CRÔNICAS

O INFANTICÍDIO: A ANTA QUE VIROU ELEFANTE NUM DOMINGO ESPETACULAR

Em: 21 de Novembro de 2010 Visualizações: 44965
O INFANTICÍDIO: A ANTA QUE VIROU ELEFANTE NUM DOMINGO ESPETACULAR

 

A segunda-feira da índia Rosi Waikhon na periferia de Manaus foi um dia de cão. Escapou, por pouco, de ser apedrejada. Ao sair de casa, várias pessoas lhe atiraram na cara frases do tipo: “Ei, índia, você não é gente, índio mata o próprio filho, vocês deviam morrer”. Minha amiga há muito tempo, ela me confidenciou: “Meu dia virou um terror, em todos esses anos, nunca tinha ouvido palavras tão pesadas e racistas”.
 
Quem humilhou Rosi estava indignado, porque no dia anterior havia presenciado o ‘assassinato’ de crianças indígenas, cometido pelos próprios pais, que praticam o ‘infanticídio’, tudo isso exibido no programa Domingo Espetacular da TV Record. Felizmente, como nos filmes americanos, chega a cavalaria para salvar vidas ameaçadas por índios bárbaros. A missionária evangélica Márcia Suzuki, cavalgando a emissora do Edir Macedo – tololoc, tololoc – leva os bebês arrancados das garras dos ‘criminosos’ para a chácara da igreja neopentecostal. Enfim, salvos.
 
As pessoas viram trechos do vídeo ‘Hakani’ com o sepultamento de uma criança viva. A voz cavernosa de um narrador em off anuncia que se trata de prática generalizada: “A cada ano, centenas de crianças são enterradas vivas na Amazônia”. O xerife Henrique Afonso, deputado federal do Acre, quer prender os ‘bandidos’. Faz projeto de lei que criminaliza o ‘infanticídio indígena’, invoca a Declaração Universal dos Direitos Humanos e apela ao papa Bento XVI para que “intervenha contra o crime nefando”.
 
Como tem gente boa no mundo, meu Deus! Mas sobrou para Rosi que viveu uma ‘segunda-feira espetacular’. Quase foi linchada. Não foi a única. Rosi é índia Waikhon – etnia conhecida também como Piratapuia. Mora na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM) e está de passagem por Manaus. É educadora e líder da Foirn – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. Escritora, participou de dois Encontros de Escritores Indígenas na UERJ. Ela faz um apelo:
 
- “Gostaria de pedir aos senhores que não continuem usando o termo INFANTICIDIO INDIGENA. Por favor, não aumentem o preconceito e o racismo contra nosso povo”.
 
Xamãs e bruxos
 
Afinal, os índios cometem infanticídio? Essa é mesmo uma prática generalizada na Amazônia? Francisco Orellana, o primeiro europeu que cruzou o rio Amazonas dos Andes ao Atlântico, em 1540, viu coisas muito estranhas. A crônica da viagem – repleta de ‘domingos espetaculares’ - conta que ele se deparou com elefantes em plena selva, comeu carne de peru, bebeu cerveja feita pelos índios e combateu as precursoras do infanticídio - mulheres guerreiras que matavam seus filhos homens. A Europa acreditou piamente em suas histórias.
 
Orellana, coitado, sentiu o mesmo problema do xerife Henrique e da cavaleira Suzuki: como descrever aquilo para o qual não tenho palavras? Orellana viu antas bebendo água no rio. Não existia esse animal na Europa, nem muito menos a palavra anta nos dicionários. Como dar conta dessa realidade desconhecida, nova e estranha? O bicho era grande? Era. Tinha tromba? Tinha. Então, ele sapecou: “vi elefantes”. Afinal, elefantes são grandes e tem tromba. O mesmo com as mulheres que combateu. Na Europa, mulheres não iam pra guerra. Então, Orellana recuperou o mito grego, que a Europa conhecia muito bem.
 
Esse processo de equivalência entre objetos conhecidos e objetos novos foi muito usado nos registros coloniais. Ele consiste em definir fatos representativos de uma cultura com símbolos de outra cultura. Mutum passa a ser peru, caxiri se transforma em cerveja, inambu vira perdiz e mulheres que trocam o fogão pelo arco-e-flecha são amazonas. Essa operação reduz e simplifica enormemente a diversidade e a riqueza cultural, porque o símbolo não consegue transmitir toda a sua carga de significado de uma cultura a outra. 
 
Foi assim também com os pajés e xamãs, que não existiam na Europa e foram denominados de ‘feiticeiros’ pelos colonizadores, com conotações altamente negativas que o equivalente não tem. As consequências foram trágicas, porque se ninguém mata uma anta pra extrair marfim dela, feiticeiros e bruxos eram, no entanto, condenados à fogueira.
 
O infanticídio é crime punido por lei. Denominar de infanticídio uma prática cultural que desconhecemos e que nos choca não ajuda a entendê-la, oculta a anta e não revela o elefante, além de ser um convite para criminalizar os povos indígenas e condená-los à fogueira. Quando os antropólogos ou agentes de pastoral do CIMI chamaram a atenção para tal leviandade e para o erro em generalizar para todos os povos, a ONG Atini os acusou de defenderem o ‘infanticídio’ porque querem impedir a mudança cultural.
 
Os antropologos
 
Todos os antropólogos – TODOS – sabem que a cultura é dinâmica, isso faz parte do bê-á-bá da antropologia. Nenhum antropólogo – NENHUM - se manifesta contrário a mudanças, até porque isso seria inútil. Ao contrário, o que os antropólogos estão dizendo, para horror do agronegócio interessado nas terras indígenas, é que índio não deixa de ser índio porque usa computador e celular. Mas a emissora do Edir Macedo grita espetacularmente contra os antropólogos, sem citar nomes:
 
“Há quem diga que a prática de matar crianças deficientes, gêmeas ou filhas de mães solteiras deve ser defendida para manter a cultura”.
 
Não cita o nome de um só antropólogo, nem o livro ou artigo de onde foi pescada tal ‘informação’, porque ela é falsa. Na realidade, o que se pretende é quebrar a parceria com os principais aliados dos índios na luta pela saúde, educação e demarcação da terra. A ABA - Associação Brasileira de Antropologia, através da Comissão de Assuntos Indígenas, já havia publicado nota esclarecedora assinada por João Pacheco.
 
“O vídeo Hakani – diz a nota – não é um registro documental proveniente de uma aldeia indígena, mas o resultado de uma absurda encenação realizada por uma entidade fundamentalista norte-americana. Utilizado como base para uma campanha contra o infanticídio supostamente praticado pelos indígenas, tem também a finalidade de angariar recursos para as iniciativas (certamente mais ‘pilantrópicas’ do que filantrópicas) daqueles missionários”.
 
Diz ainda que a prática daquilo que estão chamando inapropriadamente de infanticídio entre os indígenas “são virtualmente inexistentes no Brasil atual”. Ali onde eram localizadamente praticadas estão deixando de existir com a assistência médica e a demarcação de terras, por decisão dos próprios índios, conforme esclarece Rosi:
 
“Sou indígena, meu povo também tinha essa prática, mas não precisou de ONG nenhuma intervir para mudarmos. Os gêmeos, trigêmeos e os deficientes indígenas da região em que vivo estão sobrevivendo sem intervenção de Ong. Por favor, não peçam dinheiro em nome do infanticídio indígena”.
 
A nota da ABA reforça: “Por que substituir a mãe, o pai, os avós, as autoridades locais por uma regulação externa e arbitrária? As crianças indígenas não são órfãs. Bem ao contrário, estão melhor protegidas e cuidadas no âmbito de suas coletividades e por suas famílias. Uma intervenção indiscriminada, baseada em dados superficiais e análises simplórias, equivocadas e preconceituosas, não poderá contribuir para políticas públicas adequadas a estas populações”.     
 
O abandono e morte de crianças indígenas com sofrimento, dor e tensão foi a resposta dada por algumas comunidades a um infortúnio ou desgraça que as acometia e que está sendo discutido e solucionado pelos próprios índios diante da nova situação em que vivem. Doía tanto quanto para Abrahão matar seu filho.
 
O exemplo dos índios Tapirapé, que vivem no Médio Araguaia, ilustra bem esse fato. Sem condições para alimentar muitas bocas, eles não mantinham mais que dois filhos do mesmo sexo. As Irmãzinhas de Jesus, que foram viver com os Tapirapé em 1952, inauguraram, então, uma prática interessante. Elas "compravam" a criança nessa situação e pediam para a mãe amamentá-la, fortalecendo o vínculo mãe x filho. Com alguns dias, já com um mínimo de recursos proporcionados pelas freiras, os pais desistiam de se desfazer da criança e pediam o filho de volta, como nos conta o antropólogo Charles Wagley.   
 
Então, ficamos combinados assim: uma anta é uma anta, um elefante é um elefante, a resposta dada por algumas comunidades tem tromba e é grande, mas não é elefante, e o Edir Macedo é....bom todo mundo sabe o que é Edir Macedo.
 
TROCA DE CARTAS ENTRE ROSI WAIKHON E MÁRCIA SUZUKI
Houve uma troca de cartas, via e-mail, entre a índia Rosi Waikhon e a missionária Márcia Suzuki, da Ong Atini. Rosi revisou o texto para publicação e me autorizou a fazer circular alguns trechos, aqui publicados por se tratar de um documento útil a quem se interessa pelo tema.
1ª. CARTA DE ROSE (13/11/2010) - Na primeira delas, Rosi critica:
“Encontrei na internet comentários, com mensagem racista e preconceituosa postada por um cidadão que leu a matéria de vocês intitulada ‘Infanticídio Indígena’. Ele chamou a nós indígenas de desumanos, e isso graças à forma como vocês estão tratando o assunto. Gostaria de pedir aos senhores que não continuem usando o termo ‘infanticídio indígena’. Por favor, não aumentem o preconceito e o racismo contra nosso povo”.
“Na sociedade de vocês, estou cansada de ver: babás filmadas por câmeras ocultas espancando bebês em suas casas; torturas nas creches; recém-nascido jogado no lixo; crianças revirando lixo nas ruas, crianças estupradas, crianças com síndrome de Dow mortas pelos pais, outras jogadas do alto dos prédios, queimadas, espancadas, mortas, assassinadas. Isso no meu olhar indígena é infanticídio, mas nós, índios, não fazemos isso. Por favor, não peçam dinheiro em nome do infanticídio indígena”.
“A questão por mim colocada é para que vocês OLHEM o infanticídio em volta de vocês no lugar de só procurarem entre os índios. O estado brasileiro QUANDO encontra a mãe que faz isso, bota a mulher na cadeia, não quer saber se essa mãe tinha casa, se estava passando fome, se sofria alguns distúrbios, se pelo menos essa mãe conseguiu fazer o pré-natal no posto de saúde. Sou contra o racismo e a xenofobia contra o nosso Povo Indígena, ainda mais provocado sem pensar, por isso recomendo que tratem do INFANTICÍDIO e não apenas dos povos indígenas”.
RESPOSTA DE MÁRCIA (13/11/2010)– A dirigente da Ong Atini responde insistindo no uso da palavra infanticídio. Argumenta que a definição do termo vem do latim – infanticidium – que significa a morte de criança, especialmente recém-nascida. Reconhece que ele é amplamente cometido na sociedade brasileira, mas que existem outras ONGs para cuidar disso: “Conheça-nos melhor, sra. Rosi, assista nossos vídeos. Veja Rosi, são os próprios indígenas que falam. Depois de assistir a esses vídeos e ler nosso material entre em contato dizendo o que achou, por favor”.
2ª. CARTA DE ROSI (14/11/2010) -  Rosi assistiu o documentário ‘Quebrando o silêncio’ feito pela ONG Atini e dirigido por Sandra Terena, onde se afirma que “crianças indesejadas são condenadas à morte por nascerem com deficiência física ou mental, por serem gêmeas, filhas de mãe solteira ou ainda por serem vistas como portadoras de azar para a comunidade”. O documentário traz depoimentos de vários índios do Brasil central sobre o que a ONG classifica como infanticídio: “a tradição manda que as crianças sejam enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta”.
Rosi leu o texto “A estranha teoria do homicídio sem morte”, de Marta Suzuki e deu, então, uma longa resposta, afirmando que sua interlocutora não compreendeu a profundidade do assunto, desconhece os estudos dos antropólogos, a quem ataca, e assume “as piores interpretações possíveis sobre os povos indígenas, sobretudo as questões das mulheres indígenas”.
Os principais trechos vão aqui selecionados:
“Sou indígena. Entendo perfeitamente o que meus parentes indígenas do centro do país estão dizendo. Respeito o modo de pensar deles. Meu povo também tinha essa prática, mas não precisou de ONG nenhuma intervir, achando que somos incapazes de resolver nossos problemas”.
“Quero dizer-lhe que os gêmeos, trigêmeos e os deficientes indígenas da região do Rio Negro, onde moro, estão todos vivos, sobrevivendo sem intervenção de ONGs. Apesar da ineficácia do sistema de saúde indígena, tivemos sim apoio da equipe de saúde nas reflexões e tomadas de decisões com relação ao assunto”.
“Mas a ineficácia crônica dos poderes públicos com relação à assistência aos povos indígenas é grande. Isso sim tem que ser documentado, mostrando a verdadeira face de como os povos indígenas são tratados no Brasil. Os profissionais que atuam em áreas indígenas têm que ser melhor qualificados, as escolas e as universidades devem ter aulas de história indígena para explicar a diversidade e a peculiaridade de nossos povos”.
“A falta de aprofundamento de estudos por parte da ONG deixa muito a desejar. Uma vez veiculada na mídia, a ideia do indígena ruim e mau já foi repassada, não tem como reverter. Vocês deveriam ter refletido que no nosso país tem muitos analfabetos de conhecimento indígena. Deveriam ter pensado que ao tratar dos povos indígenas, as interligações são diversas. Deveriam pensar uma melhor maneira de tratar o assunto, porque ele é mais profundo do que vocês imaginam”.
“Os internautas que são analfabetos em assunto indígena não vão querer saber o contexto de cada caso, e jamais irão compreender, pois esse assunto não se estuda em academias e muito menos nas escolas. Generalizar para eles é mais simples e fácil, provocando conceitos racistas e xenofóbicos, assim como está ocorrendo”.
“A questão não é julgar e condenar ninguém, mas esclarecer que o desejo de AJUDAR                 os povos indígenas não se resume em classificar cultura ruim e cultura boa, costume ruim e costume bom. Vai além disso, muito além. Quando os não-índios chegaram, também a intenção   deles era AJUDAR, ‘civilizando-nos’ para os costumes deles, alegando que nossa cultura era atrasada, isso no olhar deles. Inconscientemente, vocês estão seguindo o mesmo caminho”.
“Quando procurados para resolver o assunto, deveriam ter encaminhado aos órgãos competentes brasileiros e não tomar para vocês a responsabilidade que é do Estado. Aí sim, vocês estariam ajudando o país a revisar as políticas públicas relativas aos índios e a combater a omissão do Estado”.
“Isso evitaria que os analfabetos em questões indígenas tivessem a interpretação que estão tendo, após o início da campanha de vocês. Na atualidade, o infanticídio está ligado à saúde pública e não somente à cultura desses povos. Mas o sistema de Saúde Indígena é ineficiente, com a maioria dos profissionais despreparados para atuar em áreas indígenas e lidar com tais assuntos. Os poucos profissionais competentes não são valorizados”.
“Essas questões e outras relativas à saúde pública não são aprofundadas por vocês. É fácil falar superficialmente, o difícil é falar da raiz do problema e buscar solução. O despreparo da maioria dos órgãos públicos para lidar com certos assuntos indígenas sempre foi e é um grande problema. Alguns avanços foram feitos, mas falta ainda muito a caminhar. É preciso cobrar do Estado suas responsabilidades”.
“Muitos séculos atrás, alguns naturalistas ocuparam infinitas páginas em seus diários, falando do infanticídio entre os povos indígenas. Mas pouco escreviam sobre as relações sociais familiares e a importância da criança indígena. Naquela época, éramos autônomos e felizes. Não existia Estado brasileiro, nem dinheiro, TV ou internet”.
“Por que será que registravam o infanticídio entre os povos indígenas e nada escreviam sobre o infanticídio cometido pelos povos ao qual pertenciam? É fácil enxergar e julgar os outros, o difícil é olhar ao seu redor, entender cada contexto e sua realidade”.
“Faz algum tempo, os jornais noticiaram que uma mulher seria apedrejada até a morte, no Irã, por ter cometido adultério. Então vários países foram contra, pois era uma VIDA que estava em jogo. Passado pouco tempo, os jornais noticiaram que nos Estados Unidos um homem condenado à pena de morte foi executado, uma injeção retirou a VIDA dele. Um ser humano tira a VIDA de outro ser humano, isso com o consentimento de todos. Não vi nenhuma manifestação contra a execução”.
“A questão não é se o ser humano que foi condenado é bom ou ruim, mas a discussão é sobre a VIDA. De acordo com slogan de vocês: SALVE UMA VIDA. No exemplo citado, uma vida foi tirada aos olhos do mundo inteiro. Analisemos o caso. O homem estava há anos confinado em celas do presídio. Não tinha liberdade! Isso é vida? Ele estava sozinho na cela, igual a um passarinho engaiolado. Sem sua família. Ele é um ser humano, foi gerado pelo pai e mãe, nasceu de uma mulher. Isso é vida? Talvez ele tinha uma esposa e até um filho. Mas não podia compartilhar com seus familiares. Isso é vida?”
“Para mim, que sou uma mulher indígena Waikhon, a Vida vai além do corpo físico, além dos órgãos vitais, além do espiritual, além do mundo que nos rodeia. Tudo tem vida: o ar que eu respiro, o sol que me aquece, o alimento que eu como, o rio, a mata... Mas isso é difícil para os não índios entenderem, porque vejo que estão matando a vida, por exemplo, os rios em suas cidades, vocês despejam lixo nele, tentam recuperar, mas os esgotos são canalizados para os rios e igarapés”.
“Os rios e igarapés estão chorando, estão desidratados, estão quase morrendo. Eles não são seres humanos, mas têm vida. Nós, índios e não-índios, precisamos deles, porque sem água o ser humano não vive. Ele morre. Estão vendo como uma coisa está interligada à outra?”
“Com relação ao exemplo citado do homem condenado à morte, não tiraram só uma vida dele, tiraram várias, a vida final foi a dos órgãos vitais e a do corpo físico. Estão vendo como é complicado?”
“Muito tempo atrás, os ‘civilizados’ também começaram a tirar nossas vidas. Invadiram nossas aldeias. Queimaram nossas casas. Tomaram nossas terras. Estupraram nossas mulheres. Mataram nossas crianças. Travaram brigas de índio contra índio. Escravizaram nosso povo, nos chamando de atrasados, que impediam o progresso do Brasil. Hoje, muitos são executados por causa da posse da terra. Os não-índios ricos e poderosos colocam índio contra índio, nos dividem para poder tomar posse de nossas terras”.
“Quando se trata de questão indígena, não se pode cuidar só do pé ou da mão. Nossos membros estão interligados. É preciso aprofundar o estudo sobre nossas culturas para não causar, mesmo inconscientemente, o racismo e a xenofobia na sociedade que ainda não consegue compreender os povos indígenas e as diferentes formas de sobreviver num mundo tão complicado”.
“Quero dizer aos senhores que antigamente o povo a qual pertenço praticava o que vocês chamam de infanticídio e não era infanticídio, nem indígena, pois na época não tinham nos apelidado ainda de índio. Como seria intitulado nos dias atuais, se os exploradores de nossas terras, muitas delas tomadas pelos latifundiários, que nos chamam de preguiçosos, não tivessem nos apelidado? Seria infanticídio waikhon, kamaiurá, kayabi?”
“Atualmente nós não temos mais essa prática, pois os gêmeos, trigêmeos e deficientes continuam vivos, são acolhidos muito bem, também existem não-índios solidários que ajudam cuidando dessas crianças, mas elas NÃO SÃO RETIRADAS DE SUA FAMÍLIA NEM DE SUAS ALDEIAS. Na Terra Indigena onde habito somos mais de 20 povos indígenas, entre eles tem também os Yanomami. Recentemente, nasceram trigêmeos Yanomami, a equipe de saúde ficou temerosa, porque lá ainda existe essa prática”.
“Diante disso, houve um DIÁLOGO entre a equipe de saúde, as lideranças indígenas, a família e o povo Yanomami. Sabe o que aconteceu? Depois de logos dias de diálogo, os pais ficaram com dois, os avós maternos ficaram com o terceiro. As crianças não foram retiradas do seu seio familiar, de seu povo, de suas terras, como vocês fazem. Tudo é questão do diálogo, respeito, entendimento, pois os povos indígenas, apesar das diferenças, têm inteligência e capacidade de chegar a um acordo”.
“Já que a Ong Atini está tratando do público indígena, respeito o modo de pensar de vocês. Mas quero lhe dizer que uma vez um indígena afastado de seu povo, de seu habitat, de suas terras, essas famílias e crianças não deixarão de ser índios (as), mas nunca mais serão os mesmos. Pois terão que seguir as violentas regras da civilização e do capitalismo para sobreviverem, como mão de obra barata da sociedade integracionista”.
“O que me entristece é o termo “infanticídio indígena”, era melhor vocês estudarem outro termo, porque esse atual afeta todos nós. Na atualidade, estamos tratando do assunto de forma diferente da de vocês e não ficamos pedindo dinheiro para montar uma aldeia na cidade. A Ong de vocês tem um habitat que se assemelha a uma aldeia conforme o entendimento de cada povo indígena? Porque pelo que vi lá tem pessoas de povos diferentes, tem Kamaiurá, Kayabi, Sateré-Mawé... Ou é tudo feito ao molde de vocês?”
“Cada povo indígena tem sua estrutura social, econômica, política, cultural, seu idioma, sua religião, sua alimentação...Isso aqueles que não sofreram a desestruturação do Estado brasileiro integracionista e a lavagem cerebral dos missionários que cuidam apenas da alma dos índios. Cada povo indígena sofreu a integração e a intromissão do não-índio de forma diferenciada e na atualidade tentaram de alguma forma se reorganizar e sobreviver. Vocês levam isso em conta? De que maneira?”
“Senhores, sou uma índia em busca de resposta e tentando sobreviver no mundo não-indígena. Penso que o diálogo é importante. Após a matéria de sua Ong veiculada na rede Record, sofri momentos terríveis. Sabe como os civilizados falaram na minha cara? “Ei, índia, você não é gente, índio mata o próprio filho, vocês deviam morrer”. Foi mais de uma pessoa, foi por isso que resolvi escrever.Meu dia virou um terror, em todos esses anos, nunca tinha ouvido palavras tão pesadas e racistas”.
“Se vocês estivessem no meu lugar o que fariam? Registrar na delegacia? Mas como se num centro urbano desorganizado são tantas pessoas e não há polícias à disposição para tomar providências! Como pegar o nome dessas pessoas? Complicado pra quem não tem habilidade de cidade grande”.
“Fiquei muito triste por tudo. Não culpo essas pessoas, porque elas simplesmente são influenciadas pela ignorância, mal devem ter uma TV em casa, muitas vezes não têm nem o que comer, muito menos irão se aprofundar sobre o assunto. São filhas do sistema opressor da ganância, do egoísmo e do individualismo. Se aconteceu comigo, pode ter acontecido com outros”.
“Desculpem se estou ofendendo vocês, mas a cada dia que eu for ofendida por conta desse assunto, escreverei cartas, pois a escrita é a única ferramenta do não-índio que possuo. Só estou escrevendo, porque fui atingida como indígena. Não falo em nome dos povos indígenas do Brasil, porque compreendo as peculiaridades diversas e respeito a maneira de pensar dos outros parentes. Já temos problemas demais para ter que enfrentar no mundo atual. Todo cuidado é pouco para não travar brigas de índios contra índios. É isso que a Ong não consegue compreender”.
  
Carta das mulheres indígenas em repúdio ao programa exibido pela TV Record no Domingo Espetacular dia 7 de novembro de 2010 de 29/11/2010 19:53
(Postada aqui no dia 30/11/2010, depois da publicação da coluna)  
Nós, mulheres indígenas reunidas no Encontro Nacional de Mulheres Indígenas para a proteção e Promoção dos seus Direitos na cidade de Cuiabá entre os dias 17 e 19 de novembro de 2010, vimos manifestar nosso repúdio e indignação contra reportagem produzida pela ONG religiosa ATINI exibida no dia 07 de novembro de 2010 em rede nacional e internacional. No Programa do Domingo Espetacular, da emissora RECORD,  foram mostradas cenas de simulação de enterro de crianças indígenas em aldeias dos estado de Mato Grosso (Xingu), Mato Grosso do Sul (Kaiowá Guarani) e no sul do Amazonas (Zuruaha), pelos fatos e motivos a seguir aduzidos:
1.       A malfadada reportagem coloca os povos indígenas como coletividades que agridem, ameaçam e matam suas crianças sem o mínimo de piedade e sem o senso de humanidade.
2.       Na aludida reportagem aparecem indígenas atores adultos e crianças na maior “selvageria” enterrando crianças.
3.       A reportagem quer demonstrar que essas ações nocivas aos direitos à vida das crianças indígenas são praticas rotineiras nas comunidades, ou de outra forma, são praticas culturalmente admitidas pelos povos indígenas brasileiros.
4.       Que os produtores do “filme” desconhecem e por tanto não respeitam a realidade e costumes dos indígenas brasileiros.  São “produtores Hollywoodianos”.
Vale esclarecer em primeiro lugar que a reportagem não preocupou em dizer que no Brasil existem mais de 225 povos ou etnias diferenciadas em seus usos, costumes, línguas, crenças e tradições.  Essa reportagem negou aos brasileiros o direito ao conhecimento de que na década de 1970 a população indígena não chegava a duzentas mil pessoas ao ponto de antropólogos dizerem que no século XX os indígenas iriam acabar.
Se de fato os indígenas estivessem matando suas crianças, a população indígena estaria diminuindo, mas a realidade é outra, pois a população naquele momento em decréscimo hoje chega ao patamar de 735 mil pessoas, segundo censo de 2000 do IBGE.
A reportagem que mostra apenas uma versão das informações, não entrevista indígenas nem antropólogos que conhecem a realidade da vida na comunidade, pois senão iriam ver que crianças indígenas não vivem em creches nem na mendicância. Crianças indígenas são tratadas com respeito, dignidade e na mais ampla liberdade.
A reportagem maldosa e preconceituosa feriu intensamente os direitos indígenas nacional e internacionalmente reconhecidos, pois colocar povos indígenas e suas comunidades como homicidas de crianças é o mesmo que dizer que certas religiões praticam seus rituais matando suas crianças ou que a população brasileira em geral abandona suas crianças em creches, nas drogas e na mendicância se sem com elas se importarem. Mais, seria dizer que pais de classes médias altas jogam dos prédios suas crianças matando-as e que é comum famílias brasileiras em geral jogas seus filhos recém nascidos no lixões das grandes cidades, ou que os lideres religiosos  são todos pedófilos.
Quais são as verdades dos fatos por trás das notícias caluniosas e difamatórias contras os povos indígenas.
Não seriam razões escusas de jogar a população brasileira contra os povos indígenas para buscar aprovação pelo Congresso Nacional brasileiro de leis nefastas aos povos indígenas? Ao dizer que os indígenas não têm condições de cuidar de seus filhos automaticamente estará retirando dos indígenas a autonomia em criar seus filhos, facilitando assim a intervenção do Estado para retirar crianças do convívio familiar indígena entregando-as a adoção principalmente por famílias estrangeiras. Na reportagem, o padrão de sociedade ideal é o povo americano, pois demonstrou que a criança retirada da comunidade agora vive nos Estados Unidos da América e até já fala inglês. Sociedade justa, moderna bem-feitora. Seria mesmo a “América” o modelo padrão de sociedade justa apresentado na reportagem? Vale esclarecer que a ONG religiosa ATINI e sua produtora de Hollywood têm sua sede nos Estados Unidos.

 

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126 Comentário(s)

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Dulce Noronha comentou:
12/05/2015
EM MAIO DE 2015 SAIU ESSA NOTICIA QUE PODE TE INTERESSAR Filme que trata do tema infanticídio foi produzido a partir de uma história real. O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) pediu que a Justiça proíba a veiculação do documentário Hakani – A história de uma sobrevivente. Para o órgão, o vídeo produzido por duas organizações religiosas pode incitar o ódio, aumentar o preconceito contra comunidades indígenas, além de configurar um abuso à liberdade de expressão. Produzido a partir do drama de Hakani, uma criança da tribo Suruwahá que foi adotada por um casal de missionários, o documentário trata do tema infanticídio. Os responsáveis pelo vídeo são as entidades Jocum Brasil (Jovens com uma Missão) e Atini: Voz pela Vida. No pedido a ser analisado pela Justiça Federal, a produção é classificada como “mais um elemento da campanha difamatória em face dos índios brasileiros, bem como uma justificativa para a atuação religiosa e missionária das organizações em aldeias indígenas”. Entre as atividades desenvolvidas pelas duas organizações estão a evangelização e a formação de jovens missionários para atuarem junto aos povos indígenas, em especial na Amazônia, onde o objetivo era erradicar o infanticídio. A procuradora lembra que, ao ser disponibilizado via internet - no Youtube com link direto do canal oficial da Jocum – , o documentário gerou na população um sentimento de revolta em relação aos povos indígenas. Comentários postados na internet e reproduzidos no documento enviada à Justiça usam expressões como “bichos do mato e barbárie” para se referir ao episódio. Outros sugerem que os líderes das aldeias é que deveriam ser enterrados. Ana Carolina Roman lembra ainda que, embora trate de uma simulação, a produção é capaz de confundir quem assiste ao vídeo. “O atores, todos indígenas, dão à produção um tom de verossimilhança capaz de confundir o telespectador, que acredita estar assistindo a um documentário e, portanto, pensa testemunhar um verdadeiro infanticídio”, afirma em um dos trechos da ação. O pedido do MPF faz ainda uma referência ao posicionamento da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) que já emitiu nota sobre o documentário. No texto, a entidade afirma que o filme é resultado da encenação de uma entidade fundamentalista norte-americana. “Não é uma campanha pró-vida, mas uma tentativa de criminalização das coletividades indígenas, colocando-as na condição permanente de réus”, classificou a ABA. Diante dos danos causados pela exibição do documentário, o MPF solicitou a suspensão imediata da veiculação por meio de liminar.
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Arlete Regina Pierosi comentou:
19/01/2012
Agradeço a explicação, agora eu entendi
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Antonio Cabrera Tupã comentou:
20/07/2011
... Revitalização da Cultura Guarani e o compromisso com a comunidade Avá Guarani do Oco\'y para implantação do projeto em pauta. O \"BRASIS\" deve respeitar a sua origem para ser respeitado. Roubou, matou e sequestrou os bens alheios. Esta terra tem dono. Antonio Cabrera Tupã Vice-Presidente da Oscip Guarany Professor de Guarani e História
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Luis Cesar Fernandes de Oliveira comentou:
20/07/2011
Sensacionalismos etnocentristas precisam ser combatidos mesmo com golpes fortes. Propagam preconceitos e distorcem a história. Por isso, divulgo os textos. Abraço, professor!
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Airton comentou:
23/05/2011
Eu digo uma coisa aos dirigentes da record: pimenta no.......é resfresco!
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Petronio comentou:
27/03/2011
Teria Barack Obama em seu passeio à Terra Tupiniquim, acordado com a Sra. Dilma, a continuidade do Pacto de Whashington? Sabemos, em que isto implicará na vida dos povos indígenas no Brasil e divisas!
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Paulo Lucena comentou:
19/01/2011
Veio a calhar a histórica, percuciente e lúcida coluna socioantropológica do nosso douto e profético etnólogo, sociólogo, professor acadêmico e expertíssimo jornalista, (não obstante sua modesta postura cidadã) prof. Dr. Babá, sobre o badalado “infanticídio indígena” (que por questão de eufemismo retórico prefiro aduzir como "imolação infantil"), alardeado pelo neo-pentecostalismo sensacionalista vídeo-difusor da Rede Recorde de TV, e as cartas carregadas de consciência nativista e saber humano
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Hans Alfred Trein comentou:
02/12/2010
Caro Bessa Freire, muito bom, como sempre. Aprecio muito o seu humor, mesmo com um assunto tão sério, polêmico e controvertido. E cabe, pois acerta o ponto nevrálgico de toda a questão em cima da pinta. A falta de sensibilidade intercultural, sobretudo de quem faz parte da cultura colonizadora, enquadra tudo em seus sistemas de significado e aí a anta vira elefante, estratégias reprodutivas viram infanticídio. Temos um longo caminho de aprendizados interculturais pela frente. Grato sou por sua c
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Maria Heloísa comentou:
01/12/2010
É facil dar palpites a cultura do outro. É uma maneira de desviar o olhar da nossa sociedade que beira o caos e que precisa recorrer a terapeutas fanáticos tipo Edires da vida e sensacionalismo das grandes mídias que manipulam todo o tipo de informação para acima de tudo engordarem suas contas.Isso serve pra trazer pro centro do debate além da brilhante fala da Rosi, a opinião e modos de viver de outros indíos que muitos desconhecem e por isso tem preconceito. E por ignorância os condenam.
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Maria Heloisa comentou:
01/12/2010
Realmente como é facil dar palpites a cultura do outro.Alias , para além de facil é sim uma maneira de desviar o olhar da nossa sociedade que beira o caos e que precisa recorrer a terapeutas fanáticos tipo os Edires da vida e o sensacionalismo das grandes mídias que manipulam todo o tipo de informação para acima de tudo engordarem suas contas.Olhando por outro prisma, isso serve também para trazer para o centro do debate além da brillhante fala da índia Rosi Waikhon a opinão e modos de viver d
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Gê (Brasil de Fato) comentou:
26/11/2010
Simplesmente brilhante os escritos de Rose! Bessa foi muito, mas muito feliz. Como seria importante que as reflexões da Rose pudessem ser lidas por todos Brasileiros. Qyero ler varias vezes, pois o conteudo merece profunda reflexao que me traz muita esperanca. Precisamos pensar diferente para construirmos a verdadeira nacao Brasileira justa para todos seus filhos . Merece reconhecimento especial esse magnifico espaco cultural no Jornal Brasil de Fato. Parabens Bessa, Rose Waikhon.
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Demétrio (1) – Brasil de Fato comentou:
26/11/2010
Gostei muito. Peço passar minha reflexão à camarada indígena que, bravamente, defendeu sua posição.Todos, indios e não indíos, temos um inimigo comum.O capitalismo que, por causa de sua lógica de expansão e acumulação, precisa ser combatido radicalmente. É ele que imbeciliza pessoas, torna-as discriminatórias, mistificadas, preconceituosas. Precisamos achar um modo de viver em sociedade que abarque todos os modos de vida, respeitando todos, e encontrando a melhor maneira de viver coletivamente.
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Demétrio (2) Brasil de Fato comentou:
26/11/2010
Isto exige que superemos o capitalismo. Há 500 anos, uma terrível forma de viver em sociedade chegou na América, uma forma de viver que explorava o trabalho do outro, que acumulava o resultado de seu sofrimento, e que expandia essa mesma forma de relação social. Isto tem que ser radicalmente mudado! Por isso, indígenas, não-indígenas, todos os participantes desse sistema infernal que se estabeleceu e se generalizou pelo mundo afora, devem tomar consciência e lutar. Não basta conclamar o Estado!
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Demétrio (3) Brasil de Fato comentou:
26/11/2010
O Estado está do lado da dominação.Nossa luta é pra superá-lo e descobrir um modo de vida diferente onde haja diversidade, onde os povos manifestem expressões da sua cultura e desenvolvam suas capacidades. Por isso, a luta dos indios é a luta de todos os dominados do mundo! Os oprimidos têm de se aliar numa causa comum que realize uma nova forma de viver em sociedade, que proporcione tudo o que há de melhor para TODOS. São duros os dias de luta, mas haveremos de chegar lá. Um abço dos Pampas.
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Ronaldo Porschaman comentou:
26/11/2010
....E o Samuel precisa deixar de ser babaca!!!!!!
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Suzete Cavalcante comentou:
26/11/2010
Muito bom!!!! Porrada nesses falsos religiosos. Se os índios com toda sua carga cultural reconhece que essa prática têm que desaparecer... quem somos nós para julgá-los. Deixemos esses povos amadurecerem sob o olhar das nossas convenções sociais e príncípios de direitos humanos resolverem seus problemas.
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samuel comentou:
25/11/2010
Todos estes índios precisam deixar de beber cachaça...e procurar conhecer e jesus.tenho um amigo que trabalha na FUNAI que me diz sempre"INDIO,NAO E AMIGO DE NINGUEM"embora eu nao pense assim.
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Helena Maria comentou:
24/11/2010
Muito bom seu texto. Quais chances de publicá-lo em jornal de grande circulação? Por mais que em tese afirmemos a importância de respeitar o outro, nas nossas práticas pedagógicas a referência continua sendo valores ocidentais e cristãos. Mitos,crenças e valores dos outros são... folclore, ou algo menor.A quantidade de informação e análise contida no artigo, deve ser explorada ao máximo. Gostaria que este texto fizesse parte dos documentos que os professores de ensino fundamental deveriam ler.
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Edney Kokama comentou:
24/11/2010
Quem deveria ir preso é o anti-cristo Edir Macedo! Pilantra que usa uma igreja para ter uma vida mansa. Genocidio religioso é o que ele faz! Por isso, não assitam record, globo e canais a fins, são todos uns bandos de alienadores em massa. Indio é Indio, Elefante não tem aqui, Orellana acho que comeu folha de Coca ou Leite de sapo pra ver elefante para essas bandas. Assim foi desde o principio para sacanear com nós os povos da floresta! Esperando que tudo se resolva na mais pacificidade! Cordial
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Sandra Terena (1) comentou:
24/11/2010
Bessa, que coisa chata o que aconteceu com a parente Rosi. Lamento muito. Olha só, fiz uma pesquisa de mais de três anos antes de começar a editar o filme Quebrando o Silêncio. Por pouco não lançamos o filme por receio de manchar a imagem do nosso povo, tendo em vista a diversidade de etnias que existem no Brasil.
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Sandra Terena (2) comentou:
24/11/2010
Para lançar o filme, procurei maneira em que o indígena fosse o protagonista. Quem assiste o documentário na íntegra não vê os indígenas como assassinos, mas vê o nosso povo como carente de poíticas públicas. Te convido para assistir o filme no blog www.quebrandoosilencio.blog.br –
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Sandra Terena (3) comentou:
24/11/2010
Bessa e leitores.Compartilho a problematização e ponto de partida dos + de 3 anos de pesquisa que deram origem ao filme Quebrando o Silêncio."Ninguém tem o direito de interferir ou fazer julgamento de valor sobre povos nativos e milenares.Para esses povos, as vezes a morte é a vida.ou a vida é a morte.No entanto, a partir do momento em que o indígena se manifesta a favor da vida, é obrigação do governo e da sociedade civil organizada prover meios para que eles possam cuidar de seus filhos."
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Sandra Terena (4) comentou:
24/11/2010
Esse foi o ponto em que iniciei a pesquisa. Em aldeias, no alto Xingu, parentes assistem o Domingão do Faustão, tem orkut e nike shox. Eles me relataram que querem cuidar das crianças deficientes, mas no xingu uma cadeira de rodas não anda, por exemplo. Eles estão carentes de políticias públicas que sejam de iniciativa da própria comunidade para cuidar de suas crianças.
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Sandra Terena comentou:
24/11/2010
Bessa e leitores deste blog. Gostaria de compartilhar com vocês a problematização e ponto de partida dos mais de três anos de pesquisa que deram origem ao filme Quebrando o Silêcio. "Ninguém tem o direito de interferir ou fazer julgamento de valor sobre povos nativos e milenares. Para esses povos, as vezes a morte é a vida. ou a vida é a morte. No entanto, a partir do momento em que o indígena se manifesta a favor da vida, é obrigação do governo e da sociedade civil organizada prover meios para
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Sandra Terena comentou:
24/11/2010
Bessa, que coisa chata o que aconteceu com a parente Rosi. Lamento muito. Olha só, fiz uma pesquisa de mais de três anos antes de começar a editar o filme Quebrando o Silêncio. Por pouco não lançamos o filme por receio de manchar a imagem do nosso povo, tendo em vista a diversiade de etnias que existem no Brasil. Para lançar o filme, procurei maneira em que o indígena fosse o protagonista. Quem assiste o documentário na íntegra não vê os indígenas como assassinos, mas vê o nosso povo como care
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Oswaldo Eustáquio - Jornalista comentou:
24/11/2010
Lamento pelo caso de Rosi. Indígenas são discriminados todos os dias de diversas formas. Agora, o presente artigo deturpa os mocinhos e bandidos. Se é que existem. O verdadeiro criminoso, que deveria ir para a cadeia seria o autor da discriminação e injúria. Este nem foi citado. Este sim é criminoso.
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Paulo Bezerra (2) comentou:
24/11/2010
O "Quebrando o silêncio" da Sandra Terena vem sendo discutido desde 2008 na maioria das Aldeias. Se o programa Domingo Espetacular abordou o tema de forma sensacionalista, deve ser repudiado. Porém, a pergunta que se faz é: Será que o silêncio deve continuar? Será que toda influência intercultural é ruim?
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João Américo Peret Indigenista/Escritor/Jornalista comentou:
24/11/2010
Mestre, parabéns.Mesmo sendo caolho ou míope, dá para perceber que aquela montagem filmoteca dos missionários é grosseira. Não tem nada com as etnias indigenas os pesonagens e o "enterramento".... Mas levam a grana dos incultos.Abs.
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Ana Castello comentou:
23/11/2010
Paulo Garrote, que bela descoberta! Quer dizer que os índios podem assimilar a compreensão dos direitos humanos, desde que os direitos humanos sejam os "nossos". Vc já pensou na possibilidade contrária? De nós assimilarmos, por ex., a visão dos índios sobre a natureza? Francamente, Paulo Garrote, você já teve dias melhores em sua polêmica com a Vânia. Agora, vc só está escrevendo besteira. Talvez porque sua causa seja indefensável e vc nada entende do assunto. Pede pra calar e sai de fininho.
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Lucia Ferreira comentou:
23/11/2010
Bessa. Há algum tempo venho discutindo este tema com minhas turmas da graduação. A mídia o explora com grande sensacionalismo. Parabéns pela reflexão que propõe em sua excelente crônica.
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Dejair comentou:
23/11/2010
IRRESPONSABILIDADE!... pura irresponsabilidade, manipular a população contra os indígenas, sem medirem as consequências...tudo visando audiência / lucro... e depois? o dia seguinte? Este meu domingo foi muito triste.
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Paulo Bezerra (2) comentou:
23/11/2010
Acho que os povos indígenas podem muito bem assimilar a compreensão do conceito de direitos humanos fundamentais, sem que isso signifique um assalto à sua identidade cultural. Todos os povos que hoje aderiram à tese dos direitos humanos o fizeram num processo dialético de crítica externa e autocrítica. É o que os protagonistas do "Quebrando o silêncio" a meu ver, estão fazendo.
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Paulo Bezerra comentou:
23/11/2010
É interessante observar como o discurso relativista radical reconhece que as interferências sobre o valores modernamente reprováveis de nossa cultura significaram um progresso, um avanço nas culturas antes conservadoras e reacionárias do Ocidente, mas negam-se a admitir que os índios sejam capazes de construir seu próprio desenvolvimento, assimilando e filtrando a seu modo as influências exteriores. Para nós, a estagnação no mesmo estágio de valores culturais retrógados era condenável. Para eles
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comentou:
23/11/2010
Bessa. Há algum tempo venho discutindo este tema com minhas turmas da graduação. A mídia o explora com grande sensacionalismo. Parabéns pela reflexão que propõe em sua excelente crônica. Abç, Lucia Ferreira
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Hugo Reis comentou:
23/11/2010
É lamentável visualizar como a população, ignorante em assuntos alheios, é facilmente manipulada por um ponto de vista que pouquíssimo esclarecedor aliado à um poderoso meio de comunicação. A saída que vejo para o esclarecimento desses fatos é utilizar-se a mídia do mesmo jeito, apresentando o que foi descrito nessa crítica para que o povo, na sua falta de conhecimentos culturais/sociais, ter ao menos o que refletir antes de criticar.
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Vânia Novoa Tadros, dia 23 B comentou:
23/11/2010
Laís e Roberto, OUTRO FATO QUE BESSA ABORDOU AQUI E ESTÁ SINTETIZADO NO TÍTULO DO ARTIGO É A EMISSORA DE TV TER USADO O TEMA APENAS PARA FAZER ESTARDALHAÇO E OBTER AUDIÊNCIA EM UM DOMINGO.
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Vânia Novoa Tadros DIA 23 comentou:
23/11/2010
PARA ROBERTO E LAÍS, UM DOS MAIORE MÉRITOS DO PROFESSOR BESSA É SER DIDÁTICO AO FALAR E AO ESCREVER. SEU TEXTO É CLARO. VCS É QUE TÊM DIFICULDADES DE ENTENDEREM.É EVIDENTE QUE BESSA É CONTRA O INFANTICÍDIO. MAS PARA HAVER INFANTICÍDIO É PRECISO TER INTENÇÃO DELIBERADA DE O FAZER. O QUE ELE QUER DIZER É QUE OS GRUPOS INDÍGENAS NÃO COMETEM O CRIME
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Darlene Taukane comentou:
23/11/2010
Ao professor Bessa, Parabéns pela crônica instigadora que nos faz refletir muito... e para a Rosi, minha querida amiga, parabéns pela coragem de quebrar o silencio do preconceito sofrido na pele e de se posicionar seu ponto de vista sobre a matéria veiculada na televisão.
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moema comentou:
23/11/2010
Rosi e Bessa, se a gente deixa passar................................ Que bom o jornal ter uma voz como voce Bessa para transmitir os fatos e nos elucidar . Vamos nos cuidar, pois os bicho ruim estao sempre na espreita. Rosi muito boa sua intervencao. Tem de enviar para a ONU para que todos saibam.
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Edilson Martins Baniwa comentou:
23/11/2010
tenyunto ta kuntari kua kariwa rana itá, ti ta ukuwa yané rikusawa ta resewara. Mayé te maã ambeu ke kariwa tá ti ta yasuka, ti puku sara akuaá maráma ta te gustari ta yasuka? Esses brancos falam atoam, não entendem da nossa cultura, nossa lingua, sendo assim, como podem nós criticar? Mesmo que eu dissesse: os brancos não gostam de tomar banho, sem procuara de saber por que razão não gostm de tomar banho.
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João comentou:
23/11/2010
Falem com os agentes da Funai. Eles sabem de tudo.
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João comentou:
23/11/2010
Procurem falar com o pessoal da Funai. Tem outras estorias de indios que deixam os filhos no Sol e chuva para adoecerem e deste modo terem justificativa para o carro da Funai ir a aldeia, so que na verdade é para pedirem carona no carro para levar os produtos até as cidades para comercializa-los.Capitalismo selvagem. Trevas!
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ROGELI (Blog da Amazonia) comentou:
23/11/2010
Estranho.João comenta que as terras indígenas não pertencem ao Brasil pelo fato que pertencem a índios.Eu acho que não há nada mais brasileiro do que os índios.Tal afirmação é preconceito que está imbuído nessa mentalidade elitista, que quer as terras indígenas apenas pra produção de agronegócio, lucro e benefício para poucos, não pra uma nação realmente brasileira.Parabéns pelo artigo, gostei bastante em falar do xamanismo, acho que caberia aqui uma referência ao antropólogo Viveiros de Castro.
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Conceição Campos comentou:
22/11/2010
Bessa, o enfrentamento desse tema exige de qualquer cidadão duas coisas que você (e a índia Rosi) tem de sobra: coragem e conhecimento. Não é um tema fácil, e eu me senti privilegiada por receber de vocês tantas informações importantes e corajosas. Obrigada.
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Marina Cândido Marcos comentou:
22/11/2010
Quem afinal representa o atraso?
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Tatiana Mendes comentou:
22/11/2010
A cosmologia e cosmogonia indigena não é de conhecimento de todos, claro nem deve! E por nós probre mortais, a maioria com uma visão colonizadora, hierarquica, sempre contrapondo nossa cultura como a unica e perfeita tem infelizmente historicamente aniquilado outras culturas, o programa não é defirente com sua midia alienada e com os sete véus da ignorância. Salve!!! A este texto e a postura da mulher indigena Rosi.
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Paulo Bezerra (2) comentou:
22/11/2010
..que o documentário ""Quebrando o silêncio" com apresentação e direção da jornalista Sandra Terena, trata o assunto "Infanticídio" de maneira séria e sem dar margens a preconceito. Diz Márcia Suzuki "É um equívoco pensar que eles fazem isso porque são cruéis, porque não são. Como também é um equívoco pensar que por ser cultural, ele não sofram. Sofrem sim, e muito, toda a tribo."
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wagner mateus comentou:
22/11/2010
Como indigena fico perplexo, de saber como os meios de comunicação em mãos de pessoas irresponsaveis, podem maquinar e promover a alienação da massa populacional, que esta interessada em apenas saber de fatos tragicos. Sei que a ignorância não é um mau planejado, mas o fato em si, é que querem oferecer uma salvação, ao troco do racismo e do preconceito, o qual vem sendo alimentado nesses mais de 500 anos, será que as pessoas não pensam em seus atos e suas consequencias..... Parabens, prof.
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Eneida comentou:
22/11/2010
Ao construir conhecimento, alargamos nossa ignorância. Informação não é conhecimento. E, independente de qualquer coisa, a cultura permeia todo o nosso 'saber'. Daí, até mesmo a traduação de uma palavra, pode dar o que falar. Temos que abrir nossos olhos e sermos críticos com o que vemos na telinha. Para mim a reportagem foi pensada para defender a audiência e não criança do Brasil nativo.
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Jotapeve comentou:
22/11/2010
Esta carta da índia Rosi é extremamente comovente e lúcida. Aliada à sua crônica mostra com clareza o quanto somos ignorantes nas questões indígenas. Uma anta pode parecer com um elefante mas jamais o será. Na amazônia existem vários povos indígenas, cada qual com suas peculiariedades e culturas que não podem ser analisadas superficialmente sob pena de continuarmos cometendo injustiças contra estes povos já tão vilipendiados pela nossa civilização.
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Bessa (acionado por Roberto e Lais) comentou:
22/11/2010
Roberto, Lais, vcs se ofendem se peço que releiam o texto devagar?Refletindo? Vcs continuam chamando anta de elefante.Ninguém está negando que anta tem tromba e é paquidérmica. Só estamos dizendo que ela PARECE com elefante, mas não é. Isso que vcs insistem em criminalizar como infanticídio PARECE com infanticídio, mas não é. A partir daí, podemos discutir.Ser anti anti-‘infanticídio’ não significa ser pro-‘infanticídio’, apenas q não concordamos com a forma da intervenção.Deu pra entender?
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Paulo Bezerra (2) comentou:
22/11/2010
..que o documentário ""Quebrando o silêncio" com apresentação e direção da jornalista Sandra Terena, trata o assunto "Infanticídio" de maneira séria e sem dar margens a preconceito. Diz Márcia Suzuki "É um equívoco pensar que eles fazem isso porque são cruéis, porque não são. Como também é um equívoco pensar que por ser cultural, ele não sofram. Sofrem sim, e muito, toda a tribo."
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Bessa (acionado por Roberto e Laís) comentou:
22/11/2010
Roberto, Lais, vcs se ofendem se peço que releiam o texto devagar?Refletindo? Vcs continuam chamando anta de elefante.Ninguém está negando que anta tem tromba e é paquidérmica. Só estamos dizendo que ela PARECE com elefante, mas não é. Isso que vcs insistem em criminalizar como infanticídio PARECE com infanticídio, mas não é. A partir daí, podemos discutir.Ser anti anti-‘infanticídio’ não significa ser pro-‘infanticídio’, apenas q não concordamos com a forma da intervenção.Deu pra entender?
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Rogério Che comentou:
22/11/2010
Parabéns por jogar uma luz nessa questão! O texto é muito necessário para denunciar a "pilantropia" de plantão, que explora essa e quaisquer outras problemáticas. Aproveito para sugerir aqui, aos que não tenham assistido, um filme que ilustra muito essa "caridade" que tanto nos condena: Quanto Vale Ou É Por Quilo? de Sérgio Bianchi.
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Paulo Bezerra comentou:
22/11/2010
É lamentável o que ocorreu com a educadora Rosi Waikhon, Porém, isso me parece ainda ser consequência do ódio e do preconceito insuflado pelos malafaias da vida na campanha do Serra. Basta ver o noticiário nacional. É agressão a gays, É perseguição aos negros com ameaça de morte ao Sen. Paim. É agressão aos nordestinos no twitter. E agora, querem atingir os nossos irmãos indígenas. No entanto, vale lembrar...
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Roberto Silva comentou:
22/11/2010
O artigo em nenhum momento nega o Infanticídio, ~e então? Se fala de tudo, menos do FATO que está ocorrendo como o prof. Bessa confirma. Se ele estudou tantos anos os indígenas como ainda nao tem opiniao formada? Pra mim está defendendo a prática.
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Olivio Jekupe comentou:
22/11/2010
Que absurdo que fizeram com nossa grande amiga Rosi, nunca pensei que ainda existiam selvagens que praticam isso...mas tudo bem aos poucos as coisas irão melhorar...
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Paulo Bezerra (4) comentou:
22/11/2010
...tem muita gente dando "picica" na vida dos povos indígenas. É ONG, Ë antropólogo, É Missionário. No entanto, esquecem de denunciar o infantícidio praticado diuturnamente nos hospitais infantis, onde crianças morrem pelo descaso médico, pela falta de medicamentos, pela falta de assépsia, etc.
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Paulo Bezerra (3) comentou:
22/11/2010
...a prática do infanticídio já foi abolida na maioria dos povos indígenas. Dentre os 240 povos indígenas apenas 20 povos ainda mantém essa prática. O que não impede, a meu ver, que esses povos discutam entre sí o que é melhor para seus povos. O que já vem ocorrendo, p ex.: I Seminário Indígena a favor da vida foi realizado em 2008 em Brasília. No entanto...
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Paulo Bezerra (2) comentou:
22/11/2010
...mas, alguem pode dizer: que esses fatos não valem mais para os dias de hoje, ou que a Bíblia não deve ser entendida textualmente, ou o famoso "ah, é um texto fora do contexto". Mas, na verdade tem muito pastor que leva ao pé da letra tudo que alí está escrito. Principalmente quando está de acordo com a sua conveniência. Por outro lado...
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Paulo Bezerra comentou:
22/11/2010
O Infanticídio deve ser combatido em qualquer cultura, religião ou seita. A Bíblia está recheada de práticas infanticidas: a morte dos primogênitos no Egito; o holocausto de crianças como oferenda ao Deus Moloch; a morte de bebes e crianças nos genocídios dos amalequitas (I Samuel 15:3), medianitas (Num. 31:17-18), em samaria (Oseas 13: 16) (Isaias 13:15-16)...
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Paulo Bezerra comentou:
22/11/2010
Finalizado em 2009, o documentário "Quebrando o silêncio" é resultado de mais de três anos de pesquisa em conjunto entre a ONG Atini – Voz pela Vida, a jornalista e documentarista Sandra Terena, que dirigiu o filme, e os cineastas André Barbosa e Christina Devries Barbosa. O vídeo tem 34 minutos e está disponível na internet por meio do link: http://www.vimeo.com/channels/forlife. Sugiro que assistam o documentário e tirem as suas conclusões.
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Lindomar Padilha (1) Blog do Altino comentou:
22/11/2010
O texto é muito feliz e necessário,especialmente neste momento em que os povos indígenas, mais intensamente são tratados como assassinos, bárbaros, animais... e toda sorte de manifestação clara de preconceito. Mais uma vez, a espada lhes vem em nome da cruz da salvação. Sugiro humildemente a leitura do post http://direitopublicoediversidade.blogspot.com/2010/11/um-domingo-espetaculoso-ou-cenas-de-um.html.
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Lindomar Padilha (2) Blog do Altino comentou:
22/11/2010
Aí está de forma clara e analitica o que está por trás do que se decidiu chamar de infanticídio. Vida curta àqueles que se dizendo "de Deus" atuam na defesa da maldade e da exploração dos menos favorecidos.
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Lais comentou:
22/11/2010
A crônica em momento algum nega a existência do infanticídio, tampouco quaisquer dos comentários. Decidam-se: O infanticído indígena existe ou não? No primeiro caso, a gritaria é hipocrisia. No segundo caso, que se processem os que dizem que sim. O que se está fazendo é usar o truque de desqualificação da acusação sem em momento algum negá-la.
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Marcos Aguiar comentou:
21/11/2010
Bessa, paz e bem. Parabens pelo escrito. Vira e mexe este tipo de reportagem aparece a tona. Aí fica claro o despreparo, e tambem o preconceito, com a tematica indigena. Em meu trabalho com indigenas em meio urbano, já vi de tudo e mais um pouco. Até ouvi de alguns vereadores que era impossivel a cidade onde eu moro - São Caetano do Sul em SP - ter indigenas por ser "cidade de primeiro mundo". Uma lastima. Fique bem.
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Esther Arantes comentou:
21/11/2010
Prezado Bessa, O Brasil parece não ter descoberto ainda que sua grande riqueza é a sua diversidade cultural, bem como sua biodiversidade. Temos muito a aprender com os indígenas sobre isto. Espero que não descubramos isto tarde demais.
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Ana comentou:
21/11/2010
Que lindo texto. Parabéns Bessa! Como sempre tua voz é unica e nos permite refletir sobre o tipo de sociedade em que vivemos. É lamentável, mas parece que o tempo não passou. Continuamos ignorando os indígenas desse país. Rosi sou solidária a tua dor - que é um pouco nossa também. Obrigada por tuas palavras.
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Marilza de M.Foucher comentou:
21/11/2010
Hoje domingo triste, chuva e frio aqui na França,imagino que o céu azul do Brasil ficou cinzento com a emissão sensacionalista da TV.Fatos que conhecemos através da crônica do BESSA merecem debate nacional.Vigilância intelectual para que fundamentalistas não se apropriem de temas com objetivo de estimular preconceito racial contra povos indígenas, assim como fizeram com os negros.Agradeço a contribuição do Bessa! É difícil acreditar como o fundamentalismo e a ignorância podem vomitar ódio na TV
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Marilza de M.Foucher comentou:
21/11/2010
Tivemos um domingo triste de chuva e frio aqui na França, imagino que o céu azul do Brasil deve ter ficado cinzento diante da emissão sensacionalista do proprietário da seita da Igreja Universal. Os fatos levados ao nosso conhecimento através da crônica do grande BESSA merecem um debate nacional. Temos que ter a máxima de vigilância intelectual para que os fundamentalistas não se apropriem de certos temas com o único objetivo de estimular o preconceito racial contra os povos indígenas, assim com
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J. Dantas (1) comentou:
21/11/2010
Ministrei curso no Solimões para capacitar profissionais da escola contra formas de violência contra a criança e o adolescente.Tratei os aspectos legais e jurídicos (Estatuto da Criança e Adolescente – ECA). Discuti a Resolução 91/2003 do CONANDA (Conselho Nacional Direitos da Criança e Adolescente),que tem finalidade relacionada às crianças indígenas.Discuti a lei da palmada, projeto 2.654/2003 de uma Deputada do PT que pune “castigos moderados” dos pais, ainda que com propósitos pedagógicos.
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J. Dantas (3) comentou:
21/11/2010
Ministrei curso no Solimões para capacitar profissionais da escola contra formas de violência contra a criança e o adolescente.Tratei os aspectos legais e jurídicos (Estatuto da Criança e Adolescente – ECA). Discuti a Resolução 91/2003 do CONANDA (Conselho Nacional Direitos da Criança e Adolescente),que tem finalidade relacionada às crianças indígenas.Discuti a lei da palmada, projeto 2.654/2003 de uma Deputada do PT que pune “castigos moderados” dos pais, ainda que com propósitos pedagógicos.
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J. Dantas (2) comentou:
21/11/2010
Como havia na sala 5 participantes da etnia ticuna, dei a palavra para se manifestarem.Um deles, de pé, falou meia hora sobre o que é violência contra criança para eles e o que é para nós.Deu verdadeira aula de bom senso,de respeito à diversidade cultural. Ao final disse, enfático e emocionado:“nenhuma lei,nenhuma norma de ninguém vai impedir da gente educar nossas crianças como deve ser;nenhuma lei vai impedir da gente praticar nossos ritos milenares de iniciação e de passagem pra vida adulta”
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J. Dantas (3) comentou:
21/11/2010
E isto porque eu havia dito que se o Estado quer regular até a palmada no interior da família por muito mais irá punir os índios que colocam as mãos de crianças ou de adolescentes nas tucandeiras ou arrancam fios de cabelos para testar a maturidade de seus membros na festa da Moça Pelada.Foi espetacular a discussão, aprendi muito. E saí de lá pensando nos juristas de terno, nos jornalistas de celulares e laptops,nos padres e pastores nos seus altares.Parabéns pela crônica.
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Susana Grillo (1) comentou:
21/11/2010
Querido prof. Bessa, já tinha lido vários comentários sobre esse caso, mas o enfoque que você deu dando voz a uma indígena para analisar as conseqüências do programa da Record e dessa Ong "salvadora" foi brilhante, porque trouxe a emoção de quem sofreu ataques discriminatórios causados pelo sensacionalismo irresponsável dessa mídia de baixíssimo nível e da ATINI. Essa história vai longe.
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Susana Grillo 2) comentou:
21/11/2010
Na semana passada no MEC tivemos uma reunião com uma Perita Independente da ONU para as questões dos direitos culturais dos povos indígenas. Depois de conversamos sobre as políticas do MEC nesse tema ela me fez uma pergunta sobre a veracidade do "infanticídio indígena". Respondi usando muitos dos argumentos da sua amiga Rose. Vou divulgar essa sua crônica para a perita. Um grande abraço que a Rose continue se manifestando sempre em defesa dos povos indígenas.
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Falcão Vasconcellos (1) comentou:
21/11/2010
Meu caro Babá. Pois é, isso que faz a sociedade nacional comovente; comediante, destruinte,genocida, etnocida, me constrange. Os caminhos alternativos da cultura (contra cultura?), da comunicação (da contra comunicação?). Viva a contra-cultura,na via alternativa.Viva a contra-educação,no caminho da libertação Viva a contra-comunicação,na direção da democratização.
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Falcão Vasconcellos (2) comentou:
21/11/2010
Viva a contra-cidadania, na direção de outros mundos possíveis. Viva a contra-ordem-desordem, na trilha de invenções sociais libertárias, plurais, solidárias e tolerantes. Viva povos brasileiros de todos quadrantes,cores e dores. Essa crônica é para ser espalhada por todos os cantos na perspectiva de contribuir no processo de constituição de novas "culturas", pelo menos em âmbito nacional. Valeu meu prezado Babá de priscas eras.
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Falcão Vasconcellos comentou:
21/11/2010
Viva a contra cultura, na via alternativa. Viva a contra educação, no caminho da libertação Viva a contra comunicação, na direção da democratiaação. viva a contra cidadania, na direção de outros mundos possíveis. Viva a contra ordem-desordem, na trilha de invenções sociais libertárias, plurais, solidáriasl e tolerantes. Viva os povos brasileiros de todos quadrantes, cores e dores. Essa crônica é para ser espalhada por todos cantos na perspectiva de contribuir no processo de constituição
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Falcão Vasconcellos comentou:
21/11/2010
Meu caro Babá. Pois é, isso que faz a sociedade nacional comovente; comediante, destruinte,genocida, etnocida, me constrange. Os caminhs alternativos da cultura (contra cultura?), da comunicação (da contra comunicação?), d
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Susana Grillo comentou:
21/11/2010
Querido prof. Bessa, já tinha lldo vários comentários sobre esse caso, mas o enfoque que você deu dando voz a uma indígena para analisar as consequencias do programa da Record e dessa ong "salvadora" foi brilhante, porque trouxe a emoção de quem sofreu ataques discriminatórios causados pelo sensionalismo irresponsável dessa mídia de baxíssimo nível e da ATINI. Essa história vai longe. Na semana passada no MEC tivemos uma reunião com uma Perita Independente da ONU para as questões dos direitos cu
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Virginia Boff comentou:
21/11/2010
Obrigada por salvar o meu domingo, sendo espetacular! rsrs Rosi Waikhon, Bessa, a luta continua. Cada qual com seus instrumentos: vocês com o poder da escrita e eu em sala de aula com meu giz, as crianças e o profundo sentimento de que um dia tudo vai mudar.
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Peagá (Blog da Amazonia) comentou:
21/11/2010
Felizmente, não assisti à famigerada reportagem. E mais felizmente ainda, antes de tudo, tive a oportunidade de ler este artigo, que não só me apresentou uma prática que eu não conhecida da cultura indígena, como foi além e desmistificou preconceitos e lançou novas luzes sobre a catequese universal do reino de Deus.
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João (Blog da Amazônia) comentou:
21/11/2010
Os povos que vivem dentro do território nacional devem ser aculturados. Todo cidadão que viva nos chamados núcleos urbanos estão sujeitos à lei.Qualquer outra palavra contra estas idéias básicas não são nada além de quebra da unidade nacional.Cidadania começa por respeito às leis e aos costumes da convivência em grupo.Este articulista afirma entre outras coisas (absurdos) que a terra indígena não pertence ao Brasil.Defende interêsses estranhos ao Brasil.Saudades dos governos militares.
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Neimar Machado comentou:
21/11/2010
Interessante o artigo da survival. Divulguei a crônica no site do ponto de cultura (www.tekoarandu.org) e via twitter. Parabéns ao Bessa. Escrever é sua arma também.
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César Lemos comentou:
21/11/2010
Comentários e elogios para a postura crítica e vivaz desenvolvida no artigo sobre a "caça às bruxas" dos dias atuais - tão colonialista quanto outrora, são desnecessários.Saudá-lo, entretanto,nunca será demais! Parabéns!Tematizei a mesma questão, na sexta-feira, em todas as salas de aula onde estive. Agregarei ao debatido os argumentos tão bem apresentados por você e Rosi Waikhon. Como dizia o saudoso Che: "Se tremes diante de qualquer injustiça no mundo, então somos companheiros". Salve Bessa!
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Cesar Lemos comentou:
21/11/2010
Os comentários e os elogios para a postura crítica e vivaz densenvolvida neste artigo sobre a "caça às bruxas" dos dias atuais - tão colonialista quanto outrora, são desnecessários. Saldá-lo, entretanto, nunca será demais! Parabéns Bessa! Tematizei a mesma questão, na última sexta-feira, em todas as salas de aula onde estive. Agregarei ao debatido os argumentos tão bem apresentados por você e por Rosi Waikhon. Como dizia o saudoso Che: "Se tremes diante de qualquer injustiça no mundo, então som
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Jane Mesquita (1) comentou:
21/11/2010
O que acontece é que a mídia coloca manchetes na TV para garantir audiência, e não se preocupa com informações que façam as pessoas refletirem. Uma prática indígena que ocorreu e talvez pode ainda existir, ou não, por mudanças que ocorrem em qualquer civilização.A matéria generalizou, incentivou a discriminação.Fala-se tanto em dar um baixa no preconceito, então me diga, o que é isso?
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Jane Mesquita (2) comentou:
21/11/2010
Daqui a pouco tem gente matando índio na rua pra vingar morte das criancinhas, é este terror que a TV Record traz:“o índio como selvagem“. Se pudessem ter acesso à pesquisa relacionada à história, perceberiam que o índio está longe de ser este animal selvagem. Os índios para educarem seus filhos não batem, essa informação não passa para a população.
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Marcos comentou:
21/11/2010
Prezado Ribamar, vou espalhar este texto por aí. abraço
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Vânia Novoa Tadros (e) comentou:
21/11/2010
Temos, no entanto, que compreender o estranhamento da mãe de uma das pessoas que aqui postou como um choque entre culturas. Por isso, o crime da tv torna-se maior.Acredito que os antropólogos que ajudam os indígenas a lutarem pelos pelos seu direitos já estejam debatendo com seus grupos a importâcia de lutar para ter o apoio do Estado, tal qual os brancos, no sentido de propiciar condições de vida as crianças especiais.
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Vânia Novoa Tadros (D) comentou:
21/11/2010
O costume de se matar crianças com defeitos físicos é antiga. A demografia entende esse ato como controle populacional para não haver uma super pressão sobre a produção de alimentos levando o grupo inteiro a crises de fome.
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Vânia Novoa Tadros (C) comentou:
21/11/2010
Errou, terrivelmente, a emissora do Edir Macedo em fazer sensasionalismo com essa matéria expondo culturamente, de forma destorcida povos indígenas. Silvio Pizzarro, não são padres e sim protestantes da mais baixa extração
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Vânia Novoa Tadros (B) comentou:
21/11/2010
Esse tipo de análise só é conseguida quando já aconteceu o mecanismo de defender o OUTRO COM PAIXÃO. A índia Rosi não pode sofrer constrangimento pelas decisões histórica de seu povo. A bem da verdade, nem todos os povos tem o mesmo costume.
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Vilma Melo comentou:
21/11/2010
Consultei o site da Survival indicado por um leitor. A própria ONG reconhece que usou um “truque fotográfico” para filmar o sepultamento de crianças vivas e que sequer foi filmado em uma comunidade indígena, mas numa chácara da Jocum em Brasilia.A ONG admite que a terra que cobre o rosto da criança é, na verdade, bolo de chocolate e os indígenas no filme foram pagos como atores. Quanta enganação!!!
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Vânia Novoa Tadros ( A) comentou:
21/11/2010
Parabéns Babá pela coragem científica de explicar a diferença entre o que é costume de um povo explicado sobre suas potencialidades e necessidades e o resultado de suas irresponsabilidades como é o caso dos brancos que jogam os filhos pela janela
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silvio pizarro comentou:
21/11/2010
Ë vergonhoso que esta plebe de padrecos, se metam a falar, sobre uma coisa, de forma terrivelmente preconceituosa. O pior é que eles apoiam a candidata Dilma Roussef (minha candidata) amarrando de pése maos o futuro acionar do governo. Isto quer dizer que estes fundamentalistas, son muitos..Pelo menos em votos. Essa gente acredita em qualquer coisa.
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Edmundo comentou:
21/11/2010
oi bessa, muito bom, como sempre, ponderando e mostrando todas as posições no campo! essas estruturas preconceituosas de longa duração continuam com suas fantasmagorias... nós, continuamos com os processos pedagógicos, dos quais muitas vezes tua coluna é um instrumento!
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Lilian de Paula comentou:
21/11/2010
Querido Bessa,querido tradutor! Você sabe muito bem puxar uma orelha:sua voz esclarece, pelos exemplos citados, a tendência humana de fazer do outro um reflexo distorcido do próprio 'eu'.O desconhecido é traduzido por aquilo que conhecemos e aí repetimos,de acordo com nossos interesses, nossa visão, nossa imagem. A importância de sua fala, sempre trazendo considerações apropriadas, é uma lição que precisa ser repetida. Estarei passando a lição, que tanto serve aos Estudos da Tradução, adiante!
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Cris Amaral (1) comentou:
21/11/2010
Em primeiro gostaria de parabenizá-lo pela belíssima crônica. Em segundo dizer-te que me constrangi com o constrangimento passado por Rosi. É muito triste saber que apesar do século que estamos vivendo, coisas como estas, no trato racial ainda aconteçam. Neste caso, por diversas maneiras infligidos. Desde a reportagem, a exibição e o efeito causador da mesma. Como dizia meu avó, um saco sem fundo e sem razão de ser.
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Cris Amaral (2) comentou:
21/11/2010
Querida Rosi, me solidarizo com você! Li cada linha e me constrangi. É triste que tudo isso seja de fato pelo capital e somente por ele.Triste situação.Tristes brasileiros.Um país que se diz em desenvolvimento e com perfil tão atrasado.Me senti em 1500, qdo uns diziam estar propagando a fé e outros à procura de bens e terras.Em nome disso, massacraram índios. Hoje, ainda estamos (brancos) à procura de capital, e ainda massacrando índios.A vergonha tomou o meu rosto, sem palavras pra continuar.
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Benedito Carvalho (1) comentou:
21/11/2010
Bessa, vc não sabe o serviço que presta ao divulgar carta com as atrocidades sofridas por ROSI WAIKHON. Mais um fato reforça o preconceito, o racismo e a intolerância que vem ganhando esse Brasil, principalmente nesses tempos.O que aconteceu com Rosi guarda semelhança do que ocorreu com o índio Galdino na rodoviária de Brasília.A carta dela que você publicou é um libelo, um escancaramento do que se passa nesse país que já foi chamado de cordial.Nós,como ela disse, analfabetos da cultura indígena
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Benedito Carvalho (2) comentou:
21/11/2010
Estamos sendo vitimas desses assassinos de almas, muitos missionários que se escondem atrás do discurso da salvação, mas por trás têm interesses obscuros que envolvem milhões de dólares. Para eles não interessa conhecer a cultura desses povos, mas sim criar fatos sensacionalistas que justifiquem a expulsão das tribos de suas terras. Eles se preocupam, por ex.com as centenas de indios que perderam suas terras quando foram construídos os trechos de suas terras e vivem desenraizados de sua cultura?
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Benedito Carvalho (3) comentou:
21/11/2010
Eles se preocuperam com o suicídios de várias tribos porque suas vidas perderam o sentido? A carta de Rosi nos fala de tantos outros homicídios que vem sendo cometido pelos brancos ao longo da história. O mais trágico é que neste momento as vitmas estão sendo transformadas em culpadas. Lamentável. À pouco tempo, na campanha eleitoral, era a Dilma que queria matar as criancinhas e agora são os indios. Coincidência
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Renatho Athias comentou:
21/11/2010
Bessa, legal, gostei dessa crônica e merece ser continuada. Em baixo coloco um link da página da Survival sobre esse assunto: http://www.survivalinternational.org/about/hakani
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Nathália Teixeira (1) comentou:
21/11/2010
Enquanto lia a crônica, lembrei conversa com a minha a mãe dias atrás, justamente sobre essa matéria:a crueldade dos índios em condenar a morte seus próprios filhos, e uma morte dolorosa, pois crianças são enterradas vivas.Lembro a frase da mãe: É inacreditável que em pleno séc. XXI ainda perpetue esse tipo de coisa.Como minha mãe, muitos ficaram impressionados com a reportagem e inconformados com a barbárie que assistiram pela televisão e por um programa jornalístico relativamente respeitado.
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Mauro Souza comentou:
21/11/2010
Babá, não sou conhecedor - nem em nível básico - do tema tratado, mas sua lucidez, lógica e reflexão me levam além do cotidiano da padaria e dos engarrafamentos. Obrigado por abrir espaço para quem não tem voz nem vez e trazer à tona um assunto que certamente passaria despercebido por mim. Obrigado por me dar elementos para pensar e refletir. Parabéns e um abraço.
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comentou:
21/11/2010
Nathália Teixeira (1) Enquanto lia a crônica, lembrei conversa com a minha a mãe dias atrás, justamente sobre essa matéria:a crueldade dos índios em condenar a morte seus próprios filhos, e uma morte dolorosa, pois crianças são enterradas vivas.Lembro a frase da mãe: É inacreditável que em pleno séc. XXI ainda perpetue esse tipo de coisa.Como minha mãe, muitos ficaram impressionados com a reportagem e inconformados com a barbárie que assistiram pela televisão e por um programa jornalístico rel
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Nathália Teixeira (2) comentou:
21/11/2010
Não vou defender tribos indígenas que ainda estão inseridas na cultura, mas o que deve ser feito em 1º lugar é respeitar esse povo e tentar entender antes de qualquer intervenção ou rotulá-los de índios maus.Pois isso é grande hipocrisia.Em nossa história quantos genocídios,infanticídios e mortes sem razão foram cometidas pelo homem em nome da Igreja Católica, em nome de Deus, de um Rei ou Rainha? Nossa cultura é tão assassina quanto a deles, porém é mais fácil enxergar o problema do vizinho.
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Nathália Teixeira (3) comentou:
21/11/2010
Uma coisa me deixa irritada é que a mídia deveria ter responsabilidade pelo que afirma em seus programas. São formadores de opiniões e muitas pessoas aceitam aquilo como verdade absoluta e não tentam verificar.É muito conveniente a emissora do Edir Macedo fazer esse tipo de reportagem, discriminando índios e elevando missionários. Outro dia vi reportagem sobre índios que estavam sendo convertidos, se tornando evangélicos,será só coincidência ou não teria um motivo por trás dessa nuvem de fumaça?
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Nathália Teixeira (4) comentou:
21/11/2010
A morte de crianças ou de pessoa em qualquer estágio da vida é muito complicado e triste, pois deveríamos prezar a vida. Mas isso não é motivo para impor novamente a visão do homem branco para essas tribos, impor nosso olhar etnocêntrico.É motivo para um diálogo e intervenção do Estado sim, aonde lhe couber, como melhoria na saúde, educação e infra-estrutura.Caso contrário estaremos demonstrando que apesar de passado centenas de anos, continuamos os mesmos "colonizadores".A crônica é espetacular
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Andreas Valentim comentou:
21/11/2010
Muito bom, como sempre, caro Bessa.
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Giane Lessa (1) comentou:
21/11/2010
Sem comentários... o que dizer? 500 anos, caminhamos para 600 e, ainda assim, não foram suficientes para diminuir a ignorância sobre os povos indígenas - depois, eles é que são burros, ignorantes... quase 600 anos e o que a sociedade \"civilizada\" sabe? Que respeito? Que conhecimento? Que superioridade? Que avanço? Que diálogo? O oportunismo sai de todos os lados, para continuar explorando, matando, desintegrando. Isso não pode acontecer sem que primeiro haja humilhação, depreciação, etc, etc
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Leandrius comentou:
21/11/2010
´´Ao contrário, o que os antropólogos estão dizendo, para horror do agronegócio interessado nas terras indígenas, é que índio não deixa de ser índio porque usa computador e celular.´´ tinha que sobrar para o coitado do produtor rural brasileiro, o que eles tem haver com os indios matarem suas crianças?
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Giane Lessa (2) comentou:
21/11/2010
Chorei ao ler o texto. Basta fazer o simples exercício de se colocar no lugar deles, imagine as pessoas gritando, agredindo verbal ou fisicamente, anunciando na TV e você numa situação em que seus recursos não são os mesmos. A sua voz não tem o mesmo alcance, o seu saber não tem a mesma legitimidade etc etc etc. Chorei de raiva, de impotência.
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Alessandra Marques comentou:
21/11/2010
Quando assisti,pensei que havia interesse maior escondido na matéria a qual, provavelmente, estava truncada.Fui buscar informação na Internet, ouvir várias visões de estudiosos com trabalho sério, mas infelizmente poucas pessoas fazem o mesmo. Dizer “a notícia é truncada” é pouco. Lamentável, isso só aumenta a desinformação em relação a população indígena, marginalizando-as. E a história se repete. Antes os Orellanas, hoje a grande mídia - records, globos e vejas da vida - a serviço do mal.
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Alessandra Marques comentou:
21/11/2010
Bessa, quando assisti essa reportagem logo pensei que havia algum interesse maior escondido na matéria a qual, provavelmente, estava truncada. Fui em busca de informação na Internet, sempre busco ouvir várias visões e respeito estudiosos com trabalho sério, mas infelizmente poucas pessoas procuram fazer o mesmo. Assim, percebi que dizer que a notícia era truncada é pouco. Lamentável, isso só aumenta a desinformação em relação a população indígena, marginalizando-as. E a história só se repete, an
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Veronica comentou:
21/11/2010
Muito duro tudo isso, sou professora de etnoconservação e sempre me impressiono com a ignorância e preconceito existente contra as populações indígenas até no ensino superior. Lamentável! Precisamos da mídia comprometida com a diversidade brasileira, do espaço indígena, da voz e pensamento indígena a nos contar sobre seus modos de vida e suas formas de ve-la.Muita luta ainda pela frente, parabéns e muita força pra quem já está nela!
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benedito Carvalho comentou:
21/11/2010
Bessa, você não sabe o serviço que presta ao divulgar essa carta descrevendo as atrocidades sofridas por ROSI WAIKHON. Mais um fato reforça o preconceito, o racismo e a intolerância que vem ganhando contornos nesse Brasil, principalmente nesses tempos. O que aconteceu com a Rosi guarda a mesma semelhança do que ocorreu com o índio Galdino na rodoviária de Brasília. A carta dela que você publicou é um libelo, um escancamento do que se passa nesse país que já foi chamado de cordial. Nós, como ela
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Giane comentou:
21/11/2010
Bessa, sem comentários... que dizer? 500 anos, estamos caminhando para 600 e, ainda assim, não foram suficientes para diminuir a ignorância sobre os povos indígenas - depois, eles é que são burros, ignorantes... quase 600 anos e o que a sociedade "civilizada" sabe? Que respeito? Que conhecimento? Que superioridade? Que avanço? Que diálogo? O oportunismo sai de todos os lados, para continuar explorando, matando, desintegrando. Isso não pode acontecer sem que primeiro haja humilhação, depreciação
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roberta comentou:
21/11/2010
Bessa, queria te dizer um monte de coisas, mas não consigo. Fica apenas com o meu muito obrigada. saude para você!!
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Evelyn Orrico comentou:
21/11/2010
Bessa, você, como sempre, antenado e atuante. Acho suas crônicas um primor de divulgação científica e de conscientização sociopolítica.Um trabalho constante e muito oportuno. Parabéns!
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Cris Amaral comentou:
21/11/2010
Li cada linha da índia Rosi e me constrangi em diversos momentos. É triste que tudo isso seja de fato pelo capital e somente por ele. Triste situação nossa. Tristes brasileiros. Um país que se diz em desenvolvimento e com perfil tão atrasado. Me senti em 1500, quando uns diziam estar propagando a fé e outros a procura de bens e terras. E em nome de tudo isso, massacraram índios. E infelizmente hoje, e agora percebo, que ainda estamos (brancos) a procura de capital, fé, capital e ainda massacrand
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Francisco Edviges Albuquerque comentou:
21/11/2010
Meu nobre amigo, sua crônica é espetacular. Maravilhosa. Parabéns e um grande abrço do amigo Francsico Edviges
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Jorge da Silva comentou:
21/11/2010
Penso que esse fato envolve um jogo de fama, projeção e poder, alguém está tentando tirar proveitos, porém uma coisa sei, a verdade triunfará, penso que esse tipo de acusação poderá ser coisa de latifundiário.
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Rildo Marques comentou:
20/11/2010
eu diria que são raríssimos os "misionários" comprometidos com o bem estar da população indígena no Brasil. o restante, ou seja, a maioria são picaretas à serviço do capitalismo selvagem.
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