CRÔNICAS

O DISCURSO DOS SURDOS NA UNIVERSIDADE

Em: 20 de Fevereiro de 2011 Visualizações: 17826
O DISCURSO DOS SURDOS NA UNIVERSIDADE
Ao Jau, que ficou de fora e à Teca, que me colocou por dentro
Eles não sabem o que é a música da chuva no telhado, nunca adormeceram embalados por ela.  Nunca ouviram, na hora da fome, o chiado do bife na frigideira. Desconhecem o latido do cachorro, o miado do gato, a buzina do carro, a voz das pessoas. É que eles não ouvem os sons cotidianos e triviais que os outros ouvem, nem mesmo aquilo que os outros falam. Por isso, muitas vezes, são discriminados e excluídos.
Na luta pela inclusão, eles conquistam, agora, o diploma de professor conferido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em solenidade realizada nessa segunda-feira, 21 de fevereiro, em Manaus. É a primeira vez, na América Latina, que uma universidade oferece um curso prioritariamente a alunos surdos. A Licenciatura em Letras-Libras, organizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é ministrada para 500 alunos em parceria com oito instituições públicas de ensino superior do Ceará, Bahia, Brasília, Santa Maria (RS), Goiás, São Paulo e Amazonas.   
Na UFAM, em Manaus, as aulas iniciaram no final de 2006, com 55 alunos aprovados no vestibular. Quatro anos depois, só a metade concluiu: são 27 formandos, dos quais 19 surdos e 8 ouvintes. A outra metade ficou no meio do caminho. Te convido, leitor (a) a assistir a formatura deles, imaginando o que vai acontecer nessa segunda-feira no auditório Joaquim Eulálio.
Na mesa, a reitora da UFAM, Márcia Perales, que preside a cerimônia, anuncia dentro de instantes o orador da turma, Sílvio Márcio Alencar. Ele esperou 41 anos por esse dia, por essa hora. Levanta-se e caminha ao microfone. Ao microfone? Não. Suas mãos não precisam disso. Ele vai romper o silêncio, fazendo um discurso em sua língua materna, a Libras – Língua Brasileira de Sinais – reconhecida oficialmente no Brasil desde 2005. Haverá tradução simultânea dessa língua visual-espacial para o português oral-auditivo.

Naquela fração de segundos entre o anúncio de seu nome e o início do discurso, um filme em flash back registrará, provavelmente, as histórias que Silvio e seus colegas viveram, ao longo da vida, condensadas ali, naquele instante em que derrotam a discriminação, o preconceito, a exclusão numa luta contra uma deficiência invisível com a qual a sociedade não está preparada para conviver.
A voz das mãos
Eles lembrarão situações em casa, no trabalho, na fila do banco, nas relações sociais, o calvário, algumas vezes, dos aniversários em família, onde nem sempre é possível rir das piadas contadas pelo tio bigodudo ou pela tia com dentadura, porque bigodes e próteses dentárias atrapalham a leitura labial. De repente, todo mundo ri. Eles, então, ou fingem que entenderam e forçam o riso, ou procuram se inteirar da piada, mas às vezes os familiares, sem paciência para explicar, demonstram irritação. É quando, quietos e silenciosos, ficam isolados num canto, mergulhados na solidão.
O orador, antes de começar seu discurso na solenidade de formatura, olha o auditório e se pergunta em quantas famílias ali presentes existem ouvintes que aprenderam a língua de sinais para se comunicar com eles. Ali, entre seus colegas, quase todos poderão registrar a dificuldade de amigos e parentes em lidar com a surdez, o que gera irritação e frustração dos dois lados pela dificuldade em manter um diálogo.
A comunicação entre ouvintes e surdos se faz, em geral, através de sinais caseiros improvisados e, sobretudo da língua falada, com os sons articulados pausadamente para facilitar a leitura labial. Mas tem sempre o namorado de uma prima, que nunca teve contato com um surdo, e que fala gritando, pensando que assim será ouvido. Diante do olhar de paisagem, acha que seu interlocutor é deficiente mental. Os surdos gostam de contar piadas gozando essas pessoas que não entendem o que é a cultura surda.
Mas as relações não são apenas de incompreensão e discriminação. O orador e seus colegas lembrarão, ainda, o outro lado da moeda: o amor e a solidariedade de mães, pais, irmãos que conseguem se colocar na pele deles, que nem a vovó na novena, às terças-feiras, indicando-lhe discretamente que o hino cantado nesse momento pelos fiéis é o “Virgem mãe Apareciiiii-ida” e não o “Viva Mãe de Deus e nó-ossa”, salvando-lhe de pagar um mico.  
Dos preconceitos, todo mundo ali, no auditório, aprendeu a se defender e a administrar situações embaraçosas, criando estratégias para sobreviver dentro de uma cultura sonora. Certa cadela de estimação chamada Daiana e certo gato de nome Leon aprenderam a Língua de Sinais. Daiana balança o rabo, feliz, diante da sinalização de ‘passeio’ ou “fazer xixi”. Leon ronrona com o sinal de “comer”. Quem ensina libras pra cachorros e gatos, certamente terá sucesso com seres humanos. É o que eles, professores diplomados de Libras, vão fazer.
Ensinando Libras
Vamos ouvir o discurso do orador. Ele está dizendo, agora, que o diploma que os 27 professores receberão foi conquistado com esforço e dedicação, num curso muito puxado, organizado com o objetivo de possibilitar o domínio em Libras e de privilegiar as formas de ensinar e aprender dos surdos. Esses professores licenciados vão se inserir no mercado de trabalho, ensinando o curso básico de Libras para alunos, tanto surdos como ouvintes, mas contribuirão também na formação de fonoaudiólogos e professores universitários.
A Licenciatura em Letras-Libras criou um ambiente virtual de aprendizagem, com as ferramentas necessárias para disponibilizar os conteúdos em Língua de Sinais, como o “hiperlivro”, que coloca textos em Libras nas mãos de alunos de todo o país, além de recursos de videoconferência, DVD-Vídeo, material impresso, usando a modalidade do ensino à distância.
O orador certamente agradecerá à coordenadora do curso na UFAM, Nídia Sá, e às professoras da UFSC Roseli Zen, Ronice Muller e Heloísa Barbosa, responsáveis pela elaboração do projeto pedagógico do curso e de seu currículo, que funciona integralmente na Língua Brasileira de Sinais. Essa é uma forma de garantir que o aluno surdo construa seu processo de aprendizagem, sem necessariamente depender do domínio da Língua Portuguesa, permitindo o acesso ao conhecimento em sua própria língua e, em consequência, o exercício à cidadania.
Não sei se o orador vai dizer, mas eu digo: nesses quatro anos de duração do curso surgiram muitos problemas. A troca de tutores cuja função é tirar as dúvidas dos alunos e corrigir provas, a falta de entrosamento com outros alunos de outros cursos da UFAM, uma vez que as aulas ocorreram sempre aos sábados. De qualquer forma, o orador e seus colegas reconhecem os momentos de aprendizagem, de descontração e de alegria e demonstram contentamento por concluir um curso superior em sua língua materna.
Depois do histórico do curso, o orador fará uma homenagem a Tatiana Monteiro, a primeira surda aprovada no concurso para professor da Ufam. Registrará, talvez, um dado triste: essa é a única turma formada no Amazonas, porque a UFAM se retira do projeto e não abrirá outras turmas para surdos, frustrando uma grande demanda no mundo dos surdos e dos ouvintes.
1(Ver "Ninguém mais será Jau" http://www.taquiprati.com.br/cronica/16-ninguem-mais-sera-jau
2) Ver abaixo o poema e o discurso feito pela profa. Nídia Regina Sá.
DISCURSO PARA A FORMATURA DO CURSO LETRAS/LIBRAS – UFAM – TURMA 2006
Profa. Nídia Regina Sá
21 de fevereiro de 2011
 
Vou começar este discurso fazendo uma grande maldade com o (a) intérprete!
Começarei lendo um poema que escrevi há muito tempo, quando minha filha era pequenininha...
Eu não sou poetiza, mas, certa vez escrevi um poema... o meu primeiro poema.
Escrevi para minha filha. Ela está aqui na platéia, e talvez esta seja a grande oportunidade para que ela entenda melhor o que eu queria dizer quando o escrevi, pois, como eu não sou profunda conhecedora da LIBRAS, minha escrita em Língua Portuguesa talvez não alcance a minha filha, nem aos demais surdos, como eu gostaria de alcançasse... mas, com o trabalho do intérprete, o poema em LIBRAS ficará mais claro, mais tocante para eles.
Portanto, intérprete, desculpe a maldade, mas preciso de seus serviços nesta hora! E, por favor, observem como o trabalho de um intérprete de LIBRAS é necessário e altamenbte profissional!
Vamos ao poema:
 
Quisera traduzir o que dizes
Com teu jeitinho matreiro.
Quisera entender o que falas
Quando de mim tu esperas
Uma boa explicação.
 
Quisera entender o teu gesto,
Esse sinal tão simpático,
Dessas mãozinhas pequenas,
Dessa expressão tão profunda,
Que do coração pequenino
Falam de grande intenção.
 
Quisera gravar meu caminho
Para que no futuro tu visses
De onde parti e onde cheguei,
Mas, destacar as certezas
Que a vida, enfim, me mostrou.
 
Quisera transmitir minhá fé 
Para que juntas possamos
Chegar ao “Mais que Perfeito”.
 
 Poder te falar 
Quisera, meu Deus, quem dera!
 
E a mim me ocorre (pudera!):
Quando entenderá meu “Quisera”?
 
                Desde que minha filha surda era muito pequena, esta sempre foi a minha preocupação: quando ela poderá entender o que eu estou tentando lhe falar? Quando poderemos efetivamente” conversar”? Eu falando de cá, e ela respondendo de lá, em perfeita sintonia...
Eu pensava: minha língua é tão difícil! São tantas as palavras, são tantos os verbos... O que vai acontecer conosco, meu Deus? Eu não aceitava que não houvesse plena comunicação! Estava disposta a me esforçar bastante para quebrar a barreira da comunicação. Inicialmente comecei no Oralismo, mas, quando ela tinha seis anos de idade, a Língua de Sinais entrou nas nossas vidas e tudo ficou muito mais fácil!
Quando eu era criança, meu pai fez um lindo poema, usando todos os verbos no “Mais que Perfeito”: Quisera, pudera, aparecera, sumira...
Achei aquele poema muito lindo! Pensei: como meu pai é inteligente! Como ele escreve bonito! Um dia eu vou escrever como ele!
Quando comecei a escrever este primeiro poema, de lá de dentro veio a vontade de escrever como meu pai, de usar os verbos que ele usava, de escrever do jeito mais difícil, para marcar mesmo o tamanho do caminho se precisa caminhar até que um surdo entenda a Língua Portuguesa tão bem como um ouvinte.
Este caminho é muito longo! Precisamos de muito estudo, de muita pesquisa, de muito trabalho sério!
Precisamos de muita colaboração entre surdos e ouvintes para que tanto eles entendam a nossa língua como para que nós entendamos a língua deles! Exige troca, muita troca. Exige respeito, muito respeito! Exige dedicação, muita dedicação (trabalho). Exige trabalho profissional e competência técnica!
Este curso de Letras/LIBRAS surgiu para encurtar este caminho.
O curso de Letras/LIBRAS foi criado para que, principalmente os surdos, aprendam a estudar e a pesquisar sua própria língua. Aprendam a amar e a defender a sua língua e a sua escola. Para que aprendam a valorizar e a lutar pela Educação.
Certamente 100% dos graduandos do curso não sairão plenamente bilíngües, no sentido de conhecerem profundamente tanto a LIBRAS como a Língua Portuguesa, mas, devo lembrá-los que também não é 100% dos ouvintes que são conhecedores da LIBRAS, e, para dizer a verdade, nem todos os ouvintes sabem conjugar o “Mais que Perfeito”!
O que quero frisar é que bilingüismo perfeito não existe, ou seja: 50% para uma língua, 50% para outra. Somos, todos, pessoas que carregam marcas de nossas histórias e das experiências que vamos vivenciando ao longo da vida – com isto privilegiamos nossa língua materna: aquela que nos toca profundamente e que nos dá conforto quando a usamos. Aqueles que têm o poder de planejar processos educacionais têm a obrigação de saber isto: que não podem obrigar uma pessoa a participar do processo educacional em outra língua que não seja a sua língua materna – como desde 1957 já declarava a UNESCO.
Temos aqui uma turma de pessoas surdas e de pessoas ouvintes; temos aqui pessoas muito diferentes, com potenciais diferentes, com histórias diferentes e com futuros diferentes.
O que espero é que todos que estão aqui hoje, ao se encontrarem com estes profissionais da LIBRAS em seus caminhos, seja profissionalmente, seja em sua vidas privadas, possam entender que por trás de cada um existe uma pessoa plena, completa. Os surdos não são “erros de fabricação”. Eles foram feitos pelo Criador como surdos – é assim que eu creio. Certamente Deus ama os surdos e também se comunica nas línguas de sinais!
Não podemos, portanto, fazer menos que isto: colaborar com a comunidade surda na difusão, na pesquisa e no ensino da Língua de Sinais... Colaborar com a comunidade surda na luta pela garantia de uma educação significativa para os surdos. Somos partícipes desta luta e esta parceria entre UFSC e UFAM certamente vai ficar na história como uma iniciativa que deu certo.
Compete a nós, da UFAM, agradecer à UFSC e ao MEC pelo investimento na formação destes profissionais, e prometer que continuaremos nesta luta. Infelizmente não temos outras turmas com esta mesma parceria, mas, haveremos de inventar outras formas para não deixar esta iniciativa morrer.
A UFAM está convocada a colaborar na luta pela causa surda!
Obrigada, Magnífica Reitora Márcia por já se declarar partícipe conosco nesta luta! Contamos com você e com todos vocês!

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46 Comentário(s)

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rose comentou:
11/09/2011
muito legal, fiqei emocionada,e muito triste em saber q nao havera outra turma. eu estou terminando o curso de letras e o meu objeto de pesqisa e sobre a formaçao de prof universitarios com alunos deficientes auditivos , se vc tiver algo q possa me enviar fico muito agredecida. desde ja agradeço
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Sheila Campos (1) comentou:
31/03/2011
Li chorei! Chorei mais ainda quando li que não haverá a continuidade do curso no Amazonas, como? como?como?. Estivemos presente na primeira turma e agora, ponto final. Onde estâo a força e a vontade dos nossos dirigentes? Até mesmo o amor, onde está? Nossa o que fazer para a UFAM repensar esta decisão? Silvio esperou 41 anos para ser o orador da turma a Tatiana tb, uns 30, para ser a primeira professora concursada e os outros 25 breve vai estar em algum lugar, com certeza um bom lugar.
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Sheila Campos (2) comentou:
31/03/2011
Parabéns para todos, vcs vivem no meu coração. A UFAM, peço que não permita o fim deste projeto, temos tantos "corações" esperando a SEGUNDA TURMA DO LETRAS LIBRAS/POLO UFAM.
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Sheila Campos comentou:
31/03/2011
Li chorei!!!!!!chorei mais ainda quando li que não haverá a continuidade do curso no Amazonas, como?como?como?. Estivemos presente na primeira turma e agora, ponto final.Onde estâo a força e a vontade dos nossos dirigentes?até mesmo o amor, onde está?Nossa o que fazer para ab UFAM repensar esta decisão? o Silvio esperou 41 anos para ser o orador da turma a Tatiana tb, uns 30, para ser a primeira professora concursada e os outros 25 breve vai estar em alqum lugar, com certeza um bom lugar.Parabé
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Sheila Campos comentou:
31/03/2011
Li chorei!!!!!!chorei mais ainda quando li que não haverá a continuidade do curso no Amazonas, como?como?como?. Estivemos presente na primeira turma e agora, ponto final.Onde estâo a força e a vontade dos nossos dirigentes?até mesmo o amor, onde está?Nossa o que fazer para ab UFAM repensar esta decisão? o Silvio esperou 41 anos para ser o orador da turma a Tatiana tb, uns 30, para ser a primeira professora concursada e os outros 25 breve vai estar em alqum lugar, com certeza um bom lugar.Parabé
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Maria Luiza Oliveira comentou:
27/03/2011
Meu querido professor,Li a crônica toda, não li os comentários antes de escrever-lhe para não ficar influenciada. Sua veia poética ficou evidente nesta crônica, lerei outras vezes para falar sobre ela. Você é realmente um ser muito especial. Admiro-lhe como professor e como pessoa. Viverás eternamente em minhas gratas lembranças e quando meu corpo físico adubar a terra meu espírito sem dúvida ainda manterá a vibração dessa energia maravilhosa.
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Maria Luiza dos Santos G.Oliveira comentou:
26/03/2011
Emocionante! Estudei LIBRAS em uma disciplina eletiva na UERJ, minha professora, MARAVILHOSA, era surda, percebi a importância de conhecermos mais profundamente esta Língua. Bessa, continuando sendo sua fã e te amando. Sua aluna eterna Maria Luiza
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Maria Katriane Jacaúna comentou:
11/03/2011
Estou muito emocionada ao ler esta crônica. Fico feliz por esses profissionais terem concluído este curso. Fico feliz pela professora Tatyana, nossa colega de trabalho, sei que nós ouvintes temos que nos esforçar para aprender a libras para nos comunicarmos melhor com todos. Ressalto que a libras tem que ser difundida a todos os profissionais da educação para que haja de fato a inclusão social. Tudo o que já vi e ouvi de trabalho com pessoas surdas foi em Parintins na Escola de Audio Comunicação
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Cris Amaral comentou:
28/02/2011
Querido Prof. Bessa. Se tivesse sinais suficientes traduziria neles a emoção que senti ao ler tão bonito relato...Carinhos
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Vanessa Nascimento dos Santos comentou:
28/02/2011
Sou um dos alunos ouvintes que graças a Deus me formei e conquistei essa grande e desafiante etapa. Como filha de pais surdos vou continuar contribuindo na educação especial de forma dedicada e com grande diferencial. Obrigada José Ribamar por essa crônica linda!
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Anna Lousada comentou:
27/02/2011
Emocionante "O discurso dos surdos" do @taquiprati. P q o AM saiu do projeto se há demanda?
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Katiane Campos comentou:
23/02/2011
Concordo plenamente com a crônica, mas penso que é preciso a UFAM se envolver em mais projeto pedagógicos de formação como estes que atendam aos diversos grupos de profissionais e pessoas no que diz respeito a todo tipo de saber e a todos. Pois, Universidade deve atingir o estudo e conhecimento de todas as áreas.
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José Amazonas Santiago Vieira comentou:
22/02/2011
Parabéns pelo belo texto. Lamentável a decisão da UFAM. Triste retrocesso. Aquele abraço. Amazonas
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Luiz Viana David comentou:
21/02/2011
Prezado Ribamar, uma pena que o curso vá ser extinto. Aqui na minha cidade, Pará de Minas, existe um coral formado apenas por jovens surdos. O nome do coral é " Mãos que cantam" . Costuma se apresentar uma dez vezes por ano, sempre para publico numeroso. A linguagem de sinais é muito difundida por aqui, trabalho execxutado pela escola da APAE local.
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Teca comentou:
21/02/2011
Bessa, querido. Li... e chorei. Muito obrigada, Teca P.S.:encaminho, a seguir, essa tua crônica pra todos do Brasil silente que conheço...
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Mary comentou:
21/02/2011
Muito bonito o texto, professor. Confesso que expandiu bastante meu campo de visão também. Bom saber desse curso em Letras/Libras, eu nem imaginava. Beijos
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Waldeth Matos (1) comentou:
21/02/2011
Linda Crônica que retrata a realidade de nosso dia-a-dia. Como formanda (surda) deste curso pioneiro no Brasil, sinto-me muito emocionada e ansiosa para que cheque logo a hora esperada hã tantos anos, pois daqui a poucas horas estarei recebendo o tão sonhado diploma. Muito temos a falar de nossa luta para chegarmos até aqui. Ir para a faculdade aos sábados enquanto nossos familiares e amigos viajavam, passeavam, descansavam e nós SÓ estudávamos...
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comentou:
21/02/2011
Waldeth Matos (2) Deixo aqui meu muito obrigada a todos os professores da UFSC/UFAM e aos nossos familiares que estiveram ao nosso lado durante estes 4 anos de luta e sacrifício. Hoje é um dia muito feliz na vida dos 27 formandos, e ao mesmo tempo tristeza por este curso não ter prosseguimento no Amazonas, deixando de lado dezenas de surdos e ouvintes que esperam ansiosamente pela oportunidade que tivemos em 2006.
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Rose Cerny comentou:
21/02/2011
Olá José. Parabéns pelo artigo na sua coluna, está emocionante.Abçs Rose Cerny
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Nídia Regina Sá (1) comentou:
21/02/2011
Que alegria foi ler seu texto “Discurso Surdo”, na Taquiprati! Lindo! Obrigada pela força. A UFAM não tem ainda uma equipe de pesquisadores específicos da Língua de Sinais, logo, não temos condições de oferecer cursos sobre LIBRAS (como este que formou professores de LIBRAS). No entanto, a UFAM está cumprindo o decreto 5626/2005, oferecendo a disciplina LIBRAS nos cursos de licenciatura, tendo contratado recentemente cinco professores para esta disciplina, sendo, inclusive, um professor surdo.
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Nídia Regina Sá (2) comentou:
21/02/2011
Na FACED, há ações em curso e planejadas. Estamos compondo um Curso de Graduação Presencial de Pedagogia, Noturno, com ênfase no Atendimento em Educação Especial. Este curso terá 4 semestres comuns, mas os 4 últimos serão subdivididos especificamente por áreas. A área da Educação de Surdos utilizará 4 semestres para a formação específica de profissionais que atendam a este público. Oferecerá tradução simultânea para LIBRAS, a fim de que graduandos surdos possam freqüentar o curso normalmente.
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Nídia Regina Sá (3) comentou:
21/02/2011
O prazo para iniciar é 2012-2013. Destaco, no entanto, que a oferta do curso depende de o MEC contratar certo número de professores. Ademais, a UFAM criou recentemente a Comissão de Inclusão e Acessibilidade, a qual tem como uma das metas a criação de uma Central de Intérpretes de LIBRAS (sou a Presidente da Comissão). Sei que a maioria das ações às quais me referi são ainda mais de planejamento que de execução, mas quero lhe dizer que estamos despertos para as necessidades da comunidade surda.
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Nídia Regina Sá (4) comentou:
21/02/2011
Sinto-me na obrigação de lhe informar sobre o que estamos realizando e planejando, sabendo que ainda é muito pouco, mas expressando meu ânimo para um poderoso avanço. Agradeço seu apoio.
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Vivian comentou:
21/02/2011
Prezado Prof. Bessa, Essa é a dura realidade de nosso país, mesmo iniciativas tão importantes como essa se perdem com o tempo pela miopia dos gestores, ainda desacostumados com a perspectiva inclusiva..Vou remeter esse texto à minha lista e ao pessoal do INES, certamente vão se emocionar, como eu.
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Jane comentou:
21/02/2011
Vc sempre especial na forma de captar o cotidiano.Já disseminei o texto, Que a sociedade brasileira não permita, nunca mais, que os Jaús sofram com a discriminação! E que o AM, a UFAM e as demais universidades sejam sensíveis a um projeto grandioso como este, da mesma forma que com o Pedagogia da Terra, a formação de professores indígenas, o atendimento aos quilombolas e tantas outras expressões da diversidade que fazem de nós, humanos, o que somos: ricos, únicos, genuínos.Lindos os textos.
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Regina comentou:
21/02/2011
Meu Deus! tocaste o meu coração tão profundamente com essas cronicas...chorei e ainda estou com os olhos cheios de lagrimas, dificultando a escrita desse email. Acho que desta vez te superaste. Abraços. Gina
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Nenina comentou:
21/02/2011
Estimado José, le agradezco este importante texto. Lo haré conocer entre mis contactos, y especialmente a las personas que trabajan en el area de la salud. Cordiales saludos
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Bethânia comentou:
21/02/2011
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Nídia Regina de Sá comentou:
21/02/2011
Que alegria foi ler o seu texto “Discurso Surdo”, na Taquiparti! Lindo! Obrigada pela força. A UFAM não tem ainda uma equipe de pesquisadores específicos da Língua de Sinais, logo, não temos condições de oferecer cursos sobre a LIBRAS (como este que formou professores de LIBRAS). No entanto, a UFAM está cumprindo o decreto 5626/2005, oferecendo a disciplina LIBRAS nos cursos de licenciatura, tendo sido contratados recentemente cinco professores para esta disciplina, sendo, inclusive, um profess
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Jorge e Beth Andrade comentou:
21/02/2011
Dizer que sentimos arrepios incomensuráveis é muito pouco por esta crônica que sintetiza de um modo tão claro, tão objetivo e tão repleto de sentimentos verdadeiramente humanísticos, a trajetória laboriosa dos formandos e suas expectativas, suas respectivas famílias e todos os seus amigos, Somamo-nos à alegria de todos.
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Pedro Luiz (Blog da Amazonia) comentou:
20/02/2011
Notícia como essa deveria ser dada nas redes de televisão, rádios desse país pois essas pessoas são verdadeiros guerreiros da vida.Tenho dois filhos adolescentes e como todos os pais enfrentamos todo dia as ferramentas tecnologicas a nos atormentar por todos os lados todas as horas.Essas pessoas com sua deficiência deveriam servir de EXEMPLO para nossos filhos no trato com a educação, e, é claro para um governo, ou todos os governos que não tem a educação como prioridade na vida dos jovens.
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Jorge da Silva comentou:
20/02/2011
É verdadeiramente a realidade da inclusão social, muito bom, isso que acontece com a educação no Brasil.
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Helena Maria de Souza comentou:
20/02/2011
Muito boa Bessa. Parabéns! Estamos tão acostumados ao mundo sonoro, que somos incapazes de compreender um mundo em que as pessoas não conhecem os sons. Que bom que os novos professor@s poderam ensinar a mais pessoas uma outra forma de comunicacão. Vou repassar
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Ronice M. de Quadros comentou:
20/02/2011
Fico muito feliz com o registro deste momento tão especial para os alunos do Curso de Letras Libras, da UFSC, que estão se formando na UFAM. A parceria UFSC-UFAM foi uma oportunidade para termos esta turma representando o Amazonas. O objetivo do curso sempre foi multiplicar formadores na área. Agora, o Amazonas passa a ter seus próprios professores de Libras que estarão multiplicando Libras, formando outros alunos surdos e ouvintes, socializando essa língua nacional. Parabéns, gostei muito!!!
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Eláisa comentou:
20/02/2011
Procurei saber o horário da cerimônia no site da Ufam...Nenhuma notícia sobre o assunto (?) 21 de fevereiro não é amanhã?
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Paulo Bezerra (2) comentou:
20/02/2011
Aliás, vale lembrar que o "Beijoca" (Instituto Benjamin Constant), também abrigou a Escola Diofanto Monteiro p/ portadores de sindrome de dawn, abrigou lutadores da Educação como Prof. Creusa, Luis César, Geraldão, Paulos Assunção e Bezerra e outros. De onde se iniciou quase todos os movimentos reivindicatórios do magistério amazonense.
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Paulo Bezerra comentou:
20/02/2011
Babá, essa formatura será a coroação dos esforços principalmente dos Pais desses alunos que lutaram bravamente p/que seus filhos tivessem a devida atenção do Estado. E, não esquecer da Escola Estadual Augusto Carneiro, fundada la no "Beijoca", no início dos anos 80, do Prof. Albuquerque, da Profª Haydée sua gestora, dos seus Professores, atualmente com sede na Joaquim Nabuco. Certamente muitos desses formandos são oriundos dessa magnífica Escola.
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Ana comentou:
20/02/2011
É sempre muito gratificante saber de iniciativas como essas. Aos idealizadores, aos professores e alunos do projeto parabéns. Que outras universidades possam abraçar a idéia também. Ótima crônica!!!
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Luciano Cardenes (1) comentou:
20/02/2011
Bessa, o Curso de Licenciatura em LIBRAS é parte daquelas iniciativas que fazem da Universidade uma instituição à favor da sociedade e cuja construção se faz em conjunto e diálogo com a nossa tão sonhada interculturalidade.Trabalhei durante 3 anos com educação de surdos no Centro de Ensino de Jovens e Adultos Agenor Ferreira Lima. Lá, aprendi um pouco o que é ser professor e percebi, para além do discurso antropológico, as dificuldades de quem era diferente dentro de certa hegemonia cultural.
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Luciano Cardenes (2) comentou:
20/02/2011
A galera que está se formando na UFAM passou por poucas e boas até aqui. É uma luta muito parecida com a dos Povos Indígenas, pois a grande bandeira de luta é o reconhecimento da diferença no Estado brasileiro. Assim como os povos indígenas, os surdos também levaram palmadas para deixar de falar sua língua, foram tutelados através de relação comunicação e poder e também considerados "relativamente capazes". Lutaram e mostraram seu "mais do que relativo sucesso" a cada ano de luta e conquista,
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Luciano Cardenes (3) comentou:
20/02/2011
da 1ª. escola especial para surdos, do 1º intérprete de Libras a exercer suas funções em escolas de ensino regular e até o reconhecimento dos "sinais" enquanto Língua e Cultura dos Surdos. Lembro-me com saudades quando aprendi os primeiros sinais lá nos bancos da Praça da Saúde com a Professora Waldeth Matos (1ª. Surda a se formar em Serviço Social no Amazonas) ou quando ganhei o meu próprio Sinal em um certo "ritual de nominação' na Associação dos Surdos de Manaus (Bairro Pró-Morar/Alvorada).
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Luciano Cardenes (4) comentou:
20/02/2011
Saudades dos amigos que fiz e que muito me inspiraram.Orgulhoso por todos e muito mais orgulhoso porque juntamente com os Povos Indígenas, com a População Negra e tantos outros que lutam pelo reconhecimento da diferença, NÓS CONQUISTAMOS MAIS ESSA VITÓRIA! Um abraço cheio de orgulho! Decepciona-me o fato da UFAM não mais oferecer o curso de Libras. Aproveito a insatisfação do Professor Bessa Freire pra dizer que na UEA, os programas e projetos de iniciativas similares estão todos sendo extintos.
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Luciano Cardenes (5) comentou:
20/02/2011
Nesses últimos meses, a nova administração decretou o fim do Curso de Pedagogia Intercultural (com sua divisão entre Pedagogia para alunos não-indígenas e Licenciatura Intercultural para alunos indígenas) e tb extinguiu o Programa de Letramento Reescrevendo o Futuro (com o argumento de que esse trabalho é da SEDUC). Professor Bessa, uso ao telefone um sussurro igual aquele que denunciou que estavam acabando com o Igarapé do Mindu e lhe digo bem baixinho: Psiu, avisa que estão acabando com a UEA.
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Luciano Cardenes comentou:
19/02/2011
Professor Ribamar, o Curso de Licenciatura em LIBRAS é parte daquelas iniciativas que fazem da Universidade uma instituição à favor da sociedade e cuja construção se faz em conjunto e diálogo com a nossa tão sonhada interculturalidade. Trabelhei durante 3 anos com educação de surdos no Centro de Ensino de Jovens e Adultos Agenor Ferreira Lima. Lá, eu aprendi um pouco do que era ser professor e percebi, para além do discurso antropológico, as dificuldades de quem era diferente dentro de uma ce
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Silvio Márcio comentou:
19/02/2011
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Ana Helena comentou:
19/02/2011
Muito legal, Bessa. Cheguei a começar um curso de libras quando fiz letras na UFRJ, mas não terminei. Já recebi seu e-mail e daqui a pouquinho vou publicar sua crônica no QTML?
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