CRÔNICAS

UMA NOTÍCIA BOA E OUTRA MÁ SOBRE OS ÍNDIOS

Em: 10 de Janeiro de 2016
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Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos semente (Provérbio mexica).

 

Na virada do ano, duas notícias sobre os índios pipocaram nas redes sociais: uma má e outra boa. A má foi o crime estarrecedor que vitimou o bebé Kaingang, de dois anos, na Estação Rodoviária de Imbituba (SC), degolado diante da própria mãe, no dia 30 de dezembro, por um jovem de 23 anos, que já está preso. A boa foi o nascimento em Roraima de uma menina indígena Macuxi, a primeira criança de 2016. Ambas mereceram o silêncio dos indecentes, já que quase toda a mídia de circulação nacional, que se omitiu de forma inquietante, continua calando e andando para tudo o que se refere a índios.

O bebé Kaingang, Vítor Pinto, foi enterrado em 1º de janeiro, no cemitério da Aldeia Kondá, Chapecó, levando com ele um pouco de nossa humanidade e aumentando a nossa vergonha, no mesmo dia em que a menina Macuxi, saudável, trazia para o mundo os seus 3,50 kg e seus 44 cm, renovando nossas esperanças. A mãe Vanielsa Galé, de 20 anos, da comunidade de São Francisco, Normandia, teve parto normal e tranquilo. Parece que a menina Macuxi veio nos alertar de que a vida ainda vale a pena, apesar de tudo.

Já Sônia da Silva, mãe do bebé assassinado, participou nesta quarta (6) ao lado do pai Arcelino Pinto, de manifestação que saiu da Rodoviária, com a presença de pessoas indignadas, entre as quais os Guarani Mbyá portando lenços vermelhos no pescoço em menção ao kaingang degolado. O protesto terminou na delegacia de Imbituba, onde Sônia declarou: "Se um índio cortasse a garganta de uma criança branca, o Brasil viria abaixo. Quero a mesma indignação pela morte do meu filho" (OESP, 7/1).

Imbituba, um cipoal

A mídia calou. A indignação não aconteceu, embora o território de Imbituba tenha sido originalmente povoado por índios Carijó, que no século XVII tiveram suas terras invadidas, mas deixaram fortes marcas nos sambaquis, assim como na toponímia, nos nomes de praias, lagoas, arroios, morros como Itapirubá, Ibiraquera, Araçatuba, Sambaqui, Mirim e tantos outros topônimos locais. Imbituba, nas línguas da família tupi, se refere ao cipó "imbé", usado na fabricação de cordas, acrescido do sufixo "tuba", que designa abundância.

Imbituba está cercada de índios. Não são muitos, mas para onde você se vira, é possível encontrá-los. Lá ainda tem gente falando Kaingang e Guarani. Mas tal presença, tanto a simbólica como a física, não agradou a Matheus Silveira, o Teto, suspeito do crime. A polícia informou que ele é "usuário de drogas, sofre de distúrbios mentais" e precisa de tratamento. Embora o inquérito não esteja concluído, o delegado já adiantou não ter visto conotação racista no crime, admitindo, porém, que o assassino estava "incomodado com a presença dos indígenas no local".

A origem desse incômodo pode estar nas omissões e nas ações da escola e da mídia. Teto estudou até a oitava série no Colégio Caic. Podemos supor que ele vê televisão e eventualmente lê jornais. Cabe indagar o que a escola e a mídia lhe disseram sobre os índios de Imbituba e do Brasil e o que silenciaram. Foi isso que o Programa de Estudos dos Povos Indígenas da Faculdade de Educação da UERJ procurou saber em relação a outras regiões, que podem ajudar a refletir sobre Imbituba.

A pesquisa ouviu donas de casa, estudantes, professores, trabalhadores na indústria, funcionários, profissionais liberais, desempregados de todas as faixas etárias e de diferentes classes sociais, a sua maioria residente no Rio de Janeiro, mas também em outros Estados. O objetivo foi avaliar a influência da escola, da mídia e de outras instituições na construção da imagem sobre o índio internalizada por essas pessoas.

O índio na escola

A pesquisa procurou saber se o entrevistado visitou alguma aldeia, como ele vê o índio hoje, se identifica as fontes que deram origem a essa representação, se lembra o que lhe foi ensinado na escola e qual o livro didático que usou, qual a imagem predominante do índio na mídia e se conhece o Museu do Índio ou algum outro museu com exposição sobre a temática indígena. Embora a pesquisa não esteja ainda concluída, podemos comentar algumas respostas, sem a pretensão de que sejam representativas.

Os entrevistados não tiveram qualquer contato pessoal com índios. Nenhum deles conhece uma aldeia indígena. Mas todos tem opinião firme sobre o lugar dos índios na sociedade brasileira. Considerando que dos 200 milhões de brasileiros, provavelmente 99% nunca visitaram uma aldeia nem tiveram contato com os índios, podemos concluir que o juízo que fazem é aquele que é passado pela escola, pelo museu, pela mídia, entre outras instituições.

Numa rápida leitura, se verificou que os entrevistados confirmam os preconceitos que se têm sobre os índios. Talvez a resposta mais preconceituosa tenha sido dada por um deles, com curso universitário concluído na área de Administração, que classificou os índios como  "preguiçosos", "bêbados", um "entrave para o progresso", "um câncer que deve ser extirpado do Brasil". Bolsonaro não poderia ser mais contundente.

O curioso é que essa imagem não coincide com a da própria mãe do entrevistado, uma dona de casa que tem apenas o ensino fundamental, para quem "os índios respeitam a natureza". Algumas respostas nos permitiram verificar que o preconceito se manifesta, talvez com mais força, naquelas pessoas com escolaridade avançada, que tem mais acesso à mídia. Se isso se confirma, podemos concluir que quanto mais escola, mais mídia, menos informação objetiva, mais preconceito.

É claro que precisamos ter cuidado com qualquer generalização a partir de uma amostra que não é representativa. No entanto, é saudável que no momento em que se discute mudanças no sistema escolar, o documento sobre a Base Nacional Comum Curricular pretenda abrir brecha para a reflexão sobre a história indígena, tradicionalmente ausente da escola. Uma oposição formada entre outros por Marco Antonio Villa, doutor em história social e Demétrio Magnoli, doutor em Geografia Humana, ambos iletrados em história indígena, se manifesta histericamente.

- E a Mesopotâmia? E o Egito? - eles berram, como se discutir na escola o lugar dos índios seja incompatível com outros temas. O Clube Militar do Rio de Janeiro, que vem reproduzindo  artigos desses autores considerados "trombones da direita", reforça o coro contra a introdução da temática indígena e afrobrasileira no currículo, invertendo a questão:

"A ordem do dia é esculpir um Brasil descontaminado de heranças europeias" - reclama o Clube Militar em sua página na internet, quando o que acontece até aqui é todo o contrário.

Quantas Imbitubas teremos ainda de viver até romper o silêncio da escola e da mídia?

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23 Comentário(s)

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Adriana de Souza comentou:
16/01/2016
OLHE ESSA NOTICIA1 QUE HORROR, MEU DEUS. PUBLICADO EM 15/01/16 - 19h52 JOSÉ VÍTOR CAMILO Morreu, no início da noite desta sexta-feira (15), o índio ainda não identificado que teve um afundamento de crânio durante a madrugada após ser agredido por um jovem com chutes na cabeça enquanto dormia, no Centro de Belo Horizonte. Ele estava internado em estado grave desde esta manhã no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII. De acordo com o sargento Sandro Matos, da 6ª Companhia do 1º Batalhão da Polícia Militar, que atendeu à ocorrência, o morador de rua teria ficado mais de cinco horas esperando o socorro. Ainda conforme o sargento, imagens de câmeras de segurança mostram que a vítima estava deitada na rua Vinte e Um de Abril, quando o criminoso chegou e a agrediu sem falar nada. Nas imagens é possível ver que o suspeito, após desferir vários chutes e pisadas na cabeça da vítima, chega a sair de perto para disfarçar enquanto veículos passam pela rua, mas volta e continua com as agressões. Depois, o suspeito vai embora, sem levar nada. Assim que a PM chegou ao local, nesta manhã, acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que socorreu o índio para o Hospital de Pronto-socorro (HPS) João XXIII. O suspeito segue sendo procurado pela PM. "É um cidadão comum, estava muito bem vestido. Tudo indica ser crime por intolerância", finalizou Matos. Comerciantes da região afirmam que o índio tinha bom relacionamento com todos que passavam pelo local. "Ele costuma dormir na avenida do Contorno, no bairro Floresta, ele era amigo de todos aqui na região. Além disso, ele não tinha problema com ninguém", contou um trabalhador que não quis se identificar.
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Ana comentou:
16/01/2016
É. O descaso é total. Do intelectual FHC ao sem escolaridade Lula (ou da atual Dilma). Matar uma criança mamando!!!!! No colo Sagrado da sua mãe! Muita falta de escrúpulos!!!!Silêncio total. É um absurdo do tamanho da corrupção do Brasil. Tento imaginar os cálculos matemáticos dos roubos e não entendo o que uma família faz com tanto dinheiro!!! Matar uma criança mamando. Roubar tanto o povo brasileiro. São apenas reflexos num mesmo espelho. E, quero, aqui registrar a fala de um amigo de trinta anos apenas de amizade, pois, depois do que me falou, deixei de ser amiga, apesar de ficar um pouco tempo mais para conhecê-lo melhor e me certificar que me enganei tanto tempo com aquela amizade, que me parecia de esquerda quando votou pelo PMDB há um bom tempo. Mas só excluiu-me do seu face book, quando viu que realmente eu não votaria no Aécio. Esperei até que ele mesmo me deletasse. Mas, na minha mente, a amizade já havia terminado no dia em que fui pedir ajuda para o Projeto de um índio muito amigo. Caí na ilusão, por ser dono de um cartório, que poderia ajudar a esse amigo e, até, colocar o seu nome para a eternidade num Projeto tão necessário. Mas que seja pública essa declaração anônima e que você, querido Bessa, passe a inclui-la nas próximas frases de falas sobre os índios. Além de negar o meu pedido com arrogância, disse: "Índio não acaba! Negro, ao menos, se mistura." Saí dali me sentindo a mais insensível de todas as pessoas, pois nunca antes houvera percebido que amara por tanto tempo um amigo tão vil. Que linda data para a menina Macuxi nascer. Que esta, presencie melhores momentos pros seus povos.
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Lorena Vaz da Cunha comentou:
15/01/2016
Durante o XXX Encontro Estadual do MST de Santa Catarina, em Catanduvas,as crianças - os sem terrinha - manifestaram solidariedade ao kaingang degolado.
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Alfredo Morel Jr comentou:
12/01/2016
Penso que o preconceito é generalizado caro José Bessa, da população em geral, de parte dos governantes e mesmo dentro da academia, quando alguns utilizam a temática indígena como algo "exótico", acessível a poucos.
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11/01/2016
Foi muito importante este texto/denuncia, enquanto documento baseado em pesquisa. Precisamos de argumentos baseados em dados para pressionar as instituições públicas. Para nós que trabalhamos com a cultura este texto é um incentivo para investirmos cada vez mais no sentido de superarmos esse grande déficit que têm os brasileiros em relação a sua memória e identidade. Quê vergonha! enquanto predominar essa mentalidade ignorante e inferior no Brasil temos que reconhecer que estamos num processo de regressão galopante. É lamentável ver o que a alienação que a cultura importada tem imputado, formando soldadinhos militantes do neo nazismo global. Contato de maria de Fátima dos Santos Chianca
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Célia Maria Dias de Carvalho (via FB) comentou:
11/01/2016
Conclui-se, então, que, ou houve má-fé da parte do referido professor da USP, ou os óculos utilizados estavam obscurecidos pelo preconceito, ou simplesmente ouviu cantar o galo e não sabe onde. De minha parte, achei ótima a ratificação e a ampliação do estudo de nossas origens indígenas e africanas, bem como, ao que tudo indica, a continuação do estudo da base eurocêntrica. O mundo oriental também foi contemplado. Ótimo, uma vez que História é diacronia e sincronia.
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Geraldo Sá Peixoto Pinheiro (via FB) comentou:
10/01/2016
Eu conheço alguns por aqui iguais a este tipo de "historiador " parecido ao Vila!
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Luís Balkar Pinheiro (via FB) comentou:
11/01/2016
Não dá pra chamar Villa de um historiador sério. Ou mesmo de uma pessoa séria. Sua contribuição efetivamente historiográfica é muito próxima a zero. No mais, restam livros e artigos de vociferações de ódio é insano combate ideológico de uma perspectiva ultraconservadora.
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HANS ALFRED TREIN comentou:
10/01/2016
Caro Bessa, especial de buena a sua formulação "calando e andando", muito espirituosa, de alto salão, e certeira. Ainda tem muito chão pela frente. A sua contribuição é poesia fundamental. Abraços, Hans Contato de HANS ALFRED TREIN
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Maria Aparecida Rezende (Cidinha) comentou:
10/01/2016
Sou fã dos textos de Bessa. Até hoje concordei com todos eles. As populações indígenas atualmente têm esclarecimento dos seus direitos e os vem reclamando timidamente. Mas só isso já foi o bastante para despertar a ira dos grandes proprietários de fazenda. Ninguém se lembra que essa herança de terra é fruto de uma invasão, de um roubo. Quem estava nessas terras quando os europeus chegaram? Alguém os convidou para ficar? Mas nossos povos são bondosos e não sabiam que estavam sendo saqueados. Desse dia para cá inicia-se os martírios de todos os povos (estamos falando agora dos indígenas brasileiros). Foram (e são) mortos, assassinados brutalmente em suas casas. Ignoraram suas religiosidades. Desconsideraram suas leis. Ignoraram suas diversidades linguísticas. Proibiram-lhes suas manifestações culturais. Saquearam suas educações. silenciaram suas vozes que traziam o espírito da língua, os sentidos da alma. Passaram por cima das vidas e dos sentimentos dos viventes que tem a terra como mãe e valorizam todo forma de vida. Pessoas humanas que não se consideram a sua espécie como superior porque dialoga com o espírito da mata, das plantas, das águas, enfim de todos animais da flora e fauna todas as vidas invisíveis aos olhos comuns. É verdade Bessa minhas orientandas do PIBID fizeram um estudo cuidadoso em dois livros de Geografia e História das Series Iniciais do Ensino Fundamental. É de chorar e foi o que ocorreu quando elas fizeram a exposição desse trabalho para os professores, coordenadores e direção da escola e também para os estudantes. A diretora ficou apavorada porque queria jogar o livro no lixo (final de 2015), mas se lembrou que havia feito novo pedido porque os tais livros eram recomendados (absurdo). Agora as pibidianas estão preparando-se para orientar como trabalhar tais livros com novos olhares junto aos professores, coordenadores e direção. Quantos Guarani e Kaiowá assisti triste demais junto aos familiares e amigos "sumirem" depois de uma visita a fazenda onde estavam seus mortos. Mesmo depois dos corpos encontrados nunca vi um assassino ir preso. São atropelados (nota-se que somente as lideranças são morredeiras). Até afogados tem caso de liderança morta. Vivemos uma situação triste e condenatória. Mas assim como o Vítor se foi veio essa menina para mostrar a força desses povos e trazer recado de que morre um e vem outro. Então lutemos juntos com os povos indígenas. Vamos lembrar que a terra para esses povos são os territórios que abrigam os espíritos que fazem a vida pulsar e se multiplicar. A terra para os rualistas, grandes proprietários é questão de lucro. Nenhum respeito com ela. Assim, finalizo parabenizando-o Bessa mais uma vez seus textos trazem a dimensão da humanização e não da bestialização da vida.
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VANIA NOVOA TADROS comentou:
10/01/2016
É uma estupidez que alguém,drogado ou não mate, uma criança, degolando-a na frente da mãe. E um grande sinal de ignorância fazer isso porque ela é indígena. O estado de Santa Catarina surgiu branca após forte colonização europeia que descrimina até os outros brancos se não forem nascidos lá. Conheço pessoas que após casarem com catarinenses tentaram conseguir emprego na capital, com um bom currículo, experiência e recomendações e nunca conseguiram porque só aceitam pessoas da terra. O imperdoável é isso continuar acontecendo com os nossos indígenas após dois governos do Fernando Henrique que se dizia esquerda e nunca assumiu ser filho de uma amazonense, dois do Lula, e já estarmos entrando no segundo ano de desgoverno da Dilma. Ou seja, há mais de vinte anos que além da presidência pessoas de esquerda ocupam a presidência e outros cargos diretivos sem nada ter sido mudado em relação à valorização do povo indígena. Deviam ter realizado um massivo trabalho de propaganda inteligente, como fazem com seus partidos, de valorização dos indígenas e da sua herança cultura. Pelo contrário aproveitaram-se do cargo em proveito próprio da forma mais desonesta e predatória que conseguiram. Os índios, o entanto, nem representante no parlamento tem mais. Por que os partidos não elegem mais indígenas? O pior eu nunca vi a Dilma referir-se aos nossos índios. Vcs viram?
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Esther Arantes comentou:
10/01/2016
Prezado Bessa, Meu coração chora pela morte trágica do menino Kaingang, Vitor. São sentimentos fortes o que sinto: dor, tristeza, pesar, inconformismo com tal situação, que vem se repetindo desde 1500. Ao mesmo tempo, é preciso coragem, sabedoria e amizade, para merecermos a menina Macuxi, tão bonita e serena dormindo ao lado de sua mãe, após nascer.
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José Seráfico comentou:
10/01/2016
Meu caro Babá, a vergonha que as elites locais (que você conhece tão bem) alimentam por sua ascendência (também) indígena dis muito. Como você revela, não é o grau de escolaridade que assegura o respeito às porções minoritárias da população. Por isso, pensar que a educação basta para resolver nossos problemas é equívoco. Um abraço fraterno.
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Erika Dantas (via FB) comentou:
10/01/2016
Como Historiadora e principalmente professora do Ensino Médio concordo em número, gênero e grau com você. Todos os anos tento mostrar para meus alunos a história dos que realmente fazem, disse fazem, parte de nossa raiz. Em nossos livros didáticos são raros os textos que falam da cultura indígena e africana. Espero que isso mude!
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Ana Stanislaw comentou:
10/01/2016
Que tipo de sociedade degola crianças indígenas e não se sensibiliza, se indigna? Que as mudanças no campo da educação não apenas inclua os índios no currículo de escolas, mas inclua os índios na vida dos brasileiros para que a violência contra os povos indígenas, constantemente atualizada desde o século XVI, tenha um ponto final. Que a entrada efetiva dos índios nos currículos seja a boa notícia e, deste modo, contribua para seguirmos esperançosos, confiante em um Brasil, de fato, socioculturalmente distinto, um Brasil de muitas línguas, vários povos, muitas cores, múltiplas narrativas. Sendo assim, acredito que cessaria as constantes atualizações de violências, descasos, assassinatos, silêncios, que nos causam vergonha, indignação, repulsa. Obrigada, Bessa, por romper o escandaloso e revoltante silêncio da mídia, de parte significativa da sociedade brasileira. Eu, também quero a mesma comoção!!
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Evaristo de Almeida comentou:
10/01/2016
De fato há um conluio orquestrado pelos "quatro" poderes, legislativo, executivo, judiciário e midiático, na tentativa de não só exterminar com os indígenas, mas também, embranquecer o Brasil. Nos cabe combater, como você mesmo coloca, na subversão. Mostrando aos nossos alunos e parentes o outro lado da história.
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André comentou:
10/01/2016
La violence engendre la violence, et le Brésil, comme tous les pays américains, est le fruit de milliers d'ethnocides et de génocides. Mais il ne faut pas généraliser et dire que les medias, l'école, les associations, les églises... restent muettes, bras croisés sans prendre position dans une lutte des lumières contre l'ignorance et la barbarie dans laquelle le PT me semble bien absent sauf démagogiquement parfois et toujours pour expliquer que les difficultés viennent de l'extérieur, du capital, des USA....
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Ana Maria Magalhães comentou:
09/01/2016
Que horror, Bessa! Muito triste. E que lindo o nascimento do indiozinho.
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Carmelo Ribeiro comentou:
09/01/2016
Sou professor de história e posso garantir que a história indígena é discutida na escola. Qualquer professor que tenha responsabilidade não se exime de discuti-la e ao contrário do que possa parecer, é um tema pelo qual os alunos costumam se interessar. Porém, é verdade que há uma certa dificuldade de se encontrar material didático de qualidade sobre história indígena e que a presença dela no currículo pode ser ampliada. Mas não é verdade que esteja tradicionalmente fora da escola, pelo menos nos últimos trinta anos.
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Claudinei Alves, professor guarani comentou:
09/01/2016
É Amado prof José Bessa essa é a sociedade do Brasil que finge desconhecer nossos ancestrais que aqui viveram!
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Maria Celina Muniz Barreto comentou:
09/01/2016
Como sempre, texto surpreendente pelas informações contidas e beleza na forma de nos mostrar a dureza da realidade que vivemos. Mas desta vez você se superou, escrevendo prosa com tanta poesia.
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Giane comentou:
09/01/2016
Precisamos escrever, fazer a guerrilha digital de que você falou!!! Beijo!!! "É difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais quando ela é esta que vê, severina mas se responder não pude à pergunta que fazia, ela, a vida, a respondeu com sua presença viva. E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida como a de há pouco, franzina mesmo quando é a explosão de uma vida severina". (Trecho de Morte e Vida Severina , de João Cabral de Melo Neto)
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Giane Lessa comentou:
09/01/2016
"É difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais quando ela é esta que vê, severina mas se responder não pude à pergunta que fazia, ela, a vida, a respondeu com sua presença viva. E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida como a de há pouco, franzina mesmo quando é a explosão de uma vida severina". (Trecho de Morte e Vida Severina , de João Cabral de Melo Neto) Curtir · Responder · 1 minuto
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