CRÔNICAS

ALGUÉM MORREU EM CUIPIRANGA

Em: 08 de Janeiro de 2012
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Quem é que morreu em Cuipiranga? Foi algum cuipiranguense ilustre? Por que o cemitério dessa modesta comunidade ribeirinha está lotado com tanta gente nesta manhã de domingo, 8 de janeiro de 2012? Eram previstas 250 a 300 pessoas que sairiam às 8h00 caminhando pelo trapiche. Quantas vieram? Quem são elas? Por que desfilam, tão compenetradas, entre covas, tumbas e jazigos? Onde vão depositar as coroas de flores que carregam? De quem é, afinal, o velório? Qual o objetivo dessa romaria fúnebre? Aliás, pra começo de conversa, alguém aí, por favor, sabe me informar onde é mesmo que fica Cuipiranga?
A última pergunta pode ser esclarecida imediatamente. Cuipiranga tem um lugar reservado no mapa paisagístico, histórico e afetivo do Pará. Geograficamente, está situada numa língua de terra entre os rios Tapajós e Amazonas, quase em frente à Santarém. As questões sobre cemitério, morte e velório, porém, só podem ser respondidas se soubermos quem são os integrantes da romaria e o que fizeram juntos, ali, nos dias anteriores à visita ao cemitério.
Eles são moradores de Cuipiranga e das comunidades vizinhas, ribeirinhos, pescadores, artesãos, trabalhadores rurais, além de estudantes e professores da recém criada Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPa), alguns cineastas, antropólogos e historiadores vindos de São Paulo, de Belém, de Santarém.
Durante três dias, essas pessoas compartilharam um conjunto de atividades. No primeiro dia, levantaram o mastro da festa, celebraram cerimônia religiosa na praia e dançaram o marambiré, folia de reis que tem várias versões, uma delas com coreografia de passos bem marcados, na qual são apresentados vários personagens: o Rei Congo, vestido de branco, casaco adornado com talabarte de couro escuro e botas com enfeites de prata; a Rainha Mestra trajando vestido comprido, de seda em tons dourados, todo bordado; os vassalos-homens com calça comprida preta e as mulheres com vestido estampado.
No sábado, dia 7, fizeram uma caminhada de Cuipiranga para a comunidade de Guajará, onde assistiram vários documentários. No retorno, ocorreu o lançamento do filme O Cônego, que conta episódios da história da Cabanagem, com a presença do diretor Paulo Miranda e do ator José Jorge de Lana, seguido de debates e de uma festa dançante. Finalmente no domingo, depois da romaria ao cemitério, houve um ritual com a derrubada do mastro e um almoço de despedida. Todas essas atividades permitiram que nesses três dias fosse ouvido o brado retumbante de Cuipiranga.
O grito do Cuipiranga
Afinal, que celebração é essa que mistura festa, dança, reza, cinema, debate e visita ao cemitério? Tudo isso ocorreu dentro da programação do II Encontro da Cabanagem, um evento organizado pela Associação dos Moradores de Cuipiranga, com o apoio do ‘Projeto Memórias da Cabanagem’, coordenado pelo antropólogo e frade franciscano, Florêncio Almeida Vaz, professor do Programa de Antropologia e Arqueologia da UFOPa. Os participantes se reuniram para celebrar a memória e a atualidade da luta dos cabanos, protagonistas da revolta popular mais importante da história da Amazônia, que chegou a tomar o poder e governar por vários meses.
Agora sim, é possível responder a pergunta: Quem, afinal, morreu em Cuipiranga? Um montão de gente que participou da Cabanagem (1835-1840): índios, negros, mestiços, gente pobre e lascada, um pouco de todos nós. Durante um pouco mais de cinco anos, segundo as estatísticas oficiais, o conflito armado matou 40.000 pessoas, o que representa um quinto de toda a população recenseada do Grão-Pará naquela época. Cuipiranga foi justamente o lugar do Baixo Amazonas onde os cabanos tiveram o seu mais resistente acampamento.  Foi ali onde se deu uma das batalhas mais decisivas, com muitos cabanos sendo abatidos e enterrados em vala comum.
Esses mortos, presentes ainda hoje na memória das famílias de Cuipiranga, é que foram chorados e reverenciados, entre outros o chefe cabano Antonio Maciel Branches, cuja trineta Maria Branches Oliveira ainda guarda vivas as lembranças transmitidas através da tradição oral. Os relatos de 80 moradores foram recolhidos por pesquisadores da Caravana da Memória Cabana, que em maio de 2010 percorreu dez comunidades do Baixo Tapajós, levando antropólogos, fotógrafos, cineastas, jornalistas. Os resultados são revelados por Florêncio Vaz, coordenador do projeto:
 “Temos agora um arquivo de quase 50 horas de entrevistas em vídeo e outras tantas em áudio, o que já constitui seguramente o maior arquivo do tipo sobre as memórias da Cabanagem no Oeste do Pará. Aproximadamente 80 pessoas de diferentes comunidades deram seus depoimentos”.
Muitos depoimentos de descendentes dos cabanos, mas também de pesquisadores, foram incorporados ao filme   “Cuipiranga”, de Cristiano Burlan, exibido durante o I Encontro da Cabanagem, em janeiro de 2011. Agora, outro documentário “Memórias Cabanas” de Cloadoaldo Correa, foi lançado no II Encontro. Também está saindo do forno um romance da antropóloga Deborah Goldemberg, uma das coordenadoras da Caravana, além de artigos, dissertações e teses universitárias. O material coletado é tão rico que motivou o debate sobre a criação do Museu Aberto da Cabanagem.
Museu da Cabanagem
Lá, no cemitério, está o embrião do Museu Aberto da Cabanagem, formado pelo monumento-memorial erguido em janeiro de 2011. As pessoas que neste domingo, 8 de janeiro de 2012, o visitaram, puderam ler o texto gravado numa placa em homenagem aos cabanos, que inicia com os versos de Pablo Neruda escritos para outro contexto:
 “Aunque los pasos toquen mil años este sitio /No borrarán la sangre de los que cayeron /Y no se extinguirá la hora en que caisteis / Aunque miles de voces crucen este silencio” .
175 ANOS DA CABANAGEM
"Nesta terra vermelha, nós cidadãos(ãs) amazônidas nos reunimos / Para fazer memória da luta daqueles /Que aqui se levantaram contra a opressão /  E ousaram decidir os seus próprios destinos / Este ideal é a nossa herança. Cuipiranga, 07.09.2011".
O historiador Fernand Braudel escreveu em algum lugar que “a condição de ser é ter sido”. Dessa forma, a romaria ao cemitério de Cuipiranga quer provar que podemos ser, porque fomos. As lutas sociais de hoje na Amazônia, entre outras as movidas contra os estragos ambientais e sociais causados pelas hidrelétricas, ganham maior consistência quando ancoradas nas experiências do passado. Somos herdeiros dos cabanos, mas precisamos tomar conhecimento dessa herança.
A Cabanagem, que revolucionou a Amazônia há mais de 170 anos, faz parte do nosso presente, porque o passado, na realidade, não reside ANTES do presente, mas DENTRO do presente, ou como quer o poeta João Cabral “o passado é o que não passou do que passou”. É isso o que nos dizem os romeiros de Cuipiranga. A Cabanagem não passou. A pergunta mais apropriada, então, não é quem morreu em Cuipiranga, mas quem está ressuscitando.
P.S. Entre outros trabalhos sobre a cabanagem, vale a pena ler: 1) Luis Balkar Sá Peixoto Pinheiro – “Visões da Cabanagem: uma revolta popular e suas representações na historiografia”. Manaus. Editora Valer, 2001. 2) Leandro Mahalem de Lima: “Rios Vermelhos. Perspectivas e posições de sujeito em torno da noção de ‘cabano’ na Amazônia, em meados de 1835”. Dissertação de Mestrado orientada pela doutora Marta Rosa Amoroso e defendida em 2008. 3) Sérgio Buarque de Gusmão: “Nos desvãos da cabanabem” (http://sergiobg.sites.uol.com.br/belem1.html) 4) Depoimento de Florêncio Vaz - http://caravanacabana.blogspot.com/2010/06/depoimento-de-florencio-vaz.html  5) Freire, J.R.B - Os cabanos, a cabanagem, tantas versões (apresentação do livro de Luis Balkar Pinheiro - http://www.taquiprati.com.br/publicacao.php?ident=31

 

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50 Comentário(s)

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Florencio Vaz (janeiro 2016) comentou:
13/01/2016
Pelo sexto ano consecutivo estivemos presentes em Cuipiranga, para fazer memória daqueles que lutaram na Guerra da Cabanagem (1835-1840). Se contarmos desde a Caravana da Memória Cabana, que passou por Cuipiranga e varias outras comunidades em 2010, já são sete anos. É muito bom constatar como nosso movimento cresceu...! Cresceu entre os visitantes (este ano chegaram de Santarém 4 barcos cheinhos de gente) e entre os próprios moradores de Cuipiranga e arredores, que a cada ano tomam para si a "Festa da Cabanagem", como eles mesmos falam, e a fazem do seu jeito. Nos dias 9 e 10 passados, houve Caminhada entre Cuipiranga (rio Arapiuns) e Icuipiranga (rio Amazonas), torneio de futebol, festa dançante com música ao vivo (banda de Santarém, mas formada com filhos de Cuipiranga), bebidas e comidas, derrubada do mastro e "dança dos pretinhos" (animada pelos foliões do Marambiré de Nova Sociedade), e a sempre emocionante visita ao cemitério. Mas na noite de sábado (09/01), a grande atração foi a pré-estréia do documentário A REVOLTA DOS CABANOS, de Renato Barbieri, que agradou aos presentes, que puderam conversar com o diretor presente. A contribuição da Profa. Dra. Ana Renata Pantoja (IFPA) e do Prof. Msc. Wilverson Rodrigo, pesquisadores do tema da Cabanagem no Baixo Amazonas, também muito enriqueceu o debate. O que faz bonito e interessante o Encontro da Cabanagem é a diversidade entre os seus participantes. Ali estavam muitos estudantes universitários, professores (inclusive universitários), agricultores e pescadores, operários e trabalhadores autônomos de Santarém (parte deles filhos de Cuipiranga que voltam a terra nestes dias), cidadãos e cidadãs comuns. Todos se irmanam numa festa só, se confraternizando e celebrando a sua história, pois em Cuipiranga as pessoas se orgulham da sua história. Obrigado a todos que participaram, coordenaram e trabalharam para que o evento acontecesse. A gente se v~e em 2017, se Deus quiser. Estou certo de que os caban@s veem tudo isso, e gostam muito.
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Norma Westurn comentou:
11/01/2015
valeu a pena ler a cronica sobre a Cabanagem. E a historia da nossa raiz social e politica e meu conhecimento como possilvement de centenas de others amazonense pode ser expressado em duas frases. A falta de educacao da nossa historia e quase um absurdo
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10/01/2015
Estive neste evento, foi lindo a reverência aos milhares de cabanos massacrados pelo poder em 1840. Infelizmente ainda hoje são descriminados pelo esquecimento das autoridades constituídas, que deixam de valorizar uma HISTÓRIA tão rica, a qual deixou o legado do anseio por liberdade. Fomos eu e o diretor cinematográfico Paulo Miranda a convite, levar o filme "O Cônego-Senderos da Cabanagem" disponível no Youtube. Viva a Cabanagem! Contato de Jorge José de Lana
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aurelio michiles comentou:
07/01/2015
Eis, uma História sempre a espera de um arguto e bom contador de histórias. A complexidade deste evento exige livros, teses, romances, memorialistas, filmes documentários e de ficção, afinal, Cabanagem somos nós.
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David Almeida comentou:
09/01/2014
Hoje somos um espetáculo - quer queira ou não - feio, bonito, triste, alegre, vergonhoso... - montado a cada dia da nossa existência, se vale ou não, depende apenas de nossas interpretações no grande palco da vida. Os espetáculos podem servirem de bons ou maus exemplos. A Cabanagem passou, mas ficou como um bom exemplo a ser seguido. O espetáculo continua. O espirito Cabano pulsa em nós, a cada passagem no palco de um espetáculo de uma sociedade tão injusta.
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Joana Ferraz comentou:
06/05/2013
Querido Bessa, acabei de ler o seu texto, nesta manhã ensolada de domingo, no Rio de Janeiro, e fiquei pensando no valor poético, mas, principalmente, histórico e mnemônico de seu texto. Quanta vida pulsa nestas suas palavras. E quantas memórias esquecidas e silenciadas saltam à nossa frente, encaram nosso olhar, às vezes, infelizmente, rígidos e desacreditados, e fazem com que nos entreguemos à crença de que podemos, enquanto coletividade, olhar novamente o passado quantas vezes acharmos que precisarmos, a fim de salvar a nossa reputação enquanto grupo. Isso para mim é Revolucionar . A ida ao Cemitério é sintomática, todas estas pessoas, as que estão sobre e sob a terra (e, também, as que leram este texto) querem desenterrar o que ainda não foi devidamente enterrado pela leitura oficial da Cabanagem. Nos recusamos ao destino que nos querem forçar a acreditar, seja em tempos de Cabanagem ou em tempos de ditadura. É completamente inútil tentar vencer o passado reprimindo-o. E o seu texto, a sua narrativa, nos aproxima desta certeza. Os Cabanos não foram esquecidos. Jamais esqueceremos os nossos mortos. A memória coletiva das lutas sociais no Brasil, que você ressalta lindamente neste texto, nos faz acreditar que temos diante de nós a árdua tarefa de recuperar a nossa reputação, mostrar, denunciar as zonas cinzentas que a memória e a história oficial não conseguiram esconder. Acima de tudo, isto é um ato político. Um grande beijo, Joana Contato de Joana Ferraz
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CLYWUcZL comentou:
04/10/2014
c9 muito ter que esperar e se fazer justie7a que na csenope7e3o dos bons e inteligentes cidade3os, mostram com boa habilidade e conhecimentos os nossos anseios e verdades a respeito de todos os problemas que acontecem em nossa terrsa sem a pura vaidade.Vejo que para mudar essa situae7e3o, e9 necesse1rios termos em nossas mentes essa maravilhosa palavra de sentimentalismo mas com profunda interpretae7e3o dos fatos em queste3o. O Pare1 ne3o e9 o resto do Brasil e9 sim , o primeiro e mais cobie7ado lugar que hoje o mundo reverencia mas com cobie7a e sem um pouco de respito pelo seu povo.Nf3s precisamos sim de bons patriotas que somos, arregae7arrmos as mangas do poder e criarmos vergonha na cara para enfim valorizarmos todas essas riquezas que este3o desviando a cada momento, dessa terra de ricas florestas.O Pare1 precisa dos seus filhos amados e sabedores de seus deveres poledticos e partide1rios e pede socorro pois quem sabe valorizar o tem consegue construir sempre com uma mudane7a melhor, um futuro promissor.Espero tambe9m ser uma sente que brotare1 na esperane7a de cada ser, uma continuidade no fazer e acontecer.
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Marcelo Garcia comentou:
14/02/2012
A luta dos Cabanos não poderá ser esquecida. Excelente texto. Parabéns Prof. Bessa.
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Ana Suely comentou:
19/01/2012
Bessa, muito obrigada por essa linda peça. Gostaria de ter estado presente nessa manhã de domingo, anonima e emocionada, nessa "romaria" em Cuipiranga. Fiquei pensando se cui poderia ter sua origem na pavra cuia, cuia vermelha, portanto, ou se viria de ku'í, coisa pilada, moída vermelha. Mas pode ter outra etimologia. Mais uma vez obrigada por compartilhar sua arte e ensinamentos.
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Alevino Ribeiro (Blog da Amazonia) comentou:
16/01/2012
A surra não corrige filho. Tanto é verdade que o articulista confessa que foi surrado pela mãe e nota-se que não aprendeu nada da vida. Misturar culturas para embasar opiniões é falta do que fazer por falta de conhecimento. Vai estudar, que ignorância tem cura.
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Elizio (Blog da Amazonia) comentou:
16/01/2012
Acho que os políticos estão com tempo de sobra. Porque não usa este tempo com algo mais importante como por exemplo elaborar uma lei que puna mais rigorosamente os políticos corruptos!
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Juarez (Blog da Amazonia) comentou:
16/01/2012
Infanticídio pode, palmadas não…Prefiro o método europeu…
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Dalva Marques comentou:
16/01/2012
~E um prazer receber os excelentes textos deste maravilhoso escritor. Quer saber sr. Jose Ribamar Bessa Freire...adoro seu cerebro...fantastico! Pode mandar aprecio seus escritos tao pitorescos.
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FÁBIO comentou:
12/01/2012
Engraçado, morei dezessete anos em Santarém e nunca ouvi falar da comunidade e de sua história, talvez, seja porque nesses dezessete anos nas escolas por onde passei eu só ouvi a versão do vencedor. Parabéns professor! continue resgatando histórias da nossa Amazônia e do nosso povo.
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12/01/2012
Engraçado, morei dezessete anos em Santarém e nunca ouvi falar da comunidade e de sua história, talvez, seja porque nesses dezessete anos nas escolas por onde passei eu só ouvi a versão do vencedor. Parabéns professor! continue resgatando histórias da nossa Amazônia e do nosso povo.
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12/01/2012
Engraçado, morei dezessete anos em santarém e nunca ouvi falar dest
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Florêncio Vaz (1) comentou:
12/01/2012
Paulo Bezerra, você parece muito angustiado e desesperançado. Venha para Cuipiranga em janeiro de 2013, para conhecer mais da diversidade dos amazônidas. Aqui não vive só "Uma gente inerte, acomodada, servil...". Tem isso também, óbvio. Em todo canto tem. Mas tem também juventude e tem velhos, e em todos tem sonho e teimosia. Assim como nem todo negro é rebelde como Zumbi, nem todo indígena é guerreiro como Tupak Amaru, nem todo descendente de cabano é bravo como seus avós.
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Florêncio Vaz (2) comentou:
12/01/2012
Tem muitos que votam em Jader Barbalho (como em SP tem muitos que votam em Maluf), mas tem muitos que votam em Marinor Brito. As escolhas são muitas... Porém, aqui em Santarém/Cuipiranga estamos honrando nossos antepassados, estamos fazendo nossa parte. Não importa que uma grande maioria se embriague com Big Brothers, nós seguimos com filmes, documentários, músicas, conversas, tarubá, cervejas... E estamos bem assim.
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Florêncio Vaz comentou:
12/01/2012
Paulo Bezerra, você parece muito angustiado e desesperançado. Venha para Cuipiranga em janeiro de 2013, para conhecer mais da diversidade dos amazônidas. Aqui não vive só "Uma gente inerte, acomodada, servil...". Tem isso também, óbvio. Em todo canto tem. Mas tem também juventude e tem velhos, e em todos tem sonho e teimosia. Asssim como nem todo negro é rebelde como Zumbi, nem todo indígena é guerreiro como Tupak Amaru, nem todo descendente de cabano é bravo como seus avós.Tem muitos que votam
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Paulo Bezerra (4) comentou:
11/01/2012
Vejamos meu caro Honorato. Será que aqueles que elegeram Jader Barbalho (1,8 milhões de votos) querem realmente "mudar a sociedade" ? Vale lembrar que o "homi" já foi eleito 2 vezes governador e 4 vezes dep. federal ? Quantos votos ele obteve mesmo em Alter do Chão, heim ?
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Paulo Bezerra (3) comentou:
11/01/2012
Prezado Honorato. Não precisa pedir desculpa. E, saiba que nós convivemos e conhecemos SIM com as mesmas pessoas, só muda o número do RG. Disse e repito: Não é só no Pará que o povo está acuado, coagido, imobilizado. Aqui no Amazonas também. Nós chamamos isso de "leseira baré". Você diz ainda que "nós" aqui em Alter do Chão não perdemos a esperança de mudar a sociedade. Será mesmo ?
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Honorato Guedes comentou:
11/01/2012
Senhor Paulo Bezerra, me desculpe, mas acho que nós não conhecemos, nem convivemos com as mesmas pessoas. Aqui, em Alter do Chão, nós não perdemos a esperança de mudar a sociedade, as pessoas que o senhor conhece e que tanto desencanto lhe produzem, existem efetivamente. Mas existem outras que o senhor precisa conhecer.
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Paulo Bezerra (2) comentou:
10/01/2012
Basta verificar quem é que este povo escolhe como seu representante. Senadores, deputados, prefeitos corruptos, ladrões do erário, que o condenam a viver na mais completa miséria, sem que os seus mínimos direitos sejam respeitados. E, não estou falando só do Pará, mas de todo o Norte por onde se espalharam os descendentes dos cabanos. Cabanagem de novo ? Eu du-vi-de-o-do.
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Paulo Bezerra comentou:
10/01/2012
Se os cabanos que protagonizaram a Cabanagem ressuscitassem hoje, certamente sentiriam vergonha do povo que lhe descenderam. Uma gente inerte, acomodada, servil que ainda lambe a bota do patrão, que engrandece o seu algoz , o seu explorador e não valoriza quem luta ao seu lado pelos mesmos ideais.
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Victor Leonardi comentou:
10/01/2012
O cineasta Wim Wenders disse: "Eu sou a minha história". Que bom seria se todos amazônidas dissessem "A Cabanagem ainda vive em mim."
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Tony de Sá comentou:
10/01/2012
Lindo! Sensacional! Como "TAPAJOARA", "TAPAJÔNICO", "AMAZÔNIDA" ou mesmo "MOCORONGO" que sou fiquei orgulhoso de saber do movimento, da ação pra resgatar uma parte da nossa HISTÓRIA.
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Veronica (Blog da Amazonia) comentou:
10/01/2012
interessante, belo, poético, informativo.
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Ligia Simonian (2) comentou:
10/01/2012
Segue a ref.: SIMONIAN, Ligia T. L. (Org.). Gestão da ilha de muitos recursos, história e habitantes: experiências na Trambioca (Barcarena-PA). Belém: NAEA/FFORD, 2004. 368 p., il. O mapa se encontra na p. 2. O livro está quase se esgotando... Sem mais, LSimonian NAEA-UFPA
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Neusa Ramalho comentou:
10/01/2012
Nossa! se o autor fizer chamada, nas aulas de nossa cidadania resgatada, pelas suas lúcidas palavras sobre nossa verdadeira história, àquela que ele nos recorda e aponta; por favor humildemente eu estou presente. Obrigada por me fazer viva em cada pensamento, em cada verso em que tu me recordas do meu verdadeiro Ser. Começamos o ano de 2012 Inspirados em nossa rica história. Avante jornalista Bessa!!!
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Ligia Simonian comentou:
10/01/2012
Varella, Florêncio, todas_os, como não entro no twitter, mando mensagem de e-mail mesmo. Fiz pesquisa com um grupo de alunos do NAEA e da UFPA/Graduação na ilha Trambioca, em Barcarena; no mapa 1 que aparece no livro tipo coletânea, localizamos a partir de GPS a vila de Cuipiranga; nessa obra, tb aparece algum material envolvendo a Cabanagem e fotos do sítio onde Angelim viveu e foi sepultado. Segue a ref.: SIMONIAN, Ligia T. L. (Org.). Gestão da ilha de muitos recursos, história e habitantes:
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CAUBI IRAM comentou:
09/01/2012
Em cada escrito seu amplio meu horizonte que vai muito além da economia, que hoje fazem de fim, como que querendo acabar com tudo que nos resta. Eu acredito nessa ressureição dos cabanos, aliás o espírito é eterno.
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Jeroniza Albuquerque comentou:
09/01/2012
Como amazonense,imagino a emoção do povo de Cuipiranga em lembrar seus mortos, histórias,“causos".O modo tão simples das pessoas a nos envolver é o mais interessante.Quero ver o filme para sentir se retrataram esse aspecto natural do povo do Baixo-Amazonas.Recentemente uma novela retratava os costumes do nordeste,A casa das 7 Mulheres,o modo de falar e de viver da região sul.Parabéns pela crônica,pela aula de história,de geografia,e de amor à pátria, retratando fatos históricos de nossa terra.
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Tita Ferreira (1) comentou:
09/01/2012
"Ninguém segurou o ódio.O índio que teve a sua tribo esfacelada,que viu a mulher nas mãos dos carrascos a saciar a lubricidade sádica de um,cinco,vinte colonizadores;o negro que apanhou até verter sangue pelos orifícios do corpo,com a pele riscada pela ponta dos punhais; o mulato castrado para aprender a não olhar a mulher branca,que lhe enfiaram o cabo do chicote no ânus, para melhor humilhá-lo – todos estes,mais que a tragédia,a própria miséria social em que estavam jogados, eram os cabanos”.
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Tita Ferreira (2) comentou:
09/01/2012
“A ralé, a gente baixa. Agora vingavam-se e ninguém os segurava. Venceram, entraram em Belém matando. Os olhos injetados de sangue, a cachaça animando os mais tímidos, as visões do paraíso perdido misturando-se às memórias da degradação de um povo. – É morrer matando!". Extraído de Julio José Chiavenato - "Cabanagem - O povo no poder" Prólogo - [Editora Brasiliense, 1985] http://titaferreira.multiply.com/journal/item/2643”
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TiTa Ferreira comentou:
09/01/2012
"... ninguém segurou o ódio. O índio que teve a sua tribo esfacelada, que viu a mulher nas mãos dos carrascos a saciar a lubricidade sádica de um, cinco, vinte colonizadores; o negro que apanhou até verter sangue pelos orifícios do corpo, com a pele riscada pela ponta dos punhais; o mulato castrado para aprender a não olhar a mulher branca, que lhe enfiaram o cabo do chicote no ânus, para melhor humilhá-lo – todos estes, mais que a tragédia, a própria miséria social em que estavam jogados, eram
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Florencio Vaz (1) comentou:
09/01/2012
Bessa,Ser objeto do seu artigo semanal fez um bem enorme para nossa iniciativa.Saimos do restrito mundo daqui de Santarém,onde nosso Encontro da Cabanagem já é conhecido relativamente bem.Que ótimo que mais pessoas de outras regiões podem saber que em Cuipiranga e Santarém a Cabanagem está bem viva.Hoje (09/01) o filme O CONEGO vai ser lançado em Santarém, mas o seu primeiro lançamento no Baixo Amazonas se deu em Cuipiranga.A programação foi cumprida. O Marambiré em Cuipiranga tem outra versão.
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Florencio Vaz (2) comentou:
09/01/2012
Atualmente,lá naquela comunidade,é bom dizer,Marambiré é o grupo de 6 foliões: um canta e toca caixa (tambor) pequena,outro toca uma caixa maior,outro reco-reco, dois seguram as bandeiras branca e vermelha etc.Esses foliões tocam na levantação e derrubada do mastro,fazem saudação ao rio,quando passeiam dentro de uma canoa tocando no meio do rio.É muito bonito.As pessoas dançam em círculo acompanhando o ritmo.A caminhada de Cuipiranga até Guajará e Vila Amazonas, no rio Amazonas, percorreu 7 km.
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Florencio Vaz (3) comentou:
09/01/2012
Os caminhantes iam vestidos de vermelho e com chapéu de palha.Era algo realmente bonito.O momento da mística antes da saída,bem no meio da praia (areia vermelha) nos lembrou o sangue,quando as pessoas ficaram ao redor de enorme bandeira vermelha segurando suas bordas.Tinha evangélico,católico,pessoas sem religião,todos "rezando" a mesma fé.Do lado do Amazonas fomos recebidos com suco,água,bolacha, peixe assado e cozido.Essa Caminhada parece que vai ficar como uma romaria anual tradicional.
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Florencio Vaz (4) comentou:
09/01/2012
Os jovens adoram essas coisas.Mas os velhos também não querem perder.Destaco a visita ao cemitério que acabou constituindo o momento mais emocionante.O cemitério fica em cima de um morro ou ribanceira,com bonita vista para o rio.A subida da escada,com cantos de igreja,a saudação ao cruzeiro com água de cheiro,a iluminação com velas (como no Dia dos Mortos),as orações, palavras de ordem...tudo foi muito forte.Os nativos falavam que aquelas almas estavam felizes porque estavam sendo lembradas.
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Florencio Vaz (5) comentou:
09/01/2012
E eu pensei que estavam mesmo.Os filmes são outro destaque.Como sempre filmamos tudo, devolvemos depois às pessoas as suas próprias imagens e falas,e elas gostam de se ver.Pedem copias dos filmes para elas mesmas e para mandar a parentes em Manaus etc. Elas se sentem orgulhosas. É interessante como o vídeo tem esse poder de fazer as pessoas se verem diferentes, mais bonitas. Talvez se imaginam na TV, como artistas. Mas que gostam muito, gostam.E vamos nos falando. Mais uma vez obrigado, irmão.
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Jandir Ipiranga Júnior comentou:
09/01/2012
Jornalismo e história, uma combinação perfeita para os menos afortunados sobre um passado de lutas amazônidas. Grato pela preciosidade.
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María Stella González de Pérez comentou:
09/01/2012
¡Gracias por enseñarnos con tanta sensibilidad!
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Ana Stanislaw comentou:
08/01/2012
Maravilha!! Textos como esse nos permite refletir sobre um momento historico importante da nossa historia. Muito bom!!
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Pablo Calleros Porcal (1) comentou:
08/01/2012
Salud José,felicito tu forma de administrar el tiempo que tienes -compartiendo de lo que tienes - desde la banda oriental del río Uruguay un Charrúa está "olhando o que passa pelos territorios dos irmãos do norte", la memoria es algo que no hay que perder,para poder avanzar sin perder el rumbo,hemos recuperado la nuestra, un Pueblo que sufrió genocidio a manos de los usurpadores de nuestro territorio, somos los renuevos que han brotado,de algun@s sobrevivientes de las matanzas, y aquí estamos..
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Pablo Calleros Porcal (2) comentou:
08/01/2012
… y aquí estamos trabajando para recuperar nuestro lugar...el maestro Dolor nos ha enseñado muchas cosas, hemos descubierto que el maestro Razón tiene una didáctica más efectiva,pero ha aparecido el maestro Amor, con una pedagogía aún mejor...excelente,optima...por lo que estamos aprendiendo y re-aprendiendo a gran velocidad...cosas insospechadas...
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Pablo Calleros Porcal (3) comentou:
08/01/2012
… cosas insospechadas...las que sin dudas son necesarias a la hora de conformar pueblos que tengan los conocimientos necesarios y suficientes y...las capacidades que nos permitan VIVIR BIEN Ó BIEN VIVIR. Creemos nosotros que este se rá el nuevo paradigma que vendrá a ocupar el vacío que deja el Sistema que produce tantos males y que por insostenible e insustentable solo produce muerte,enfermedades y pobrezas.
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VANIA NOVOA TADROS comentou:
08/01/2012
O INTERESSANTE É QUE, segundo o articulista, DO GRUPO DE PESQUISADORES CONSTAM ATÉ ALUNOS E PROFESSORES DE SÃO PAULO E NENHUM HISTORIADOR DA UNIVERDADE FEDERAL DO AMAZONAS OU DE OUTROS CURSOS DE HISTÓRIA DO AMAZONAS. GENTE PARADA.............
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Leandro comentou:
08/01/2012
Muito legal a crônica, já circulei nas redes.Uma pena não estar por lá pela dessa vez. Tenho todo o material bruto da primeira "Caravana". Além de estar analisando para uso em tese e artigos, estou organizando as entrevistas em vídeo em formato que eventualmente pode virar um novo documento, mais centrado no modo como as narrativas perpassam a noção de "cabano". Circular entre os que as versões que dizem que são os "de fora, que vieram acabano com tudo e com todos", e o "herói do povo em luta"
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João Pedro comentou:
08/01/2012
muito bem escrita, com espírito revolucionário. Iniciemos a revolta contra Belo Monte!!!!!!
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Gleice Oliveira (via FB) comentou:
08/01/2012
Bonito e inspirador Bessa!!! Vou compartilhar.
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