CRÔNICAS

O canto da criança e dos velhos no Morro de São Carlos

O canto da criança e dos velhos no Morro de São Carlos

“E no entanto é preciso cantar /  Mais do que nunca é preciso cantar /  É preciso cantar e alegrar a cidade”.

Carlos Lyra - Vinicius de Moraes. 1963

Por uma fresta da porta, é possível ver homens armados com fuzis correndo na rua. Ouve-se um tiroteio. Dentro da casa, uma criança canta, mas sua imagem não foi filmada. Só a voz. Pelo timbre, parece que recém aprendeu a andar e a falar. A mãe, que gravava os lances no meio da fuzilaria, sussurra apavorada: “Cala a boca”. A criança continua. A cena patética exibida pelos telejornais na quinta-feira (27) noticiava o cerco ao morro de São Carlos, cuja escadaria ficaria imortalizada, em 1933, na foto de Augusto Malta.  

O canto da criança põe uma quilha na nossa canoa, que nos permite navegar no rio comprido da vida. Abre janelas de alegria ao nos lembrar que, na situação desoladora em que vivemos, é preciso cantar. As 120 mil mortes pelo covid-19 no país desgovernado por um brutamontes, as vítimas cotidianas da violência armada e os ataques à democracia exigem protesto e resistência, o que inclui o canto, como nos ensinam poetas lá e aqui.

Lá na Turquia, Nazim Hikmet, encarcerado longo tempo em um barco da Marinha, dentro de uma latrina cheia de excremento, cantou sem parar em voz alta todas as canções de amor que sabia, até ser retirado de lá rouco e cambaleante. Triunfou sobre a cloaca nauseabunda e venceu seus torturadores. Aqui, Gilberto Gil, preso na ditadura militar, compôs quatro canções na cadeia, de onde saiu cantarolando “Alô Alô Realengo, aquele abraço”.

A música evidencia que viraremos essa página infeliz da história da pátria mãe “subtraída em tenebrosas transações”. O estandarte do sanatório geral vai passar - garantem Chico Buarque e Francis Hime. Mas na memória das novas gerações, cadê os cantos desbotados? Tento recuperar alguns, com minha voz desafinada de cantor de chuveiro que, pelo whatsapp, leva às netas e sobrinh@s, cada manhã, uma cantiga diferente da infância longínqua de 1900 guaraná com rolha.

Jogos infantis

A pandemia permitiu uma troca interessante. Eu morreria sem conhecer Miyazaki e seus filmes japoneses de animação, se as netas não tivessem me convidado a ver com elas Peonya, A viagem de Chihiro e Totoro - uma espécie de Curupira nipônico, além de algumas outras obras-primas que abraçam o amor à natureza, a solidariedade, as questões de gênero, a aversão às armas e à violência, enfim todos os valores que hoje os brutamontes no poder tentam esmagar.

As netas me ensinam o mundo novo da esfera digital, mas em compensação jamais ouviriam certas canções de roda tradicionais prenhes de poesia e lirismo, nem se divertiriam com alegres brincadeiras que caíram em desuso, se não tivessem um avô que não tem vergonha de ser desentoado e que já foi à escola de uma delas, no Rio, para dar uma aula sobre como nós, velhos, brincávamos e cantávamos.  

Foi há mais de três anos. O professor normalista formado no Instituto de Educação do Amazonas (IEA) exibiu, então, uma cópia de Jogos Infantis - o óleo sobre tela de Pieter Bruegel, o Velho, com crianças em roupas alegremente coloridas se divertindo na praça, no jardim, nas ruas, dentro de casa e até na beira do rio, colecionando mais de 80 brincadeiras de sua época, o século XVI.

O velho Bruegel certamente se entusiasmaria com alguns brinquedos amazônicos caseiros que deleitariam também Walter Benjamin: óculos de caroço de marimari, time de botão e bolinha de gude de tucumã, pião da goiabeira, curica de papel, telefone de caneca de leite condensado, trator de lata redonda cheia de areia atravessada por arame, aro de bicicleta rodado com vareta, perna de pau, além de jogos como barra bandeira, macaca (amarelinha), queimada, cabo de guerra, 31 alerta, manjalé. 

Muitas brincadeiras são acompanhadas de cantigas de roda presentes na lembrança das minhas nove irmãs e do titiriteiro Euclides Coelho de Souza, 86 anos, residente em Curitiba, com quem cada domingo amplio e atualizo a lista. Os Makuxi – Euclides nasceu em Roraima – legaram às crianças amazonenses o jogo do Gavião e da Galinha. Detrás da galinha se enfileiram os pintinhos em ordem de tamanho decrescente. Diante deles, o gavião ataca, pulando de um lado ao outro:

- Quero comer galinha assada.

A galinha e os pintinhos se defendem e respondem num coro cadenciado, sempre saltitando e se movendo como uma cobra:

- Não há de comer, não há de comer.

De um por um, o gavião vai pegando sempre a última criança da fila, que passa a pular detrás dele. O jogo termina quando o gavião jantou todas elas e a galinha fica sozinha.

Cantigas de roda

O repertório é rico. Na pracinha do Beco da Bosta, cantávamos a Margarida em seu castelo, Sereno da meia noite, Esta menina que está na roda, Na mão direita tem uma roseira, o Bá-bé-bi-bó-bu, Você gosta de mim eu também de você, Bom dia Vossa Senhoria matutiro-tirolá, Pombinha branca, Fui no Tororó, Pirulito que bate-bate, Eu sou pobre pobre pobre de marré marré deci e tantas outras.

As últimas que gravei e enviei foram: Onde Mora a Bela Condessa Linda de França, Lagarta Pintada, Pai Francisco, o Pião Entrou Na Roda, Bom Barqueiro Dá Licença De Eu Passar, Vamos Maninha Vamos à Praia Passear, Quase que Eu Perco o Baú, Machada Minha Machadinha, Tanta Laranja Madura.

Esta última podia muito bem ser adaptada para responder a pergunta que ecoa pelo Brasil: por que Queiroz depositou R$ 89.000,00 na conta de Michele Bolsonaro?  E ai cantaríamos:  

Tanta laranja madura, maninha, de que cor são elas, elas são verde-amarela...

A criança do morro de São Carlos, com seu canto, anuncia as promessas de luz dos versos de Carlos Lyra e Vinicius. Esperamos que essa criança, quando crescida, se inspire nas Cuartetas por diversión  dos velhos Isabel e Ángel Parra e saia por aí gorjeando:

 - Cantando me iré / silbando me iré / Cantando lejos / Me consolaré.

P.S. 1 – Na noite da terça-feira (25), vítima de infarto, faleceu aos 76 anos  João Regazzi Gerk, ex-diretor do Instituto de Medicina Social e ex-vice-reitor da UERJ. A nota de pesar da Reitoria lembra que ele “participou ativamente da construção de uma instituição de ensino pública, gratuita, inclusiva, comprometida com o desenvolvimento científico, tecnológico e social”. O Sindicato dos Professores registra que, como aluno da UERJ, ele atuou no movimento estudantil na ditadura militar. Deixa saudades. À esposa, aos dois filhos e à neta a nossa solidariedade pela dor da perda.

P.S. 2 – Como nós, velhos, brincávamos: uma aula na EDEM 

http://taquiprati.com.br/cronica/1331-como-nos-velhos-brincavamos-uma-aula-na-edem

P.S.3 Leia o Manifesto dos Luteranos “Pela Saúde da Democracia”- http://taquiprati.com.br/cronica/1541-pela-saude-da-democracia

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31 Comentário(s)

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Ademario Ribeiro comentou:
24/09/2020
Bessa, como vai meu velho/novo amigo? Ainda não quis estabelecer uma relação mas, desde que passava por aqui e lia o título desta crônica ficava maginando/matutando porque não falar de Gonzaguinha, filho do Gonzagão, aquele moleque do Morro de São Carlos - aquele que soltou a sua voz e nos fez sonhar utopias de Joãos, Marias, José de Santana e Jesus... Ele que acreditava tanto na vida se foi veloz - deu com perna no mundo, e agora, lá do alto, o Santo Pivete Moleque vive as eterni-cidades sem mais sentir o cheiro do asfalto e das florestas incendidas, dos rios fervendo, dos animais virados em carvão e das pandemias que se avizinham da tragédia da Covid-19 que ceifa quase 140 mil vidas de humanos. - “Diz lá pra Dina que eu volto Que seu guri não fugiu Só quis saber como é Qual é Perna no mundo sumiu (...)”. Parodiando esse nosso eterno Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, que faria aniversário 75 aninhos a dois dias atrás, - com tantos incêndios, batalhas, lama além dos sapatos, qual a medalha, Bessa, se estamos perdendo o pé, o chão, o sabiá, o presente e a porta que abre para o futuro - o que virá? Ah, mas, e daí, se é só uma gripezinha?!?!
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Rodrigo Martins comentou:
03/09/2020
Professor, fantástico, que memória! Muitas brincadeiras eu não conhecia. Com as novas tecnologias e também com a violência urbana, as criança acabam não saindo de casa para brincar e encontram refúgio nos jogos de computador e animações ( que também são muito interessantes, mas que não proporcionam aquelas brincadeiras com os amigos na rua, nas praças, sujar a roupa e brincar descalço por exemplo). Pensando nisso, acho que governo depois da nota de 200 reais, poderia lançar também uma nota de 500 e na imagem da cédula que geralmente faz alusão para algum animal em extinção, eu colocaria uma imagem associada com alguma brincadeira que o senhor citou, pois não podemos deixar essas brincadeiras caírem no esquecimento, elas não podem entrar em extinção jamais. Um abraço querido professor.
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Walkimar Oliveira comentou:
02/09/2020
Professor, também foi no Morro de São Carlos que nasceu a música "Comportamento Geral", do grande Gonzaguinha, que também morou nesse morro... No Morro de São Carlos, Gonzaguinha também compôs a música "Com A Perna No Mundo", quando estava prestes a deixar a casa da Dona Leopoldina, que foi a mulher que o criou, depois da morte de sua mãe. "... Sentado bem lá no alto/ Pivete olhando a cidade/ Sentindo o cheiro do asfalto/ Desceu por necessidade/ Oi, Dina/ Teu menino desceu o São Carlos/ Pegou o sonho e partiu.../ Pensava que era um guerreiro/ Com terras e gente a conquistar/ Mas havia um fogo em seus olhos/ Um fogo de não se apagar... Diz lá pra Dina que eu volto/ Que o seu guri não fugiu/ Só quis saber como é/ Qual é?/ Pernas no mundo sumiu..."
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Balbina Souza dos Santos comentou:
02/09/2020
Prof. Ribamar, estoubsem palavras!! Quantas informações maravilhosas e real que condizca nossas realudade, não podem nos calar, muito menos você professor Bessa
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Roberto E. Zwetsch comentou:
01/09/2020
Bessa, caro amigo, Seu artigo deste final de semana foi brilhante e me fez pensar no neto e na neta, que são nossa alegria da velhice. Escrevo a eles quase diariamente cartinhas com poemas (haicais), desenhos animados, comentários sobre o dia a dia, sugestão de atividades. E o nosso diálogo é muito bonito. Ambos têm 12 anos e então a idade da imaginação é fértil. Luiza, como se entende, é mais esperta pois já é mocinha e durante a pandemia consegue ser muito criativa (a mãe professora e o pai docente de música da Ufpel ajudam pra caramba). Mora numa área rural, onde minha filha leciona educação especial em escola pública municipal. E como vivem num pequeno sítio, tem muito espaço pra curtir, mesmo sem a presença das amigas. O menino Gabriel tem o privilégio da mãe ser professora e poder passar boa parte do tempo numa pequena praia ao norte do RS. com pouca gente por lá. Assim, tem liberdade para brincar nas areias e andar de bicicleta, o que neste momento é raro para muitas outras crianças. O pai o visita regularmente e ambos aproveitam essa liberdade para curtirem os encontros. Assim vamos levando. Se o seu coração é "luterano", minha inspiração vem do sempre presente Dom Pedro que nos deixou, mas continuará a ser uma luz na nossa caminhada, dura e difícil, mas carregada da esperança contra toda a esperança neste país entregue a um governo suicida. Em anexo o artigo que escrevi após assistir a missa de encomendação de Pedro. Ele aparece no esquife, Bessa, de pés descalços, imagine! É a coerência levada ao extremo, que se completou com seu sepultamento no cemitério dos Karajá, à beira do seu amado Araguaia, entre um peão e uma prostituta, como li num texto sobre o fato.
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Mailsa Passos comentou:
01/09/2020
Amei essa crônica! Que sensível... Eu usei muito esse quadro do Bruegel para dar aula. Era uma transparência
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Rita Ribes comentou:
01/09/2020
José Bessa o cantarolar daquela criança me abalou muito. Sua crônica ajudou a dar outro sentido. Cantar para sobreviver e para não se entregar. Há que aprender muito cedo essa lição por aqui... Obrigada por mais essa crônica!!!
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Maria Sá Xavier comentou:
01/09/2020
Muito legal sua crônica. E conheço várias de suas canções de roda... roda que fazia lá no sertão da zona da mata mineira, qdo tinha a mata, agora ficou só a zona descampada. Mas vivi essa infância. E conheci sua Coari, e algumas brincadeiras dos ribeirinhos, qdo havia Petrobras e projetos socioambientais. Mas foi num tempo distante. O quadro não conhecia, que lá onde nasci só chegava aqueles quadros de anjo da guarda, ou aquelas paisagens bucólicas lindas da roça. Esse ai é da representação europeia. Eu tive educação caipira. Mas achei lindo e muito semelhante com as nossas brincadeiras. Deve ter vindo com os jesuítas... aliás eles nos trouxeram tantas coisas... q a maioria não sabe. Achei lindo como vc enreda um assunto e a conversa e sai puxando o fio... da prosa. Beijos Bressa! Saúde e conforto para a família do Professor João! Que a banalidade do mal não vença.
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Fernanda Kopanakis comentou:
01/09/2020
Belíssimo José Bessa enquanto lia a criança do vizinho cantava... sincronicidade.
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Débora Reina (via FB) comentou:
31/08/2020
A viagem de Chihiro e Totoro: esse é um desenho onde o menino viaja em um gato?... Já não me lembro bem... Mas vi um desenho em que o gato voa, às vezes parece um ônibus... Uma coisa assim... Muito lindo... curica de papel... Quero saber o que é isso...
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Luis Carlos Martins Bahiense comentou:
31/08/2020
Muito bem! Mais que nunca é preciso cantar!
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Vera Dodebei comentou:
31/08/2020
Linda crônica Bessa e que memória!
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Maria luiza comentou:
31/08/2020
Essa crônica poética é uma grande aula
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Andrebaniwa Hipattairi comentou:
31/08/2020
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Nubia Melhem Santos comentou:
31/08/2020
Adorei esta crônica, José Bessa, é preciso cantar
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Lidia Santos comentou:
30/08/2020
E vale lembrar tb que o Morro de São Carlos produziu Luis Melodia, por sua vez, filho de um músico. Foi a primeira coisa de que me lembrei ao ver o show televisivo que fizeram do tiroteio. Numa entrevista do Melodia, lembro de ele falando sobre a tristeza de ver, quando voltava ao morro, os rapazes metidos "com coisas feias". Disse que tinha muita pena, que não conseguia dizer nada e que até medo tinha, como todo mundo, da atmosfera de certas rodas do morro.
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Larissa Altoé comentou:
30/08/2020
E de repente os tiros começam. Não é uma guerra distante. É uma guerra real e próxima. Há a força do Estado. Mortes de civis. Dor por todos os lados. Uma onda, que é mais intensa no epicentro, mas que vai se diluindo aos poucos, como uma pedra na lagoa. Minha rua é como uma metáfora do Brasil, aprazível, bonita, ensolarada, colorida, arborizada, banhada por uma cachoeira poluída, mas está em um buraco aberto em uma pedreira e, acima dela, o Complexo do São Carlos, que só pode ser visto em perspectiva, por meio de imagens aéreas tomadas à distância. A favela se espalha por quilômetros de morros, que vão da frente da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro até outros bairros, como Catumbi, Santa Teresa e Laranjeiras, já na Zona Sul. Não é domicílio de bandidos. Como no resto de nosso país, há criminosos, mas a maioria dos moradores são trabalhadores e sofrem com a precariedade dos serviços de saneamento, habitação, renda e segurança pública. Inclusive, historicamente o São Carlos é celeiro de artistas como Gonzaguinha, Luiz Melodia e fundadores do samba, muito de nossa alma vem de lá. Mas a guerra explode em cima de todos nós. Uma mãe que ia para o trabalho na Rua Azevedo Nunes, no Rio Comprido, falece alvejada ao cobrir o filho de três anos com o próprio corpo dentro do carro na ida para o trabalho. Não posso esquecer da pergunta da minha própria filha quando voltávamos para a casa, em uma pequena trégua de rajadas, ao recomendar a ela e ao irmão que deitassem no banco traseiro caso fôssemos surpreendidos com tiroteio no caminho. – E, você, mãe? O Bope sobe e sufoca a guerra. Sim, um alívio, mas será que essa guerra sufocada é a única paz que conseguimos produzir como sociedade? E se as polícias fossem unificadas e trabalhassem para garantir a segurança pública de fato? E se votássemos em pessoas cujas próprias vidas comprovassem o que prometem? Precisamos achar caminhos.
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Cristina Vergnano comentou:
29/08/2020
Bessa, como sempre, bela crônica! Sensível, verdadeira. Que delícia transformar o mundo com uma canção e navegar nos rios das memórias e tradições! Parabéns e obrigada.
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Gaucho Guille comentou:
29/08/2020
Hermoso texto Mestre José Bessa
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Hebel Costa comentou:
29/08/2020
Bessa, da distante Alagoa Grande, da pequenina Paraíba dos anos 1940, guardo canções de roda, de guerra, de retirantes, de princesas e de mães que não dão as suas filhas "nem por ouro, nem por prata, nem por sangue de Aragão". Canções de cangaço, que rompendo com a causalidade história mostra Maria Bonita recebendo, por carta, conselhos de Virgulino Ferreira morto pela volante. O jogo da onça, onde 15 ferozes cães acuam uma sussarana
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Maria Do Carmo Almeida (via FB) comentou:
29/08/2020
Oi, Bessa! Estava lendo sua crônica, o Canto das crianças e dos velhos... e, agora na condição de velha, me lembrei de uma história que adoro, é né foi apresentada pelas minhas netas: Kiriku. Uma história não, há várias histórias do Kuriku e seu universo maravilhoso... Acredito que suas netas já o conheçam. Se não, assista e mostre pra elas. Acho que vão gostar. Bjs.
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Rejane Peres Costa comentou:
29/08/2020
Professor, que texto lindo! Que privilégio temos contigo!
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Felipe José Lindoso comentou:
29/08/2020
Bessa, bem legal, parabéns. A Versátil tem duas caixas (6 DVDs) com filmes do Miyazaki, restaurados e com versão em português. Mas não tem A Viagem de Chichiro.. Mas não sei se ainda está no catálogo deles...
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Celeste Correa comentou:
29/08/2020
Esse resgate do Taquiprati me transportou no tempo , me fez lembrar as brincadeiras de infância no Bairro de Aparecida, lembranças que se afloraram nesse período de pandemia, pois apesar de difícil e triste, esse isolamento forçado propiciou para alguns avós e netos uma bela  troca de saberes através de músicas e de brincadeiras. A música, intimamente ligada à emoção é muito usada nas oficinas de memória pois tem o poder de nos reportar no tempo, e essa troca com os netos tem cumprido esse papel. Ela historicamente foi e ainda é também instrumento de resistência, seja no "Cálice" de Chico Buarque, no "O Bêbado e a Equilibrista"de Elis Regina, ou mesmo na voz daquela  criança do morro de São Carlos . Cantando,  alheia ao tiroteio, ela também me tocou como  se, na sua inocência,ela já resistisse  à violência que grita continuamente na sua comunidade. Muito pequena, ela ainda não percebia os  homens armados de fuzis   mas a intuição infantil talvez já sinalizasse que é preciso cantar, é preciso brincar para resistir a esse mundinho tão complicado e desigual. Cantar e brincar fortalecem, revigoram, e essas brincadeiras infantis aqui lembradas  estão exercendo um papel importante,  pois elas representam um resgate não apenas na  nossa memória de avós, mas também trazem junto a leveza das crianças como um refrigério para esses tempos difíceis. Sim, aprendemos com elas que mesmo no meio de uma guerra epidemiológica e de uma enorme crise ético- política é preciso cantar e resistir.
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Eloina Prati comentou:
29/08/2020
Bravo! Bessa. Cantar nos salva! Adoro esses filmes japoneses da menina peixe. Obrigada por tantas memórias dolorosas revestidas de canto e cor. Abraço, Eloina
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edmundo pereira comentou:
29/08/2020
quilha de esperança num mundo turvo
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Maria Helena F. Souza comentou:
29/08/2020
Que crônica linda Babá. Voltei no tempo. Tome esse anelzinho não diga nada a ninguém, quer comprar fita, larga, estreita ou estreitinha? Onde mora a bela condessa, linda de França onde nasceu? Ensino tudo para as minhas netas. Quando eu me for ensinarão para suas netas as cantigas da vovó
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Angela Maria Dili comentou:
29/08/2020
Como essas músicas fizeram minha infância feliz
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Kamilla Broedel comentou:
29/08/2020
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Arlete Schubert (via FB) comentou:
29/08/2020
Que crônica genial e cheia de anima em meio ao caos???? Gratidão, Professor!
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Ligia Aquino (via FB) comentou:
29/08/2020
Eu cada vez te amo mais! Quanta doçura!
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