CRÔNICAS

TIKUEIN, ENTXEIWI: O HOMEM QUE FALAVA COM O ESPELHO (SEGUIDO DE VERSIÓN EN ESPAÑOL)

Em: 03 de Maio de 2009 Visualizações: 4562
TIKUEIN, ENTXEIWI: O HOMEM QUE FALAVA COM O ESPELHO (SEGUIDO DE VERSIÓN EN ESPAÑOL)

O homem que falava com o espelho’. Esse podia ser o título, mais apelativo, da crônica de hoje. O homem é Tikuein, um índio Xetá, da aldeia São Jerônimo, norte do Paraná. Na língua dele, “bom dia” é “Entxeiwi”, saudação com que, diariamente, iniciava uma longa conversa com o espelho. “Ninguém me entendia, pensavam que eu tava ficando doido” – disse. É que ninguém na aldeia falava Xetá: só Guarani e Kaingang. Então, ele não tinha com quem trocar ideias no seu próprio idioma. Conversar com o espelho foi a estratégia que encontrou para ativar a memória e manter a língua viva. O espelho respondia: “Entxeiwi, Tikuein”

 Mas o espelho, um dia, calou: Tikuein morreu. A trágica imagem do ‘outro’, refletida, se dissipou. E o som da língua xetá? Deixou de ser ouvido? Não. Claudemir, filho de Tikuein, está vivo e levantou a bandeira do pai. Participou nessa semana da Conferência Regional Sul de Educação Indígena, em Faxinal do Céu (PR). No evento, saudou o público em seu idioma: “entxeiwi”. Conversei com ele ontem. Contou o que aconteceu com a língua e com o povo Xetá, o que talvez nos ajude a compreender melhor o Brasil e nos aproxime mais de nossa humanidade – coitadinha! – tão distante e perdida. 
 
 O povo Xetá
Os Xetá eram conhecidos também como Botocudo, porque usavam um botoque de resina de pinheiro. Viviam no noroeste do Paraná, ao longo da margem esquerda do rio Ivaí e seus afluentes. As primeiras notícias dadas, em 1842, pelo Barão de Antonina, em carta ao Ministro da Guerra, elogiam os teares e os tecidos de algodão que fabricavam. Depois disso, a política do governo imperial incentivou a implantação de colônias estrangeiras nas terras indígenas, assaltadas por expedições, que queimavam aldeias e aprisionavam os moradores. 
 Outros índios – os Kaingang - cujas terras também haviam sido invadidas por fazendas de gado, acuados, ocuparam parte do território tradicional dos Xetá nas matas do rio Ivai, desalojando-os. Segundo o historiador Lúcio Tadeu Mota, “muitos Xetá acabaram prisioneiros dos Kaingang”. Os que fugiram da truculência dos fazendeiros e dos Kaingang, subiram as montanhas entre o Ivai e o Corumbataí, e tomaram um chá de sumiço.
 No entanto, na década de 1950, o Governo do Paraná, sem qualquer escrúpulo, entregou as terras indígenas às companhias colonizadoras. Os Xetá – a última etnia do Paraná a entrar em contato com o Estado Nacional - foram perturbados de novo por fazendeiros que, dessa vez, queriam plantar café. O resultado foi trágico, segundo a antropóloga Carmen Lúcia da Silva: “estupros, envenenamentos, transferências de famílias para outras áreas indígenas, roubo de crianças, dispersão de famílias inteiras que eram colocadas sobre caminhões das Companhias Colonizadoras e soltas a esmo em locais desconhecidos até hoje”. Tratamento que não se dá nem aos bichos.
 Os sobreviventes vagaram por aqui e por ali, dispersos, perambulando pela beira das estradas, até que foram considerados extintos. Nesse período, o lingüista Aryon Rodrigues, hoje na Universidade de Brasília (UnB), localizou os últimos falantes de Xetá e gravou conversas nessa língua, o que lhe permitiu estudá-la e classificá-la como aparentada com o Guarani, e tão diferente do Kaingang, língua da família jê, como o português é do alemão.
 
 A língua Xetá
O século XXI começa com apenas três sobreviventes, que falavam fluentemente a língua Xetá: Tucanambá José Paraná, falecido em 2008, com 64 anos; Coein Manhaai Nhaguká, atualmente com 75 anos, vítima de um acidente vascular cerebral que o deixou sem fala; e Tikuein, conhecido também como José Luciano da Silva, que morreu como viveu: lutando pela língua. No dia 9 de dezembro de 2005, ele estava em Brasília, registrando dados do idioma Xetá no Laboratório de Línguas Indígenas da UnB, quando sofreu um derrame fulminante. Deixou a viúva, que não é índia, e 12 filhos.
 Um deles, Claudemir, de 30 anos, professor em uma escola indígena, me contou que sua língua materna, aprendida no colo da mãe, é o português. Mas desde pequeno, aos sete anos, acompanhava sempre o pai, com quem foi aprendendo algo de Xetá: “Aprendi o básico, o feijão-com-arroz” – ele diz. Claudemir fala também o Kaingang, língua materna de sua mulher.
A estratégia para a língua Xetá não morrer dispensa, agora, o uso do espelho. Claudemir tem com quem conversar: seus irmãos. Quase diariamente, mas especialmente nos fins de semana, eles se reúnem na casa da mãe e procuram conversar em Xetá. Quem sabe mais, vai ensinando aos outros. Confessa que nenhum deles é fluente, mas “o professor Aryon que gravou e filmou os Xetá, está nos ajudando a botar os pingos nos ii, a escrever a língua, junto com a Carmen, que conhece muito bem os Xetá e entende o que a gente fala”.
            
Os inquilinos
Outro filho de Tikuein, Júlio César, de 22 anos, participa da nossa entrevista, ao lado do irmão Claudemir. Os dois lembram algumas histórias contadas pelo pai, uma delas fala de uma onça que estraçalhou uma índia que havia ido catar jabuticaba no mato. O avô deles, Man, preparou uma armadilha para o bicho, conseguindo matá-lo a golpes de borduna – “êditxá”, na língua xetá. “Não sei se a escrita está certa” – ele diz.
 “Quem colocou nomes em todos os animais e em todas as plantas fomos nós, os índios”, conta um amigo de Tikuein, Carlos Cabrera, professor guarani que também se fez presente na Conferência em Faxinal. Carlos, que mora na mesma aldeia de São Jerônimo, lembra das conversas mantidas com seu amigo, em português, mas recheadas de palavras em Xetá e em Guarani, sobretudo os nomes de ervas e plantas medicinais.
Tikuein, que perdeu cedo seu pai, migrou pra cidade, morou em Pinhalzinho. Depois, foi para a aldeia São Jerônimo, onde era o único falante de Xeta, no meio dos Guarani e Kaingang. Foi aí que, diariamente, fazia confidências ao espelho, lembrando histórias da criação do mundo Xetá e da origem das plantas e animais. Até que a antropóloga Carmen Lúcia o localizou, promovendo o encontro dele com os outros dois Xetá, num lance carregado de muita emoção. O espelho foi, enfim, aposentado.
Em agosto de 1997, o Instituto Socioambiental (ISA) promoveu em Curitiba o “Encontro Xetá: sobreviventes do extermínio”, reunindo os que vivem dispersos, como inquilinos, em diferentes aldeias, “longe de seu território e impedidos de compartilhar os códigos de sua cultura, língua, organização social”. Hoje, só em São Jerônimo, são 35 famílias, com mais de cem pessoas. Eles iniciaram processo judicial para recuperar a terra e poder viver em paz em sua “apoeng”, de onde saíram contra sua vontade. Querem uma escola própria, onde possam falar e cantar em língua Xetá, ameaçada de extinção.
 A extinção é um risco permanente para as línguas indígenas, devido ao reduzido número de falantes e ao uso social restrito. Não existe literatura escrita nessas línguas, nem espaço na mídia. Em cinco séculos, mais de mil línguas indígenas desapareceram do mapa do Brasil. Cadê os poetas, os cantores, os rezadores, os sábios, os contadores de histórias? Onde as narrativas do vento, que explicam os mistérios do mundo?
 Tikuein, esse “doido” solitário, diante do espelho, nos comove, porque carrega, sozinho, sobre os seus ombros, o peso de um patrimônio imaterial da humanidade: a língua Xetá, os conhecimentos e a poesia que ela transporta, além das lembranças, quase sempre dolorosas. Daqui, de um jornal de Manaus, longe de tua aldeia, nós te dizemos: “Entxeiwi, Tikuein”. Tua língua, mesmo pendurada em um fiapo de esperança, permanece viva.
 P.S. – A Conferência Nacional de Educação Indígena, programada pelo MEC para setembro de 2009, cria esperanças quanto ao uso das línguas indígenas na escola e à ampliação de seus usos sociais. No Paraná, se o governador Requião contribuir para a recuperação da língua e do território Xetá, todos os seus pecados serão perdoados. Para conhecer melhor a resistência dos Xetá: 1) Carmen Lúcia da Silva: O trabalho da memória Xetá. Brasília. 2003. Tese de Doutorado em Antropologia; 2) Aryon Rodrigues: A língua dos índios Xetá como dialeto guarani. São Paulo. Cadernos de Estudos Lingüísticos. 1978; 3) Lucio Tadeu Mota e Eder Novak: Os Kaingang do Vale do Rio Ivai-PR – História e relações interculturais.Maringá. UEM. 2008.
 
TIKUEIN, ENTXEIWI: EL HOMBRE
QUE HABLABA CON EL ESPEJO
 
El hombre que hablaba con el espejo’. Ese podría ser el título más apelativo de la crónica de hoy. El hombre es Tikuein, un indio Xetá, de la aldea São Jerônimo, norte del Paraná, Brasil. En su lengua, “buenos días” es “Entxeiwi”, saludo con el que diariamente, iniciaba una larga conversación con el espejo. “Nadie me entendía, pensaban que estaba volviéndome loco” – dice. Es que no había nadie en la aldea que hablase Xetá: solamente Guaraní y Kaingang. Entonces, no tenía con quien alternar ideas en su propio idioma. Conversar con el espejo fue la estrategia que encontró para activar la memoria y mantener la lengua viva. El espejo respondía: “Entxeiwi, Tikuein”
Pero el espejo, un día se calló: Tikuein murió. La imagen trágica del ‘otro’ reflejada, se disipó. ¿Y el sonido de la lengua xetá? ¿Dejó de ser escuchado? No. Claudemir, hijo de Tikuein, está vivo y defiende la causa del padre. Participó esta semana de la Conferencia Regional Sur de Educación Indígena, en Faxinal do Céu (PR). En el evento, saludó al público en su idioma: “entxeiwi”. Conversé con él ayer. Me contó lo que aconteció con la lengua y con el pueblo Xetá, lo que tal vez nos ayude a comprender mejor el Brasil y nos aproxime más de nuestra humanidad – pobre! – tan distante y perdida. 
 
El pueblo Xetá
Los Xetá eran conocidos también como Botocudo, porque usaban en los labios un ‘botoque’ de resina de piñero. Vivían en el noroeste del Paraná, a lo largo de la margen izquierda del rio Ivaí y sus afluentes. Las primeras noticias dadas en 1842, por el Barón de Antonina, en carta al Ministro de Guerra, elogian los telares y los tejidos de algodón que fabricaban. Después, la política del gobierno imperial incentivó la implantación de colonias extranjeras en las tierras indígenas, asaltadas por expediciones, que quemaban aldeas y aprisionaban a sus habitantes. 
Otros indios – los Kaingang - cuyas tierras también habían sido invadidas por haciendas de ganado, acorralados, ocuparon parte del territorio tradicional de los Xetá en las matas del río Ivai, desalojándolos. Según el historiador Lucio Tadeu, “muchos Xetá acabaron prisioneros de los Kaingang”. Los que huyeron de la violencia de los hacendados y de los Kaingang, subieron las montañas entre el Ivai y el Corumbataí, despareciendo del mapa.
Mientras tanto, en la década de 1950, el Gobierno del Paraná, sin cualquier escrúpulo, entregó las tierras indígenas  a las compañías colonizadoras. Los Xetá – la última etnia del Paraná a entrar en contacto con el Estado Nacional – fueron nuevamente víctimas de los hacendados que esta vez, querían plantar café. El resultado fue trágico, según la antropóloga Carmen Lucia da Silva: “violaciones, envenenamientos, transferencias de familias a otras áreas indígenas, robo de niños, dispersión de familias enteras que las colocaban en camiones de las Compañías Colonizadoras y largadas en locales desconocidos hasta hoy”. Tratamiento que no se debe dar ni siquiera a los animales.
Los sobrevivientes vagaron sin rumbo, dispersos, deambulando por el borde de las carreteras, hasta que fueron considerados extintos. En ese período, el lingüista Aryon Rodrigues, hoy en la Universidad de Brasilia (UnB), localizó los últimos hablantes de Xetá y grabó entrevistas en esta lengua, lo que le permitió estudiarla y clasificarla como pariente del Guaraní y tan diferente del Kaingang, lengua de la familia jê, como el portugués del alemán.
 
La lengua Xetá
El siglo XXI comienza con  solamente tres sobrevivientes que hablaban fluentemente la lengua Xetá: Tucanambá José Paraná, muerto en 2008, a los 64 años; Coein Manhaai Nhaguká, actualmente con 75 años, víctima de un accidente vascular cerebral que lo dejó sin hablar; y Tikuein, conocido también como José Luciano da Silva, que murió como vivió: luchando por la lengua. El día 9 de diciembre de 2005, estaba en Brasília, registrando datos del idioma Xetá en el Laboratorio de Lenguas Indígenas de la UnB, cuando sufrió un derrame fulminante. Dejó una viuda, que no es india, y 12 hijos.
Uno de ellos, Claudemir, de 30 años, profesor de una escuela indígena, me contó que su lengua materna, aprendida en el regazo de la madre es el portugués. Pero desde pequeño, a los siete años, acompañaba siempre al padre, con quien fue aprendiendo algo de Xetá: “Aprendí lo básico, el frejol-con-arroz” – dice. Claudemir habla también el Kaingang, lengua materna de su mujer.
La estrategia para que la lengua Xetá no muera dispensa, ahora, el uso del espejo. Claudemir tiene con quien conversar: sus hermanos. Casi diariamente, pero  especialmente los fines de semana, se reúnen en la casa de la madre y procuran conversar en Xetá. El que sabe más, le va enseñando a los otros. Confiesa que ninguno  de ellos es fluente, pero “el profesor Aryon que grabó y filmó los Xetá, nos está  ayudando a colocar las cosas en su lugar, a escribir la lengua, con Carmen, que conoce muy bien los Xetá y entiende lo que hablamos”.
 
Los inquilinos
Otro hijo de Tikuein, Júlio César, de 22 años, participa de nuestra entrevista, al lado del hermano Claudemir. Los dos recuerdan algunas historias que el padre contaba, una de ellas se refiere a un puma que destrozó una india que había ido a recoger la fruta jabuticaba en la mata. El abuelo, Man, preparó una armadilla para el animal, consiguiendo matarlo a golpes de borduna – “êditxá”, en la lengua xetá. “No sé si está bien escrita” – dice.
“Quien le puso  nombres a todos los animales y a todas las plantas fuimos nosotros, los indios”, cuenta un amigo de Tikuein, Carlos Cabrera, profesor guaraní que también se hizo presente en la Conferencia Regional de Educación Indigena. Carlos, que vive en la misma aldea de São Jerônimo, recuerda las pláticas con su amigo, en portugués, pero llenas de palabras en Xetá y en Guaraní, sobre todo los nombres de hierbas y plantas medicinales. 
Tikuein, que perdió el padre muy joven, migró hacia la ciudad, vivió en Pinhalzinho. Después, fue a la aldea São Jerônimo, donde era el único hablante de Xeta, en medio de los Guaraní y Kaingang. Fue ahí que diariamente hacía confidencias al espejo, recordando historias de la creación del mundo Xetá y del origen de las plantas y animales. Hasta que la antropóloga Carmen Lúcia lo localizó, promoviendo el encuentro  con los otros dos Xetá, en un episodio cargado de mucha emoción. El espejo fue así jubilado.
En agosto de 1997, el Instituto Socioambiental (ISA) promovió en Curitiba el “Encuentro Xetá: sobrevivientes del exterminio”, reuniendo los que viven dispersos, como inquilinos, en diferentes aldeas, “lejos de su territorio e impedidos de compartir los códigos de su cultura, lengua, organización social”. Hoy, solamente en São Jerônimo, son 35 familias, con más de cien personas. Iniciaron proceso judicial para recuperar la tierra y poder vivir en paz en su “apoeng”, de donde salieron contra su voluntad. Quieren una escuela propia, donde puedan hablar y cantar en lengua Xetá, amenazada de extinción.
La extinción es un riesgo permanente para las lenguas indígenas, debido al reducido número de hablantes y al uso social restricto. No existe literatura escrita en esas lenguas, ni espacio en los medios de comunicación. En cinco siglos, más de mil lenguas indígenas desaparecieron del mapa del Brasil. ¿Dónde están los poetas, los cantores, los rezadores, los sabios, los contadores de historias? ¿Dónde están las narrativas del viento que explican los misterios del mundo?
Tikuein, ese “loco” solitario, frente al espejo, nos conmueve, porque carga, solitario sobre sus hombros, el peso de un patrimonio inmaterial de la humanidad: la lengua Xetá, los conocimientos y la poesía que transporta, además de los recuerdos, casi siempre dolorosos. De aqui, de um periódico de Manaus, lejos de tu aldea, te decimos: “Entxeiwi, Tikuein”. Tu lengua, aunque colgada en una hilacha de esperanza, permanece viva.
P.S. – La I Conferencia Nacional de Educación Indígena, programada por el Ministerio de Educación Nacional (MEC) para desarrollarse del 16 al 20 de noviembre de 2009, crea esperanzas sobre el uso de las lenguas indígenas en la escuela y la ampliación de sus usos sociales. En el Paraná, si el gobernador Requião contribuye en la recuperación de la lengua y del territorio Xetá, todos sus pecados públicos serán perdonados. Informaciones sobre la resistencia de los Xetá se pueden encontrar en: 1) Carmen Lúcia da Silva: O trabalho da memória Xetá.Brasília. 2003. Tesis de Doctorado en Antropologia; 2) Aryon Rodrigues: A língua dos índios Xetá como dialeto guarani. São Paulo. Cadernos de Estudos Lingüísticos. 1978; 3) Lucio Tadeu Mota y Eder Novak: Os Kaingang do Vale do Rio Ivai-PR – História e relações interculturais.Maringá. UEM. 2008.
Artículo publicado en el Diário do Amazonas, ciudad de Manaus, el 03/05/2009
José Ribamar Bessa Freire es profesor en el curso de Postgrado de Memoria Social de la Universidad Federal del Estado de Rio de Janeiro (UNIRIO) y coordinador del Programa de Estudios de los Pueblos Indigenas en la Universidad del Estado de Rio de Janeiro (UERJ).
 

 

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