“Não inventei o realismo mágico, sou apenas o tabelião da realidade. Os europeus têm dificuldade em acreditar no relato de nossas vidas, porque o racionalismo deles limita a compreensão do nosso mundo e das nossas experiências (Gabriel Garcia Márquez. Madri. 1995).
Muitos anos depois, diante do terreiro de Mestre Mundico, pajé de Maruacá, comunidade de Salvaterra, na ilha do Marajó, dona Maria José haveria de recordar aquela tarde remota, em maio de 1934, quando grávida de sete meses, escutou o choro dentro da sua barriga da criança que receberia o nome de Zeneida. Sua amiga Guiomar profetizou:
- Criança que chora no ventre materno tem o dom de adivinhar.
Na conversa com Mestre Mundico, Dona Zezé contou que uma enorme borboleta azul – era azul - havia pousado mansamente sobre o seu ventre, lá na Fazenda Independência, em Soure. Relatou que, após uns dias, outra borboleta também azul, ainda maior que a primeira, acompanhou sua caminhada de gestante na floresta, sobrevoando em zigue-zague, subindo e descendo sobre sua cabeça. Revelou que, ao chegar ao sítio de um amigo, em Breves, foi recebida por três outras borboletas, sempre azuis, que batiam asas e planavam em espirais em volta dela. Guiomar novamente garantiu:
- Borboleta azul traz boa sorte e felicidade, Zezé. Essa criança não está só. As borboletas estão tomando conta do bebê que está na tua barriga.
Trouxe sorte mesmo. Eram todas azuis. Felizmente não eram aquelas mariposas amarelas que, quando alimentadas com lágrimas de tartarugas, anunciam tragédias e provocam sofrimento alheio. Foi o que ocorreu com personagem de Garcia Márquez em “Cem Anos de Solidão. Eram amarelas as que esvoaçavam permanentemente ao redor de Maurício Babilônia, cujo namoro com Meme era proibido pela mãe dela. Ele engravidou a amada, foi confundido com um ladrão de galinhas, levou um tiro e ficou paraplégico. Ela foi enclausurada pela genitora no convento, onde pariu o filho na clandestinidade.
Quem avisa, amigo é: borboleta amarela dá nisso. Histórias como essas, que embaralham a realidade com elementos considerados fantásticos, aconteceram com Zeneida ainda feto e ao longo dos 92 anos de sua vida desde quando, com apenas três dias de nascida, recebeu a visita de uma nuvem de abelhas jataí, sem ferrão, que rodopiaram e pousaram suavemente sobre o berço. As abelhas só se pirulitaram quando o quarto foi defumado com alfazema e alecrim.
Esse mundo mágico encantado aflora no livro autobiográfico O Mundo Místico dos Caruanas da ilha do Marajó da pajé Zeneida Lima. Ela relata ali sua vida, revestindo os fatos com reflexões críticas, confissões, emoções, ora com linguagem poética, ora com palavras nuas e cruas. Registra angústias, perplexidades, frustrações, escolhas de vida, medos e alegrias no relacionamento com avós, mãe, pai, irmãos, filhos, namorados, amigos, vizinhos, árvores, plantas, insetos, pássaros, peixes, água e forças da natureza.
O mundo encantado
- Consegui trazer à tona o meu mundo encantado, submerso nas águas do Marajó – diz dona Zeneida, que descreve a pajelança cabocla e retrata o que é ser uma pajé. Será que o leitor vai se encantar com o livro? Quem responde é uma conceituada leitora, Rachel de Queiroz, autora do prefácio, com a autoridade de primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras (ABL):
- O leitor descobrirá nestas páginas um novo mundo.
A escritora cearense tornou-se parceira de Zeneida na criação da Instituição Caruanas do Marajó, quando descobriu esse mundo encantado que abriga pajelança, relação de ervas medicinais e suas propriedades, as receitas culinárias da inefável Cotinha: o mingau de crueira com macaxeira socada no pilão, o beiju, o tacacá, o açaí, as festas populares, as danças, a batida dos tambores do carimbó do mestre Biri, o lundum ao som do clarinete, o pregão dos mercadores do banho de cheiro:
- Olha o cheiro cheiroso para cheirar o catingoso.
O novo mundo é esse: o da cultura popular marajoara. O seu realismo, tão concreto e vivo como o búfalo e tão imaginário quando este se torna símbolo do Marajó, convive com experiências fantásticas de transes, rituais, práticas curativas da pajé com plantas, sementes, raízes e invocações das energias dos caruanas. O cotidiano se defronta com experiências fabulosas fora do mundo físico como na vertente literária do Realismo Mágico, que estourou na América Latina na segunda metade do século XX. Nesse sentido, Marajó é a Macondo amazônica, onde se misturam fatos que acontecem nos mundos sensorial e extra-sensorial, marcados por sonhos, fantasmas e sobretudo pela natureza exuberante.
Quer ver só? Um dia, na primeira infância, depois de ver uma cobra dependurada na rede do irmão Renato, Zeneida e ele saíram com uma cuia pitinga para beber leite espumante no curral na Fazenda Independência. De repente, o mano olhou espantado para ela ao ver seu semblante triste e angustiado. A tabeliã do Marajó conta:
- Um calor forte invadiu meu corpo. Aconteceu um fato curioso. De onde estava, me vi correndo ligeira pela relva. Minha imagem tão distante de meu corpo, deixou-me assustada.
Ela disse ao irmão, apontando: - Olha, Renato, estou ali, correndo pelo campo. Alarmado, ele não compreendia. Mas como compreender que eu me dividira, era duas. Uma estava aqui ao lado do mano, a outra, ali, mais distante, brincava na relva”.
A solidão do Marajó
A escritora Zeneida pode dizer de sua obra aquilo que Garcia Márquez garantiu: “Não há uma única linha nos meus livros que não tenha sua origem em um fato real. A primeira condição do realismo mágico, como o nome indica, é que seja um fato rigorosamente verdadeiro que, no entanto, parece fantástico”. Para ele, o cotidiano no nosso continente está repleto de fatos absurdos e fantásticos. Quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1982, destacou em seu discurso “a solidão da América Latina”, cuja realidade desmedida e trágica é fonte de sua escrita.
Garcia Márquez se deliciaria com o caráter místico e onírico dessas narrativas, como as dos homens de pele azul, que um dia surgiram do nada diante da menina Zeneida. Ela viu, espantada, três seres semelhantes a entes humanos, mas com os pés achatados igual aos pés de pato e com a pele de um azul brilhante. Perguntou-se: Quem eram eles? De onde vinham? O que queriam? Achou que eram seres da água:
- Por causa dessas visões, mamãe tinha dúvidas sobre a minha sanidade – escreveu a pajé do Marajó. Dona Maria José de Andrade Figueira de Lima demorou a perceber e a aceitar a ligação da filha com as forças que emanavam das águas e da floresta.
O Mundo Místico dos Caruanas, um dos doze livros escritos por Zeneida, lembra, por sua riqueza temática, vocabular e estilística, o Baú de Ossos de Pedro Nava, memorialista mineiro de Juiz de Fora. Como ele, Zeneida “surpreende, assusta, diverte, comove, embala, inebria e fascina o leitor com suas memórias”. Rachel de Queiroz insiste que “os dons criativos transparecem em toda a narrativa, uma faceta marajoara para o Brasil descobrir”.
O Brasil começou a descobrir esses dons criativos. Zeneida, que entrou na universidade pela porta da frente, foi consagrada também pela etnografia, a pedagogia e pela cultura popular: o mundo do carnaval, da dança, da música, do cinema.
A Academia, que forma e influencia leitores, demorou, mas finalmente começou a dialogar com os saberes que ela herdou do seu bisavô Coemitanga, xamã da etnia Sacaca, assim como do Mestre Mundico, que a iniciou na pajelança. A Universidade Estadual do Pará (UEPA) reconheceu sua sabedoria sobre os segredos da natureza humanizada e consagrou seu texto literário centrado na educação ambiental ao lhe conceder, em 2021, o título de Doutora Honoris Causa.
Caboclo de fogo
Além do título universitário, o reconhecimento da relevância da sua obra literária se deu nos diversos campos mencionados, conferindo-lhe notoriedade e projeção nacional. Sua história de vida serviu de inspiração para o filme “Encantados” sobre a Amazônia Caruana dirigido por Tizuka Yamasaki. A Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis foi campeã em 1998 com o samba-enredo “Pará, o Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu”, fazendo desfilar na Sapucaí os personagens do livro autobiográfico.
Não foi suficiente. Vai ter repeteco com outro enfoque. Para o carnaval de 2027, a Beija-Flor volta a colocar no sambódromo os saberes da pajé com o samba-enredo “Zeneida: o Sopro do Pó de Louro”, assinado pelo carnavalesco João Vítor Araújo. Mas desta vez, em vez de focar apenas no livro, a Escola de samba prioriza a vida da ativista, educadora e ambientalista, inovando com “um formato de diálogo íntimo, poético e espiritual”. Adota a primeira pessoa do singular para que ela conte sua própria vida, incluindo seu trabalho como educadora.
No campo da educação, a Instituição Caruanas do Marajó realiza várias oficinas permanentes: de Cerâmica Marajoara focada na tradição artística da ilha; de Educação Ambiental com o reflorestamento e revitalização de áreas degradadas; de Medicina Tradicional com o plantio e o estudo de centenas de espécies de plantas medicinais, num casamento da ciência com a pajelança cabocla; de Música para desenvolver a recuperação da memória local, o gosto da criança pela canção, além da autoestima e da solidariedade entre os alunos.
Zeneida, versátil, também dá vida a canções. Mais de 120 músicas cantadas pela pajé, algumas em Nheengatu, foram gravadas pelo compositor, pianista e guitarrista Egberto Gismonti, que fez várias tournês e digressões pela Europa e conviveu com os Yawalapiti no alto Xingu, onde compartilharam o idioma comum: a música. Uma das músicas de Zeneida, cuja letra foi registrada pelo cônego Bernardino de Souza, em 1875, é uma canção de ninar, na qual as mães, para fazerem dormir seus bebés, pedem emprestado o sono do quatipuru, um animal que passa a noite na balada e de dia, dorme: - Acutipuru ipurú nerupecê. Cimitanga-miri uquerê uaruma. Acontece que o cônego só nos deixou a letra. Zeneida compôs, então, a música.
A escritora, compositora e pajé interagiu, ao longo da vida, com alguns etnógrafos internacionalmente conhecidos, como os franceses Pierre Verger e Roger Bastide e o maranhense Nunes Pereira, autor de “A Casa das Minas” – um estudo sobre o terreiro de matriz africana do Maranhão, que cultua os voduns de tradição Jeje. Ela trocou correspondência com os três sobre “os caruanas, senhores das águas do nosso planeta”, cujas cartas fazem parte de seu arquivo particular.
Gatilhos da memória
Como sou fofoqueiro (no bom sentido), não resisto em destacar no relato de Zeneida, que rolou um clima de amor platônico entre ela e Nunes Pereira, ambos presentes em algumas fotos antigas. “Romântico, heroico, fescenino e obsceno” na definição de seu amigo Thiago de Mello, o autor de ¨Moronguetá: um Decameron Indígena” transcreveu histórias apimentadas e cabeludas contadas por indígenas. Esse Boccaccio de igarapé, com seus contos eróticos, inspirou a escritora Zeneida a escrever “Caboclo de fogo” no capítulo XXX do seu livro “Meus Caruanas”. A narrativa, que faz uma crítica mordaz à hipocrisia e ao falso moralismo, acabou sendo suprimido para não escandalizar os moralistas pudibundos. Foi publicado por mim com autorização dela na coluna Taquiprati do Diário do Amazonas.
Zeneida transforma lembranças em narrativa artística envolvente usando técnicas literárias do gênero autobiografia, que ela maneja com maestria, dividida entre o “Eu que narra” e o “Eu narrado”, sempre fiel ao pacto autobiográfico, no qual autora, narradora e personagem principal são a mesma pessoa. Adota um tom confessional de extraordinária sinceridade para expor seus vacilos e segredos, seus medos e fraquezas, os conflitos especialmente com o pai extremamente autoritário. Sua vulnerabilidade assim exposta gera empatia e credibilidade no leitor. Ela é implacável na crítica ao machismo e ferrenha na defesa da condição feminina, que se derramam pelas páginas do livro:
- Mulher, se é independente é sinônimo de prostituta. É objeto. Coisa a ser tomada e usada conforme conveniência dos homens. Por todos os lados sente-se os rancores feudais e machistas.
Nessa abordagem corajosa, ela expõe suas falhas, vergonhas e desejos ocultos. Lembra a francesa Annie Ernaux, Prêmio Nobel de Literatura em 2022, que alterna a autobiografia íntima com a análise sociológica, revelando intimidades. Ou ainda nos remete, na literatura brasileira, à Lavoura Arcaica de Raduan Nassar, Prêmio Camões 2016, que descreve a crueza das relações familiares e da sexualidade.
Para reconstruir suas memórias, Zeneida usa recursos de ficcionalização da realidade. Recria os diálogos de forma verossímil para dar dinamismo às cenas. Recorre ainda aos “gatilhos da memória”: objetos, sabores como o aroma da garapa fervente, o cheiro da terra molhada, das frutas e das plantas, músicas, rituais, que permitem resgatar as lembranças do passado.
Quanto à linguagem, Zeneida exibe pleno domínio da norma padrão do português escrito, que só transgride conscientemente para ressaltar a variedade da fala marajoara, com a benção de José Saramago, para quem “não há uma língua portuguesa, há várias línguas faladas em português, línguas distintas dentro de uma mesma matriz, cada uma com suas particularidades, ritmos e influências”. Ele critica a exigência de uma padronização excessiva, que pode engessar o idioma e ocasionar a perda dessa rica variedade de falares. “A língua – diz - é um organismo vivo moldado pelas diversas culturas”.
Idioma vegetal
A escritora Zeneida poderia muito bem ter enriquecido o documentário “Línguas: Vidas em Português”, filmado em 2001 em seis países de quatro continentes para mapear a lusofonia. Além de Saramago, Mia Couto, João Ubaldo e Martinho da Vila, foram entrevistados cidadãos comuns: feirante, vendedor ambulante, pescador, trabalhador rural, operário da construção civil, comerciante, professores, donas de casa, idosos. O filme coloca a variedade popular da fala no mesmo patamar da produção literária erudita, mostrando a língua portuguesa marcada pelas culturas locais e suas histórias. É o que defende Zeneida Lima na apresentação de seu livro:
- É preciso entender-me dentro do meu contexto social. A primeira tarefa é identificar o falar local, que guarda ainda enormes quantidades de expressões da língua geral indígena. Soa estranho aos ouvidos do sulista as alusões do caboclo marajoara, as paradas súbitas, os subentendidos, o som fechado do ‘O’ nas frases”. Ou o alçamento vocálico, fenômeno da passagem de um som linguístico para outro, no qual uma vogal é pronunciada em uma posição mais alta. Ela registra que se alguém corta o coco a terçado ou vê um caboco na popa da canoa, diz:
- Ele curtu u cucu a terçado. Ulha já, um cabuco na pupa da canua.
O Nheengatu, a língua geral dominante na Amazônia até a primeira metade do séc. XIX, está presente em empréstimos lexicais, sobretudo no campo da pajelança. Caruanas é o termo geral para três tipos de energias. As energias curadoras do fundo das águas, que atuam em benefício dos viventes – diz Zeneida - são chamadas de Aguaguará, Janaum, Ituaí, Guaiarará, Giaguara, Gugura. As energias das águas intermediárias, que aconselham os viventes em dificuldades, são chamadas de Buburuci ou Caruanais. E as energias das águas rasas da superfície, dotadas de capacidade de previsão, são chamadas de Caruás.
A toponímia do Marajó, a botânica, a zoologia, a ornitologia estão impregnadas do Nheengatu, que deixou ainda suas marcas no português coloquial que falamos. Mas além do “idioma vegetal” herdado coletivamente, Zeneida cria neologismos, usando palavras informais para nomear novos conceitos, como o “pouco-me-importismo” de quem está pouco se lixando. Ou “Umbora, umbora tomar açaí até o bucho tufar – presente na fala da dona Zezé.
A autobiografia é interrompida em julho de 1984, com seu retorno ao Marajó, mas no último capítulo intitulado “A história continua” (pg. 425) ela promete:
- Sempre ajudada pelas energias provenientes do mar, darei continuidade a esta saga, brevemente, com outra publicação. Deixa assim o leitor com o gosto de “quero mais”.
Pelo conjunto de sua obra, Zeneida Lima foi indicada para a mais importante distinção literária da língua portuguesa: o Prêmio Camões 2026, em sua 38ª edição, cuja vencedora foi a escritora lusitana Lídia Jorge, escolhida por unanimidade nesta quinta-feira (02/07) por cinco jurados de Portugal, Brasil, Angola e Guiné-Bissau, entre os quais se encontra este locutor que vos fala, autor da indicação que já é considerada um prêmio em si, como no Oscar, mesmo para quem não fica com a estatueta. Em breve, conto os detalhes do Prêmio Camões.
Por enquanto, vale a certeza de que borboletas azuis se deixarão fotografar pelos filhos Rubens e Eliana, quando estiverem esvoaçando em torno da sua mãe na comemoração do seu aniversário de 92 anos a ser celebrado no dia 21 de julho em Soure, cidade gêmea de Salvaterra, onde se fez pajé essa tabeliã do Marajó – uma senhora escritora.
P.S. Próximos textos: 1) Dona Zeneida, a pajé do Marajó e 2) Dona Zeneida, entre familiares e amigos.
Referências:
Lima, Zeneida. O Mundo Místico dos Caruanas da ilha do Marajó. Belém. Cejup. 2002 (6ª edição revista e atualizada), Mais 12 livros, além de artigos quinzenais publicados no jornal O Liberal” de Belém.
Bessa Freire, José R. Rio Babel: a história das línguas na Amazônia - Rio de Janeiro: EdUERJ, 2011. (2ª edição). Também artigos na coluna Taquiprati do Diário do Amazonas.
Taquiprati:
- Doutora Zeneida: as encantarias de uma pajé. 05/12/2021 https://www.taquiprati.com.br/cronica/1616-doutora-zeneida-as-encantarias-de-uma-paje
- Navegando pelo Marajó com pajés e capoeiristas. 23/09/2007https://www.taquiprati.com.br/cronica/119-navegando-pelo-marajo-com-pajes-e-capoeirista
- Zeneida, a pajé do Marajó. 15/07/2007 https://www.taquiprati.com.br/cronica/129-zeneida-a-paje-do-marajo
- Pacamão, o caboclo de fogo. 15/10/2017. https://www.taquiprati.com.br/cronica/1365-pacamao-o-caboclo-de-fogo