O poeta uruguaio Mário Benedetti publicou um poema “Obituário com hurras” no qual chama todos os inocentes, os torturados que gritam de noite e sonham de dia, os pobres congelados e os que abrigam fantasmas para comemorar a morte do crápula Augusto Pinochet,"un muerto d...
- Você conhece a Vera? - Quem? A Verinha Porra-Louca? Claro que conheço desde o século passado, o Facebook nem havia nascido. Trabalhamos juntos no jornal O SOL. O "Porra Louca" era uma manifestação de carinho que acabou incorporado à sua identidade, pelo menos entre o...
A velhice nos dá coragem. Por isso, depois de tanto tempo, ouso confessar, publicamente, sem qualquer pudor e até com certo orgulho, que o cineasta Silvio Tendler e eu, na juventude, dormimos na mesma cama. Sei que dessa forma escandalizo algumas mentes pudibundas, como...
- No hay pinga en esta casa? Necesito urgentemente una pinga! Quem fez a pergunta, suplicando em bom portunhol, foi o advogado Idibal Pivetta, em 1975 ou 1976, numa casa no bairro de Miraflores, em Lima, antes de um jantar intercultural para o qual fora convidado depois...
- Quem tem pescoço francês tem medo. Da guilhotina, bien sûr. Essa é uma das conclusões de Jean Delumeau em sua “História do medo no ocidente, 1300-1800”, escrita na época em que era professor de História das Mentalidades no Collège de France. Sua obra, conhecida no Bra...
“Ele foi-se embora devagar, bem devagarinho, só pra poder ficar mais um pouquinho aqui com a gente”. (Jorge Cafrune. A morte de Tata Juancho. 1976). Os moradores das margens do rio Paraíba do Sul (SP) viram Nossa Senhora Aparecida voando no céu com seu manto cor de anil...
Enquanto minhas mãos puderem escrever / enquanto meu cérebro puder pensar, / estaremos você, eu, todos / e haverá um amanhã. (Ana María Ponce, presa desaparecida na ESMA) O nascimento, a vida e a morte de Jesus seriam diferentes, se ele fosse argentino como o Papa Franc...
Anda, preparándote a vivir, en América, tu América (Canción de Payo Grondona. Valparaíso. 1969) As lembranças evocadas com a leitura de “Crianças e Exílio: Memórias de infâncias marcadas pela ditadura militar” foram tão pungentes, que adiei a resenha desse livro com de...
UERJ, a mini Pátria, na dor que nos devora (III) “Eu, que dos filhos teus / Fui te querer demais / No verso que hoje chora / Pra me fazer capaz / Da dor que me devora / Quero dizer-te mais”. (Pátria Amada. Geraldo Vandré e Manduka, 1972) No ano em que, no Brasil, o ...
Em verdade, em verdade vos digo, a história que agora vos narro é verídica e está documentada, não é literatura de terror, embora mencione fantasmas que provocam medo e suspense nos corredores da UERJ. O título é uma referência ao livro do colunista social Ibrahim Sued ...
Memória, quem é o tal cúmplice da Uerj? (V) “O passado não é revivido como lembrança, ele é atualizado no processo de memorialização” (José Murilo de Carvalho. 2010). Memória, endeusada pelos antigos gregos como Mnemósine, mãe de nove musas protetoras das ciências e das...
Ele era um incansável viajante. Víctor Leonardi nasceu em 1942, em Araras (SP). O pai médico e a mãe professora incentivaram suas primeiras viagens, aos oito anos quando, encantado, seus olhos navegaram por livros da biblioteca municipal situada ao lado de sua casa. Dep...
Fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19). A nossa história começa em meados do séc. XIX, quando colonos alemães migraram para o interior do Rio Grande do Sul, onde criaram a “Colônia Feliz” no Morro das Batatas, por eles denominado Batatenberg. Deixaram herdeiros, e...