O carnaval não foge da realidade; comenta em voz alta. A fantasia não nega a sociedade, amplia seus traços até que a gente perceba onde o discurso termina e começa o personagem. E espelho, caboco, não inventa rosto. Só reflete.
Ele é pela vida, diz. Pela ordem, diz. Pela fé, diz. Desde que a vida concorde com ele. Desde que a ordem lhe favoreça. Desde que a fé o absolva. Escolhe, com precisão cirúrgica, quais vidas merecem compaixão, qual ordem lhe convém, qual fé o redime.
A imagem e o discurso não apenas divergem — se anulam. De um lado, o indígena como símbolo. Do outro, o indígena como problema. Celebra-se o ícone, acusa-se o sujeito. No fim, o cheiro é controlado — não a sujeira. E o poder decide o que pode feder em silêncio....