CRÔNICAS

BELÃO: E NO NAJI NÃO VAI NAHAS?

Em: 13 de Julho de 2008
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- Estou muito ansioso, tenso, excitado, com os nervos à flor da pele. Fico irritado com muita freqüência, me torno agressivo com as pessoas à minha volta. Isso se alterna com um sentimento de cansaço, de fadiga. Às vezes, uma tristeza repentina toma conta de mim, dá vontade de chorar, um choro fácil, sem motivo aparente. Aí, vem a desesperança, entro em profunda depressão. Que doença é essa, doutor? Ela tem cura?

- Anote aí, doutor – eu disse, recitando 33 nomes equivalentes à escalação de três times de futebol: Naíde, Alfredo, Orlando, Lívia, Jorge, Nara, Marcos Vinícius, George, Zélia, Augusto, Tânia, Daniele, Derli, Marcos José, Frederico, Arabela, André, Lúcia, Luzia Aldenise, Surama, Leandro, Miriam, William, Ricardo, Marcelo, Estevão, Waldirene, Victor, Vinícius...

Tribulins e Alelins

Aí uma intensa fadiga se apoderou do meu corpo. Lembrei que desde 1994 estamos lutando inutilmente. Na época, os repórteres Sérgio Bartholo e Ivânia Vieira revelaram que na folha de pagamentos do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) figuravam 47 Lins de Albuquerque. Um deles, um menino, de 14 anos, ganhava os tubos como auditor. Os Lins eram os donos do TCM, que foi apelidado de Tribulins. Agora, a família, com igual voracidade, privatizou a Assembléia Legislativa, criando a Alelins.

- E o choro sem motivo? – quis saber o médico. Gemi: - “Foi ontem. Constatei que na vida real, da mesma forma que nas telenovelas, os desonestos sempre ganham. Depois do Tribulins, da Alelins, o próximo passo é a Amazonlins, eles vão privatizar o estado do Amazonas, vão tomar conta de tudo”.

Diante de meu estado de profunda depressão, antes de diagnosticar o médico fez uma última pergunta: - “Quais foram os últimos fatos que te chocaram?”. Contei-lhe que foi a comparação de duas notícias: uma local, revelando a morosidade da Justiça e outra nacional, evidenciando sua rapidez.

- Doutor, não agüento mais os deboches e as mutretas do Belão, as tramóias do Adail, do Zé Mello Merenda e do Eduardo Braga, as trapaças do Daniel Dantas, do Naji Najas e do Celso Pitta, as chicanas de seus advogados, os trololós jurídicos do ministro Gilmar Mendes que me provocam vergonha. Como é que um ministro do Supremo prefere acreditar no acusado de vários crimes e não em um colega seu, juiz, que faz parte do Poder Judiciário? Estou deprimido, estou adoecendo diante da promiscuidade entre banqueiros, juízes, políticos, advogados, todos eles engravatados, encasacados em paletós e colarinhos brancos, sacaneando o povo brasileiro.

- O senhor me dá essa avaliação por escrito – pedi, antes de pagar a consulta. Ele respondeu sem hesitar: - E no naji não vai najas?

 

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