CRÔNICAS

Senhor Cachorro, não me mate, senhor Cachorro!

Em: 06 de Setembro de 2015 Visualizações: 30287
Senhor Cachorro, não me mate, senhor Cachorro!

 

“When a dog bites a man that is not news,
but when a man bites a dog that is news”.
(Charles A. Dana, jornalista americano)
 
Foi isso que aprendemos no Curso de Jornalismo da UFRJ, assim mesmo, em inglês. Se um cachorro morde um homem, isso não é notícia, acontece sempre, mas se um homem morde um cachorro, aí sim, é notícia. Notícia é a novidade, o inusitado. Tal lição importada dos Estados Unidos era ensinada, em 1966, pelo nosso professor Danton Jobim, autor do Espírito do Jornalismo, um espírito de porco que continua baixando ainda hoje nas redações, especialmente se o mordido for um índio e não o filho do dono do jornal.
No domingo vasculhei os dois jornais que assino - um do Rio, outro de São Paulo - para confirmar a notícia dos disparos feitos no sábado (29/8) por pistoleiros pagos que mataram o guarani-kaiowá Simeão Vilhalva, 24 anos, e feriram dez outros índios, incluindo crianças da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu (MS). Nada encontrei. "Não houve tempo hábil de noticiar" - pensei, já que a edição dominical dos jornais fecha cedo no sábado e o corpo de Semião foi encontrado por volta das 15h, no córrego Estrelinha, onde foi atingido na cabeça quando bebia água.
Esperei a segunda-feira e passei um pente fino nos dois jornais. Inútil. Sequer uma notinha. O velório com as rezas de despedida, o caixão sobre banco de madeira ao lado de um galpão, o choro dolorido do filho e da esposa Janaína só apareceram nas redes sociais. A mídia nacional ignorou olimpicamente as mordidas dos "cães raivosos" do agrobanditismo, considerando, afinal, que aquilo não era novidade. Novidade seria se um índio mordesse um desses "cachorros".
No news
Se índios são assassinados sistematicamente nos últimos cinco séculos, isso é tão corriqueiro que deixou de ser notícia, assim como não é notícia o motivo pelo qual se mata: disputa por terra. No caso, esta área indígena demarcada e homologada pelo presidente Lula, em 2005, teve a homologação suspensa pelo ministro do STF Gilmar Mendes a pedido dos fazendeiros que a ocuparam ilegalmente. Permanece engavetada até hoje, alimentando o conflito, que é silenciado pela grande mídia, mas que bombou nas redes sociais em compartilhamentos indignados.
Os dois jornais de circulação nacional não deram uma vírgula ao longo da semana sobre os desdobramentos do crime: velório, enterro, protestos, ação policial e ministerial. Na terça, negaram aos seus leitores a notícia sobre o enterro. Lá poderiam entrevistar a professora guarani-kaiowá Inaye Gomes Lopes, testemunha do crime: "Houve massacres em dois lugares. Um na fazenda de Roseli, presidente do Sindicato Rural e o outro na fazenda de Dácio Queiroz, onde ocorreu a morte. Os fazendeiros com os pistoleiros deles chegaram atirando".
Quarta-feira, nas redes sociais circularam notas de protestos de várias entidades, entre outras a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), a Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), além de uma Carta Aberta dos Servidores da Funai de Campo Grande/MS, mas os dois jornais de circulação nacional nem seu souza. Se a morte de Semião não foi noticiada, como publicar notas exigindo a punição dos assassinos? 
As notas lembraram outros líderes assassinados como Marçal de Souza e Dorvalino Rocha, condenaram a ação planejada dos ruralistas em ataque paramilitar premeditado, denunciaram o uso de munição própria das forças de segurança pública e exigiram o julgamento dos mandantes e dos executores, além da regularização da terra. O líder guarani Anastácio Peralta disse que Mato Grosso do Sul virou "o maior faroeste, o país perdeu a soberania, quem manda lá é pistoleiro e fazendeiro. Um boi vale mais que uma criança. Eles matam nós como animais".
Cantos da terra
As notícias fervilhavam nas redes sociais sobre o velório simbólico em frente a Praça das Águas, em Campo Grande (MS) para protestar contra a bancada ruralista que dá apoio político ao agrobanditismo, exibiam também fotos de outra manifestação dos Guarani em frente ao STF e ao Palácio do Planalto, em Brasília, para onde levaram um caixão. Mas nem a ação na Esplanada dos Ministérios, nas fuças do Poder e dos repórteres, arrancou uma palavra dos dois jornais.
Quinta-feira (3/9), a mídia nacional não deu um pio sobre a viagem do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que se reuniu na quarta com o governador Reinaldo Azambuja em Campo Grande para atuar como bombeiro. O governo federal autorizou o envio imediato de tropas do Exército a quatro municípios de Mato Grosso do Sul, deixando em estado de alerta tropas da Marinha e da Aeronáutica. O CIMI anunciou que vai levar o caso de Semião ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suiça.
No entanto, a dimensão e a repercussão dos fatos, assim como o interesse humano nele contido não comoveram os dois jornalões que assino, que permaneceram em silêncio escandaloso ao longo da semana. Nós, leitores, fomos privados da informação de tanto interesse para o Brasil, que foi comentada por dois professores de renome internacional da Universidade Federal da Grande Dourados, Graciela Chamorro e Walter Marschner:
"Nós, Walter e eu, participamos de um estudo sobre a bacia do Rio Apa e estivemos várias vezes na comunidade que tenta há décadas recuperar suas terras e ter acesso ao rio.Conhecemos o homem assassinado, a família enlutada e muitos moradores do local. Ñande Ru Marangatu em língua kaiowá quer dizer "A Bondade do Nosso Pai", esse é o nome de um morro dentro da área em litígio, onde o Ser Criador amarrou os cantos da terra".
Comparando as redes sociais com o silêncio da mídia, fica claro que noticia, na realidade, é aquilo que os jornais não publicam, o resto é propaganda, matéria paga. Desconfio que não vou renovar minha assinatura dos dois jornais, transformados em panfletões dos donos da grana. Eles contribuem para a invisibilidade dos índios no cenário nacional. A publicação dos fatos certamente evitaria outros crimes. Diante do silêncio "se faz um nó na garganta e se espalha em vários nós por todo o corpo" - como sinaliza Graciela Chamorro, que conclama:
- Em nome de A Bondade de Nosso Pai, quem escreve, escreva; quem canta, cante; quem toca, toque; quem pinta, pinte; quem reza e ora, reze e ore; quem prega, pregue; que os operadores do direito operem com justiça para que a impunidade dos crimes cometidos contra indígenas tenha um ponto final.
Señor perro
Um ponto final e um basta aos cachorros que estão mordendo índios há mais de cinco séculos, sem que isso seja noticiado. Foram poucos os cronistas - os repórteres do século XVI - que registraram a existência de cães musculosos, com mandíbulas em forma de alicate, adestrados para estraçalhar índios e dilacerar a carne de suas vítimas. Um deles, “Becerrillo”, de tamanho descomunal, dentes afiados e olhos de Satanás, ficou célebre e temido por sua ferocidade. Sua ração era melhor que a dos soldados.
Bartolomé De Las Casas conta a história de uma velha índia, a quem um encomendero entregou um papel velho, como se fosse carta, para levar a uma légua de distância. Por pura diversão. Depois que a índia partiu, eles soltaram Becerrillo, que saiu em furiosa disparada para despedaçá-la. A velha índia, tremendo de medo, ficou parada e falou em sua língua: 
“Señor perro, yo voy a llevar esta carta a los cristianos, no me hagas mal, señor perro”.
Ela estendia a mão, mostrando-lhe o papel. O cão levantou a pata e mijou na velha como se fosse uma árvore. Mas não a matou. Sabemos da existência de Becerrillo e do seu filho Leoncico porque as duas feras viraram, finalmente, notícia, dando razão aos americanos e ao Danton Jobim. Os índios, finalmente, mataram as feras a flechadas, ou seja, "morderam" os cachorros. Aí sim viraram notícia.
P.S. 1) LAS CASAS, Bartolomé de. Historia de las Índias ahora por primera vez dada a luz por el Marqués de la Fuensanta del Valle. 5 tomos. Madrid. Imprenta de Miguel Ginesta. 1875 (p.284 t.III). 2) PEREIRA, Levi Marques e EREMITES, Jorge. Ñande Ru Marangatu file:///C:/Users/admin/Downloads/Nande%20ru (laudo antropológico e histórico sobre essa terra indígena).

 

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32 Comentário(s)

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Marilia Maria comentou:
12/09/2015
Mais uma vez você consegue encontrar as palavras quando a gente está engasgado. Fala por nós, por tantos de nós... E toca nessa ferida horrível da indiferença, da palavra da imprensa que se cala diante destas infâmias contra os índios. Quando soube da notícia, me veio à cabeça o Castro Alves: Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares! É isso, temos que fechar as portas por onde entra tanta infâmia e covardia.... !!
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Peter Schröder comentou:
11/09/2015
Parabéns pela crônica. Falando de cachorros, não podia ser mais mordaz. Adorei a denominação agrobanditismo. Talvez a única expressão certa para aquele segmento rural. Cada dia recebo notícias sobre o que está acontecendo com os indígenas neste país -- notícias que cada vez me deixam indignado, raivoso, furioso. E o acesso às notícias se dá pelas redes sociais e por outros caminhos, menos pela grande mídia. Não sou assinante de nenhum jornal. Em minha casa jornal só tem uma única finalidade: servir para os cachorros resolver suas necessidades.
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Lilian Costa Nabuco dos Santos comentou:
11/09/2015
Genial Bessa! Expressou magnificamente a nossa indignação com mais uma bestialidade cometida pelo agronegócio e seus capangas, acobertados pela mídia com o silêncio e o consequente estímulo à impunidade. E o crápula travestido de ministro do STF, Gilmar Mendes, sempre do lado errado, contra as causas justas e sempre defendendo os poderosos. A última foi sentar-se arrogante e cinicamente sobre o Projeto de Lei que proibe empresas de financiarem campanhas políticas, em plena ebolição do processo de investigação da corrupção na Petrobrás, revelando as relações espúrias entre políticos e grandes empresas. O objetivo de retardar o processo era esperar que seu comparsa Eduardo Cunha tentasse aprovar na Câmara a legalização do financiamento em questão introduzindo-o na nossa Constituição. Quanto a mais essa omissão da mídia, podemos afirmar que não temos mais jornalismo de verdade, nos seus pressupostos mais nobres e fundamentais: democracia, imparcialidade e responsabilidade social. Infelizmente uma maioria acredita que a mídia defende a liberdade de expressão quando na verdade defendem o direito de continuar defendendo os interesses da empresa, financeiros e ideológicos, e conta para tanto, no lugar de jornalistas, executivos obedientes e bem pagos. Finalmente devo te dizer que não resisto em mandar esta sua crônica para as editorias de O Globo e Folha de São Paulo jornais dos quais sou assinante. Temos que lhes dar o que merecem, a "incômoda consciência" que felizmente rola nas redes sociais. Um grande abraço - Lilian
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Ana comentou:
10/09/2015
Bessa, querido, que impotência nos dá saber essas coisas!!!! A humanidade não está valendo quase nada. Que idiotas são esses que tanto matam e os que não publicam. Tanto valor dão somente ao dinheiro, que creio que eles pensam que o poderão levar junto com eles para o inferno. Um grande e afetuoso abraço,
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Ciro Braga Dantas comentou:
08/09/2015
Parabéns pela denúncia em mais uma excelente crônica, professor. Meu nome é Ciro Dantas, sou formado em História pela UFAM, trabalho na SEDUC-AM no núcleo de diversidade. Tenho me comunicado com o grupo do setor de educação indígena aqui dentro do órgão para que leiam sua coluna e se apercebam de algumas situações correntes com os grupos indígenas do Amazonas. Foi o caso da crônica "Como matar índios com giz e apagador". Todas as suas histórias e estórias são muito inspiradoras e tem muuuuito que ver com a realidade com que lidamos aqui no dia-a-dia, como por exemplo "Do jeito que o diabo gosta", crônica publicada há um tempinho atrás. Quando o senhor conta histórias da Manaus antiga, então, pra todos nós daqui que amamos essa cidade cabocla, ficamos fascinados e ainda mais apaixonados pela nossa Manaus. Muito obrigado pelas crônicas e pela inspiração semanal. Fique com Deus.
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Benjamin Baniwa comentou:
07/09/2015
Como sempre o professor José Bessa nos presta sua solidariedade, através de seu texto, que além de informativo nos educa com relatos da história do Brasil, que é escondida do conhecimento do povo. Mas só corroborando com seu texto, que tem inteira razão, se índios atacassem alguns "brancos",, com certeza toda a mídia vendida e reacionária teria manifestado repúdio e pedido de providências, com Arnaldo Jabor e Alexandre Garcia ladrando e expelindo seus dejetos fecais contra os indígenas.
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Karina Mello comentou:
07/09/2015
Quero dar uma pequena palavra sobre crimes e atentados à humanidade que acontecem no mundo todo contra os menos 'favorecidos'. Nesta semana, tenho visto diversos tipos de manifestação nas redes sociais sobre fotos estarrecedoras. Uns se indignam que crimes atrozes contra indigenas dentro do territorio brasileiro não pareçam capazes de chamar a atenção da 'grande' mídia e ou consternar brasileiros tanto quanto parece ser a foto de uma criança síria morta em naufrágio ao tentar se refugiar em outro país com a família. Outros explicam que dor, sentimento e atentados contra a humanidade não se pode e não se deve hierarquizar. Eu acho que os argumentos de uns e outros são para lá de pertinentes. E não me parecem conflitantes como uns e outros querem entender. Sim, por não ser correto hierarquizar é que deveriam ter a mesma cobertura de notícia, para aí sim, quem sabe, ao menos, tentar causar a mesma consternação que outros crimes mais noticiados. Essa é a questão. Quando se trata de determinados grupos, etnias, nacionalidades, a folha de jornal não vale o que o cachorro come, parafraseando o autor da crônica abaixo. E, não vale mesmo, mas poucos tem a chance de poder saber disso através de um (tele)jornal.
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Renata Curado comentou:
07/09/2015
Bom dia! Obrigada Professor Bessa, por nos trazer palavras de luz e reflexão quando perante tal situação de atrocidades seculares minha alma e corpo choram. Que cantemos, rezemos, estudemos e lutemos por nossos povos originários! Nós não vms desistir. Eles silenciam e nós gritamos! Grata pela força e inspiração de sempre! Sua aluna Renata Contato de Renata Curado
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06/09/2015
Admirável e tocante ! parabenizo !Freire dá nome aos cachorros donos dos bois e aos grandes jornais que violentam os direitos humanos e omitem as informações! Mas ainda bem que temos as redes das mídias sociais para esclarecer a moçada ! ( e vou compartilhar seu artigo aos meus alunos e amigos). Agora é orar mesmo para que a ONU faça justiça e que possamos ler notícias que respeitem os direitos indígenas ! Contato de Thereza Martha Presotti
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Olivia Maria Maia comentou:
06/09/2015
Parabéns pela Crônica, Caro Bessa. Confesso que ando me sentindo impotente para escrever sobre o tema. Mas não impotente para MORDER esses cachorros todos. Amanhã no Grito dos Excluídos que ocorrerá aqui em Brasília, eu e vários amigos, mostraremos nossos dentes: #SomoTodosGuaraniKaiowa... Vão ter que nos ouvir: principalmente esse governo na pessoa da Presidente; de seu Ministro da Justiça Cardozão; e de sua Ministra da Agricultura a KatiaMissMotoSerraAbreu...
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06/09/2015
Que indignação esse silêncio da mídia com relação as questões indígenas. É uma vergonha essa postura dos MCS (TV). Sexta feira dia 4 o ministro do Supremo Tribunal Federal Levandosk esteve em Roraima, na comunidade indígena Maturuca - coração da Raposa Serra do Sol; mas nenhum jornal noticiou esse evento. Qto a crônica ótima pelo conteúdo informativo. Abraços Prof. Bessa. Contato de Zineide Sarmento Pereira
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Soraya Monteiro Dias comentou:
06/09/2015
Vejam o que acaba de acontecer em MS: A Polícia Civil do município de Coronel Sapucaia distante a 377 quilômetros da Capital encontrou hoje (5) o corpo de um indígena de 54 anos dentro do banheiro da própria casa na aldeia Taquari, de Coronel Sapucaia. De acordo com informações policiais, a vítima estava sendo ameaçada. O nome do indígena ainda não foi identificado. No corpo havia diversas marca de tiros. O caso foi registrado como homicídio simples e será investigado pela Delegacia de Polícia Civil e até a publicação desta reportagem ninguém havia sido preso.
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Eneida comentou:
06/09/2015
Como Suassuna, sou realista esperançosa de que a vacina do respeito possa neutralizar esses cães mais que raivosos soltos em nosso lindo país. Muito grata pela, embora triste, notícia sobre a morte de membros de nossos povos originais. Com carinho, Eneida
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Lucia Sa comentou:
06/09/2015
Ótimo texto, Bessa, como sempre. Obrigada! Contato de Lucia Sa
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Carmen Orofino comentou:
05/09/2015
Deu na TV Brasil Menos de uma semana depois do confronto entre índios e fazendeiros no município de Antonio João, em Mato Grosso do Sul, que resultou na morte do índio Simeão Vilhalva, os índios guarani-kaiowá denunciaram que tiveram um acampamento atacado por homens armados na região de Douradina. Segundo o cacique Ezequiel Guyra Kambi'y, na tarde dessa quinta-feira (3), 30 caminhonetes de produtores rurais entraram no acampamento onde os índios estavam e fizeram vários disparos. “Primeiramente, eles começaram a atirar com armas de fogo mesmo, bala mesmo. Então, nossos guerreiros começaram a recuar, e eles vieram mesmo na nossa direção com várias caminhonetes e atiravam. E nós estávamos no meio do milho, onde foi colhido, e corremos por lado das matas. E quando foi à noite, eles dispararam 55 tiros de balas”, disse.
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Claudinei Alves comentou:
05/09/2015
Abraços amado professor. Tem muitos guerreiros sepe tiaraju nesta missão. Nhanderuwutsu é justiça!
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05/09/2015
Excelente ! como sempre Parabéns ! Contato de Juarez Silva (Manaus)
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Kasatskina Ahimsa comentou:
05/09/2015
Muito bom! Lembrou-me um outro excelente artigo sobre a questão indígena e a atuação criminosa da imprensa, por distorção ou omissão: http://observatoriodaimprensa.com.br/.../cintaslargas.../
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Nurimar Maria Falci comentou:
05/09/2015
CARO.JOSE Bessa os cãesss fieis,que nos dedicam amor incondicional nao merecem ser comparados a esses seres das sombras.abs.
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Mauro Almeida comentou:
05/09/2015
Acabo de ler o livreto curto e grosso de Chomsky sobre "Mídia - Propaganda Política e Manipulação", ou "Press Control" em ingles para quem preferir. Esse caso tenebroso relatado pelo ilustre Bessa é uma ilustração perfeita da tese de Chomsky: a "concepção de democracia" dominante e sob a qual vivemos "é aquela que considera que o povo deve ser impedido de conduzir seus assuntos pessoais e os canais de informação devem ser estreita e rigidamente controlados". Se houver dúvida, lembremos da série de página inteira de uma semana de duração que OESP publicou durante a constituinte para derrubar os direitos territoriais indígenas -- foi inteiramente baseada em documentos forjados grosseiramente, mas o jornal nunca se desculpou da monumental fraude.
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Lisbela comentou:
05/09/2015
Orgulho-me ao chamá-lo de mestre. Suas sábias palavras estão sempre enriquecendo meu conhecimento. Obrigada, mestre!
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Aurelio Michiles comentou:
05/09/2015
Babá, crônica inspirada e que revela o quanto vida de cão-danado levam os povos indígenas....enquanto isso o massacre continua.
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Anne-Marie comentou:
05/09/2015
O massacre dos nossos índios continua diuturnamente desde o tempo da colonização (vejam também: https://www.youtube.com/watch?v=vnVifutdyTM , sem esquecer da acionar as legendas). O massacre continua com todo apoio (ainda que negado) dos poderes. Nossa atual ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é bom lembrar, é “Kátia a antropóloga, criadora da abreugrafia” (Taquiprati de 25/11/2012, http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1008 ) Mas no que se refere à população em geral, o que conta neste apoio são os chamados “formadores de opinião”, o nosso temido Partido da Imprensa Golpista (PIG). É por ele que a “opinião publicada” se torna “Opinião Pública”, já que o essencial da informação à qual tem acesso a imensa maioria do nosso povo se dá através do PIG (TV e Imprensa). Você escreve: "Comparando as redes sociais com o silêncio da mídia, fica claro que noticia, na realidade, é aquilo que os jornais não publicam, o resto é propaganda, matéria paga. Desconfio que não vou renovar minha assinatura dos dois jornais, transformados em panfletões dos donos da grana. Eles contribuem para a invisibilidade dos índios no cenário nacional". Você tocou aqui num ponto chave, Bessa, leio num desses panfletões do dia 4 de setembro, o jornal O Globo, uma manchete em letras garrafais: “Temer diz que Dilma não resiste sem apoio popular”. Além de ser uma nova versão do clássico “Os ratos estão abandonando o navio”, o que diz a manchete é o seguinte: “o que vale não é o voto democrático (vencido por Dilma) e sim as “pesquisas” mais ou menos fajutas publicadas por estes jornalões, que dão como “prova” do “apoio popular” a Dilma a seguinte “estatística”: 7% ou 8%. Ora, para retomar os termos desta manchete, como é que o povo decide se dá ou não apoio à presidenta? Quais são suas fontes de informação para tomar esta decisão? Na imensa maioria dos casos é a TV (mais precisamente o Jornal Nacional) e, para a nossa medíocre classe média, os jornalões e revistas como Veja, Isto É, Época. Ainda são poucos os que vão às redes sociais, e mesmo essas não são isentas de parcialidade (muita gente escreve sob inspiração dos jornalões). Numericamente, ainda são raros os que procuram blogs de informação alternativa como é o Taquiprati (apesar de toda a propaganda que lhe fazemos!). Este é, talvez, o maior dilema enfrentado hoje por um dos mais belos e antigos ideais da humanidade: a democracia. Ela está em passe de ser vencida no mundo inteiro pelo poder financeiro cujo “exercito” é uma mídia cada vez mais onipresente, cada vez mais competente do ponto de vista técnico e cada vez mais concentrada nas mãos de poucos. Isso me lembra também outra crônica sua do Taquiprati; “Cadê a Lucta Social” (não reencontrei a referência no site). Na Primeira República, apesar de toda a repressão, a imprensa operária, multiforme, extremamente diversificada, foi um dos grandes instrumentos de progresso da democracia.
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Anne-Marie comentou:
06/09/2015
O problema não é só o que a mídia não noticia, o que é, sim, muito grave, vivemos numa sociedade onde a midia tem o monopólio da noticia, controla quase de forma exclusiva a formação de uma opinião pública, o que é em si uma ditadura de fato Mas mesmo quando noticia, a mídia distorce, manipula. Mente, como dizia o Emir Sader sobre a Veja "A Veja mente, mente, mente, descaradamente". Lembrei de uma piada séria que tem também a ver com cachorros. Não me lembro mais onde saiu: "Um homem passeia tranqüilamente por um parque em Nova York quando de repente vê um Pitt Bull raivoso a ponto de atacar uma aterrorizada menininha de 7 anos. Os curiosos olham de longe, mas - mortos de medo - não fazem nada. O homem não titubeia e se lança sobre o cachorro, toma-lhe a garganta e o mata. Um policial que viu o ocorrido se aproxima, maravilhado e diz : -O senhor é um herói. Amanhã todos poderão ler na primeira página dos jornais: "Valente nova-iorquino salva a vida de uma menininha." O homem responde: -Obrigado, mas eu não sou de Nova York. -Bom, diz o policial, então dirão: "Valente americano salva a vida de uma menininha." -Mas é que eu não sou americano, insiste o homem. -Bom, isso é o de menos. De onde é o senhor? -Sou árabe - responde o valente. No dia seguinte os jornais publicam: “TERRORISTA ÁRABE MASSACRA CACHORRO AMERICANO EM FRENTE DE MENININHA ATERRORIZADA." . É isso que nossa midia faz, dia após dia, e, ao fazer isso, faz a cabeça de muita gente.
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José Varela Pereira comentou:
05/09/2015
Os fazendeiros estão atirando contra os Kaiowa desde as 9 horas da manhã de hoje, sábado. E nada de MJ ou PF. @JE_Cardozo ainda não acordou?
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José Varela Pereira comentou:
05/09/2015
mestre José Bessa que tempos tremendos! O velho Karl Marx já dissera que a história acontece como tragédia e se repete como farsa. O desfile militar deste 7 de setembro lembrará a bravura dos pracinhas contra o fascismo do Eixo e homenageia a memória de Rondon como patrono das Comunicações do Exército. Deve ser lembrando, sobretudo, por sua máxima a respeito dos índios: "morrer se for preciso, matar nunca." Entretanto, o "país do futuro" ou "celeiro do mundo" esquece Rondon e segue o agrobanditismo de mais de 500 anos...
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Priscila Anzoategui (via FB) comentou:
05/09/2015
José Bessa eu consegui um mailing da imprensa nacional, enviei release pra tudo que é veículo.... vou compartilhar a sua crônica na página do Coletivo Terra Vermelha, blz ? Obrigada pelas palavras lúcidas !
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Camila Emboava Lopes comentou:
05/09/2015
Texto do José Ribamar Bessa Freire é uma aula de jornalismo. descreveu muito do que senti e pensei durante a semana também. Ah esses cachorros, ah esse jornalismo...
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Marília Facó Soares comentou:
05/09/2015
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Idelber Avelar (via FB) comentou:
05/09/2015
Professor José Bessa, sempre preciso, erudito, com norte ético no que diz. Leitura obrigatória de toda semana.
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Ana Stanislaw comentou:
05/09/2015
Parabéns Bessa!!! Que os indígenas continuem mordendo esses cães ferozes, denunciando aos quatro cantos do mundo as atrocidades, que não cessam desde a invasão dos europeus! Os jornalões não noticiam, mas o taquiprati, com tua indignação, senso de justiça de uma vida inteira dedica aos indígenas, divulga, toca na ferida de muita gente. Vamos escrever, vamos cantar, vamos rezar. Que Nhanderu eté proteja a todos e ajude os Guarani e Kaiowá, Tupinambá, Pataxó, os povos indígenas e seus aliados em suas lutas. Você, aliás, sempre me provocando diferentes sentimentos, emoções com tuas linhas.
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celeste comentou:
05/09/2015
O índio para a mídia tradicional vale mesmo menos do que um cachorro. Mas o que esperar de jornais que estão claramente mostrando a quem servem? O que esperar de Um STF que tb mostra a cada dia que "a justiça é como as serpentes, só morde os pés descalços"? Há bastante tempo eu não assino mais esses jornais pq não confio no que leio, porque abomino qualquer injustiça. E a arrogância e a ganância são tão grandes,que,mesmo diante dessa crise pela qual passa a mídia tradicional, ela é incapaz de fazer um mea culpa e buscar rever que esse modelo está esgotado e que a sociedade,ainda que de forma lenta, exige um maior compromisso com a verdade.
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