CRÔNICAS

PACU, PACUZINHO E PACUZÃO

Em: 10 de Setembro de 2006
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Semana da Pátria. Caminho pela estradinha sem asfalto, no interior de Santa Catarina, carregando meus 59 anos, 76 quilos e um paneiro cheio de lembranças do bairro de Aparecida. É um fardo pesado. Levo comigo desilusões, algum medo e um resto de esperança. Vim aqui dar aulas de história num curso de formação de professores indígenas. Repasso para eles o que descobri nos arquivos: documentos contando os segredos do ‘homem branco’, suas armadilhas e trapaças. Esse é o meu papel.
Em troca, os guarani, com cativante doçura, me dão lições de resistência e de fé na vida. Ensinam como manter a integridade e como preservar a língua, a religião e a memória durante cinco séculos, tendo que enfrentar balas, escravidão, invasão e roubo de terras, preconceito e discriminação. Com uma fé comovente que contagia o ateu mais empedernido, eles confiam em Nhanderu, para quem sempre rezam. “Taí - penso – um bom tema para a coluna desse domingo: a fé e a resistência guarani”.   
No final da estrada, já no trecho asfaltado, encontro o que procurava: um hotelzinho com internet. Lá, confiro minha correspondência. Recebo uma enxurrada de mensagens, contendo os votos de leitores nos candidatos ao troféu ‘Pacuzão de Ouro’, criado pelo Taquiprati para homenagear as autoridades amazonenses que mais se destacaram no uso de verbas públicas em proveito pessoal. Mudo, então, de tema. Vou de pacu.  
Normas pacuzais
Publico aqui algumas mensagens selecionadas, que sugerem normas para a organização do pleito e manifestam o voto. Hagá Pereira, por exemplo, propõe que cada (e) leitor possa votar em quatro candidatos ao Pacuzão de Ouro: um do executivo, outro do judiciário e dois do legislativo (vereadores e deputados). Ele declara seu voto:
“Wallace Souza ganha o Pacuzão de Ouro da Assembléia. Na Câmara, é Di Carli, que desde neném se beneficiou com as mutretas do pai, dono de uma senhora folha corrida. No Executivo, meu voto vai para quem conquistou mordomias puxando saco dos poderosos: Roubério Braga. Quanto ao Judiciário, estou aguardando que o Amazonino Mendes diga quem são os juízes que vendem sentenças”.
Opinião diferente tem outro leitor, o Bebeto, que coincidentemente também é Pereira. Para ele, “o principal candidato ao Pacuzão de Ouro é indiscutivelmente o eterno vice-governador Omar Aziz, com sua ânsia por uma aposentadoria de R$ 20 mil, seus ressarcimentos e sua perícia em desgraçar vidas de cidadãos”.
Já Rodrigo propõe que haja três tipos de troféu: Pacuzão de Ouro, Pacu de prata e Pacuzinho de bronze, contemplando família, partido e indivíduos: “O Pacuzão é pra família Lins: Belão, Atila e parentes que mamam, famintos e insaciáveis, nas tetas governamentais. Eles são símbolos da impunidade. O Pacu vai para o PFL. E o Pacuzinho vai para o Big Black, pois ele come, se lambuza, e nada lhe acontece”.
Quem não concorda com o voto no Big Black é Lino Baptista: “Jamais votei, não voto e nunca votarei no Negão, nem mesmo para o troféu Pacu de Ouro. É uma questão de princípio. Voto no Eduardo Braga”. Lino apresenta uma lista de sete pecados cabeludos do atual governador e me critica: “Não consigo entender seu silêncio sobre as pilantragens desse filhote do Negão”. Critérios pacuzais
Alguns acham que o eleitor está desinformado. Israel Malina, cauteloso e consciente, cobra: “Estou fazendo um ‘apanhado’ da vida pregressa de alguns dos nossos mais célebres políticos locais para votar corretamente. Você tem como me ajudar, por exemplo, com dados sobre Belarmino, Átila, Omar, Ari Moutinho, Azedo e outros?”
Outro leitor – o Mirandinha - estabeleceu critérios para orientar a escolha: “Pacuzão de Ouro? Todos aqueles que no Amazonas tiveram envolvimento com a Polícia Federal: Amazonino, Cordeirinho, os Tribulins, Pauderney, Sabino”. Mas Alberto Calha acha que é pouco. Quer critérios políticos. Por isso, escolhe Gilberto Mestrinho: “Quem esculhamba o João Pedro, ou chupa vidro ou mastiga peido”.
Por outro lado, Paulo Gallo Jr. escancara: “Voto no Amazonino, o “pai” da Segurança Pública, que só fez cagadas. Comprou em Miami manduquinhas refugadas Ford Explorer, negócio intermediado pelo ex-senador Di Carli. Adquiriu 80 viaturas Dodge Dakota, por intermédio do Zé Lopes, embora no Brasil não tivesse manutenção. Nunca funcionou o sistema de rastreamento de viaturas, denominado CIOPS, comprado por 3 milhões de dólares por influência do Samuel Hanan”.
No meio de toda essa confusão, o militar da reserva, Domingos Sávio K. Mussa, entra com um recurso no TSE, pedindo a impugnação da candidatura do Negão ao Pacuzão de Ouro por entender que ela está sendo favorecida por propaganda exclusiva: “Só tem um candidato para o Pacuzão de Ouro? Cadê os outros?”.
Primeiro turno
Abro as urnas e conto os votos. Os resultados são surpreendentes, mostrando que as pesquisas de boca-de-urna realizadas pelo Dataquiprati estavam todas equivocadas. Votaram 28 (e) leitores, mas como alguns escolherem mais de um candidato, houve um total de 60 votos, assim distribuídos.
  • Omar Aziz – 14
  • Belarmino Lins – 12
  • Big Black e Pauderney – 9
  • Robério Braga - 7
  • Cordeirinho e Átila – 6
  • Sabino e Balieiro – 5
  • Boto, Alfredo e Wallace – 4
  • Di Carli e Lupércio – 2
  • Di Carlito e Eduardo - 1
  
A coluna concorda com os (e) leitores descontentes. Realmente, as pessoas não sabem votar. Não é possível deixar num humilhante terceiro lugar o Big Black, com uma invejável folha de serviços prestados em causa própria. Omar Aziz, em que pese seus méritos, acabou na pole position, porque foi beneficiado por recente exposição na mídia, decorrente de sua aposentadoria.
Lembramos a todos que a eleição terá quatro turnos, realizados em cada domingo de setembro. Não anule seu voto. Não vote em branco. Vote em Negão. Ele merece ir pras cabeças. Todos aqueles que estão torcendo pelo Big Black devem rezar a Nossa Senhora Aparecida, para que nos ilumine na hora de votar. Você, que está de fora das mamatas, entre no www.taquiprati.com.br e vote. Esse é o grito dos excluídos.
P.S. - A coluna perde uma fiel leitora: dona Amazonina, mãe do professor de História da UFAM, Hideraldo Lima da Costa, faleceu sexta-feira. À família enlutada, nesse momento de dor, a nossa solidariedade.

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