CRÔNICAS

MIÇANGAS NO MUSEU: O MUNDO SE FAZ DE CONTAS

Em: 23 de Agosto de 2015
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        "Aí está a miçanga que nós chamamos de samura. Está certo que é o branco que fabrica, mas quando chega na mão do índio ela vai se transformando. Então, na medida que a mulher vai trabalhando, enfiando a miçanga, ela já está enfiando o conhecimento dela dentro da miçanga" (João Tiriyó).

Parece até que foi encomendado. O vento forte e a chuva de granizo que caiu nesta quarta-feira (19), no Rio de Janeiro, perfumou o Museu do Índio com cheiro de terra molhada durante a abertura da mega-exposição "No caminho da miçanga - um mundo que se faz de contas". O Museu estava até o tucupi de gente. Tinha gente saindo pelo Cunha. Cerca de 500 pessoas se acotovelavam para ver os conhecimentos enfiados pelas mulheres indígenas dentro de 700 peças de rara beleza confeccionadas com miçangas coloridas, além de fotos, filmes, hipertextos e instalações multimídia.

Índios, antropólogos, museólogos, historiadores, linguistas, professores e estudantes percorreram, de olhos esbugalhados, os sete ambientes do espaço expositivo - Viagem, Mito, Encontro, Troca, Brilho, Ritual, Encanto e Mergulho. A exposição, que tem como curadora a antropóloga Els Lagrou, conta com a parceria da UNESCO e da UFRJ. Foram cinco anos de trabalheira de artistas indígenas de 24 etnias, de pesquisadores do Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (PROGDOC) e da equipe do Museu do Índio. Mas a Exposição, enfim, foi inaugurada.

Mulheres indígenas

Na abertura, o diretor do Museu, José Carlos Levinho homenageou "as maiores detentoras do conhecimento sobre o manuseio das miçangas: as mulheres indígenas, exímias artesãs dessa arte complexa e fascinante, que com as mãos, as linhas, as contas e as cores tecem verdadeiras obras primas, registros fundamentais da história e cosmologia de seus povos". Citou nominalmente cada uma das artistas Guarani, Ye'kuana, Marubo, Karajá, Krahô, Kayapó, Kaxinawá e Maxakali, que no final de semana mostram ao público técnicas usadas na confecção de objetos com miçanga.

A exposição, que contou na abertura com a presença do atual e do ex-presidente da Funai, João Pedro e Márcio Meira, é intercontinental. Ao lado das obras de arte elaboradas no Brasil estão outras confeccionadas por 18 povos da África, da Ásia e de diversos países da América, que permitem contar a trajetória histórica da miçanga e sua viagem pelo mundo.

Na América, ela chegou no Caribe, em 1492, trazida pela primeira vez por Cristovão Colombo e depois como carga obrigatória dos barcos que aqui aportavam. Os povos ameríndios, que já confeccionavam colares, pulseiras, cintos, peitorais, tangas, braçadeiras, braceletes, tipoias e cocares com sementes, dentes de animais, conchas, coquinhos, ossos, casco de tartaruga, ficaram tão encantados com as miçangas, que davam qualquer coisa por elas. Cristovão Colombo registra o fato em seu diário e chama os índios de otários e bestas, porque davam ouro em troca de vidro.

- Besta e otário era o Colombo, que não compreendeu que os valores são convencionais, que o ouro em si não é mais precioso do que o vidro em si, o valor do ouro no sistema de troca mercantilista europeu não pode ser universalizado - escreve Tzvetan Todorov, numa versão livre de trecho do seu livro "La Conquête de L´Amérique, la question de l'autre". Comedida, mas igualmente esclarecedora, diz Els Lagrou: "O que para Colombo não passava de vidro, eram pérolas para os indíos. Apesar de fazerem suas própria contas, as de vidro eram novidades, preciosidades exóticas".

Os Kaxinawá contam que as pessoas viajavam pela floresta em busca da árvore de miçanga, uma árvore grande parecida com a samaumeira, cheia de contas coloridas: vermelhas, azuis, amarelas e brancas. A exposição mostra que a miçanga, desde sua origem, está associada à viagem. "Fácil de carregar e sedutora pelo brilho, dureza e colorido, a miçanga se transforma rapidamente em matéria prima cobiçada para a arte de produzir enfeites a amarrar o corpo e enfeitar os artefatos rituais entre muitos povos do mundo, ela aponta para a conexão com mundos distantes, porém interconectados e traz para o interior forças que vêm de fora". 

Pacificando o branco

O colonizador que extraía o cacau da América e trazia o chocolate, fez isso com todas as matérias primas. Mas com a miçanga ocorreu o contrário. Quem visita a exposição é chamado a refletir sobre a inversão estética da relação entre o colonizador - que aqui é o fornecedor da matéria prima e o colonizado - que passa a ser o encarregado de transformá-la em arte, em artefato, de agregar valor ao produto como dizem os economistas.

O deslubramento diante da beleza das peças, com uma iluminação que as valoriza e proporciona conforto visual ao visitante, é de tirar o fôlego, mas o efeito quase pirotécnico dos recursos expográficos, longe de ofuscar o pensamento, contribui para a reflexão. O visitante, além de encher os olhos com a beleza, inunda a cabeça com novas ideias, se faz perguntas e sai com uma visão mais precisa sobre as culturas que foram capazes de ver o Outro "não como um empecilho para a construção de pessoas ou grupos", mas como elemento constitutivo do ser. A miçanga mostra que o  Outro precisa ser incorporado e pacificado e não aniquilado e destruído.

É o que Els Lagrou denominou de "estética indígena de pacificação do branco". O "purista" vê na miçanga um sinal de poluição estética, resultante da substituição da matéria-prima extraída do ambiente natural por materiais industrializados. A exposição nos mostra, pelo contrário, que "a própria concepção estética ameríndia situa no exterior a fonte de inspiração para o processo criativo".

O texto de abertura nos chama a atenção para o papel central das miçangas nos mitos e nos ritos de diferentes grupos ameríndios, a miçanga funciona como se fosse uma língua, com um dicionário de contas, uma espécie de lingua de vidro que registra e faz circular conhecimentos, "tece caminhos pelo mundo e conta histórias de fascínio mútuo entre povos distintos, falando do comércio e da exploração, do encontro e desencontro de perspectivas entre viajantes e nativos".

O que vem de fora

No "Mergulho" da última sala, as considerações finais:

- Você certamente se perguntou porque tantos povos diferentes são fascinados por essas continhas de vidro coloridas desde a Antiguidade. Viu que os índios fazem com elas seus colares e enfeites não por as acharem mais interessantes do que as sementes naturais. Não é uma perda, mas um ganho. O que vem de fora, no pensamento desses povos, tem um valor diferenciado. É perigoso e atrai ao mesmo tempo. Tudo o que vem de fora inspira e faz construir novas relações, novos padrões de beleza e abre novas possibilidades. O Museu do Índio convida você a mergulhar nessas relações diferentes".

O convite deve ser aceito, especialmente porque nesse mundo fedorento de Cunha, Collor, Renan, petrolão e cerverós, a exposição do Museu do Índio é bálsamo para a alma, colírio para os olhos e massagem para a inteligência. O Museu está todo miçangado, ate suas portas e janelas Se você é leitor deste Diário do Amazonas, pode escolher entre tomar ou não conhecimento da exposição, opção que eu não tive. Sou assinante de dois jornais, um do Rio e outro de São Paulo e não encontrei uma notinha sobre o acontecimento, sequer uma linha, uma mísera vírgula. Só releases promocionais, alguns deles repetidos por ambos jornais, de eventos com gente que eu nem conheço, que deveriam aparecer como propaganda comercial e não como notícia, o que é um engano.

Nas páginas destinadas à cultura dos dois jornais, li matérias sobre o anúncio do Google no Brasil que abre sede do You Tube no Rio de Janeiro, sobre o campeonato de gastronomia, sobre o Dee Bufato que toca com Sean Diss na Arte Inn, sobre os coletivos Somm e Gop Tun que comandam o Countdown no Mira, sobre a música Nhenhenhen e os dez anos de carreira de Maisa na televisão e sobre o novo livro de receitas  da Ana Maria Braga. Todos temas de transcendental importância, é claro. Nada sobre as miçangas. Depois, absolutamente desinformados, os jornais acabam escrevendo besteira sobre a mandioca dos índios e da Dilma.   

P.S. - Textos consultados: 1) GALLOIS, Dominique Tilkin (org): Patrimônio Cultural Imaterial e Povos Indígenas. São Paulo, Iepé. 2006 (depoimento de João Tiriyó - pg. 22); 2) LAGROU, Els. No Caminho da Miçanga: arte e alteridade entre os ameríndios. Enfoques - Revista dos Alunos do PPGSA-UFRJ, v.12(1), junho 2013. [on-line]. pp. 18 - 49; 3) TODOROV, Tzvetan: La Conquête de l'Amérique : La Question de l'autre.Paris. Le Seuil. 1982. 4) MILLER, Joana. As coisas. Os enfeites corporais e a noção de pessoa entre os Ma­maindê (Nambiquara). Tese de Doutorado em Antropologia Social. Museu Na­cional/UFRJ, Rio de Janeiro, 2007; 5) VAN VELTHEM, Lucia. O Belo é a Fera. A estética da produção e da predação entre os Wayana. Lisboa: Museu Nacional de Etnologia, 2003. 

P.S. Fotos, que eu pensava ser de Mario Vilela, são na realidade do George Maragaia, consultor do ProgDoc.

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32 Comentário(s)

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Nadinny Alves (via FB) comentou:
07/04/2016
Eu não fazia ideia da profundidade dessa relação que se estabeleceu por conta das miçangas, que coisa interessante. Colombo era mesmo um otário, e quantos de nós não damos uma de Colombo? Quando não entendemos que os valores mudam para algumas pessoas.
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03/09/2015
Bessa depois de sua crônica não poderia deixar de ver a exposição e fiquei encantada com a beleza da arte das miçangas feita pelos nossos índios e com a própria exposição. Mas também indignada com a omissão da imprensa em não divulgá-la, apesar de ser a atitude previsível. Assim, não resisti e enviei sua crônica para todos os editores do Segundo caderno de O Globo, antecedida com um recado malcriado como não poderia deixar de ser. O abração afetuoso e entusiasmado contigo como sempre. De: lnabuco@uol.com.br Enviada: Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015 03:15 Para: fatima.sa@oglobo.com.br Assunto: taquiprati sobre miçangas, museu e o mundo do faz de contas Aos editores do Segundo Caderno Esta matéria escrita pelo admirável professor Bessa, jornalista e indigenista, reproduzida no seu blog, sobre a belíssima exposição no Museu do Indio (Funai) no Rio de Janeiro, foi publicada em um jornal de Manaus, mas nem uma linha saiu nos jornais do Rio. Apesar de ter sido informada na minha visita que o museu mandou release para os jornais. Sei que a grande imprensa não é simpática à causa indígena, como já me disseram 2 editores "censurando" matérias, como por exemplo o genocídio anunciado dos Ianomami, com o Decreto do então presidente Sarney, no final do seu mandato, que fragmentava o território destes índios em ilhas, que seriam cercadas de exploração de minério por empresas (a maioria estrangeiras) já cadastradas no Ministério de Minas e Energia, segundo publicação do próprio órgão. Eu tinha em mãos documentos oficiais e cinso horas de gravação com SidneiI Possuelo, então presidente da Funai e com a antropóloga Alcida Ramos que fez o estudo para a demarcação da área, material ignorado. Imediatamente a área foi invadida por centenas de garimpeiros, com a conivência do então governador Romero Jucá e do Exército, que liberou as pistas de pouso para os garimpeiros, sob o pretexto da "necessária" ocupação da Amazônia. As consequências absolutamente previsíveis foram: desmatamento, malária, contaminação, álcool e muitos índios mortos. A imprensa se calou e compactuou. Felizmente o STF julgou inconstitucional o Decreto, em seguida Color assumiu e, com pose heróica para o Brasil e o mundo, homologou todo o território, já há algum tempo demarcado. Ou seja, para a grande imprensa e o empresariado brasileiro, de um modo geral, "tem muito território para pouco índio" e os povos indígenas para eles representam o atraso impedindo o progresso (ou os negócios). Será que por esta razão se torna conflitante para os jornais divulgarem esta arte indígena, sobretudo porque ela é especialmente bela, original, sofisticada e com uma acabamento primoroso? Além da beleza das peças expostas (cintos, colares e adereços, todos feitos com miçangas), a programação visual está à altura, com iluminação original, painéis informativos e vídeos realizados nas aldeias. A exposição dá também uma mostra desta arte com miçangas produzida por grupos indígenas da América Latina, assim como aquela criada para os rituais das religiões afro-brasileiras. O Museu do Indio, seu dedicado presidente e organizadores merecem aplausos! Negar esta informação ao público, sobretudo do Rio de Janeiro, é imperdoável! Cumpro aqui modestamente minha missão de cidadã, não deixando de fazer o que me é possivel. Lilian Nabuco Contato de Lilian Costa Nabuco dos Santos
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Xú KS via FB) comentou:
26/08/2015
Muito bom texto. Linda exposição. Morri de vontade de ter participado de tudo.
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Simone Melo (via FB) comentou:
26/08/2015
Parabéns Museu do Indio. Orgulhosa de fazer parte dessa bela produção da instituição e encantada com texto do Prof. DR. José Bessa
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Ana comentou:
25/08/2015
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Romulo Cabral de Sá comentou:
24/08/2015
Belíssima exposição. Artigo porreta. Acabo de compartilhar no Tweeter. Parabéns, Ribamar!
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Affonso Akrom Cellso (via FB) comentou:
24/08/2015
Vou sugerir para o prefeito, q traga essa exposição/evento para Manaus na época das Olimpíadas
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Viviam Secin comentou:
24/08/2015
Arte, cultura e beleza retratadas em um rico texto que nos convida a admirar preciosidades nessa certamente especial exposição. Vou divulgar e irei com certeza.
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Suely Matusita comentou:
24/08/2015
Adorei esta crônica. E adorei também a arte das contas com as miçangas. Tudo é muito belo!!!! Parabéns!!!! Contato de Suely Matusita
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Silvestre Silveira (via FB) comentou:
23/08/2015
Quando li a crônica de hoje , o trecho que publiquei me chamou muito a atenção . Pois nos mostra muito bem a forma de pensar , agir e de ver o mundo , a partir de culturas distintas europeu / populações autóctones do novo mundo , que passamos a chamar de índios . De um lado , uma sociedade redigida pela exploração da terra , guerras , dominação , ganância , devastação e de outro valores opostos a tudo isso e um tipo de ser humano mais ligado a terra e em perfeita comunhão .
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23/08/2015
Se eu pudesse estar pessoalmente com cristovão colombo, deixei o traço vermelho mesmo, ele não merece o nome com letra maiúscula, bem, eu diria a ele que ele não tá com nada. Contato de Gerusa Pontes de Moura
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Selma Kupski (via FB) comentou:
23/08/2015
Linda crônica professor, valorizar o que realmente tem valor. Ficamos devendo isso para nosso País. Obrigado. Abraços
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Magela Ranciaro (via FB) comentou:
23/08/2015
Papai esboçaria alguns sorrisos: Cunha, Colombo; ouro e vidro. Enfim, seria mais um artigo lido e guardado numa pasta que ele organizara exclusivamente para o TAQUI PRA TI. Snif...
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Susana Grillo comentou:
23/08/2015
Belíssima exposição, linda crônica de compreensão e divulgação... vou ao Rio para mergulhar neste mundo de lindezas abraços
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Adriana Athayde comentou:
23/08/2015
"(...)a miçanga funciona como se fosse uma língua, com um dicionário de contas, uma espécie de lingua de vidro que registra e faz circular conhecimentos(...)" Poesia pura...
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Claudinei Alves comentou:
22/08/2015
Exemplo de vida amado professor!Agwydjewete!
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Penha Rocha (via FB) comentou:
22/08/2015
Leiam meus queridos esudantes da UFSB, Uma crônica impecável.Linda!
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Juliana Licio (via FB) comentou:
22/08/2015
"O Museu do Indio (RJ) está todo miçangado". Que lindo! Vai gente, curtam por mim!!! Quem me conhece sabe que AMO miçangas.
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Sandra de Almeida Figueira comentou:
22/08/2015
Grata pela divulgação. Comparecerei. Esse ato de fazer e refazer o exterior e o interior com as mãos nos atrai muito.
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Sandra de Almeida Figueira comentou:
22/08/2015
Grata pela divulgação. Comparecerei. Esse ato de fazer e refazer o exterior e o interior com as mãos nos atrai muito.
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Felipe Lindoso (Zagaia, um blog sobre tudo) comentou:
22/08/2015
O texto do Bessa, logo abaixo, sobre a exposição no Museu do Índio do Rio de Janeiro que apresenta trabalhos de artistas indígenas com essas continhas perfuradas, tão menosprezadas, lança um olhar significativo sobre as trocas feitas há séculos entre os colonizadores europeus e as populações indígenas, não apenas nas Américas, como antes na África e logo em seguida na Oceania. As miçangas são também uma metáfora das trocas entre europeus e os povos das civilizações que eram para eles desconhecidas. A troca de objetos se reveste de significados muito complexos e tem consequências que podem ser trágicas. A súbita introdução de objetos de aço entre as populações americanas, por exemplo, machados e facas, teve consequências importantíssimas. Ao mesmo tempo que aumentou exponencialmente a produtividade do trabalho – obviamente é mais fácil abater uma árvore com um machado de aço que com um de pedra – trouxe disrupções econômicas e sociais com consequências geralmente trágicas. É um assunto amplamente estudado não apenas pelos antropólogos, como pelos historiadores em geral. A exposição sobre miçangas lança uma luz sobre outro aspecto dessas trocas: a ressifignicação dos objetos trocados. Bessa cita a observação de Colombo, que classifica os índios como idiotas por trocarem as miçangas por ouro, para mostrar como essas pecinhas tão “sem valor” para os europeus tinham outro significado para os indígenas. A tragédia, como quase sempre, é que o “valor econômico” recobre e esmaga as trocas simbólicas entre as culturas, com as consequências trágicas que conhecemos. Nem por isso, entretanto, deixam de ser retrabalhadas, ressignificadas e revalorizadas nessa troca que, ainda desigual, não pode ser vista como unilateral. Tomara que eu consiga ir ao Rio enquanto a exposição estiver montada. http://www.zagaia.blog.br/?p=510
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Geraldo Sá Peixoto Pinheiro (via FB) comentou:
22/08/2015
Tecendo saberes. Deslumbrando olhares. Criando esperanças. É disso que fala esta linda crônica do José Bessa. Sintam-se convidados para a leitura!
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Artur Nobre Mendes (via FB) comentou:
22/08/2015
E na abertura da exposição os céus enviaram uma chuva de miçangas.
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Artur Nobre Mendes (via FB) comentou:
22/08/2015
E na abertura da exposição os céus enviaram uma chuva de miçangas.
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Yina Rivera Brios (de Lima-Peru - via FB) comentou:
22/08/2015
Museo del Indio en Brasil muestra 700 piezas hermosas que entrelazan coloridas cuentas de Perú, Brazil y otros lugares. Saber de mujeres y donde -como dice Jose Ribamar Bessa - los indígenas tomaron la materia prima de los conquistadores (baratijas para ellos) para darle el valor agregado de la belleza. ¡Qué ganas de ir!
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Julissa Mansilla (via FB, de Lima) comentou:
22/08/2015
Sería lindo que el Ministerio de Cultura pudiera traer una pequeña muestra.
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Lourenço Reis comentou:
22/08/2015
Lendo, dá vontade de ver a exposição. Já me agendei. Espero que no dia em que eu for, não tenha gente saindo pelo Cunha. Todo mundo entende. Rarará!]
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Ana Stanislaw comentou:
22/08/2015
Lindo texto!!! A exposição está imperdível mesmo. Do céu veio não apenas chuva, granizo, mas as próprias miçangas. Deste modo, o evento entrou no mito. Do alto veio o toque lúdico, mágico à inauguração dá exposição . Caiu chuva, caiu granizo; caiu miçangas no museu. Lindo, lindo!!
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22/08/2015
Estou estupefata com o fato, quer dizer que a imprensa carioca não noticiou esta maravilhosa exposição? Coitados desses jornalistas, tão mal informados, tão absolutamente afastados de tudo que nos interessa como povo! Ainda bem que existem novas fontes de informação! Muito grata pela crônica Bessa, sempre inteligente e bem humorada, na medida do impossível, que é a nossa atual condição cultural!!! Contato de Neusa Ramalho Silvério
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Renata comentou:
22/08/2015
Pois é Bessa, é por isso que eu sou louca pelo cacau! Bem, mas quanto às miçangas... Elas estão lá lindas, podemos vê-las e percorre-las com os nossos olhos enqt o nosso corpo adentra pelos caminhos da exposição experimentando um diálogo relacional com os vídeos, os textos que comentam os objetos e toda a estrutura expositiva, como aquela linda abertura na qual podemos ver os círculos pendurados no teto pelo espelho do chão, como se estivéssemos olhando um lago! E o que dizer dos tapetes que nos lembram dos tapetes do jardim distendendo nosso corpo para dentro e para fora? Ah, ainda sinto a força do urucum na minha testa!isso tb é bacana, dar uma volta na exposição ao lado sobre Beleza e se enfeitar com as tintas das sementes antes para poder receber a Força das miçangas de sementes! Por que não fazem um catálogo da exposição nem que seja digital para podermos lembrar depois?
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Renato Dias comentou:
22/08/2015
Ótima crônica professor Bessa! Eu já estava querendo ir, agora certamente vou separar uma tarde para apreciar e aprender com os indígenas em mais uma ótima exposição do Museu do Índio. Obrigado e um abraço!
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Deise Lucy Montardo comentou:
22/08/2015
Lindo, emocionante texto. Viagem obrigatória ao Rio de Janeiro para visitar a exposição das miçangas no Museu do Indio.
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