CRÔNICAS

A CANONIZAÇÃO DE ANCHIETA: O SANTO DO PAU OCO?

Em: 06 de Abril de 2014 Visualizações: 30728
A CANONIZAÇÃO DE ANCHIETA: O SANTO DO PAU OCO?

“Para este gênero de gente não há melhor  pregação  do que a espada e a vara de ferro, na qual  mais

do que em nenhuma outra é necessário que se cumpra o “compelle eos intrare”.   (José de Anchieta 1563) * 

Que Nhanderu me perdoe, mas não consigo me alegrar com a canonização de Anchieta decretada na quinta-feira pelo Papa Francisco. Enquanto a cerimônia era celebrada lá no Vaticano, com a presença de Temer, Renan Calheiros e a fina flor da pilantragem - por que será? -  aqui no Brasil os sinos das igrejas bimbalhavam festivamente, sem que as badaladas tocassem meu coração. Bem que me esforcei para compartilhar o júbilo de meus compatriotas com "o terceiro santo do Brasil". Inutilmente.
A incapacidade de participar da comunhão nacional gera um angustiante sentimento de exclusão. Já havia acontecido comigo na morte de Tancredo Neves espetacularizada pela mídia. O Brasil inteiro em prantos e eu, de olhos secos, coração endurecido. Só chorei a morte de Ulisses Guimarães, o homem que enfrentou os cães da polícia e que tinha nojo da ditadura.
Mas por que não festejar o novo santo? Porque creio que ele é do pau oco. A expressão usada aqui como metáfora não pretende desrespeitar a fé de ninguém. Acontece que para alguém ser santo, precisa comprovar pelo menos dois milagres. Anchieta foi dispensado disso pelo 'poder de chave' do Papa que usou o sensus fidelis, isto é, o sentimento dos fiéis, entre os quais estão minhas nove irmãs. Porém, como a sabedoria popular já comprovou que santo de casa não faz milagre, não é por isso que ele é do pau oco. É por causa do contrabando, do que está por trás da canonização.
Santo do pau oco - nos ensina Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro - se refere às "imagens de santos, esculpidas em madeira, que eram ocas e vinham de Portugal cheias de dinheiro falso". Essas estátuas, de diversos tamanhos, serviam também para contrabandear ouro e pedras preciosas. Sendo o poder da religião incomensurável, os fiscais não tinham coragem de abrir o santo para checar a muamba que continha. Se é assim, cabe perguntar: qual é o contrabando trazido de Roma com a canonização de Anchieta?
Devagar com o andor
É preciso abrir a imagem do novo santo para verificar o que ela esconde em seu interior. O diretor da Faculdade de Teologia da PUC/SP, padre Valeriano Costa, deu uma pista, quando definiu que a canonização "é uma grande oportunidade para a Igreja cultuar esse santo e se lembrar de alguns dos valores que pregava" (O Globo, 04/04/14). O que se está canonizando com Anchieta, portanto, é o trabalho missionário de catequização, conversão e "civilização" dos povos indígenas.
É disso que se trata. Dentro da imagem do santo, estão os valores da catequese empreendida pelos jesuítas sob os auspícios da Coroa de Portugal. Segundo o historiador Gabriel Bittencourt, autor de um livro sobre Anchieta, ele foi "um homem que soube lidar de forma diplomática com os índios, aprendeu o tupi-guarani, escreveu a primeira gramática da língua e estudou as crenças para montar peças teatrais que ajudassem os nativos a entender as lições de catecismo".
Onde vais tão apressado, periquito tangedor? Devagar com o andor, que o santo é de barro. Os meios usados por Anchieta nem sempre foram diplomáticos, como comprovam as cartas que ele escreveu, algumas delas publicadas em agosto de 1980 pelo Porantim, jornal do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) editado, na época, em Manaus. Numa delas, Anchieta trata os Tupinambá como "inimigos carniceiros" e se rejubila por haver conseguido jogar os índios uns contra os outros nos conflitos entre portugueses e franceses: 
"E
 foi coisa maravilhosa que se achavam e encontravam a flechadas irmãos com irmãos, primos com primos, sobrinhos com tios e mais ainda dois filhos que eram cristãos e estavam do nosso lado contra seu pai que estava contra nós".

A representação dos índios no discurso de Anchieta pode ser avaliada nos versos do poema épico "De gestis Mendi de Saa", escrito em latim para elogiar o poder na pessoa do governador-geral Mem de Sá. Lá os índios são "lobos vorazes, furiosos cães e cruéis leões que nutriam o ávido ventre com carnes humanas". Estes índios "selvagens e animalescos" abandonaram Deus e precisavam ser catequizados para escaparem "das garras de Satanás".
O inquestionável trabalho de Anchieta no campo da linguística, longe de servir para reconhecer as culturas indígenas, foi usado para destruí-las. A gramática que ele fez da língua geral se tornou ferramenta eficaz para veicular valores que negavam e satanizavam as religiões locais, o pensamento, a cosmovisão e os saberes indígenas. Suas peças de teatro, de caráter pedagógico, encenadas pelos índios catequizados, classificaram como "demônios" os personagens da mitologia tupi, condenando o fumo, a medicina indígena, as malocas coletivas, o cauim e os rituais.
O santo é de barro
Se a canonização de Anchieta serve para fazer a apologia da catequese, então estamos mesmo diante de contrabando. O catolicismo guerreiro, arrogante, só admitia um caminho para Deus: o de Roma. As religiões indígenas foram desprezadas, perseguidas, extirpadas a ferro e fogo.
Outro jesuíta, o padre Antônio Vieira, defendeu a catequese como única via para transformar o "índio bárbaro", considerado tábula rasa, folha de papel em branco. O missionário era o escultor que daria feições humanas aos índios:
- É uma pedra, como dizeis, o índio rude? Pois trabalhai e continuai com ele. Aplicai o cinzel um dia e outro dia; dai uma martelada e outra martelada e vereis como dessa pedra tosca e informe fazeis não só um homem senão um cristão e pode ser um santo - escreveu Vieira.
Apesar da quantidade massiva de mártires indígenas, não se tem notícias de nenhum deles declarado santo, oficialmente reconhecido pela Igreja, mas o barulho de algumas "marteladas" chegaram até os dias de hoje, com notícias sobre as violências cometidas contra os índios, cujas religiões eram consideradas como "superstições", perseguidas pela intolerância.
O resultado da catequese foi avaliado por outro jesuíta brilhante, João Daniel, que viveu 16 anos na Amazônia (1741 a 1757) e relatou suas andanças. Os castigos corporais sistemáticos e o batismo não criaram cristãos que Anchieta e Vieira queriam: "a religião ficou pouco intrinsicada no coração dos índios", com uma "fé morta no uso das cousas sagradas e na pouca reverência aos sacramentos". Segundo João Daniel, os índios gostavam muito "de medalhas, de verônicas, de escapulários, mas não era por respeito e devoção" e sim para "com eles enfeitar seus macacos e cachorrinhos, atando-lhes ao pescoço".
A muamba que vem escondida dentro do novo santo é essa: um contrabando ideológico, que faz a apologia da prática missionária de Anchieta, sem o menor senso crítico, quando o próprio CIMI, em sua 3ª Assembleia Geral realizada em Goiânia, em julho de 1979, produziu um documento final, assinado também pelos luteranos ali presentes, que diz tudo no seu primeiro parágrafo:
"Reconhecendo os erros que cometemos como Igreja na nossa atuação missionária junto aos povos indígenas, pedimos perdão a eles e a Deus". O CIMI se compromete a mudar sua prática e a respeitar as religiões indígenas "que inclui assumir necessariamente os mitos e a vida religiosa através dos quais cada povo recebe a Revelação de Deus".
Anchieta é um dos responsáveis por esses erros. Foi um fiel servidor do sistema colonial, ao contrário de Bartolomé De Las Casas, o dominicano espanhol que na mesma época ousou romper com o sistema. Anchieta pode até ser santo, desde que venha sem esse contrabando. E mesmo assim jamais será santo para os índios. Canonizá-lo para reforçar essas práticas é um retrocesso, uma reafirmação daquilo que o sociólogo Anibal Quijano chama de colonialidade, que é mais profunda e duradoura do que o colonialismo. Esse santo quer reza. De mim, não terá nenhuma. sequer uma jaculatória do tipo "Jesus, Maria, José, minh´alma vossa é".

(*) Carta de S. Vicente do irmão José de Anchieta para o padre mestre Diogo Laynez, preposto geral. 16 de abril de 1563. Traduzido do hespanhol pelo Conego J. da C. Barboza do manuscripto que se encontra na Bibliothéca Pública d'esta Corte, p.139 verso até 144. Publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 1858. p.542

 

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139 Comentário(s)

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max grotrian comentou:
08/04/2015
isso me parece a convenção do PT, para uma plateia arranjada para o SMT, sob o comando do "socialista" de esquerda que é mais de direita Lula.
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Benjamin Baniwa comentou:
10/06/2014
Ontem de manhã (9/6/2014), na rádio rio Negro, um missionário, fazia analogias ao santo (de pau oco) Anchieta, como um santo que teria sido amigo dos índios, coisa e tal. Resolvi então falar alguma coisa a respeito dele. Segundo o professor José Ribamar Bessa Freire, os meios usados por Anchieta nem sempre foram diplomáticos, Anchieta trata os Tupinambá como "inimigos carniceiros" e se rejubila por haver conseguido jogar os índios uns contra os outros nos conflitos entre portugueses e franceses. Para ele estes índios "selvagens e animalescos" abandonaram Deus e precisavam ser catequizados para escaparem "das garras de Satanás". Elogiar esse santozinho dizendo que foi bom para os índios OFENDE a memória de nossos antepassados, mortos, assassinados, estuprados e escravizados por uma sociedade e religião para a qual servia.
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Lidia comentou:
01/06/2014
Gostei muito desta cronica pois expoe realmente a verdadeira influencia dos padres tentando modificar um povo que nao precisava de mudanca. Fui vizitar a uns anos atras a Igreja de Sao Francisco em Salvador e fiquei surpresa em ver pessoalmente que ainda existem os famosos santos do pau oco, como reliquia de uma epoca onde este pais chamado Brasil era saquiado com ajuda da igreja catolica que claro recebia por tras dos panos, o deles tambem. Uma parte desta historia que muitos de nos nao sabemos. Estou fora do Brasil ja a 30 anos e nem se quer sabia que o padre Jose de Anchieta tinha sido canonizado. Gostei muito da tua cronica. Contato de Lidia
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Sassá Tupinambá comentou:
30/05/2014
Bessa, muito boa essa crônica. A igreja ainda não acertou a conta com os povos indígenas. Desculpas da boca pra fora não nos basta. História a parte, lendo seu texto me veio na ideia a situação da relação entre os indígenas e os diversos movimentos que tem por aí a fora. Consigo entender melhor, por exemplo, a peleja que está acontecendo no Rio de Janeiro, na Aldeia Maracanã. O governo conseguiu colocar indígena contra indígena, parente contra parente e com isso quem ganha é o governo do RJ. A diferença é que nem cabral nem o pesão serão canonizado no futuro. mas se eles fossem pelo menos condenados ja me seria de bom grado.
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hulio campos comentou:
27/04/2014
A IGREJA "ECLESIA- COMUNIDADE DE HOMENS LIVRES ETC", PRECISA MAIS DE SANTIDADE QUE DE SANTOS. ADMIRO MUITÍSSIMO O NOSSO PAPA FRANCISCO, MAS CONSIDERO UM ESCORREGÃO ESSA CANONIZACÃO POLÍTICA. PARA QUE??? NAO VEJO NADA DE SANTIDADE NESSE HOMEM. POSSO ATÉ ADMIRAR SUA CORAGEM NEQUELES TEMPOS RUDES, E SEU VALOR SOB A ÓTICA DE SUA FORMACÃO ORTODOXA, VINDO PARA ESSE PAÍS BRAVIO, MAS NADA DE SANTIDADE.. ESTÁ O "SANTO ANCHIETA"MUITO LONGE DO JOÃO PAULO II, COM CERTEZA. A IGREJA DEVERIA INVESTIR MAIS NAS QUESTÕES DE FÉ E ÉTICA, E ABANDONAR ESSAS DECRETACÕES POLÍTICAS. O EVANGELHO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO DEVERIA SER ENSINADO COM MAIOR OBJETIVIDADE, SEM O VERNIZ DOGMÁTICO ABUSANDO DA IGNORANCIA DOS POVOS. DE QUE ADIANTA UM SANTO A MAIS NO CALENDÁRIO, ONDE MORREM MILHÕES DE SERES SEM HOSPITAL E SEM ESCOLA, PELO DESVARIO DE UM GOVERNO TIRANO E CORRUPTO??? ENFIM QUE FACAMOS A NOSSA PARTE INDIVIDUAL, POIS SANTO É O HOMEM COMUM, HONESTO, TRABALHADOR QUE PASSA FOME NUM PAÍS SEM OPORTUNIDADE, VIVE COM SALÁRIO DE FOME SEM ROUBAR E SEM SE DEIXAR CONDUZIR PELOS DEMÔNIOS ENCARNADOS.
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Soraya Cunha comentou:
24/04/2014
Ribamar, acho que frei Betto leu tua crônica, ele publica hoje, 24/4 no Globo artigo sob o título Canônicos e anônimos. onde escreveu: "A canonização de Anchieta é oportuna? Há quem duvide, pois ele favoreceu o colonialismo lusitano no Brasil, ao contrário de meu confrade, Bartolomeu de las Casas, que na América hispânica opôs-se à empresa colonialista espanhola. Em carta ao governador-geral Mem de Sá, Anchieta definiu os indigenas como "lobos vorazes, furiosos cães e crués leões que nutriam o ávido ventre com carnes humanas"
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Soraya Cunha comentou:
24/04/2014
Ribamar, acho que frei Betto leu tua crônica, ele publica hoje, 24/4 no Globo artigo sob o título Canônicos e anônimos. onde escreveu: "A canonização de Anchieta é oportuna? Há quem duvide, pois ele favoreceu o colonialismo lusitano no Brasil, ao contrário de meu confrade, Bartolomeu de las Casas, que na América hispânica opôs-se à empresa colonialista espanhola. Em carta ao governador-geral Mem de Sá, Anchieta definiu os indigenas como "lobos vorazes, furiosos cães e crués leões que nutriam o ávido ventre com carnes humanas"
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Sebastião Rocha comentou:
24/04/2014
O PMDB está feliz com a canonização de Anchieta. Dois senadores do PMDB, Renán Calheiros e Ricardo Ferraço, receberam R$ 9 mil, só de diárias, para passarem cinco dias em Roma, em missão oficial, representando o Congresso Nacional em uma missa no dia 24 de abril para celebrar a canonização de Anchieta.O vice-presidente Michel Temer (PMDB) também já está em Roma, mas os jornais não dizem quanto vai receber de diária, nem quanto custaram aos cofres públicos as passagens ida e volta dos 3 pmdebistas. Milagre de Anchieta seria ir um índio representando os catequizados por ele.
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Beatriz Moura comentou:
22/04/2014
Não tenho certeza de que certas práticas são justificáveis como "produto de seu tempo". Creio ao contrário que a maneira como agia Anchieta, se por um lado convinha com certos "projetos de igreja"nem um pouco convergiam para um projeto de cristianismo, ou de amor cristão, ou nem mesmo de evangelização nos termos mais puros. Talvez esteja eu falando bobagens a partir de uma visão muito rasa de alguém que vive a fé e pouco conhece sobre dogmas da igreja, mas enfim, ainda creio que essa canonização é ofensiva para a memória de inúmeros indígenas massacrados por um projeto colonizador cruel.
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Denys Brito (Blog Amazonia) comentou:
13/04/2014
Facebook Denys Brito 09/04/2014, 07h52 Concordo que a catequese realizada pelo os jesuítas serviu para impor um padrão de civilização ou um modelo civilizatório influenciado pelo paradigma do antropocentrismos europeu ,que definia como os únicos povos civilizados ,contudo os índios , os negros , eram tido como selvagem . a igreja teve um papel muito importante neste processo ,pois junto com a religião vieram a imposição de uma cultura sobre a outra,alem do mais a religião legitimou a escravidão e outras atrocidades praticada pelos colonizadores .todavia para fazer um analise critica sobre a idoneidade ou santidade do padre Anchieta temos que olhar com os olhos daquela época para entender e compreender o contexto histórico ,então E PE Anchieta usou a religião para legitimar a ação colonizadora e impor a colonização em virtude que tal praticas era tidas como comum neste processo ,pois os colonos não via nos nativos como iguais mais sim como selvagem , uma coisa que precisa tomar posse e ser dominada . Se não consideramos este contexto, podemos pecar por anacronismo .
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Algum Qualquer (Blog Amazonia) comentou:
13/04/2014
Péssimo texto.Como outros já disseram antes de mim, análise infeliz e completamente anacrônica, pois julga com a mentalidade de hoje os fatos passados, em que o pensamento era muito diverso.Desde o começo do cristianismo os cristãos veem como necessidade a evangelização dos povos (tendo como primeiro e maior exemplo são Paulo).O padre queria realmente catequizar os índios para convertê-los e salvar suas almas. Esse era seu entendimento e o da sua fé. Querer que um padre, naquela época (não por ser recuada, mas pela mentalidade característica) tivesse a atitude de um antropólogo dos dias de hoje, francamente, só demonstra uma total incapacidade de compreensão da história.Aliás, até hoje a igreja se vê como via necessária para a salvação, pois entende que só há uma verdade. E entender isso, entender como os cristãos entendem sua própria fé, é tão necessário nos dias de hoje, em que predomina uma mentalidade laica e cética, quanto entender a religiosidade indígena e suas razões para a prática do canibalismo. Caso contrário, cai-se na parcialidade ignorante, como foi o caso do texto.E os índios eram visto como 'bárbaros' ou 'selvagens' por todos os europeus, visão essa que perdurou fortemente até o século XIX, sendo só desfeita, na verdade, no decurso do século XX, com o desenvolvimento das ciências sociais...Ah, e a citação em que se fala que o padre nem sempre foi diplomático está totalmente descontextualizada, o que, desnecessário dizer, é muito desonesto.
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Gleice Canabrava comentou:
13/04/2014
Continuo sem procuração do autor, mas assim mesmo me aventuro. Por que as críticas feitas ao artigo, algumas delas pertinentes, se escondem detrás de pseudônimos, de algum qualquer ou de qualquer um? Anacronismo é a canonização de Anchieta. Sou católica,. um santo é alguém que teve vida exemplar, que deve servir de exemplos para os cristãos hoje, que cultivou em sua vida valores que a Igreja considera universais. A Igreja está dizendo: IMITEM ANCHIETA. Os índios, evidentemente, não concordarão com essa mensagem. Faltou Algum qualquer dizer qual é o contexto da citaçao descontextualizada.
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Rodrigo Mendonça Lima comentou:
13/04/2014
Santo para mim deveria ser um cara que sai da realidade comum dos seres humanos, se o Anchieta não conseguia destoar dessa ideologia comum daquele tempo, significa que ele não tem nada de mais pra ser santo. Não é por que pensamos diferente hoje que devemos trazer a tona ideologias que mereciam ficara esquecidas. Precisamos de uma revolução do pensamento, não de uma evolução, algumas coisas da história merecem ser apagadas para recomeçarmos.
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Maria Matos comentou:
13/04/2014
O que 'uma revolução de pensamento'? No meu ponto de vista é o mesmo que 'progresso'. Porque se há-de apagar algumas páginas da História? Já existem tantas 'apagadas' que se apagasemos mais deixava-nos sem o quase nada que sabemos. Além disso acho o seu comentário desfaçado do conteúdo do artigo que aliás apreciei muito
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Helvius Pertinax comentou:
13/04/2014
Nada me tira da cabeça que 'Apocalypto', do Mel Gibson, foi feito exclusivamente para aquela cena do final.Não detesto o filme, é bem feito, mas é uma barbaridade. Tentando justificar fundamentalisticamente a atuação colonialista.Sobre o texto, eu ainda acho por demais baseado em anacronismos, e por demais parcial. E poderia até comentar que os 'debates' de de Las Casas seguiram debates para sempre. E tiveram o mesmo efeito de quando o rei de Espanha lá mandou cessar a escravidão indígena por ordem real escrita, mas ordenava menos formalmente que a produção de prata não fosse prejudicada. (Não estou buscando as fontes, mas os fatos são esses). Mas isso seria uma maldade que precisaria de bem mais base que a de um comentariozinho como o meu; não é minha intenção desconstruir a tese. Contudo, o que eu realmente acho que faltou foi a parte sincrônica.Ao contrário do filme do Mel Gibson, duvido muito que um papa como Francisco tencione justificar tardiamente os feitos dos jesuítas. Caberia analisar os documentos/discursos da beatificação.Mas eu creio mais no que é importante para o momento. Lembrando até do missionário holandês (o último que sobrou), que esses dias faleceu lá na Síria.A canonização nesse momento remete às necessidades atuais da igreja. Estar junto dos excluídos da sociedade (mas junto junto mesmo) e falar a língua do povo, por exemplo.Acho absurda a simples idéia de que o Vaticano tenta reabilitar a igreja daquela época, muito menos a 'evangelização' daquela época. Se fosse o Ratzinger, talvez...Assim, meu toque é que faltou a análise sincrônica, por assim dizer. Ou, talvez, caridade à interpretação
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Gleice Canabrava comentou:
13/04/2014
Não tenho procuração do autor, apreciei o comentário acima, mas cabe perguntar ao que assinou com pseudônimo Helvius: : falta de caridade com quem? Com os índios? Com a Igreja? Com os poderes estabelecidos? Estou passada.
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Pedro Maia comentou:
13/04/2014
O Brasil tá cheio de Anchietas...e os indios ainda hoje levam bala.
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Camilla do Valle comentou:
12/04/2014
O trabalho de demonização das cosmovisões indígenas executado por Anchieta em suas peças de teatro e no campo linguístico. Esses atos de conversão deveriam ser tomados como forma de tortura.
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Paulo Bezerra (2) comentou:
12/04/2014
Uma vez mais vem os antropófagos modernos, " devoradores de hóstias", defender o indefensável com os mesmos velhos e cansados chavões do tipo: "são textos fora do contexto" ou " O dito cujo era filho do seu tempo" . Não percebem que esse tipo de raciocínio também pode servir como defesa de Hitler, Nero, Gengis-Khan, Átila, etc . Esquecem-se que também foram " filhos dos seus tempos" Francisco de Assis, Jesus Cristo, Gandhi, Nelson Mandela e tantos outros, que decidiram romper com o " status quo" de suas respectivas épocas e proclamar o novo.
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Leonardo comentou:
13/04/2014
Paulo Bezerra, Nero, Genghis Khan, Hitler e companhia não eram autores literários. Eram genocidas. A questão é que uma obra ficcional (Os Feitos de Mem de Sá), com diversas quimeras mitológicas, uso de hipérboles, obra que não é religiosa, nem teológica não possui relação direta com a realidade. Se for lida e criticada apenas com valores contemporâneos, será sempre interpretada de forma anacrônica, precisa de uma tradução cultural e de uma mediação com seu contexto. Seria a mesma coisa dizer que Homero, Virgílio, Dante, Camões, Shakespeare etc eram preconceituosos ou genocidas, porque não defenderam uma cultura de paz nas suas obras literárias. A estética épica é terrível e violenta para nossos padrões contemporâneos, são poemas que narram guerras e confrontos. Mas o que é a barbárie dos filmes de ação no cinema (Tropa de Elite, Cidade de Deus, filmes americanos etc)? Dos jogos de video-game (GTA V)? Da imprensa sensacionalista? Por que prendem tanto a atenção dos espectadores? A banalização da violência é uma realidade e um fato histórico e social. Mas a violência não surgiu das obras literárias. O que eu percebo, há 12 anos estudando essa obra de Anchieta, é que o discurso de violência da colonização na obra é imitado de outras obras literárias e adaptado, ele não é real, é verossímel, por isso tão chocante. A obra foi publicada em 1563, não teve grande projeção, e era protocolar, padronizada. Poderia ter sido publicada em qualquer lugar ou ter quaisquer personagens como tema, ela está presa a um padrão estético da Arte Poética de Aristóteles, de Horácio, das obras de André de Resende (sobretudo a "Narratio rerum gestarum in India a Lusitanis" de 1530), e da concepção estética do Humanismo Renascentista português que perdurou até a época da Inquisição. Eu acho também que os ideais da catequese indígena no século XVI são anacrônicos em relação ao século XXI. Afinal, obras como a "Utopia" de Thomas Morus influenciaram todo o pensamento renascentista. Darcy Ribeiro em "O povo brasileiro" define as missões jesuíticas como células proto-socialistas (São Paulo: Cia. das Letras, 1995 p.170 e seguintes): "Desde
 os
 primeiros
 dias
 de
 colonização
 o
 projeto 
jesuítico
 se
 configurou
 como
 uma
 alternativa
 étnica
 que
 teria
 dado
 lugar
 a
 um
 outro
 tipo
 de
 sociedade,
diferente
 daquela 
que 
surgia 
na 
área 
de 
colonização 
espanhola 
e
 portuguesa.

 

Estrutura‐se
 com
 base
 na
 tradição
 solidária
 dos
 grupos
 indígenas
 e
 consolida‐se
 com
 os
 experimentos
 missionários
 de
 organização
 comunitária,
 de
 caráter
 proto‐socialista.
 Também
 por
 isso
 contrastava
 cinzamente
 com
 o
 modelo
 que
 o
 colono
 ia
 implantando.
 Essa
 divergência
 amadureceu
 completamente
 no
 caso
 das
 missões
 paraguaias
 que
 alcançaram
 um
 alto
 grau
 de
 prosperidade
 e
 autonomia.
 Mas
 a
 mesma
 oposição 
ficou 
evidente 
também
 no 
Brasil, 
principalmente
 nas 
regiões 
onde
 as 
missões
 se 
implantaram 
com 
mais 
êxito, 
sobretudo
 no 
baixo 
Amazonas

 para 
reordenar 
os
 índios 
e 
civilizá‐los
 não 
era 
o 
português
 nem 
o 
espanhol, mas 
o 
nheengatu.

"
 O Multiculturalismo do século XVI é muito complexo para simplificarmos nas oposições colonizador x índio, não havia uma unidade nem entre os colonizadores, nem entre os índios.
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Paulo Bezerra (3) comentou:
16/04/2014
Meu caro Leonardo. Tudo bem que você ainda esteja “lambendo” a sua cria que foi a tese de doutorado sobre Anchieta. No entanto, não é a obra literária “Os feitos de Mem de Sá” ou “De gestis Mendi de Saa” que esta em discussão, mas o conjunto da obra sócio-cultural-religiosa que ele (Anchieta) pregou e praticou. É todo o trabalho missionário que ele desenvolveu com os índios. Que Anchieta tenha sido menos perverso com índios quando comparados com seus contemporâneos, ninguém tem dúvida. A questão é se o padre Anchieta é merecedor ou não de ser declarado um “santo” brasileiro. Afinal, como você bem diz “ele até conseguia conviver entre os índios”. Isso é uma coisa. Agora defender a canonização desse “mui amigo” dos índios, já é sacanagem. Ou com os índios ou com os outros santos canonizados. Imagina o tamanho da fila de espera para a canonização. Ele simplesmente não entrou na fila. Afinal, não foi reconhecido nenhum milagre do cara e mesmo assim foi declarado santo. Se bem que depois que o Vaticano aceitou o milagre que permitiu a canonização do Papa João Paulo II, a coisa caiu no descrédito. O Papa João Paulo II que padeceu os últimos anos de sua vida com mal de Parkinson virou santo exatamente por haver, após sua morte, curada uma freira desse mesmo mal. Isso pode Arnaldo ? Canonizar um santo-sem-milagres? Quanto a sacanagem com os índios, sugiro que você releia a crônica aí em cima escrita pelo melhor advogado da causa indígena que eu conheço. Por fim, meu caro. Você diz que Nero, Genghis Khan, Hitler e companhia não eram autores literários. Eram genocidas. Então vamos falar de genocidas. Abra a sua bíblia que é a “obra literária” mais lida no mundo e leia os livros de Números, Juízes, Samuel I e II, Reis I e II e Crônicas I e II e me diga quantos genocídios foram cometidos por profetas, juízes, sacerdotes, reis e o povo de Deus ? Foram exterminados os amalequitas, os medianitas, moabitas, benjamitas, cananeus, filisteus, etíopes sem contar o milhares que morreram no Dilúvio, em Sodoma e Gomorra, os primogênitos do Egito e em dezenas de outros massacres onde a Bíblia sequer nos fornece um número. É essa “obra literária” (bíblia) que o padre Anchieta tentou enfiar goela abaixo aos nossos índios. A outra obra que você se refere não passa de uma “ode” aos feitos cruéis do Governador Geral Mem de Sá em detrimento dos índios a quem Anchieta se dizia “mui amigo”. Portanto, pode ter certeza que uma obra literária, ás vezes, pode servir de inspiração para a prática de genocídio e genocídios podem inspirar uma “obra literária”. Ah, ia me esquecendo. Adolfo Hitler era autor literário sim, pois escreveu livros, pintou quadros, dentre eles escreveu na prisão o livro “Mein Kampf’” ou “A Minha Luta” que o inspirou a praticar o “genocídio” de mais de 5 milhões de judeus durante a II Guerra Mundial. Um abraço.
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Leonardo comentou:
11/04/2014
Analisando alguns anacronismos:1) O poema épico De Gestis Mendi de Saa escrito em Latim fazia parte da tradição da educação renascentista em que Anchieta estava inserido. O elogio a autoridades era típica da época e havia um “molde” a se seguir nessas obras, isso ocorria tanto em Portugal como em outros contextos da Renascença. O objetivo era exercitar o conhecimento do Latim Clássico e a emulação da Literatura Clássica, no caso a Ilíada de Homero e a Eneida de Vergílio que serviam de comparação. O realismo era secundário, aparecem na obra seres mitológicos também.2) Os versos citados do poema se referem à antropofagia no século XVI. A comparação do índios com lobos (lupi), leões (leones) é uma forma de descrever a antropofagia, tema central do poema. Os cristãos são metaforizados como cordeiros (agni). É uma alegoria que simboliza, por fim, os conflitos pela posse da terra.3) Quando Anchieta escreveu o poema a Mem de Sá (provavelmente entre 1560-1562) ele ainda não havia sido ordenado padre. O poema se prende ao estilo literário que ele desenvolveu no Real Colégio das Artes de Coimbra em que estudou, provavelmente entre 1548 e 1551.4) No século XVI quem não falasse LATIM era chamado de bárbaro no contexto das universidades renascentistas. Todas as línguas modernas eram línguas bárbaras. Em Roma, os portugueses eram chamados de bárbaros também, como os franceses etc.5) A visão maniqueísta do poema: a luta do bem contra o mal é traço recorrente na cultura ibérica, refere-se à Idade Média, a luta entre cristãos e mouros nas cruzadas. Anchieta remete-se ao imaginário medieval ibérico em sua obra, fazendo uma permuta entre o mouro pelo francês e pelo índio não cristianizado. O índio cristão e o europeu cristão na obra não são diferenciados.6) A catequese nos moldes do século XVI incluía o estudo da Cultura Clássica greco-romana, ou o Humanismo Renascentista. No Brasil, o grego foi substituído pelo Tupi. Os indígenas que não falassem Tupi eram chamados de tapuia (bárbaros).7) O território do Brasil no século XVI, época de Anchieta, compreendia apenas a região litorânea da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.8) A fusão entre cultura cristã e cultura clássica é um traço do Humanismo renascentista português e está presente em diversas obras de arte da época.
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ribamar bessa comentou:
11/04/2014
Leonardo, agradeço teus comentários, alguns dos quais já mereceram observaçoes de outros leitores. Lembro aqui apenas que a legislação portuguesa previa a escravização de "índios de corda", ou seja, aqueles indios aprisionados em guerras intertribais que estariam destinados a serem comidos por seus captores. Esse fato comprometeu o valor etnográfico de muitos relatos, já que os portugueses passaram a dizer que todos os índios praticavam a antropofagia para poder escravizá-los. A antropofagia, ritualmente praticada por alguns grupos indígenas, não estava generalizada como querem nos fazer acreditar a documentação, que precisa passar pelo crivo da crítica e cruzada com outro tipo de informaçao e documentaçao
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Marly Machado comentou:
10/04/2014
São José de Anchieta do pau oco !? Santo PQ? a cultura e os espíritualidade indígena mais uma vez golpeada pela santa igreja do papa Francisco do pau oco
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Juarez Silva (Manaus) comentou:
10/04/2014
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Moacir Aquino comentou:
09/04/2014
Santidade por contrabando; colonial idade; sem reza!
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Valéria Calderoni comentou:
09/04/2014
Bessa ..muito bom seu texto...produziu muita estranheza, mas também deslocamentos sobre ... compartilhei com professores e a discussão foi muito legal..Gr@t@
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Rodrigo Mendonça Lima comentou:
09/04/2014
Santo para mim deveria ser um cara que sai da realidade comum dos seres humanos, se o Anchieta não conseguia destoar dessa ideologia comum daquele tempo, significa que ele não tem nada de mais pra ser santo. Não é por que pensamos diferente hoje que devemos trazer a tona ideologias que mereciam ficara esquecidas. Precisamos de uma revolução do pensamento, não de uma evolução, algumas coisas da história merecem ser apagadas para recomeçarmos.
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Anderson Bahia comentou:
08/04/2014
Professor José Bessa, confiro quase todas semanas suas crônicas. Passei a gostar de jornal as lendo quando eram publicadas no A Crítica.
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Josivaldo Rodrigues comentou:
08/04/2014
O texto e brilhante e altamente informativo. Agora esta explicada a razao de eu, em 1990, ao parar em frente ao Vaticano vi uma certa escuridao nas paredes seculares da Basilica de Sao Pedro. Na hora, lembre-me da "Santa" Inquisicao, que bem se pode chamar de Maldita Inquisicao. Desimadora de vidas. Sera que ja era um prenuncio? 8 h · Editado · Curtir · 1 Sunamita Oliveira A inquisição, de santa, não tem nada. Maldita
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Marcus Maia (via FB) comentou:
08/04/2014
Perfeito, Bessa, vms comprtilhar!
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Luiz Rufino comentou:
08/04/2014
Belo texto do Mestre José Bessa. O santo do pau oco e os aspectos da colonialidade. Não temos santos indígenas porque os nossos ancestrais indígenas são caboclos de pena, ajuremados, mestres encantados, moradores do tempo, das areias, das margens dos rios, das pedras e dos animais. O altar dos santos não dão conta de representá-los, essa é uma questão para os limites do ethos cristão/ocidental. Os da banda de cá serão firmados nos brados dos caboclos, os limites do que compreende ser santo, são como réguas curtas que são incapazes de medir a imensidão do espírito e saber indígena. Dessa forma, firmo com os caboclos de pena. "Na minha aldeia tem dois caboclos, Seu Rompe Mato e Seu Arranca Toco. Na minha aldeia, lá na Jurema não se faz nada sem ordem suprema".
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Babula Rosana comentou:
08/04/2014
Maravilhosa análise. Também não rezo pra esse Santo.
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Valdecy Bastos comentou:
08/04/2014
COMO DIZIA RENATO RUSSO ELES NOS DERAM UM MUNDO DOENTE, PARABENS PRA ELES QUE ATÉ HOJE SOMOS FRUTOS DO BOM TRABALHO QUE ELES FIZERAM NO BRASIL!
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Alex Ama Katia (via FB) comentou:
08/04/2014
Com o devido perdão ao nobre colega... mas... quando vejo esse tipo de opinião gosto sempre de vislumbrar os dois lados da questão. E este deve ser um princípio que deva impregnar todo acadêmico. Conheço muito bem o espírito anticlerical que vários setores ostestam quando tratam de qualquer assunto relacionado à Igreja Católica. Esse senso (ou non sense) acabou impregnando a cultura de vários campos de atuação no país por intermédio da tradição ideológica esquerdista que se enraizou e se tornou quase uma ditadura às avessas em várias universidades. A opinião de Ribamar Bessa merece respeito. Mas, ressalto que o mesmo utiliza "seus" argumentos e recortes históricos - ainda que sejam apropriações de "outros" - para ilustrar apenas um lado da questão (e existem vários outros). Creio que todos os campos da vida humana devem ser problematizados!!!! Mas, essa problematização deve ser em duas vias e concretizadas em mudanças práticas no dia a dia das pessoas. O currículo oculto das opiniões (ódios, ojeriza, repulsões, etc...), quase nunca expressos entre as linhas, guardam partidos ocultos que tentam arregimentar pessoas para um lado ou para o outro. Dessa perspectiva acredito que cada um deva ter a sua própria opinião para não acabar refém de cérebros de terceiros. Portanto, meu caro colega acredito que por tudo que escrevi nesta pequena resenha você possa estar achando que quero detonar o mestre supracitado e após isso obter um indulto papal para as minhas falhas humanas. Rsrsrsrrsrssrs. Engano! Comungo em parte das opiniões dele. Acho inclusive que o exemplo citado sobre Tancredo Neves foi muito feliz. Mas, para não tomar mais do seu tempo, concluo ilustrando que quando me deparei com certos impasses do catolicismo (e sou católico) decidi praticá-lo em sua plenitude já na vida adulta. Vi muitas coisas boas. E outras ruins. Mas, vivi! Não poderia ser cristão de picadeiro e me colocar a falar mal de coisas das quais não participava. Hoje tenho minha consciência tranquila. A partir das vivências das coisas boas me tornei uma pessoa muito melhor. Daquilo que visualizei como ruim passei a me posicionar fortemente. É pedófilo? Cadeia! Impôs um dogmatismo constestável? Não comungo! E assim a vida segue meu irmão! Caso contrário não poderia ser hipócrita de responder ao IBGE que sou católico! Me sentiria obrigado a escrever ao bispo e renunciar ao meu batismo e negar que participo desta comunidade. Portanto, celebremos a liberdade de expressão e o ecumenismo de ideias. não precisamos de mais Bolssonaros de nenhum lado! Um abraço!
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Rosinere Evaristo (via FB) comentou:
08/04/2014
Entre tantas outras questões, históricas inegáveis, e as perfeitamente citadas por José Bessa, compartilho da indignação. Momentos antes de ouvir a reportagem do JN, estava lendo um livro do prof José Bessa, e tal reportagem caiu como uma bomba. Denomino como esdrúxulo o "decreto papal" , e ainda ouvir uma pessoa entrevistada, mencionar que os índios tinham Anchieta como SANTO é doloroso. Adorei a crônica!!!!!!
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Cris Amaral comentou:
08/04/2014
É, devagar com o andor...se tem intenções nessa canonização?! Claro, sem dúvidas, a Igreja e o Estado não dão ponto sem nó...! Parabéns mestre pela bela crônica! Carinho
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Adeice Torreias comentou:
08/04/2014
E assim, canonizando, vão se construindo histórias, que ficam para a humanidade. Que luz, a sua! abrçs.
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Geter Correa Cabral Filho comentou:
08/04/2014
Concordo, fatalidade, retrocesso,querem apagar a História e veracidade dos fatos.
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Marina Marcela Herrero (via FB) comentou:
08/04/2014
Sinto pena de quem se alegra por esta canonização, gente!!!! vamos ler que os livros não mordem!!!!
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Marina Marcela Herrero (via FB) comentou:
08/04/2014
Sinto pena de quem se alegra por esta canonização, gente!!!! vamos ler que os livros não mordem!!!!
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APF comentou:
08/04/2014
COLONIALIDADE... ir se queixar ao bispo. Agora no fim dos tempos coloniais, quando o Bispo do Xingu vai se queixar ao Bispo de Roma a canonização de São José de Anchieta ajuda alguma coisa? Diz a história que o apóstolo do Brasil não entendeu nadinha da religião dos Tupinambás, muito pelo contrário a diabolizou como os frades franceses do Maranhão para os quais Jurupari era o Diabo (ver Florestan Fernandes e a "Heresia dos índios" de Ronaldo Vainfas entre outras fontes). Papa Francisco Leonardo Boff José Bessa Leonardo Sakamoto "Denúncia na ONU O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), juntamente com o Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe) e a Vivat Internacional, também protocolou, na Organização das Nações Unidas (ONU), no último dia 27 de março, denúncia sobre violações dos direitos do povo Tupinambá. O Cimi aponta que, somente nos últimos seis meses, cinco tupinambás e um agricultor foram assassinados no interior da terra indígena. Segundo eles, um dos primeiros povos a terem contato com os portugueses, no início do processo de colonização brasileira, os Tupinambá ainda não possuem nenhum território demarcado no Brasil." E, NO ENTANTO, SEM A NAÇÃO TUPINAMBÁ -- a utopia selvagem chamada Yby Marãey (terra sem mal) -- NÃO EXISTIRIA UM PAÍS GIGANTE CHAMADO BRASIL (mas, isto não se vê na Globo).
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Amélia Oliveira comentou:
07/04/2014
Excelente artigo; sem dúvida merecemos homenagear a memória dos irmãos nativos que tomba(ra)m ante a incúria e crueldades inflingidas pela Igreja/Estado, no mínimo divulgando esses documentos históricos que claramente relatam as atrocidades cometidas pelos santos do pau oco...
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Jaqueline Faria comentou:
07/04/2014
Deus é o gênio da lâmpada a serviço das suas próprias criaturas.Senhor me abençoa, senhor me livra disso e daquilo, senhor me cura, senhor fazei-me justiça, senhor me dê prosperidade, senhor, senhor, senhor.E o mundo se acabando em crueldades, injustiças, segregações.Santo é aquele que transcende o pensamento vigente. É o que rompe com a injustiça à custa da própria vida. Não é o caso de José de Anchieta.Em um processo de conquista territorial (essa terra era dos índios), domesticar e amansar o povo que será conquistado é de sumo valor pois, dessa forma, ao invés de resistir ao invasor, dariam a outra face.E quando se pensa na obrigação dizimista, aumentar o número de 'fiéis' e 'convertidos' é o mesmo que aumentar a arrecadação.O autor não está só em sua descrença e desconfiança com o evento religioso. reportar abuso 0 up 1 down
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Nelson de Carvalho comentou:
07/04/2014
A toda poderosa Igreja Católica se tornou a maior religião do mundo não pelo poder da fé, mas pelo poder da espada. pregadora de preconceito, discriminação e assassina. e ainda vem chamar de santo um dos seus representantes(Jesuítas) daqueles que foram grandes destruidores da crença e cultura indígena.
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Arnold Walter comentou:
07/04/2014
Se alguém tem dúvidas sobre as restrições à canonização do pe. Anchieta procurem o texto 'Dos Feitos de Mem de Sá'. Está tudo ali. O índio apresentado como uma besta selvagem. O Governador Mem de Sá como um 'herói civilizador',
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Walter Ibasf comentou:
07/04/2014
Os jesuitas do periodo colonial brasileiro não foram missionários evangelizadores, muito menos nos moldes do apóstolo Paulo. Foram, antes, 'critianizadores' que empurraram o catolicismo romano (e não o Evangelho bíblico) goela a baixo de índios e africanos que aqui se achavam, e isso a ferro e a fogo.
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Mauricio Sacramen comentou:
07/04/2014
Gostei do artigo. Parabéns. Acredito que a Igreja Católica também percebeu, assim como outras grandes instituições, que o Brasil é 'um bom negócio'. Boa parte dos fiéis daquele igreja estão no Brasil ou são Brasileiros pelo mundo. Já era hora de olhar para cá. Mesmo que com um santo que não faz milagre.
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Socorro Botelho comentou:
07/04/2014
Como professora de História relembro alguns escritos do livro 'Lutas do Povo Brasileiro", onde estão escritas muitas aberrações praticadas pelos jesuítas contra os índios do Brasil. O próprio "santo" dizia que índio não tinha alma e só através da catequização seguida do batismo cristão, aí sim, eles "contrairiam" uma... Nunca acreditei que ninguém nesse planeta seria ou será capaz de "fazer santos". Parabenizo-o por tão bem escrita crônica e corroboro com suas palavras e pensamentos. A Igreja continua, em pleno Século XXI, tentando esconder as mazelas do passado, porém, continua utilizando os mesmos artifícios e expedientes do passado.
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Marcelo Carvalho comentou:
07/04/2014
Santo devia ser o Marques de Pombal, que expulsou esses jesuítas ...
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Carlota comentou:
07/04/2014
Bessa: Já rezei para esse Papa e consegui uma graça. Não fale mal do meu Papa por favor. Alias: quando ele foi entronizado, me deram os parabens,. Sou cartesiana: fé e ciência em separado.
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Belle comentou:
07/04/2014
Romanos 3:23 “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;”
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Leonardo comentou:
07/04/2014
Anchieta viveu 44 anos entre os índios do Brasil. Era uma pessoa com saúde frágil e os índios da Bahia, do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo tinham um grande carinho por ele. Mais do que aculturar índios, Anchieta se tornou mais um dentre os índios. Não se considerava europeu, era natural das ilhas canárias na África. Veio ao Brasil com 19 anos para morrer e aqui viveu até a sua morte com 63 anos de idade. Uma vez refém dos índios na Confederação dos Tamoios em Ubatuba, tornou-se grande amigo deles. Ajudou a integração entre índios e portugueses, o que facultou a origem do nosso Brasil. Anchieta não era um soldado, nem um guerreiro e não usava armas. Anchieta era um poeta, um dramaturgo e um teólogo. Viveu e morreu entre os índios do Brasil, fazendo algo que poucos já fizeram em sua vida.
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ribamar bessa comentou:
07/04/2014
Prezado Leonardo, Com certeza, voce conhece Anchieta melhor do que eu, pois o poema épico sobre Mem de Sá (de onde retirei os qualificativos de Anchieta sobre os indios) foi objeto da tua tese de doutorado. O teu olhar sobre Anchieta, na tese, nos ajuda a compreender o texto dele. No entanto, estou olhando Anchieta de outro lugar, neste caso específico não como pesquisador, mas como alguem que ministra cursos de formaçao de professores indigenas em todo o Brasil e convive com eles. É dificil em sala de aula de licenciaturas interculturais indigenas afirmar o que voce escreveu: "mais do que aculturar indios, Anchieta se tornou mais dentre um os índios". Esta afirmação não resiste à crítica histórica. Gostaria de saber em qual documentaçao histórica voce se baseia para fazer tal afirmação. No poema em louvor a Memde Sá com certeza não é. E se o que voce afirma for comprovado, então significa que a ação de Anchieta é um modelo para o trabalho de evangelização? O governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, já pegou carona na missa de domingo, dizendo que sim, que é um modelo a ser seguido. Por que então o CIMI fez uma autocrítica e pediu perdão pelos pecados cometidos pela Igreja pela catequese baseada no Catolicismo de Roma, intolerante com a diversidade religiosa? Essa é a questão. Renunciar à visão crítica sobre Anchieta e sobre a catequese é ficar condenado a repetir os erros do colonialismo. Enfim, meu caro Leonardo, trata-se de um tema polêmico em que todos temos a ganhar se ele é discutido.
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Leonardo comentou:
07/04/2014
Alguns comentários: 1) Anchieta era Africano, não europeu (nasceu nas Ilhas Canárias, viveu apenas 4 anos em Coimbra). 2) O poema a Mem de Sá é ficcional, não histórico e sua descrição de combates faz parte da estética renascentista, sem compromisso com a história. A "matança" em combates é estilo da época, não condiz com a realidade (os portugueses eram uma minoria). Anchieta escreveu o poema com 26 anos, inspirando-se na "Eneida", poema romano de Vergílio, não na realidade. 3) A catequese de Anchieta no século XVI não foi um processo de aculturação. Anchieta vivia entre os índios. Assim viveu 44 anos. A troca cultural era vital para a sobrevivência dos dois grupos. 4) A matriz miscigenada luso-tupi brasileira foi a base para a catequese. 5) No século XVI não existia Estado Laico, a identidade cristã para Anchieta era como se fosse sua nacionalidade. A catequese era uma organização do Estado no século XVI, era um sistema de letramento e de estudo de filosofia e de teologia.
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Ribamar Bessa comentou:
07/04/2014
Leonardo, 1) O que interessa não é em que solo ele nasceu, se numa ilha africana ou em território hoje europeu. Las Canarias era território espanhol, tanto que o pensamento, a língua e a principal produção intelectual dele, que é a gramática, faz parte da tradição hispânica de análise linguística. O que interessa é que ele não veio ao Brasil como um africano, nem se identificava com os escravos negros, o que interessa é saber a serviço de quem ele estava e sua condição social . Ele não era visto como africano, fazia parte do esquema de poder. 2) É claro que é ficcional, o que não tira seu carater de reelaboração da realidade, ao contrário, os historiadores tem usado com muita eficácia os discursos ficcionais como fonte histórica. Voce deve conhecer o poema épico de Alonso de Ercilla y Zuniga - La Araucana, onde o autor, espanhol contemporâneo de Anchieta, trata a morte do lider indigena Caupolican com respeito, ressaltando a heroicidade da resistência. Alonso de Ercilla consegue olhar o conflito, se situando ao lado dos mapuches, o que não é o caso de Anchieta. 3) Sim, Anchieta vivia entre os índios, mas como representante do Poder colonial. Não viveu nunca com os indios ou como os índios, da forma como vivem hoje alguns missionários do Cimi e alguns luteranos que se encarnaram nas culturas indigenas. Anchieta não se encarnou. Anchieta, como todos os missionários, tinha direito legal a usufruir do trabalho de 25 casais de indios para seu serviço pessoal; ele não plantava,não remava, não pescava,não caçava, sobreviveu do trabalho dos índios.; 4) Em que condições sociais, afetivas, sexuais se deu essa miscigenação? Voce está chamado miscinegação a relações de desigualdade e de extrema opressão. Temos documentos históricos com relatos dramáticos de indias violentadas. Quanto à miscinegaçao como base da catequese, os catecismos, que são documentos históricos, só usam a língua indigena para destruir a cosmovisão dos índios. Então não sei que base miscinegada da catequese foi essa; 5) Concordo, Anderson já nos adverte da diferença básica entre, de um lado, os reinos dinásticos e, de outro, os Estados nacionais modernos, incluindo aqui as dinastias que adquiriram “um cunho nacional”. mas te remeto a Historia General de Indias de Las Casas, onde fica claro que houve debates elucidativos sobre posturas teológicas alternativas a esse modelo catequético inquisicional de perseguição e de intolerância. Lembro o poema do Neruda que é usado por Ruggiero Romano no seu livro sobre a conquista da América. “la espada y la cruz iban diezmando la família salvaje”.
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Leonardo comentou:
07/04/2014
1) O território das Ilhas Canárias é território africano, não europeu. Foi refúgio de biscainhos e de outras etnias rechaçadas pela coroa espanhola (como os judeus obrigados à conversão, os cristãos-novos). 2) O "De Gestis Mendi de Saa" é inspirado na poesia clássica, é escrito em Latim Renascentista propositadamente, seguindo a mesma estética do Humanismo Renascentista Italiano, cuja escola portuguesa foi a Universidade de Coimbra, onde foi publicado. O poema é ficcional e um exercício no estudo da Literatura. Não pode ser comparado com La Araucana, são tradições diferentes. Não é possível analisar o poema sem ser em Latim. Grande maioria das expressões do poema são tiradas de obras da Literatura Latina Romana, faziam parte da educação renascentista. O "mau-gosto" na descrição dos combates faz parte da estética da literatura épica (que narra apenas guerras de forma hiperbólica). 3) Durante os 44 anos em que viveu entre os índios, Anchieta utilizou-se da língua tupi, do português, do espanhol e do latim. Nunca retornou à Europa. Era um mediador entre diversas culturas. Veio ao Brasil por conta de uma moléstia, possuía saúde frágil e empreendia longas caminhadas pela Costa do Brasil. Durante estes 44 anos de convivência foi respeitado e respeitou os índios, estudou os seus costumes, e com a visão da época os descreveu. Nunca sofreu violência por parte dos índios também. 4) A miscigenação na origem do Brasil é um fato. O sistema de "cunhadismo" que Darcy Ribeiro registrou foi uma das bases da nova colônia, vide João Ramalho. A catequese uniu os povos, não os separou. Em "O Povo Brasileiro", Darcy Ribeiro relata dados interessantes sobre a moral sexual da época e o incremento populacional pela miscigenação. O Brasil é diferente do restante da América espanhola, a base demográfica brasileira é de uma população predominantemente miscigenada. Essa população miscigenada foi a base para a catequese, que serviu como mecanismo intercultural, no século XVI, não de aculturação. 5) Havia poucos missionários no Brasil do século XVI para realizar uma "inquisição". Anchieta mesmo estava afastando-se de uma ocorrida no Real Colégio das Artes de Coimbra em 1548 onde estudara. A catequese opunha-se, por outro lado, à antropofagia, sobretudo, como ocorrera com o primeiro bispo do Brasil Pero Fernandes Sardinha que havia sido morto e devorado por Caetés em 1556. O índio do século XVI não é o mesmo do século XXI. Anchieta nunca passou pela Amazônia. Sua ação restringiu-se à Bahia, ao Espírito Santo, ao Rio de Janeiro e São Paulo.
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Jailma Oliveira comentou:
07/04/2014
Dentre tudo que se é discutido em cima dessa canonização, o que revolta é a continuidade de pensamentos que conservam um passado tão caro ao Brasil quanto a colonização e seus efeitos mais reais e negativos, desmoralizando, mais uma vez, a voz de quem ainda tem acobertado suas lutas e valores. Infelizmente, não se extirpará, ou demorará para que nós passemos a pensar não na santificação do humano (algo para mim improvável), mas na demonstração do interesse, poder e egoísmo do ser humano em tudo que procura conquistar, sejam bens materiais ou pessoas...
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Cristiano Navarro Peres (via FB) comentou:
07/04/2014
Alô Conselho Indigenista Missionário Cimi, ainda bem que para cada argumento teológico existem outras dezenas de registros históricos para não entendermos o genocídio civilizatório de maneira errada Paulo Suess: Nas ruas de São Paulo, estátuas de Anchieta e de Anhangüera disputam a atenção dos transeuntes. A Grande São Paulo é atravessada por uma "Via Anchieta", mas também por uma "Via dos Bandeirantes" e uma "Raposo Tavares", lembrando o chamado "ciclo de caça ao índio". O povo herdou a alquimia de sua sobrevivência dos índios colonizados e sabe como pode ser útil acender uma vela a Deus e outra ao diabo. O embate do bem contra o mal – tantas vezes invocado nos autos de Anchieta –, o povo o enfrenta nas ruas de São Paulo, onde a violência real supera a imaginação alegórica do missionário quinhentista. Hoje, os interlocutores principais de Anchieta, os tupinambá, são "Outros" desaparecidos. Sua memória pode significar lembrança e saudade, mas também indignação que visa à ruptura com a barbárie contemporânea.
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Renato Santana (via FB) comentou:
07/04/2014
Cris, mano, eu compartilho dessa opinião do José Bessa, mas no próprio texto está o que o Cimi, quanto organização da Igreja, pensa... independente de opiniões outras...
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Clarissa Pires (via FB) comentou:
07/04/2014
Passei a semana em Linhares/ES e vi uma reportagem da TV local onde um entrevistado diz que o padre já era santo por "catequisar os índios e aprender sua língua", e um padre jesuíta, tb entrevistado, ora ao padre Anchieta pela "evangelização do Brasil"! Essas coisas me irritam... é, de fato, uma apologia às missões jesuíticas que tanto destruíram índios, sua cultura, religiosidade
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Andrea Sales comentou:
07/04/2014
É interessante como os valores se invertem.Infelizmente,vivemos uma realidade onde grande parte dos que cometem erros gigantescos são premiados.Da mesma forma que você Bessa também estou indignada e fiquei sem encontrar resposta para o que aconteceu com Anchieta.Relendo a dissertação ( que contou com sua brilhante participação em todas as fases),me deparo com os estudos realizados a respeito de Anchieta e continuo sem entender o porque de premiar aquele que fez uso do teatro como um forte instrumento pedagogico contra a existência cultural indigena.É fato que teve auxílio de outros,porém foi um estrategista de destaque!...Realmente fico sem palavras...Obrigada Bessa por mais esse momento de reflexão e oportunidade de desabafo.
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Renato Santana comentou:
07/04/2014
José Bessa em artigo mais do que oportuno. Anchieta escrevia na areia a colonialidade que a correnteza da Igreja agora faz navegar com a canonização.
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Mauricio Negro comentou:
07/04/2014
Na missa que Anchieta verteu para o tupi (Glória), os acólitos índios eram ensinados a pedir a Cristo, cantando: Vem trazer-me a alegria, trazer-me a tua virtude. Que eu cumpra a tua palavra e te ame no meu coração. Tu te tornaste criança porque querias viver. Vem! E tomara que o mal se afaste de mim para sempre. Ou seja, a missa instaurava como verdade dogmática que o Mal era imanente à essência dos homens da terra e que só a religião do conquistador poderia redimi-los de tal sina perdida. Aí a cruz e a espada se casaram em perfeita e indissolúvel comunhão de bens.
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Regina Coeli Paes Benaion comentou:
07/04/2014
quem conhece um pouco da História não tem motivos nenhum para achar que ele é santo.
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Drumond Liliane comentou:
07/04/2014
Mais uma entre tantas mentiras que a todo custo querem empurrar goela a baixo.
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Roberto Zwetsch comentou:
07/04/2014
Bessa, querido amigo, concordo em tudo com o que você e sem querer ofender ninguém. Estive em Goiânia, em 1979, e possivelmente assinei com o CIMi a declaração da Ass. que na Igtreja Evangélica de Confissão Luterana foi depois assumida como princípio de atuação na pastoral de convivência, respeitosa e solidária com os povos com os quais trabalhávamos. mas queria apenas lembrar que a catequese jesuítica foi definido antes de Anchieta, num escrito do seu confrade Manuel da Nóbrega, "Diálogo da conversão do gentio" (1556/57), que conheci e li nas aulas com o querido prof. José O. Beozzo. Nesse di[álogo o padre Gonzalo Alvarez diz a certa altura, quase reconhecendo o fracasso antecipado de toda a empreitada catequética-colonizadora: seus esforços seriam vãos até " que este gentio não venha a ser mui sogeito (sic!) e com medo venha a tomar a fee (sic}". Ora a fé libertadora jamais poderia ser aceita na base da sujeição (da força) e do medo. Aí está uma das razões mais contundentes para o fracasso de toda e qualquer evangelização que não proponha como primeiro passo o respeito e o diálogo simétrico, única forma de caminhar junto com os povos indígenas e quaisquer outros companheiro/as na luta pela humanização da vida neste mundo de violências sem fim; Abraço. Roberto Zwetsch - FAculdades EST - S. Leopoldo, RS Contato de Roberto Zwetsch
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Giane comentou:
07/04/2014
Mais uma vez, Bessa, lavando a alma..
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Walter Marques (Blog amazonia) comentou:
07/04/2014
EXCELENTE ARTIGO, É MUITO BOM QUE PESSOAS INFORMADAS COMO O JORNALISTA RESPONSÁVEL POR ESTE BLOG, PROCUREM ILUMINAR E ACLARAR AQUILO QUE OS LEIGOS E IGNORANTES ACHAM QUE SABEM. PERMITA-ME COLOCAR UMA OUTRA QUESTÃO, SE A ELEIÇÃO DE UM SANTO É FEITA PELOS HOMENS, ONDE ENTRA E COMO FICA DEUS NESSA HISTÓRIA TODA, AFINAL NÃO É ELE E SUA JUSTIÇA QUE DETERMINA QUEM REALMENTE MERECE, QUEM REALMENTE VIVEU OS ENSINAMENTOS DE JESUS E AMOU SEU PRÓXIMO SEM DISTINÇÃO DE COR, RAÇA OU DE CREDO?
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Pedro Junior (via FB) comentou:
06/04/2014
Oi Dy! Instigante texto. Muito válido para nossa busca de lucidez. Como católico, professor de história e quase um jesuíta professo acolho a canonização de José de Anchieta num misto de alegria e constrangimento. É sabido que sua meta era fazer valer um catolicismo colonial eurocêntrico, mas, vale lembrar que Anchieta é filho de seu tempo. Fez sua missão com criatividade, peregrino de uma terra desconhecida, foi ousado, porém, limitado no que tange a uma evangelização de diálogo e alteridade. Como eu disse, um filho de seu tempo! Quisera todos os cristãos vindos a essas terras fossem um Pedro Casaldáliga ou um Bartolomeu De Las Casas. Triste é saber que ainda hoje, os erros do passado são reinventados em cristãos que vivem os tempos coloniais em pleno século XXI, cheios de preconceitos, julgamentos e de reflexão teológica rasa, que arrastam uma multidão acéfala com um crucifixo ao peito e bíblias bélicas às mãos. Ao contrário, percebo Anchieta com um homem de “fronteira”; nele uma força interior o fez sair da acomodação e do conforto do clero europeu do séc. XVI e o fez vir contemplar a outra face da fronteira geográfica e cultural, até então inédita para ele e para todos. Sem anacronismos e triunfalismos, o legado de Anchieta que prefiro lembrar [sem negar os erros históricos de um catolicismo que consolidou o sistema colonial] é o de se colocar em contínuo movimento, transformado-me, como ele, num cidadão do mundo.
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Hermínio Silveira comentou:
06/04/2014
Santos somente Deus e seu filho Jesus. Sem mais.
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Antônio Augusto de Almeida (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Na verdade, se os jesuítas, ao invés de virem aqui catequisar os índios, fossem pelos índios 'catequisados', este país seria um país bom, coisa que nunca foi sob o ponto de vista social.
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Luiz Lima (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Vai ser mais um santo de barro pra ficar se enchendo de poeira nos cantos das igrejas católicas.
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Irineu Trentin Junior (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Outro que é visto como herói mas foi um assassino de crianças na Guerra do Paraguai: Duque de Caxias. Anchieta não é mesmo santo: Matou mais índios que John Wayne.
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Fabio Lucca (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
vc deveria ser comentarista politico e usar a sua sabedoria e o seu espaco para mover as pessoas a conhecerem a verdade politica desse pais, eh impressionante quanta perda de tempo e energia em algo tao sem importacia ideologica ou sera q estou enganado????
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Joao Evangelista Mendes de Sousa (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Não se tem notícia de nenhum DEVOTO de Anchieta. Santo, prá quem ?
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MARIA LUCIA SANTIAGO (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
ELE FOI UMA PESSOA NEFASTA PARA OS INDIOS. QUERIA ACULTURÁ-LOS EM NOME DE UMA RELIGIÃO QUE QUEIMAVA PESSOAS VIVAS NA FOGUIRA. QUE VIVA PARA SEMPRE NAS TREVAS.
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Fernando O. Da Silva (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Porque tanta consideracao com os indios,eles viven de graca nao pagao impostos luz e agua,nos que nascemos neste solo temos que dar um duro disgrasado para manter nossas familias,eles nunca contribuirao en nada so exigencies ate quando vamos aguantar isto?
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Valério Lima (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Tentar de modo surrateiro as nossas frustações pessoais a outrem é sempre perigoso.Se vc não é católico, não há mesmo o que se comemorar, como vi alguns comentários, teve gente que dissera que o paí não precisava de mais um feriado.... Sua pesquisa fora bem feita, tentou fazer um perfil de o Anchieta, mas não o colocou na época dele, sobre tudo, à Ordem Religiosa a ql ele pertencia, e no que essa Ordem acreditava na época. Eles, os jesuítas foram enviados a todos os cantos do Mundo Novo, com ordens expressas, de evangelizar e converter a todos os povos. Bem, se me recordo, eles, os religiosos, conseguiram convencer a Igreja e a Coroa de que os índios tinham alma, coisa que os primeiros colonos não aceitavam, e logo como um ser que possuia alma não deveria ser escravizado. Segundo, acho que é sabido que alguns religiosos foram devoraods por índios, não só religiosos, mas colonos, e acredite, até outros índios de etnias distintas. Bem , eu acho relevante, se não fosse por ele, São Paulo, cidade nao teria sido fundada. Milhares e milhares de índios teriam sido ainda mais exterminados, mais do que foram. Os jesuítas lutavam contra o interesse econômico, intervinham na política, tinha força, tanto é que foram expulsos do Brasil por conta do Marquês de Pombal. Forte abs e eu tenho motivo para comemorar! Abs
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Carlos Henrique Lopes (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Quanta ingratidão! José de Anchieta chegou até mesmo a arriscar a sua própria vida em prol dos índios. Até refém ele ficou. É o pai da Literatura brasileira, além de ser um dos fundadores da maior e mais rica cidade brasileira - São Paulo. A acusação de assassinato contra ele é pura LOROTA de ateus, protestantes, pseudo intelectuais e historiadores ávidos por fama. Em Portugal e Espanha, José de Anchieta é bastante reverenciado. Mas pelo jeito, aqui nesta terra abaixo da linha do Equador, o negócio é atirar em todas as direções e não reconhecer os méritos de um dos maiores missionários de todos os tempos.
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Tadeu Blazius (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
INDIO- deve ser sinônimo de VADIO. eta racinha , nem caçar pra comer caça, ganha tudo de graça a nossas custas e o eleitor apoia e vota este é o pior. Se bem que santo de barro para adorar, a bíblia condenada e só a Deus adorar exclusivamente e presta serviço sagrado, é só ler, e os católicos nesta, eles pecam e muito. Mas vai dizer que pecam pra ver. PROCURE E LEIAM,Salmo 135 versículo 16 Têm boca, mas não falam; têm olhos, e não vêem, Isaias cap 44 versículo 10 Quem forma um deus, e funde uma imagem de escultura, que é de nenhum préstimo? Eis que todos os seus companheiros ficarão confundidos, pois os mesmos artífices não passam de homens; ajuntem-se todos, e levantem-se; assombrar-se-ão, e serão juntamente confundidos
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Antonio Pasolini (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Anchieta era um ser cruel e violento. Pobres índios que cruzaram seu caminho nesse processo de invasão do continente que hoje se chama Brasil.
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Paulo Cieslinski (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Parabéns José Ribamar. O que o outro José veio de tão longe aqui fazer? Vamos levar a sério a seguinte pergunta. Catequizar o que, para que e para quem? Coitado dos índios, primeiros mártires dos invasores, além de serem explorados, enganados, roubados, ainda lhes impunham catequese (?) em nome de um deus que havia lhes dado, no princípio, essa condição privilegiada para eles (os nativos), ou seja: liberdade em todos os sentidos principalmente de crença. De repente chega um qualquer (quem é esse outro José?), de quem só ouvimos falar de sua figura através de seus próprios 'companheiros', e se diz representante daquele deus que agora quer tirar e mudar tudo tudo? Mesmo não acreditando, perguntamos em quem devemos acreditar? Naquele deus que deu a vida aos nativos e permitiu, ou melhor, 'ordenou' para que eles vivessem dentro daquele liberdade ou naquele José que disse que veio em nome daquele mesmo deus, só que fazendo tudo ao contrário? Ou naqueles 'companheiros' do outro José, que se vangloriam, que o seu deus, praticou, contra a sua própria doutrina e 'catequese' o maior crime de toda a humanidade em todos os tempos, quando matou afogados, todos os seres humanos, todos os animais, todos os vegetais. Para que dizer que salvou o mundo dizem que deixou só um casal de cada ser vivo para perpetuar a espécie. Já ouviu falar no dilúvio? Pense bem. Acorda católico apostólico ROMANO.
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Jose Lemos da Silva Filho (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
José de Anchieta pode ser reverenciado por aqueles que acreditam em impor um conceito filosófico e moral. Quem não está dentro da fé imperial pode até admirar algumas qualidades dos jesuitas, mas nunca os colocará num altar glorioso. Quem destrói uma cultura em nome de uma fé alienígena não pode ser reverenciado por pessoas de bom senso.
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Alexandre Machado (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Agradeço muito as informações e análises feitas mostrando a anti-educação pregada pelos católicos. A imposição da fé nunca contribui e nunca vai contribuir para uma vida civilizada, libertária e democrática.
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JC (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
E que tal as relações das outras nações não católicas (ou jesuíticas) com as populações indígenas? Os resultados foram melhores ou piores? Alguém tem essa informação de pronto?
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LS (Blog da Amazonia) comentou:
06/04/2014
Prezado José Ribamar,Não conheço o tema, mas por acaso li um trecho de um livro semana passada que colocaria também Las Casas como 'fiel servidor do sistema colonial'. Chama-se 'El pensamiento latinoamericano y su aventura - Vol. 2' (de Arturo Roig). Ali (p. 175) se encontra que 'este proyecto de 'entrada pacifica' e evangelización fue expresamente autorizado por la Corona'. Assim, seria mais um religioso servindo o sistema colonial.Atenciosamente,LS
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Vinicio Machado comentou:
06/04/2014
e ainda tem gente que acredita na bondade do santo padre, rs.
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Socorro Araújo comentou:
06/04/2014
Ave-maria, passei a semana pensando nisso. Ribamar, os índios que ainda vivem em nós agradecem o texto, mas por aqui não vi ninguém comemorando, além da igreja, que celebrou missa e tocou sino, e a mídia que insiste em não refletir sobre nada que de, fato, seja importante.
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Armando Soares comentou:
06/04/2014
A historia real sempre emociona, por ser verdadeira! E revolta por saber o que contaram anteriormente!
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Gleice Oliveira comentou:
06/04/2014
Toda razão em lembrar de Antonio Vieira, Wilson Honório da Silva. Ambos usaram seus conhecimentos para melhor justificar e efetivar a exploração e a opressão dos povos originários. Ambos disponibilizaram seus conhecimentos e energia para efetivar com mais competência o asqueroso processo de colonização.
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Wilson Honório da Silva comentou:
06/04/2014
Além de meu ateísmo que me impede de ter qualquer simpatia pelo sujeito, minha negritude literalmente odeia o que ele e seus parceiros no "exercito da contra-reforma", ou seja, os jesuítas, fizeram e pensaram. Usamos sempre no curso "Globalização e Racismo" o seguinte trecho de um sermão inglório de Antonio Vieira, que, na minha opinião, sintetiza bastante bem o que ele, Anchieta e similares pensavam e faziam: "Se isso não bastasse, os “doutores” da Igreja ainda criaram a tese de que os sofrimentos inerentes à escravidão poderiam redimir os negros, através da reconquista da piedade divina. No Brasil, uma das versões mais bizarras da “lógica” católica foi formulada pelo famoso padre Antonio Vieira, segundo o qual, “os negros foram escolhidos por Deus e feitos à semelhança de Cristo para salvar a humanidade através do sacrifício”, ou seja, a escravidão era “um estado de milagrosa felicidade, por meio do qual o africano podia se salvar do inferno” . Uma tese que o padre desenvolveu com todas as letras em seu “Sermão 14”, pronunciado em 1633 aos escravos da Irmandade dos Pretos de um engenho: “Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado (...) porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão (...) Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isso se compõe a vossa imitação, que se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio”.
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Lirian Monteiro comentou:
06/04/2014
"Já havia acontecido comigo na morte de Tancredo Neves espetacularizada pela mídia. O Brasil inteiro em prantos e eu, de olhos secos, coração endurecido." Senti mais ou menos a mesma coisa José Bessa. Lembro-me bem dessa data, pois meu pai não queria me levar ao parquinho nesse dia (devia estar cansado) e acabou alegando que "nosso presidente tinha morrido". Eu tinha uns 8 anos e era alucinada por parquinhos...eu fiquei indignada e lhe disse: mas ele não é da nossa família e não é nosso amigo. Lembro que meu pai não gostou da minha resposta e disse que a gente deve respeitar a morte de qualquer pessoa. Aí eu disse: pôxa...e ele foi morrer justo hoje que o senhor está em casa e poderia passar o dia no parquinho comigo...rsrsrs...enfim, não lembro se fomos ao parquinho ou não...mas a morte de Tancredo Neves bagunçou meu cronograma.
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Paulo Kelson comentou:
06/04/2014
Marxistas. Preferem a tribalização na sociedade através da psicose ambientalista para destruir o capitalismo que os mesmos usufruem, do que a civilização cristã ocidental que libertou os indígenas da idade da pedra, do misticismo e da canibalização que sacrificava pessoas.
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ribamar bessa comentou:
06/04/2014
Paulo, publicar eu publico todos os comentários que os leitores escrevem, em respeito ao direito de livre expressão. Mas se voce não ficar zangado, te digo que voce escreveu besteira. Leia o Bartolomeu de Las Casas e depois podemos continuar conversando.
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06/04/2014
Professor, sou leitor fiel, todo domingo, do TAQUIPRATI, que quase sempre compartilho e já usei algumas vezes em minhas aulas. Sou católico e isso muitas vezes me tem custado o preço de ser visto com certa discriminação na academia por muitos que dizem ser defensores da pluralidade e da diversidade, mas não em relação a católicos, pois insistem em generalizar comportamentos de uns para o todo. Menos como católico que como estudante de história atrevo-me a lhe pedir uma resposta meu caro mestre; não para contestá-lo mas mais ainda para tirar-me de certa angústia: Anchieta fez o que fez conforme o senhor documenta e não há como apagar isso da história, mas não o terá feito pelo simples fato de ser filho do seu tempo? Ou seja, será que é válido o questionamento que das lonjuras de nosso presente arriscamos a fazer sobre os procedimentos de pessoas que viveram há tantos séculos? Pelos limites de imaginário de sua época ele não poderá ser mesmo considerado senão um santo pelo menos alguém não tão reprovável assim como podemos concluir pelos critérios comportamentais de hoje? Se houver a possibilidade me responda meu caro professor a quem muito admiro. Abraços. Contato de Jordan Lima Perdigão
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Juarez Silva (Manaus) comentou:
10/04/2014
Caro Jordan, permita um pitaco no seu questionamento ao Prof. . Não penso que essa ideia de "figura de acordo com seu tempo" seja motivo lógico para invalidar "juizo" negativo sobre a figura histórica e sua atuação..., vejamos : 1- De certo contemporâneos da figura contestada, não compartilhavam de suas ideias e práticas (mesmo que fossem correntes e de acordo com a ideia de "coisa lícita", então vigente), logo, não há um determinismo absoluto em comportamentos e práticas de uma determinada época ou mesmo contexto, sempre haveria a possibilidade de uma escolha e agir diferentes. 2- É comum "cultuarmos" e enaltercermos, figuras históricas que divergiram do pensamento majoritário (ou pelo menos corrente) e "romperam" com as estruturas vigentes, ou seja, muitos dos "heróis" da História eram "transgressores do sistema', outros completamente alinhados aos seus sistemas envolventes. 3- Se "o tempo é o senhor da razão", o distanciamento histórico tem em tese o condão de permitir "revisar" de forma crítica a propriedade ou impropriedade dos atos e ações do passado... (incluindo o papel dos atores dos fatos). 4- Existem valores humanos universais, que em tese não mudam com o tempo nem com os contextos, outros recebem interpretações diferenciadas dependendo de um ou de outro, a noção de respeito à vida, liberdade e dignidade humana (mesmo que desrespeitado ou distorcido ao longo de todas as Histórias) faz parte do primeiro tipo, e isso é imprescritível, quem lutar por eles serão em uma História "verdadeira " os heróis, quem atuar contra os vilões, a fórmula é simples... .
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ribamar bessa comentou:
06/04/2014
Jordan, o teólogo dominicano Bartolomeu de las Casas (1474-1566) foi contemporâneo de Anchieta e era, também, como todos nós, filho do seu tempo. Mas ele conseguiu VER o dramático exterminio dos povos indigenas e se posicionou clara e corajosamente a favor dos indios.Li TUDO do Bartolomeu, incluindo a Historia General de Indias (3 tomos). Depois disso, deixei de aceitar que o tipo de cobrança que faço hoje seja um anacronismo, porque se Las Casas, naquela época, viu tudo e se posicionou, outros também poderiam tê-lo feito. Jordan, procure ler o Las Casas, que chegou a ser bispo de Chiapas, no Mexico, que voce vai me entender. Fiz inclusive uma "entrevista, que publiquei no Porantim, com o Las Casas". Vou ver se encontro tempo para disponibilizá-lo no site.
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Florencio Vaz comentou:
06/04/2014
Mais uma certeira crônica do amigo José Bessa. Concordo que esta canonização de Anchieta, cujo processo estava parado faz cinco séculos, poderia ficar engavetada pelos próximos milênios.
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Florencio Almeida Vaz Filho comentou:
23/04/2014
Editei meu comentário acima, pois faltava um pedaço da frase. Mas ja estava subentendida. Lembremos que olhamos os pecados ou falhas dos nossos antepassados também como uma maneira de iluminarmos e melhorarmos as nossas práticas hoje.
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Ana Charlene Negreiros comentou:
22/04/2014
Até que enfim uma reflexão crítica a essa canonização! Merece ser compartilhada.
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Florencio Almeida Vaz Filho comentou:
22/04/2014
Houve um outro missionário europeu que viveu entre os indígenas quase na mesma época que Anchieta e testemunhou os horrores da Conquista e que teve uma. Bartolomeu de las Casas denunciou os colonos, defendeu os índios, desafios os poderes coloniais e, aquele sim, pode ser considerado um santo. veja, Osinaldo Filho, que a contemporaneidade deles era a mesma, mas as respostas foram diferentes. Masa sua reflexão é tptalmente válida e bem vinda.
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Osinaldo Filho comentou:
22/04/2014
Pois é. Talvez a canonização de Anchieta não represente o que para Cristo significaria "ser santo". Mas, tem uma passagem na bíblia que diz assim: se vocês fossem cegos, o pecado não recairia sobre vossas costas; mas como vocês enxergam, o pecado permanece com vocês (Jo 9,41). Pode ser que isto, muito espiritualmente falando, sirva pra compreendermos que Anchieta foi um instrumento de sua contemporaneidade. Se fosse hoje, e se ele enxergasse como nós, e agisse tal qual a quinhentos anos, com certeza seria mais pecador do que nós. Assim, sua "santidade" serve para compreendermos como o projeto de Deus se manifesta entre aqueles que o aceitam. Afinal, ser missionário de Cristo no século XXI não nos deixa escapar da historicidade missioneira dos pioneiros, que a seu modo, entendiam estar fazendo "a vontade de Deus". Como é que tu estás fazendo a vontade de Deus, hoje, tu que enxergas?
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Florencio Almeida Vaz Filho comentou:
22/04/2014
Vc anda muito rebelde. Vou contar para o Pe. Tomé, da Pastoral Universitária. kkk. O pior é que neste caso, nem adianta se queixar ao papa. Foi ele que assinou o negócio. Mas entendo os jogos em que ele se meteu. Importa que o conjunto da obra de Francisco é bom. Amém.
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Beatriz Moura comentou:
22/04/2014
Muito boa reflexão, Florencio Filho, de fato sua canonização é a aceitação de práticas coloniais inadmissíveis. Santo coisa nenhuma!
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Ana Silva comentou:
06/04/2014
Adorei, Bessa. Afinal, a quem interessa a canonização do Anchieta? Obrigada por tua sensibilidade, crítica e escrita afiada.
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Ricardo comentou:
06/04/2014
Bessa Você não fazendo um julgamento etnocêntrico e historicamente descontextualizado Anchieta não? Uma coisa é condenar a canonização (essa é atual, e pode ser julgada com a perspectiva de alguns dos nossos valores), mas condenar um homem do século XVI por meio das verdades domésticas do século XXI, sem levar em conta o contexto em que ele viveu, é a mesma coisa que julgar os índios pelos valores dos missionários norte-americanos. Bola muito fora, Bessa!
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M.de M.Foucher comentou:
06/04/2014
O Papa Chico pisou desta vez no pinico. Anchieta vai continuar sendo o santo do pau ôco....Concordo, gênero egrau com o grande José RRibamar Bessa.
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Rosangela Valeriano Rosa comentou:
06/04/2014
Já tinha minhas dúvidas sobre Anchieta de tudo que li a respeito dele,mas esse texto é muito claro de tudo que vem acompanhando a grande farsa!
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Vânia Novoa Tadros comentou:
06/04/2014
Bessa, eu só queria lembrar aqui que não foi o Papa que sugeriu que Anchieta fosse Santo. Há vários séculos acontecia um movimento leigo em São Paulo para beatificá-lo e nas últimas décadas espalhou-se pelo Brasil inteiro com uma revista que além de falar da vida do Padre registrava os pedidos de graças enviadas pelos leitores e os depoimentos das graças obtidas de casos terminais cujas curas foram atestadas por médicos como milagrosas. Foi formado um processo quer percorreu todas as instâncias necessárias. Foram constatados os dois milagres necessários para a beatificação o que foi aceita por João Paulo II. O processo continuou e aconteceu o terceiro milagre. Depois de atestado por vários médicos como verdadeiro é que o Papa Francisco o declarou Santo. Quanto ao seu relacionamento com os índios sabemos que qualquer imposição de nova religião e outros elementos culturais é prejudicial a pessoa alvo, porém dentro do contexto em que foi criado e que trabalhava temos que reconhecer que Anchieta comportou-se da forma mais delicada possível.
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Rodrigo Siqueira comentou:
06/04/2014
Lúcida análise com elementos históricos que lançam luz sobre o "santo" sem milagres. Nossos países latino-americanos, que são plurinacionais, estão fartos de santos do pau oco como esse.
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Hery DePauxis comentou:
06/04/2014
José Bessa pega leve. Mas eu digo: Canonizar o cara que dizia que "índios que não se tornarem cristão devem todos serem exterminados", e que, talvez, tenha sido o fundador da guerra bacteriológica, é muita merda de mundo em final de vida. Não somente os Pauxis mas várias etnias da parte setentrional-oeste do Pará, foram extintas porque se recusaram a virar "cristãos". Nos manuais de guerra bacteriológica dos Estados Unidos e da Holanda estão as táticas dos Jesuítas de jogar cobertores com varíolas nas aldeias que se recusaram a serem batizados. Eu li os livros Holandeses da época em que eram narradas as atrocidades dos Portugueses e dos neo-brasileiros aos índios. Tudo deprimente. A historia dos índios de Bertioga, no Rio de Janeiro, é inacreditável. Anchieta é um grande fdp, mas talvez seja apenas uma vítima das circunstancias, já que ele era teleguiado pelo Papa da época, o FDP mor do Catolicismo.
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Maria Joana comentou:
06/04/2014
Confesso que, embora minha formação religiosa tenha sido dentro da Igreja Católica, comungo totalmente com a sua opinião no que diz respeito a canonização do Padre Anchieta. Acreditem. Sou uma pessoa de FÉ. Me sinto pequena demais para duvidar da existência de Deus.
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VITA comentou:
06/04/2014
Interrogações: Deus nos deu o livre arbítrio. Os Jesuítas, o castigo pela desobediência. Nas reduções Jesuíticas em São Miguel das Missões, Patrimônio Histórico da Humanidade, tombado pela UNESCO, esta a prova numa placa localizando o “tronco”, onde os índios eram castigados. Deus nunca abandona um filho seu. Os Jesuítas abandonaram os indígenas em nome da obediência ao Rei. Prova disso, também na história da Guerra Guaranítica de 1750 a 1756, com o massacre de mais de 1.200 indígenas.
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Susana Grillo comentou:
06/04/2014
Colonialidade, palavra-chave para essa canonização...
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Leilson Gabriel Andrade comentou:
06/04/2014
padre pai dos povos indigenas do espirito santo... exemplo;etnias comp guaranys,machacalis ,bugres,tupiniquins,tupinabas,botocudos,aymore...
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Dy Eiterer comentou:
06/04/2014
Excelente texto do professor José Bessa. Parabéns, professor, conseguiu expressar um sentimento que eu tinha aqui dentro!
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Juliano Sobriño (via FB) comentou:
06/04/2014
Amém! O cristianismo só crescerá com isso. Precisamos de cristaos assim. Chega de uma fé opressora, dominadora e destruitiva. A história do cristianismo deve mto a propria história. Há mtos anos pela frente pra que haja uma reparacao.
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Dy Eiterer (via FB) comentou:
06/04/2014
Sim, Juliano Sobriño. Faço parte desse grupo dos que são cristão e sabem separar as críticas e o mundo científico da fé. Minha origem é católica, da qual passei muitos anos afastada e, agora, convertida ao protestantismo, transito muito bem entre as críticas, a razão, a ciência e minha fé. É por conhecer justamente as duas versões da história que me oponho ao Anchieta....
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Juliano Sobriño (via FB) comentou:
06/04/2014
Agora, ao contrário de vc, Dy Eiterer, eu sou "anti" um monte de coisas: anti-reacionários, anti-direita, anti-doutrinacao e tou averso a pessoas que praticam a misologia hoje. gosto nao e nao tenho saco mesmo! E qto ao pensamento cristao e aos cristaos, tenho nada contra em respeito a alguns amigos e colegas que, de fato, podem ser chamados de cristaos. Eles sao bem resolvidos e sabem separar o pensamento cientifico do mistico e nao se incomodam com críticas como as nossas. Isso nao os faz ter menos ou mais fé em algo, pois entendem que criticar as instituicoes religiosas e a propria biblia é necessario.
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Dy Eiterer (via FB) comentou:
06/04/2014
William, não sou anti nada, muito menos com relação à igreja, mas estudei, sim, um pouco da história dos povos indígenas. E só pela forma de como as relações entre o europeu e os nativos se deram que sou absolutamente insensível à canonização de Anchieta. O Professor José Bessa é um grande especialista na área. Tive o prazer de estudar com ele e, por isso, compartilho o texto e a opinião dele e com ele.
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Juliano Sobriño (via FB) comentou:
06/04/2014
Por ora, tenho a dizer que os estudos históricos já deixaram clarissimo que foi Anchieta, inclusive documentos escritos por ele tbm sao evidentes qto ao seu posicionamento na colônia. Mas, como historiador, nao estou aqui para julga-lo; ele assim foi contraditório como qq um de nós. O que critico é a petulancia da igreja fazer dele santo. É um desrespeito fudido com todos os povos indígenas e com a história brasileira. A hipocrisia e o descrédito com alguns dos seus membros que propuseram essa santidade. Agora, o debate É com vc, Dy Eiterer. Resolva a questao aí! rs.
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William César (via FB) comentou:
06/04/2014
Convido-os a estudarem mais a Igreja Católica, para depois criticarem depreciativamente. Leiam os documentos da Igreja e aprofundem-se. Ser anti-Igreja é muito fácil. É lamentável quem tem esse tipo de conduta.
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Paulo Bezerra comentou:
06/04/2014
Que moral tinha o " santo" Padre Anchieta para condenar os rituais e costumes dos indígenas? Vejamos o que há de comum entre a Antropofagia e a Eucaristia. A Antropofagia era praticada por alguns povos indígenas por que acreditavam que ingerindo as cinzas dos inimigos vencidos, assimilariam suas forças e coragem. A Eucaristia é a crença na transformação do pão no corpo de Cristo e do vinho em seu sangue. E todo domingo, milhares de padres e fiéis comem do pão (hóstia) e bebem do vinho acreditando estarem recebendo o corpo e o sangue de Cristo. Não seria a Eucaristia uma forma, digamos, menos " selvagem" de Antropofagia? Então, que moral tinha o " santo" Padre Anchieta para condenar os rituais e costumes dos indígenas?
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Sonia Mariza comentou:
05/04/2014
Obrigada por mais essa contribuição aos povos indígenas, à sociedade brasileira e ao estabelecimento da verdade histórica!
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Francisco de Castro comentou:
05/04/2014
COMO É BOM LER ALGO VERDADEIRO...
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Xanda Miranda (via FB) comentou:
05/04/2014
Curiosamente também considerado por muitos o 1o professor do país.
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Lisbela (via FB) comentou:
05/04/2014
Mestre suas intervenções teóricas são de extrema importância para desmistificarmos o "MITO".
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Odair Giraldin comentou:
05/04/2014
Mundo, mundo, vasto mundo! Andamos e andamos e não se rompe com a colonialidade. Ao contrário, reforça-a. Assim como não rompemos com a mentalidade da força, da violência, da brutalidade. Vide os setores que defendem os militares no poder, os quais, diga-se de passagem, violentaram os indígenas durante os vinte anos de ditadura. E o que anda fazendo atualmente o governo federal? Parece que o lema no Brasil é: devagar com o andor e, por favor, sem ruptura.
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Marco Morel comentou:
05/04/2014
Na mosca, Bessa. Falando dos Aimorés em 1581, dizia Anchieta: "Não se acha remédio contra tamanha praga”. Ou seja, quando a catequese não funcionava, o "remédio" era outro. Pensei que existia, além da comprovação dos tais milagres, a exigência de pesquisas históricas para passar um crivo na vida do candidato à canonização. Ou então a matança de índios não é considerada um problema. Na cidade de Anchieta (ES), outrora território dos Aimorés \ Botocudos, há uma estátua do novo santo, diante da qual dois índios esculpidos estão prostrados de joelhos.
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Bel Missagia comentou:
06/04/2014
Nasci e passei minha infância em Anchieta, ES, onde viveu e morreu o agora Santo. Gostaria que ele fizesse um milagre - pois até hoje parece impassível - e salvasse aquela cidade, antes tão fértil e rica (Reiritiba: lugar de muitas ostras). Dói no coração vê-la carcomida pelo desenvolvimentismo destruidor do ambiente e das relações sociais. Os índios que lá resistem não recebem apoio, pois até hoje parecem representar "atraso" perante as autoridades civis e religiosas. Se sua santificação servisse para abrir a consciência das pessoas e libertasse a cidade da poluição trazida pelas usinas de pelotização da Vale - em pleno processo de expansão -, eu juro que passaria a acreditar nele com devoção. Obrigada, Bessa, por mais essa pérola de reflexão!
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Rosinere Evaristo comentou:
05/04/2014
Sem nenhum interesse em desrespeitar a fé ou a religião. Vale a leitura e reflexão. Por decreto foi pior "que o previsto".
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Isabel Carmi (via FB) comentou:
05/04/2014
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Milton Guran comentou:
05/04/2014
Obrigado, Bessa, por se fazer, com tanta competência, nosso porta-voz.
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Marco Lazarin (via FB) comentou:
05/04/2014
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Deise Lucy (via FB) comentou:
05/04/2014
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Jose Varella (via FB) comentou:
05/04/2014
"é mestre José Bessa quem diz. E olha só o que o mestre está dizendo. Por muito menos muita gente acabou na fogueira do Santo Ofício, não se pode esquecer. "Devagar com o andor É preciso abrir a imagem do novo santo para verificar o que ela esconde em seu interior.
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Mauro Souza comentou:
05/04/2014
Bessa, andar pelo difícil terreno entre o tênue limite do mundano e do sacro, do homem e do santo é sempre arriscado e potencialmente propício as reações apaixonadas e não racionalizadas, requisitos da fé. Mas a credibilidade de quem estuda e vive a realidade indígena desde sempre como você, permite que, para mim, seja possível compreender claramente a simbologia da canonização sob a perspectiva dos índios e dos indigenistas. Obrigado pela análise que sempre nos faz pensar e a estimular um juízo sobre algo.
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Georgina Uribe comentou:
07/04/2014
Nesta segunda-feira (7/4) houve uma procissão e uma missa em São Paulo, celebrada por dom Odilo Scherer, com a participação de duas mil pessoas. Entre elas, não havia um único índio. Convidado pelo celebrante, o governador Geraldo Opus Dei Alkmin falou na igreja aos fiéis sobre Anchieta: "Ele é um bom exemplo para nós católicos e para todas as pessoas de boa vontade". Estou decepcionada. Não me considero pessoa de boa vontade, porque não quero seguir este exemplo. Depois da fala do Geraldo Opus Deis, Agnaldo Rayol cantou a AVE MARIA.
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