CRÔNICAS

NO ÔNIBUS COM O NEGÃO

Em: 03 de Agosto de 2008
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Estou sobrevoando os Andes em direção a Lima, onde vou participar de um congresso internacional de história indígena. Aqui, dentro do avião, começo a escrever a coluna. Olho pela janela e vejo as motanhas emergirem acima dos flocos de nuvens. Só mesmo numa altitude de 10.000 metros, com os Andes lá embaixo, é possível medir a grandiosidade do novo método de governo proposto pelo candidato a prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, em entrevista concedida à Rádio Amazonas FM. Que método é esse?

“Vou administrar Manaus de dentro de um ônibus” – disse o Negão espalhafatosamente, ruidosamente. Foi isso mesmo que você ouviu. Pra ninguém duvidar, Amazonino (PTBesta – vixe, vixe!) detalhou: “Vou aparelhar um ônibus muito bem aparelhado, vou transformá-lo em gabinete itinerante e vou circular nele por todas as zonas de Manaus. Não é o povo que deve ir à Prefeitura. A Prefeitura é que tem que ir onde o povo está”.

Na mesma entrevista, o Negão justificou:

- “A administração itinerante é uma forma de atuar diretamente nos locais de forma rápida e eficiente, coletando os problemas e resolvendo na hora”.

Além de seu gabinete, os hospitais também vão sair andando por ai:

- “Vou comprar unidades móveis de saúde, com equipamentos modernos, que vão percorrer os bairros, oferecendo atendimento primário e distribuição gratuita de remédios. Não é o doente que tem que procurar o hospital, o hospital é que tem de ir atrás do doente”.  

É uma pena que o Negão tenha sido o único candidato que fugiu do debate realizado pela Rede Bandeirantes (Canal 13) na última quinta-feira, justamente porque naquela hora estava treinando em andar de ônibus. Ele faz pose e dá  entrevista, mas sózinho, sem os demais candidatos, porque não tem tutano pra debater. Não enfrenta as críticas. A coluna Taquiprati pode fazer, porém, aquilo que a TV não conseguiu: reunir todos os candidatos e imaginar o que pensam dessa idéia genial do gabinete itinerante. Eis aqui os resultados.

Taki – Francisco Praciano,  o que o PT acha de governar dentro do ônibus?

PraçaNo Ceará num tem disso não! O Amazonino foi três vezes governador e duas vezes prefeito. Se administrador bom é o que governa de dentro de um ônibus, então as gestões anteriores dele foram um fracasso, porque ele nunca saiu do seu gabinete. Durante vinte anos, ficou distante do povo. Agora diz que tem que ir onde o povo está. É um artista. De circo. Ouviu o galo, digo o Milton Nascimento cantar, mas não sabe aonde. É  um bacabeiro. Dou meu pescoço francês pra caba ferrar, se o Negão um dia subir num ônibus. Pura cascata demagógica. Ela não faz o que diz. Ninguém o leva a sério.       

Taki -   Serafim Corrêa, como prefeito você governaria de dentro de um ônibus?

SarafaDe jeito qualidade nenhuma! A Prefeitura teria um colapso. Imagina o ônibus do Amazonino às 18:00 horas na Bola do Coroado, na Djalma Batista ou na Paraíba... Não sairia do lugar, ficaria preso no engarrafamento. Isso é populismo barato. O Amazonino está fora da realidade, o plano dele só é viável daqui a quatro anos, quando eu terminar a construção de todos os viadutos e a criação do metrô de superficie. Por enquanto, acho mais prudente ele administrar Manaus de dentro da charrete do Berinho, seguindo a filosofia do cavalo na parada de 7 de setembro: andando, cagando e sendo aplaudido.

Taki – Ricardo Bessa, a Frente de Esquerda Socialista anda de ônibus?

Ricardo –  Anda. Mas não em ônibus com ar-condicionado, aparelhado com mesa de dominó e frigo-bar, cheio de uísque. A gente anda no ônibus 013 da linha Compensa-Ponta Negra, no 418 que vai pra Cidade Nova ou no 014 e 015 que rodam Manaus inteira. É dentro desses que quero ver o Amazonino, em pé, pendurado num gancho, um calor da porra, suado, com sovaco cecezento esfregando o nariz dele, sacola de peixe arrastando na perna. Mas o Amazonino é como o Maluf, promete qualquer coisa, irresponsavelmente. Já que ele não vai mesmo mesmo cumprir, pode falar qualquer merda.

Taki – Luiz Navarro, nós podemos entrar no ônibus do Amazonino?

Luiz NavarroEntrem, a causa é sua. Advirto, porém, que não é apenas o gabinete e os hospitais que devem ser itinerantes. A água que abastece Manaus também será transportada em carros-pipa. E isso porque o Amazonino privatizou o sistema em seu governo e até hoje ninguém sabe o que foi feito com o dinheiro. De qualquer forma, tem reservatórios, tem adutoras, mas faltam os canos para levar a água ao lar de todos os amazonenses. O Negão não sabe se usa os carros-pipa ou se entra pelo cano. Acho que vai entrar pelo cano.

Taki – (querendo ser elegante e sutil) Omar Aziz, o seu adversário quer um governo itinerante, com ônibus-escola para crianças e ônibus geriátrico para aposentados...

Omar Aziz  (engrossando o pirão) - Não seja covarde, Taquiprati! Diga logo que você quer lembrar que eu fui envolvido com o crime de prostituição infantil e com a mamata de minha aposentadoria vitalícia de R$ 20 mil. Agora, se for pra itinerar, a gente itinera. Quem inventou o governo itinerante não foi Amazonino, foi Eduardo Braga, que vive itinerando pela Europa e Estados Unidos. Vou consultar o Alfredo, que é ministro do Transportes, e vou pedir emprestado o avião do Dudu, que sabe itinerar de forma mais rápida e eficiente.

No final da entrevista, foi dado o mesmo espaço ao candidato Amazonino Mendes, vulgo Negão, para quem o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa,  politicamente, não fede nem cheira. Aliás, Amazonino disse isso com todas as letras, conforme pode ser observado nesse rápido diálogo, que relembra muito as brincadeiras de criança. 

Taki Amazonino, sem sua presença no debate, os seus adversários ficaram perdidos.

Amazonino (irônico)  - Bem feito!

Taki (de bate pronto)-  Cheira o pum do prefeito.

Amazonino - O do prefeito não fedeu!.

TakiEntão,  cheira o meu.

P.S. – Vão dar ou não vão dar um créu no Vicente Cruz-Credo, ex-procurador geral da Justiça, denunciado pelo desvio de R$ 5 milhões? A sociedade aguarda ansiosamente.

 

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