CRÔNICAS

UM ADEUS A MÁRIO DIOGO, PEDAÇO DA HISTÓRIA DO ACRE

Em: 16 de Agosto de 2017 Visualizações: 1457
UM ADEUS A MÁRIO DIOGO, PEDAÇO DA HISTÓRIA DO ACRE

Com 104 anos, Mario Diogo de Melo, ex-prefeito de Boca do Acre, e ex-deputado estadual em dois mandatos consecutivos, faleceu na segunda-feira (14) em Manaus. Seu corpo foi velado no saguão da Assembleia Legislativa. Nascido em 15 de março de 1913, no seringal Bemposta, ele atuou como advogado na defesa de pessoas pobres, convidado pelo Juiz de Direito Arquilau Moreira Sá Peixoto. Candidato a prefeito de Boca do Acre, venceu as eleições com 80% dos votos, assumindo o cargo em janeiro de 1950. Foi ele quem inaugurou a primeira usina de energia elétrica do município.

Mário Diogo escreveu vários livros entre os quais “Do Sertão Cearense às Barrancas do Acre”, “Boca do Acre, seus povoadores”, “Memórias” e “Cenários de Fantasias”, um livro de poesias, que chegou a ser premiado em Brasília. Uma de suas filhas que reside em Paris - Marilza de Melo Foucher, casada com o engenheiro francês Pascal Foucher –  escreveu em março de 2009 o poema abaixo dedicado ao pai, transcrito pela coluna Taquiprati.

LOUVOR AO TEMPO INFINITO

Para meu pai com fraternura cabocla.

Ah! Se eu pudesse parar o tempo…
O amarraria numa bela arvore,
Como símbolo perene de vida,
Nascer, viver e morrer.
Transformaria em nascer e renascer.
Todo ser humano solidário,
Em harmonia com o ser e ter,
Respeitoso da mãe-terra.
Teria o direito ao renascer.
Com intervalo para meditação.
Um tempo pra repensar os erros,
e escrever um poema-testamento,
Ao viandante inconsciente do tempo,
Amante eterno da natureza.
Menino nascido na Amazônia,
Coletor de leite seringa,
Cortador de lenha, vaqueiro.
No aconchego das arvores,
Ele buscava sombra e repouso,
O menino sonhava…
Escutando os cantos dos pássaros,
A sonoridade do sopro do vento,
Ele adorava os ruídos da floresta,
Nas asas da imaginação viajava,
Ele percorria o mundo,
E viajava pelo tempo-futuro,
Ancorado no infinito do tempo.
O menino da Amazônia
Louva a vida em tempo presente.

Marilza de Melo Foucher
Março 2009

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1 Comentário(s)

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Selma Vidal comentou:
19/08/2017
Ah, se a gente pudesse parar o tempo, para curtir infinitamente os seres amados. Belo poema.
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