CRÔNICAS

E SE HOUVER GOLPE?

Em: 03 de Abril de 2016 Visualizações: 6876
E SE HOUVER GOLPE?

 

Há um brasileiro que quer viver

 e começa a viver dividido

 entre um Brasil que morre

 e outro Brasil que esperneia.

 Brasileirinho que vens ao mundo,

Que  Deus te proteja.

Um dos dois Brasís

 há de ferir teu coração.

 (Parafraseando Antonio Machado)

Foi no auditório lotado da Universidade Federal Fluminense (UFF), quarta-feira (30) na mesa em que participei. Havíamos acabado de gritar juntos: Não vai ter golpe! - E se houver? - indaguei na minha fala. Para o Brasil mobilizado contra o golpe, a pergunta é impertinente, mas também o é para o outro Brasil que crê tratar-se de um impeachment legal e talvez descubra, tarde demais, que foi mesmo um golpe. Neste caso, por razões diferentes, os dois Brasis foram enganados por aqueles que planejaram e executaram o golpe. Esse filme já passou aqui, em 1964, e na Espanha, em 1936.

Na minha intervenção, lembrei o livro "1964, a Conquista do Estado - Ação Política, Poder e Golpe de Classe" escrito pelo ex-professor da UFF, já falecido, o cientista político uruguaio René Dreifuss, que nos revela os mecanismos do golpe de 1964, ensaiado três anos antes quando Jânio Quadros renunciou. Ele cita o general Golbery que, diante da tentativa abortada em 1961, aprendeu a lição e concluiu que "não basta tanque e canhão para dar um golpe, é preciso o apoio da opinião pública".

Para conquistar esse apoio, a mídia desencadeou entre 1961 e 1964 uma campanha massiva e ininterrupta de anticomunismo histérico e primário, desinformou, manipulou, confundiu. Dreifuss encontrou na Biblioteca Nacional os arquivos do IPES e do IBAD, instituições que repassavam recursos de empresas multinacionais a jornalistas, políticos, escritores, editoras para que aterrorizassem a população com o fantasma do comunismo. O autor publicou o Caixa 2, com listas nominais e quantias pagas a cada "salvador do Brasil" com espaço na mídia.  

As candocas

A mídia matraqueou à exaustão que Jango e os comunistas iam abolir a propriedade privada e tomar o apartamento de quem tinha um e até de quem sonhava em tê-lo. Mais de cem títulos de livros anticomunistas editados em três anos tiveram distribuição gratuita nas bancas de jornais, segundo levantamento de alunos de Biblioteconomia da UNIRIO que seguiram as pistas de Dreifuss. As pessoas, já amedrontadas, foram convocadas para defender a propriedade ameaçada em grandes manifestações contra o comunismo e a corrupção.

A marcha da CAMDE - Campanha da Mulher pela Democracia - mobilizou as candocas criticadas pelo humorista Stanislaw Ponte Preta tão isolado nas páginas dos jornais quanto L.F. Verissimo está hoje. Até Deus teve seu santo nome invocado para apoiar o golpe na Marcha da Família com Deus pela Liberdade que reuniu 800 mil pessoas em São Paulo em 19 de março de 1964.

As ruas certamente se esvaziariam se os manifestantes naquele momento tivessem conhecimento das listas do complexo IPES-IBAD, constatando que tudo aquilo era orquestrado. Mas só depois de Inês morta, com a democracia já sepultada é que muita gente boa descobriu a manipulação e sofreu as consequências: censura, prisões, tortura, exílio. E agora, vai haver golpe? Hoje, já nem precisa de canhão para golpear o país. Basta a aliança da Matraca global com Cunha, Temer, Gilmar Mendes e o pato da FIESP.

- A FIESP montou um Caixa 2 de, por enquanto, R$ 500 milhões para comprar o impeachment de Dilma, dos quais R$ 300 milhões são recursos públicos administrados em nome do Sesi e do Senai, segundo denúncias do economista J. Carlos de Assis, ex-assessor da Confederação Nacional da Indústria. Ele noticiou uma ação popular contra a Fiesp e seu presidente, Paulo Skaf, por desvio de dinheiro público na campanha do golpe.

Ser contra o golpe não é defender Dilma contra quem fizemos campanha, horrorizados com a degradação do debate político promovida pelo marqueteiro João Santana que enxovalhou Marina Silva. Dificil apoiar um governo que tem uma política ecocida e antiindigena, que produz Belo Monte e que tem como ministra Kátia Abreu, a miss motoserra. No entanto, o que está em jogo é a democracia, ameaçada pela quadrilha comandada na Câmara de Deputados por Eduardo Cunha (PMDB, vixe, vixe).  

No pasarán

Quem é a favor do impeachment deve desconfiar do golpe e de seus companheiros de viagem. É uma inversão de valores. A presidente, cuja honestidade pessoal não é contestada nem por seu mais ferrenho inimigo, vai ser julgada por dezenas de indiciados na Lava-Jato - uma operação aplaudida até ficar enfraquecida pelos vazamentos do juiz Sérgio Moro, que já pediu desculpas públicas pelo erro, mas acabou instrumentalizando os golpistas, turbinando as manifestações de rua e acirrando o ódio e a intolerância entre os dois brasis como ocorreu na Espanha, cuja história recente nos traz ensinamentos.

Em tempos bicudos, é bom se amparar na poesia, na beleza e na reflexão que ela proporciona. O poeta Antonio Machado anunciou, em 1909, a tragédia de uma Espanha bipolar. Nos "Provérbios y Cantares" - composições poéticas de caráter popular que recolhem a tradição oral e a sabedoria coletiva - usa a força da imagem do recém nascido, cujo destino está ameaçado pelo país estilhaçado.

Hay un español que quiere vivir

y a vivir empieza,

entre una España que muere

y otra España que bosteza.

Españolito que vienes  al mundo

te guarde Dios.

Una de las dos Españas

ha de helarte el corazón.

Menos de trinta anos depois, em 1936, já na Espanha Republicana, a esquerda ganhou as eleições com 47.1% dos votos contra 45.6% da direita que, inconformada, optou pelo golpe. "No pasarán", o grito de Dolores Ibarruri, La Pasionária, que ecoou em defesa da democracia, soava como o nosso "não vai haver golpe". Houve. No dia 18 de julho de 1936, o general Franco usou as armas para tomar o poder com ajuda da Alemanha nazista e da Itália fascista, mas a outra Espanha resistiu durante mais de três anos.

Começou a Guerra Civil, que fraturou o país, dividiu famílias e comunidades, enterrou amizades e revelou a fera dentro de cada um. O filme "Viva La Muerte" de Arrabal ilustra essa desagregação através do personagem Fando, um menino que assiste a prisão do pai, militante da Frente Popular, denunciado por sua própria mulher, mãe de Fando, que era fascista.

Aqui, os brasileirinhos já começam a ser feridos no coração por um dos brasis. A pediatra Maria Dolores Bressan negou atendimento a um bebê de um ano em Porto Alegre (RS) alegando que a mãe dele era petista. Recebeu apoio do presidente da Unimed em Bauru (SP), Roberson Moron: "A única obrigação ética é atender emergência. Se não é emergência, que procure outro médico que aceite atender canalhas". Esse clima demencial é que levou à morte a mais de 400 mil espanhóis, entre eles o poeta Garcia Lorca.

As tropas franquistas venceram no dia - olhem só a data - 1º de abril de 1939, e a Espanha exaurida mergulhou na noite de uma ditadura que durou quase quatro décadas. Dois anos antes, em 1937, outro poeta - o peruano Cesar Vallejo que lutou na Guerra Civil Espanhola - evoca a dor em "España, aparta de mi ese cáliz". Diante da palavra de ordem "no pasarán", ele se perguntou, temeroso: "E se passarem?". Convoca, então, desta vez as crianças do mundo inteiro:  

Niños del mundo,

si cae España

digo, es un decir,

si la madre España cae,

digo, es un decir,

salid, niños del mundo,

id a buscarla!

Se houver golpe - digo, assim por dizer - se vencer o Brasil da pediatra gaúcha, quem irá tirá-lo do fosso? Quem pagará essa dívida histórica com nossos filhos e netos?

P.S.1 Para Maria, Flavinha e todas aquelas mulheres dos dois brasis que abrigam no ventre os nossos benditos frutos.

P.S.2 - Pensava em comentar aqui as defesas nesta semana de uma tese de doutorado na UFF e uma dissertação de mestrado na UNIRIO, ambas abordando a temática indígena com muita qualidade, que bem mereciam uma resenha. A conjuntura não deixou. Fica aqui o registro para os interessados:

a) Ticiana de Oliveira Antunes. Indios arengueiros: senhores da Igreja? Religião e Cultura Política dos indios no Ceará do Oitocentos. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. UFF. Banca: Regina Celestino (orientadora), Isabelle da Silva (UFC), Larissa Viana (UFF), José R. Bessa Freire (UNIRIO/UERJ), Verônica Secreto Ferreras (UFF). Defesa: 29 de março de 2016.

b) Aline da Silva Franca. Do cocar ao catálogo: a representação bibliográfica de da autoria indígena no Brasil. Mestrado Profissional em Biblioteconomia. UNIRIO. Banca: Naira Christofoletti Silveira (orientadora), Elisa Campos Machado (UNIRIO), José R. Bessa Freire (UNIRIO/UERJ). Defesa: 30 de março de 2016.

 

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34 Comentário(s)

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Luciane Lucas Dos Santos comentou:
17/04/2016
Me lembrei do seu texto. Tô me sentindo até mal com este show de horrores.
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CELIA MARIA SILVA MORAIS comentou:
08/04/2016
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Nadinny Alves (via FB) comentou:
07/04/2016
É preciso recorrer nesse momento complicado que vivemos não apenas as leis, mas a História. Grande esclarecedora na maior parte da vezes, vemos um quadro muito semelhante ao golpe de 1964 tomar proporções cada vez maiores. Tenho medo, medo que todos deveriam ter, mas também tenho coragem para lutar e continuar dizendo que SOU CONTRA ESSE TIPO DE GOLPE E QUE VAI CONTINUAR TENDO LUTA SIM. A Globo se assemelha cada vez mais com o quadro do IPES-IBAD (1961-1964). É o golpe tomando forma outra vez? As pessoas se deixando manipular a ponto de convocar novamente uma Marcha da Família com Deus pela Liberdade? Para que quantas pessoas paguem o preço depois? Eu não queria viver esse momento!!!
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Paulo Roberto comentou:
05/04/2016
Meu caro Ribamar Nesta mais recente crônica, chamou-me a atenção o trecho: A presidente, cuja honestidade pessoal não é contestada nem por seu mais ferrenho inimigo Muito bem empregado o verbo contestar. Sua Excelência a Srª. Presidente ainda não teve contestada a sua honestidade pessoal porque até agora não veio a público qualquer prova de que ela recebido vantagem indevida para autorizar a compra da refinaria de Pasadena, quando presidia o conselho de administração da Petrobrás. Sem essa prova, só se pode acusar Dilma Rousseff de desleixo, desídia, despreparo, inépcia, incapacidade e incompetência. Grande abraço,
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Flora Cabalzar comentou:
05/04/2016
Sensei Bessa!! Gracias. Também pelas indicações de leitura! Como dizia "alguém no FB" (!!)..."deixa eu contar uma coisa. Ser de esquerda não é ser petista. Ser contra o impeachment da presidenta não é ser petista. Ser contra as investigações seletivas de Sergio Moro não é ser petista. Ser contra a cobertura parcial e cretina da rede globo não é ser petista. Usar vermelho não é ser petista.Andar de bicicleta não é ser petista. Estar do lado dos movimentos sociais não é ser petista. Ser empático às lutas das minorias não é ser petista. Flw vlw..."
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Soraya Cordeiro comentou:
03/04/2016
Deu na Folha de SP (03/04/2015) Movimentos antigoverno não revelam origem e volume de suas receitas As finanças dos principais movimentos pró-impeachment, responsáveis por mobilizar milhares de pessoas em protestos contra a presidente Dilma Rousseff, são uma caixa preta. Nenhum dos três principais grupos que convocaram os grandes protestos antigoverno divulga a origem e a quantidade de dinheiro usado para custear suas ações políticas. Apesar de exigir transparência do governo, os movimentos informam apenas que o dinheiro entra através de doações de pessoas físicas e da venda de produtos. Não se sabe o número de doadores ou o valor da colaboração média. Há casos de recebimento de doações em conta de pessoa física e de coleta informal de dinheiro vivo. A Folha buscou detalhes das finanças dos três grupos mais influentes nas redes sociais: Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Revoltados Online. O MBL, único que enviou dados à reportagem, divulgou despesas no último protesto em São Paulo, que reuniu 500 mil na avenida Paulista, sem indicar origem dos recursos. Foram gastos R$ 28 mil com caminhão, seguranças e publicidade no Facebook, entre outras despesas. O montante, porém, não refere-se ao total usado nas atividades do movimento, que incluem viagens a Brasília. Os fornecedores não são divulgados e as notas não foram enviadas até a conclusão desta edição. O Vem Pra Rua se negou a abrir detalhes dos doadores. Segundo o porta-voz do movimento, Rogério Chequer, contribuições nem sequer passam por conta bancária. A orientação aos colaboradores, diz, é que paguem diretamente aos fornecedores. O Revoltados não respondeu aos contatos da Folha. Sem prestação de contas não é possível verificar, por exemplo, se os doadores são apartidários e se não há dinheiro público, como alegam os movimentos. Em Brasília, o grupo fechou contrato com um carro de som para quatro dias ao custo de R$ 40 mil, segundo o empresário que forneceu o equipamento, Rubens Dornelas, 48. "Temos um relacionamento que vem desde o ano passado. Como é um pacote, cobrei R$ 10 mil por dia. Para pagar, eles fazem uma vaquinha e coletam doações no próprio carro", diz. O MBL diz não nomear fornecedores para evitar que sofram retaliação.
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Edimar Garcia comentou:
03/04/2016
Excelente cronica que auxilia, aos que ainda conseguem ler desarmados, no resgate das verdades sobre este processo, que hoje é vitima do ódio. Obrigado
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Joca Oeiras comentou:
03/04/2016
Querido Zé Ribamar: Tomo a liberdade de postar, aqu,i um comentário que postei, horas atrás, no meu facebook; DESCULPEM A FRANQUEZA! Imagino que ninguém duvide, sou contra o golpe que eles estão armando. Mas, se o golpe não vingar, como espero, o que será do amanhã? A palavra de ordem "Não ao golpe" é correta mas, e daí? Qual pode ser o projeto para esse triste país, vencido o golpe? Qual pode ser a bandeira do "Sim, vamos em frente, construir algo por que valha a pena lutar!" Será pedir muito alguma, por mínima que seja, esperança, algo por que lutar para conseguir? Contato de Joca Oeiras
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Francisco Carlos comentou:
03/04/2016
Sou a favor do impedimento da presidente da República. Embora sabendo que seu provável substituto não é o presidente ideal, mas temos que parar com derretimento do Brasil antes que o país chegue ao nível de degradação da Argentina e da Venezuela. Dizem que a presidente é honesta, mas ela está cercada de Edinhos, Erenices, Cerverós e Paulinhos; portanto, ou ela é desonesta como seus auxiliares, ou é incompetente (dize-me com quem andas e ti direi quem és). O Brasil não merece sofrer pela desonestidade ou incompetência de uma pessoa.
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Neto Reis comentou:
03/04/2016
É lamentável que professores universitários não enxerguem o que a realidade mostra na cara. Cegos são aqueles que não querem ver. Tentam sofismar para o povo o termo golpe, como se esse governo e partido criminoso já não estejam praticando faz tempo não é cronista. Fico triste e ao mesmo tempo feliz, pois o povo brasileiro, 80% reprovam toda essa roubalheira, segundo os institutos de pesquisa - Datafolha - Ibope, etc, não vão mais se deixar enganar. Já passamos por isso não é cronista, houve impeachmem, o Brasil seguiu o seu caminho, já esqueceu cara pálida. O dia D desse governo criminoso está chegando, e o Brasil e seu povo seguirão o seu caminho, como já ocorreu, não é mesmo cronista. ¨E Se houver golpe¨ é de achar graça, se não fosse trágico, é subestimar a inteligência nossa de cada dia. VIVA O BRASIL DE VERDE AMARELO QUE QUER MUDANÇA JÁ
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Silvia Cárcamo comentou:
02/04/2016
Pareceu-me uma análise muito acertada e inteligente do momento político, lembrando como se gestaram outros golpes. O objetivo é conseguir algum tipo de apoio popular. Contato de Silvia Cárcamo
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Rafael Rosa Hagemeyer comentou:
02/04/2016
Espanha no coração... "Hoje as nuvens me trouxeram voando o mapa da Espanha", disse o poeta Rafael Alberti em seu exílio na Argentina. Foi assim que me senti ao ler o texto do meu compatriota amazonense José Bessa. Eu morei na Espanha, estudei a Guerra Civil Espanhola, e tenho aquele pais com imenso carinho. E sei através dele o que é uma guerra civil, que divide o território, separa as famílias, impõe desconfiança entre vizinhos, destrói amizades. Rompe o coração e rasga a alma. O fascismo não retrocede, sua voracidade é implacável, exalta demonstrações de força e só retrocede diante disso, é a única coisa que respeita. E ele está mostrando seus dentes afiados aqui no Brasil como já não imaginava ver um dia, e não acredito que as lindas demonstrações populares, poéticas e inteligentes sejam capazes de freá-lo, pois na sua sensibilidade é embotada isso só produz mais raiva e vontade de destruição. Matam os poetas para negar sua incapacidade e frustração de não produzir poesia - sem a qual a vida não tem sentido. Por isso não pude deixar de me emocionar com o poema premonitório do espanhol Antonio Machado. E temo que não possa fazer nada para impedir a tempestade que vem se desenhando no nosso horizonte, pois os cavalos estão sem rédeas nem estribos, e nada parece capaz de detê-los em seu frenesi enlouquecido.
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José Seráfico comentou:
02/04/2016
Meu caro Bessa, assim como os ganhos conquistados pelos mais pobres não dão o direito de serem praticados atos como os de que a Petrobrás foi vítima, os erros de um governo não justificam um golpe. Tenho acompanhado a situação nacional, como acompanho a política brasileira, desde o ano de 1954, quando Getúlio se suicidou. Embora a história não se repita, se não como farsa, os métodos empregados podem repetir-se. Mudam-se os nomes dos agentes, mas as práticas permanecem. Quando você lembra o IBAD e o ILPES, parece falar da Globo e de quase toda a grande imprensa brasileira, aliada a certas entidades patronais. Tem razão o comentarista que diz sentir-se traído pelo PT, Lula e Dilma. Nem isso autoriza tolerância com qualquer golpe. Sobretudo pelas consequências que recairiam sobre todos os brasileiros, poupados, por certo, os de sempre. Os que obtêm dinheiro público com facilidade, os que enviam dinheiro ilegalmente para fora e são premiados com a tal repatriação, os que têm seus nomes envolvidos com as falcatruas que a Operação Lavajato pôs a público. Pensar no dia seguinte é expor-se a efeitos ainda mais danosos dos que até hoje se têm, experimentado. Até um Ministro do STF já alertou para isso. As hostilidades feitas contra os praticantes ou supostos praticantes de crimes é apenas um retrato do quanto a situação é grave e quanto se dissemina a percepção de que boa é a lei que pune o terceiro, péssima para cada um de nós. Ao mesmo tempo em que cometemos as pequenas fraudes (furar fila de ambulatório, estacionar em vaga para deficiente, jogar lixo na rua etc), criticamos os outros. A tentativa de Dilma em obter número de congressistas que impeça o impeachment é legítima, tanto quanto o processo legalmente conduzido da proposta que pretende tirá-la do poder. Se a Presidente se negasse a isso, estaria mostrando fastio pela política, o que é inadmissível em quem concorreu ao cargo porque quis. Contra o golpe e contra a corrupção - esta deve ser a preocupação dos brasileiros que não têm o que temer. Só assim não teremos Temer.
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Elza Ibrahim comentou:
02/04/2016
Que texto emocionante! Além de uma verdadeira aula... Obrigada professor! Não passarão!!!
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vânia novoa tadros comentou:
02/04/2016
NO PASSARÁN! NO PASSARÁN 23. 06. 2016 * Por Vânia Novoa Tadros para minha neta Maria Bolognese Novoa Tadros NÃO, NÃO, NÃO! ESSA NÃO! SR. JOSÉ EDUARDO CARDOSO, (ADVOGADO GERAL DA DILMA). NESTE MOMENTO EM QUE OS ARTICULISTAS DEFENDEM A PROPRIEDADE SOBRE DETERMINADAS PALAVRAS O SENHOR NÃO TEM O DIREITO DE GRITAR, AINDA MAIS PARA DEFENDER A DILMA!NO PASSARÁN! “!NO PASSARÁN! “! NO PASSARÁN!” PRINCIPALMENTE, APÓS TER DEFENDIDO QUE O IMPEACHEMENT NÃO É UM ATO DEMOCRÁTICO. ESSA FRASE FOI PRONUNCIADA POR EMELIANO ZAPATA, PELO CORONEL PÉTAIN E POR LA PASSIONÁRIA EM SITUAÇÕES DISTINTAS DA QUAL USOU. ESTE GRITO, EM 1936, FOI BRADADO, COM EFICÁCIA, PELA ESPANHOLA BASCA DE GALLATA, PROVINCIA DE VIZCAYA, ISADORA DOLORES IBÁRRURI GÓMES, CONHECIDA COMO LA PASSIONÁRIA, QUANDO OS NAZISTAS ESTAVAM PRÓXIMOS A PORTA DE MADRID PARA DEFENDEREM OS FRANQUISTAS. COM SUA GRANDE LIDERANÇA POPULAR ELA FOI PARA A RÁDIO REPUBLICANA DE MADRID E CONCLAMOU OS MADRILENHOS A RESISTIREM AOS ALEMÃES COM UM DISCURSO INCENTIVADOR CUJO GRITO DE GUERRA A IMORTALIZOU: ! NO PASSARÁN, NO PASSARÁN, NO PASSARÁN! A POPULAÇÃO DE MADRID ARMOU-SE COM O QUE TINHA E ENFRENTOU OS NAZISTAS QUE FICARAM SABENDO O QUANTO DÓI SE METER COM UMA ESPANHOLA VALENTE E ENGAJADA. LA PASSIONÁRIA ERA EXTREMAMENTE HONESTA E LUTAVA DE VERDADE PELO DIREITO DOS POBRES, SEM TEMOR. O SENHOR, SR. JOSÉ EDUARDO DETURPA O DIREITO PARA DEFENDER A DILMA E SEU GOVERNO CORRUPTO, OU MELHOR, O SEU CARGO E MORDOMIAS. DEFENDE O LULA, UM MEDROSO QUE ROUBA, MAS DEPOIS TREME DE MEDO FRENTE À AMEAÇA DE SER PRESO. DESDE O INÍCIO DAS INVESTIGAÇÕES MUITAS MULHERES E HOMENS FORAM PRESOS E NÃO APRESENTARAM ESSE TEMOR AGONIADO. OUTRA FRASE QUE LA PASSIONÁRIA USAVA NA SUA MITÂNCIA QUE EU CONSIDERO FENOMINAL ERA: !PARA VIVER DE JOELHOS É PREFERÍVEL MORRER EM PÉ!. ( ¡Para vivir de rodillas, es mejor morir de pié! e ¡No pasarán!). ENTÃO ADVOGADO DA DILMA, O SENHOR NÃO TEM ESTATURA PARA USAR UMA FRASE DESSAS EM CONTEXTO TÃO ASQUEROSO. NÓS VAMOS PASSAR SIM, O POVO HONESTO DESTE PAÍS VAI PASSAR E ALGUÉM DIGNO VAI SUBIR A RAMPA DO PALÁCIO DO PLANALTO PARA PODERMOS VOLTAR A ADMIRAR POR INTEIRO ESSA OBRA PROJETADA PELO ARQUITETO OSCAR NIEMEYER.
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Hans Alfred Trein comentou:
05/04/2016
Cara Vania, releia o texto do Bessa. Voce vai se encontrar nele.
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Vera Dodebei comentou:
02/04/2016
Vou comentar a dissertação da Aline que li por ser participante da banca na condição de suplente. O texto me emocionou por duas razões: a primeira por ser a autora uma bibliotecária que, geralmente, não é reconhecida como uma pessoa que se posiciona crítica e politicamente; a segunda razão é a da denúncia que ela faz sobre a parcialidade dos sistemas de representação da informação, de cunho colonialista, redutor e avesso à diferença. Aline mostra a todos os bibliotecários brasileiros que ao catalogar e indexar documentos, não somos e não devemos ser neutros (como diz nosso juramento profissional). A autoria coletiva de textos de comunidades indígenas não pode ser desprezada em prol de uma norma técnica de catalogação retrógrada que nada entende de identidade, de memória coletiva, de tradição e de vida. Parabéns a Aline e a seus orientadores acadêmicos!
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Tania comentou:
02/04/2016
Belo texto,Bessa! Golpe e golpistas já há aos montes!!! Continuarão a dar novos golpes...
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Sócrates Damasceno comentou:
02/04/2016
VEJA O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM SP PUBLICADO PELO GGN O clima de terceiro turno em algumas capitais do País foi levado ao extremo. Ministros e ex-ministros foram e são hostilizados nas ruas; sedes do PT, atacadas, e militantes ou simpatizantes da legenda são humilhados, muitas vezes, sem reação. A socióloga Walquiria Leão Rego, autora do livro “Vozes do Bolsa Família”, dentre outros títulos, se encaixa nesta última categoria. Até que a segurança pessoal de sua filha foi colocada em risco e ela decidiu recorrer à polícia. Na tarde desta sexta-feira (11), enquanto aguardava atendimento no 23º Distrito Policial de Perdizes, na capital paulista, Walquiria relatou ao GGN o drama que vive com frequência há mais de um ano, por causa de um morador do apartamento um andar abaixo ao seu, no bairro nobre de São Paulo – região onde ocorrem os famosos panelaços contra o governo. Segundo a socióloga, o vizinho nunca escondeu sua aversão à gestão petista. Mas há algumas semanas, ele “deixou de se contentar em apenas bater panela” e partiu para a provocação. Nas últimas passagens de Dilma na televisão, “ele pegava um pedaço de pau e batia no teto, colocava a cabeça para fora da janela e gritava palavrões.” O morador destemperado agrediu verbalmente o marido de Walquíria. “Ele (o vizinho) e sua mulher estavam aguardando o elevador, e quando meu marido saiu, passou a ser ofendido. Ele gritava que meu marido era corrupto, ladrão, e ‘Fora PT’. Tudo isso foi gravado pelas câmeras internas, mas o porteiro me informou que preciso de um técnico para recuperar as imagens, que não foram arquivadas.” Segundo Walquiria, seu marido saiu do elevador e, na medida em que o vizinho continuava gritando, apenas respondeu: “O senhor me respeite, que eu não falo com o senhor.” E ouviu em retorno: “Eu não respeito petista, ladrão, corrupto.” Após o episódio, a síndica do condomínio foi procurada. Walquiria ficou em dúvida sobre fazer um Boletim de Ocorrência, mas rapidamente foi dissuadida, “porque não ia pegar bem para o prédio envolver a polícia em briga de vizinhos.” Ela, então, tentou conversar com a esposa do agressor, “na expectativa dela dizer que ele tem problemas mentais que justificam aquela postura.” Mas a esposa não quis conversa. Nesta sexta-feira (11), a filha de Walquiria, uma historiadora na casa dos 40, mãe de um menino, estacionava o carro próximo à portaria do prédio da mãe – conhecida pelo trabalho como pesquisadora da Unicamp e pelo livro do Bolsa Família – quando o vizinho anti-petista surgiu. “Minha filha ficou olhando, pois já sabia como ele é e tinha medo dele. Ele não gostou e ficou perguntado ‘Tá olhando o quê? Tá olhando o quê, filha da puta?’, e fez gestos obscenos com o dedo da mão. Minha filha decidiu pegar o celular e disse para ele repetir o gesto, que ela iria gravar. Foi quando ele entrou no carro e deu ré, jogando o carro na direção dela. Ela chegou em casa me relatando isso aos prantos”, disse Walquíria. As imagens, mais uma vez, foram registradas pelas câmaras de segurança do condomínio. O relato do responsável pela portaria à socióloga dá conta de que “o vizinho acelerou tanto que se houvesse crianças no trajeto que ele fez para deixar o prédio, elas seriam atropeladas”. “Ele (o porteiro) já presenciou tantas cenas desse vizinho que tenho certeza que deve estar com medo de dizer algo contra ele, agora”, comentou. Walquiria decidiu fazer um B.O. “Mas a gente vem para a delegacia com aquela cara que você pode imaginar, de petista que vai ouvir de delegado ou outro agente que foi bem feito, que a gente tem que sofrer mesmo. É o que acontece hoje. A mídia criou um ambiente de ódio semelhante ao que fizeram no nazismo. As pessoas estão fora de controle e acham que podem agredir ou até matar um petista sem que ninguém faça nada. E se ninguém do nosso lado fizer nada, é isso o que vai acontecer”, avaliou.Cíntia Alves, do GGN)
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Mauro Almeida comentou:
02/04/2016
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Décio Adams comentou:
02/04/2016
A verdade mais cristalina. Nem tudo são flores no governo de Dilma, principalmente nesse segundo mandato em que ela não teve um dia sequer de paz para de fato governar. Se o golpe for derrotado, haverá a permanência do clima de ódio entre os vencedores e derrotados. Se ele vencer, os derrotados podem sem grandes problemas, desencadear uma conflagração civil, o que também é um grave risco para a nação, sem contar com os retrocessos sociais que irão ocorrer. Contato de Décio Adams
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Leticia Couto (via FB) comentou:
02/04/2016
No debate da UFF, Bessa Freire, professor da UERJ e da UNIRIO, declarou que “se houver golpe, nós iremos buscar o Brasil lá onde ele estiver. É uma dívida histórica com nossos filhos e nossos netos”. Gostei do plural inclusivo!!!
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Soraia Magalhães comentou:
02/04/2016
Seus textos sempre me emocionam.
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Toni Lotar comentou:
02/04/2016
O grande dilema atual é que, depois do governo do PT promover no primeiro governo Lula importantes conquistas sociais, a facção dominante do partido optou por corromper-se no poder e locupletar-se pessoalmente como agora a polícia federal, a receita federal,o ministério público federal, o judiciário com o aval do STF estão apurando e comprovando. Neste processo, esta facção petista aliou-se com o que havia de pior na classe política brasileira, juntando na chamada "base do governo" um verdadeiro "saco de gatos e ratos", inclusive cooptando muitos dos notórios políticos corruptos que hoje mudaram de lado e estão tentando apeá-los do poder sob a bandeira do impeachement. Esse sim foi um duro golpe nos milhões de brasileiros que votaram nos candidatos do PT, entre eles o próprio Lula e Dilma, na esperança que fossem livrar o Brasil da corrupção e consolidar uma democracia participativa e com mais justiça social. Pena que a ambição pessoal de alguns tenha comprometido este projeto coletivo e levado o país a triste e trágica situação em que se encontra. Mais uma vez o povo brasileiro está pagando a conta de maus governantes!
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Weber comentou:
02/04/2016
Bessa, estou repassando a sua crônica para meus 5 mil "amigos" do face.
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Eneida comentou:
02/04/2016
Bom dia! Te vi no evento na UFF pela TV (clarto que não pela Globo) naquele mesmo dia. Muitíssimo grata pelo texto. É essencial refletir antes de agir. Um abração. Contato de Eneida
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Helio De Araujo Evangelista (via FB) comentou:
02/04/2016
O golpe já está ocorrendo, a dúvida é sobre o seu sucesso .
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Alberto Santoro comentou:
02/04/2016
Bessa seu artigo é parte da tarefa de contar a verdade todas as vezes que somos ameaçados pelo fantasma que está quase se materializando e repetindo as massas "Não vai ter Golpe"
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Antonio Carlos Souza Lima (via FB) comentou:
02/04/2016
parabéns!!!! Muito, muito, muito bom! Lamento não ter podido estar também no ato da UFF
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Ana Chrystina Mignot (via FB) comentou:
02/04/2016
José Bessa, meu amigo, como é bom ler você neste momento tão difícil da vida nacional!!! Seu texto, numa clave diferente de tantos outros que circulam nas redes sociais, me faz crer que precisamos pensar seriamente sobre a temática dos direitos humanos em todos os espaços, em especial, nas escolas e universidades. Grata pelo envio. Não vai ter golpe!!! Não!!! Não!!!
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Xoan Lagares (via FB) comentou:
02/04/2016
A pergunta impertinente de José Bessa no ato da UFF pela democracia e a legalidade. Como deixou escrito, com a própria mão, o poeta galego Uxío Novoneyra: "A força do nosso amor não pode ser inútil". NÃO PASSARÃO!
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Ana Stanislaw comentou:
02/04/2016
Muito sensata a tua crônica, Bessa. É, e se passar? Tomara que desta vez o Brasil democrático vença o Brasil golpista, ansioso para tomar as rédeas do poder. Tomara que vença a poesia, a lucidez, a democracia. Obrigada por tuas linhas, sempre afiadas, sensíveis, desafiadoras.
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Giane comentou:
02/04/2016
Estamos todos participando de atos, palestras, indo para as ruas, refletindo com especialistas e nao especialistas.. La no fundo eu pensava nas crianças desse nosso Brasil, nos nossos filhos, nos netos, naqueles que ainda virão. Nesse momento, a gente cala e suspira profundmene. Não se sabe, não podemos saber o legado que levarão. Esse texto vem ao encontro dessa incerteza de muitos. E para falar de criança, para falar com a criança, nada melhor que a poesia: "si se cae salid, niños del mundo, id a buscarla!" Beijo carinhoso!!
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Gleice Mattos (via FB) comentou:
02/04/2016
Tomara que não, José Bessa! "Não passarão".
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