CRÔNICAS

A namoradinha do Bolsonaro: o adeus à atriz

Em: 10 de Maio de 2020 Visualizações: 3378
A namoradinha do Bolsonaro: o adeus à atriz

 “E no ABC do Santeiro, o que diz o A, o que diz o A?

O A diz adeus à matriz. O que diz o B, o que diz o B?

O B é a batalha da morte.  (Sá & Guarabyra. 1985)

A humanidade só surge no cenário histórico do planeta quando aquele animal, que hoje chamamos de ser humano, começa a criar arte – escreve o filósofo austríaco Ernst Fischer em “A necessidade da arte”. Essa parteira da humanidade aparece embutida em muitas palavras da nossa língua, está em toda parte, como mostrou o ator Lima Duarte ao chorar os artistas mortos. No entanto, a humanidade fenece, quando a arte não se reparte, quando fica sem um baluarte, aprisionada no quartel, para quem Regina, que por ironia é Duarte, bate continência ostensiva, ou quando os mártires são esquartejados pela tortura, que ela justifica. Foi o que aconteceu nesta semana.

Na última segunda-feira (4), este locutor que vos fala teve que ir cedinho ao Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Uerj, onde acabava de morrer o compositor e letrista Aldir Blanc. Havia um atmosfera de tristeza nos corredores. Paciente de alto risco, Aldir rejeitou outras clínicas, porque sabia – conforme declarou o diretor do HUPE, Ronaldo Damião - que ali teria tratamento comparável ao dos melhores hospitais do mundo, graças ao pessoal qualificado, aos médicos e enfermeiros, que dedicaram carinho ao paciente, conscientes da sua importância para a arte e a cultura nacional.

No mesmo dia, o ator Flávio Migliaccio se despediu da vida com uma carta de suicídio. O Brasil viu: está lá um corpo estendido no chão. A parte sadia do país chorou e se manifestou na mídia e nas redes sociais. Lima Duarte, 90 anos, divulgou imediatamente um vídeo, lembrando o amigo e o perrengue que passaram juntos na época da ditadura militar, as prisões, a censura ao Teatro de Arena, onde descobriram com Augusto Boal que “era preciso, era urgente que se pusesse o brasileiro em cena”.  

O brasileiro entrou em cena. Como no Baião de Lacan cantado por Aldir Blanc, “O Brasil batucou na ladeira: Bafo, Congo, Exu, Taieira”. No entanto – disse Lima Duarte - “agora, quando sentimos o hálito putrefato de 64, o bafio terrível de 68, agora, 56 anos depois, quando eles promovem a devastação dos velhos, não podemos mais. Eu não tive a coragem que você teve”.  Concluiu com a fala de um personagem da peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Bertold Brecht, por ele interpretado no Teatro de Arena sobre aqueles que se omitem (ouviram Toffoli, Maia, Alcolumbre?):

- Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue.

As mãos de Regina

Tô certo ou tô errado? – perguntaria o Sinhôzinho Malta ao prantear os nossos mortos, chacoalhando suas pulseiras.

Ele está certo. As mãos de Regina Duarte, secretária de cultura de Bolsonaro e não do Brasil, ficaram tingidas diante de tantas omissões. Ela se omitiu quando, a exemplo do seu chefe, permaneceu muda diante das mortes do escritor Rubem Fonseca, do cantor Moraes Moreira, do poeta Aldir Blanc, do ator Flávio Migliaccio e agora do teatrólogo Jesus Chediak – todos eles representantes de diferentes formas de expressão artística e cultural do melhor do Brasil. “Parece que eram pessoas conhecidas”, como disse o capitão quando da morte de João Gilberto.

Numa entrevista à TV CNN, cobrada pela jornalista Daniela Lima sobre o posicionamento da secretária de cultura diante do significado dessas perdas para o país, a namoradinha do Bolsonaro alegou que homenageou o empresário recém-falecido Ricardo Brennand, colecionador de arte brasileira, que era seu amigo e a recebia em sua casa em Recife, mas que nunca tivera um contato pessoal com Aldir Blanc.

À imagem e semelhança do seu chefe, ela não distingue o ego da pessoa física do lugar institucional que ocupa, ou pelo menos deve ocupar. Ninguém cobrou manifestação pessoal, mas o pronunciamento institucional da secretária sobre aqueles que viveram para a arte e a cultura. Não basta um assessor enviar por whatsApp, em seu nome, mensagem privada de condolências à família, mas se requer uma manifestação pública ao povo brasileiro da Secretaria de Cultura.

- “Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas, sou leve, estou viva, estamos vivos. Vamos ficar vivos. Por que olhar para trás? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões. A Covid-19 está trazendo uma morbidez insuportável” – declarou, vivíssima, quando questionada por fazer parte de um governo presidido por quem defende a tortura. Diante das críticas da atriz Maitê Proença, a ex-atriz Regina Duarte interrompeu de forma destemperada a entrevista: “Vocês estão desenterrando mortos”. A jornalista Daniela Lima respondeu: “Não estamos desenterrando, estamos enterrando mortos, dentre eles alguns de seus colegas”.

Enterrando os mortos

A incapacidade da secretária de Bolsonaro para definir as diretrizes que orientam a pasta, à maneira de outras pastas, a habilitam para o cargo, tornando evidente que serve a um governo preocupadíssimo com o capital, inclusive dos negócios dos milicianos, mas que não demonstra a mesma preocupação em relação à saúde, à educação e à cultura. Um governo genocida que marcha com empresários desavisados ao STF para exigir o fim do isolamento social, explicitando desprezo pela vida. Com linguajar confuso, difuso, non sense, weintraubiano, Regina Duarte está à deriva em relação ao patrimônio cultural e artístico do país.

O pior papel de canastrona da Regina Duarte foi representar o personagem Regina Duarte, que nos fez esquecer a suína viúva Porcina. A mimese, recriação da vida própria da arte de representar, ela transformou em caricatura do poder. Aquele riso que um dia encantou e enganou o Brasil hoje parece abjeto e repugnante, no contexto de mais de 10.000 mortos, excluindo as subnotificações. A ex-atriz e pecuarista gargalhou quando pediu “Gente, vamos pra frente” e cantou com fingida alegria a música da ditadura: “Prá frente Brasil”. Só faltou fazer um dueto com o major Curió, responsável pelo assassinato de 41 militantes no Araguaia, que foi recebido no Palácio do Planalto.

“Essa véia embonecada metida a inteliquituar” - como a definiu Olavo de Carvalho nas redes sociais - está sendo fritada pela “ala ideológica” do governo, por isso quis mostrar serviço com um discurso digno de Carlucho.  No entanto, a arte, que aparece no Duarte da Regina, se manifesta também em descarte, que é o destino de todo lambe-botas, quando deixa de ser útil ao poder. Taí o ex-ministro da Justiça que não me deixa mentir.

O que diz o A? O que diz o B?

O A diz Adeus à atriz,

o B é o Bozo da morte.

E o que diz o C, o que diz o C?

Coitado do povo infeliz.

P.S. 1 – A entrevista de Regina Duarte nos fez mudar o tema da coluna de hoje, que já tinha até um título: Da arte de fazer balbúrdia contra o Covid-19”.  Abordaríamos a Marcha Virtual organizada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no 07 de maio e, dentro dela, reunião com orientandos de doutorado e mestrado do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da UNIRIO para mostrar a importância da pesquisa que realizam. Entre eles, um pesquisador do Benin, outra do Chile, dois do Pará, uma de Minas e duas do RJ: Magé e Campos. “Balbúrdia” como essa é que fez do HUPE da Uerj um hospital de referência, com recursos conquistados à base de sua competência científica.

PS. 2 – Quanto à divulgação dos testes de Bolsonaro para o coronavirus, processo em andamento no Poder Judiciário, o Brasil espera a confirmação do tão citado João (8:32): “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

 

 

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39 Comentário(s)

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Rodrigo Martins comentou:
18/05/2020
Nossa professor, essa entrevista da Regina Du (sem arte mesmo, ela não merece) foi a coisa mais surreal que eu vi nos últimos tempos, retrato fiel desse triste governo. Nutria até respeito por essa atriz por seus inúmeros trabalhos que foram notáveis em muitas telenovelas, mas depois dessa entrevista, vi que ela era uma atriz da vida real e seu personagem foi desmascarado em rede nacional. Como diria o poeta e ex-atleta Romário, quem é ruim, se destrói sozinho e foi o que vimos com ela. E aproveito para mandar um abraço para as minhas amigas e amigos do mestrado e doutorado e agora vendo essa imagem com mais atenção, posso afirmar com convicção: o querido professor Bessa possui o cenário para lives (com muitos livros e muito bem organizados) mais bonito do Brasil, coloca o Ariel Palacios no bolso (ele e com todo o respeito qualquer jornalista do Grupo Globo, digo sem qualquer dúvida, pois assisto do bom dia Brasil ao Jornal da Globo e não vi cenário parecido). Um abraço querido professor! PS: Por falar em cultura, me recordei da página Festival Varilux que permite assistir filmes franceses gratuitos até o filme 27 de Agosto, Vale a pena nesse período de quarentena. Link: http://festivalvariluxemcasa.com.br/
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Aparecida Nogueira comentou:
15/05/2020
Amei sua crônica, gosto de todas, mais essa falou sobre algo que eu estava engasgada, essa idiota que era endeusada pela Globo tá achando que esse é mais um papel em que ela é a mocinha, o que vimos foi uma personagem burra, cruel, sem caráter, sem noção, no entanto não posso dizer que ela ñ entenda de arte pois como marionete ela está perfeita...decorou o texto direitinho que o diretor da cena, o Bozo rabiscou pra ela.
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Isabella Thiago de Mello comentou:
14/05/2020
Nossa, Bessa! Jesus Chediak, autor de “O Poder dos Inocentes,” monumento de homem! Vai fazer muita falta nesses dias de hoje! É dele o texto de abertura do nosso “Dossiê Thiago de Mello.” Torço - Jesus também era teólogo - para que Maomé esteja certo e que assim, Chediak que tem ascendência árabe, seja recebido no Paraíso descrito no Alcorão: um harém com 70 virgens rodeadas de anjos, arcanjos e querubins – o seu legado fica. Falando em Homem de Teatro, sim, Lima Duarte está inconformado do fascismo estar mostrando a sua cara outra vez. O depoimento do ator citando “Os Fuzis da Senhora Carrar” de Bertold Brech: -“ Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue”... se despedindo do amigo Flavio Migliaccio, seu companheiro do Teatro de Arena, junto com Augusto Boal, Oduvaldo Vianna Filho, Luis Carlos Maciel, Chediak, Fernando Bicudo, Camila Amado, e aí vamos lembrar de Mario & Oswald de Andrade, do TBC, Fernanda Montenegro, Italo Rossi, Sergio Cardoso, Henrique Pongetti, Pedro Bloch, Paschoal Carlos Magno, Nelson Rodrigues, Suassuna, do Teatro Oficina, Zé Celso, Zé Dias, Ítala Nandi, Fernando Peixoto, Othon Bastos, Antunes Filho, Armando Bogus, Juca de Oliveira, Osmar Prado, Marieta Severo, Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Luiz Carlos Barreto, Tetê Moraes, o CPC, o Teatro Universitario, a UNE, o TEN- Teatro Experimental do Negro, Abdias do Nascimento, Ruth Escobar, Haroldo Costa, o Grupo Hombu, o Cinema Novo, Pitanga ... muita gente boa ... Ao homenagear Migliaccio, Lima Duarte laureou todas as geração de intelectuais e políticos que fizeram do seu trabalho uma ação de resistência ‘a ditadura, e por isso foram perseguidos, presos, torturados, exilados, tiveram pais, filhos e amigos mortos pelo governo militar. E mesmo assim, continuaram a ensaiar espetáculos, dar aulas, escrever artigos, livros e peças, editar jornais, filmes e discos, fazer projetos de leis e criar mecanismos para a liberdade de expressão, liberdade de imprensa e proteção aos Direitos Humanos. Já a entrevista na CNN da ex atriz Regina Duarte causou asco. Uma coisa é ela ser de direita, ter medo de reforma agrária, fazer campanha pro Collor, ser namoradinha do Bolsonaro e a favor da reforma da previdência que está tirando direitos trabalhistas. Até aí faz parte da jovem democracia brasileira, herdeira de uma sociedade escravocrata de “Casa Grande & Senzala” (Gilberto Freire). Mas o que vimos na CNN foi outra coisa. O que vimos ali foi uma cena de terror: a rainha da sucata afirmou que sabia que seus colegas de classe artística durante o período da ditadura militar, estavam sendo perseguidos e mortos (como afirmou o repórter) e a fascista respondeu na lata: - “Morreram, sim. E daí??? – Ela virou um monstro. Deus que me perdoe, mas uma pessoa cruel que é a favor da volta da ditadura que mata artistas, religiosos e cientistas, não merecia ter contracenado com Lima Duarte, não. Só de imaginar que a bruxa passou no teste de elenco (concorreu com Betty Faria) para fazer o papel da “Viúva Porcina” de “Roque Santeiro,” obra de Dias Gomes, autor de “Amor em Campo Minado,” “Saramandaia,” “Sinal de Alerta,” “A Invasão,” “O Túnel,” “Campeões do Mundo,” “A Revolução dos Beatos,” “Bandeira 2,” todos textos de cunho humanitário e socialista. Esta novela, inclusive, tinha sido proibida pelos militares na década de 70 e em 1985, no inicio da reabertura política, consegue ir ao ar (ainda sob o crivo da censura), adaptada pelo próprio Dias Gomes e Agnaldo Silva. “Roque Santeiro” faz história na teledramaturgia, traz a tona o Brasil dos coronéis que mandam matar. A trama tem a receita perfeita da comédia, do drama, do erótico e do mistério. Coloca na mesa temas polêmicos como o adultério, homossexualismo, prostituição, e celibato. Se vocês me pedirem para escolher uma cena só... vou ter que lhes dizer, sem pestanejar, a cena do lobisomem namorando a dançarina da boate, em noite de lua cheia, no cemitério atrás da Igreja com a trilha sonora de Zé Ramalho...“Mistérios da meia noite que voam longe, / que você nunca, não sabe nunca,/ se vão, se ficam? Quem vai? Quem foi?/ Impérios de um lobisomem,/ que fosse um homem, de uma menina,/ tão desgarrada, desamparada, se apaixonou" ...) O contexto político por detrás das câmeras de “Roque Santeiro” também entra para a História porque boa parte do elenco estava participando da campanha das “Diretas Já”, de comícios, reuniões no Teatro Casa Grande, dando entrevistas a favor da volta da democracia, e da necessidade de por um fim aos Anos de Chumbo. Estamos falando dos atores Lima Duarte, Paulo Gracindo, José Wilker, Othon Bastos, Ary Fontoura, Heloisa Mafalda, Armando Bogus, Mauricio do Valle, Oswaldo Loureiro, Milton Gonçalves, João Carlos Barroso, Lucinha Lins, Cássia Kiss, Fabio Júnior, Paulo Cesar Pereio, Nelson Dantas, Patrícia Pillar, Tony Tornado, Rui Resende (que faz o professor culto, de vocabulário rebuscado, meio esquisitão, apaixonado pela Mocinha e que na madrugada enluarada de quinta-feira, se transforma em lobisomem). Permitam-me relembrar também a cena em que Sinhozinho Malta (Lima Duarte) declara, pela primeira vez, ‘a viúva Porcina que ele quer dar cabo de Roque (Jose Wilker). Realmente o coronel estava com um problema inimaginável. De uma hora para outra, eis que chega na pacata cidade de Asa Branca, depois de 17 anos, Roque, o marido falecido, (que nunca foi marido, e muito menos falecido) da sua noiva Porcina. Para piorar só mais um pouquinho, por questões de segurança - Roque não podia ser descoberto - e o lugar mais seguro para ele ficar escondido (por enquanto), seria na casa de Porcina. Sinhozinho estava de-ses-pe-ra-do, coçando a testa, com o risco iminente de ser traído, e de fato o marido ressuscitado de sua noiva era muito sedutor, simpático, cheio de gracinhas, para não dizer irônico com aquela situação prestes a se tornar uma tragédia. Roque, por sua vez, fica sabendo que toda Asa Branca acredita que ele morreu e virou santo, e que antes de morrer se casou com uma jovem vendedora de loja de tecido: Porcina; e que essa idéia de fazer Porcina a viúva de Roque, foi do proprio Sinhozinho. Vejam o plano: o coronel era casado, e para manter a sua amante como uma senhora respeitável, ele inventou a viuvez, e conseguiu registrar a união em cartório com papel passado e tudo. Desse jeito, o Sinhozinho Malta passou a ser o bom feitor, protetor da viúva do mártir. Imaginem o vexame que Sinhozinho e a falsa viúva iam passar se o segredo fosse revelado? Completando o dramalhão, havia a questão econômica da cidade que prosperou com o turismo religioso. Milhares de fiéis chegavam em romarias para conhecer a vida do santo. Ou seja, a verdade não ia trazer nenhum bem para Asa Branca. A única coisa que não era mentira neste conto, era que toda Asa Branca tinha certeza de que Roque era um herói que salvou o padre e morreu defendendo o ostensório de ouro da Igreja, do assalto do bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro). Depois de morto, subiu aos céus e se tornou santo. (Trilha sonora de Sá e Guarabira: “Dizem que Roque Santeiro, um homem debaixo de um santo, ficou defendendo o seu canto e morreu. Mas sei que ele ainda é vivente, na lama do rio corrente, na terra onde ele nasceu... E no ABC do Santeiro? (...) O D diz que Roque Santeiro não pode ver seu povo em pranto/ com a vida defendeu seu canto e morreu. Mas sei que ele ainda é vivente,/ abençoa o povo crente,/ até quem não lhe socorreu.” A primeira solução – quase óbvia – apresentada por Sinhozinho Malta (Lima Duarte), o prefeito (Ary Fontoura), a viúva que nunca foi viúva, e o padre Hipólito (Gracindo Junior, que não quis participar de nenhum tipo da negociação, mas, pressionado, prometeu sigilo), foi oferecer uma fortuna em dinheiro para Roque se escafeder, sumir de uma vez por todas da cidade e nunca mais voltar. O herói não aceitou o acordo de jeito nenhum. Primeiro porque ele ficou rico na Europa (não precisava da grana do Coronel para nada), e segundo, porque Roque queria viver em Asa Branca, ele retornou com saudade da terra, para ficar com seu pai...( Trilha sonora na voz de Elba Ramalho, a canção de Dominguinhos: “Estou de volta pro meu aconchego, trazendo na mala bastante saudade. / Querendo um sorriso sincero, um abraço,/ para aliviar meu cansaço e toda essa minha vontade (...)/ É duro ficar sem você, vez em quando./ parece que falta um pedaço de mim!/ Me alegra na hora de regressar, / parece que vou mergulhar,/ na felicidade sem fim.”) Capítulo 17. Cena 1. Dia. Interior. Sala da casa da viúva Porcina. Sinhozinho Malta (nervosíssimo): – “Porcina, eu não consegui dormir esta noite...eu matutei, matutei, matutei... e só encontrei um jeito de solucionar essa questão! Porcina - E é? Me diga, que jeito é esse? Sinhozinho - Mandar matar! (Porcina com cara de espanto, abre a o boca e arregala os olhos...) Sinhozinho – Sim, mandar matar, sim!. Porque não? Um sujeitinho arrogante, que não vale nada, que não aceita meu dinheiro, ninguém nem nunca deu falta dele, e nem vai dar! Quem é que vai dar falta dele, hein?Ninguém! Ninguém! Todo mundo acha que ele morreu mesmo! .... (Porcina vai ficando com a cara cada vez mais assustada..) Sinhozinho (furioso igual uma metralhadora, dispara): -“Mandar matar, mandar matar, mandar matar, mandar matar, mandar matar, mandar matar, mandar matar, mandar matar... Porcina ( interrompe a metralhadora): - “Não, Sinhozinho ,não! Mandar matar, não! Qualquer coisa, menos mandar matar!” Sinhozinho – “Porque, não? Me diga? Porque que eu não posso mandar matar esse sujeito que chega dos quintos dos infernos para atazanar a vida da gente? Um sujeitinho que está ameaçando a nossa vida..., a nossa e de toda a cidade?. Porque, Porcina? Me diga?Porque? Porcina (se desmanchando): -“Porque eu não quero sujar as minhas mãos de sangue!” *** Pois esta monstra que deu entrevista na CNN está com as mão sujas de sangue. Ela sabe que seus colegas foram perseguidos, presos, torturados e mortos pela ditadura militar, e muito naturalmente, responde: -“Morreram, sim. E daí??
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Rodrigo Wallace comentou:
12/05/2020
Regina agora é a namoradinha do fascismo.
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MARIA AMELIA DE SOUZA REIS comentou:
12/05/2020
Oi, BESSA ... GOSTO IMENSO DE SEU BLOG. SOU SUA COLEGA DA PÓS-GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA E PATRIMONIO DA UNIRIO. SOU APOSENTADA MAS TRABALHO COM EDUCAÇÃO E INTERCULTURALIDADE NO PROGRAMA. SOU SUA FÃ. ASSINO EMBAIXO DE TUDO QUE ACONTECEU DE TERRÍVEL NA CNN. A PANDEMIA ESTA DESNUDANDO MUITAS VERDADES ... NÃO ACREDITO EM MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS, MAS...A MORTE CHEGA CADA VEZ MAIS DOS MILITANTES DO HORROR FAÇO MINHA PARTE - CONTINUO TRABALHANDO LEVANDO OS PRESSUPOSTOS DE UMA EDUCAÇÃO LIBERTADORA ÀQUELES TANTOS AOS QUAIS CHEGO - E MILITO A TRÊS DÉCADAS NO PDT - PARTIDO DE DARCY RIBEIRO
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Maria Leonia Resende comentou:
11/05/2020
Essa figura é patética, uma aberração humana. Combina com o chefe!
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Maristela comentou:
10/05/2020
Parabéns por expressar tão bem nossa repugnância aos q estão no poder e não trabalham pelo bem comum da humanidade. Falta coração, falta amor!
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Gilmar Ribeiro comentou:
10/05/2020
O que a palavra arte está fazendo no sobrenome dessa estúpida? De agora pra frente ela tem se chamar Regina Docárcere!
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Selma Kupski comentou:
10/05/2020
Parabéns professor! Esse governo está destruindo tudo, é um demolidor. Até qdo vamos aguentar?
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Jorge Novoa comentou:
10/05/2020
Bessa, Boa tarde. Seu texto é muito bem escrito e simplesmente, DEMOLIDOR. Lavou todas as almas indignadas neste país, mesmo as daquelas pessoas que não leram. Sua verve deixa a alma lavada de nossos índios de toda a América nossa. Grande abraço, Jorge Nóvoa
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Vera Braga comentou:
10/05/2020
“Pateticamente”, ridícula
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Val Lourenço comentou:
10/05/2020
Gosto muito do Fischer e muito do professor Bessa. Texto necessário.
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José A. Messias comentou:
10/05/2020
Bessa, como sempre, preciso e direto! Um baluARTE da racionalidade com emoção! Forte abraço, destARTE virtual.
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Daniel Munduruku comentou:
10/05/2020
Maravilhoso, professor. Sempre colocando o dedo na ferida. Vamos em frente. Abraço
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Francisco comentou:
10/05/2020
Por que esconder a verdade? Um simples exame e o cara não mostra.
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Alexandre Bastos comentou:
10/05/2020
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Marta Uzêda comentou:
10/05/2020
NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO NOJO
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Maura Teresa Oliveira Souza comentou:
10/05/2020
Triste esse retrocesso Vendida. Comprada
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Carlos Wilson Pedreira comentou:
10/05/2020
Mais uma Maluca no Pedaço. Esse país vai virar um hospício. Jesus Maria José.
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Diana Sá Peixoto Pinheiro (via FB) comentou:
10/05/2020
Essa pandemia é reveladora! Por pares e iguais....
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Sandra Lima (via FB) comentou:
10/05/2020
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Jô Farias comentou:
10/05/2020
Da minha parte perdi a admiração que tinha por ela. Lástimavel comportamento...
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Celeste Correa comentou:
10/05/2020
"Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas, sou leve, estou viva...". "Leve", "viva"? É, Zé Bessa, a morbidez insuportável da perversidade e da indiferença demostrada pela Secretária de Cultura, Regina Duarte, nessa semana evidenciou um grau de frieza e crueldade sem tamanho, mostrando que ela não entende apenas de cultura, não entende principalmente de vida. Uma pessoa que naturaliza a tortura e banaliza o sofrimento alheio já está morta, porque estar viva não significa apenas respirar e existir, estar viva é educar-se para o amor, é ter empatia, é conhecer a compaixão, sentimentos que ela não consegue nutrir. Na verdade, eu creio que depois dessa terrível entrevista não morreu apenas a atriz, a namoradinha do Brasil, mas também a Regina sem arte, que agora apenas existe..
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Maria Da Conceição Machado (via FB) comentou:
10/05/2020
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Edson Kayapó comentou:
10/05/2020
Teve música de saudosismo da tortura, desrespeito com a equipe da CNN Brasil e com os brasileiros.
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Marcia Paraquett comentou:
09/05/2020
Pra completar a importante denúncia que nos traz Bessa, sugiro que vejam e escutem a mensagem de Ernesto Carvalho no seguinte link https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=3109804242397764&id=100001046558546?sfnsn=wiwspwa&extid=v6HX9wYppQ1dDhqT&d=w&vh=i
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Susana Grillo comentou:
09/05/2020
Bessa, que bom que contamos com voce para analisar com ARTE esses fatos escabrosos. em dias de tanta dor. Abraços
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Rodrigo De Villa comentou:
09/05/2020
Belo texto, que a chama da arte humana resista a esses golpes da ignorância
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Tadeu Veiga (via FB) comentou:
09/05/2020
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Luciana Lais Silva Melo comentou:
09/05/2020
Acho que ela nunca soube o que é arte de verdade.
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Juarez Silva Jr. comentou:
09/05/2020
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Renata Corrêa M G comentou:
09/05/2020
Ótimo texto sobre um momento terrível! Todo dia eu penso que chegamos ao pior ponto e, no dia seguinte, vem mais uma história de ódio e ignorância.
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Débora Reina (via FB) comentou:
09/05/2020
Que tristeza ver a obra do Rubem Valentim servir de cenário para essa bizarrice...
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Mauricio Negro (via FB) comentou:
09/05/2020
É isso, José Bessa. Nesse caso, a Arte não dá a volta Porcina.
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Conceição Campos comentou:
09/05/2020
Perversidade e indiferença movem essa pessoa. Arte é outro papo, né? (Saudade de você, professor)
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Ana Paula Duque comentou:
09/05/2020
A namoradinha do Brasil se transformou em uma megera.
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Marly Mina comentou:
09/05/2020
É horrível ver o que esta grande atriz, que foi, se sujeita para estar no poder. Nojo!
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Ana Silva comentou:
09/05/2020
Sem palavras, horror, horror, horror. Obrigada, Bessa, como sempre cirúrgico, crítico, único.
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Rubens Aguiar Padial comentou:
09/05/2020
Bertolt Brecht já dizia: "A cadela que pariu a besta continua prenha"
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