CRÔNICAS

O som do silêncio na Aldeia da Memória Indígena

Em: 25 de Abril de 2021 Visualizações: 1513
O som do silêncio na Aldeia da Memória Indígena

“Sou o que sobrou do pássaro que voou / com tantos parentes”.

(Luiz Pucú, poeta amazonense. 2021)

- Professor, o senhor disse que aqui se cantou e dançou durante mais de um milênio. Depois veio o longo silêncio de 350 anos. Mas agora, agorinha, as pessoas estão dançando e cantando. Dá para ouvir a música, as flautas e os maracás?  

Dava sim.

A pergunta do escritor Tenório Telles, presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), foi feita com a voz embargada na noite de 19 de abril. Veio por whatsapp acompanhada de imagens ao vivo do Centro Histórico de Manaus, tendo como pano de fundo, grupos musicais que se sucediam cantando em diferentes línguas indígenas. Foi na inauguração do Memorial Aldeia Indígena na Praça D. Pedro II, que teve discursos, descerramento da placa e mostra do grafite no muro retratando o cemitério indígena ali existente encoberto há três séculos e meio por camadas de cimento, pedra e silêncio.

O esquecimento foi interrompido por três línguas gerais presentes na placa de aço escovado com estrutura galvanizada, que identificam agora o lugar sagrado. A versão em nheengatu - Kwá Rednáwa Yepé Tupana Ivi... – é seguida de tradução em inglês e em português:

Aqui estão enterrados nossos antepassados... Lembrá-los é uma forma de reverenciar a memória e reparar o longo silêncio que pairou sobre essa história. Que reconheçamos, respeitemos e acolhamos esse passado, que é nosso também e a ele pertencemos”.

Urna funerária

O cemitério, que o poder público sempre ignorou, é hoje retratado no mural de 140 metros quadrados do artista Fábio Ortiz, 27 anos, filho de ribeirinhos, que exibe quatro imagens da presença indígena, incluindo mapa e urnas funerárias.  

O sítio arqueológico “têm pelo menos mil anos de idade” ou mais, pois “os fragmentos de cerâmica retirados em abril de 2003 podem indicar uma antiguidade maior, chegando a mais de 1.500 anos”, na avaliação de Eduardo Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Ele propôs que artesãos indígenas façam réplicas das urnas para serem incorporadas à paisagem da praça.

Para o tukano João Paulo Barreto, doutor em antropologia cultural, “esse território sagrado dos povos originários existiu, existe e sempre vai existir”, apesar da repressão do colonizador que silenciou línguas, pajés, religiões e saberes milenares, além de destruir muitas urnas funerárias.

Com ele concorda Marcivana Saterê-Mawé, líder da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), que criticou a versão dominante de que tudo começou “a partir da presença dos europeus negando o nosso passado, a escravidão indígena e a nossa resistência”:

- “Nosso grande problema na cidade foi sempre a invisibilidade, a negação das raízes indígenas de Manaus”.

Ela informou que hoje vivem em 62 bairros da capital do Amazonas mais de 20.000 índios de 92 etnias, falantes de 32 línguas diferentes e que o memorial é “um marco histórico que cria uma nova narrativa do processo civilizatório a partir de agora”

Um telão na praça reproduziu discursos de lideranças indígenas: Deolinda Piratapuia, Carmelina Kokama, Francisco Maricaua e outros, além da gravação deste locutor que vos fala, que resumiu a história do território onde, antes de surgir Manaus, floresceu a “civilização da mandioca”, segundo o arqueólogo Donald Lathrap. Dela, ficou como registro o cemitério. Era lá, nesse templo a céu aberto, que celebravam cerimônias religiosas, ritos, pajelanças, tocando flautas, dançando, cantando, rezando, para reverenciar os mortos sepultados dentro de igaçabas - um pote feito de barro cheiroso, com boca larga e bojo grande.

A profanação

Esse lugar sagrado foi profanado pela primeira vez num sábado, em junho de 1542, por Francisco Orellana e os soldados espanhóis. Eles desciam famintos pelo rio Amazonas, quando viram ali na foz do rio Negro uma povoação, com malocas imponentes, amplas e arejadas, ao lado do cemitério. Invadiram a aldeia, incendiaram as malocas, mataram com armas de fogo muitos moradores, saquearam roças, roubando-lhes os alimentos. Depois foram embora, deixando os índios pranteando seus mais recentes mortos.

Durante mais de cem anos, os europeus retornaram muitas vezes, transitando pela área em viagens exploratórias ou em expedições para escravizar índios. Numa delas, os portugueses decidiram ficar. Foi ali, justamente, em cima do cemitério indígena, que o capitão Francisco da Mota Falcão começou a construir, em 1669, o Forte de São José do Rio Negro, erguido com trabalho compulsório dos Baniwa, Tarumã, Baré, Passé, entre outros.

O barro usado na construção militar foi retirado, ironicamente, dos potes destruídos e das sepulturas violadas. Camadas de entulho soterraram outras igaçabas nas profundezas do subsolo, como uma tentativa de apagar definitivamente da memória dos índios, dos mestiços e de seus descendentes, qualquer lembrança daquele lugar sagrado. Ultrajaram a morada dos mortos, perturbaram seu descanso eterno e tripudiaram sobre os restos dos vencidos, com a intenção deliberada de silenciá-los.

Quando o viajante italiano Gaetano Osculati passou pelo local, em 1850, restavam apenas ruínas do Forte. Ele viu um treinamento de soldados que marchavam e com o calcanhar quebravam as igaçabas que emergiam com as chuvas. O lugar mudou no período áureo da borracha, quando importaram um coreto de Paris e ergueram uma praça, que depois disso passou por sucessivas reformas. A cada reparo, as urnas teimavam em aflorar. Nos últimos anos, a praça ficou abandonada e degradada.

Mas agora, no 19 de abril de 2021, mais de 350 anos depois, o local foi recuperado graças ao movimento indígena organizado, que conseguiu convencer as autoridades municipais de restaurar a sacralidade e dar vida àquele espaço com o apoio de Tenório Telles (Concultura) e Alonso Oliveira (Manauscult).

O prefeito David Almeida, em nome da cidade, num gesto carregado de simbolismo, pediu aos povos originários “perdão pelos 350 anos de esquecimento”, o que esperamos se traduza em políticas de emprego, saúde, moradia e local para exposição e venda de artesanato. Assim – quem sabe? - o perdão será concedido.

Os profetas

Concluímos nossa fala no telão da praça, parafraseando discurso do presidente Adolfo López Mateo, do México, na inauguração do Museu Nacional de Antropologia:

"O povo amazonense ergue este memorial da Aldeia da Memória Indígena em honra das admiráveis culturas que floresceram há alguns milênios aqui neste território que é, agora, a cidade de Manaus. Diante dos testemunhos dessas culturas, o Amazonas de hoje rende homenagem ao Amazonas indígena, do qual nos orgulhamos e em cujo exemplo reconhecemos características de nossa identidade e de nossa originalidade regional”.

Vários grupos musicais se apresentaram, cantando em suas línguas que se fizeram ouvir naquele lugar depois de três séculos de silêncio: Wotchumaücü em língua tikuna, Waruna em Kokama, os rituais do Pajé Justino em Tukano, usando tanto instrumentos tradicionais como maracás, tuto, pau-de-chuva, flautas longas de taboca e cariço – a flauta de pã do Rio Negro feita de tubos de taquara, que se alternavam com outros instrumentos de percussão, violão e contrabaixo. Eram “as palavras dos profetas sussurradas no som do silêncio”, como na música de Simon & Garfunkel.

- Aqui, nesse lugar sagrado, hoje Aldeia da Memória, os espíritos reinam e se comunicam com a gente – garante o tukano João Paulo Barreto.

Inspirado por sua fala, ouvimos o som do silêncio e vimos se esgueirando pela praça as sombras de todos aqueles que resistiram ao poder colonial. O cacique Arawak Caybutena, velho e cego, capturado e morto por Pedro da Costa Favela. Movenominao, a menina vendida para tropas de resgates em maio de 1726. Ajuricaba, Guajaúry e Mavis, índios Manaó mortos a caminho do Pará. Goanaru, morto com sarampo em 1749. Jacabary, cacique da aldeia do Castanheiro, que resistiu à escravidão com 17 famílias por volta de 1734. Os irmãos Babari e Dejari da aldeia Tarumã. O cacique Mayapena, que lutou contra as tropas de Belchior Mendes em 1729-1730.

Mais de cem líderes indígenas que se destacaram na luta contra o colonizador entre 1640 e 1750 foram exumados dos documentos de arquivos portugueses pelo historiador David Sweet, entre eles Dadará, cacique Pavilhana, que enfrentou Sebastião Valente, em 1750. Manacassari condenado à morte por haver insultado as tropas portuguesas. Taicorema, filho do cacique Omagua, assassinado em 1721 no Lago do Cupacá, na “guerra justa” de Diogo Pinto. O cacique Tarumã Karabaina com o corpo cheio de cicatrizes. Huiuiebéue e Jauinari que aparecem, ambos, como pai de Ajuricaba.

Todos eles têm nomes. Foram sepultados com as igaçabas no esquecimento e agora assomam com o que sobrou do pássaro que voou.

Esse foi um feito extraordinário, considerando que vivemos o tempo que está acabando da passagem da boiada do ministro do Contra Ambiente e da política genocida do agora cidadão ilustre do Amazonas – título concedido com o voto contrário de Serafim Corrêa por uma Assembleia Legislativa acocorada, servil e lambe-botas e sob o protesto do lado sadio de Manaus.

P.S. -  O tema da crônica devia ser “Universidade: Território Indígena”, um texto organizado pelo COMIN – Conselho de Missão entre Povos Indígenas da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Em abril de cada ano, o COMIN celebrar a Semana dos Povos Indígenas 2021 e a luta em defesa da terra, da cultura, das línguas e das religiões indígenas.  

Referências:

  1. David Sweet: A Rich Realm of Nature Destroyed: the Middle Amazon Valley, 1640-1750. Tese de doutorado. University of Wisconsin-Madison. 1974
  2. Luiz Pucú: Sou caboco do pau oco. 2021
  3. Textos de Cristovão Nonato (Concultura) e Priscilla Peixoto (Revista Cenarium)
  4. Eduardo Góes Neves: Projeto de intervenção arqueológica na Praça D. Pedro II em Manaus. 2004
  5. Freire, José Bessa: Contextualização histórica dos sítios arqueológicos do Centro Histórico e do bairro Nova Cidade. Relatório apresentado ao Ministério Público Federal (AM) e ao IPHAN – 1ª SR. Manaus. 2004
  6. Simon & Garfunkel. The Sounds of Silence. 1964

Fotos Ricardo Oliveira (Revista Cenarium) e Oliveira Júnior (Manascult) . Tradução ao Nheengatu da placa comemorativa: Auxiliomar Ugarte com apoio de Mariazinha Baré E Edison Baré.

Versão impressa publicada no Diario do Amazonas (25/04/2021)

 

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17 Comentário(s)

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Iara Falcao de Almeida comentou:
02/05/2021
Lindo e oportunissimo memorial. A beleza da cultura indígena marcando território e gritando sua história, sua vitalidade, sua RESISTÊNCIA.
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Magela Ranciaro (via FB) comentou:
29/04/2021
Isso é a confirmação de que a brutalidade cansa, desgasta e se acaba na inutilidade. Belíssima crônica. Eu a guardarei num pedaço das recordações de um tempo, visto que não há festa e/ou desencanto perdido no fundo da memória.
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Fernando Soares Campos comentou:
28/04/2021
Publicado na versão em português do Pravda https://www.facebook.com/photo?fbid=10219380198320340&set=a.4902337480940
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Rodrigo Martins comentou:
28/04/2021
O evento foi lindíssimo, acompanhei tudo ao vivo pelo facebook, muito bem organizado com lindas apresentações, bonitos discursos e teve até fogos, sem contar a ótima filmagem do alto com drone, estava tudo impecável (destaco também o mural do Fábio Ortiz, que ficou espetacular, um grande artista). Parabenizo a todos que participaram desse momento histórico. A inauguração do Memorial Aldeia Indígena em Manaus é um gesto simbólico muito bonito e respeitoso com os povos originários, nossos antepassados que merecem todo o nosso carinho e admiração. Boas notícias como a inauguração do Memorial nos enchem de felicidade (é um sopro de alívio em meio a essa tristeza que estamos vivendo com essa pandemia). Um abraço querido professor!
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HANS ALFRED TREIN comentou:
27/04/2021
Grato por essa eloquente crônica. Até através de igaçabas que afloram, ancestrais estão quebrando a imposição de invisibilidade que nos assola, desde a invasão dos europeus. Como descendente de um desses povos invasores luto diariamente pela descolonização das mentes e dos territórios indígenas, bem como o respeito a esses povos originários e suas culturas milenares. Só no respeito à rica diversidade cultural humana é que temos alguma chance de sobrevivência nesse planeta, como já nos foi legado pela estória da construção da torre de babel em Gênesis 11. Abraço, meu querido Bessa. Muito apreço por suas crônicas e o seu trabalho de visibilização. Hans Alfred Trein
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Edmundo Pereira comentou:
26/04/2021
Impressionante: pela violência histórica; e pelo tempo e dedicação, geração após geração, que certas vitórias pedem... Da violência dos ciclos de profanação, dissecação, aterramento, até as décadas de restituição e repatriamento, pelo direito humano elementar de enterrar e cuidar de seus mortos.
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Yaguarê Yamã Aripunãguá comentou:
26/04/2021
Este lugar é igual um deus ? Que coisa: Kuá t?dawa yepé tupana yawé. Assim
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Vicente Cretton comentou:
26/04/2021
Yaguarê Yamã Aripunãguá, iwi, terra, esse lugar é uma terra de tupana...
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Combate - Racismo Ambiental comentou:
26/04/2021
Publicado no Blog Combate - Racismo Ambiental. https://racismoambiental.net.br/2021/04/25/o-som-do-silencio-na-aldeia-da-memoria-indigena-por-jose-ribamar-bessa-freire/
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Aurelio Michiles comentou:
26/04/2021
E que esse Memorial se imponha em definitivo contra o apagamento da memória ancestral do Amazonas.
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Serafim Correa comentou:
26/04/2021
Publicado no Blog do Sarafa https://www.blogdosarafa.com.br/o-som-do-silencio-na-aldeia-da-memoria-indigena/
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Valter Xeu comentou:
26/04/2021
Publicado no Blog Patria Latina https://patrialatina.com.br/o-som-do-silencio-na-aldeia-da-memoria-indigena/
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Celeste Correa comentou:
26/04/2021
Eu assisti com muita emoção, via internet, a inauguração da Aldeia da Memória Indígena de Manaus e dou os parabéns ao Prefeito David Almeida, ao Tenório Telles, presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e a todas as pessoas que se empenharam para reparar a dívida histórica com os povos indígenas. Concordo com a líder da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Marcivana Saterê-Mawé que disse na sua fala que o grande problema dos índios na cidade foi sempre a invisibilidade, a negação das raízes indígenas de Manaus. Isso é produto de uma construção social preconceituosa a partir da visão do colonizador. Daí a importância deste evento. Precisamos dar visibilidade à história real que nos constituiu, porque, só conhecendo-a, desenvolveremos a noção de pertencimento, sentimento imprescindível para internalizarmos que essa luta por reconhecimento de direitos é uma luta de todos os brasileiros. Eu estendo aqui os cumprimentos ao Taquiprati, que com as suas crônicas, dá uma enorme contribuição para que a nossa história seja de fato reescrita e recontada incorporando a visão da resistência.
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José Carlos Levinho comentou:
25/04/2021
Parabéns.... O apagamento é a principal instrumento utizado pelas elites contra povo.
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Cristovão Nonato comentou:
25/04/2021
Vamos adiante desenhar os projetos de evolução do Memorial, com as urnas-monumentos (igaçabas) expostas pela praça com plantas especiais. E a presença dos indígenas no dia a dia da Praça gerando emprego e renda com nossos produtos originais. Só para você ver o potencial que esse negócio tem, duas artesãs kokama já estão lá no Hall do novo (Palácio Rio Branco) prédio onde está o Concultura, E tambem capacitar jovens indígenas para serem guias-turistas. Muito trabalho pela frente!
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Tenorio Telles comentou:
25/04/2021
: Professor, Que belo texto. Um bom registro e um chamamento à responsabilidade. Muito obrigado pelo apoio : Vamos trabalhar muito para consolidar esse trabalho. Na próxima semana já vamos iniciar as ações para tornar o Paço um centro de produção e comércio de artesanato indígena e Medicina tradicional. Ocupando com trabalho agente firma esse processo.
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Selma Kupski comentou:
25/04/2021
Professor, por que esses índios não armaram tocaias pra matar esses invasores?
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