CRÔNICAS

THOMAZINHO

Em: 10 de Junho de 2012 Visualizações: 10898

 

Vai assim mesmo, no diminutivo com o qual os amigos carinhosamente o chamavam: Thomazinho. Quanto mais o tempo passa, mais ele permanece Thomazinho, vivo no afeto que se encerra em nosso peito juvenil. Depois da assustadora entrevista do ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra a Alberto Dines, no dia 5 de junho, no programa Observatório da Imprensa, Thomazinho ficou mais Thomazinho que nunca na nossa lembrança, em nós que não queremos, que não podemos esquecê-lo. Quem não o conheceu passou a chorá-lo.
Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto, o Thomazinho, nascido em Parintins, ex-aluno do Colégio Estadual do Amazonas, ex-secretário geral da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), é o único amazonense incluído na lista oficial dos desaparecidos na ditadura militar. Filho de dona Maria, companheiro da Miriam Malina, com quem teve dois filhos - Larissa e Togo - ele foi preso no dia 7 de maio de 1974, quando viajava do Rio para São Paulo. De lá pra cá, nunca mais foi visto.
Agora, quem nos dá notícias dele é o ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra, atirador de elite, que aprendeu seu ofício com instrutores norte-americanos e treinou com especialistas em terrorismo e espionagem do serviço secreto de Israel - o Mossad, conforme declarou a Alberto Dines. Participou ativamente da repressão, seguindo as palavras de um de seus instrutores que lhe ensinou: "Existem os que morrem e os que matam, você tem que escolher seu lado".
Cláudio escolheu. Embora diga que não torturou, admite ser responsável por mais de 20 mortes: "Tirei vidas, só a misericórdia de Deus para perdoar". O ex-policial conta que recentemente encontrou Deus, que se converteu e, por motivação religiosa, para "encontrar a paz de espírito", se arrependeu de seus pecados. Ele acredita no inferno, aquele criado por Dante na Divina Comédia. Está com medo, com toda razão, da Justiça Divina. Por isso, resolveu se confessar. Escreveu o livro "Memória de uma Guerra Suja", lançado no mês passado, para exorcizar os demônios que hoje o atormentam, onde conta histórias de assassinatos e torturas durante a ditadura militar. Na entrevista, ele elucida:
“Hoje mais uma historia triste para esclarecer, é (do) desaparecido político Thomaz Antônio da Silva Meirelles. Esse fato só veio à minha memória posterior à edição do livro, não consta do livro essa história por isso eu estou vindo a público agora para poder esclarecer".
"É... eu recebi um chamado do coronel Perdigão, como sempre era ele que fazia, e fui ao quartel da Barão de Mesquita, entrei no quartel... no pátio, você entrando pela guarda, você chega num pátio... e onde ali a tropa faz exercícios físicos, com pranchas abdominais, tem lá, acho que tem isso até hoje. Até uns anos atrás ainda tinha isso lá... E no fundo ficava o quartel... o presídio, que é um prédio com dois pavimentos, uma construção com dois pavimentos, a época existia também uma parte subterrânea não sei se tem hoje".
"E ali o coronel Perdigão me entregou um corpo que estava num saco preto, né, e o subalterno dele, era comum, eles nunca dirigiam a mim a palavra porque existia uma separação entre o meu grupo... o grupo que eu servia e aquele grupo que estava ali de militares. O coronel fazia uma... pela disciplina que não tivesse conhecimento um dos outros, pois justamente para preservar o segredo da operação".
"Ele me entregou esse corpo ali, eu não olhei, via de regra às vezes eu examinava, mas esse ai eu não examinei, e quando chegou em Campos que eu abri o saco para poder ver quem era, vi que se tratava de um homem aparentando ter mais ou menos 40 anos, por ai, ou talvez menos. E muito machucado, ele estava apenas vestido com um calção, não tinha as unhas das mãos estavam arrancadas, o rosto bem desfigurado pelas torturas, sinais de queimaduras...".
"É triste estar falando isso para a família, mas a família precisa saber a verdade, saber o que aconteceu com o seu ente querido. Não justifica, não tem desculpa, não quero me eximir de culpa, mas esse esclarecimento eu devo à família, como eu devo a todas as famílias. Foi erro, foi passado, foi uma guerra suja como está no livro. Mas hoje eu me penitencio, porque hoje eu sirvo a Deus, eu quero é o perdão de Deus. E se a sociedade entender que isso é um dever, não só meu, mas de todos aqueles que erraram... e voltar e falar do que fizeram de errado é o momento de nós nos... não nos punirmos, mas poder esclarecer e olhar para Deus e para o homem sabendo que foi errado, para que não se repita mais”.
A brutalidade da cena no depoimento descritivo e o tom objetivo e distanciado do policial arrependido agridem nossa humanidade, mesmo que não se tratasse de Thomazinho, um militante querido que pagou com sua vida o ideal de mudar o mundo, mesmo que fosse alguém desconhecido, um bandido, um facínora ou um bicho. No caso, o discurso do policial não só reafirma a heroicidade de Thomazinho, mas também nos entrega essa "verdade" que estava sendo sonegada.
A pergunta agora é: quem matou Thomazinho, quem foram os responsáveis por essa cena de horror? Um dia antes da entrevista citada, a Comissão da Verdade se reuniu, na última segunda-feira, pela terceira vez desde que foi instalada em maio. Na ocasião, o ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que as Forças Armadas irão disponibilizar todas as informações que a Comissão da Verdade solicitar para apurar as violações aos direitos humanos. Será?
Cabe, então, requisitar e abrir os arquivos dos centros de informação do Exército (CIE), da Marinha (CENIMAR) e da Aeronáutica (CISA) que formavam o sistema de inteligência das Forças Armadas no período da ditadura. O coronel Perdigão está morto, parece, cabe, no entanto convocar Cláudio Guerra e quem mais possa fornecer informações sobre os torturadores e assassinos do Thomazinho.
Coube ao Tomazinho desempenhar o papel de resistência heroica, como o personagem da Ilíada, com vida curta, mas gloriosa, arrancada pela barbárie de uma guerra reconhecida por seus próprios artífices como ‘suja’. Cabe agora a História desentranhar dos porões as histórias que nos permitam conhecer os tomazinhos e seus carrascos, para conseguir digerir esse capítulo dantesco.
Essa é uma legítima reivindicação da nossa memória.

 

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28 Comentário(s)

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Luciana Galante comentou:
22/11/2012
Texto sensacional!! Abertura imediata dos arquivos da ditadura
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Jucilene Brandão comentou:
27/07/2012
Quanta sujerada deve ter debaixo dessa palavra "DITADURA", é dificil de compreender o que se passa debaixo dessa tenebrosa palavra...mas a sociedade e familiares de inocentes que foram brutalmente calados, precisam saber o que aconteceu com seus entes queridos. O arrependimento foi uma dádiva que Deus nos deu e cabe a pessoa se redimir e não voltar a fazer e só assim terá paz na consciência. Fui estudante em Parintins numa escola que possui o nome de Thomazinho Meirelles, e o historico dele não relatava na época sobre o que aconteceu com ele...vai ser muito bom contar essa história do jeito que ela é. valeu e obrigada por tanta informação. Contato de Jucilene Brandão
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Erika Fátima Dantas comentou:
17/06/2012
Como diz o artigo, "cabe a História desentranhar dos porões as histórias que nos permitam conhecer os tomazinhos e seus carrascos...", cabe aos responsáveis pagerem por seus erros, o perdão de Deus só Ele poderá dar, a justiça dos Homens temos de fazê-la. Nos anais da História temos tantas histórias de verdadeiros heróis brasileiros, que foram executados por uma justiça infame que se diz arrependida, que fez uso de fardas e postos para poderem fazer o que bem entendessem. Justiça essa que teve como apoio muitos representantes que ainda circulam em nossa sociedade e hoje fazem um discurso de arrependimento e bem diferente do anterior. A História nos mostra através de seus documentos, fotos, reportagens, estes falsos arrependidos que são mais conhecidos por nós historiadores como "Maria vai com as outras". Cabe a todos nós representantes da educação mostrar e buscar a verdadeira história deste triste e cruel momento por qual nosso país passou. Isso, para nunca mais vermos a injustiça, a crueldade e a matança que mancha a nossa sociedade. Vivemos em um país democrático onde podemos exercer nossa cidadania, lutar por nossos direitos e cumprir nossos deveres graças a estes heróis que um dia foram tão injustiçados. Mas, como a justiça divina é tão grandiosa, perdoe Senhor os "Maria vai com as outras"!
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Elaine Meneghini comentou:
14/06/2012
Caro Babá, Faz dias que a Elisa me enviou esse texto, só hoje tive coragem de ler. Nossa família está em choque e ainda não conseguimos comentar o assunto entre nós. É doloroso demais! Obrigada por propagar essa verdade. Contato de Elaine Meneghini
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Elaine Meneghini comentou:
14/06/2012
Caro Babá, Faz dias que a Elisa me enviou esse texto, só hoje tive coragem de ler. Nossa família está em choque e ainda não conseguimos comentar o assunto entre nós. É doloroso demais! Obrigada por propagar essa verdade. Contato de Elaine Meneghini
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Paulo Bezerra comentou:
14/06/2012
Sem dúvida a instalação da Comissão da Verdade contribuiu, mesmo que indiretamente, para que viesse a luz esse triste episódio. Porém, era necessário desvendá-lo para que se pudesse amenizar e sossegar os corações dos entes queridos e admiradores do Thomaz Meireles. E saber que tantos criticaram o Pres. Lula e agora a pres. Dilma pela implantação da Comissão da Verdade. Diziam que trazer esses fatos a público seria o mesmo que “mexer em ferida que já está cicatrizada”. Seria um atentado a lei da anistia. Eram vozes de pseudo democratas em harmonia com o discurso retrógrado da ditadura militar. Enfim, está valendo à pena a escolha desse projeto político.
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Eliane Potiguara comentou:
13/06/2012
admiro muito teus textos. aprendo com eles e eu sou sua admiradora, muita luz
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Sebastião Mendonça comentou:
12/06/2012
Babá, tive oportunidade de te dizer que conheci o Thomazinho, em Manaus, estudante sempre em contato com familiares e grandes amigos em comum, algumas vezes em visita na casa do nosso tio, por ramos familiares diferentes, o desembargador João Correia. Era um jovem idealista que a gente duvidava de seu idealismo, admitindo tratar-se de mero impulso de adolescente. Além da busca pelos responsáveis pela tortura, seria possível saber para onde Cláudio Guerra levou seu corpo que, até hoje, me consta não encontrado?
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Antonio Gilberto(Blog Amazonia) comentou:
11/06/2012
'Existem os que morrem e os que matam, você tem que escolher seu lado'.Interessante, essa linha de pensamento da ditamole… Praticavam ATENTADOS TERRORISTAS e culpavam os guerrilheiros 'comunistas'… Não que esses também não matassem…Essa 'linha de conduta' continua sendo usada até hoje, pelos mesmos torturadores!…
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Ana Paula Freire comentou:
11/06/2012
Sem palavras... o breve depoimento da Mriam é de calar fundo a alma. Miriam, receba o meu abraço solidário. Contato de Ana Paula Freire
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Fábio Alencar comentou:
11/06/2012
Enfim, Thomazinho morreu! A maior dor dos parentes dos "desaparecidos" é que eles nunca morreram, estão no limbo, em algum lugar entre a esperança e a descrença. Falta a certeza de que aquela vida teve um fim e a comissão da verdade pode ajudar as famílias a sepultar seus mortos.
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Alessandra Marques comentou:
11/06/2012
Texto triste. Difícil não fazer a sua leitura com uma agonia, um nó na garganta. Se Cláudio Guerra encontrou a paz c/ a religião (não acredito que tenha alguma dor na consciência), problema é o dele, se Deus o perdoou, problema deles dois. O que interessa é que esse período saia das gavetas lacradas e o julgamento desse sujeito e de tantos outros, que de alguma forma contribuíram com a ditadura, se faça de forma urgente e justa. Que encontrem sua paz de espírito atrás das grades.
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Cláudio Nogueira comentou:
11/06/2012
Babá, li o livro assim que saiu. Se cara vai ser perdoado ou não, é outra história, mas do jeito que ele prestou um mal serviço a sociedade, o depoimento dele é uma preciosidade, pois jamais se imaginou que seria possível saber os fatos que ele contou com a riqueza de detalhes, e como disse alguma parente de um desaparecido:" mesmo sabendo que morreu de forma horrível, torturado, agora estamos tranquilos, pois sabemos como aconteceu." O Perdigão morreu, deve está sofrendo na mão do capiroto (risos), mas o Ustra ainda está aí.
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VANIA NOVOA TADROS comentou:
11/06/2012
ESSE FDP COMPACTUA COM UM TERROR DESSES DANDO FIM DE CADÁVERES DE TORTURADOS E AGORA QUER PERDÃO DE DEUS E COMUNICAR A FAMÍLIA A MANEIRA COMO SEU MEMBRO FOI MORTO. INTERESSANTE É QUE ELE SÓ ENCONTROU DEUS QUANDO FOI CRIADA A COMISSÃO DA VERDADE. BESSA, ISSO NÃO VAI DAR CERTO. SE EU QUE NÃO CONHECIA O TOMHAZINHO MAS APENAS A MIRIAM TENHO VONTADE DE DAR NESSE MARGINAL, IMAGINA A FAMÍLIA.
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miriam marreiro malina comentou:
10/06/2012
...babá querido, por favor, me desculpe agora ter a ti uma minha "linha de transmissão", mas conta prá jacira que para mim a memoria é tudo, sempre!... uma foto dela junto com a mara (sem pedir a devida permissão) está na minha parede, aqui bem na minha frente neste computador... assim, estou olhado prá ela, agorinha, agradecendo este reencontro dela comigo, como se ainda estivessemos no "amazonas em tempo" e no "jornal do norte"... e agradeço pelo abraço dela nesta minha dor......................... e que jamais a esquecerei!!!! miriam marreiro malina
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bessa comentou:
10/06/2012
Bazilio, o Togo continua morando no Canadá, acompanhando de lá os desdobramentos da Comissão da Verdade. A Ana Miranda do GTNM está em contato com ele.
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Ana Silva comentou:
10/06/2012
Merecemos - nós gerações que não vivemos esse período sombrio da nossa história - conhecer essas atrocidades para nunca mais repeti-las. Finalmente, sabemos o que aconteceu com Thomazinho. Eu e tantos outros que o conhecemos através das tuas linhas Bessa. Também seus algozes devem ser revelados e punidos. Obrigada Bessa por divulgar essas histórias tristes, desumanas e que muitos teimam em silenciar.
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Luiz Bazilio comentou:
10/06/2012
Bessa querido: você fala do Thomazinho, no diminutivo, eu vou falar do Togo. Conheci o filho de Thomazinho há cerca de vinte anos quando éramos militantes do Grupo Tortura Nunca Mais. Tive a oportunidade de conhecer fragmentos desta história que agora se torna pública, a luta de Togo pelo esclarecimento da morte de seu pai. Togo é uma pessoa amável, atenciosa. Embora ainda muito jovem, funcionava no Grupo Tortura Nunca Mais desempenhando um importante serviço de apoio aos familiares dos desaparecidos políticos. Sua história pessoal o aproximava dos parentes que lá buscavam o esclarecimento dos fatos. Aqueles que perderam seus maridos, esposas, filhos ou filhas, pais ou mães encontravam nele a disponibilidade para ouvir. Solidário e atento auxiliou muitas famílias a ingressar na justiça contra o Estado brasileiro em busca não apenas de algum tipo de indenização, mas, sobretudo, de reparação e verdade. Não sei por onde ele anda hoje. Sei que em algum momento embarcou para o Canadá em busca de novos horizontes. Talvez esteja de volta ao Brasil trabalhando e torcendo para que esta Comissão da Verdade recém-criada dê conta do recado e ajude a passar a limpo o que temos, todos, o direito de saber.
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bessa comentou:
10/06/2012
Bazilio, o Togo continua morando no Canadá, acompanhando de lá os desdobramentos da Comissão da Verdade. A Ana Miranda do GTNM está em contato com ele.
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carly anny barros comentou:
23/08/2012
Bessa, Thiago de Mello me falou que você teria informações sobre Tomaszinho Meirelles. Sou Parintinense e acadêmica de jornalismo pela ufam aqui em Parintins-Am. Estamos tentando investigar a vida e o que aconteceu com os perseguidos pela Ditadura militar aqui do Baixo amazonas. Você poderia nos ajudar como fonte? Por favor entre em contato com meu e-mail: carlybarros@yahoo.com.br Contato de carly anny barros
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Luiz Bazilio comentou:
10/06/2012
Bessa querido: você fala do Thomazinho, no diminutivo, eu vou falar do Togo. Conheci o filho de Thomazinho há cerca de vinte anos quando éramos militantes do Grupo Tortura Nunca Mais. Tive a oportunidade de conhecer fragmentos desta história que agora se torna pública, a luta de Togo pelo esclarecimento da morte de seu pai. Togo é uma pessoa amável, atenciosa. Embora ainda muito jovem, funcionava no Grupo Tortura Nunca Mais desempenhando um importante serviço de apoio aos familiares dos desaparecidos políticos. Sua história pessoal o aproximava dos parentes que lá buscavam o esclarecimento dos fatos. Aqueles que perderam seus maridos, esposas, filhos ou filhas, pais ou mães encontravam nele a disponibilidade para ouvir. Solidário e atento auxiliou muitas famílias a ingressar na justiça contra o Estado brasileiro em busca não apenas de algum tipo de indenização, mas, sobretudo, de reparação e verdade. Não sei por onde ele anda hoje. Sei que em algum momento embarcou para o Canadá em busca de novos horizontes. Talvez esteja de volta ao Brasil trabalhando e torcendo para que esta Comissão da Verdade recém-criada dê conta do recado e ajude a passar a limpo o que temos, todos, o direito de saber.
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Maria Celeste Freire Corrêa comentou:
10/06/2012
É. e repetindo o que a Dilma falou,"O Brasil merece a verdade. As novas gerações merecem a verdade, e, sobretudo, merecem a verdade factual àqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia. É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la". Parabéns,...
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José Varella comentou:
10/06/2012
Pra frente Brazil salve a Seleção! Tristeza não tem fim felicidade sim...
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Luciana Galante comentou:
10/06/2012
Texto sensacional!! Abertura imediata dos arquivos da ditadura!!
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Miriam Malina comentou:
10/06/2012
...Babá companheiro, ao ler teu texto agora estou pensando nos meus filhos Larissa e Togo ao ler tudo que acabas de descrever, sobre como acabaram com a vida de Thomazinho, seu pai........ minha agonia é imensa, minha dor mais insuportavel ainda, porque me translado aos porões do quartel da Barão de Mesquita onde também fui machucada, torturada, estuprada, cuspida e... por isso, assim, sofro imaginando o máximo que Thomazinho deve ter sentido como ultimo grau de sofrimento físico na tortura..................................... miriam marreiro malina babá, obrigada!
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VANIA NOVOA TADROS comentou:
11/06/2012
QUERIDA MIRIAM, IMAGINO O TEU SOFRIMENTO E DE TEUS FILHOS. EU TE CONHECI QUANDO EU ERA CHEFE DE GABINETE DO MARCUS BARROS E TU FOSTES ENTREVISTÁ-LO. PASSEI A TER UM GRANDE CARINHO POR TI. A MINHA SOLIDARIEDADE A VCS E REVOLTA CONTRA ESSES TORTURADORES.
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Jacira Oliveira comentou:
10/06/2012
Míriam, minha querida amiga. Pena te reencontrar apenas em um momento de dor, como este. Conversamos tanto sobre isso, tantas vezes. Coragem amiga. A verdade, por pior que seja, é melhor que nunca saber. Babá, mais uma vez obrigada por trazer esse fato ao conhecimento do maior número de pessoas possível. Uma pena que a história tão recente de nosso país esteja marcada por fatos hediondos como este relatado pelo Cláudio Guerra.
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10/06/2012
...babá companheiro, ao ti ler agora estou pensando nos meus filhos larissa e togo ao ler tudo que acabas de descrever, sobre como acabaram com a vida de thomazinho, seu pai........ minha agonia é imensa, ninha dor mais insuportavel ainda, porque me translado aos porões da barão de mesquita onde tambem fui machucada, torturada, estuprada, cuspida e toda cagada... por isso, assim, sofro imaginando o maximo que thomazinho deve ter sentido como ultimo grau de sofrimento fisico na tortura..................................... miriam marreiro malina babá, obrigada! Contato de miriam marreiro malina
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