CRÔNICAS

FALA, LEITOR !

Em: 01 de Julho de 2001
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O leitor está revoltado. Não lhe tiro a razão. As cartas enviadas à coluna protestam: o juiz Nicolau Lalau, fora da cadeia, comendo tranquilamente pizza em seu palacete no Morumbi! Gilberto Mestrinho escolhido presidente do Conselho de Ética do Senado! Cinco milhões de reais liberados pela Sudam para construir um centro comercial em Manaus vão parar no exterior, numa conta particular de um paraíso fiscal! O São Raimundo é goleado pelo Cruzeiro, num vergonhoso 5 x 1. Vamos-e-venhamos: assim não é possível!
As intrigas vencem até na novela: Guma e Livia continuam separados e Adma Guerreiro, a assassina, goza de total impunidade. Essa vitória do mal contra o bem deixava minha tia Ernestina, já falecida, desesperada: "o Capiroto não pode vencer Deus", ela dizia, com os lábios trêmulos, diante do aparelho de tv, sem perceber que há males que vêm para o bem. Por exemplo, a "armação" do Felix Guerreiro prejudicou o Guma, sim senhor, mas em compensação contribuiu para o pescador deixar de ser leso e beliscar a Camila Pitanga - um poço de sensualidade. 
Os protestos e queixas dos leitores são muitos e não cabem todos no espaço desta coluna. Por isso, selecionamos duas cartas: uma, para variar, sobre a Maternidade Balbina Mestrinho, muito apropriada para quem está discutindo a luta do bem contra o mal. A outra, sobre obras públicas em Manaus. 
BISCOITO SECO
O autor da primeira carta é um amigo do "Pão Molhado", funcionário da Maternidade, que prefere ficar incógnito. Vamos chamá-lo de "Biscoito Seco". Ele envia cópia da matéria assinada pela jornalista Kátia Brasil, da Agência Folha de São Paulo, em Manaus, informando que uma comissão de médicos formada pelo Ministério Público do Amazonas concluiu que foi alto o índice de mortalidade infantil na UTI neonatal da Maternidade Balbina Mestrinho, em Manaus, entre setembro e dezembro de 2000. A doutora Luisa Mendonça tem, portanto, razão, com as denúncias que fez.
A notícia informa que o promotor Públio Caio Cyrino recebeu o relatório, comprovando que a taxa de mortalidade na UTI ficou em 67,9 por mil bebês nascidos vivos contra 30,16 no mesmo período em 1997. No Brasil, o coeficiente foi de 29,36. Por isso, foi aberto um processo pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas contra a direção da Maternidade. Os outros períodos não puderam ser analisados, porque os livros sobre as mortes dos bebes e os registros de plantões - pasmem! - foram extraviados. Desapareceram.
Em vez de responder concretamente por que os bebés morrem, na Balbina, e onde estão os livros de registro, a direção apronta "armações". Vejam só o que o "Biscoito Seco", nosso espião da Maternidade, mandou dizer, por escrito. Fala, Biscoito Seco! Câmbio!
"Você precisa tomar conhecimento da conversa que anda rolando na Maternidade Balbina Mestrinho sobre a sua pessoa. No dia 20 de junho, uma reunião foi feita com os agentes administrativos e no dia 21 com os assistentes técnicos. Depois com os médicos e assim sucessivamente. Numa delas, estava eu. Conto o que ouvi". 
"Entre outras, ouvi coisas do tipo: A partir de agora ninguém mais pode entrar sem crachá; as visitas que entrarem na Maternidade terão seus nomes anotados e para sair terão que devolver o crachá: Visitante...blá, blá, blá. Lá pelas tantas tocaram no seu nome, não como Ribamar, nem como Bessa. Tua alcunha é Taquiprati (ou Tá Lá, como diz a Nilce, he, he, he). O que foi dito, acabou intrigando a parte 'oposicionista' da direção geral". 
"Meu amigo, meteram tua irmã na história. Aliás, numa reunião era tua irmã, na outra já era tua sobrinha, e assim ficou, variando entre sobrinha e irmã. Bom, deixando o parentesco para lá. Foi dito que tua irmã/sobrinha apareceu na Maternidade com "o rabinho entre as pernas" (são palavras da Dra. Ângela) com uma carta nas mãos escrita por você, dizendo que ela (sua irmã/sobrinha) havia tido um RN (recém nato - é assim que se chama bebê na linguagem hospitalar) na Maternidade Santa Rita e tal RN estava mal, por isso você escreveu uma carta, pedindo uma internação na UTI da Balbina, o que foi devidamente feito".
"Esse fato explicaria porque você parou de escrever sobre a Balbina. A Dra. Ângela terminou dizendo: 'Tá vendo, pessoal? Ë só entregar nas mãos de Deus e quem trabalha sempre é reconhecido. Tudo é força. Só Deus é Poder!' Tem gente que acreditou na Dra. Ângela. Eu não! Confio na sua dignidade. Gostaria, contudo, de ouvir a sua versão. Você mandou mesmo uma carta, pedindo desculpas à direção? Sua irmã ou sobrinha foi mesmo internada?
 P.S. Não esquece que eu não tenho nome... sou anônimo, ok? 
Ok, "Biscoito Seco"! Positivo! Câmbio! Obrigado pela confiança! O último lugar para onde enviaria uma irmã ou sobrinha gestante, seria a Balbina. Aconselhe aos crédulos pedir cópia da tal carta. Aí, você verá, que na Balbina, com essa direção, até as "armações" e intrigas já nascem mortas. O capiroto não pode vencer Deus, como dizia tia Ernestina. Ok? Câmbio!.
GASTOS
Na outra carta, a leitora diz logo de saída: "Meu nome é Lilian Ibin e não me importo de ser identificada". Fala, Lilian!. Câmbio! 
"Outro dia, no "meu" ônibus, voltando pra casa, vou dando de "cara" com obras e reformas em diversos pontos da cidade. Ao lado de cada obra, tem uma placa e nela aparece escrito o valor e é aí que "o bicho pega". Obras avaliadas em milhões, milhões mesmo, parei até pra contar os zeros. Essas obras parecem ser boas, mas queria saber de onde vem tanto dinheiro e em que ele está sendo gasto. De um certo tempo para cá apareceram obras "do nada". 
"Vou citar algumas delas: na bola da Suframa (perto do Shopping Cecomiz, pra banda do distrito industrial) tem uma obra que até hoje desconheço que diabo é "aquilo", só sei que tem do lado uma placa dizendo: "Governo federal blá blá do turismo" e em outra "governo do estado" e uma outra "valor 15 milhões". Sinceramente, acho que vão produzir uma pista para pouso de extraterrestres ( taí, uma boa: incentivo à cultura e turismo na vinda de nossos amigos do espaço para cá!). Por favor, se você conseguir descobrir do que se trata essa obra, escreva para nós sabermos". 
"Continuando meu passeio de coletivo, passo em frente a um hospital no qual uma placa ao lado diz: "em reformas, valor 15 milhões ". Logo abaixo, uma sigla "COP " (a polícia é que não pode estar monitorando isso). Daí paro e penso como pode uma obra em construção custar o mesmo de uma que está em reformas? A mão-de-obra é de ouro? O material é em pó de ouro? Eles comem ouro? Por isso precisam de tanto material? Daí o motivo de tantos gastos? Sinceramente não sei. Quem sabe talvez com sua ajuda eu passe a saber (e tantos outros)". 
"Pra tentar esquecer, desvio minha atenção para o outro lado da rua, sem sucesso, pois tem um prédio que será utilizado pela UEA e está em reformas de 5 milhões também. Sem contar com reformas de escolas, que duram desde o início do ano e ainda não terminaram, tanta gente querendo estudar e não pode porque a "escola" AINDA está sendo banhada a ouro! As reformas não param mais, todo dia aparece um lugar novo, por um lado parece ser bom, por outro ninguém sabe de onde surge tanto dinheiro, pode-se imaginar muitas coisas e acredito que você também esteja imaginando isso". 
Eu, hein, Lilian! Não me mete em confusão, pelo amor de Deus! Depois as empreiteiras vão inventar que a casa de algum parente meu caiu e eu fui pedir penico delas para reconstrui-las. Eu, hein! 

De qualquer forma, as preocupações da Lilian são legítimas, seguramente compartilhadas por outros leitores, e merecem explicações. Quem souber de alguma coisa, me avise, para que eu possa notificar os demais. Ok? Câmbio!.

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