CRÔNICAS

Adail, maninho, eu te entendo!

Em: 15 de Junho de 2008 Visualizações: 6694
Adail, maninho, eu te entendo!

Ilmo. Prefeito de Coari, Adail Pinheiro

Saudações!

Escrevo essa carta, mas não repare os senões, para dizer que entendo, maninho, porque a tua Coadrilha assalta os cofres municipais e se envolve com prostituição infantil, pedofilia e milícia armada, como ficou demonstrado pela Policia Federal na Operação ‘Vorax’. Tudo ficou claro depois que li os artigos do senador Arthur Virgilio Neto (PSDB) neste Diário e a notícia sobre a pena imposta a Marcos Valério, o operador do mensalão, aquele careca que disputa com Maluf o título de campeão das falcatruas.

Acontece o seguinte: o Careca emitiu notas fiscais falsas para uma firma de prestação de serviços, simulando pagamento feito a uma de suas empresas, a SMP&B Comunicação. O juiz ouviu – ELE OUVIU - testemunhas que confirmaram os pagamentos e viu – ELE VIU - a prova do crime de falsidade ideológica: as notas fiscais.  Não podia deixar de punir o criminoso. Condenou, então, o Careca a pagar multa de... – olhem só! - dois salários mínimos e... a prestar serviços comunitários. Quá-qua-ra-quá-quá! Quem vai permitir que o Careca ou Adail tomem conta de seus filhos numa creche comunitária?

Francamente! Assim, vou começar a roubar! Prestação de serviços comunitários? Ora, me poupe. Faço isso todo fim de semana, por pura militância. Dois salários mínimos? Basta uma ordem do meu amigo Batará, que o Cirilo, embora seja mão-de-vaca, paga a multa por mim, porque obedece a seu pai. Acontece que nem essa merreca o Careca vai pagar. Seus advogados impetraram hábeas corpus pra cá, juris tantum pra lá, fica o dito pelo não-dito.

O Careca vai ficar pobre: dois salários mínimos por meter a mão em bufunfa federal!!! E na bufunfa municipal, Adail, qual é a multa? Dez centavos? Um bandido que assalta um banco ou uma pessoa pode morrer ou ser preso. Mas quem rouba cofre público não corre qualquer risco. O ex-governador Amazonino, que entende do riscado, declarou: “no Amazonas se compra juízes, desembargadores e procuradores”. O juiz que dá uma sentença dessas está parindo Adails. Até o Ferraço saiu lépido e fagueiro em ‘Duas Caras’ e ainda papou a Maria Paula. A Silvia Aline de Moraes, depois de toda a bandidagem cometida, foi viver em Paris. O crime, então, compensa?   

O crime na Compensa

Por falar em compensa, o que vem acontecendo no Palácio do Governo do Estado do Amazonas, que fica no bairro da Compensa, é mais um motivo para Adail continuar fazendo suas estripulias, segundo o senador Arthur Virgilio Neto (PSDB), cujos artigos contundentes só agora eu li, porque nem o Diário, nem minhas nove irmãs, nem meus 38 sobrinhos me mandaram cópias.  

O senador escreve que o governador Eduardo Braga, quando era prefeito, depois de ter sido vice de Amazonino, “montou empresas ‘laranjas’ para saquear a cidade, com métodos que depois aperfeiçoou para pilhar o Estado”. Denuncia o que chama de cleptogoverno, as obras-fantasmas do Alto Solimões e o pedido do Dudu para o Senado autorizar empréstimo de 24 milhões de dólares ao BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento para mais obras-fantasmas no Alto Solimões..  

As viagens do Eduardo são turnês de marajá e de sultão. Em suas andanças, leva esposa, filho, sobrinho, secretário, massagista particular – o Paulo Roberto – gato, cachorro, periquito e papagaio. Em Tókio, a comitiva ficou hospedada no Hotel Imperial, que é um palácio. O Dudu não deixou por menos: suíte imperial, cuja diária – segundo Arthur - é de R$ 17.210,77. Com dinheiro público – ou seja, o meu, o seu, o nosso – ele paga por um dia de hotel aquilo que muito trabalhador amazonense não ganha em três anos.

Uma garrafa de vinho Cheval Blanc custa R$ 2.720,00 e uma garrafa de champagne é R$ 1.326,00. As viagens de Eduardo têm um “farto consumo” dessas bebidas, são “orgias inenarráveis com o dinheiro público”, denuncia Arthur Virgilio, com quem a gente pode ter diferenças políticas, mas reconhece nele um parlamentar sério, lúcido, inteligente, corajoso, que combateu a ditadura militar e não deu tréguas aos antecessores de Eduardo, um dos quais ensinou ao atual governador como tratar a coisa pública.

As investigações sobre aquilo que Arthur está chamando de “delinqüência pública” não avançaram até agora, porque a bancada do governador Eduardo Braga na Assembléia Legislativa vinha bloqueando a criação de uma CPI. Eles blindaram Adail e o governador, uma manobra do presidente da Assembléia – o Big Beautiful - aliado com uma ala do PT – que vergonha! - e até – meu Deus do céu! – com o PCdoB. A CPI só acabou saindo porque – vejam só! – Amazonino articulou os deputados sob sua influência a se pronunciarem a favor.

E é isso que o povo amazonense jamais perdoará ao Eduardo: suas estripulias foram tantas, que deram oportunidade até – imagine só! - ao Amazonino parecer honesto e impoluto. As armações do atual governador no Palácio da Compensa estão "limpando" o Negão. Imperdoável!!!

A impunidade do governador tem servido de exemplo e modelo, uma vez que a única punição que ele sofreu foi uma dor de consciência, que o persegue noite e dia, por haver matado as esperanças do povo amazonense. Mas a consciência do Dudu – todo mundo sabe – reside no seu estômago, traduzindo-se, portanto, em “fortes e freqüentes dores estomacais” que ele vem sentindo ultimamente – segundo informa Arthur Neto.  

No entanto, isso não intimida o prefeito Adail, que copia o modelo da Compensa. Meu dileto sobrinho ‘Pão Molhado’, que esteve em Coari, jura que ouviu comentários do prefeito, confessando que está calando e andando pra esse tipo de dor. Adail, que está todo perebento, com psoríase, segundo me informa a repórter Ariranha, teria dito ao deputado José Lobo: “Maninho, em troca dessa bufunfa, vale a pena ficar com pereba, com caganeira e soltar ventosidades, mesmo fétidas”.

A questão, porém, não termina ai. Arthur Neto escreveu com todas as letras:

- “Ninguém se iluda. O episódio de Coari não se resume a Adail Pinheiro. Se as investigações prosseguirem, os fatos demonstrarão que Eduardo Braga é o chefe de Adail Pinheiro”.

Foi por isso que o Dudu mandou sua bancada na Assembléia votar contra a CPI. para investigar o Adail. O crime compensa? Dizem que o crime – como o cheque do Nonato Oliveira - não compensa, mas o crime na Compensa, compensa. Pelo menos, tem compensado até agora. Em Coari, também compensa, por causa do apoio da Compensa, sem o qual Adail não existiria, como pensa quem pensa. Em compensação, quem não acessa o Blog do Holanda, não sabe o que está perdendo. O cara está dando um banho de jornalismo: informativo, crítico, enxuto, independente e corajoso. Amaro, bota o link no Taquiprati: http://www.blogdoholanda.com/home/.

 

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