CRÔNICAS

FHC, Bob Fields e a burrice da Esquerda

Em: 07 de Julho de 1995 Visualizações: 2281
FHC, Bob Fields e a burrice da Esquerda

- Será que para ser de esquerda é preciso ser burro?

Esta pergunta do presidente Fernando Henrique Cardoso estabeleceu uma relação de causa e efeito entre burrice e esquerdismo e recebeu dele mesmo resposta afirmativa, deixando ouriçados políticos de esquerda e de direita.

O deputado Roberto Campos, ex-ministro da ditadura militar, conhecido também como Bob Fields pela sua adesão incondicional aos Estados Unidos, esfregou as mãos e pulou de contentamento:

Há 30 anos venho dizendo que a esquerda brasileira é das mais burras do mundo. Ser de esquerda na juventude é como se ter uma gonorreia juvenil. Insistir na posição com o passar do tempo denota burrice”.

Ex-seminarista no Mato Grosso, Roberto Campos parece que nunca teve gonorreia, pelo menos juvenil. Sempre foi um combatente fanático do anticomunismo, servindo com subserviência canina ao regime militar, que destruiu as liberdades democráticas no país. Campos já nasceu com uma aberração: o coração do lado direito.

Ex-burro

Por outro lado, FHC, na sua juventude, foi contagiado pela sífilis esquerdista, doença que se prolongou por sua idade adulta, quando lutou contra a ditadura e amargurou anos de exílio. Hoje, está curado, depois de tratamento intensivo em clínica do PFL (vixe vixe) e alta dada por Antônio Carlos Magalhães.

Se há 30 anos, FHC era militante ativo de esquerda e se, desde esta época, a esquerda já era burra na avaliação de Bob Fields, então FHC era burro. Hoje, felizmente, é apenas um ex-burro.

Nessa perspectiva, a esquerda, não apenas brasileira, deve mesmo ser muito burra, porque não sabe escolher o lado certo. No confronto entre capital e trabalho, ela escolhe sempre o lado mais fraco. Em consequência, seus militantes são frequentemente perseguidos, presos, torturados e exilados. Existe burrice maior do que essa: estar sempre entre os perdedores?

Já a direita parece ser muito inteligente, o que pode ser constatado pelo brilho luminoso e pela eloquência de um Inocêncio de Oliveira (Arena e PFL vixe, vixe), que presidiu a Câmara de Deputados e como fazendeiro no Maranhão mantinha trabalhadores em condição semelhante à de escravidão. Ele é uma prova de que a direita sabe escolher o lado mais forte, o que lhe permite usufruir as mordomias e regalias do sistema.

No entanto, se inteligência não for sinônimo de esperteza, mas capacidade de ver o mundo para transformá-lo, então podemos afirmar que a burrice certamente não é monopólio da esquerda.

Miopia política, é verdade, existe em todos os lados, tanto no lado de lá, na direita, quanto no lado de cá, no nosso lado. Mas a questão que se coloca não é essa: é saber a serviço de quem está a nossa inteligência.

 

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