CRÔNICAS

Em defesa dos vândalos no Brasil

Em: 30 de Junho de 2013 Visualizações: 60975
Em defesa dos vândalos no Brasil

 

É. É isso mesmo que você leu! Cada um defende sua tribo. Esse locutor que vos fala já foi chamado de vândalo, sofreu prisão e respondeu processo por danos ao patrimônio público, numa passeata na Rua Uruguaiana, no Rio. Mas isso foi no século passado, em 1968. Acontece que agora muitos manifestantes, que podiam ser meus netos, são presos sob a mesma acusação com ou sem culpa no cartório. Do Oiapoque ao Chuí, a mídia jura que os vândalos tomam contam do país.

"VÂNDALOS PROVOCAM DESTRUIÇÃO EM MINAS" berra O Globo (27/6) em manchete de oito colunas. "MORADORES IMPROVISAM 'MILÍCIA' CONTRA VÂNDALOS NO RS" - grita a Folha de SP (29/6), informando em outro título: "NO RIO, 'PITBOYS' SÃO SUSPEITOS DE ATAQUES A CONCESSIONÁRIAS". Alguns apresentadores de telejornais chegam a encher a boca, saboreando cada letra da palavra.
Afinal, quem são os vândalos? Depende do momento, do lugar e de quem nomeia. Originalmente era uma tribo que falava vândalo, uma língua germânica, e que num conflito armado com o Império Romano saqueou Roma, destruindo muitas obras de arte. Por extensão, no séc. XVIII, na França, foram assim chamados os revolucionários que na luta contra o feudalismo e a monarquia arrasaram monumentos e prédios públicos, entre eles a Bastilha, prisão que abrigava os vândalos da época. Na Avenida Paulista, há quinze dias, vândalo era todo e qualquer manifestante que protestava pacificamente. Hoje, nas capitais brasileiras, são grupos considerados pela polícia como baderneiros.  
Muito antes disso, Roma havia sido incendiada, mas não pelos vândalos. Durante dias o fogo consumiu a cidade, transformando o Templo de Júpiter num monte de cinzas. Até mesmo os que suspeitavam que o incendiário era o imperador Nero jamais usaram a palavra vândalo para designá-lo.
De Nero aos dias de hoje, ninguém que vandalizou em nome do Estado foi estigmatizado. O presidente George Bush também nunca foi chamado de vândalo, apesar de ter indignado a comunidade internacional quando comandou o saqueio no Iraque e destruiu, entre outros, o Museu de Arqueologia de Bagdá, sacrificando milhares de vidas humanas, inclusive de civis.
Wandali conquisiti
Ou seja, parece que bárbaros - como queria Montaigne - são sempre os outros, os derrotados, porque quem ganha tem o poder de nomear, de batizar, de dar nome aos bois, de classificar e de dizer quem é e quem não é vândalo. E no séc. VIII, os vândalos foram definitivamente derrotados: Wandali conquisiti sunt. Não sobrou nenhum para contar a história. Diz um provérbio da Nigéria: "enquanto os leões não tiverem seus próprios historiadores, as histórias de caça sempre glorificarão o caçador".
Um caçador de São Paulo, governador Geraldo Alckmin, com aquela cara de babaca - desculpem baixar o nível, mas que ele tem cara de babaca tem - e o prefeito da capital, Fernando Haddad - que não tinha, mas está se esforçando pra ter -  justificaram inicialmente a repressão policial. Naquele momento, para eles, quem protestava contra o aumento do preço da passagem de ônibus era vândalo. As manifestações cresceram, o governo recuou e finalmente reconheceu que nem todo manifestante era vândalo.
No Rio de Janeiro, o governador Cabral, com cara de Alckmin, declarou que a Polícia Civil havia identificado pelo menos cinco grupos que "vem cometendo atos de vandalismo, lesões corporais e furtos". Na lista, estão "os anarcopunks, os militantes de partidos políticos mais radicais (não mencionou quais), os brigões oriundos de torcidas de futebol, os neonazistas e os bandidos de facções criminosas". Faltou nomear mais dois grupos: a própria polícia que promoveu quebra-quebra e os revoltados, que estão putos da vida.
É o que os franceses chamam de ras-le-bol, ou seja, estar de saco cheio. As pessoas não aguentam mais engarrafamentos infernais, transporte coletivo precário, violência policial, insegurança, hospitais recém-inaugurados que não funcionam ou que desabam como no Ceará, estádios caindo como o Engenhão, obras superfaturadas, serviços de saúde e educação que atentam contra a dignidade humana, justiça lenta, enfim a impunidade dos vândalos de colarinho branco. Desconfiam do governo, do judiciário, do congresso, dos partidos políticos e não consideram as oposições alternativa de poder.
Alguns colunistas, assustados, de um lado com a rejeição aos partidos políticos e de outro com o quebra-quebra, tacharam esses manifestantes de vândalos, neonazistas, radicalóides sociopatas, pitboys de passeata ou, como quer Arnaldo Jabor, "vagabundos, punks e marginais que se aproveitam sabendo que a polícia não pode matar". Não querem entender que as manifestações são sintomas da crise de representatividade na qual está mergulhado o país.
As evidências apontam muita gente boa entre os que inicialmente promoveram o quebra-quebra e que simplesmente estavam emputecidos. Usaram o modelo de linguagem da própria polícia que espalha terror e medo em comunidades carentes, como vem fazendo, no Rio, o Batalhão de Operações Especiais, que quebra, mata, esfola e saqueia.
Fioforum infra
Tem forte carga simbólica o fato de que a violência tenha atingido ônibus, pontos de ônibus, relógios públicos, radares, semáforos e equipamentos de apoio ao tráfego que foram destruídos, assim como alguns monumentos e prédios públicos pichados e depredados. Não se trata de defender o vandalismo, porque quem vai pagar a conta somos todos nós, mas de buscar as razões que levam pessoas a manifestarem assim sua indignação.
No século XIX, condições subumanas de trabalho, jornadas prolongadas, salários miseráveis, levaram trabalhadores ingleses da indústria nascente, entre eles mulheres e crianças, a destruírem máquinas e equipamentos industriais, num movimento que ficou conhecido como ludismo em referência a Ned Ludlam, líder do movimento. Karl Marx, que criticou o quebra-quebra, buscou ver a semente revolucionária que ele continha e que foi canalizado para a reivindicação de reformas sociais e políticas e acabou originando novos métodos de luta, com o fortalecimento dos sindicatos.
Esses movimentos sempre trazem mudanças. As cinco pessoas assassinadas no Morro do Borel é que deram origem, em 2004, à Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, que está convocando agora uma manifestação pacífica neste domingo, durante a final da Copa das Confederações.
- "É muito difícil organizar uma manifestação pacífica na rua, no Brasil, porque o Estado é violento" disse a Folha de São Paulo Caio Martins, 19 anos, estudante de Historia da USP, que milita no Movimento Passe Livre (MPL) desde 2011. Ele condenou a polícia que na primeira passeata pacífica lançou uma bomba de efeito moral decepando um dos dedos de uma manifestante.
 É evidente que ninguém pode aceitar a destruição do patrimônio ou a agressão às pessoas, sejam elas promovidas pela polícia ou por manifestantes. No entanto, muitas vezes, o aparelho policial busca bode expiatório. Em 1968, num primeiro momento, fui acusado de ter incendiado uma viatura na Rua Uruguaiana. No final, acabaram me processando por haver rasgado a farda de um policial. Nenhuma das acusações era verdadeira.
Quando a Polícia pediu ajuda ao MPL para identificar os vândalos, seus integrantes se recusaram. Poderiam muito bem, reconhecendo que Wandali conquisiti sunt, citar um dos reis vândalos, não sei se Hilderico ou Gunderico: "Fioforum plus infra est" , ou como diria Cícero no senado romano: O buraco é mais embaixo.
Abaixo o vandalismo! Vivam os vândalos!

 P.S. - Ilustração do meu parceirinho Fernando Assaz Atroz. Foto do Correio da Manhã cedida a O PAIZ (Recorte de jornal).  

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63 Comentário(s)

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Cris Amaral comentou:
14/07/2013
Bem que desconfiava que havia algo de vândalo em meu querido professor Bessa! O meu carinho e respeito sempre mestre...!
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Rildo Marques comentou:
04/07/2013
como sempre necessária as suas crônicas. viva aos vândalos, os das ruas.....
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Jorge Luiz de Souza comentou:
04/07/2013
A UERJ precisava de, pelo menos, mais meia dúzia de professores iguais a você Professor Bessa!!! Aliás gostaria que o pessoal do DCE tomasse a iniciativa de 'pegar' uma luminária daquela do 'novo' Maracanã pra iluminar parte da nossa Universidade!!! Vandalismo é pagar um bilhão pro empreiteiro 'reformar' um estádio e depois entregar nas mãos do próprio empreiteiro uma obra paga com o dinheiro público! Vandalismo é enfiar um monte de policiais nas comunidades para conter os moradores como fizeram em 2007 nos Jogos Pan Americanos! Vandalismo é entrar na Maré - como vc bem lembrou do Borel - e matar inocentes, ou quem quer que seja, se não existe pena de morte no Brasil! Vandalismo é um Congresso Nacional corrupto, inoperante, hipócrita e chantagista que coloca o tempo todo a 'faca no pescoço' da presidente da República em troca de benesses e cargos públicos! Enfim Vandalismo é querer empurrar um 'pezão' goela abaixo do povo fluminense e carioca! "Dizem violentas as águas de um Rio que tudo arrastam, mas não dizem violentas as margens que as oprimem!" Parabéns por tão sábias palavras!!!
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03/07/2013
Saudações a quem tem coragem!O seu artigo nos reconduz exatamente ao que somos quem somos,e principalmente que lado da historia é a nossa historia,esclarece a real situação do cotidiano que fomenta a baixa qualidade de vida do povo Brasileiro,explodindo na revolta da mobilidade urbana,na versão do leão, jamais seremos os mesmo! Contato de marieny matos nascimento
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Yolanda Freyre comentou:
02/07/2013
meu caro Mestre, Obrigada! As tuas palavras me emocionam e me fazem acreditar que teremos um amanhã melhor, Yolanda Contato de Yolanda Freyre
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dori carvalho comentou:
02/07/2013
seus escritos são sempre sândalos pra alma.
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Patricia comentou:
02/07/2013
Que satisfação ter sido sua aluna. Mostro suas crônicas para os conhecidos, os amigos, os chegados..... não me canso! Indico a leitura.Sucesso absoluto! Início de novos debates e embates...
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fernanda felix comentou:
02/07/2013
Incrível professor!!! Adorei o óculos!!
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fernanda felix comentou:
02/07/2013
Incrível professor!!! Adorei o óculos!!
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gerusa pontes de moura comentou:
01/07/2013
Nossa é um orgulho ter o SR. como um mestre a nos guiar e ensinar com seus exemplos e histórias o que é ser um cidadão de verdade.
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Daniele Lopes comentou:
01/07/2013
Afinal de contas, já estava na hora do povo reivindicar os seus direitos.
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luana comentou:
01/07/2013
Perfeito. Foi um prazer ter lido sua crônica
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Tarcisio Lage comentou:
01/07/2013
Parabéns, Bessa! Falta um tiquinho para você ser anarquista. É só você abandonar de vez o rançozinho cristão em sua caçola. Faça como eu, que sou anarquista e atéu;
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Ribamar Bessa comentou:
01/07/2013
Don Tarcisio, um dia eu chego lá, um dia eu chego lá, é que tenho medo de morrer e ir pro inferno. Se não tivesse inferno, deixava agorinha de acreditar em Deus. Acredito nos ensinamentos da dona Elisa e tenho certeza que lá do céu dona Feliciana está rezando por ti, um dia te converterás, ateu ímpio e infiel. Como tua presença no Rio de Janeiro vai coincidir com a do Papa, tenho certeza que basta olhar para Sua Santidade argentina que te converterás.
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Henrique Pereiram(Blog da amazonia) comentou:
01/07/2013
Muito bom o texto... fiquei positivamente surpreso.
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Ana Maria (Blog da Amazonia) comentou:
01/07/2013
Protestar por mudanças num país apático não tem nada de vandalismo. Vandalismo tem na atitude de alguns infiltrados que promoveram saques, furtos e depredação de patrimônio particular e furto.São pessoas que não respeitam a máxima ' a liberdade de um começa quando termina a do outro'. Seres rancorosos e invejosos, que se sentiram poderosos ao destruir empresas que vendiam carros de luxo. Quer ter um, vá estudar e trabalhar.
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Artur Anselmo Massular (Blog Amazonia - Terra) comentou:
01/07/2013
Parabéns Bob Fernandes!É de trabalhos como este que o Brasil precisa. Você agora subiu no meu conceito ao apresentar o José Ribamar.Um abraço deste vândalo que te aprecia Anselmo.
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Adriana Athayde (via FB) comentou:
01/07/2013
“Fioforum plus infra est” ! Óóóótimo
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Adriana Athayde comentou:
01/07/2013
"Fioforum plus infra est" : óóóóóóóótimo!!! :) Contato de Adriana Athayde
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01/07/2013
Ótima fotos, muito bom mesmo. Precisamos rever quem é vândalo? Abraços prof Ribamar. Contato de Sonia Augusta de Moraes
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luiz henrique pellon comentou:
01/07/2013
Bessa sempre trazendo explicações e relações muito esclarecedoras entre os fatos. Penso nos tantos milhões que são roubados por políticos inescrupulosos e que poderiam ajudar a prevenir que o patrimônio publico não fosse depredado pela ação do tempo e da falta de investimentos, tais como: rodovias, hospitais, escolas,etc. A mídia criou uma "representação" da realidade muito conveniente para uma polícia despreparada para contornar as situações de violência preventivamente e para políticos desejosos de manter o domínio sobre o "direito" de "vandalizar" o patrimônio publico sem serem culpabilizados.
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Marlene Ribeiro comentou:
01/07/2013
Ah! Ribamar, o Brasil precisa de mais jornalistas como tu. Sinto-me orgulhosa de estar incluída na rede de pessoas para as quais envias tuas crônicas. Vou repassá-las aos meus filhos, ao meu neto que também está participando das manifestações e aos meus alunos. Um abraço. Marlene (ex Pardo) Contato de Marlene Ribeiro
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gina couto comentou:
01/07/2013
Me vi reflejada en tu artículo, los vándalos somos internacioneales y a tempore,. Que bueno saber que la vida pasa, pero los brios de la clase trabajadora permanecen de generación en generación , podemos envejecer tranquilios y también morir, otros vendrán que buenos nos harán. Abrazos.
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célia musilli comentou:
01/07/2013
Gostei da análise esclarecedora sobre expressões usadas pela mídia e que estão na boca de todos como "vândalos." É sempre bom comparar a linguagem aos fatos para se fazer a reflexão justa. Publiquei seu artigo como comentário num dos meus posts no Facebook sobre esta crise política. Muitos se recusam a enxergar que "o buraco é mais embaixo" e a reflexão, como vc fez, deve ser "mais acima." Um abço
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Graça gGauna comentou:
01/07/2013
É isso mesmo, Bessa! Hoje, também vejo meus netos em meio as passeatas, lutando como nós lutamos por um país melhor.
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Paulo Bezerra comentou:
01/07/2013
Recentemente, foi noticiado que o vice-prefeito de Manaus mandou “depredar” o seu gabinete e mandou reformar ou construir outro com o dinheiro público. Gastou rios de dinheiro e aproveitando o "quebra-quebra" mandou trocar também os móveis. Aliás, como fazem quase todos que assumem qualquer função pública. Sendo assim, quem é o pior vândalo? Aquele que quebra uma vidraça de um prédio público enfrentando policiais que utilizam balas de borracha e spray de pimenta? Ou aquele que depreda o bem público desviando verbas, fazendo obras superfaturadas ou desnecessárias, sonegando impostos sob a luz da impunidade e da cumplicidade dos parlamentares, com a conivência dos tribunais de contas e do ministério público? A exemplo de Demóstenes Torres, Carlos Cachoeira, Daniel Dantas e outros ?.
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Alê Marques comentou:
01/07/2013
Texto bem escrito e leitura agradável já são marcas sua. Embora tenha gostado, confesso que já estou um pouco enfastiada dessa história de vândalos e adjetivos afins. Sempre que há qq movimento contra o poder vigente, lá vem as autoridades repetir essa palavra. Agora os manifestantes não se cansam de mostrar que vandalismo são os mandos e desmandos dos poderosos (em postagens nas redes sociais e textos). Reconheço a razão, é justa, mas está repetitivo. Vai ver é pura ranzinzice minha, sou implicante assumida, porém gostaria que fôssemos mais criativos que as autoridades. Irreverência faz falta.
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José Seráfico comentou:
01/07/2013
Meu caro Babá, mais uma vez, a assim chamada "grande imprensa"(talvez porque imprense os de quem ela não gosta) esconde o vandalismo da Polícia, com bombas e outras armas, e sobretudo aquele que se manifesta com canetas de efeito letal ainda mais grave que o das armas. É o caso da destruição de estádios, para construir outros, a altíssimo custo para o contribuinte. Quê dizer do vandalismo contra hospitais e escolas, mantidos em ruína para contemplar as empreiteiras? Numa gincana de vandalismo, os políticos e governantes brasileiros dão de goleada.
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Raquel da Camara comentou:
30/06/2013
io: Faz tempo que me incomodo com as retaliações e marginalização de quem esta nas ruas lutando por mudanças... Se grupos "vandalizam" existem motivos mais profundos, mesmo que inconscientes. Muito feliz em saber mais da sua luta Bessa! bjs, Raquel
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Remier comentou:
30/06/2013
muito bom, bessa. quem, por exemplo, admira a pixação como uma forma legítima de expressão criativa e revolta sabe que o que uns poucos chamam de vandalismo é, para milhares de outros, espalhados pelo mundo, a mais pura arte. "fioforum plus infra est", hahahaha!
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Raquel da Camara comentou:
30/06/2013
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Lucia Aguiar (Blog Amazonia) comentou:
30/06/2013
O país não precisa de mais vândalos, os maiores vândalos estão na política brasileira.
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Olivar Correa (Blog Amazonia) comentou:
30/06/2013
O governo alimentou a fera que esta solta nas ruas, e agora quer tirar o corpo fora e chamar de vândalo....Srs. governadores e políticos, vivam por 30 dias a vida que estes vândalos vivem....e mantenham-se pacíficos....vcs mudariam até de país., vândalo é quem tem o poder e mantem o povo oprimido.Mateira muito bem escrita, limpa, transparente.Parabéns Olivar.
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Joana comentou:
30/06/2013
"...Estou morto pra esse triste mundo antigo." Taiguara
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Raquel da Camara comentou:
30/06/2013
Faz tempo que me incomodo com as retalhações e marginalização de quem esta nas ruas lutando por mudanças... Se grupos "vandalizam" existem motivos mais profundos, mesmo que inconscientes. Muito feliz em saber mais da sua luta Bessa! bjs, Raquel
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Patricia Sampaio comentou:
30/06/2013
Babá, adorei o texto! Mas, não pude controlar o riso quando li a expressão "corretamente vestido" e te vi de terno/gravata! Não deu. Só veio à memória meu caro professor chegando no ICHL, às 7 da madrugada para dar aula, com os cabelos molhados e aquelas sandálias franciscanas nos pés! Vândalo. Sempre.
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Eneida comentou:
30/06/2013
Vc é um vândalo adorável, como muitos que estão por aí tentando fazer valer o direito de todos. Abração, Eneida
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Blog O palco e o Mundo comentou:
30/06/2013
Sobre vandalismo em 1968 e hoje, é interessante ler o texto de Bessa Freire, "Em defesa dos vândalos". Ele foi processado por supostos danos ao patrimônio público durante a ditadura militar http://opalcoeomundo.blogspot.com.br/2013/06/desarquivando-o-brasil-lxiii-descartes.html
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Rogélio Casado (Blog Picica) comentou:
30/06/2013
PICICA: Para a geração dos anos 1980, o meu considerado José Ribamar Bessa Freire, hoje professor doutor na UERJ, era um dos professores mais estimados da Universidade Federal do Amazonas. Foi uma das lideranças do movimento docente em Manaus. Reza a lenda que ao entrar numa reunião de professores universitários, que andavam às voltas com a leitura das obras de Marx - leitura indispensável -, quando a categoria estava em luta por aumento de seus míseros salários, conclamou em bom amazonês: "Égua, maninho, isso é hora de ler Marx... é hora de ir às ruas". E o levante se fez. Grande Bessa, mestre em dar picica na hora certa! (PICICA: do amazonês, meter o bedelho onde não deve, na acepção dos antigos; um sujeito de opinião, na acepção dos modernos: é onde se mete o bedelho onde não deve, que o pensamento se move. Viva os piciqueiros!)
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Ana Helena Tavares (Blog QTMD) comentou:
30/06/2013
Reclamaram por eu publicar este artigo, alegando incoerência com outros que estão no QTMD? É o seguinte, meu povo, se eu critico a grande imprensa pelo pensamento único não dá para eu fazer o mesmo no meu site, não acham? Salve meu amigo Bessa, belo texto, como de costume.
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Grecia comentou:
30/06/2013
Segundo Ricardo Boechat, "A imprensa noticia vandalismo, pois gera medo. O medo faz com que as pessoas fiquem em casa. Pessoas com medo não mudam o país." PS: Adorei o "Cabral com cara de Alckmin"... kkkkkkk
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Caubi Iram comentou:
30/06/2013
Caro Professor Bessa É verdade. Não é o vandalismo das ruas que nos deve assustar, mas o VANDALISMO cometido pelos GESTORES DE INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. ao erário. Na verdade, nesse condomínio chamado Brasil,o buraco é mais em cima, por onde goteja a corrupção que está destruindo o abrigo E A DIGNIDADE da maior parcela do povo brasileiro.
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omOrP2DqZ comentou:
07/09/2013
Thanks Elie! If you're talking about gtenitg-ready shots in a hotel room, that's usually either natural light or on-camera flash bounced off the walls. There is rarely room for a lightstand in a hotel room with bridesmaids! If you mean at receptions, often I'll set up two manual strobes on poles in opposite corners of the room, and they are hooked up to radio triggers. I will also have a TTL strobe on-camera, either bounced off the ceiling (if indoors) or direct if outdoors. This is usually set to -1 or -2, and is for fill. I keep aware of the manual strobes and keep one over my shoulder. I just meter for the middle of the dancefloor, and since it's film I don't worry if it's a stop or so over closer to the lights.
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Marco Morel comentou:
30/06/2013
Grande Bessa, um grande abraço solidário. Excelente foto. O pior dano ao patrimônio público é cometido pelas autoridades municipais, estaduais e federais: basta ver as condições desumanas de saúde, as condições precaríssimas do ensino e a tendência à privataria nestas áreas essenciais. Falo do RJ, mas pode ser em vários locais. No Centro do Rio vi várias vitrines da bancos privados quebradas. Só não entende o recado quem não quer, pois os banqueiros adoram o BR. Vivam os Vândalos e (re)viva a Anarquia!
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Vânia Novoa Tadros comentou:
30/06/2013
Eu precisava ler a tua opinião sobre este movimento, Bessa, justamente pela tua experiência durante o Golpe Militar de 1964,no Brasil. Se eu te admirava este sentimento aumentou primeiro ao ver esta foto onde apareces tão novo, tentando a vida numa cidade estranha, sendo abordado por cinco policiais a serviço da Ditadura. Depois de todo o sofrimento pelo qual passastes, inclusive no exílio, continuas na luta. Segundo, por conseguires fazer uma análise crítica deste momento onde alguns atores, como o Haddad, são partido que ajudastes a fundar. Valeu! Fiquei emocionada com a tua maturidade e equilibrio. Sobre a descrição sempre pejorativa das manifestações pela mídia eu só consigo pensar na afirmação de Bakunin: Falam muito do rio que tudo arrasta, mas esquecem de analisar as margens que o oprime.
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Vânia Novoa Tadros comentou:
30/06/2013
Eu precisava ler a tua opinião sobre este movimento, Bessa, justamente pela tua experiência durante o Golpe Militar de 1964,no Brasil. Se eu te admirava este sentimento aumentou primeiro ao ver esta foto onde apareces tão novo, tentando a vida numa cidade estranha, sendo abordado por cinco policiais a serviço da Ditadura. Depois de todo o sofrimento pelo qual passastes, inclusive no exílio, continuas na luta. Segundo, por conseguires fazer uma análise crítica deste momento onde alguns atores, como o Haddad, são partido que ajudastes a fundar. Valeu! Fiquei emocionada com a tua maturidade e equilibrio. Sobre a descrição sempre pejorativa das manifestações pela mídia eu só consigo pensar na afirmação de Bakunin: Falam muito do rio que tudo arrasta, mas esquecem de analisar as margens que o oprime.
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Ana Stanislaw comentou:
30/06/2013
Maravilhoooosa! Que belo texto. Dá gosto de ler tuas crônicas. Viva os vândalos, o Bessa e sua pena afiada, as manifestações por todo o Brasil.
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Daniel de Andrade (via fb) comentou:
30/06/2013
pois é, não tinha na época a internet, lápis e papel era coisa dos vândalos.
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Mario Lucio Silva comentou:
30/06/2013
gostei muito dessa notícia antiga, parabéns por sua história de luta!
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Clara Alcione (via FP) comentou:
30/06/2013
Leiam! è um texto de mestre. Afinal.
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APF Ver o Peso (via FB) comentou:
30/06/2013
José Bessa uma vez vândalo, vândalo até morrer... esta vandálica academia do Ver O Peso antes de canibalizar cânones da 'belle époque' da borracha e assumir sua natureza ictiófaga era conhecida com os VÂNDALOS DO APOCALIPSE. Agora, como prova de que o mundo dá voltas, chega-se à era APOCALYPSO paresque. Ou seja, após-Calypso
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Dulce comentou:
30/06/2013
Gostei e até queria compartilhar, mas como os funcionarios publicos que não respeitam, o art. 216 da constituição, tenho medo que pensem que seja uma incitação ou justificação da violencia..
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Suzana Cardozo comentou:
30/06/2013
Quando o conquistador, o colonizador, explorador, o senhor feudal, o politico bem vestido, os da casa grande querem detratar o índio, o que mora em favela, o artista, a mulher que nao quer ser mulherzinha, o da oposição, os que não querem ser explorados, esses primeiros chamam denominam estes últimos de "vândalos", imprestáveis", "vikings", "bárbaros", "malandros".
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Giane comentou:
30/06/2013
Adorei a crônica, Bessa.. e sua foto, tão novinho.. só faço um comentário: o governo de Alkmin não reconheceu nada, só mudou de estratégia, diante dos fatos.. Vale a pena ver essa reportagem sobre a mídia (leia-se Rede Globo), feita na Argentina, que não tem nada de piada como diz o título: http://www.viomundo.com.br/denuncias/argentinos-fazem-piada-com-a-midia-brasileira.html
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Carlos de Moares Heraclio comentou:
30/06/2013
Sinceridade! A culpa de todo esse caos é nossa mesmo, do povo. Sempre baixamos nossas cabeças para essas "bestas" da politica partidária brasileira. Por fim, eles fazem conluios, barganham entre si parte de toda riqueza do país, enquanto nso ficamos alienados, estaticos, olhando , aplaudindo em nome de uma cidadania inexistente, pque uma Constituição com leis arcaicas, que privilegiam essa minoria em detrimento da maioria nunca poderia ser levada a serio desde o seu inicio, ali, em 1988 nos aceitamos esse golpe, da chamada Constituição Cidadão, uma armadilha que, somente, veio beneficiar a burguesia brasileira.
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Luciano Roberto comentou:
29/06/2013
Indicar um novo olhar sobre as manifestações, destacando os "vândalos" é de uma ousadia espetacular! Deixa qualquer jornal sensacionalista com cara de "Alckmin".
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Vânia Novoa Tadros (via FB) comentou:
29/06/2013
Que emoção nem acredito, seu Vândalo!
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Eduardo Gomes (via FB) comentou:
29/06/2013
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kk4Afh7U comentou:
06/09/2013
Que bom que eh agora criticar os que teaimnrram com o Fascismo...Mas eh mesmo assim em Portugal! Todos sabem bem o que eh bom na altura , ve-se o podre a corroer o Pais...e todos se calam! Ainda estao a tempo de salvar a miseria que reina no meio dos pobres... A austeridade significa: os ricos nao pagam a taxa ...Sabem todos onde se encontra a riqueza: nos off-shores, e ninguem tem a coragem de falar. Um Primeiro Ministro que encoraja o povo a sair para o estrangeiro, nao pode ser bom Governante...E entao porque ainda se mantem no posto? Nao tem ele vergonha? Um Presidente que se da ao luxo de ir a Timor-Leste...e a Australia com a mulher, e em Sidney dar um jantar gratuito a 500 Portugueses...Viagens, jantares ,tudo sempre o mesmo para os tais ditos Governantes que se julgam importantes ...e nada valem.
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Deborah Guaran comentou:
29/06/2013
É isso!!Muito bom. Digo sempre que com muita hipocrisia a sociedade( lógico influenciada pela grande mídia) não vê corrupção como crime, mas criminaliza manifestantes que lutam para benefício de todos...
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Marcos Martins comentou:
29/06/2013
Parabéns pela crônica Mestre. Viva os Vândalos!
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Rogério Teles comentou:
29/06/2013
Saia de casa todos os dias as 4:00 h. da manhã para trabalhar e retorne as 19:00 h., em um ônibus lotado, velho, com um trânsito caótico, onde o desconforto é a marca principal do transporte público no País. Necessite, de uma consulta médica especializada num hospital público, no mínimo 3 meses de espera, isso quando quem precisa desse atendimento diferenciado, não morre esperando. Tenha seu filho matriculado em uma escola pública, que prima somente pela estatística. Conviva permanentemente com o dilema de não conseguir suprir suas necessidades vitais e básicas, porque o que você ganha não permite. Precise do Judiciário, lento e inoperante aos pobres, que só recebem os rigores da Lei, porque a justiça só é célere aos ricos, que com advogados caros, recebem os favores da lei. Jabor vou parafrasear o Romário, você calado é um poeta, Bela crônica Mestre.
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Sergio Macedo comentou:
24/07/2013
Rogério endosso seu comentário, principalmente no que se refere ao nosso judiciário.. parabéns..!! Contato de Sergio Macedo
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