uma jóia nas mãos, que é a pimenta murupi. Talvez ela possa ser usada cozida também, como o fazem na Espanha, com uma espécie similar de lá, com a vantagem de talvez isso reduzir o ardor da murupi; aí sim, agradando a gregos (que não gostam do ardor) e troianos (os "ardoristas").
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Angelina Garcia comentou:
20/10/2011
muito bom. parabens pelo texto, agradou em cheio
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Marcelo comentou:
20/10/2011
Vou lá em Manaus buscar….obrigado pela dica.
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Noé Aggeler comentou:
18/10/2011
Gostei muito. Tambem eu gostava muito das varias pimentas no Brasil.
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Paulo Bezerra comentou:
18/10/2011
Ei, "vamo" respeitar a murupi. O seu ardume só perde prá "habanero"e olhe lá. Mastiga-la "ao vivo", não é pra qq um não. O Cabra tem que ser macho, pacas. Já vi muito neguinho pedir "pinico". E, quando toca na ponta da língua ? Meu Deus ! Parece que a língua manda uma mensagem pro cérebro: Fogo ! Fogo ! E, o cérebro responde lentamente aliviando o "incêndio". O prazer da murupi não está no seu ardor, mas no alívio que vem depois. Rsrsrs
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Maria Luzia comentou:
11/09/2016
Fantástica história. Adorei! E, como ribeirinha e porto velhense que sou, amo pimenta murupi. Espero viver bastante, o suficiente para degustar por mais décadas esse pequeno milagre com muito sabor.
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Eneida comentou:
18/10/2011
Gostei muito dessa crônica. Mostra que é preciso ser sensível para ter as suluções para os problemas da vida. E com pimenta. Por que não? Parabéns, querido Bessa!!!!
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públio comentou:
18/10/2011
Babá, durante muitos anos, quando eu chegava em casa 11 da noite, depois de dar aulas o dia inteiro, so havia pão e margarina para comer. Então, sacava um murupy da geladeira, picava a "covarde", amassava na margarina e fazia PATÊ DE PIMENTA. O pão ficava uma maravilha. Eu afirmo: pimenta abre apetite e transforma pratos sem graça em maravilhas de culinária.
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cecilia comentou:
18/10/2011
Bessa, leio sempre as crônicas que você, gentilmente, me envia, mas essa - como a pimenta murupi, que estou louca para provar - é especial! E o seu carinho com D. Elisa, mais ainda.
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Ana Stanislaw comentou:
17/10/2011
Bela crônica! Realmente a vida sem pimenta não tem graça, cor, sabor. A dona Elisa era uma sábia. Bjos.
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Rosilene comentou:
17/10/2011
Que primor de crônica! e que vontade de provar a pimenta murupi, fiquei com água na boca, adoro pimenta.
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Hélio de Oliveira comentou:
17/10/2011
Bessa, ler suas crônicas é com saborear nosso prato predileto. Esta especificamente com sabor e aroma murupi.
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Liliam Maria Tataxinã comentou:
17/10/2011
Nessas horas a gente se sente o cocô do cavalo do bandido! Com a pimenta Murupí Dona Elisa vai levantar, sacudir a poeira e vai dar a volta por cima rs. Beleza de texto Bessa, parabéns.
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Renato Athias comentou:
17/10/2011
Bessa, eu adoro a pimenta murupi e realmente dá água na boca. Boas lembranças de dona Elisa! Eu sempre tenho uma murupi... abraços
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Marineide Gonçalves de melo comentou:
17/10/2011
Bessa, vc sabe mesmo contar uma boa história literamente com sabor! Eu aqui dos pampas enchi a boca d'agua comi se diz...
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Heliete comentou:
17/10/2011
muito bom, deixa a gente salivando e dribla a amargura ligada à morte!!!! e ainda inventa o Patê no Tucupi, acepipe dos deuses...
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Cyrino (1) comentou:
17/10/2011
"Pimienta en el correo electrónico de otro es jugo".Valeu demais não só pelo bom texto mas pelo cheiro de pimenta.As palavras têm gosto e cheiro quando misturadas com arte.Essa é uma crônica "picante".Se todos escrevessem assim,desde cedo as crianças teriam "gosto" pela leitura.Pura sinestesia (apesar do paradoxo).Dona Elisa tem razão: murupi é a rainha das pimentas.Confirmo o sucesso comentado pela Indra:produzo pimenta em pó,desidratada (aliás, desidrato tudo,maçã,banana,tomates, laranja...
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Cyrino (2) comentou:
17/10/2011
... É o meu deleite, junto com poesia - tô desidratando até as palavras). Fiz pro meu genro 2 vidros de pimenta em pó: 1 de murupi e outro de malagueta e perguntei qual mais agradou e porque. Foi batata (apesar de ser pimenta): a murupui é melhor porque começa a queimar devagar e mantém o ardozinho até o final da degustação. A outra, queima de cara, forte, passa logo o gosto e fica o ardor forte.
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Cyrino (3) comentou:
17/10/2011
Ele é uma boa amostragem (apesar de só um) porque é americano e não conhecia a nossa murupi. Não comercializo, faço só para amigos e é um sucesso (diga lá, Indra). Apesar de feita em um desidratador próprio, profissional, não dá pra concorrer com a farmacêutica porque o tucupi é a outra face da murupi. Lizoca sua descoberta é incontestável.
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Cyrino 2 comentou:
17/10/2011
A Dona Elisa tem razão: a murupi é a rainha das pimentas. Confirmo o sucesso que a Indra falou: Babá eu produzo pimenta em pó, desidratada (aliás, desidrato tudo, maçã, banana, tomates, laranja, etc. é o meu deleite, junto com poesia - tô desidratando até as palavras). Fiz pro meu genro 2 vidros de pimenta em pó: 1 de murupi e outro de malagueta e perguntei qual mais agradou e porque. Foi batata (apesar de ser pimenta): a murupui é melhor porque começa a queimar devagar e mantém o ardozinho até
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Cyrino 1 comentou:
17/10/2011
"Pimienta en lo correo electrónico de otro es jugo". Valeu demais não só pelo bom texto mas pelo cheiro de pimenta. As palavras tem gosto e cheiro quando mistruradas com arte. Essa é uma crônica "picante". Se todos escrevessem assim, desde cedo as crianças teriam "gosto" pela leitura. Pura sinestesia (apesar do paradoxo).
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Maria Helena comentou:
17/10/2011
Pimenta, poesia, Amazonas e Bessa: ingredientes para o melhor da vida!
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Jussara comentou:
17/10/2011
Bessa querido Que bonita crônica! Dá gosto (de pimenta das boas) ler tuas crônicas e essa é muito especial. Quando vais reuní-las em um livro? Grande abraço
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Cláudio Nogueira comentou:
16/10/2011
Até eu que não gosto de pimenta fiquei com água na boca. Fiquei com a sensação de que quem não gosta, bom sujeito não é. Tal qual a vovó, o velho Brígido era viciado em uma pimenta. Os dois devem está saboreando juntos um boa pimente lá no Céu.
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Carlota comentou:
16/10/2011
Tocante sua crônica. Não conheço essa pimenta; aliás: não conheço pimentas,porque não aprendi a comê-las. Mas acho que vou começar a tentar. Um abraço, Carlota
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Ana Lucia Abrahim comentou:
16/10/2011
Querido Bessa, por conta da tua crônica, liguei para o celular q vc mencionou - atendeu outra Ana que me informou q o ponto de vendas da Arte Caseira é na feira da Aparecida, todas as terças. Vou lá experimentar! Abraços,
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Mário Sussmann (1) comentou:
16/10/2011
Ribamar, onde estava essa pimentinha quando nossa única alternativa era o pastel de ORNI (Objeto Recheante Não Identificado) do restaurante (?) da Faculdade Nacional de Direito? Lembrei do "Lampião - A Luz que Brilha nas Trevas", que íamos rodar em mimeógrafo a alcool em Niteroi para colocar nas carteiras antes que alguém chegasse?
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Mário Sussmann (2) comentou:
16/10/2011
E o angu do Gomes, na Praça XV, um prato, duas colheres, tratado de tordesilhas, e alternavamos a única azeitona. Este era bom, mas a murupi teria ajudado. Na minha memória muitos temas para as tuas cronicas. Abraço, saudades sempre. Mário Sussmann
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Mário Sussmann comentou:
16/10/2011
Ribamar, onde estava essa pimentinha quando nossa única alternativa era o pastel de ORNI (Objeto Recheante Não Identificado) do restaurante (?) da Faculdade Nacional de Direito ? Lembrei do "Lampião - A Luz que Brilha nas Trevas", que iamos rodar em mimiografo a alcool em Niteroi para colocar nas carteiras antes que alguem chegasse ? E o angu do Gomes, na Praça XV, um prato, duas colheres, tratado de tordesilhas, e alternavamos a única azeitona. Este era bom, mas a murupi teria ajudado. Na minha
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Maria Aurora comentou:
16/10/2011
Li e adorei. Não precisa mudar nada. Acho que o autor tem um quê de poeta gastronómico. Numa outra vida deve ter sido ou ainda será um grande chef de cuisine...mas já é um grande gourmand
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Maíra comentou:
16/10/2011
Amigo, distante... Bessa... Querido, a sua crônica está para lá de boa! AMEI a forma como narrou o acontecido. Que até poderia ser triste, mas ficou lindo. Muito obrigada... A Farmacêutica deve ser alguma aprendiz de feiticeiro, hem? Danada. Viva a Pimenta... todas... amo!Mas não sou conhecedora como vc. Beijos Maíra, sem muita pimenta ultimamente...
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Silvio Tendler comentou:
16/10/2011
Sou um leigo adorador de pimentas. Conheço mal, mas adoro saborear. São 4 e 46 da matina e estou fazendo hora para o sol raiar, passar o domingo e na segunda ligar para Manaus (3237-6793 e 9136-1145), e me iniciar na Murupi, entrando nesse mundo recomendado pelo filósofo José Bessa. E não esqueça: “la vida sin literatura y pimienta murupi no es vida, es muerte”. Abraços Silvio Tendler
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Sebastião Souza comentou:
30/10/2014
Em breve nosso site: www.pimentamurupi.com.br Contato de Sebastião Souza
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Miriam Marreiro Malina (1) comentou:
16/10/2011
Babá, voltar sempre a falar contigo aqui é honra e homenagem que mereces pela magia das tuas palavras - além do teu jornalismo maravilhoso! A pimenta murupi e tua mãe, dona Elisa, são mais do que parte da minha historia pessoal porque mesmo agora, num minúsculo apartamento em Copacabana, ainda durmo numa rede de tucum e levo para onde vou uma latinha sempre cheia de pimenta murupi "frescas". Em restaurantes, acabo sempre escandalizando porque, que nem dona Elisa, seguro a muripi pelo talo...
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Miriam Marreiro Malina (2) comentou:
16/10/2011
... e vou mordendo conforme delicio uns peixinhos... quando eu trabalhava no "AMAZONAS EM TEMPO E no JORNAL DO NORTE, e sabia que tú chegavas a manaus, eu corria pro colo da tua mãe onde, carinhosamente, ela já tinha preparada uma travessa de jaraqui cheia de pirão com pimenta murupi, um dos meios que antecipavam nossos papos politicos-literarios que ela tanto curtia, "impacientemente"!!!.... era o meio dela tornar em máxima que "la vida sin literatura y pimienta murupi no es vida, es muerte”.
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gina couto comentou:
16/10/2011
que bom artigo da pimenta muripi, sabe camarada Bessa, aqui em SC o MST, não so a produz como tambeim o industrializa artesanalmente
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miriam marreiro malina comentou:
16/10/2011
...baba, voltar sempre a falar contigo aqui eh honra e homenagem que mereces pela magia das tuas palavras - além do teu jornalismo maravilhoso!!!!!!!.......a pimenta murupi e tua mãe, dona elisa, são mais do que parte da minha historia pessoal porque mesmo num minusculo apartamento em copacabana ainda durmo há anos numa rede de tucum e levo para onde vou uma latinha sempre cheia de pimenta murupi "frescas"... em restaurantes, acabo sempre escandalizando porque, tambem, como dona elisa, seguro a
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Silvio Tendler comentou:
16/10/2011
Sou um leigo adorador de pimentas. Conheço mal mas adoro saborear. São 4 we 46 da matina e estou fazendo hora para o sol raiar, passar o domingo e na segunda ligar para Manaus (3237-6793 e 9136-1145), e me iniciar na Muruoi, entrando nesse mundo recomendado pelo filósofo José Bessa. E não esqueça: “la vida sin literatura y pimienta murupi no es vida, es muerte”. Abraços Silvio Tendler
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comentou:
16/10/2011
Apesar de não comer pimenta a receita me deu água na boca. Parabéns querido Prof. Bessa pelo dia do mestre! Carinhos
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Paulo José Cunha (1) comentou:
15/10/2011
bessa,amigo,sabes que sou amazonense de coração,tanto me aproximei de sua gente,de sua cultura e de sua culinária.Nos 2 livros que escrevi com Andreas Valentin sobre bumbás – “vermelho,um pessoal garantido" e "caprichoso, a terra é azul", canto as delícias da murupi.Não sabia da existência desse molho,agora fiquei embatucado querendo saber como a pesquisadora chegou à fórmula,porque o problema é que,por mais que tenha tentado, nunca consegui aprisionar numa conserva seu perfume especialíssimo.
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Paulo José Cunha (2) comentou:
15/10/2011
No máximo,o que resulta é um molho muito ardido,mas sem aroma ou sabor.Passei a trazê-la para Brasília in natura.Congelo e, na hora de servir, corto em fatias finas,misturando em suco de limão.Funciona, embora não chegue inteiramente ao frescor da pimenta em estado natural. Agora me falas desse molho.Estou curiosíssimo.Vou encomendar um frasco dessa preciosidade. Ainda mais porque a notícia veio embalada pra presente na deliciosa crônica que nos ofertaste, abraço, compadre e parabéns pelo texto.
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Paulo José Cunha comentou:
15/10/2011
bessa, amigo, sabes que sou amazonense de coração, tanto me aproximei de sua gente, de sua cultura e de sua culinária. nos dois livros que escrevi em parceria com o andreas valentin sobre os bumbás - "vermelho, um pessoal garantido" e "caprichoso, a terra é azul", canto as delícias da murupi. não sabia da existência desse molho, e agora fiquei embatucado querendo saber como a pesquisadora chegou à fórmula, porque o grande problema é que, por mais que tenha tentado, nunca consegui aprisionar num
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roberto bessa comentou:
15/10/2011
Laleu Babá. Eu sou um consumista inveterado de pimenta por isso quero te parabenizar pela crônica...
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José A. Messias comentou:
15/10/2011
bravo bessa! e por aqui, como um pobre gastroenterologista pode deliciar-se com esse néctar sem ter planos próximos de ir a manaus...água na boca é pouco! grande abraço, messias
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Conceição Campos comentou:
15/10/2011
Querido professor, querido amigo Bessa: as tuas crônicas são sempre boas, mas aquelas em que colocas a Dona Elisa (ainda mais misturada com pimenta) são saborosíssimas. Feliz dia do professor hoje e sempre! Da sua (sempre) aluna.
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Indra Mara comentou:
15/10/2011
Só para tornar público: Esse molho já está fazendo sucesso nos Estados Unidos. Levei para o meu genro e a família provarem porque eles adoram comida "quente" e agora se tornou encomenda obrigatória. Não sabia quem fabricava. Parabéns!
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VANIA NOVOA TADROS comentou:
15/10/2011
O BOM É QUE A DONA ELISA TEM UM FILHO BESSA, COMO TU, QUE TENS SÓLIDOS ARGUMENTOS PARA TUDO. FELIZ DIA DO PROFESSOR JÁ NINGUÉM QUESTIONA QUE É UM MESTRE POR EXCELÈNCIA.
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VANIA NOVOA TADROS comentou:
15/10/2011
GENIAL BABÁ. TU TOCASTES EM DELÍCIAS QUE EU AMO. MINHA AMIGA DE VERDADE, SÁBIA E VERDADEIRAMENTE NÃO PRECONCEITUOSA A QUERIDA DONA ELISA BESSA. A OUTRA NA PIMENTA DE NOSSA TERRA A QUAL TAMBÉM COMO TODOS OS DIAS. AINDA VÃO DESCOBRIR QUE A PIMENTA FAZ BEM A ALMA.
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Ana Luiza comentou:
15/10/2011
Sendo moradora de Manaus, proveito para colocar o prefixo (092)!! E para quem estiver interessado, essas deliciosas pimentas estão a venda nas feiras da prefeitura nos dias de Terça- feira na Aparecida, Quinta- Feira no Distrito Industrial e no Sábado na Cachoeirinha.
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Cristina Terra comentou:
15/10/2011
Valeu a dica. Mas quanto ao telefone poderia fazer a gentileza de acrescentar o prefixo do local??? Adoro Pimenta. Recomendo também o livro do Dr Marcio Bontempo "PIMENTA e o seus benefícios à saúde'
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Roberta (via FB) comentou:
15/10/2011
Vou encomendar um vidrinho desses para mim... Plantei um pezinho lá no sitio e deu que foi uma maravilha, aí arrisquei fazer um molho e até que ficou bom. A minha ideia é plantar muitas e muitas pimentas por lá.
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Monica Siqueira comentou:
15/10/2011
Linda a cronica. Deu agua na boca e nos olhos tb!
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Camila Sobral (via facebook) comentou:
15/10/2011
Que delícia! Pequenas grandes alegrias e sabores que fazem a vida valer a pena. Já liguei, terça na feira de Aparecida irei garantir um frasco pra mim
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Gabriela Bernal comentou:
15/10/2011
Hermosa crónica!! Mucho más en estos momentos... la voy a compartir con mi mamá, mi tía, y cuanto pariente asome!! está muy linda. Como la pimienta ayuda a vivir!!
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Pedro Rocha comentou:
15/10/2011
Quero conferir esse molho!
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Lúcio M S Bezerra de Menezes comentou:
15/10/2011
Acabo de ler essa especialíssima crônica, parece despropositada, como se na falta de assunto " picante" - político ou não -, o nobre cronista apelasse com uma historinha mui particular - tipo encher linguiça- e ainda por cima matasse a saudade da sua amada mãe. Não é não! Quem gosta de pimenta como eu e ainda tem o privilégio do convívio com a mãe sabe que essa crônica é, repito, especialíssima. Como se não bastasse hoje vou almoçar pato no tucupi. Será que salpicarei molho de pimenta murupi?
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Harald Pinheiro comentou:
15/10/2011
Belíssima crônica e ainda regada ao sabor da murupi! A homenagem não poderia ser melhor: a saudosa D. Elisa.
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Elisa Meneghini comentou:
15/10/2011
Linda crônica! O nome da artista é Ana Cláudia Amed, farmacêutica de formação e "pimenteira" por opção. Foi formada pela Ufam, nosso maior patrimônio. Aproveito para publicamente parabenizá-la pelas delícias que produz. Parabéns!!!
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lilian comentou:
23/12/2012
Boa noite, Gostaria muito de poder me comunicar com a Ana Claudia Amed- farmaceutica . att Lilian caruso
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Elisa comentou:
15/10/2011
o comentário anterior foi meu, esqueci de identificar,
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comentou:
15/10/2011
Linda crônica! Ana Cláudia Amed, farmacêutica de formação e "pimenteira" por opção foi formada pela Ufam, nosso maior patrimônio. Aproveito para publicamente parabenizá-la pelas delícias que produz. Parabéns!!!
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clelia comentou:
15/10/2011
Fiquei com água na boca, adoro murupi no tucupi e fiquei até imaginando as delícias possíveis com uma simples gota.
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Denilson Baniwa comentou:
15/10/2011
Murupí é vida! Pode até falta farinha, mas murupi? Nunca!
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